Mostrar mensagens com a etiqueta Carga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carga. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os Melhores do Ano: Top 20 [20º-11º] #2018

2019 já começou, mas estamos sempre a tempo de fazer o balanço do ano que terminou. Sobre 2018, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta, como de costume, o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema em Portugal ao longo do ano e estreias Netflix) do que de melhor se fez no cinema.

Aqui ficam os meus eleitos, do 20º ao 11º lugares.

20. O Primeiro Homem na Lua (First Man), de Damien Chazelle, 2018


A alma de O Primeiro Homem na Lua vive da sensibilidade que se ganha com a utilização da película. 16 mm nos planos mais claustrofóbicos, dentro das naves espaciais - uma autêntica viagem no tempo -, onde alcançamos grande proximidade com as personagens; 35 mm quando as personagens têm os pés bem assentes na Terra, convivem ou estão com as famílias, fazendo-nos tirar o máximo partido das imagens; 65 mm quando o Homem chega à Lua, para dela desfrutarmos na sua plenitude - planos a condizer com a imensidade do espaço. Eis que as texturas dão vida ao filme, despertam os sentidos e mostra ao mundo como a película vive, cada vez mais, para proporcionar experiências que se pensavam já perdidas em cinema. Está viva e recomenda-se - até já chegou à Lua.

19. Carga, de Bruno Gascon, 2018


Um thriller onde as mulheres são vítimas mas igualmente heroínas, Carga é uma surpresa violenta e bem concretizada, com um leque de actores que dão tudo de si. Um filme cheio de girl power, que realça as mulheres como grandes lutadoras que são, Carga marca uma nova etapa no cinema português, com um certo activismo latente, numa denúncia acesa da violência que é o tráfico humano, sem receios, nem tabus.

18. The Florida Project, de Sean Baker, 2017


The Florida Project explode num contraste de cores vivas e alegres a lembrar os castelos da vizinha Disney, com a paradoxal realidade decadente e infeliz, onde são as crianças que ainda a iluminam. Há um retrato sócio-económico indissociável desta longa-metragem, que dá a conhecer este outro lado da Disney World, onde a pobreza e o desencanto espreitam. A fantasia, os sonhos, os riscos que não existem para crianças de seis anos, a vontade de explorar, a ausência de vergonha para pedir uns trocos e dividir um gelado, a linguagem vulgar de adultos que sai como farpas da boca de crianças. São estes os encantos do naturalismo com que Sean Baker filma.

17. A Forma da Água (The Shape of Water), de Guillermo del Toro, 2017


Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência.

16. Gatos (Kedi), de Ceyda Torun, 2016


Um filme dedicado aos gatos de Istambul e a todos os cidadãos que os amam e cuidam, só pode ser especial. Inesperadamente, somos apresentados aos milhares de gatos da cidade turca, e queremos ser teletransportados para lá, o que Gatos faz especialmente bem. Um documentário fabuloso, ternurento e a prova viva de que o património de uma cidade vai muito para lá do inanimado.

15. BlacKkKlansman: O Infiltrado (BlacKkKlansman), Spike Lee, 2018


A partilha de identidade entre o polícia negro e o polícia branco desencadeia os momentos mais bem concretizados do filme, com Adam Driver a destacar-se no papel do judeu, que pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com realismo. Ao seu lado, John David Washington sai-se bem num papel, acima de tudo, divertido, e apresenta um homem que desafiou preconceitos e se assumiu tão ou mais capaz que os outros. O respeito conquista-se e Ron Stallworth mostra isso mesmo.

14. Colo, de Teresa Villaverde, 2017


A adolescência é, mais uma vez, o foco de Teresa Villaverde, que a explora tendo como ambiente a crise económica e os problemas de uma família. Mas tudo extrapola o mais comummente associado a estas temáticas. A beleza e significância de Colo adivinham um rejuvenescimento de coragem e esperança, mas sempre alerta. Não será talvez um filme fácil, mas é profundo, mágico, num bonito retrato da protagonista, Marta. Ela precisa de Colo, sem dúvida.

13. Ilha dos Cães (Isle of Dogs), de Wes Anderson, 2018


Mensagens a retirar desta longa-metragem não faltarão. Das ecológicas às sócio-políticas. Revoltemo-nos contra quem maltrata ou abandona animais. Revoltemo-nos igualmente contra todos aqueles que colocam as vidas dos outros em suspenso, um pouco por todo o mundo real, dominado por extremistas e ditadores disfarçados. Revoltemo-nos e mostremos que também somos capazes de lutar como os protagonistas. Ilha dos Cães deve ser visto e sentido, com coração e cabeça, com amor e justiça.

12. Roma, de Alfonso Cuarón, 2018


As influências de Cuarón vão surgindo em Roma, bem como sinais premonitórios de acontecimentos futuros vão sendo subtilmente lançados ao longo do filme. E assim se constrói uma longa-metragem que é uma memória de infância filmada pelos olhos da criança que se tornou adulta, muito intima para o realizador e emotiva (em muitos aspectos) para o público. Roma não é a obra-prima que podia ser, mas oferece fabulosas sensações visuais e outras tantas muito emocionais. As mulheres sofrem, mas são elas as heroínas da história - e das crianças.

11. Nunca Estiveste Aqui (You Were Never Really Here), de Lynne Ramsay, 2017


O estilo da realizadora é cruel, com um ambiente que pode fazer lembrar um filme de terror, e personagens complexas. Joe é o nosso foco. Um homem adulto, cheio de traumas e de poucas palavras - tal como o filme, onde as imagens falam por si. As cicatrizes no corpo são testemunhos de um passado complicado, assim como os comportamentos suicidas e os pesadelos que não o largam. Afinal, ele exerce esta "profissão" numa espécie de acerto de contas com o passado. Joaquin Phoenix é fabuloso, sendo já habituais os seus excelentes desempenhos de personagens perturbadas. Mas o actor consegue sempre ir mais além e transfigura-se de tal forma que o realismo toma conta dele.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Sugestão da Semana #350

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Carga, de Bruno Gascon, com Sara Sampaio no elenco. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

CARGA


Ficha Técnica:
Título Original: Carga
Realizador: Bruno Gascon
Actores: Michalina Olszanska, Sara Sampaio, Vítor Norte, Dmitry Bogomolov, Duarte Grilo, Miguel Borges, Ana Cristina Oliveira, Rita Blanco, Rui Porto Nunes, Rui Luís Brás
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 113 minutos

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Estreias da Semana #350

Oito filmes chegaram esta Quinta-feira aos cinemas portugueses. A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha, Carga Mais Um Dia de Vida são algumas das estreias.

A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha (2018)
The Girl in the Spider's Web
Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist são apanhados na teia de uma rede de espiões, criminosos cibernéticos e funcionários governamentais corruptos - tanto na Suécia como nos Estados Unidos -, uma rede conhecida como A Sociedade da Aranha.

Bel Canto (2018)
Uma famosa soprano (Julianne Moore) viaja à América do Sul para dar um concerto privado na festa de um magnata japonês (Ken Watanabe). No auge da reunião de diplomatas e políticos, a mansão é assaltada por um grupo rebelde armado que exige a libertação dos seus camaradas presos. Entre ameaças e mortes começa uma negociação tensa a que se segue um longo impasse. Enquanto estão presos na mansão, reféns e captores, que falam línguas diferentes, são forçados a encontrar formas de comunicar. A música, especialmente as belíssimas árias cantadas pela personagem de Julianne Moore, desperta uma camaradagem comum e faz florescer o amor, unindo pessoas que criam inesperados laços, levando-as a ultrapassar as suas diferenças e a redescobrirem a sua humanidade.

Belleville Cop - O Super Agente (2018)
Le Flic de Belleville
Quando um amigo de infância que vive em Miami é assassinado após ter denunciado um gangue de traficantes de droga, Baaba viaja para os EUA com o objectivo de apanhar os criminosos.

Um camião, uma estrada e um destino imprevisível cruzam-se numa rede de tráfico de seres humanos. Apanhada nessa rede, Viktoriya tem apenas uma hipótese: lutar para sobreviver.

Condomínio (2017)
The Super
Phil muda-se com as filhas para um condomínio em Nova Iorque onde irá trabalhar como supervisor, e onde, estranhamente, vários inquilinos têm vindo a desaparecer. O mistério adensa-se com a chegada da sua família e nada os prepara para a inesperada origem destes desaparecimentos.

Mais Um Dia de Vida (2018)
Another Day of Life
Filme de animação baseado no livro homónimo de Ryszard Kapuscinski, um dos maiores repórteres do século XX que esteve em Angola no conturbado período entre o 25 de Abril de 1974 e a independência do país africano, em Novembro de 1975. Mais um Dia de Vida é o relato dessa época e um dos livros mais conhecidos do jornalista polaco. Depois de 400 anos de domínio colonial, assiste-se ao surgimento de um novo país, imerso numa sangrenta guerra civil que visa decidir quem governará a nação libertada.

Operação Overlord (2018)
Overlord
Na véspera do Dia D, pára-quedistas americanos são lançados atrás das linhas inimigas a fim de realizarem uma missão vital para o sucesso da invasão. Mas, à medida que se aproximam do alvo, começam a perceber que algo estranho está a acontecer numa aldeia ocupada pelos alemães. Subitamente, vêem-se a lutar contra forças sobrenaturais que fazem parte de uma experiência levada a cabo pelos nazis.

Uma Família Ideal (2018)
An Ideal Home
Paul (Paul Rudd) e Erasmus (Steve Coogan) são um casal quezilento com uma vida extravagante. Erasmus é uma celebridade, exigente e popular. Paul é o seu parceiro, discreto e menos confiante. Mas quando Bill, o neto desconhecido de Erasmus, surge sem ter para onde para ir, o casal decide acolhê-lo. Apesar das dificuldades para se integrar nas suas vidas, a criança indesejada conquista os seus corações. Mas quando o pai de Bill é libertado da prisão e volta para recuperar o filho, os dois homens percebem que não se luta contra a família, lutamos por ela.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Crítica: Carga (2018)

"The road is long but nobody said it was easy..."
Viktoriya


*7.5/10*

Entre as paisagens geladas da Serra da Estrela e os quartos escuros de casarões abandonados, abrem-nos os olhos para a realidade cruel do tráfico de seres humanos. Carga é o corajoso filme português, realizado por Bruno Gascon, que quer despertar consciências e denunciar um problema global.

Um thriller onde as mulheres são vítimas mas igualmente heroínas, Carga é uma surpresa violenta e bem concretizada, com um leque de actores que dão tudo, e que vão de nomes conceituados como Vítor Norte à estreante Sara Sampaio, a modelo que quer ser actriz - e não se sai nada mal.

Esta é a história de Viktoriya (Michalina Olszanska), uma jovem russa apanhada numa rede de tráfico ilegal, que apenas tem uma hipótese: lutar para sobreviver; e de António (Vítor Norte), um velho camionista que se cruza no caminho da jovem, despoletando um encontro que o leva a questionar todos os seus princípios.


Eis um tema de difícil abordagem, poucas vezes filmado no cinema. Carga transmite-nos o frio, o medo e o desespero que rodeiam as personagens. A tensão é crescente e, até ao final, Bruno Gascon oferece-nos planos bem estudados e algumas mensagens subtis tanto acerca das personagens como sobre o enredo.

Carga é falado em três línguas diferentes (inglês, português e russo), e o silêncio está muito presente, quer pelas dificuldades de comunicação, quer pelo sigilo que convém guardar dos crimes e ilegalidades que se passam naquele submundo. As ameaças são muitas e a desconfiança paira sobre traficadas e traficantes. Curiosamente, todas as personagens têm uma dualidade muito realista. Têm personalidades fortes, fraquezas e segredos. Este é um dos pontos mais fortes do filme, que o aproximam ainda mais do público.

No elenco, encontramos grandes desempenhos. A protagonista Michalina Olszanska tem uma forte presença e magnetismo, incorporando todo o sofrimento de Viktoriya de uma forma muito natural.  O veterano Vítor Norte é o homem que vive numa luta interior, tão culpado como subjugado pela rede de tráfico. Dmitry Bogomolov é Viktor, manipulador, sem escrúpulos, que quase não manifesta emoções. Ana Cristina Oliveira tem poucos minutos no ecrã mas conquista todas as atenções com a sua Sveta, em especial, num fabuloso monólogo, em que revela toda a dor que carrega, ao lado de Sara Sampaio. A modelo é a cara das jovens traficadas e sai-se muito bem no seu primeiro papel, emotiva e segura de si. Duarte Grilo e Miguel Borges surgem como homens fortes de Viktor, ambos num conflito interno, lutando para não mostrar fraquezas.


Carga só peca por um clímax demasiado prolongado, onde surgem flashbacks que poderiam funcionar melhor com uma montagem diferente. A banda sonora, por sua vez, é um dos pontos fortes da longa-metragem.

Um filme cheio de girl power, que realça as mulheres como grandes lutadoras que são, Carga marca uma nova etapa no cinema português, com um certo activismo latente, numa denúncia acesa da violência que é o tráfico humano, sem receios, nem tabus. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Entrevista a Bruno Gascon, realizador de Carga: "Tentei criar uma sociedade dentro de uma rede de tráfico de seres humanos"

Bruno Gascon gosta de temas difíceis e a sua primeira longa-metragem, Carga, faz jus a isso mesmo, é sobre o tráfico de seres humanos. Com duas curtas no currículo cinematográfico, o realizador estudou em Amesterdão e, de regresso a Portugal, começou por fazer documentários e programas de televisão sobre temas sociais. Agora, nos seus filmes, são esses os temas que continua a preferir.

Bruno Gascon - Foto: Luís Sustelo
O Hoje Vi(vi) um Filme esteve à conversa com Bruno Gascon (B.G.) sobre Carga. O filme estreia nos cinemas a 8 de Novembro.

Escolheste logo um tema muito forte para a tua primeira longa-metragem...
B.G.: Sim, eu gosto de temas fortes e posso já adiantar que a minha próxima longa vai ter um tema forte também. Posso dizer que é um tema actual. Gosto de explorar o pensamento humano e a mentalidade em relação a certo tipo de temas. Às vezes, as pessoas gostam de olhar para o lado e não enfrentar os problemas. A sociedade só evolui se tu falares sobre esses temas e sendo, no meu caso, ficção, acho que é uma forma de passar a mensagem também.

Como foi todo o processo da construção do argumento, as pesquisas, etc.?
B.G.: Em Amesterdão, entrei logo em contacto com este tipo de problemas. Existe aquela ideia de que lá, no red light [district], a prostituição é uma coisa livre, mas o que a maior parte das pessoas não sabe é que muitas daquelas mulheres são traficadas. Depois voltei [para Portugal], encontrei várias histórias sobre isso e decidi contar, na minha primeira longa, um tema pesado que é um problema global. Sobretudo, tentei demonstrar que não é só um problema de terceiro mundo, como ouvi muitas vezes, e as pessoas nem sequer tinham a noção disso. Muitas vezes, esse problema está mesmo ao nosso lado, no nosso vizinho, nos nossos amigos, na nossa família.

Vocês falaram - ou pelo menos a Joana Domingues [produtora] falou - com vítimas de tráfico humano, não foi?
B.G.: Sim, eu ouvi histórias até porque não tive acesso a essas pessoas. As mulheres que foram traficadas são muito protegidas e vivem em casas protegidas. Estão muito desconfiadas e é-lhes difícil confiar nas pessoas. A minha pesquisa foi muito por aí, ter acesso às histórias e tentar recriar a realidade o mais cruel possível. O que faço muitas vezes, seja uma traficada, seja um rei do tráfico, é meter-me nos pés da pessoa e tentar perceber o que é que eu faria naquela situação. Tal e qual fui fazendo nas minhas curtas - a curta anterior é sobre suicídio e a primeira é sobre esquizofrenia. [Em Carga] Tentei criar uma sociedade dentro de uma rede de tráfico de seres humanos. Aquelas personagens têm características comuns a todos nós e o que introduzi foi esse problema global. Temos, por exemplo, o António, que é interpretado pelo Vítor Norte que é um camionista e é uma personagem que está numa situação limite. Eu gosto de pôr as personagens nessas situações limite. Ele faz aquilo por dinheiro ou desculpa-se com o problema do dinheiro, mas depois vamos perceber que isso o vai atormentando ao longo do filme.


Ia agora falar-te sobre isso. As tuas personagens são muito ambíguas... Querias que as pessoas se identificassem? Que sentissem como se fossem personagens quase reais?
B.G.: Sim, tentei dar o máximo de realidade às minhas personagens e tento sempre fazer isso. Porque acho que não existem bons ou maus. Existe todo um lado cinzento que todos temos, no nosso dia-a-dia. Temos muitas camadas. Todos já tivemos más acções, todos já tivemos boas acções e é isso que tento tirar daquelas personagens. E, como o filme retrata, todas têm uma carga, aquela carga emocional é trazida por todas elas, tal como nós, na nossa vida, temos uma carga. Todos temos problemas, todos fazemos boas acções. Se uma pessoa é mais retraída ou fala menos é porque, provavelmente, existiu alguma coisa ao longo da vida dela que a tornou assim. E é essa experiência que eu quero que as personagens tenham, sejam elas boas ou más.

Porque aqui até com os mais mauzões nós simpatizamos ligeiramente, não é?
B.G.: Sim, no fundo, eles também são pessoas e, de certa forma, também têm boas acções. Por exemplo, o Viktor, que é protagonizado pelo Dmitry Bogomolov, é o chefe da rede de tráfico mas fá-la funcionar como uma empresa. Ele não deixa de ser um ser humano que teve problemas no passado, tem o tal background e essa carga emocional sobre ele também. O Dmitry deu-lhe um cunho muito pessoal. O próprio Dmitry foi criando aqueles movimentos e aquela personagem de acordo com o que fomos falando. Aquela rede já era uma coisa que vinha da geração anterior, é um negócio de família e o Viktor sempre se sentiu subjugado pelo pai. Não queria cometer os mesmos erros que o pai, porque ele era muito emotivo, e o Dmitry é uma pessoa mais fria, mais manipuladora, e quis demonstrar que era melhor do que o pai.


Vamos passar para a Sara Sampaio. Como surgiu a oportunidade trabalhar com ela?
B.G.: Falei com ela, ela leu o guião, disse-me que o tinha lido numa viagem de avião, que tinha adorado, que existia violência no filme, é verdade, mas que não era gratuita, tinha um sentido. Quando lhe expliquei a personagem dela e que queria que ela fosse a cara e a imagem de todo aquele grupo de pessoas, ela aceitou na hora. As pessoas estão sempre à espera de ver a Sara modelo e aqui é um registo completamente diferente. A Sara aqui não está embelezada, não está a vestir roupas de passerelle, de várias marcas, a Sara aqui é a Sara actriz e as pessoas vão ficar surpreendidas com o resultado.

E relativamente aos outros actores? Alguns já conhecias, como por exemplo o Duarte [Grilo]...
B.G.: Na verdade, o único que eu conhecia era o Duarte. Todos os outros foram contactos feitos a seguir. Quando escrevi o guião já tinha pensado em todos aqueles actores para aqueles papéis. Sendo uma primeira longa-metragem, eu tinha sempre aquele receio "eles não vão aceitar, não me conhecem de lado nenhum, é uma primeira obra", mas tal e qual como a Sara, assim que eu falei uma vez, todos eles aceitaram. Ou seja, foi das partes mais fáceis, ter aquelas pessoas, aqueles actores enormes a interpretarem estes papéis. Fiquei com uma óptima relação com todos eles. Foi isso que me surpreendeu de certa forma, porque eu estava habituado a ver na televisão, no cinema, no teatro todas aquelas pessoas e ver aqueles nomes a trabalharem contigo e a serem pessoas extremamente humildes, trabalhadoras... Senti-me honrado por virem fazer este filme comigo.

Como foi trabalhar com eles?
B.G.: Foi facílimo. Por exemplo o Vítor Norte, que já tem muitos anos de experiência, é das pessoas mais humildes e com um nível de exigência enorme. Está sempre muito preocupado, em todos os takes, em todos os planos, se está bem ou não. Com a Rita [Blanco] eu aprendi muito. A Rita é um poço de energia. Estar quieto ou mal-disposto ao pé da Rita é impossível. Ela é uma pessoa extremamente inteligente e ensinou-me muito sobre cinema. É incrível... A pessoa que mais me surpreendeu, na verdade, foi a Michalina [Olszańska]...

E eu ia perguntar-te como é que a escolheram...
B.G.: É uma história curiosa. Quando chegou a altura de escolher a personagem principal eu estava à procura de alguém que falasse russo e que tivesse alguns traços russos. Quando escrevo os guiões já imagino as características das personagens e quando vi a primeira curta da Michalina achei que ela tinha as características ideais e que se ia enquadrar no papel. Falei com a Joana Domingues, que é a produtora, e disse: "olha, acho que é esta rapariga", e ela disse: "mas tens a certeza? não querias escolher uma pessoa russa? ela é polaca" e eu disse: "tenho a certeza absoluta que é esta rapariga". Mandámos-lhe uma mensagem pelo Facebook e ela pediu para enviarmos o guião. Passado um dia, mandou-me um testamento enorme a dar-me uma dica, que não posso dizer para não criar spoilers do filme. Entretanto, veio cá três dias, nós falamos um bocadinho e depois eu e a Michalina criamos uma conexão enorme e, hoje em dia, ela é quase das minhas melhores amigas. É uma pessoa extraordinária além de, para mim, ser das mais talentosas da geração dela. Tive o Miguel, o Vítor que estavam a vê-la contracenar e até eles ficaram surpreendidos como é que uma rapariga com 25 anos consegue ter aquela capacidade, para além de ela ser um prodígio. Já escreveu livros, aprendeu a tocar violino aos seis anos de idade... Mas foi realmente a pessoa que mais me surpreendeu neste filme.


Nota-se no teu filme um pouco a estética que associamos aos filmes europeus - e é europeu, é português. Foi intencional? Tem a ver com as tuas influências cinematográficas?
B.G.: Também tem um bocadinho a ver com as minhas influências mas é a primeira vez que me dizem isso e que me fazem essa pergunta. Neste momento ainda estou à procura de encontrar um estilo próprio, mas há coisas que vou sempre fazendo e isso tem a ver com as influências que tenho. Por exemplo, utilizo muito planos centrados e o Kubrick utilizava muito as perspectivas. Vejo cinema, seja ele europeu, seja ele americano. Sou uma pessoa que gosta realmente de cinema, vejo do mais autoral ao mais comercial que possas imaginar. Gosto de Kubrick, Hitchcock, Polanski... Quando vou ao cinema gosto que o filme me diga alguma coisa e poderá ser essa a explicação para eu gostar tanto de temas fortes. Gosto muito de tudo o que seja sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre os judeus. Gostei muito de O Pianista, Os Falsificadores... Também gosto muito de cinema nórdico. Utilizam muito a técnica fria, escura, é uma coisa com que me identifico. Tens a saga Millennium ou Lars von Trier, têm muito esse lado negro. Acima de tudo quero passar uma mensagem, mesmo que essa mensagem seja negra. O mundo não é um mundo cor-de-rosa. As pessoas andam um bocadinho adormecidas e tu às vezes tens de levar aquele murro no estômago para que te apercebas que aquela realidade existe. E, se calhar, só assim é que as coisas vão mudar.

Tens aqui um filme feminista?
B.G.: Sim, pode dizer-se que sim. Tem de se começar a retirar a ideia de que só os homens têm personalidades fortes e são as pessoas fortes num filme. Até porque, muitas vezes, uma mulher é muito mais complexa do que um homem e acho que isso devia jogar a favor das pessoas que fazem cinema. Porque é que se dão sempre papéis fortes a homens? Apesar dos homens [em Carga] serem a rede de tráfico, o papel duro, físico, as mulheres têm um papel muito mais complexo e quando as pessoas virem o filme vão perceber que quem domina são as mulheres. A ideia foi, de certa forma, inverter os papéis. As mulheres aqui são traficadas, são frágeis mas o frágil não implica que as pessoas sejam fracas. Deve haver uma igualdade entre todos e a sociedade tem de evoluir para isso. Fala-se muito de feminismo e do #MeToo mas acho que ainda existe um largo caminho para isso acontecer. Não é uma questão das mulheres serem mais do que os homens mas de serem iguais. Ponto final. Tanto no cinema como na nossa sociedade as coisas devem ser igualadas. Este filme é um filme mais feminista, mas também foi com esse intuito, de mostrar às pessoas que apesar de serem frágeis, as mulheres também são extremamente complexas e, na verdade, são o sexo forte.

E é curioso porque surge no momento certo...
B.G.: Foi um timing, calhou. Quando começamos a gravar foi quando rebentou o #MeToo... Calhou. Mas é uma coisa que deve ser falada e temos de caminhar para isso. E acho que a sociedade só tem a ganhar.

Criaste um filme muito internacional, e não só pelo número de línguas em que é falado, quantas são?
B.G.: Três. Inglês, português e russo. Essa linguagem também funciona um bocadinho como uma personagem, porque tens muitas falhas de comunicação ao longo do filme. Pessoas que só falam russo, pessoas que só falam inglês, pessoas que falam português, mal falam inglês e nem sequer falam russo... e estas falhas de comunicação acontecem no nosso dia-a-dia e têm também a ver com a cultura que temos. Tentei criar um filme internacional, e como o tráfico de seres humanos é um problema global, tentei dar-lhe esse realismo. Estamos em Portugal mas, com a Internet, temos acesso a qualquer parte do mundo. Tentei que as pessoas percebessem que esta realidade existe em Portugal, existe na Rússia, existe em todo o mundo.

Criaste uma Torre de Babel...
B.G.: Tentei. Na verdade, a tentativa foi essa, criar um microcosmos, em que se perceba que existem varias pessoas da nossa sociedade metidas lá dentro, não só no nosso país mas no mundo inteiro. Tentei recriar um mundo ali.


Que motivos vão levar o público às salas de cinema para ver o Carga?
B.G.: Acho que um dos motivos será... Pergunta difícil essa! um dos motivos é o facto de termos um leque de actores fantástico. Outro é o facto de, apesar de ser um drama, também tens muitas situações de tensão. Também pela estreia da Sara Sampaio, como é óbvio. Pelo tema, que é o tráfico de seres humanos e está bem mais perto de nós do que podemos pensar. E porque é um filme português e espero que as pessoas possam dar uma oportunidade, porque o cinema português está a evoluir cada vez mais. Tem de se tirar aquele estigma de que o cinema português é chato e aborrecido.

Na Comic Con Portugal, disseram que já tinham vendido o filme para alguns países. Quais?
B.G.: Já vendemos para a China, existe interesse do Japão, da França, e já fomos vendidos para os Estados Unidos e para o Canadá. Para já é só, mas vamos passar na Rússia e no Luxemburgo, entretanto.

Queres que o Carga seja um filme activista?
B.G.: Boa pergunta. O que eu quero é que o filme chegue ao máximo de pessoas possível, que as pessoas vão ver e que tenha as salas cheias, não vou dizer que não. Mas, acima de tudo, quero que o filme passe uma mensagem, e essa mensagem tem a ver não só com o tráfico de seres humanos, como com o nosso dia-a-dia. Existem coisas subliminares que estão lá colocadas, que não são sobre o tráfico de seres humanos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Comic Con Portugal 2018: 2º dia em Resumo

No segundo dia de Comic Con Portugal, o Hoje Vi(vi) um Filme conheceu melhor o espaço, então já completo e com visitantes a circular. Composto, mas muito longe da enchente do dia seguinte, o Passeio Marítimo de Algés convidava a explorar cada tenda. E assim foi. Aproveitei a oportunidade para experimentar o novo telemóvel da ASUS, ROG Phone, pensado especialmente para gamers (mas não só) e concluí que continuo com pouco jeito para jogos de vídeo. No que toca ao resto, gostei bastante da experiência de jogo e da multifuncionalidade deste smartphone, que vem com sistema de arrefecimento incluído.


No auditório New Genesis, Marcos Bessa, designer sénior da Lego, falou da sua experiência e respondeu a algumas perguntas do público.

Passando para o cinema, assisti à apresentação do filme Carga, que tem estreia nacional agendada para 8 de Novembro de 2018, e do qual já falei aqui. Os cinéfilos presentes alegraram-se com a presença de Dan Fogler. O actor, que interpreta Jacob Kowalski na saga Monstros Fantásticos, esteve à conversa com os fãs presentes no auditório Olimpo. Provavelmente, um dos painéis mais animados da Comic Con, com Fogler a demonstrar um humor de fazer inveja e um enorme sentido de improvisação. Da plateia, as perguntas incidiram, em especial sobre a saga Harry Potter, com revelações curiosas por parte do actor, como, por exemplo, o facto do Patronus da sua personagem ser um golfinho. Dan Fogler revelou-se uma simpatia.


No final da tarde, Dichen Lachman despediu-se dos fãs no auditório Olimpo, onde respondeu a questões e falou sobre os papéis mais exigentes, como o da série Carbono Alterado.

domingo, 9 de setembro de 2018

Comic Con Portugal 2018: Carga

Foi no segundo dia de Comic Con Portugal 2018 que o filme Carga se deu a conhecer ao público presente no auditório Olimpo. A produtora Joana Domingues, o realizador Bruno Gascon e os actores Dmitry BogomolovDuarte Grilo e Rui Porto Nunes apresentaram o filme e responderam a algumas questões.


O filme estreia a 8 de Novembro nos cinemas portugueses e já está vendido para a China, e com muitos outros interessados como a Índia, os Estados Unidos e alguns países Europeus. O filme é falado em três línguas diferentes.

Um camião, uma estrada e um destino imprevisível cruzam-se numa rede de tráfico de seres humanos. Apanhada nessa rede, Viktoriya tem apenas uma hipótese: lutar para sobreviver. E eis o mote para um thriller de peso.

Carga é um filme independente que arriscou, quer levar temas (quase) tabu ao grande ecrã e colocá-los na ordem do dia. Toda a equipa quer alertar para o problema do tráfico humano. Joana Domingues destacou que todos sentem "uma responsabilidade muito grande" e acrescenta que "há certos temas que é preciso ter coragem de abordar". Este é um deles. A temática despertou grande interesse da parte da plateia presente que quis saber mais e, até, como ajudar as vítimas deste crime.

Num mundo onde o movimento #MeToo continua a ser notícia, Carga é um filme em que "as mulheres têm um papel fundamental", explicou o realizador. A protagonista Michalina Olszanska e a modelo Sara Sampaio serão duas dessas mulheres fortes. No elenco ainda se encontram nomes como Vítor Norte, Rita Blanco, Miguel BorgesAna Cristina Oliveira.


Durante o painel, a equipa apresentou, para além do novo trailer, lançado em primeira mão na Comic Con Portugal, duas cenas do filme, em exclusivo. A curiosidade já está aguçada.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

MOTELx'17: Entrevistas - Luís Campos (Carga)

O MOTELx'17 começa hoje e fica em Lisboa até 10 de Setembro, e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017 estão a concorrer 9 curtas-metragens nacionais: #blessed, de Diogo LopesCarga, de Luís CamposDepois do Silêncio, de Guilherme DanielEntelekheia, de Hugo MalainhoA Instalação do Medo, de Ricardo LeiteMãe QueridaJoão Silva SantosO Candeeiro - Um Filme à Luz de Lisboa, de Henrique Costa e Hugo PassarinhoRevenge Porn, de Guilherme Trindade e Thursday Night, de Gonçalo Almeida.


Continuamos a conhecer melhor os realizadores e filmes nacionais seleccionados. Hoje começamos com a entrevista a Luís Campos, realizador de Carga.

De onde surgiu a ideia de fazer este filme?
Luís Campos (LC): A ideia de fazer o Carga nasceu de uma forte vontade de conjugar a paisagem litoral e as idiossincrasias da região de Cortegaça / Esmoriz (tradição pesqueira, venda de lenha, etc.) com uma narrativa fictícia que fosse capaz de envolver comboios de carga, crianças em situação de opressão e de atribuir uma certa fantasia ao conceito realista e pertinente da ida / fuga / migração das gerações mais jovens de Portugal ao longo dos últimos anos.

As bonecas que surgem numa das imagens promocionais do filme, já por si, causam uma espécie de arrepio. Como é que um brinquedo consegue tomar tais proporções quase fantasmagóricas?
LC: As bonecas são um desses vários elementos visuais que me suscitaram o desejo de retratar a peculiar paisagem da região. As bonecas já estavam lá, tal e qual como aparecem no filme, e são elas próprias uma característica do bairro dos pescadores que liga Cortegaça a Esmoriz. Têm o seu quê de creepy, de mórbido, bem junto à bandeira nacional que as acompanha e foi esse espírito que tentei incutir na narrativa do filme (e na realidade dos seus personagens). Esse plano das bonecas é por si só capaz de transmitir uma certa ausência de esperança e de futuro, directamente ligada à (propositada) inexistência de personagens femininas no filme. É um plano meio apocalíptico, como a gigantesca relva do campo de futebol do bairro, que transmite uma certa ideia de passado abandonado, de ruína. E praticamente tudo isso já faz parte daquela paisagem, não partiu da nossa imaginação. Apenas construímos uma narrativa fictícia em torno de (e capaz de ser potenciada por) tudo isso.

Ao mesmo tempo, as crianças assumem um papel fundamental na curta-metragem. Como foi trabalhar com actores tão jovens?
LC: Foi óptimo, recompensador e desafiante. Nenhum dos dois actores protagonistas tinha qualquer experiência prévia na representação e foi necessário encontrar delicadas formas de comunicação nos diversos momentos. Eles próprios são filhos ou netos de actuais pescadores locais, eles próprios fazem parte daquela paisagem. Fiz o casting nas ruas, cruzando-me e conversando com eles, com a ajuda do Humberto Rocha (produtor do filme, que é natural e residente naquela região). Sabia que precisava de um determinado tipo de olhares e de expressões de rosto capazes de sustentar o ambiente e o tom que eu procurava para o filme. Encontrei o que procurava no Gustavo e no André, que abraçaram o desafio com intensidade e com elevado sentido de compromisso. Passaram umas férias de verão diferentes do costume e estão de parabéns pelo resultado final, que é muito bem conseguido de ambos, e só lhes posso estar grato pelo que conseguiram atribuir ao filme.


O que pode o público esperar da curta-metragem?
LC: Espero que alguma tensão e algum deslumbre visual. Aquela paisagem é realmente maravilhosa, de intrigante, e espero que o desafio narrativo que o filme propõe lhe consiga corresponder.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
LC: É um papel fundamental, maioritariamente de causa, resistência e amor pelo cinema, que deveria ser mais e mais reconhecido pela sociedade em geral. Os organizadores da larga maioria dos festivais nacionais batalham arduamente para subsistir, ano após ano; os festivais de cinema não são um negócio propriamente rentável ou lucrativo e exigem muito trabalho de muitas pessoas para fazer nascer cada nova edição. Não deixar cair a diversidade da oferta que os nossos festivais eventualmente propõem é uma missão suficientemente digna (e difícil) para não ser aqui considerada. Todos os espaços são poucos para exibir cinema nacional e qualquer janela que possa ajudar a mostrar os filmes que por cá se vão fazendo é sempre benéfica, inclusive na lógica da exportação de conteúdos agora que cada vez mais o mundo está atento ao que acontece neste ímpar cantinho à beira-mar plantado. A concentração de público num determinado festival permite que as obras consigam chegar a pessoas que de outra forma não teriam oportunidade de visualizar os filmes, suscitando e estimulando curiosidade pela transversalidade do cinema. Os festivais têm esse papel activo na própria formação e educação de público. Parece-me que, portanto e apesar de existirem sempre formas de reforçar as actividades de divulgação ao cinema nacional por parte dos festivais existentes, é importante termos uma consciência e um sentimento de celebração pelo que com muito mérito e nobreza por cá vai sendo conquistado: vem aí a 11.ª(!!) edição do MOTELx. É incalculável o valor do trabalho que o festival tem colocado no estímulo e na divulgação do cinema nacional (e na diversidade das propostas que apresenta). Essa sensibilidade e reconhecimento são muito importantes para que eventos como o MOTELx e outros vários possam continuar a existir.

Sinopse
Numa pequena vila piscatória, dois rapazes são forçados a tomar parte activa no tráfico de substâncias ilícitas. Quando o mais velho prepara um plano de fuga, o mais novo vê-se obrigado a lidar com as adversidades de ser deixado para trás.