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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Animais Noturnos / Nocturnal Animals (2016)

"Do you ever feel like your life is turning into something you never intended?"

Susan
*9/10*

Estética, montagem e argumento fundem-se num filme uno, sofisticado e marcante. Tom Ford dota de elegância o seu trabalho - não só na moda, mas também no cinema - e, depois de Um Homem Singular, Animais Noturnos segue a mesma linha, num ambiente bem mais obscuro e violento.

A longa-metragem apresenta-nos a Susan (Amy Adams), dona de uma galeria de arte, que se vê assombrada pelo livro do seu ex-marido, um thriller violento que ela interpreta como um conto de vingança cheio de simbologia relacionada com a separação de ambos.

Muito mais do que um história de amor, em que a primeira paixão regressa muitos anos depois, Animais Noturnos é literatura, é moda, é arte, é cinema, é vingança. Uma inquietude insistente teima em nos acompanhar e nós, no fundo, não queremos que ela nos largue.


Animais Noturnos oferece-nos a história principal e aquela que Susan vai lendo, a acção está dentro da acção. Edward (Jake Gyllenhaal), o ex-marido, é o fantasma que assombra as duas narrativas de Animais Noturnos, ele é o motor, a causa, o desencadear de toda a acção. Ele é o passado, o presente e, quem sabe, o futuro de Susan. É a ficção e a realidade.

A construção da acção é certeira ao criar suspense e incerteza a cada momento. As imagens sugam-nos a atenção, são violentas e apaixonantes. E a realidade de Susan, noctívaga, triste, sóbria e elegante, contrasta totalmente com as cores vivas e cheias de Sol do romance que lê. Uma vingança em cores quentes oferecida a uma mulher gelada.


A par da realização, a montagem de Joan Sobel e a direcção de fotografia de Seamus McGarvey fazem um trabalho soberbo. É hipnotizante a forma como McGarvey ilumina as cenas nocturnas, como potencia a pouca luz de que dispõe, captando planos absorventes. A acompanhar as imagens, a banda sonora de Abel Korzeniowski deixa-nos embalados entre a nostalgia e a tensão das leituras e do passado de Susan. Ainda o guarda-roupa e o design de produção estão repletos de exuberância - como as obras de arte com que Susan trabalha -, num esgar irónico do realizador para todo o mundo de aparências que Animais Noturnos critica.

E como tudo é grandioso neste filme, falta falar nos actores. Num elenco cheio de talento e personagens complexas, destaque para Amy Adams, como talvez nunca a tenhamos visto: madura, triste, magoada, solitária, totalmente insatisfeita com as opções que tomou. Vive das aparências que criticava em jovem, entre sonhos desfeitos e assombrada por um passado que não quer lembrar. É com ela que lemos o livro do ex-marido, seguimos as suas reacções, as suas mudanças. Ao seu lado, numa dupla interpretação de tirar o fôlego (tem coleccionado muitas nos últimos anos), Jake Gyllenhaal é Edward e Tony e, em ambos, se entrega de corpo e alma. Entre o homem frágil que clama por vingança e o sensível destroçado que agora regressa à vida de quem o atraiçoou, o actor não descuida nenhum papel. Ainda dignos de nota são Aaron Taylor-Johnson, na pele do marginal doentio Ray, e Michael Shannon, o incansável polícia texano Bobby.


Num mundo de aparências, mentiras e traições, haverá forma de recuperar os erros do passado e alcançar a redenção? Animais Noturnos responde-nos em toda a sua subtil exuberância, na sua crueldade viciante.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Vencedores

A cerimónia de encerramento do Lisbon & Estoril Film Festival aconteceu este Domingo, no Centro Cultural de Belém, momento em que foram anunciados os premiados desta 10.ª edição. Seguiu-se a projecção do filme Nocturnal Animals (Animais Nocturnos), de Tom Ford, em antestreia nacional.


O júri, composto por Jerzy Skolimowski, Marthe Keller, Valentina Lodovini e André Saraiva, atribuiu os seguintes prémios:

Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre
THE LAST FAMILY, de Jan P. Matuszynski

Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa
SAND STORM, de Elite Zexer

Prémio Revelação TAP – Melhor Realizador
Jan P. Matuszynski por THE LAST FAMILY

Prémio NOS Melhor Filme - Escolha do Público
ELLE, de Paul Verhoeven

A Melhor Curta-Metragem foi escolhida por um júri composto por Daniel Rosenfeld, Lola Peploe e Stanislas Merhar.

Melhor Curta-Metragem
THE SLEEPING SAINT, de Laura Samani
Centro Sperimentale de Cinematografia - Itália

Menção Honrosa
PAUL EST LÀ, de Valentina Maurel
INSAS - Bélgica

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Dogs / Câini (2016)

*7.5/10*

Bogdan Mirica estreou-se nas longas-metragens com Dogs, sem medo de embarcar numa Roménia desolada e sem lei. O filme faz parte da Competição do Lisbon & Estoril Film Festival.

Roman, um rapaz da cidade, viaja até uma aldeia remota da Roménia para vender a terra que herdou do seu avô. À chegada, Roman depara-se com uma série de estranhos acontecimentos que lhe revelam que o avô era, afinal, um criminoso muito poderoso na região. Para vender a terra, o jovem tem de enfrentar os representantes do seu avô, agora liderados por Samir, um tártaro afável e carismático. Entretanto, Hogas, um agente da polícia, investiga o misterioso aparecimento de um pé amputado, mas a sua verdadeira intenção é a de vingar-se a todo o custo de Samir, o seu eterno rival.

Um lugar esquecido no tempo, de terrenos até perder de vista, uma casa sem água canalizada, guardada por uma cadela chamada Polícia. Ingredientes suficientes para nos deixar curiosos, a nós e a Roman, que se perde entre a caça aos faróis de carros que vê ao longe, no seu terreno, e aos javalis ameaçadores que a circundam.


Roman surge como um intruso nos estranhos negócios do grupo do seu falecido avô - uma espécie de máfia na zona. O seu interesse em vender casa e terrenos não deixam ninguém satisfeito, e o suspense começa. É à noite que os segredos bem guardados naquelas terras espreitam, para lá da vedação que cerca a casa. E é neste jogo do escuro da noite e da luz das lanternas e faróis que todo o ambiente, já de si incómodo e inseguro, se adensa mais ainda, cada vez mais inquietante.

Dogs é violento e inesperado, feito de silêncios que anunciam medos e perigos. Quem está sempre alerta é mesmo a nossa Polícia - o animal -, em contraste com a polícia da região, cada vez com menos recursos, apesar dos esforços do agente Hogas.


A planície até perder de vista, com estradas de terra batida, a noite escura e as lanternas que espreitam e pouco a iluminam, as luzes dos faróis, o pó que as rodas levantam, todos são bons elementos para fabricar planos marcantes e intensos para o espectador. O director de fotografia Andrei Butica faz um trabalho excelente, potenciando ao máximo a beleza da desolação do local. Por seu lado, Mirica captura essa beleza em planos longos e contemplativos.

Bogdan Mirica criou um filme duro, com alguns momentos de humor, onde a crítica sócio-política está bastante presente, a corrupção domina e a lei parece não conseguir impor-se. Uma excelente estreia do realizador romeno. A Roménia rural de Dogs, pode dizer-se, não é para os novos.

sábado, 5 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Elle (2016)

"I killed you by coming here"
Michèle
*8/10*

Doentio, perturbador e viciante, assim é Elle, de Paul Verhoeven. A longa-metragem partilha algumas características com a sua protagonista. Cuidado com ela!

Michèle (Isabelle Huppert) aparenta ser indestrutível. É directora de uma grande empresa de vídeo-jogos, adopta uma atitude implacável tanto nos negócios como na sua vida amorosa. Quando é atacada em casa por um assaltante desconhecido, a vida de Michèle muda para sempre. Persegue-o resolutamente e os dois acabam por ser arrastados para um jogo singular e emocionante, que pode, a qualquer momento, fugir do seu controlo.

Verhoeven regressa sem se desapegar da violência e da sensualidade. As personagens são misteriosas, escondem segredos escabrosos, vivem de aparências. Sem moral, sem valores, sem dignidade. Ninguém é bom, mas todos nos conquistam a atenção e aguçam a curiosidade sobre o seu passado. Em especial, claro, a nossa protagonista Michèle, a mulher de meia idade que vive sozinha numa casa enorme com o seu gato (figura de especial simbolismo), divorciada, mas surpreendentemente sexual.


Michèle - Elle - tem uma aparência tão frágil que contrasta com a frieza de carácter que é a sua maior arma. Ela é agredida e não reage como se espera, é imprevisível. Todos são psicologicamente complexos neste filme: a protagonista, marcada fortemente por um macabro episódio da sua infância,  o agressor, que encontra o prazer na violência, o filho de Michèle, que procura ser pai a todo o custo, entre tantos outros casos que conhecemos ao longo do filme

Verhoeven volta à ribalta com força e, mesmo que em alguns momentos o argumento possa ser pouco original, não queremos tirar os olhos do ecrã, com a câmara a conduzir-nos no suspense e na loucura.


Por seu lado, Isabelle Huppert mostra como é uma das melhores actrizes da sua geração e está preparada para todos os papéis, sem pudor, cheia de entrega. Fria, inteligente, matreira, egoísta, perturbada, ela conquista-nos a nós e a todos os que a rodeiam. Ninguém lhe resiste, ninguém lhe faz frente.

Elle está em Competição no Lisbon & Estoril Film Festival. Foi hoje exibido às 15h30, no Casino Estoril, e repete esta noite, às 22h00, na sala 4 do Monumental.

LEFFEST'16: Essential Killing – Matar para Viver (2010)

*6.5/10*

Do conceituado realizador polaco Jerzy Skolimowski (The Departure, 1967; The Shout, 1978; Moonlighting, 1982; The Light Ship, 1985), este filme é um thriller perturbador, onde a luta pela sobrevivência se sobrepõe a qualquer outro valor e onde os instintos mais primitivos vêm ao de cima (como o próprio título indica). Apesar da temática da guerra estar inevitavelmente presente, bem como as questões políticas a si associadas, estas não são, de todo, a alma do filme.

A fotografia e os cenários deslumbrantes, a que se junta a realização de Skolimowski e a incrível interpretação de Vincent Gallo, fazem esquecer por momentos o argumento pouco forte, que deixa a desejar.

Essential Killing – Matar para Viver pretende mostrar Mohammed (Vincent Gallo) que, após matar três soldados americanos no Afeganistão, é capturado pelo exército americano e transferido para uma base militar na Europa. Contudo, a carrinha onde é transportado despista-se e Mohammed consegue fugir, refugiando-se numa floresta gelada, onde terá de lutar pela sobrevivência, tentando escapar do exército que o continua a querer capturar, ao mesmo tempo que tem de enfrentar outros perigos.


O argumento de Skolimowski e de Ewa Piaskowska, apesar de interessante, não se revela suficiente. Há muito pouca história e não se cria uma ligação ao protagonista que, a meu ver, seria necessária. Assiste-se a toda a luta de Mohammed pela sobrevivência, perante situações arrepiantes que, de uma forma ou de outra, irão mexer com as emoções de quem assiste, todavia, não se conhece a história do protagonista.

O seu passado é apresentado de forma muito ténue, através de flashbacks, recordando a mulher e o filho. Nada mais se sabe sobre o seu passado, se cometeu algum outro crime, não se percebe porque é que as tropas americanas o querem capturar vivo, que segredos ele saberá… Tudo isto são questões que se vão colocando e que nunca serão respondidas. Mais ainda, Essential Killing não dá quaisquer dados objectivos quanto ao espaço, apesar de ser intencional por parte do realizador, facto é que também não ajuda à compreensão do filme.


Quanto às questões políticas que, como referi, não são o que interessa “reter” aqui, elas estão presentes e não se lhes consegue ficar indiferente. A forma como os homens capturados são tratados (e torturados) dá que pensar e não deixa de levantar polémica.

Filmado em Israel, Polónia e Noruega, a longa-metragem apresenta cenários incríveis, tanto no que respeita às paisagens geladas europeias, como aos tons quentes do médio oriente. Aliada a isso, a direcção de fotografia, a cargo de Adam Sikora, está brilhante. A realização de Jerzy Skolimowski utiliza frequentemente a handcamera e proporciona uma experiência diferente ao público que, por vezes, está a “ver” o mesmo que o protagonista e, em outras, o segue. Vive-se o filme tão intensamente, ao ponto de se tornar “sufocante”, no melhor sentido possível.

A interpretação de Vincent Gallo é fabulosa, apesar de não lhe ouvirmos sequer uma fala. É surpreendente como o actor, apesar de não falar, consegue transmitir tudo o que é preciso. E, afinal, um homem à margem da sociedade, para quem tudo vale para sobreviver, precisaria dizer o que mais que as imagens já por si não dissessem? Trata-se de um desempenho forte, selvagem e perturbador.


Apesar de Essential Killing – Matar para Viver não ser brilhante, sendo o argumento o grande responsável pela desilusão que o filme pode provocar, há um conjunto de pontos fortes, principalmente em termos visuais, que valem a pena ser apreciados. Não é, claramente, um filme para todos, mas o choque que algumas cenas provocam apenas demonstra como o Homem pode tornar-se animalesco quando a sobrevivência está em jogo.

Texto originalmente publicado em https://espalhafactos.com/2011/06/23/missao-sobreviver/ a 23 de Julho de 2011, por ocasião da estreia comercial do filme. Recupero-o agora dada a sua exibição no LEFFEST'16, na Retrospectiva de Jerzy Skolimowski.

sábado, 29 de outubro de 2016

LEFFEST'16: Monica Bellucci, Gérard Depardieu e Fanny Ardant marcam presença no festival

Monica Bellucci, Gérard Depardieu e Fanny Ardant são presenças confirmadas na 10.ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival, juntando-se aos restantes convidados já anunciados.

O Divã de Estaline, de Fanny Ardant, tem estreia mundial marcada no Lisbon & Estoril Film Festival 2016 e contará com a presença da realizadora e do protagonista Gérard Depardieu. Já Monica Bellucci virá apresentar Malèna, um filme protagonizado e escolhido por si, e conversar com o público. 

O Divã de Estaline conta ainda no elenco com nomes como Emmanuelle Seigner, Joana de Verona e Paul Hamy. O filme adapta para o cinema o romance de Daniel BaltassatLe divan de Staline, e foi rodado integralmente em Portugal. A longa-metragem tem estreia no LEFFEST no dia 13 de Novembro, às 15h30, no Cinema Medeia Monumental, Sala 4, e será apresentada pela realizadora e pelo protagonista. 

A escolha de Monica Bellucci, Malèna, é um filme de Giuseppe Tornatore e conta uma história passada durante a Segunda Guerra Mundial, numa pequena vila na Sicília, Castelcuto. Ali vive Renato, um rapaz de 13 anos que, de repente, tem a sua vida radicalmente transformada por uma descoberta que irá marcá-lo para sempre. A longa-metragem será exibida no dia 5 de Novembro, às 14h00, na Sala 4 do Cinema Medeia Monumental. Haverá tempo também para uma conversa com a actriz sobre a sua carreira. Bellucci estará ainda presente na Gala de Abertura do festival. 

Muito já se especulava sobre a possível presença de Bellucci, com um dos seus filmes no programa do festival (On The Milky Road, o mais recente filme de Emir Kusturica) e após as notícias de ter recentemente comprado casa em Lisboa.

Mais informações sobre o LEFFEST, aqui.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

LEFFEST'16: Programa e convidados anunciados

A comemorar uma década de existência, o Lisbon & Estoril Film Festival regressa de 4 a 13 de Novembro com antestreias e convidados, percorrendo, como de costume, mais artes para além da sétima.


O Herói de Hacksaw Ridge de Mel Gibson, fará as honras de abertura do LEFFEST'16 e Nocturnal Animals, de Tom Ford, será o filme de encerramento. Dentro das principais títulos Fora de Competição, encontramos ainda Uma História Americana, de Ewan McGregor, Até Nunca, de Benoit Jacquot, Bacalaureat, de Cristian Mungiu, Certain Women, de Kelly Reichardt, Gimme Danger e Paterson, de Jim JarmuschLa Fille Inconnue, de Jean-Pierre e Luc Dardenne, Ma Loute, de Bruno Dumont, On the Milky Road, de Emir Kusturica, Os Belos Dias de Aranjuez de Wim WendersThe Salesman, de Asghar Farhadi, entre outros. Em Competição encontramos títulos como American Honey, de Andrea Arnold, Dogs, de Bogdan Mirica, Nocturama, de Bertrand Bonello, ou Elle, de Paul Verhoeven, por exemplo.

Jean-Luc Godard, Jerzy Skolimowski, Emir Kusturica, Teresa Villaverde, Pascal Bonitzer, Agustin Díaz Yanes e Daniel Rosenfeld serão alvo de homenagens e retrospectivas das suas obras, nesta edição.

Este ano, o LEFFEST comemora os 30 anos do filme Blue Velvet, de David Lynch, cuja projecção fará parte do programa, bem como a exibição Blue Velvet Revisited, de Peter Braatz. Na secção Descobertas, destaque para o novo filme de Gabe Klinger, Porto, e para O Bosque dos Quincôncios, do actor Grégoire Leprince-Ringuet.


O habitual Simpósio Internacional, este ano com o tema "Godard Vu Par...", vai realizar-se na Sala Luís de Freitas Branco, no CCB, nos dias 11, 12 e 13 de Novembro. Os realizadores Alex Ross Perry, Benoît Jacquot, Daniel Rosenfeld, Jerzy Skolimowski, Olivier Assayas, entre outros cineastas, ensaístas e críticos, participarão no simpósio.

Haverá ainda espaço para um Encontro Internacional de Escolas de Cinema, muita música, literatura (o poeta Adonis vem lançar a antologia poética O Arco-Irís do Instante), teatro, exposições, encontros, debates e masterclasses.

Entre os convidados que marcarão presença no festival encontram-se os realizadores Jim JarmuschJerzy SkolimowskiEmir KusturicaTeresa VillaverdePascal BonitzerBenoit JacquotAlex Ross Perry, Bertrand Bonello, Cristian Mungiu, Elia SuleimanDaniel Rosenfeld, os escritores Adonis, Peter Handke, Enrique Villa-Matas, os actores Willem Dafoe, Anna Karina, Marisa Paredes, Nicoletta Braschi, entre muitos outros nomes das artes.

Este ano, o festival vai dividir-se entre o Cinema Medeia Monumental, Espaço Nimas, Casino Estoril, Centro Cultural de Belém, Centro Cultural de Cascais, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro da Trindade, Casa das Histórias Paula Rego, Cinemateca Portuguesa, Cinema NOS - Cascais Shopping e P31 - Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa.

Mais informações sobre a 10.ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival, aqui.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

LEFFEST'15: Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert (2015)

*6/10*

Tem sido um sucesso internacional, é o candidato brasileiro na corrida às nomeações para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e passou pelo Lisbon & Estoril Film Festival: falo de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert.


Que horas ela volta? conta a história da empregada doméstica Val e do reencontro com a sua filha adolescente, Jéssica, criada longe da mãe. Para sustentar a filha, Val trabalha em casa de um casal da classe média e tem criado o filho dos patrões como se fosse seu. Há dez anos que não vê Jéssica.

Anna Muylaert trabalhou ao longo de 20 anos no filme e o resultado está à vista. Que Horas Ela Volta? conquistou a crítica estrangeira, venceu o Prémio Especial do Júri no Festival de Sundance, que premiou as duas protagonistas - Regina Casé e Camila Márdila -, e em Berlim recebeu o prémio Panorama, do público, e o prémio C.I.C.A.E. (atribuído pela International Confederation of Art House Cinemas).

É um trabalho que dirá muito ao público brasileiro, pela realidade que retrata, mas que tocará mais especialmente quem desconhece totalmente este quotidiano, como os norte-americanos ou grande parte dos europeus. Para os portugueses, habituados à realidade brasileira quer pelas suas novelas quer pelo cinema, Que Horas Ela Volta? poderá soar a cliché do início ao fim.

Trata-se de um filme agradável de assistir mas cujo conteúdo não traz muito de novo. A história da empregada pobre que, para poder dar uma vida digna à filha, abdica da sua presença e vai trabalhar longe para sustentá-la não é nova. Tal como não será nova a relação que se cria entre o filho dos patrões, Fabinho, e a empregada que o criou, mais forte do que a que mantém com os pais.


Os personagens são clichés usados, por vezes, de forma inteligente, mas, em muitas outras, exageradamente (exemplo maior o momento em que pai, mãe e filho estão a jantar sem largar o smartphone). Temos o patrão rico, simpático mas infeliz e deprimido, a patroa sempre ocupada, que vive das aparências, e usa uma falsa simpatia para a empregada. Do outro lado, temos a protagonista, Val, numa interpretação fantástica de Regina Casé, que vive para a família que serve, é conscientemente subjugada, acha que é assim que deve ser e parece amar mais o rapaz que criou do que a própria filha. Val merecia uma personalidade um pouco mais forte e menos ingénua. Quem se destaca e vem contrariar expectativas e clichés é mesmo Jéssica, a menina pobre mas inteligente e batalhadora. Sem papas na língua, ela clama por justiça. É a vingadora da história, a sua chegada vem alertar para a necessidade de mudança, provavelmente a mesma mudança a que a realizadora pretende apelar com o seu filme. Como JéssicaCamila Márdila parece um peixe na água numa interpretação segura e sincera.

Na realização, somos meros observadores - em quem um sentimento de revolta vai crescendo - introduzidos naquela casa, com especial enfoque na cozinha - o espaço de Val -, e vamos assistindo à rotina dos personagens, quebrada com a chegada de Jéssica. A câmara é, normalmente, estática, e espreita pelas divisões como se não quisesse que alguém dê por ela.

A crítica social está claramente presente neste retrato-tipo da relação da família com a sua empregada, com o papel das mulheres em destaque - qualquer que seja a classe social ou a idade. Que Horas Ela Volta? é um trabalho feito com muito amor por Anna Muylaert e que, apesar da trivialidade, tem surpreendido.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

LEFFEST'15:Chronicle of a Disappearance, de Elia Suleiman (1996)

*7/10*

Um dos homenageados desta edição do Lisbon & Estoril Film Festival foi Elia Suleiman que marcou presença no festival. Na passada Quinta-feira, dia 12 de Novembro, o realizador deu uma masterclass após a exibição do seu filme Chronicle of a Disappearance, no Espaço Nimas.


Fiel ao seu estilo provocador e cómico, o cineasta usa o non sense para adensar o desconforto e as injustiças entre Israel e Palestina. Parece que brinca, mas usa o cinema cómico para tratar assuntos muito sérios, na sua sempre forte crítica sócio-política. 

Em Chronicle of a Disappearance, Suleiman regressa à Palestina e a Israel após 12 anos de exílio em Nova Iorque, deparando-se com um território que já não conhece. O filme demonstra a tensão entre os dois povos através de uma série de vinhetas.

Todos os hilariantes acontecimentos surgem em torno de uma misteriosa mulher que... desaparece.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

LEFFEST'15: Dazed and Confused, de Richard Linklater (1993)

*7.5/10*

O LEFFEST'15 organizou uma retrospectiva, apresentando uma selecção de filmes de realizadores pertencentes à comunidade de Austin, Texas - uma das maiores e mais heterogéneas comunidades criativas dos Estados Unidos -, sendo Richard Linklater um desses nomes.


Se, em 1991, Slacker, a primeira longa-metragem de Linklater, colocou definitivamente Austin no mapa no que toca à produção e realização de cinema contemporâneo independente e de baixo-orçamento, o filme que se seguiu, Dazed and Confused, volta ao local e afirma o percurso e o estilo inicial do realizador.

Em foco está a juventude dos anos 70. Viajamos no tempo até Maio de 1976, e acompanhamos as aventuras, loucuras e peripécias dos adolescentes no último dia de aulas.

Desde os caloiros praxados pelos mais velhos, aos abusos do álcool, das drogas e ao desejo de fazer conquistas, terminamos a noite em festa, numa rotina de despedida do ano lectivo. A narrativa é assim mesmo: simples, linear e totalmente regida pelo tempo que passa e pelos acontecimentos que nos traz.


É um retrato de uma geração numa época muito específica, em Austin. Com o passar do dia, assistimos às situações mais absurdas, inacreditáveis mas especialmente bem construídas, com um humor certeiro. Os estereótipos estão naquelas personagens que tão bem sabem jogar com eles, parodiá-los, mantendo sempre uma curiosa plausibilidade.

Curiosamente, Dazed and Confused foi o filme que trouxe Matthew McConaughey para a ribalta e onde podemos encontrar, muito jovens, Ben Affleck e Milla Jovovich.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

LEFFEST'15: Os Vencedores

Ainda vamos falar mais um pouco sobre os filmes do Lisbon & Estoril Film Festival. Mas, para já, aqui ficam os vencedores do festival, anunciados na cerimónia de encerramento, no passado Domingo, dia 15 de Novembro, no Centro Cultural de Belém. Ao anúncio dos premiados seguiu-se a exibição de Knight of Cups - Cavaleiro de Copas, de Terrence Malick.


Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre
11 MINUT, de Jerzy Skolimowski

Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa
CHANT D’HIVER, de Otar Iosseliani

Prémio Revelação TAP – Melhor Realizador
Brady Corbet por THE CHILDHOOD OF A LEADER

Prémio para a Melhor Curta-Metragem
MOTHER EARTH, de Piotr Zlotorowicz

Menção Honrosa
MARASMO, de Gonçalo Loureiro

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Passatempo - LEFFEST'15: Ganha bilhetes duplos para Cavaleiro de Copas

Hoje Vi(vi) um Filme, em parceria com o Lisbon & Estoril Film Festival, tem para oferecer 3 bilhetes duplos para o filme CAVALEIRO DE COPAS, de Terrence Malick, no Domingo, 15 de Novembro, às 19h30, no Centro Cultural de Belém (CCB).


Para te habilitares a ganhar, envia e-mail para hojeviviumfilme@gmail.com com o assunto: "Passatempo - Cavaleiro de Copas", o teu nome completo, nº de BI/CC e a resposta correcta à seguinte questão:

Antes de Cavaleiro de Copas, qual o último filme que Terrence Malick realizou?


Boa sorte!

PASSATEMPO ENCERRADO

LEFFEST'15: Montanha, de João Salaviza (2015)

*8/10*

Uma sala cheia recebeu a antestreia de Montanha, a primeira longa-metragem de João Salaviza, no cinema Monumental, por ocasião do Lisbon & Estoril Film Festival. Realizador e elenco apresentaram o filme que, tal como as anteriores curtas do cineasta, aborda a adolescência problemática de gente real de Lisboa.


Certo Verão quente, na capital, conhecemos David, de 14 anos, que se perde na montanha de sentimentos da adolescência, entre os amores, os amigos, a mãe ausente e o avô, no hospital, cuja hipótese de morte iminente David se recusa a colocar. 

Um argumento simples, realista, onde as palavras não dizem tudo e são os olhares, os gestos e os momentos de introspecção que nos ajudam a saber o que vai dentro de cada personagem, conhecer os seus dilemas, a sua dor. Desde o David rebelde, sem futuro em vista, ao David protector da mãe, da irmã e do avô - que paira sempre como um espectro ausente mas muito presente e cuja importância na vida do protagonista parece ser crucial -, o David apaixonado, desiludido, desencantado, revoltado, perdido...

Os personagens encontram-se com a sua realidade com uma naturalidade invejável, especialmente David Mourato, que encarna este protagonista desafiador, justo, triste, solitário. Entre os seus amigos, reencontramos Rafa, que conhecemos da curta-metragem homónima de Salaviza e que aqui nos faz uma visita, tornando-nos quase como parte de Montanha.


Mas mais que todo o lado humano da longa-metragem, o deslumbramento chega desde o primeiro plano, com uma fabulosa direcção de fotografia que faz da iluminação a verdadeira protagonista. Filmado em 35 mm, João Salaviza consegue fazer da imagem um elemento repleto de significação, com a luz e a escuridão a assumirem este papel principal. Somos inundados por perfis que surgem das sombras, vultos tímidos, que se mexem naqueles prédios de um bairro social de Lisboa... Sensações, sentimentos, melancolia, medo, a adolescência a jogar a sério com David, o adulto que surge aos poucos na criança que ainda é.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Passatempo - LEFFEST'15: Ganha bilhetes duplos para Que Horas Ela Volta?

Hoje Vi(vi) um Filme, em parceria com o Lisbon & Estoril Film Festival, tem para oferecer 3 bilhetes duplos para o filme QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert, na Sexta-feira, 13 de Novembro, às 21h30, no Centro Cultural de Belém (CCB). A realizadora estará presente na sessão.


Para te habilitares a ganhar, envia e-mail para hojeviviumfilme@gmail.com com o assunto: "Passatempo - Que Horas Ela Volta?", o teu nome completo, nº de BI/CC e a resposta correcta à seguinte questão:

Qual o nome da actriz que protagoniza Que Horas Ela Volta?

Boa sorte.



PASSATEMPO TERMINADO

domingo, 8 de novembro de 2015

Passatempo - LEFFEST'15: Ganha bilhetes duplos para Cosmos

O Hoje Vi(vi) um Filme, em parceria com o Lisbon & Estoril Film Festival, tem para oferecer 3 bilhetes duplos para o filme COSMOS, de Andrzej Zulawski, na Quinta-feira, 12 de Novembro, às 21h30, no Centro Cultural de Belém (CCB). O realizador estará presente na sessão.


Para te habilitares a ganhar, envia e-mail para hojeviviumfilme@gmail.com com o assunto: "Passatempo - Cosmos", o teu nome completo, nº de BI/CC e a resposta correcta à seguinte questão:

Em que Festival de Cinema Andrzej Zulawski venceu o prémio de Melhor Realizador por Cosmos?

Sejam rápidos e boa sorte.

PASSATEMPO ENCERRADO.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

LEFFEST'15: Que filmes ver?

O LEFFEST'15 começa hoje e não sabes que filmes ver? O Hoje Vi(vi) um Filme dá-te algumas sugestões.

Nunca é tarde para ver ou rever o clássico de 1928.

Um dos filmes mais fortes e incómodos dos últimos anos. Vale a pena ver, rever e ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme.

Uma animação em stop motion que tem feito sucesso internacionalmente.

O mais recente titulo do controverso realizador de A Árvore da Vida encerra o LEFFEST e tem Natalie Portman e Christian Bale como protagonistas.

Vencedor do prémio para Melhor Realizador no Festival de Locarno, o ansiado título conta com uma portuguesa num papel de destaque, Victória Guerra.

Para além da retrospectiva dedicada ao realizador, o LEFFEST apresenta igualmente o mais recente filme de Wim Wenders, com James Franco, Rachel McAdams e Charlotte Gainsbourg.

Também Gordon Green tem este ano direito a retrospectiva no LEFFEST e o festival apresenta ainda o seu mais recente filme, Manglehorn, com Al Pacino.

Nanni Moretti, por sua vez, tem o seu último filme, Minha Mãe, a abrir o LEFFEST'15.

É a primeira longa-metragem do premiado realizador português.

Que Horas Ela Volta? é o candidato brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

LEFFEST'15: Filmes e convidados de peso marcam a 9ª edição

As primeiras grandes novidades do Lisbon & Estoril Film Festival'15 foram esta Terça-feira anunciadas em conferência de imprensa, no Centro Cultural de Belém, e o Hoje Vi(vi) um Filme esteve presente. O festival irá decorrer entre 6 e 15 de Novembro.


A abrir e encerrar o LEFFEST'15 estão, desde logo, grandes títulos: Anomalisa, um filme de animação em stop motion de  Duke Johnson e Charlie Kaufman Our Brand Is Crisis, de David Gordon Green, com Sandra Bullock e Joaquim de Almeida, e, com honras de encerramento, encontra-se o muito esperado Cavaleiro de Copas (Knight of Cups), de Terrence Malick.

Nos convidados deste ano, muitos nomes de peso. O realizador Wim Wenders vem a Lisboa, bem como Jonathan Demme, David Gordon Green - os três cineastas terão direito a uma retrospectiva do seu trabalho nesta edição do LEFFEST -, Laurie Anderson, Andrzej Zulawski, Louis Garrel, os escritores Don DeLillo e John Berger, ou os actores Vincent Lindon, Mathieu Amalric, Laetitia Casta, entre muitas outras figuras ligadas ao cinema, literatura e outras artes.

Em competição, contam-se mais de uma dezena de longas-metragens. 11 Minutes, de Jerzy Skolimowski, El Apóstata, de Federico Veiroj, Journey to the Shore, de Kiyochi Kurosawa, Room, de Lenny Abrahamson, e The Childhood of a Leader, de Brady Corbet, são alguns dos títulos fortes a que se poderá assistir.

Já fora de competição, encontram-se títulos muito aguardados como Cosmos, de Andrzej Zulawski, 45 Years, de Andrew Haigh, El Clan, de Pablo Trapero, Every Thing Will Be Fine, de Wim Wenders, Manglehorn, de David Gordon Green, Mia Madre, de Nanni Moretti, ou Right Now, Wrong Then, de Hong Sang-soo.

O consagrado actor Luís Miguel Cintra terá uma retrospectiva a si dedicada nesta edição do LEFFEST. Ainda em português, encontram-se dois filmes: Montanha, de João Salaviza, marca presença em competição e Jogo de Damas, de Patrícia Sequeira, apresenta-se na secção Promessas.

Como sempre, o LEFFEST traz consigo muitas outras actividades: sessões especiais, masterclasses e debates, teatro, leituras e exposições - onde se destaca a exposição de fotografias Wim Wenders: Scouting in Portugal, que se prolongará até Março de 2016. Como é tradição, não faltará o Simpósio Internacional, este ano com a curadoria de José Gil, intitulado Bigger Than Life e subordinado ao tema loucura e criação. Como o filósofo referiu na conferência de imprensa, "há mecanismos da psicose que vamos encontrar nas obras de arte", e é sobre isso que se pretende debater, com psiquiatras, artistas, escritores, críticos, filósofos, etc. O Simpósio terá lugar no CCB nos dias 13, 14 e 15 de Novembro.

Este ano, o Lisbon & Estoril Film Festival divide-se pelo Cinema Medeia Monumental, Espaço Nimas, Casino Estoril, Centro Cultural de Cascais, Teatro Nacional D. Maria II, CCB, Cinemateca Portuguesa, Museu da Água - Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras e Casa das Histórias Paula Rego.

A 9ª edição do festival foi apresentada pelo director, Paulo Branco, por Catarina Vaz Pinto, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Paula Gomes da Silva, vereadora da Câmara Municipal de Cascais, António Lamas, do CCB, e pelo filósofo, José Gil.

Mais informações em: http://www.leffest.com/

terça-feira, 18 de novembro de 2014

LEFFEST'14: Dois Dias, Uma Noite / Deux Jours, Une Nuit (2014)

*7/10*

Passou pelo LEFFEST'14 e estreia também esta semana nas salas de cinema portuguesas, Dois Dias, Uma Noite é o mais recente filme dos irmãos Dardenne, protagonizado por Marion Cotillard.

A actriz francesa interpreta Sandra, cujo emprego é ameaçado quando os seus empregadores decidem oferecer um prémio aos restantes trabalhadores se eles votarem para que Sandra não regresse ao emprego. Com a ajuda do marido, Sandra tem apenas o fim-de-semana para visitar os colegas e convencê-los a abdicarem dos seus prémios para que ela possa voltar ao emprego.

Dois Dias, Uma Noite é realismo cinematográfico puro, repleto de simplicidade, mas que coloca um dilema muito real ao espectador: escolher entre um bónus no ordenado ou o despedimento de uma colega, em tempos de crise. Vamos seguir Sandra e torcer por ela, ainda que, por outro lado, estejamos tão divididos como os seus colegas de trabalho, ponderando os prós e contras de cada decisão, e conhecendo - apenas em dois dias e uma noite - a protagonista, ela mesma atormentada por uma depressão ainda longe de estar curada.


Marion Cotillard oferece-nos uma interessante interpretação numa personagem frágil (também fisicamente), com problemas psicológicos e numa luta aguerrida - mesmo que com algumas desistências pelo meio - pelo seu posto de trabalho, algo que ainda lhe poderia dar alguma esperança. Vamos querer apoiar Sandra, mas vamos igualmente ficar apreensivos ao verificar que o seu estado de saúde é inconstante e muito preocupante.

Jean-Pierre e Luc Dardenne construíram um trabalho cujo maior trunfo é o dilema que coloca directamente ao espectador que balança entre o bónus e o despedimento, do início ao fim de Dois Dias, Uma Noite.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

LEFFEST'14: Vencedores

O Lisbon & Estoril Film Festival 2014 terminou este domingo (mas os posts por aqui ainda vão continuar) e o júri desta edição (composto por Nan Goldin, Dimítris Dimitriádis, Dorota Maslowska, Philippe Parreno e Francisco Tropa) atribuiu os seguintes prémios:


Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre
Amour Fou, de Jessica Hausner

Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa
Phoenix, de Christian Petzold

Prémio Revelação TAP
Heaven Knows What, de Joshua e Ben Safdie

Prémio Melhor Actriz Nespresso
Ingrid García Johnsson (Hermosa Juventud)

O júri do Prémio MEO (Peter Handke, Birgit Hutter e Dulce Maria Cardoso), que premeia o trabalho dos alunos das Escolas de Cinema Europeias, escolheu em ex-aequo os seguintes filmes:

Para pero Sigue, de Lud Monaco (Escuela de Cine Barcelona - Espanha)
Paul e Virginie, de Paul Cartron (Institut des Arts de Diffusion – Bélgica)

Menções Honrosas
Poço das Almas, de Filipa Pinto (Escola Superior de Teatro e Cinema - Portugal)

Saba, de Sara Santos (Escola Superior de Tecnologia de Abrantes - Portugal)

Do Outro Lado, de Artur Maurício (ETIC - Portugal)

Prémio CINEUROPA
Angels of Revolution, de Aleksej Fedorchenko

sábado, 15 de novembro de 2014

LEFFEST'14: Hill of Freedom / Jayuui Eondeok (2014)

*6/10*

Hill of Freedom, de Hong Sang-Soo, faz parte da Competição do Lisbon & Estoril Film Festival'14. De um dos realizadores mais sonantes da secção competitiva, o filme apresenta-nos um romance tragicómico contado de forma original.


Kwon, uma professora de línguas, recebe um volumoso envelope que lhe está endereçado, após uma temporada longe de casa. Um instrutor japonês chamado Mori tinha-se declarado a ela há dois anos. Mori tinha partido imediatamente para o Japão, mas agora regressou à Coreia do Sul para a procurar. O envelope continha cartas que ele lhe tinha escrito enquanto a procurava em Seul. Depois de Kwon acabar de ler a primeira carta na recepção, perde o equilíbrio ao descer as escadas e deixa cair as cartas. Reúne-as no chão e repara que estas não têm datas.

O grande ponto forte de Hill of Freedom prende-se com a (des)ordem em que as carta de Mori foram recolhidas do chão, é essa mesma ordem que dita a montagem da longa-metragem de Hong Sang-Soo e, por conseguinte, o modo como toda a estadia de Mori em Seul nos é contada - a nós e a Kwon. À parte do que lemos nas cartas, conhecemos pouco do passado dos dois, o que os uniu, o que aconteceu entre ambos, o que levou Mori a regressar ao Japão e que doença levou Kwon para as montanhas.

Sang-Soo consegue, por momentos, aproximar-nos do espaço da acção e das personagens com planos que lembram um estilo documental. Ainda assim, não fosse a curiosidade da montagem e alguns bons momentos de humor, Hill of Freedom não teria nada que realmente o tornasse especial. 

O filme repete este Sábado às 13h00 no Centro de Congressos do Estoril.