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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Sugestão da Semana #438

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Ninho, de Sean Durkin, com Jude LawCarrie Coon nos principais papéis.


O NINHO


Ficha Técnica:
Título Original: The Nest
Realizador: Sean Durkin
Elenco: Jude Law, Carrie Coon, Oona Roche, Charlie ShotwellTanya Allen
Género: Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 107 minutos

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Sugestão da Semana #359

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Vox Lux, de Brady Corbet, com Natalie Portman e Jude Law no elenco. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.



Ficha Técnica:
Título Original: Vox Lux
Realizador: Brady Corbet
Actores: Raffey Cassidy, Natalie Portman, Willem Dafoe, Jude LawStacy Martin
Género: Drama, Música
Classificação: M/14
Duração: 114 minutos

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

LEFFEST'18: Vox Lux (2018)

"They wanted a show. I gave them a show,"
Celeste


*8.5/10*

Vox Lux é um turbilhão de emoções que vai da violência brutal ao âmago da cultura pop e superficialidade. Brady Corbet parte de uma ideia com pontos de contacto com o seu filme de estreia, A Infância de um Líder, onde as crianças têm o comando da narrativa. Mais de metade do filme é-nos contado num tom sóbrio e directo, tenso. Mas os anos passam, Vox Lux avança e a protagonista cresce. O tom muda totalmente, e eis uma explosão de música, cor, neuroses, escândalos e tudo mais que a cultura pop adora.

Corbet avança sem receios, com a sordidez que o começa a caracterizar enquanto cineasta. Celeste, uma criança, é o veículo para transmitir a mensagem. 

Um rapaz problemático aparece numa aula de música, mata a professora à queima-roupa e dispara sobre os alunos adolescentes. Celeste (Raffey Cassidy), uma das alunas, recusa-se a ser intimidada e tenta, sem sucesso, chamar a atenção do rapaz, que acaba por atingi-la no pescoço. Este incidente terá repercussões inesperadas. Em recuperação no hospital, Celeste dedica-se à música e, numa vigília pelas vítimas, canta uma pungente canção que escreveu com a irmã, e de imediato capta a atenção do país. Celeste é lançada no mundo do espectáculo aos 14 anos de idade transformando-se numa estrela pop de sucesso com a ajuda da sua irmã (Stacy Martin) e de um produtor talentoso (Jude Law).  Passados 18 anos, Celeste (Natalie Portman) regressa à sua cidade natal para um concerto de promoção do seu novo álbum Vox Lux, depois de escândalos terem afectado a sua carreira.


A imagem vale mais que o talento. Esta estrela emerge da obscuridade, de um acontecimento violento e traumatizante, mas que, para ela, foi acima de tudo a oportunidade que, de outra forma, certamente não chegaria - a sua talentosa irmã que o diga. Brady Corbet é certeiro na sua ironia mordaz. A super-estrela surge através da tragédia. A crítica politico-social é evidente em Vox Lux, por mais que Brady Corbet possa negar. Há muitos Trumps mascarados, os jornalistas são incómodos, as armas são o grande inimigo. Há idolatria um pouco por todo o lado, desde a infância.

No decorrer do filme - e dos anos - temos uma breve lição de História dos 2000s, com destaque para alguns dos atentados terroristas que ficaram na memória: o Massacre de Columbine, o 11 de Setembro de 2001, ou o Atentado de Sousse, na Tunísia, em 2015, mesmo que com uma ou outra ficcionalização. Todos eles acontecimentos utilizados por Corbet na construção desta realidade demasiado hipócrita e violenta.

Dividido em três actos, Vox Lux mostra um excelente e complexo trabalho técnico, onde montagem e direcção de fotografia não passam despercebidas. No elenco, Natalie Portman deixou a música clássica e rendeu-se ao pop. As comparações à personagem de Cisne Negro ficam pela ligação à música e a alguma caracterização. De resto, são totalmente diferentes: Celeste é mimada, pouco talentosa, irresponsável e de maus modos. E talvez por isso mesmo, pela versatilidade que Portman demonstra a cada novo desafio, aqui temos mais um dos seus melhores papéis. E se tantos nomes que ascenderam ao estrelado ainda adolescentes cedo se envolveram em escândalos (Justin Bieber, Miley Cyrus, Britney Spears...), porque é que Celeste seria diferente?

Por seu lado, a prometedora actriz Raffey Cassidy - que surge neste filme a dobrar - interpreta a Celeste jovem e algo inocente, que depressa se torna intimidante e perturbada. Mesmo que nunca o admita, está claro que ela quer a fama, custe o que custar - doa o que doer, sim, porque a dor nunca a larga. O sucesso não chegaria sem pedir algo em troca, parece-me.


Brady Corbet é mesquinho para o espectador, espicaça a sua atenção e curiosidade acerca de Celeste e cria uma espécie de monstro no íntimo daquela personagem - somos testemunhas. No final, não nos mostra as consequências. Deixa no ar o espectáculo que é o mundo actual em torno de fenómenos como Celeste. Parece que o próprio realizador se desinteressa daquilo em que a protagonista se tornou sem nos oferecer uma conclusão em equilíbrio com o chocante início de Vox Lux. Talvez seja essa falta de consistência que possa desiludir a plateia e, com certeza, é propositada. São os tempos em que vivemos.

Brady Corbet apresentou o seu mais recente filme no Lisbon & Sintra Film Festival e conversou com o público após a sessão.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Opinião - Séries: The Young Pope (2016)

"There's only one thing I can do for you: Forgive you. Forgive you always." 
Lenny Belardo


*8/10*

Agora, que se fala com alguma regularidade sobre a segunda temporada de The Young Pope, é a melhor altura para recordar a série, iniciada em 2016, com Jude Law como protagonista.

Não pensei gostar tanto de uma série sobre o Vaticano e a Igreja, mas Paolo Sorrentino e Jude Law formaram a dupla certeira para me conquistar. O sarcasmo presente do primeiro ao último episódio, o cinismo, a crítica obrigatória, mas igualmente a abordagem séria dos milagres da compreensão e da iluminação, do autoconhecimento. Eis que surge The Young Pope. Assumo-o muito mais como uma tentativa de compreensão dos meandros do Vaticano, mais do que uma afronta à religião.


O mote é o início do pontificado de Lenny Belardo, agora Papa Pio XIII, o primeiro papa americano da História. Jovem, bonito, controverso, retrógrado. Toda a esperança que poderia advir de um novo Papa, desvanece-se rapidamente. Ele é vaidoso, descrente, arrogante e, ao mesmo tempo, guarda uma mágoa difícil de superar. Ao seu lado, uma freira - quase uma mãe -, a Irmã Mary, que o conhece melhor que ninguém, sabe os seus segredos e fraquezas, aconselha-o mas ainda consegue surpreender-se.

A série cativa-nos aos poucos, mas ao chegar-se a meio será impossível resistir a ver até ao último episódio. Quanto mais perto do fim, mais intenso, mais extasiante.


Paolo Sorrentino deixa a sua marca em cada plano, levando-nos por vezes para as festas loucas de A Grande Beleza (2013), para os excessos e ostentação. Jude Law dá tudo o que a personagem quer, e tanto o vamos adorar como odiar. Tanto o vamos admirar como desprezar. Ele não se coíbe de nada, muito menos de usar todos os poderes que cabem ao Chefe da Igreja. Ao seu lado, Diane Keaton é a figura maternal, uma freira cheia de poder entre os cardeais, uma mulher destemida e com um enorme carinho pelo Papa. Também de destacar são as interpretações de Silvio Orlando (que participa em situações hilariantes), Javier Cámara (com os momentos mais emotivos) e James Cromwell (na pele do ambicioso mentor de Lenny)

Convido-vos, sem mais revelar, a entrar nesta inesperada visita ao Vaticano e ao pontificado mais surreal e desafiante para clérigos e cristãos... Seja o que Pio XIII quiser...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Crítica: Grand Budapest Hotel / The Grand Budapest Hotel (2014)

"Keep your hands off my lobby boy!"
M. Gustave
*7/10*

Fiel a si próprio e ao seu rigoroso estilo estético, Wes Anderson surpreende com a divertida e colorida comédia, Grand Budapest Hotel. Munido - como sempre - de um excelente elenco e de mais uma história mirabolante, o realizador apresenta-nos uma amizade improvável entre o paquete e o concierge de um hotel.

Grand Budapest Hotel narra então as aventuras de Gustave H (Ralph Fiennes), um lendário concierge de um famoso hotel europeu durante as duas guerras, e Zero Moustafa (Tony Revolori), o paquete que se torna seu amigo de confiança. A história envolve o roubo e a recuperação de uma preciosa pintura renascentista e a luta por uma enorme fortuna de família - tudo sob o cenário de um Continente que passa por inesperadas e dramáticas mudanças.


O argumento é inteligente e cheio de humor - apesar de um ou outro momento em que Wes teima na mesma piada até à exaustão -, e para o enriquecer ali estão as (muitas e) caricatas personagens. Entre o elenco encontramos nomes como Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu AmalricAdrien BrodyWillem DafoeHarvey KeitelJude LawBill MurrayEdward NortonTilda Swinton, entre muitos outros. E, aqui, o destaque mais óbvio recai no camaleónico Fiennes, que deslumbra num desempenho emblemático e quase inesperado. Extravagante e cheio de classe, ele é Gustave H, o nosso hilariante protagonista.

Mas é na componente mais técnica que Grand Budapest Hotel se distingue realmente. O rigor técnico predomina, onde domina a cor, um ambiente frenético, os planos geométricos, tudo minuciosamente estudado. A par da realização, a banda sonora, o guarda-roupa, a caracterização e a direcção artística são fundamentais na construção de uma odisseia de humor e excentricidade.

domingo, 10 de março de 2013

Sugestão da Semana #54

Após uma Quinta-feira recheada de estreias interessantes, a Sugestão da Semana destaca a mais recente e última (diz-nos o realizador) longa-metragem cinematográfica de Steven Soderbergh

EFEITOS SECUNDÁRIOS


Ficha Técnica:
Título Original: Side Effects
Realizador: Steven Soderbergh
Actores: Rooney Mara, Channing Tatum, Jude Law, Catherine Zeta-Jones
Género: Crime, Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 106 minutos

sexta-feira, 8 de março de 2013

Crítica: Efeitos Secundários / Side Effects (2013)

"Depression is the inability to construct a future."
Dr. Jonathan Banks
*8/10*
Steven Soderbergh diz-nos que Efeitos Secundário será o seu último projecto cinematográfico mas nós preferimos não acreditar, principalmente depois de assistir a esta longa-metragem. Sempre fiel a si, o realizador traz-nos um thriller original, que prende todas as atenções da plateia até ao último minuto.

Não somente os medicamentos têm Efeitos Secundários, estes podem igualmente aplicar-se a outras situações da vida. E são eles o centro do novo filme do realizador norte-americano, que promete perturbar e surpreender. O elenco é competente, com quatro nomes sonantes: Rooney Mara, Jude Law, Channing Tatum e Catherine Zeta-Jones.

Emily (Rooney Mara) e Martin Taylor (Channing Tatum) são um casal jovem, saudável e bonito, que tem uma vida bem sucedida, com uma mansão e todos os luxos que o dinheiro pode comprar, até Martin ser preso. Quatro anos mais tarde, Emily aguarda a sua libertação num pequeno apartamento na zona norte de Manhattan, mas esta revela-se tão devastadora quanto a sua encarceração e a jovem entra em profunda depressão. Depois de uma tentativa de suicídio falhada, o psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law) é chamado para consultar o caso de Emily. Para não ser hospitalizada, ela concorda em ter consultas com o psiquiatra e iniciar um tratamento à base de antidepressivos, uma decisão que pode mudar a vida de todos os envolvidos.
O ponto de partida é extremamente apelativo, e o argumento é bem sustentado e construído até ao fim. Seremos levados no balanço de toda a narrativa de Efeitos Secundários e nunca esperaríamos um twist tão surpreendente e inesperado, que deixará qualquer um boquiaberto. O que parece um filme sobre a indústria farmacêutica, psiquiatras, medicamentos e possíveis efeitos secundários, revela-se muito mais do que isso, numa enorme teia de conspiração. O realizador “troca-nos as voltas” e de forma muito competente.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Crítica: Anna Karenina (2012)

"Anna isn't a criminal, but she broke the rules!"
Condessa Nordston 
*7.5/10*

Joe Wright quis trazer Anna Karenina, de Tolstoy, uma vez mais para o cinema, mas ousou muito mais, transbordando originalidade e desconstrução, numa longa-metragem que confunde teatro e cinema, sem nunca esquecer para que plateia trabalha.

É inesperado o fulgor que o realizador foi capaz de dar a uma história que pouco tem de extraordinário ou cativante. Todavia, o resultado é um filme com cenas por vezes hipnotizantes, onde as componentes visual e artística se sobrepõem de tal modo ao fraco argumento, que desvanecem o tédio que este poderia gerar.

A história desenrola-se na Rússia, em finais do século XIX, no seio da alta-sociedade, e explora a capacidade de amar, desde a paixão entre adúlteros, à ligação entre uma mãe e o seu filho. Quando Anna (Keira Knightley) questiona a sua felicidade, grandes mudanças ocorrem na sua família, amigos e comunidade.


A par de Karenina, que encontra consolo no Conde Vronsky, para fazer face a um casamento pouco feliz com o político Karenin, é-nos apresentado o jovem Levin que luta pelo amor da princesa Kitty. Uma história que pouco interesse desperta ao lado do triângulo protagonista.

Amor, traições, tragédia, uma época, um país, uma sociedade. Anna Karenina não traz, argumentativamente, nada de novo, mas é sobre esse enredo banal (de duas histórias de amor) que constrói uma estranheza encantadora. Aqui, o teatro entra literalmente dentro do cinema, e os cenários mudam à nossa frente. Os bastidores não nos são escondidos, bem pelo contrário, servindo, constantemente, cada cena, cada movimento, fazendo com que o filme se construa, na sua grande maioria, entre eles e o palco. A ilusão e o artifício que o cinema poderia criar são desmontados perante os nossos olhos. O que pode provocar essa inicial estranheza, depressa se assume como uma ironia natural (onde o expoente máximo será talvez a cena da corrida de cavalos), construída de forma a oferecer um novo fôlego a uma história tão simples.

O motor da longa-metragem é toda a componente técnica, desde a realização, que nos proporciona alguns planos-sequência fabulosos, ou, outras vezes, ilusões de continuidade arquitectadas de forma perfeita; à fotografia, a cargo de Seamus McGarvey, que joga com cenários e iluminação de forma genial, oferecendo-nos, conforme a situação, uma gélida Rússia, escura e repleta de cores frias, os momentos luminosos de amor quente entre Karenina e Vronsky, ou a alternância entre claros e escuros que varia consoante a felicidade/infelicidade da protagonista; à banda sonora a condizer, a cargo de Dario Marianelli; aliada a uma direcção artística de excelência, onde actores e figurantes estão exemplarmente coreografados, conferindo, eles mesmos, uma musicalidade muito especial a Anna Karenina, que poderia ser apelidado como um filme “dançante”, especialmente na sua primeira metade.


Também os pormenores conferem algo de especial a Anna Karenina, desde os espelhos, aos comboios, e mesmo, claro, o subtil tom premonitório presente ao longo da longa-metragem. O elenco, com nomes como Keira Knightley, Jude Law ou Aaron Taylor-Johnson, tem interpretações razoáveis, onde é a actriz que se destaca, provando, uma vez mais, como está à vontade em papéis de época. Knightley veste bem a pele da protagonista cheia de amor e coragem, e ofusca com o seu brilho a história paralela de Levin e Kitty.

É a superioridade técnica e artística de Anna Karenina que dá ao argumento a cor e paixão que lhe faltam, provando o filme ser digno das quatro nomeações que detém aos prémios da Academia, nas categorias de Melhor Fotografia, Melhor Direcção Artística, Melhor Guarda-Roupa e Melhor Banda Sonora.