Mostrar mensagens com a etiqueta Amy Adams. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amy Adams. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Crítica: A Mulher à Janela / The Woman in the Window (2021)

"You don't think it's paranoid if I wanna change the locks. Do you?"

Anna Fox

*3/10*

A Mulher à Janela, de Joe Wright, quer ser tanto e acaba por ser tão pouco. Um filme sem alma, que começa com mistério e termina num autêntico terror. Ver Joe Wright associado a um filme tão pouco coeso e sem personalidade é a grande surpresa de uma longa-metragem que não é sequer capaz de valorizar o elenco. 

"Confinada à sua casa por sofrer de agorafobia, uma psicóloga fica obcecada com os seus novos vizinhos e em resolver um crime brutal que testemunha pela janela."

Baseado no livro homónimo, de A. J. Finn (que não li), A Mulher à Janela pretende ser um Hitchcock dos tempos modernos - não lhe poupando referências, sendo a mais óbvia A Janela Indiscreta -, mas não lhe chega perto. Se, inicialmente, pode haver a esperança de estarmos perante um bom filme de mistério, com terror psicológico e voyeurismo à mistura, depressa nos desinteressamos do enredo confuso e pouco sustentado, com momentos quase cómicos, tal a implausibilidade ou a previsibilidade. Perto do fim, entramos noutra realidade, mais slasher, e num "novo" filme - ainda pior. 

Há pouco a que nos possamos agarrar para defender A Mulher à Janela. Amy Adams é talvez o ponto mais forte, mas longe das grandes interpretações que marcam a sua carreira. A direcção artística será, provavelmente, o mais admirável da longa-metragem, com a mansão solitária de Anna a ganhar personalidade, seja pela imensa escadaria, pela clarabóia, ou pelos detalhes de decoração (a casa de bonecas, por exemplo, chama-nos logo a atenção).

Tanta paranóia, referências cinematográficas, clichés e reviravoltas sem fim, e eis o vazio sideral após os créditos finais. Nada fica connosco de A Mulher à Janela, apenas a satisfação de termos conseguido matar a curiosidade mórbida que nos assolava antes da visualização.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Crítica: Lamento de uma América em Ruínas / Hillbilly Elegy (2020)

"Don't make us your excuse, J.D."

Lindsay

*3.5/10*

Lamento de uma América em Ruínas (Hillbilly Elegyé o mais recente filme de Ron Howard, com selo Netflix, baseado no livro homónimo de J.D. Vance, o protagonista. O filme é, contudo, um rol de clichés e estereótipos, onde até as críticas são em jeito de elogios. 

"J.D. Vance (Gabriel Basso), antigo fuzileiro naval oriundo do sul do Ohio e atualmente aluno do curso de direito em Yale, está prestes a conseguir o emprego com que sempre sonhou, quando uma crise familiar o obriga a regressar a casa e a reencontrar uma vida que queria esquecer. J.D. terá de lidar com a complexa dinâmica da sua família rural, incluindo a relação volátil com Bev (Amy Adams), a sua mãe toxicodependente. Tocado pelas memórias da avó Mamaw (Glenn Close), a mulher forte e sagaz que o criou, J.D. percebe que para realizar os seus sonhos, terá primeiro de aceitar as suas raízes."

Entre flashbacks, o protagonista conta-nos a história da sua família e as dificuldades por que passou até ingressar em Yale: cresceu numa família de mulheres sofridas de poucas posses, entre a violência doméstica e a toxicodependência, sofreu bullying, mas contra todas as expectativas foi Marine, formou-se, tem uma relação estável e está à beira de conseguir o emprego de sonho. Um conto de fadas cheio de lugares-comuns e cujas reviravoltas só vêm desculpar as falhas do sistema norte-americano, que, no fundo, J.D. tanto admira e do qual ambiciona fazer parte (e não é que lá está ele, na vida real?).

Mas mesmo que o único a singrar neste filme tenha sido um homem, é nas mulheres que encontramos a força de Lamento de uma América em Ruínas. Se Amy Adams está competente na pele da mãe toxicodependente, e Haley Bennett como Lindsay, a irmã dedicada mas conformada, o que dizer da fabulosa interpretação de Glenn Close, como a avó Mamaw? A veterana incorporou uma forma de andar e falar muito característica e está transfigurada, de aspecto descuidado e modos grosseiros - e, no final, a partir de vídeos caseiros da família Vance, podemos constatar como está igual à verdadeira avó de J.D.

No fim de contas, Ron Howard criou um filme superficial, sem personalidade, nem grandes intenções. A família branca desestruturada de uma América profunda, abandonada à sua sorte e cheia de preconceitos associados, onde a culpa dos problemas parece ser apontada, única e exclusivamente às vítimas, serve de caricatura para a história de superação deste rapaz. Não há empatia, nem admiração, bem pelo contrário. Vale pelas interpretações femininas.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Opinião: Minisséries - Sharp Objects / Objetos Cortantes (2018)

"Don't tell Momma"
Amma Crellin


*9/10*

Mais uma família disfuncional a tomar conta do ecrã e da nossa atenção. Ainda para mais, as três mulheres da casa de Sharp Objects são tão misteriosas e perturbadas como sedutoras. A minissérie da HBO, realizada por Jean-Marc Vallée e baseada no primeiro livro de Gillian Flynn (2006), deixa-nos completamente presos à televisão.

São oito episódios viciantes que nos apresentam à repórter Camille Preaker (Amy Adams), de volta à sua terra natal, Wind Gap, para investigar o homicídio de duas jovens. Terá de lidar não só com os seus próprios distúrbios emocionais, mas também com a mãe instável e uma meia-irmã que mal conhece.

O passado regressa e assombra. Pior é quando continua demasiado presente. É o caso de Camille Preaker e da sua estranha família. O ambiente é sinistro, tal como as mortes das duas adolescentes que perturbam Wind Gap e fazem vir ao de cima, mais ainda, os "vícios" das cidades pequenas. Rumores, ignorância, infelicidade, preconceitos.


Sharp Objects mergulha-nos no terror da protagonista - o que vai na sua cabeça, o que percorre o seu corpo e aquele que a rodeia e ameaça. O ritmo, por vezes frenético, a que funciona a cabeça de Camille desafia-nos nos primeiros episódios, mas depressa nos habituamos aos pesadelos, flashbacks ou premonições. De repente, o espectador dá por si a ter alucinações quase tão reais como as de Camille, com cada episódio a provocar o nosso cérebro com palavras que mudam, pequenos pormenores escondidos, tudo numa amálgama de pistas para também nós construirmos a nossa investigação.

O argumento é, sem dúvida, o ponto mais entusiasmante de Sharp Objects, com a psicologia das personagens a tomar conta da maior parte da acção. Ao mesmo tempo, Vallée não tem qualquer receio em filmar cenas mais gráficas - o choque aqui é fundamental -, e o trabalho de caracterização/efeitos especiais é muito realista. Morte, violação e distúrbios psiquiátricos todos os temas se juntam nesta minissérie.


A acrescentar, o trio feminino protagonista faz um excelente trabalho com Patricia Clarkson a dominar todas as cenas em que surge. Ela é Adora, uma mulher respeitada e influente na comunidade, a mãe ultra-protectora e traumatizada, de aparente fragilidade que depressa se transforma em manipulação e ameaça. Segue-lhe de perto a prestação de Amy Adams, na pele da jornalista determinada mas aterrorizada pelo passado que deixou cicatrizes que as roupas escondem. O dilema que vive em si é interiorizado pela actriz que o explora de forma contida, tal como Camille é. Já a australiana Eliza Scanlen interpreta a meia-irmã da protagonista, Amma, com uma dualidade entre o angelical e o provocador, o inocente e o astuto.

E porque a mente humano é o primeiro dos mistérios, Sharp Objects é um excelente desafio para fãs de thrillers psicológicos, com elementos de terror qb, e interpretações magnéticas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Red Carpet

Conhecidos os vencedores da 91.ª edição dos Oscars, olho agora com mais atenção para os modelos que desfilaram na passadeira vermelha. O rosa dominou muitos dos looks (com grande pena minha) e não foi fácil escolher os meus favoritos. Poucos me conquistaram. Eis, como de costume, uma breve análise aos mais bem vestidos da red carpet dos Oscars (para mim, que não pesco nada de moda).


TINA FEY poderia dar uma boa apresentadora dos Oscars (com Amy Poehler e Maya Rudolph, porque não?). Mas falando do visual, a actriz estava elegantíssima num vestido azul Vera Wang, muito simples, mas igualmente muito eficaz. Uma opção segura que, combinada com o penteado e jóias (Niwaka Jewelry) certas, fez Fey brilhar.


O amarelo poderia ser arriscado, mas este modelo Versace foi uma aposta ganha para CONSTANCE WU (estrela de Crazy Rich Asians). Um tom suave, malmequer, dá à actriz um ar quase angelical.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, MELISSA MCCARTHY fez uma aposta segura mas elegante, num fato preto e branco Brandon Maxwell, cuja capa deu uma sofisticação extra. Maquilhagem, penteado e as jóias favoreceram ainda mais a actriz.


NICHOLAS HOULT foi, provavelmente, o homem mais elegante da noite. O fato preto Dior destacou-se devido à faixa cruzada a sair da zona do peito. Um toque cheio de classe.


Vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária, REGINA KING surgiu na passadeira vermelha com um bonito vestido branco com cauda, Oscar de la Renta. Jóias (Chopard Jewelry) e cabelo fizeram jus ao modelo, que não passou despercebido.


OLIVIA COLMAN marcou uma das surpresas da noite ao conquistar o Oscar para Melhor Actriz pelo seu desempenho como Rainha Anne, em A Favorita. Na passadeira vermelha, desfilou com um bonito vestido de seda verde-esmeralda escuro da Prada, com um laço cinza nas costas, com alguns detalhes em prata, que se transformava numa capa. Com tanto de clássico como de moderno.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária, a mexicana MARINA DE TAVIRA deslumbrou na red carpet com um vestido vermelho, a condizer. O modelo J. Mendel combinou na perfeição com as jóias Lorraine Schwartz.


Uma das minhas favoritas da noite foi DANAI GURIRA com um visual digno de uma rainha de Wakanda. Deslumbrante, a actriz de Black Panther surgiu num poderoso vestido dourado com detalhes em preto, Brock Collection. As jóias Fred Leighton e a bandolete a realçar o penteado, completaram o visual de encantar.


Igualmente deslumbrante esteve a nomeada para Melhor Actriz Secundária, AMY ADAMS, num vestido Versace, muito justo, em tons de prata. O penteado e as jóias Cartier deram ainda mais elegância ao visual.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Estão todas muito equilibradas por aqui, tanto que é difícil escolher a favorita. Não posso contudo avaliar a potencial vencedora deste ano, Regina King, pois ainda não vi o seu filme. Eis as nomeadas por ordem de preferência.



Rachel Weisz é Lady Sarah, a melhor amiga da rainha que assume as decisões do reino a favor das suas simpatias políticas e que mais possam convir ao marido; uma mulher fria e calculista, que acaba por ser também ela manipulada. A actriz supera-se numa interpretação repleta de maturidade e seriedade, de elegância e talento.



Amy Adams está quase empatada com Weisz nas minhas preferências. Ela é a mulher por detrás dos homens, Lynne Cheney. Adams também se supera com uma interpretação de peso, que lhe exigiu bastante trabalho de bastidores, num estudo minucioso, tendo adoptado a voz de Cheney até nos intervalos de gravação. A actriz tem aqui mais uma boa parceria - já bem conhecida de outros filmes - com Christian Bale.



Emma Stone é a criada Abigail, ambiciosa e sem escrúpulos, que vagueia entre o ar mais angelical e inocente ao mais perverso e maquiavélico. Stone é enérgica e ataca com a rebeldia que lhe é característica. Mais uma vez, revela-se uma excelente actriz de comédia e apenas fica a faltar-lhe um pouco mais de maldade - que a personagem pede muito.



Marina de Tavira dá nas vistas em Roma pelo seu desempenho de mulher traída e magoada que tenta, a todo o custo, menorizar a dor dos filhos. Ainda assim, é uma prestação simples que coloca em dúvida a justiça desta nomeação.

Regina King (If Beale Street Could Talk)
 
  Sem avaliação

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Crítica: Vice (2018)

"And he did it like a ghost."
Kurt


*8/10*

Eis o retrato de um homem que se movimentou nos bastidores da política norte-americana durante décadas. A ascensão aconteceu, a pouco e pouco, sempre com pouca exposição pública, mas muitos contactos em todos os locais que lhe interessavam. Vice é uma espécie de filme biográfico sem papas na língua que Adam McKay realizou sobre o vice-presidente mais influente na Casa Branca. O poder foi uma tentação para Dick Cheney e ele soube usá-lo sem que alguma vez se tornasse uma fraqueza. Ele era o cérebro de George W. Bush, o seu vice, e governava o país sem ter vencido nenhuma eleição.

Vice leva-nos num mergulho frontal e sarcástico - quase mórbido - no mundo impenetrável da política norte-americana, fazendo-nos conhecer o mentor do estado a que o país chegou. A influência de um homem quase invisível teve repercussões assustadoras. É em jeito de paródia (ou farsa) que Adam McKay nos confronta com uma realidade demasiado dolorosa para ser mentira.


Vice explora o percurso de Dick Cheney (Christian Bale), desde a época em que era um simples operário no Texas, até se tornar no homem mais poderoso do planeta, depois de, sob a orientação da sua leal mulher Lynne (Amy Adams), ascender ao cargo de Vice-Presidente dos EUA, redefinindo para sempre o país e o mundo.

Mas antes de conhecermos os feitos de Cheney na Casa Branca, conhecemos o seu passado de abusos e irresponsabilidade. Sempre ao seu lado esteve a sua mulher, Lynne Cheney, sem quem Dick nunca teria percorrido nem metade do caminho. No decorrer de Vice, ali está sempre a esposa dedicada e decidida.

A sátira é certeira nos pontos que aborda e no ritmo - sempre acelerado de McKay -, com a montagem a reforçar isso mesmo. O realizador não tem meias medidas - ou tudo ou nada, e com Christian Bale ao comando claro que só poderia ser "tudo". Depois de A Queda de Wall Street, a parceria entre actor e realizador parece ter vindo para ficar e Vice é a prova de como os dois trabalham bem juntos.


A caracterização faz um trabalho fenomenal ao transformar os actores em autênticos sósias dos visados: Christian Bale, Steve Carell e Sam Rockwell são cópias de Dick Cheney, Donald Rumsfeld e George W. Bush, respectivamente. Adicionalmente, o empenho dos três actores foi ao ponto de se aproximarem ainda mais das suas personagens, adoptando os seus tiques ou tom de voz, por exemplo.

Quem ganha por muitos votos na melhor interpretação é, sem dúvida, Bale, sempre camaleónico, e assustadoramente semelhante a Cheney em expressões, gestos e na voz e forma de falar. Rockwell é cómico ao construir um Bush irresponsável e pouco comprometido com a nação que serve. Já Carell, interpreta um arrogante e déspota Donald Rumsfeld, sarcástico e um autêntico professor do protagonista. A mulher por detrás dos homens, Lynne Cheney ou Amy Adams, é mais uma interpretação de peso, numa boa parceria - já bem conhecida de outros filmes - com Christian Bale.


Vice é uma boa forma de compreender, em jeito de comédia negra, a perversão e corrupção que imperam no centro das decisões dos EUA e do mundo. Um verdadeiro filme de terror.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Sugestão da Semana #364

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Vice, de Adam McKay, com Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell e Sam Rockwell no elenco.

VICE


Ficha Técnica:
Título Original: Vice
Realizador: Adam McKay
Actores: Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell
Género: Biografia, Comédia, Drama
Classificação: M/14
Duração: 132 minutos

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Sugestão da Semana #299

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana sugere, em especial para os fãs, o filme da Marvel, Liga da Justiça.

LIGA DA JUSTIÇA


Ficha Técnica:
Título Original: Justice League
Realizador: Zack Snyder
Actores: Henry Cavill, Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Ray Fisher, Jason Momoa, Amy Adams
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 120 minutos

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Crítica: O Primeiro Encontro / Arrival (2016)

"Now that's a proper introduction."
Louise Banks
*8/10*

O contacto cinematográfico com extra-terrestres tem-se repetido, ao longo dos anos, das mais variadas formas - umas com maior sucesso que outras. Contudo, são poucos os que conseguem alcançar a subtileza de Denis Villeneuve. O Primeiro Encontro é um filme sobre a humanidade e a falta de compreensão entre humanos - e extra-terrestres.

O realizador gosta de experimentar géneros e depois de drama, thriller e guerra, atirou-se de cabeça na ficção científica - e deve ter gostado pois está a filmar a sequela de Blade Runner. Certo é que o resultado é muito positivo: profundo, sensível e humano.


Quando 12 naves extra-terrestres chegam a diversos pontos do globo, o Governo dos EUA contrata a especialista em linguística Louise Banks (Amy Adams). Ela fará parte de uma equipa multidisciplinar que se deslocará ao interior de uma das naves, a fim de estabelecer contacto com os alienígenas e entender o propósito da sua visita. Pretende saber-se, sobretudo, se vêm em paz.

Sempre com o medo do desconhecido a pairar, O Primeiro Encontro é uma boa surpresa na ficção científica, com opções técnicas e narrativas plausíveis e bem fundamentadas. Tudo o que vemos é credível e talvez pudesse mesmo acontecer assim. Para além do natural receio, o filme cultiva também na plateia sentimentos de admiração e proximidade para com os visitantes de outro planeta.

Há uma não-linearidade temporal em O Primeiro Encontro que em nada o prejudica, e a inicial desorientação do espectador é uma curiosa arma do realizador para nos colocar no mesmo patamar que Louise. Ela vive atormentada por memórias que conhecemos graças à montagem arriscada mas eficaz de Joe Walker.


A acompanhar a incerteza global e as visitas à nave extra-terrestre, a banda sonora de Jóhann Jóhannsson mantém o suspense e aguça os sentidos, em busca de significação para a linguagem dos recém-chegados.

No meio de um argumento fascinante e, ao mesmo tempo, aterrorizante, há planos soberbos que não sairão da memória. No verde dos campos até perder de vista, a nave espacial paira, como se levitasse sobre eles. Esse e outros planos, de cores um tanto esbatidas e misteriosas - muito ao estilo dos filmes de Villeneuve - são fruto de um excelente trabalho da direcção de fotografia de Bradford Young.

Amy Adams é doce e corajosa, com uma performance sentimental e íntima - Louise cativa-nos e é o coração da equipa militar que acompanha a nave extra-terrestre. Jeremy Renner como Ian Donnelly e Forest Whitaker na pele do Coronel Weber acompanham eficazmente a protagonista nesta expedição.


Uma experiência diferente e entusiasmante de contacto extra-terrestre, que peca apenas pela forma como mostra a vida pessoal da protagonista - um tanto melodramática. O Primeiro Encontro é um renascer do género da ficção científica pela mão do sempre prometedor realizador Denis Villeneuve. Vale bem a aventura.

domingo, 27 de novembro de 2016

Sugestão da Semana #248

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Animais Nocturnos, de Tom Ford. Um thriller intenso e brutal, protagonizado por Amy AdamsJake Gyllenhaal. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida ou relida aqui.

ANIMAIS NOCTURNOS


Ficha Técnica:
Título Original: Nocturnal Animals
Realizador: Tom Ford
Actores: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael ShannonAaron Taylor-JohnsonIsla FisherArmie Hammer
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 116 minutos

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Animais Noturnos / Nocturnal Animals (2016)

"Do you ever feel like your life is turning into something you never intended?"

Susan
*9/10*

Estética, montagem e argumento fundem-se num filme uno, sofisticado e marcante. Tom Ford dota de elegância o seu trabalho - não só na moda, mas também no cinema - e, depois de Um Homem Singular, Animais Noturnos segue a mesma linha, num ambiente bem mais obscuro e violento.

A longa-metragem apresenta-nos a Susan (Amy Adams), dona de uma galeria de arte, que se vê assombrada pelo livro do seu ex-marido, um thriller violento que ela interpreta como um conto de vingança cheio de simbologia relacionada com a separação de ambos.

Muito mais do que um história de amor, em que a primeira paixão regressa muitos anos depois, Animais Noturnos é literatura, é moda, é arte, é cinema, é vingança. Uma inquietude insistente teima em nos acompanhar e nós, no fundo, não queremos que ela nos largue.


Animais Noturnos oferece-nos a história principal e aquela que Susan vai lendo, a acção está dentro da acção. Edward (Jake Gyllenhaal), o ex-marido, é o fantasma que assombra as duas narrativas de Animais Noturnos, ele é o motor, a causa, o desencadear de toda a acção. Ele é o passado, o presente e, quem sabe, o futuro de Susan. É a ficção e a realidade.

A construção da acção é certeira ao criar suspense e incerteza a cada momento. As imagens sugam-nos a atenção, são violentas e apaixonantes. E a realidade de Susan, noctívaga, triste, sóbria e elegante, contrasta totalmente com as cores vivas e cheias de Sol do romance que lê. Uma vingança em cores quentes oferecida a uma mulher gelada.


A par da realização, a montagem de Joan Sobel e a direcção de fotografia de Seamus McGarvey fazem um trabalho soberbo. É hipnotizante a forma como McGarvey ilumina as cenas nocturnas, como potencia a pouca luz de que dispõe, captando planos absorventes. A acompanhar as imagens, a banda sonora de Abel Korzeniowski deixa-nos embalados entre a nostalgia e a tensão das leituras e do passado de Susan. Ainda o guarda-roupa e o design de produção estão repletos de exuberância - como as obras de arte com que Susan trabalha -, num esgar irónico do realizador para todo o mundo de aparências que Animais Noturnos critica.

E como tudo é grandioso neste filme, falta falar nos actores. Num elenco cheio de talento e personagens complexas, destaque para Amy Adams, como talvez nunca a tenhamos visto: madura, triste, magoada, solitária, totalmente insatisfeita com as opções que tomou. Vive das aparências que criticava em jovem, entre sonhos desfeitos e assombrada por um passado que não quer lembrar. É com ela que lemos o livro do ex-marido, seguimos as suas reacções, as suas mudanças. Ao seu lado, numa dupla interpretação de tirar o fôlego (tem coleccionado muitas nos últimos anos), Jake Gyllenhaal é Edward e Tony e, em ambos, se entrega de corpo e alma. Entre o homem frágil que clama por vingança e o sensível destroçado que agora regressa à vida de quem o atraiçoou, o actor não descuida nenhum papel. Ainda dignos de nota são Aaron Taylor-Johnson, na pele do marginal doentio Ray, e Michael Shannon, o incansável polícia texano Bobby.


Num mundo de aparências, mentiras e traições, haverá forma de recuperar os erros do passado e alcançar a redenção? Animais Noturnos responde-nos em toda a sua subtil exuberância, na sua crueldade viciante.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sugestão da Semana #246

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Primeiro Encontro, de Denis Villeneuve.

O PRIMEIRO ENCONTRO


Ficha Técnica:
Título Original: Arrival
Realizador: Denis Villeneuve
Actores: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker
Género: Drama, Ficção Científica, Mistério
Classificação: M/12
Duração: 116 minutos

terça-feira, 3 de março de 2015

Sugestão da Semana #157

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de Tim Burton, Olhos Grandes. O filme tem dividido público e crítica, mas certo é que qualquer trabalho deste realizador merece atenção.

OLHOS GRANDES


Ficha Técnica:
Título Original: Big Eyes
Realizador: Tim Burton
Actores: Amy Adams, Christoph Waltz, Krysten Ritter
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 106 minutos

terça-feira, 4 de março de 2014

Oscars 2014: Red Carpet

Depois de conhecidos os grande vencedores da noite mais longa do Cinema, e como de costume, aqui vos deixo os meus favoritos da red carpet dos Oscars - sempre com a ressalva de que não percebo de moda. 

JENNIFER GARNER deslumbrou uma vez mais na passadeira vermelha com um vestido Oscar de la Renta em tons de prata, que sobressaiu a sua figura, em conjunto com uma maquilhagem e cabelo perfeitos e sedutores.

Simples e discreta, JENNIFER LAWRENCE não passou contudo despercebida - nem podia - na red carpet. A actriz nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária desfilou de vermelho, com um vestido liso Christian Dior, com um leve efeito na zona das ancas, e com um bonito colar Neil Lance

JENNA DEWAN-TATUM continua a deslumbrar na passadeira vermelha. A mulher de Channing Tatum desfilou num vestido Reem Acra em tons de nude, polvilhado de brilhantes no cimo.

ANGELINA JOLIE surgiu vestida em tons claros, num bonito vestido Elie Saab, repleto de brilho. A acompanhar estiveram uns brincos de diamantes.

Maravilhosa esteve NAOMI WATTS. A maquilhagem e cabelo, muito jovens, realçaram a sua beleza, e ficaram a condizer na perfeição com o discreto mas elegante vestido branco comprido da Calvin Klein.

AMY ADAMS surgiu discreta e elegante, como sempre. O longo vestido azul escuro cai-cai da Gucci assentou na perfeição à nomeada para Melhor Actriz.

ANNA KENDRICK surgiu com um vestido preto, algo controverso. Se por um lado, o corte da saia não é especialmente apelativo, por outro, o top assimétrico seduziu-me. O vestido da actriz é da J. Mendel.

Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, SANDRA BULLOCK foi, sem dúvida, uma das mais bem vestidas da noite. O vestido azul escuro Alexander McQueen, longo e cai-cai, e o cabelo ondulado fizeram-na brilhar.

KATE HUDSON esteve arrebatadora na red carpet com o vestido prateado com decote em V da Versace.

Um dos grandes nomes da noite foi o de LUPITA NYONG'O que, para além de ter conquistado o Oscar de Melhor Actriz Secundária, arrasou igualmente na passadeira vermelha. O vestido azul claro, decotado, era da Prada, e, em conjunto com a maquilhagem e jóias, deu-lhe um doce toque de princesa.

sábado, 1 de março de 2014

Oscars 2014: As Actrizes Principais

Depois dos actores, as actrizes principais são alvo de análise. Aqui ficam as cinco nomeadas, por ordem de preferência.

1. Meryl Streep em Um Quente Agosto (August: Osage County)
Talvez possa parecer este um inesperado primeiro lugar, mas Meryl Streep é fabulosa e, quando pensamos que já nos mostrou tudo, volta ainda mais forte para nos contrariar e tirar do sério. Em Um Quente Agosto, a actriz veste a pele de uma mulher doente, com um passado traumático, arrogante e desequilibrada, mas mais ciente daquilo que a rodeia do que qualquer outra pessoa. Frágil e implacável são duas características que só mesmo Meryl Streep conseguiria incorporar tão perfeitamente na mesma personagem.

2. Sandra Bullock em Gravidade (Gravity)
Goste-se ou não de Sandra Bullock, tem de se reconhecer que a sua interpretação em Gravidade é algo de grandioso. Ela é a solitária Ryan Stone que se vê na sua primeira missão espacial, onde não se sente à vontade. Ryan odeia o espaço – ela própria o diz -, e ficar perdida nele não podia ser mais irónico. Bullock - sozinha na maior parte do filme - dá tudo de si, física e psicologicamente, e o resultado é um desempenho forte e comovente.

3. Cate Blanchett em Blue Jasmine
Mais ou menos em pé de igualdade com Bullock, mas num género bem diferente, está Cate Blanchett. A desequilibrada Jasmine assentou na perfeição à actriz que mergulha na mais profunda depressão ao longo do filme de Woody Allen. Blanchett transfigura-se, e alterna entre a elegância e o desespero com uma facilidade impressionante. Sem dúvida, uma das mais fortes nomeadas.

4. Amy Adams em Golpada Americana (American Hustle)
A única nomeada que ainda não venceu um Oscar - apesar de não lhe faltarem nomeações -, Amy Adams surge deslumbrante e é provavelmente o melhor desempenho de Golpada Americana. Ela é fabulosa, sedutora e uma farsante de alta qualidade. Seduz e engana os dois homens fortes da longa-metragem, apesar do amor incondicional pelo seu parceiro de falcatruas. Na pele de Sydney, Amy ama, sofre, transforma-se. Contudo, isso não chega contra uma concorrência tão forte.

5. Judi Dench em Filomena (Philomena)
Judi Dench junta mais uma nomeação à sua lista com uma interpretação contida mas arrepiante, na pele de Philomena, uma mulher simples, corajosa e persistente. A actriz é doce, divertida e emociona-nos na pele desta mulher a quem separaram do filho. Ainda assim, Dench já fez muito melhor.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sugestão da Semana #103

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o filme de Spike Jonze, Uma História de Amor (Her). Tecnologia e romance aliam-se nesta longa-metragem e provam a originalidade e o sarcasmo do realizador. Ao mesmo tempo, Joaquin Phoenix oferece-nos uma excelente prestação. Podes reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

UMA HISTÓRIA DE AMOR


Ficha Técnica:
Título Original: Her
Realizador: Spike Jonze
Actores: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara
Género: Drama, Ficção Científica, Romance
Classificação: M/16
Duração: 126 minutos

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Crítica: Uma História de Amor / Her (2013)

"She's not just a computer."
Theodore

*7/10*

O pessimismo e a nostalgia invadem uma sociedade futurista, onde as emoções deixam de ser tão realistas como deviam. Uma História de Amor (Her, no original) é uma mordaz crítica social ao modo como o humano se relaciona com a tecnologia e, cada vez menos, com o seu semelhante.

Numa Los Angeles de um futuro próximo, Theodore Twombly é um homem complexo e sentimental que ganha a vida a escrever cartas pessoais para outros. De coração partido, após o fim de um longo relacionamento amoroso, Theodore fica intrigado com um novo sistema operativo, que promete ser uma entidade intuitiva em si mesma, com uma adaptação individualizada ao utilizador. Quando o inicia, fica encantando por conhecer Samantha, uma voz feminina perspicaz, sensível e divertida, que lhe parece muito real. À medida que as suas necessidades e desejos crescem, em sintonia com os de Theodore, esta amizade transforma-se numa espécie de história de amor.

Spike Jonze escreve e realiza e tem no argumento o ponto forte da sua mais recente longa-metragem. A distopia que apresenta em Uma História de Amor pode facilmente confundir-se com isso mesmo - uma história de amor -, mas, longe do romantismo, é muito mais uma história de seres humanos que deixaram de ser capazes de lidar com emoções reais. No futuro idealizado por Jonze a solidão invade os espaços cheios de gente. São raras as conversas entre amigos, colegas, vizinhos, é raro o olhar para o outro, a sociabilização quase deixa de existir. As atenções centram-se nos aparelhos electrónicos, tão evoluídos, em que já nem precisamos tocar, basta falar, ordenar.


Viver com e para a tecnologia é cada vez mais uma realidade nos dias que correm. Desde cedo que o cinema antecipou o crescendo tecnológico e o poder que esta ferramenta começaria a ter. Jonze leva ao extremo a ideia de um sistema operativo conseguir ter emoções e querer evoluir - mais do que devia -, tal como um ser humano. Com o surgimento desta inovação e de Samantha - ironicamente feita à medida do seu utilizador, Theodore -, tudo se torna ainda mais bizarro. O coração partido de Theo parece encontrar apenas ali a forma - muito fantasiosa - de superar o fim do casamento, a separação da mulher que tanto amou. Mais ainda, surpreendentemente, o facto de um homem namorar com um programa de computador é encarado com extrema naturalidade.

No entanto, Uma História de Amor encaminha-se, em certos momentos, por terrenos menos felizes. O encontro às cegas do protagonista faz-nos perder algum interesse, reforçando a ideia de que, no futuro, ninguém parece saber lidar com sentimentos e relações. A crítica é quase certeira, mas perde-se um pouco na baixa probabilidade deste futuro próximo, e por delegar à maioria da população um espírito muito fraco e nulidade de emoções reais - o pessimismo no que toca ao amor e às emoções é verdadeiramente arrepiante, o que, por outro lado, pode jogar a favor do filme.

Por sua vez, a evolução de Samantha, que tanto questiona e ambiciona ser, torna-a menos ideal do que o previsto, revelando uma faceta egoísta do sistema operativo - que, como em tantos outros filmes, parece querer dominar e superar o humano -, trazendo, no desenrolar da narrativa, muito pouco de aliciante à ideia base. A voz que apaixona o protagonista precisa de algo mais substancial e credível para nos conquistar e, neste caso, apenas nos poderá fazer deixar de acreditar no amor.

Joaquin Phoenix oferece-nos uma interpretação surpreendente - escapou-lhe este ano a nomeação para o Oscar (injustamente, mas há apenas cinco lugares para o muito talentoso ano 2013). Após o desequilibrado e atormentado pelo passado Freddie Quell, em The Master, o actor entrega-se agora ao seu oposto: o solitário romântico, deprimido, refém da tecnologia e com fortes dificuldades em sociabilizar. O seu emprego denota um lado sensível e sentimental, ao mesmo tempo que prenuncia a relação muito pouco saudável e irreal que desenvolve com Samantha. Phoenix transpira sensibilidade e uma timidez arrebatadora.


A amizade de Theodore com Amy, interpretada por Amy Adams - que cada vez mais se revela camaleónica e eficaz em todos os papéis - é, contudo, uma das características mais humanas de Uma História de Amor. A actriz surge com um visual diferente e incorpora uma mulher aparentemente decidida, mas sentimental, que, tal como o protagonista, não sabe lidar com o final de uma relação. Amy, que cria tecnologia, acaba por também, ironicamente, se refugiar nela. Um último destaque para Scarlett Johansson, que apesar de entrar no projecto com ele quase concluído (a actriz substituiu Samantha Morton), assume-se como fundamental, com a sua voz sexy e dominadora - muito longe das habituais robóticas a que se está habituado.

Visualmente, os tons claros de ambiente predominam, e contrastam fortemente com as cores garridas do guarda-roupa (numa sociedade tão distópica, as emoções tinham de estar em algum lado, nem que seja na alegria reprimida de uma camisa vermelha). A banda sonora - nomeada para o Oscar - é um ponto muito forte de Uma História de Amor: melancólica, romântica, nostálgica, e, contudo, tornando-se rapidamente frenética, a transbordar tecnologia e a incorporar a ideia de um computador ou jogo de vídeo.

Um futuro pouco feliz, e com uma aterrorizante dependência sentimental das máquinas, é o que nos traz Spike Jonze em época de romance. Todavia, Uma História de Amor apaixona pouco, serve sim como alerta para a valorização das emoções reais. Não vá Samantha bater-nos à porta um dia destes.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Sugestão da Semana #100

Dos dois filmes estreados na passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre Golpada Americana, nomeado para dez Oscars da Academia. Podes ler aqui a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme.


Ficha Técnica:
Título Original: American Hustle
Realizador: David O. Russell
Actores: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/16
Duração: 138 minutos

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Crítica: Golpada Americana / American Hustle (2013)

"Did you ever have to find a way to survive and you knew your choices were bad, but you had to survive?"
Irving Rosenfeld

*7.5/10*

Dinheiro, corrupção, mulheres bonitas e homens astutos são alguns dos ingredientes de Golpada Americana, um dos títulos mais nomeados para os Oscars 2014. Muito superior ao seu antecessor, o filme volta a mostrar que David O. Russell não vem sendo original, mas consegue essencialmente entreter, desta vez com melhor conteúdo e personagens. 

Baseado em acontecimentos reais, Golpada Americana reúne um elenco de luxo - como já vem sendo hábito na filmografia do realizador -, e lembra-nos, de quando em quando, trabalhos de outros cineastas. A longa-metragem debruça-se sobre o vigarista Irving Rosenfeld (Christian Bale), que se alia à sedutora Sydney Prosser (Amy Adams), e se vê  forçado a trabalhar para o agente Richie DiMaso (Bradley Cooper), do FBI, que os coloca no centro do perigoso mundo da máfia. No meio destes esquemas surge também o político Carmine Polito (Jeremy Renner), e, claro, Rosalyn (Jennifer Lawrence), a imprevisível mulher de Irving, que poderá pôr tudo a perder.

Golpada Americana é fundamentalmente um filme de actores. Amy Adams, Christian Bale, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy RennerJack Huston são alguns dos nomes de peso que compõem o elenco e são o motor do filme de O. Russell. Aliás, o ponto mais positivo da longa-metragem é a fusão personagem-interpretação, com Amy Adams na pele de Sydney - ou devo dizer, Edith? - a liderar. Adams é fabulosa, sedutora e uma farsante de alta qualidade. Ela seduz e engana os dois homens fortes da longa-metragem, apesar do amor incondicional pelo seu parceiro de falcatruas. Ela ama, sofre, transforma-se. Ao seu lado está Bale, camaleónico, irreconhecível na pele deste vigarista gordo, careca e pouco atraente - quem adivinharia que é o Batman? -, mas que as mulheres disputam.


Do lado dos secundários, Jennifer Lawrence tem pouco protagonismo, mas o tempo em que a vemos no ecrã será, certamente, o mais divertido da longa-metragem. Rosalyn é desequilibrada, com hábitos e atitudes hilariantes, e dela nunca saberemos o que virá. A prestação da actriz não é extraordinária, mas é, certamente, a mais cómica, e em muito contribui para as voltas e reviravoltas da trama. Por seu lado, Cooper está numa personagem à sua imagem, não muito longe do que já fez antes. O agente do FBI é inteligente mas demonstra alguma ingenuidade, e tem explosões de fúria inesperadas. Jeremy Renner tem um desempenho curioso na pele do político corrupto mas dedicado à família, Carmine Polito - uma caricatura divertida e muito pouco realista, mas que proporciona bons momentos.

O argumento não carrega originalidade, e é, acima de tudo, entretenimento puro. Embrenham-se histórias de máfia e corrupção, sob um texto divertido, com algumas surpresas, e onde são facilmente reconhecidos alguns detalhes que nos lembram obras de Scorsese ou mesmo Coppola

Tecnicamente, o destaque vai especialmente para a direcção artística que faz um trabalho muito interessante, fazendo a audiência sentir-se realmente na New Jersey dos anos 70, aliando-se ao guarda-roupa e à banda sonora que nos embala e situa na época certa.

David O. Russell está longe de ser perfeito e Golpada Americana não é o melhor filme do ano. Contudo, poucas comédias sobre mafiosos - actualmente - nos divertem tanto e de uma forma tão leve como esta.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sugestão da Semana #70

Dos filmes estreados na passada semana, o destaque vai hoje para o novo filme de Super-Homem. Com a crítica tão dividida, só vendo é que se poderão tirar todas as dúvidas.

HOMEM DE AÇO


Ficha Técnica:
Título Original: Man of Steel
Realizador: Zack Snyder
Actores:  Henry Cavill, Amy Adams, Michael ShannonDiane LaneRussell CroweKevin Costner
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 143 minutos