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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Mostra e Encontro de Cinema iNTERVALOS: de 10 a 12 de Abril nas Caldas da Rainha, com homenagem a Manuel Mozos

A Mostra e Encontro de Cinema iNTERVALOS estreia-se nas Caldas da Rainha, de 10 a 12 de Abril, com uma homenagem ao cineasta Manuel Mozos.


Durante três dias, a iNTERVALOS leva cinema português às Caldas da Rainha, com filmes, debates, conversas entre cineastas, críticos, investigadores, professores, estudantes e espectadores e ainda visitas guiadas. O objectivo da mostra é "criar uma comunidade sensível às diferentes cinematografias e homenagear, todos os anos, um cineasta", explica a organização em comunicado e acrescenta que "o evento pretende consolidar-se anualmente como um marco cultural nas Caldas da Rainha e na região oeste e fazer um caminho de valorização do património do cinema português, da criação e pensamento em torno das imagens em movimento".

Sem esquecer o movimento associativo, em cada edição da iNTERVALOS será convidada uma associação do sector para apresentar e dar a conhecer acções concretas e contributos em contexto cinematográfico. A Associação Portuguesa de Realizadores (APR) apresentará a publicação sobre a história da APR e através desta um olhar sobre o cinema português ou sobre como se fazem filmes em Portugal.

Destaques da Programação iNTERVALOS 2025:

Abertura oficial (10 de Abril, 21h00) - exibição dos filmes Rhoma Acans (Leonor Teles, 2013) e Cama de Gato (Filipa Reis e João Miller Guerra, 2012), seguidos de conversa com cineastas moderada por Susana Duarte. Com a presença de Mário Branquinho, director do Centro Cultural das Caldas da Rainha (CCC), e entidades parceiras.

Lançamento de Livro (10 de abril - Manhã) – Um Território Comum. Residências de Investigação Artística do Mestrado em Artes do Som e da Imagem, da ESAD.CR, em colaboração com a Associação Cultural OSSO, nas instalações da OSSO, em São Gregório. 

Mostra de trabalhos das Residências de Investigação Artística da ESAD.CR.

Sessões conjuntas de filmes em diálogo (11 de Abril) - da parte da tarde, exibição de Maria Sem Pecado (Mário Macedo, 2016) em diálogo com A Nossa Terra, o Nosso Altar (André Guiomar, 2020), seguida de conversas com cineastas; à noite Água Mole, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves (2017) em diálogo com Para além das Montanhas, de Aya Koretzky (2011), seguida de conversa.

Última sessão conjunta de filmes em diálogo (12 de Abril) – com as curtas-metragens Razão Entre Dois Volumes, de Catarina Sobral (2008) em diálogo com Voa Voa num Prédio de Lisboa, de Joana Toste (2009) e Mesa (2010) de João Fazenda.

Conversa de Paulo Cunha com o cineasta Manuel Mozos (12 de abril, à tarde) e exibição de A Glória de Fazer Cinema em Portugal (2015). À noite, Mário Branquinho conduz conversa com Mozos sobre o filme Xavier (1991-2002).

A Glória de Fazer Cinema em Portugal

Participação da Associação Portuguesa de Realizadores (APR), representada por Pedro Filipe Marques, para apresentar a publicação Glória de Fazer Cinema em Portugal.

Encerramento com uma sessão de Live-Cinema, protagonizada por estudantes do Mestrado em Artes do Som e da Imagem da ESAD.CR.

Mais informação em https://ccc.com.pt/agenda/cinema/intervalos.

domingo, 2 de julho de 2023

Sugestão da Semana #567

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Légua, de Filipa Reis e João Miller Guerra. O filme já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.



Ficha Técnica:
Título Original: Légua
Realizadores: Filipa Reis e João Miller Guerra
Elenco: Carla Maciel, Fátima Soares, Vitória Nogueira da Silva, Paulo Calatré, Manuel Mozos, Sara Machado
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 119 minutos

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Crítica: Légua (2023)

"- Todas ferem, a última mata...
- O quê?
- As horas. São as horas a passar."
Padre e Ana


*7/10*

Légua, de Filipa Reis e João Miller Guerra, é uma obra sobre a passagem do tempo, no corpo e no espaço. É a Natureza (também a Humana) no seu estado cinematográfico mais puro.

"Emília é uma velha governanta numa casa senhorial no Norte de Portugal. Ana ajuda-a, num ritual diário de cuidar do espaço para os donos que raramente aparecem. Quando Emília adoece, Ana abdica da sua vida familiar para a cuidar. Essa escolha leva a novos desafios que interrompem os gestos quotidianos e inventam outros — a filha que confronta a decisão de Ana, e a casa que lentamente vai sendo transformada num lugar vivido, habitado. Três gerações de mulheres procuram compreender o seu mundo em transformação, em que o ciclo da vida se renova a partir de finais inevitáveis."


A segunda longa-metragem de ficção dos realizadores inspira-se na casa de família onde Miller Guerra passava férias quando era mais jovem, em Légua, concelho de Marco de Canavezes, e na governanta da casa, que adoeceu e foi cuidada pela jovem ajudante da casa. 

Na ficção, Légua é construída em volta de três gerações de mulheres emancipadas, cada uma à sua maneira. A mais velha, Emília, é uma mulher conservadora, exigente e solitária, que sabe bem o que quer, mesmo no que respeita à dedicação desmedida à casa vazia que cuida com apreço. Ana mais jovem, vive na indecisão entre emigrar com o marido para França, ou ficar na sua terra e continuar o seu trabalho junto de Emília. O dilema desaparece quando esta adoece e Ana sente que é seu dever ficar e cuidar dela. Por sua vez, mais rebelde é Mónica, filha de Ana, que vai para a cidade em busca da sua independência e confronta a mãe com a decisão de ficar naquela casa solitária e não partir para junto do marido.


Perante dúvidas e certezas, um ano passa e é retratado através da Natureza e do seu ciclo agrícola, tão semelhante ao da vida - e da inevitável morte. 

Ana gosta do toque, de sentir tudo, seja o corpo do marido, os beijos e abraços daqueles que ama ou a música que a acompanha, mas também, e apesar das circunstâncias de cuidadora, a natureza, o sol, a água, a terra, as plantas, os animais (tão presentes neste filme), os frutos, as toalhas, os lençóis. 


A casa senhorial, onde tudo - e nada - acontece, vive adormecida no passado que guarda em si, até ao momento que é Ana que toma as rédeas. Ela dá-lhe um novo papel, uma nova vida: dá uso às divisões e aos objectos, e tenta proporcionar o melhor conforto possível a Emília, que dedicou a vida a manter o local pronto para os proprietários que teimavam em nunca chegar. Na pele de Ana, Carla Maciel é extraordinária, num papel com uma carga física muito forte. Ao seu lado, como Emília, Fátima Soares, actriz não profissional, esteve à altura do desafio de representar a sua própria decadência rumo ao desfecho inevitável.


Há uma luz que paira sobre cada passo de Ana. Em comunhão com a Natureza e com os animais, ela transmite paz e tranquilidade, apesar das circunstâncias. Ao filmarem em película, Filipa Reis e João Miller Guerra captam esta dimensão quase metafísica de plenitude e nostalgia, uma dualidade aparentemente impossível que rodeia Légua em cada plano. Eis a magia e a elegia da passagem do tempo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Doclisboa'19: Sophia, na Primeira Pessoa (2019)

*5.5/10*

Sophia, na Primeira Pessoa, de Manuel Mozos, estreou na secção Heart Beat do Doclisboa'19, e será exibido na RTP1, no dia 5 de Novembro, pelas 22h30, na véspera da comemoração do centenário da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen.


Um documentário que quis dar voz à autora, falecida em 2004, para que contasse a sua história pelas próprias palavras. Para isso, o realizador e equipa recorreram "ao espólio pessoal da autora, a imagens actuais de locais onde viveu ou que lhe foram queridos e a imagens de arquivo de televisão e cinema; utilizando partes da sua prosa e da sua poesia sempre com testemunhos na primeira pessoa; do Porto a Lisboa, da Granja a Lagos, do mar Atlântico ao Mediterrâneo, da Grécia ao 25 de Abril: as paixões e decepções de uma vida e obra dedicadas à busca pelo real, a liberdade e a justiça."

Vemo-la e ouvimo-la em entrevistas, mas igualmente a declamar a sua poesia. Conhecêmo-la através das suas palavras, mas também pelas fotografias antigas - onde vemos uma mulher moderna e emancipada. A acompanhar, paisagens e locais que lhe disseram muito.


Sophia, na Primeira Pessoa não nos faz descobrir uma nova Sophia, não nos conta muito para além do que já sabemos, mas tenta entrar um pouco mais na intimidade das palavras e imagens da autora, com uma poesia inerente a unir imagens e frases. Peca por ser apenas "na primeira pessoa", mas não deixa de ser um interessante registo e um bom esforço de Manuel Mozos para criar um documentário diferente do que já se fez sobre Sophia de Mello Breyner Andresen.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Sugestão da Semana #314

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, Ramiro, de Manuel Mozos.

RAMIRO


Ficha Técnica:
Título Original: Ramiro
Realizador: Manuel Mozos
Actores: António Mortágua, Madalena Almeida, Fernanda Neves, Sofia Marques, Vítor Correia, Mia Tomé
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 99 minutos

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Doclisboa'15: A Glória de Fazer Cinema em Portugal (2015)

*8/10*

Na Competição Internacional do Doclisboa'15, encontramos o português A Glória de Fazer Cinema em Portugal, de Manuel Mozos, uma docuficção encantadora e cheia de imaginação.


O filme parte de uma carta, enviada por José Régio a Alberto Serpa a 18 de Setembro de 1929, manifestando vontade de criar uma produtora e começar a fazer filmes. Durante quase 90 anos, nada mais se soube: nunca se encontrou nenhuma resposta e Régio nunca mais mencionou o assunto. A descoberta de algumas bobinas antigas no tesouro de um coleccionador parece dar um fim à história.

Dividido em cinco capítulos - Abertura, A Carta, Monsieur Caillaud, O Encontro e Epílogo -, A Glória de Fazer Cinema em Portugal cria uma história, feita de coincidências inimagináveis, que, a serem verdade, seriam uma descoberta histórica no cinema português. O público sabe que parte das personagens são fictícias, mas Manuel Mozos constrói esta curta-metragem, feita essencialmente de imagens de arquivo - algumas reais, outras igualmente criadas para o efeito -, que nos conduzem a um sonho que podia ter acontecido e em que quase conseguimos acreditar.

No final, fica na plateia a dúvida do que é verdade e do que é ficção, e, certamente, uma curiosidade crescente de querer saber mais sobre os primórdios do cinema em Portugal. Um excelente trabalho do realizador português que, ao criar esta intrincada teia de relações e acasos, constrói aquela que poderia ter sido A Glória de Fazer Cinema em Portugal.