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sábado, 15 de junho de 2024

Entrevista: Isac Graça, actor de Pedágio: "Os violentadores da liberdade alheia adoram ser levados a sério, e o filme não faz isso"

A propósito da estreia da produção luso-brasileira Pedágio, de Carolina Markowicz, sobre a qual já escrevemos no blog, entrevistámos o actor português Isac Graça, que no filme veste a pele de um Pastor estrangeiro "especialista" em terapias de conversão sexual. Falámos sobre o filme, sobre o desafio de interpretar esta personagem e desvendámos alguns dos seus projectos futuros. 

Como surgiu a oportunidade de fazer parte de Pedágio?

Isac Graça: Foi um golpe de sorte. Quando foi anunciado que A Viagem de Pedro, da Laís Bodanzky, ia estrear no Festival de São Paulo, tive uma sensação qualquer de que era essencial ir, e tenho aprendido a não ignorar essas sensações. Uma vez lá, a estreia correu particularmente bem. No dia a seguir passei umas horas no Museu de Arte Contemporânea da cidade, e estava a voltar para o hotel num táxi, cheio de dores nos pés, quando o Luís Urbano (produtor d'O Som e a Fúria) me liga a dizer que precisava de falar comigo. Enquanto eu estava no Museu, ele e a Karen Castanho (produtora brasileira da Biônica) tinham tido um almoço com a Carolina Markowicz, que não estava a encontrar o actor para o Pastor, sugeriram-me, e apesar de eu não ter a idade da ideia inicial para a personagem, a Carolina aceitou encontrar-se comigo essa noite. O Urbano disse-me para não ir com expectativas, e assim fiz. Tomei um banho, fiz uma sesta, e fui, e a conversa correu bem. Na manhã seguinte - voltava para Lisboa ao início da tarde - estava a acabar de tomar um bruto pequeno-almoço para me aguentar no voo, o Luis volta a ligar-me a dizer que a Carolina tinha ficado interessada em mim e que me queria fazer uma audição. Eu disse que sim (apesar de ainda não ter lido nada do guião), pedi só um tempo para fazer as malas. Fi-las, check out, meteram-me num táxi, e fui para o outro lado de São Paulo fazer a audição. Atiraram-me umas cenas para cima da mesa, fiz as cenas. Voltei ao hotel e fomos directos para o aeroporto. Nesse táxi, o Luís recebeu uma mensagem a dizer que eu tinha ficado com o trabalho.

Depois de teres sido o absolutista D. Miguel em A Viagem de Pedro, voltas agora a interpretar mais um vilão noutra produção luso-brasileira. Fala-me um pouco deste Pastor Isaac e de como te preparaste para o papel. Quais os principais desafios da personagem?

Isac Graça: Eu não parto do princípio que faço vilões, embora em ambos casos tenha total lucidez que o seu papel na narrativa é antagónico, e que, modo geral, são personagens longe da minha ética. Parto do princípio que interpreto seres humanos, por mais que a sua linha geral seja a do Mal (que é sempre algo muito discutível), logo, nos processos, encho-os de pequenos detalhes de vulnerabilidade, de contradições, de nuances dúbias, e, claro, esforço-me por descobrir os porquês de serem como são. No caso do Pastor Isaac, já que o objectivo era satirizar, e em última instância, construir a personagem para a destruir, tive de clarificar mesmo tudo. E tornou-se claro que era alguém que fazia o que fazia não só por alinhar com um certo senso comum intolerante com divergência sexual (possivelmente até recusando a sua própria identidade), como por uma coisa que é comum à maioria das pessoas num mundo capitalista: fazer dinheiro enquanto coisa mais importante da vida. Eu, sendo cristão, ainda que sem ligação a igrejas específicas, parto do princípio que é preciso cuidado com a ganância financeira, que o dinheiro eventualmente pode corromper o espírito, que é algo que traz consequências nefastas e certos castigos, como o que acontece no filme (sem fazer spoiler), portanto tive muita dificuldade em construir a mente de uma pessoa que não se aceita a si nem aos outros, e que vive em prol do dinheiro. Só porque para mim isso é bizarro. Mas não podia fazer um capitalista geral, porque há milhares de tipos de capitalista, então afunilei a construção nos vendedores da banha da cobra e nos populistas, pessoas que vejo como sendo uma espécie de extrema-direita menos assumida, mais cool e modernizada, que na verdade podemos encontrar em qualquer partido político, e na rua, e a fazer scroll no Youtube ou no Instagram. Confrontei-me com essa hipótese, que tive de assumir que existe em mim, algo que tornou a construção íntima e violenta, polvilhei-a de referências reais, e pronto, acaba por ser tanta coisa que estás a tratar, que nem reparas e já estás com uma câmara em cima a fazer o filme.

Como foi a experiência de filmar fora de Portugal?

Isac Graça: Aterradora, por não conhecer bem ninguém na equipa, sendo o único português no set, e estando com o Oceano Atlântico a separar-me de casa. Felizmente, a Carolina deixou-me assistir a um dia de rodagem antes de começar a sequência do Pastor, pedi-lhe isso porque precisava de entender o tom do filme, e isso ajudou-me a estruturar e não me sentir fora. No dia da minha primeira cena, fui para o set uma hora e meia antes, e fiquei por lá a lidar, a criar mise-en-scene e a pensar e repensar decisões, e quando dei conta, já tínhamos filmado a cena. Mas não fugi do medo. Abracei-o.

Do que mais gostas em Pedágio?

Isac Graça: Eu acho o filme todo muito sólido. É uma história acessível para toda a gente, aquele eterno drama de desentendimento entre pais e filhos, mas com um ponto de vista da direcção muito enviesado, o que torna o filme mais cru e cruel. E gosto da coragem de ir mudando de tom, tens o lado dramático, o satírico e um quase de thriller de acção, mas dentro destes tons, aquele de gosto mais, porque acho uma arma mais eficaz contra a intolerância, é o satírico. Os violentadores da liberdade alheia adoram ser levados a sério, e o filme não faz isso. E como deixa meia dúzia de gatos pingados do gatekeeping mais desconfortáveis, recusando-o, deixa-me a mim bem-disposto. Acho a recusa do humor um tique de classe. Há muita gente bem mais conservadora do que se diz, profundamente classista, que ainda acha que o humor satírico é um género menor, porque, na sua génese, é a grande arma da classe trabalhadora. Eu diria que não entendem a força do humor. Ou que lhe querem pôr rédeas. Só que não vai acontecer. E o problema acaba por ser deles, porque ao recusarem o humor do filme, o tiro é-lhes direccionado, e aí não há status quo que os possa salvar.

Foi apenas no final de 2023 que o Parlamento português aprovou a lei que criminaliza as práticas de conversão sexual. No Brasil, ainda não é bem assim. Qual é, para ti, a importância de filmes como Pedágio nos dias que correm, em tempos de tanta intolerância e extremismos?

Isac Graça: Todo o Cinema é político, muitas vezes não tem é coragem de se posicionar, e quando não se posiciona, alinha com o Poder. Mas aí questiono-me se é Cinema. E não sei. Ao menos o Cinema de propaganda estatal é assumido, sabemos com o que contar. E de resto, o Cinema resvala sempre para a realidade, nem precisa de ter estreado ainda para isso começar a acontecer. Atrás eu dizia que, a par com a realizadora, construí a personagem para a destruir. No dia em que filmei a última cena do Pastor, lembro-me de pensar "Okay, estou a dar o corpo às balas. É um momento de queda. Mas não vou cair sozinho." E nesse dia, no set, pensei em dezenas de pessoas que, de certa forma, são o Pastor. A seguir ao filme caí numa espiral de tristeza que me destruiu, isto na realidade. O que de alguma forma me salvou foi saber, no fundo, que iria valer a pena. E a verdade é que, ao longo do período de montagem, e de exibição do filme, desde Toronto em Setembro, têm caído todas as pessoas em que pensei naquele dia, uma por uma. É que o Cinema vem da realidade para depois voltar para ela.

Começaste no teatro e desde então tens participado em muitos projectos no cinema e na televisão. A tua carreira tem crescido muito nos últimos anos. Ainda o mês passado estiveste em Cannes com a equipa de Mau por um Momento, de Daniel Soares, que recebeu uma menção honrosa no festival. Que personagens mais te marcaram até agora e porquê?

Isac Graça: Todas têm contribuído para este meu processo ininterrupto de construção e reconstrução da minha identidade enquanto cidadão, e por isso nutro carinho por todas elas. No outro dia, um amigo perguntou-me, numa viagem de carro, quantas personagens já tinha feito. Contabilizei, com algum esforço, e vou em cerca de 50 pessoas, todas com o seu lado lunar e com as suas coisas boas também. Mas a verdade é que não quero escolher nenhuma, porque acredito, sinceramente, que ainda estou a começar. A procissão ainda vai no adro.

E sobre os teus próximos projectos, o que é que já podes revelar?

Isac Graça: Além do Mau por um Momento que vai começar a rodar as capelinhas dos festivais depois da estreia em Cannes, tenho dois projectos muito distintos do Ivo M. Ferreira a sair, O Americano e o Projecto Global, com personagens muito complexas, mas ainda não sei quando. E o filme do Paulo Alexandre Mota, que estive três anos a filmar, e esteve em montagem durante anos a fio, o Paulo teve um processo muito solitário e paciente com o filme, que na verdade foi o meu primeiro, e cuja última montagem que vi amo muito, e tenho muita vontade de mostrar às pessoas. E pronto, estou a ensaiar um espectáculo, e envolvido em duas rodagens de filmes, uma em breve, a outra para o ano, mas não quero falar sobre isso.

domingo, 22 de maio de 2022

Sugestão da Semana #508

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Viagem de Pedro, de Laís Bodanzky

A VIAGEM DE PEDRO


Ficha Técnica:
Título Original: Pedro
Realizadora: Laís Bodanzky
Elenco: Cauã Reymond, Victoria Guerra, Rita Wainer, Luise Heyer, Francis Magee, João Lagarto, Luísa Cruz, Isac Graça, Isabél ZuaaWelket Bungué, Celso Frateschi, Gustavo Machado
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/14
Duração: 96 minutos

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Estreias da Semana #508

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses 13 novos filmes. A Viagem de Pedro e Vortex são duas das estreias.

A Cordilheira dos Sonhos (2019)
La cordillera de los sueños
No Chile, quando o sol nasce, tem de subir colinas e montes até atingir o topo da Cordilheira dos Andes. No Chile, a cordilheira é tudo. Mas para os cidadãos chilenos, é um território desconhecido. Depois de ter ido para norte, em Nostalgia da Luz, e para sul em O Botão de Nácar, Guzmán quis filmar de perto esta imensa coluna vertebral para explorar os seus mistérios, revelando poderosas informações da história do passado e do presente chileno.

A Memória de Um Assassino (2022)
Memory
Alex Lewis (Liam Neeson) é um experiente assassino conhecido pela descrição. Quando recusa completar uma missão a mando de uma organização criminosa, transforma-se num alvo e tem de perseguir aqueles que o querem matar. Os agentes do FBI, Vincent Serra (Guy Pearce) e Linda Amistead (Taj Atwal), e o agente dos serviços secretos mexicanos, Hugo Marques (Harold Torres), são chamados para investigar o rasto de corpos deixados por Alex. Tanto o FBI como o Sindicato do Crime seguem de perto o rasto do assassino, mas Alex tem as competências necessárias para estar sempre um passo à frente, excepto numa coisa: começa a sofrer de graves perdas de memória, que afectam os seus passos e tornam o seu objectivo cada vez mais difícil de cumprir. Perante isto, Alex é forçado a questionar as suas acções e em quem deve confiar.

A Odisseia dos Tontos (2019)
La odisea de los giles
Um grupo de moradores de uma aldeia perto de Buenos Aires decide depositar todas as suas economias num banco para criar uma cooperativa agrícola que, crêem eles, mudará o seu destino. Vítimas de um advogado e de um banqueiro corruptos, acabam por perder todo o dinheiro. Liderados por Perlassi (Ricardo Darín), uma lenda do futebol local, os nove incautos farão justiça pelas próprias mãos, numa noite que se tornará a mais lendária das suas vidas.

A Viagem de Pedro (2021)
Em 1831, D. Pedro deixa o Brasil independente rumo à Europa, a fim de preparar a luta contra o irmão Miguel pelo trono de Portugal, onde é tido como traidor. No meio do Atlântico, a bordo de uma fragata inglesa, misturam-se membros da corte, oficiais, criados e escravos, numa babel de línguas e de posições sociais. Pedro tenta reunir forças para a guerra fratricida que se aproxima, mas a doença e o medo da morte lançam-no numa espiral de delírios. Revive diversos momentos da sua vida, a infância, o casamento com Leopoldina, o romance com Domitila de Castro e imagina discussões com o irmão. Partindo de uma lacuna nos relatos históricos, Laís Bodanzky imagina esta viagem num ousado exercício de encenação histórica.

Ainbo: Espírito da Amazónia (2021)
Ainbo: Spirit of the Amazon
A épica viagem de uma jovem heroína e dos seus Guias Espirituais, Dillo um tatu engraçado e bem-humorado, e Vaca uma anta gigantesca e pateta, que embarcam numa jornada a fim de salvarem a sua casa na floresta amazónica.

Delicioso (2021)
Délicieux
França, 1789, pouco antes da Revolução. O prestígio de uma casa nobre depende também da qualidade da sua mesa e a gastronomia continua a ser uma prerrogativa dos aristocratas. Pierre Manceron, ousado mas orgulhoso cozinheiro, é dispensado pelo Duque de Chamfort, e perde o gosto pela cozinha. Regressado à sua casa de campo, o encontro com a misteriosa Louise, que deseja aprender a arte culinária ao seu lado, devolve-lhe a autoconfiança e impele-o a emancipar-se da condição de servo para empreender a sua própria revolução. Ambos alimentam um desejo de vingança contra o Duque e inventam um lugar de prazer e partilha aberto a todos: o primeiro restaurante. Uma ideia que lhes valerá clientes... e inimigos.

Eiffel (2021)
Após terminar o seu trabalho na Estátua da Liberdade, Gustave Eiffel estava no auge da carreira. O governo francês pede-lhe que crie algo espectacular para a Exposição Universal de 1889, em Paris. Eiffel prefere concentrar-se no projecto do metropolitano. Tudo muda quando reencontra um antigo amor de infância e a relação proibida o inspira a mudar para sempre a linha do horizonte de Paris.

Jujutsu Kaisen 0 (2021)
Gekijouban Jujutsu Kaisen 0
Yuta Okkotsu é um nervoso estudante do ensino secundário que sofre de um problema grave - é assombrado pela sua amiga de infância Rika que não o deixa em paz. Como Rika não é uma maldição vulgar, a situação é notada por Satoru Gojo, professor no Colégio Jujutsu em Tóquio, uma escola onde exorcistas aprendem a combater maldições. Gojo convence Yuta a inscrever-se, mas poderá ele aprender o suficiente a tempo de enfrentar a maldição que o assombra?

Meu Filho (2021)
My Son
Enquanto conduz no coração das Terras Altas da Escócia, Edmond Murray recebe uma chamada da ex-mulher, em lágrimas. O seu filho de sete anos desapareceu de um acampamento. Torna-se claro que a criança foi raptada e os pais cedem ao desespero.

O Rei dos Belgas (2016)
King of the Belgians
Desesperado por voltar a casa depois de uma visita de estado a Istambul, quando o seu país vive a sua pior crise política de sempre, mas na impossibilidade de apanhar um voo devido a uma tempestade solar, o Rei dos Belgas encontra-se no meio de uma viagem de carro tumultuosa através dos Balcãs. 

Paris 13 (2021)
Les Olympiades
Paris, 13.º Arrondissement. Emilie, uma jovem que salta de trabalho em trabalho, precisa de um inquilino para dividir casa e conhece Camille, professor e doutorando, com quem inicia uma relação casual. Por sua vez, Camille sente-se atraído por Nora, colega de trabalho que desiste de acabar o curso após ser confundida com Amber, uma conhecida camgirl com quem irá desenvolver uma forte ligação. Amigos, às vezes amantes e muitas vezes ambos, estes jovens redefinem a noção de amor moderno.

Sentimental (2020)
Julio e Ana estão juntos há mais de 15 anos. Tornaram-se um casal que já não se olha nem toca e que faz da luta diária a essência da sua relação. Esta noite, Ana convidou os seus vizinhos de cima, Salva e Laura, um casal mais novo, amigável, mas cujos ruídos são agora um aborrecimento para Julio e Ana... ou talvez um estímulo? Os vizinhos de cima farão uma proposta invulgar e surpreendente que transformará a noite numa experiência exagerada e catártica para todos.

Vortex (2022)
Os derradeiros dias de um casal que sofre de demência.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

IndieLisboa 2022: Programa fechado

O 19.º IndieLisboa já tem programa fechado e revelou quais são os cerca de 250 filmes que compõem a sua programação. Entre 28 de Abril e 8 de Maio, o festival regressa ao Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal e Biblioteca Palácio Galveias.

Viagem ao Sol

A Competição Nacional de Longas conta com nove obras, de autores de diferentes gerações e abordagens: Atrás Dessas Paredes, de Manuel Mozos; Mato Seco em Chamas, de Adirley Queirós e Joana Pimenta; O Trio em Mi Bemol, de Rita Azevedo Gomes; Super Natural, a primeira longa de Jorge Jácome; Frágil, de Pedro Henrique; Périphérique Nord, de Paulo Carneiro; Rua dos Anjos, primeira longa-metragem de Renata Ferraz e Maria Roxo; Viagem ao Sol, de Susana de Sousa Dias e Ansgar Schaefer; e Águas de Pastaza, de Inês T. Alves.

Nas curtas-metragens nacionais, encontram-se títulos como: Às Vezes Os Dias, Às Vezes A Vida, de Janine Gonçalves; O Banho, de Maria Inês Gonçalves; Domy + Ailucha - Cenas Kets!, de Ico Costa; Azul, de Ágata de Pinho; By Flávio, de Pedro Cabeleira; Mistida, de Falcão Nhaga; e Tornar-se um Homem na Idade Média, de Pedro Neves Marques.

A secção Boca do Inferno conta este ano com oito curtas e quatro longas. Destaque para She Will, de Charlotte Colbert, um revenge movie da era #MeToo sobre uma antiga estrela de cinema num retiro de saúde após uma dupla mastectomia; e Holy Emy, de Araceli Lemos, ambientado na comunidade filipina emigrada em Atenas, segue duas irmãs e os poderes curativos sobrenaturais da mãe delas.

Nesta edição, a secção Novíssimos conta com 12 filmes: Catástrofes Naturais, de Margarida Pinto da Fonseca; e Milagre de Agualva Cacém, de Ricardo Guimarães, são dois dos títulos em competição.

A sessão de abertura do IndieLisboa é um double bill, com dois filmes restaurados no âmbito do Projecto Filmar, da Cinemateca Portuguesa: Albufeira, curta-metragem dos anos 1960, de cariz promocional do turismo na cidade algarvia,  mostrando a marca autoral e experimental de António Macedo, um dos fundadores do Cinema Novo português; e Zéfiro, de José Álvaro de Morais, que "caminha por Lisboa enquanto documentário, mas o que quer realmente é galgar o Rio Tejo em pleno modo ficcional, de forma a explorar a margem sul, onde parte à aventura Alentejo fora até ao Algarve"

A sessão de encerramento apresenta A Viagem de Pedro, de Laís Bodanzky, sobre "Pedro IV de Portugal e Pedro I do Brasil, o rei que ficou conhecido pelo grito do Ipiranga e pela independência do Brasil. Encontramo-lo num momento de regresso a Portugal, de onde fugiu das tropas francesas, para agora disputar a coroa portuguesa com o seu irmão, Miguel".

A Viagem de Pedro

Nas sessões especiais, encontra-se também o documentário de João Botelho, O Jovem Cunhal, com foco em Álvaro Cunhal. O filme examina "os primeiros anos da vida do histórico dirigente do Partido Comunista Português. Pelo meio, são encenados excertos dos seus próprios livros". Também Botelho volta a trazer Alexandre O’Neill ao cinema (depois de Um Adeus Português), agora com o conto Uma Coisa em Forma de Assim

Em Sita - A Vida e o Tempo de Sita Valles, de Margarida Cardoso, centra-se "no percurso da activista, anticolonialista, e militante do Partido Comunista", que após "a revolução portuguesa, e de uma cisão ideológica com o seu partido, quis contribuir para o movimento de libertação angolano". O filme de João Trabulo Lisboa, Cidade Triste e Alegre baseia-se no "livro de fotografia, dos arquitectos Victor Palla e Costa Martins". Ainda Um Nome para o Que Sou, de Marta Pessoa, foca-se em Maria Lamas, "figura central do feminismo português, a partir do processo de escrita de As Mulheres do Meu País, obra que retratava íntima e meticulosamente a condição das mulheres em Portugal no final dos anos 1940".

O programa Cinema e 5L, uma parceria com o Lisboa 5L, o novo Festival Literário da cidade de Lisboa, "junta cinco filmes onde a literatura é protagonista, seja pela adaptação, interpretação, transformação de um texto em cinema". Entre os filmes programados estão: Correspondências, de Rita Azevedo Gomes, News from Home, de Chantal Akerman, e Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira.

Na secção Director’s Cut, encontram-se cinco longas e duas curtas-metragens. Destaque para o restauro, feito em 2021, de The History of the Civil War, de Dziga Vertov; e Prism, de Eléonore Yameogo, An van. Dienderen, and Rosine Mbakam.

Ao programa do IndieMusic, junta-se uma novidade: Meet me in the Bathroom, de  Will Lovelace e Dylan Southern, que mostra o "mood de Nova Iorque pré-11 de Setembro. Combinando filmagens nunca antes vistas de bandas como LCD Soundsystem e Yeah Yeah Yeah Yeahs com entrevistas áudio íntimas, o documentário - inspirado no livro homónimo de Lizzy Goodman que por sua vez rouba o título a uma faixa de The Strokes - narra o fim do rock 'n' roll através das bandas que definiram essa época"

Toda a programação poderá ser consultada online em https://indielisboa.com/. Os bilhetes poderão ser comprados na Ticketline ou nas bilheteiras físicas do festival a partir do dia 14 de Abril.