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segunda-feira, 17 de março de 2014

Sugestão da Semana #107

Dos filmes estreados na passada Quinta-feira, são muitas as boas razões para ir ao cinema. A Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme recai na primeira longa-metragem realizada por Valeria Golino, Mel, que já tem crítica por aqui.

MEL

Ficha Técnica:
Título Original: Miele
Realizador: Valeria Golino
Actores:  Jasmine Trinca, Carlo Cecchi, Libero De Rienzo
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 96 minutos

quinta-feira, 13 de março de 2014

Estreias da Semana #107

Mais sete estreias chegam hoje às salas de cinema nacionais. Fruitvale Station - A Última Paragem, MelNon-Stop ou O Congresso são alguns dos variados títulos a que se pode assistir a partir de hoje.

Fruitvale Station - A Última Paragem (2013)
Fruitvale Station
Fruitvale Station – A Última Paragem é baseado na história verídica de Oscar Grant (Michael B. Jordan), de 22 anos, residente da Bay Area, em São Francisco, que acorda na manhã de 31 de Dezembro de 2008 a sentir algo diferente no ar. Interpreta esse pressentimento como um sinal para fazer algumas mudanças na sua vida: ser melhor filho para a mãe, melhor parceiro para a namorada e melhor pai para Tatiana, a filha de ambos. Começa bem, ao cruzar-se com amigos, família e desconhecidos mas, à medida que o dia avança, apercebe-se que essa mudança não vai ser fácil.

Irene (Jasmine Trinca) vive sozinha numa casa à beira-mar, perto de Roma. Sob o nome de código Miele, secretamente, ela ajuda doentes terminais a morrerem com dignidade, dando-lhes um barbitúrico poderoso. Um dia, Irene dá uma dessas doses mortais a um novo cliente, o Sr. Grimaldi (Carlo Cecchi). Contudo, descobre que ele está de perfeita saúde, mas quer suicidar-se, depois de ter perdido o interesse em viver. Determinada em não ser responsável por aquela morte, ela irá fazer de tudo para a impedir.

Mr. Peabody e Sherman (2014)
Mr. Peabody & Sherman
Mr. Peabody é um homem de negócios, inventor, cientista, vencedor do prémio Nobel, chef, duas vezes campeão olímpico, um génio... e por acaso é um cão. Usando a sua invenção, a máquina WABAC, Mr. Peabody e seu filho adoptivo, Sherman, viajam no tempo para viver em primeira mão alguns acontecimentos que mudaram o mundo e interagir com as grandes personalidades históricas. Mas quando Sherman quebra as regras da viagem no tempo, os nossos dois heróis entrarão numa corrida para reparar a história e salvar o futuro, enquanto Mr. Peabody enfrenta o maior desafio da sua vida - ser pai.

Non-Stop (2014)
Durante o voo transatlântico entre Nova Iorque e Londres, o US Air Marshall Bill Marks (Liam Neeson) recebe uma série de misteriosas mensagens de texto, ordenando-lhe que instrua o governo para transferir 150 milhões de dólares para uma conta offshore ou um passageiro será morto a cada 20 minutos. O que se segue é um jogo do gato e do rato com as vidas dos 146 passageiros reféns nesse avião.

O Congresso (2013)
The Congress
Robin Wright, vestindo a sua própria pele, recebe uma oferta de um importante estúdio para vender a sua identidade cinematográfica: ela será digitalizada e serão criados vários clones digitais seus que podem ser usados sem restrições em qualquer filme de Hollywood – mesmo os mais comerciais e que a actriz no passado recusara fazer. Em troca, Robin receberá uma avultada quantia,  e o estúdio promete-lhe que fará com que o seu clone digital nunca envelheça e fique jovem para sempre. Mas, mais importante que isso, com esse dinheiro, Robin poderá ajudar o filho que sofre de uma doença rara. O contrato será válido por 20 anos.

Um Amor entre dois Mundos (2012)
Upside Down
Desde que Adam (Jim Sturgess) e Eden (Kirsten Dunst) se apaixonam na adolescência que a sua relação enfrenta incertezas colossais. O casal é separado não apenas pela classe social e por um sistema político determinado em mantê-los afastados, mas também por uma insólita condição planetária: eles vivem em mundos geminados com gravidades que os puxam em direcções opostas: Adam no pobre e desolado mundo de baixo, Eden no rico mundo de cima.

Uma Longa Viagem (2013)
The Railway Man
Uma Longa Viagem conta a história verídica de Eric Lomax (Colin Firth), um ex-prisioneiro torturado pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, na construção dos caminhos de ferro. Muitos anos depois, ele vai tentar encontrar os responsáveis pela tortura que ainda o atormenta.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

LEFFEST'13: Crítica: Mel / Miele (2013)

*7.5/10*

Miele (ou Mel, em português) marca a estreia de Valeria Golino na realização de longas-metragens. O suicídio assistido está no centro da questão, com todas as implicações morais que lhe estão adjacentes, e certo é que Golino faz um trabalho sério e profundo, quer na realização como no argumento - uma adaptação livre do romance A nome tuo, de Mauro Covacich.

Irene (Jasmine Trinca) vive sozinha numa casa à beira-mar, perto de Roma. Sob o nome de código Miele, secretamente, ela ajuda doentes terminais a morrerem com dignidade, dando-lhes um barbitúrico poderoso. Um dia, Irene dá uma dessas doses mortais a um novo cliente, o Sr. Grimaldi (Carlo Cecchi). Contudo, ela descobre que ele está de perfeita saúde, mas quer suicidar-se, depois de ter perdido o interesse em viver. Determinada em não ser responsável por aquela morte, ela irá fazer de tudo para a impedir.

A polémica está lançada. A temática é sensível e a abordagem está extremamente bem conseguida, com todos os problemas de consciência aqui implícitos. Entre viagens, mortes assistidas e a sua própria vida privada, Irene vive um dia-a-dia agitado, onde a rotina não existe. Como Miele, ela age contra a lei, mas sempre de consciência tranquila, a fazer o que, para si, é certo. Contudo, ao cruzar-se com Grimaldi, Irene depara-se - mais tarde do que desejaria - com um caso diferente e que vai contra os seus princípios: um homem saudável que apenas quer morrer por estar farto da vida. Irene tem estabelecido que apenas ajuda a morrer pessoas que sofram de doenças terminais.


Ao mesmo tempo que evita, a todo o custo, ser culpada por um suicídio de um homem saudável, Irene desenvolve uma curiosidade pela teimosia de Grimaldi e pela sua solidão. Há semelhanças entre os dois, ambos solitários, ambos a precisar de alguém que dê sentido às suas vidas.

Ao longo do desenrolar da acção de Miele, desejamos saber mais sobre Irene. O que vamos conhecendo do seu passado é maioritariamente por flashbacks - pouco é aquilo que ela nos conta, ou conta a Grimaldi. Esse mistério envolvo na protagonista surge em paralelo com o seu anonimato como Miele, a mulher que ajuda os doentes a morrer, eles que nem o seu nome verdadeiro saberão. Irene perdeu a mãe muito jovem, por motivo de doença, mas nunca percebemos em que circunstâncias exactamente. Fácil é daí concluir que a jovem verá nessa morte que lhe foi tão próxima o motivo para realizar o trabalho que faz - que como a familiar de um doente lhe diz é um trabalho "de merda".

Para se libertar da dor que o trabalho e as memórias lhe trazem, Irene refugia-se no desporto e na Natureza. Desde nadar no mar, a passeios de bicicleta, ao simples sentar no meio de searas, são vários os momentos em que a tranquilidade e libertação que a protagonista sente passam para o espectador. É nestes momentos que Valeria Golino nos proporciona planos de extrema beleza, sempre tão dinâmicos como Irene.

No elenco, claro destaque para Jasmine Trinca a vestir a pele da personagem principal. Ela consegue dotar Irene de coragem e teimosia, encarnando uma mulher reservada, simples mas sensual à sua maneira, desafiadora das regras da sociedade mas sempre fiel às suas. A sua obsessão pela saúde revela fragilidades mais escondidas. Ao mesmo tempo, Carlo Cecchi oferece-nos uma interessante interpretação de Grimaldi, o engenheiro deprimido que encontra em Irene uma inesperada força que quebra essa rotina que tanto o desencanta.


A música tem uma presença muito forte em Miele e a banda sonora revela-se muito importante e de grande qualidade. Com sonoridades que vão das mais clássicas (Marino Marini, Enrique Granados...) às mais modernas (Caribou, The Shins...), é ela o motor que acompanha os momentos mais dramáticos ou os mais relaxados da longa-metragem. Solitária, Irene encontra na música - ela não larga os seus headphones - uma forma de se encontrar consigo própria. Por outro lado, enquanto assiste os doentes, ela dá-lhes a ouvir o seu tema favorito, nos últimos minutos de vida.

Miele prova como Valeria Golino é capaz de um excelente trabalho do outro lado da câmara. A grandiosidade técnica e argumentativa da longa-metragem perde apenas com o final que merecia ser melhor. Ainda assim, tendo em conta o todo, a realizadora traz até nós um filme singular, corajoso e sem tabus.

Miele repete amanhã, dia 14 de Novembro, no Lisbon & Estoril Film Festival. A sessão acontecerá no Centro de Congressos do Estoril, às 21h45, e conta com a presença da realizadora para uma conversa.