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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os Melhores do Ano: Top 20 [20º-11º] #2018

2019 já começou, mas estamos sempre a tempo de fazer o balanço do ano que terminou. Sobre 2018, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta, como de costume, o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema em Portugal ao longo do ano e estreias Netflix) do que de melhor se fez no cinema.

Aqui ficam os meus eleitos, do 20º ao 11º lugares.

20. O Primeiro Homem na Lua (First Man), de Damien Chazelle, 2018


A alma de O Primeiro Homem na Lua vive da sensibilidade que se ganha com a utilização da película. 16 mm nos planos mais claustrofóbicos, dentro das naves espaciais - uma autêntica viagem no tempo -, onde alcançamos grande proximidade com as personagens; 35 mm quando as personagens têm os pés bem assentes na Terra, convivem ou estão com as famílias, fazendo-nos tirar o máximo partido das imagens; 65 mm quando o Homem chega à Lua, para dela desfrutarmos na sua plenitude - planos a condizer com a imensidade do espaço. Eis que as texturas dão vida ao filme, despertam os sentidos e mostra ao mundo como a película vive, cada vez mais, para proporcionar experiências que se pensavam já perdidas em cinema. Está viva e recomenda-se - até já chegou à Lua.

19. Carga, de Bruno Gascon, 2018


Um thriller onde as mulheres são vítimas mas igualmente heroínas, Carga é uma surpresa violenta e bem concretizada, com um leque de actores que dão tudo de si. Um filme cheio de girl power, que realça as mulheres como grandes lutadoras que são, Carga marca uma nova etapa no cinema português, com um certo activismo latente, numa denúncia acesa da violência que é o tráfico humano, sem receios, nem tabus.

18. The Florida Project, de Sean Baker, 2017


The Florida Project explode num contraste de cores vivas e alegres a lembrar os castelos da vizinha Disney, com a paradoxal realidade decadente e infeliz, onde são as crianças que ainda a iluminam. Há um retrato sócio-económico indissociável desta longa-metragem, que dá a conhecer este outro lado da Disney World, onde a pobreza e o desencanto espreitam. A fantasia, os sonhos, os riscos que não existem para crianças de seis anos, a vontade de explorar, a ausência de vergonha para pedir uns trocos e dividir um gelado, a linguagem vulgar de adultos que sai como farpas da boca de crianças. São estes os encantos do naturalismo com que Sean Baker filma.

17. A Forma da Água (The Shape of Water), de Guillermo del Toro, 2017


Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência.

16. Gatos (Kedi), de Ceyda Torun, 2016


Um filme dedicado aos gatos de Istambul e a todos os cidadãos que os amam e cuidam, só pode ser especial. Inesperadamente, somos apresentados aos milhares de gatos da cidade turca, e queremos ser teletransportados para lá, o que Gatos faz especialmente bem. Um documentário fabuloso, ternurento e a prova viva de que o património de uma cidade vai muito para lá do inanimado.

15. BlacKkKlansman: O Infiltrado (BlacKkKlansman), Spike Lee, 2018


A partilha de identidade entre o polícia negro e o polícia branco desencadeia os momentos mais bem concretizados do filme, com Adam Driver a destacar-se no papel do judeu, que pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com realismo. Ao seu lado, John David Washington sai-se bem num papel, acima de tudo, divertido, e apresenta um homem que desafiou preconceitos e se assumiu tão ou mais capaz que os outros. O respeito conquista-se e Ron Stallworth mostra isso mesmo.

14. Colo, de Teresa Villaverde, 2017


A adolescência é, mais uma vez, o foco de Teresa Villaverde, que a explora tendo como ambiente a crise económica e os problemas de uma família. Mas tudo extrapola o mais comummente associado a estas temáticas. A beleza e significância de Colo adivinham um rejuvenescimento de coragem e esperança, mas sempre alerta. Não será talvez um filme fácil, mas é profundo, mágico, num bonito retrato da protagonista, Marta. Ela precisa de Colo, sem dúvida.

13. Ilha dos Cães (Isle of Dogs), de Wes Anderson, 2018


Mensagens a retirar desta longa-metragem não faltarão. Das ecológicas às sócio-políticas. Revoltemo-nos contra quem maltrata ou abandona animais. Revoltemo-nos igualmente contra todos aqueles que colocam as vidas dos outros em suspenso, um pouco por todo o mundo real, dominado por extremistas e ditadores disfarçados. Revoltemo-nos e mostremos que também somos capazes de lutar como os protagonistas. Ilha dos Cães deve ser visto e sentido, com coração e cabeça, com amor e justiça.

12. Roma, de Alfonso Cuarón, 2018


As influências de Cuarón vão surgindo em Roma, bem como sinais premonitórios de acontecimentos futuros vão sendo subtilmente lançados ao longo do filme. E assim se constrói uma longa-metragem que é uma memória de infância filmada pelos olhos da criança que se tornou adulta, muito intima para o realizador e emotiva (em muitos aspectos) para o público. Roma não é a obra-prima que podia ser, mas oferece fabulosas sensações visuais e outras tantas muito emocionais. As mulheres sofrem, mas são elas as heroínas da história - e das crianças.

11. Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here), de Lynne Ramsay, 2017


O estilo da realizadora é cruel, com um ambiente que pode fazer lembrar um filme de terror, e personagens complexas. Joe é o nosso foco. Um homem adulto, cheio de traumas e de poucas palavras - tal como o filme, onde as imagens falam por si. As cicatrizes no corpo são testemunhos de um passado complicado, assim como os comportamentos suicidas e os pesadelos que não o largam. Afinal, ele exerce esta "profissão" numa espécie de acerto de contas com o passado. Joaquin Phoenix é fabuloso, sendo já habituais os seus excelentes desempenhos de personagens perturbadas. Mas o actor consegue sempre ir mais além e transfigura-se de tal forma que o realismo toma conta dele.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Animais Cinéfilos #5

Dias depois de se celebrar o Dia Internacional do Gato, o Animais Cinéfilos regressa com um filme onde são os felinos os protagonistas. Gatos é um documentário adorável sobre os gatos de Istambul, na Turquia. A forma como vivem em comunidade com os habitantes da cidade é admirável.


Em Istambul existem milhares de gatos vadios que têm um papel importante na vida de toda a gente.  São como uma família. Esta é a história de sete deles, filmada de perto pela realizadora Ceyda Torun. Um documentário dedicado aos gatos da cidade e a todos aqueles que os amam e cuidam. 


Aquando da estreia comercial escrevi uma crítica ao filme. Podem lê-la ou relê-la aqui.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Crítica: Gatos / Kedi (2016)

"Dedicated to the cats of Istanbul and all the Istanbulites who love and care for the city's animals."

*7.5/10*

Um filme dedicado aos gatos de Istambul e a todos os cidadãos que os amam e cuidam, só pode ser especial. Inesperadamente, somos apresentados aos milhares de gatos da cidade turca, e queremos ser teletransportados para lá, o que Gatos faz especialmente bem. Um documentário fabuloso, ternurento e a prova viva de que o património de uma cidade vai muito para lá do inanimado.


Em Istambul existem milhares de gatos vadios que têm um papel importante na vida de toda a gente. Esta é a história de sete deles, filmada de perto pela realizadora Ceyda Torun.

Trata-se do retrato da identidade de uma cidade que vai além de um bonito postal turístico. Consegue tocar no âmago da incomum relação entre humanos e gatos, contextualiza historicamente a sua origem e importância, admira-os, observa-os, analisa a personalidade de cada felino e sensibiliza para os problemas actuais dos gatos e da cidade.


Os testemunhos de quem com eles se relaciona diariamente são emocionantes. São símbolo de esperança e amor, eles que são caçadores, libertinos, ciumentos, possessivos, territoriais... Acompanhamos os animais dos mais variados pontos de vista, seja em cima dos telhados, à beira mar,  nos barcos com os pescadores, junto aos restaurantes - onde pedem festas e comida aos clientes -, dentro das casas ou mesmo ao seu lado, pelas ruas da cidade...

Gatos e pessoas circulam em conjunto, sem receios de nenhuma das partes. São vadios mas fiéis a alguns donos que os alimentam, cuidam, mimam, e, no entanto, amam a liberdade, acima de tudo. Uma realidade apaixonante para amantes de animais. Todos têm a sua função na sociedade.


Os felinos fazem parte do património da cidade e Gatos quer realçar essa importância cultural que é fundamental preservar. 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Sugestão da Semana #309

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Gatos, o documentário sobre a vida felina em Istambul, Turquia.

GATOS


Ficha Técnica:
Título Original: Kedi
Realizadora: Ceyda Torun
Género: Documentário
Classificação: M/6
Duração: 79 minutos

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Estreias da Semana #309

Esta Quinta-feira, chegaram cinco novos filmes aos cinemas portugueses. The Post e Gatos são duas das estreias.

Covil de Ladrões (2018)
Den of Thieves
Um grupo de ladrões planeia um assalto à Reserva Federal em Los Angeles, quando se apercebe que está a ser vigiado por uma unidade especial de combate ao crime. A concretização do assalto parece impossível, mas o líder dos assaltantes está confiante e segue em frente com o elaborado plano que inclui várias manobras de diversão. Neste confronto entre forças opostas, qual se revelará o verdadeiro vilão?

Faithfull (2017)
Marianne Faithfull já viu de tudo: sucesso e fama com 17 anos em Londres, a vida com Mick Jagger nos tempos conturbados dos Rolling Stones, escândalo, drogas, toxicodependência e declínio, a vida na rua e o renascimento, prémios e reconhecimento artístico.

Gatos (2017)
Kedi
Centenas de milhares de gatos vagueiam livremente pela metrópole de Istambul. Há milhares de anos que entram e saem das vidas das pessoas, tendo-se tornado numa parte fundamental das comunidades que compõem a riqueza desta cidade. Sem qualquer dono, os gatos de Istambul vivem entre dois mundos, sem serem selvagens nem domesticados - e trazem alegria e propósito às pessoas que escolhem adoptar. 

Maze Runner: A Cura Mortal (2017)
The Maze Runner: The Death Cure
Thomas lidera seu grupo de Clareirenses na sua derradeira e mais perigosa missão. Para salvar os amigos, terão de invadir a lendária Última Cidade, um labirinto controlado pelo CRUEL que pode revelar-se o mais mortífero de todos. Quem conseguir atravessá-lo com vida, receberá as respostas às perguntas que os Clareirenses têm feito desde o início.

The Post (2017)

Em Junho de 1971, o New York Times, o Washington Post e outros jornais importantes nos EUA assumiram uma corajosa atitude em defesa da liberdade de expressão ao divulgarem os Pentagon Papers, que colocavam a descoberto um conjunto de segredos governamentais envolvendo quatro décadas e quatro presidentes norte-americanos. Na época, Katherine Graham (Meryl Streep) do Washington Post, procurava ainda fortalecer a sua posição como a única mulher do país na liderança de um jornal, e Ben Bradlee (Tom Hanks), o editor da publicação, reunia esforços para reestruturar o jornal em dificuldades. Juntos, tomaram a corajosa decisão de lutar contra a tentativa sem precedentes da administração Nixon de restringir a liberdade de expressão.