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domingo, 27 de março de 2022

Oscars 2022: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com dois desempenhos muito intensos e verdadeiramente merecedores de mérito. Já J.K. Simmons, que muito admiro, não deveria constar entre os nomeados (poderia facilmente dar lugar a Jared Leto ou Al Pacino, por House of Gucci, por exemplo). 


Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.



Como Peter, o jovem actor surge inicialmente como um rapaz frágil e constantemente humilhado, mas revela, aos poucos, uma insensibilidade chocante e muito mais forte do que aparenta. Uma prestação verdadeiramente perturbadora de Kodi Smit-McPhee, cuja compleição física e o olhar inquiridor muito contribuem para o lado dúbio da personagem.



Troy Kotsur é sensibilidade e realismo em carne e osso. O actor surdo tem uma interpretação comovente e é capaz de transmitir tanto sem falar: entre a frustração de não ser compreendido pelos que ouvem, as dificuldades financeiras e o dilema em torno do futuro da filha mais nova - a única ouvinte da família.



Com a sua simplicidade, Ciarán Hinds é uma das personagens mais relevantes em Belfast. É ele o avô do protagonista, o companheiro de reflexões, sobre o presente e o futuro, e o conselheiro amoroso do neto. Uma personagem tão discreta como fulcral para o realismo das relações.



Na pele de George, Jesse Plemons surge como um homem bom e educado, mas com uma imensa dificuldade em lidar ou contrariar o irmão Phil. Por um lado, apresenta-se com alguma cobardia perante as desagradáveis atitudes do irmão; por outro, revela a coragem necessária para seguir a sua vida, contra a vontade de Phil. Não sendo surpreendente, Plemons é competente no papel.



Como William Frawley, actor um tanto problemático da sitcom de Lucy e Desi, J.K. Simmons não tem a performance mais memorável da sua carreira. Apesar de alguns momentos mais dramáticos em que são levemente referidos os seus problemas com o álcool ou quando é um ombro amigo para Lucy, Simmons não tem o destaque que merecesse nomeação.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Secundários

E entre os nomeados nas categorias interpretativas, só nos falta analisar quem está na corrida para o Oscar de Melhor Actor Secundário.

1. J.K. Simmons por Whiplash - Nos Limites (Whiplash)


Simmons funde-se com a sua personagem, Fletcher, o aterrador - quase sádico - professor que assombra a banda que dirige. Com Miles Teller - o único que lhe enfrenta o olhar ameaçador -, forma uma dupla imbatível. Fletcher é intransigente, um bully, capaz dos actos e das palavras mais inesperadas, que convive no entanto com um estranho sonho de encontrar o músico perfeito entre os seus alunos - uma espécie de máquina incapaz de errar. J.K. Simmons aterroriza-nos tanto como aos seus alunos e é impossível não querer dar o Oscar a este "vilão".

2. Robert Duvall por O Juiz (The Judge)


O veterano Robert Duvall surge seguro num papel que não lhe apresenta grandes dificuldades. Ele é Joseph Palmer, um juiz casmurro e extremamente rigoroso. Tudo isso se reflecte na má relação que mantém com o filho Hank, um conceituado advogado. Os papéis invertem-se quando o juiz se vê no banco dos réus e o filho na obrigação de o defender. Duvall confere à personagem a sobriedade que esta pede, um homem duro e orgulhoso, capaz de revelar o seu lado doce junto da neta. Por outro lado, ao descobrir-se a doença de que padece, assistimos a uma grande entrega emocional e física por parte do actor.

3. Mark Ruffalo por Foxcatcher


Como Dave Schultz, Mark Ruffalo quase passa despercebido ao lado de Steve Carell e Chaning Tatum. Todavia, a sua personagem e fundamental para toda a narrativa. Ele desempenha na perfeição o papel de um homem ponderado e fiel aos seus valores, que adora o irmão e põe a família à frente de tudo. Com uma interpretação tranquila e consistente, Ruffalo é bem sucedido a conquistar a simpatia da plateia.

4. Ethan Hawke por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)


Ao longo dos 12 anos de filmagens de Boyhood, Hawke é ele mesmo, igual ao que nos tem habituado - por exemplo na trilogia de Antes do Amanhecer. O actor (que parece não envelhecer, ao contrário das restantes personagens) é o pai ausente e irresponsável, sempre pronto para a diversão e para dar conselhos, apesar de não ser o melhor exemplo a seguir.
Não há muito a dizer. Ninguém duvida que Edward Norton é um excelente actor, mas, em Birdman, não nos mostra nada que o faça superar-se ou que não pudesse ser feito por qualquer outro actor, até com menos notoriedade.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Crítica: Whiplash - Nos Limites (2014)

"There are no two words in the English language more harmful than good job."
Terence Fletcher
*8.5/10*

O batimento cardíaco aumenta ao ritmo do da bateria e o corpo acompanha a sonoridade jazz. No fim, faltar-nos-ão as forças ao ver tanto esforço, raiva e vontade de ser o melhor, mas a motivação não terá limites. Damien Chazelle traz-nos muita teimosia e suor, acompanhados à bateria, em Whiplash - Nos Limites, a sua segunda longa-metragem. Para além de um exercício de estilo cheio de ritmo, somos conduzidos nesta aventura por dois protagonistas fabulosos e de personalidade singular: Andrew Neimann e Terence Fletcher - tão diferentes, mas, afinal, tão iguais.

Sob a direcção do exigente e impiedoso professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem e talentoso baterista, procura a perfeição a qualquer custo, mesmo que isso signifique perder a sua humanidade.

Com Andrew, suamos, sangramos e choramos de raiva, e, no final, ficamos mais exaustos do que o nosso herói da bateria. O argumento, simples e directo, dá o mote para todo o espectáculo sonoro e visual que se segue na luta pela perfeição. Tendo por base a sua própria experiência (esperemos que menos traumatizante), Damien Chazelle escreveu e realizou Whiplash - depois da curta-metragem homónima - e contagia facilmente a plateia com uma história que mostra o quanto é preciso batalhar para ser-se músico, centrada em duas personagens que dominam o filme.


A obsessão pela perfeição é seguida também nas interpretações de Miles Teller e J.K. Simmons em duas das melhores performances do ano. Teller mostra aqui verdadeiramente o que vale, da pura inocência de principiante à vontade crescente em ser o melhor, com o ego a aumentar e sem desistir perante as mais perturbadoras dificuldades. Como Andrew, Teller dá tudo o que tem e entrega-se de corpo e alma. Ele sua, sangra e chora, capaz de tudo para ser o melhor do mundo, mesmo nas situações mais adversas, numa vontade incontrolável de querer ser quase um super-humano. Ao seu lado, Simmons funde-se com Fletcher, o aterrador - quase sádico - professor que assombra a banda que dirige. Andrew é contudo capaz de lhe fazer frente e olhá-lo nos olhos quando todos os outros o evitam. É de um adversário à altura que Fletcher precisa, talvez, e será que Andrew é capaz do feito? Fletcher é intransigente, um bully, capaz dos actos e das palavras mais inesperadas, que convive no entanto com um estranho sonho de encontrar o músico perfeito entre os seus alunos - uma espécie de máquina incapaz de errar. Ambos ambicionam a perfeição e parece ser isso o que tão estranhamente os une e os faz desafiarem-se mutuamente.


O argumento de Whiplash é complementado por toda a componente técnica que com ele se funde em uníssono. A realização de Damien Chazelle é inteligente e muito dinâmica, acompanhada e bem por uma montagem ritmada que parece dançar ao som da fundamental banda sonora - qual protagonista. A fotografia proporciona excelentes momentos em palco (e fora dele) com a luz a jogar a favor do jazz que paira no ar. O ambiente é frenético, cheio de fluidos, planos incómodos e detalhes arrepiantes que a câmara de Chazelle capta como ninguém. Poucas vezes, num filme sobre música, se consegue uma harmonia tão inquietante e completa.

Damien Chazelle traz-nos uma experiência visual e sensorial como poucas. E se Andrew não chegar a ser o melhor do mundo, pelo menos Whiplash - Nos Limites já é, com certeza, um dos melhores do ano.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sugestão da Semana #153

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai, inequivocamente, em Whiplash - Nos Limites. À batida de Miles Teller, junta-se muito suor, sangue, lágrimas e a sua grande interpretação, apenas superada por J.K. Simmons.

WHIPLASH - NOS LIMITES


Ficha Técnica:
Título Original: Whiplash
Realizador: Damien Chazelle
Actores: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul ReiserMelissa Benoist
Género: Drama, Música
Classificação: M/14
Duração: 107 minutos