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quinta-feira, 23 de julho de 2020

FICLO 2020: Vencedores

O FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão anunciou os vencedores da edição de 2020. Longa Noite, de Eloy Enciso, foi o grande vencedor.


O júri do festival, composto por Lluís Miñarro, Carlos Natálio, Ruth Perez, Ana Isabel Soares e João Viana, entregaram o Prémio FICLO ao filme de Enciso pela "profunda honestidade estética – e um assumido posicionamento ético – acerca da obscuridade do regime franquista; o facto de a fragilidade absoluta das personagens, das próprias imagens, se transformar, nele, em grito contra intemporais formas de domínio e injustiça sobre cada ser humano".

O Prémio Especial do Júri foi para Campo, de Tiago Hespanha. "A grande e louvável liberdade estilística desta obra, assim como um trabalho visual e sonoro ao serviço do ambicioso projecto de construir um relato cosmogónico, que dá a saber como tratamos os ‘outros’ – incluindo os animais, foi o que nos fez atribuir ao filme uma menção especial do júri a Campo.", justificaram os jurados.

Foi ainda feita uma Menção de tributo à realizadora Marion Hänsel, falecida em Junho deste ano.
O júri decidiu fazer esta menção "em agradecimento e memória da realizadora, tão recentemente desaparecida, pela generosidade de, em Il Etait um Petit Navire, partilhar com o espectador a sua experiência pessoal de cinema e de vida como lugar de encontro. Hänsel mantém-se fiel a um olhar, a um modo de narrar o mundo, a partir da vulnerabilidade de uma cama de hospital, a partir dos impossíveis equilíbrios da vida e do seu amor por todas as artes."

FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão realizou-se entre os dias 15 e 21 de Julho.

domingo, 19 de julho de 2020

FICLO 2020: Valley of Souls / Tantas Almas (2019)

*9/10*


O luto de muitas famílias colombianas é transposto para Tantas Almas, de Nicolás Rincón Gille, numa homenagem introspectiva e cheia de significância.

A ideia de fazer Tantas Almas nasceu em 2008, enquanto Nicolás Rincón Gille preparava o documentário Los Abrazos del Río (2010). A violência paramilitar tinha devastado aquela zona da Colômbia, e o realizador decidiu viajar pelo Rio Magdalena, recolhendo testemunhos. 

A acção de Tantas Almas passa-se exactamente nas margens desse rio, em 2002. Após uma longa noite de pesca, José regressa a casa, na floresta, para descobrir que forças paramilitares lhe mataram os filhos, Dionísio e Rafael, e deitaram os corpos ao rio. José inicia uma viagem solitária para os recuperar e sepultar os seus corpos, a fim de impedir que as suas almas atormentadas fiquem presas neste mundo. A bordo da sua canoa, José descobre a magia de um país dilacerado.


A esperança e a fé inabalável deste pai são os motores que nos guiam rio abaixo e floresta adentro, com o perigo a espreitar nas margens, onde todos vivem com medo e superstição, e no rio, com a morte espalhada (e espelhada) na água.

No percurso silencioso, José mantém a descrição, sempre atento e educado. A morte acompanha-o de perto, por onde quer que vá e os poucos encontros fugazes que tem ao longo da jornada são um bom resumo do que o rio tem para dar: crueldade, medo, morte, fuga, mas também sonhos, bondade e esperança. E são estes três substantivos que fazem pairar algo de mágico em redor de José, incapaz de desistir, e nos deixam criar laços fortes com o protagonista.


A par da história, Tantas Almas apresenta ainda um magnífico trabalho da direcção de fotografia, de Juan Sarmiento G., ao filmar a noite com uma luz muito particular, e dando vida às cores da floresta - há um realismo mágico a percorrer as imagens, do início ao fim do filme.

Tantas Almas é um lamento silencioso de um país. O realizador Nicolás Rincón Gille é capaz de combater a brutalidade e a violência que rodeiam estes povos com todo o amor e simplicidade deste pescador.

sábado, 18 de julho de 2020

FICLO 2020: Roi Soleil, de Albert Serra (2018)

*6/10*


Com a estreia de A Morte de Luís XIV, de Albert Serra, a Galeria de Arte Graça Brandão recebeu Roi Soleil, em 2017, uma exposição/performance que retratava os últimos momentos de agonia do monarca francês, pelo actor Lluís Serrat. O resultado dessa experiência está neste filme.

Diante dos visitantes de uma galeria de arte, um actor representa a lenta agonia do monarca francês Luís XIV até à sua morte, num desafio físico e psicológico de enorme complexidade. Roi Soleil é uma reflexão sobre o significado visual do rosto do actor, além do profundo mistério por detrás de todas as representações genuínas. As três dimensões essenciais do seu corpo moribundo, a pessoa, o actor (a pessoa vaidosa que tem consciência de estar a ser filmada) e a personagem, são questionadas e entrelaçadas com sensualidade e inocência.

Esta obra experimental, muito ao estilo do cineasta, mostra-nos o trabalho do actor, a agonia da personagem e a admiração de quem assiste. Verão o actor talentoso ou o rei decrépito? 


Iluminado por uma luz avermelhada, qual sol poente, Lluís Serrat agoniza, rasteja, geme, mas também come bolinhos e vê-se ao espelho, qual Narciso, sem tirar a peruca ou perder as mordomias e vaidades da realeza, mesmo no leito da morte.

Alguns planos deste Roi Soleil de Albert Serra poderiam mesmo ser quadros expostos nas paredes de um museu. Já perto do final, dá-se a desconstrução e o público revela-se, perante o actor.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

FICLO 2020: There was a Little Ship / Il était un petit navire (2019)

*7/10*


Após o desaparecimento, ainda tão recente, de Marion Hänsel (a realizadora faleceu em Junho), assistir a There Was a Little Ship toma um significado imenso. O último filme da cineasta e actriz belga é quase uma despedida não-intencional, onde faz uma espécie de retrospectiva da sua vida, durante uma longa estadia no hospital, em 2015.

Em tom confessional, There Was a Little Ship é uma espécie de diário de bordo, onde uma mulher (a própria Hänsel) hospitalizada por um período relativamente longo, observa o que a rodeia. Tem tempo para sonhar, revisitar certos momentos da sua vida. Essas memórias começam com o seu nascimento em 1949, em Marselha, e conduzem-nos a Antuérpia, Inglaterra, Nova Iorque, Paris, terminando na Flandres, em 2015, após ter alta hospitalar.


Neste documentário autobiográfico, quase poético, a realizadora aproveita o internamento, onde o tempo parece infinito, para entrar numa viagem introspectiva às recordações. Uma opção, talvez, para ajudar a passar os dias.

As imagens e rotinas diárias do presente contrapõem-se com as do passado: da infância na praia, à relação muito próxima com o avô e com a irmã mais cúmplice; o circo onde não gostou dos palhaços e a ida ao cinema ver um western com Gary Cooper; as dificuldades na escola aos 15 anos e a sua paixão pela pintura; a escola de artes em Inglaterra; a experiência difícil em Nova Iorque; a vida em Paris; a perda de alguém muito próximo; a relação com o pai, com a mãe e com o filho, entretanto nascido.


There Was a Little Ship é o relato poético e íntimo de uma vida em filme; com imagens de arquivo, intercaladas com novas filmagens, e a narração que nos faz revisitar os locais onde Marion Hänsel passou momentos importantes da sua infância, juventude e idade adulta.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

FICLO 2020: Out Stealing Horses / Ut og stjæle hester (2019)

*6/10*


Out Stealing Horses, de Hans Petter Moland, adapta o romance homónimo de Per Petterson, e leva-nos numa viagem às memórias e aos sentidos de um homem marcado pela relação com o pai. Neste filme, a família tem um papel fundamental, e a Natureza protagoniza o deslumbre visual que a câmara proporciona.

Em Novembro de 1999, Trond (Stellan Skarsgård) tem 67 anos e vive isolado, após a morte da mulher. O aproximar do virar do milénio não lhe traz vontade de festejar, mas a chegada do Inverno apresenta-o ao vizinho Lars (Bjørn Floberg), que o faz recordar o Verão de 1948, quando tinha 15 anos, e a importância que o mesmo teve para a sua vida.


Out Stealing Horses vagueia entre a inocência da infância e o confronto com a idade adulta, em plena adolescência do protagonista. Aquele Verão inesquecível, que moldou Trond para sempre e tanto lhe ensinou, é reencontrado entre as memórias bem guardadas, e faz com que o protagonista reviva e compreenda melhor os acontecimentos, numa espécie de reconciliação com os seus e consigo mesmo.

Foi em 1948 que se deparou com a morte, provavelmente, pela primeira vez, com a traição, o abandono. O papel da família, em especial do "pai-modelo", alterou-se, para sempre, na percepção do jovem. Ao mesmo tempo, a liberdade e as sensações que a Natureza lhe proporcionou abarcam outras tantas recordações. Regressamos com ele ao passado, e revivemo-lo em conjunto, com as observações que Trond, agora adulto, faz enquanto narra a sua própria história - uma narração que se torna exaustiva, após a metade do filme.


E se a história em si não cativa como poderia, as imagens são o grande motor que faz Out Stealing Horses funcionar. São elas que transpiram a inocência e as transformações que o jovem Trond vivencia naquele Verão. A direcção de fotografia e o trabalho de som são capazes de nos fazer sentir as texturas, como se lhes tocássemos, como se ouvíssemos os sons da Natureza, que surgem tão envolventes no ecrã. As paisagens são arrebatadoras, desde a felicidade e aventura inicialmente espelhadas no Verão do passado, à sombria nostalgia do invernal presente. Ouvimos cada ruído, sentimos a neve, a água do rio, o nevoeiro, as plantas, os troncos das árvores, os insectos, pássaros, coelhos e restantes elementos.

Out Stealing Horses é, essencialmente, um filme de sensações, em que "roubar cavalos" representa o esplendor da juventude de Trond, espelhado na força da Natureza.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

FICLO 2020 começa a 15 de Julho em Olhão, com muito cinema ao ar livre

O FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão acontece já a partir de 15 de Julho até dia 21, e a programação traz muitas sessões ao ar livre. Adoration e Valley of Souls serão os filmes de abertura e encerramento do festival, respectivamente.

O essencial da programação (anteriormente anunciada, aqui) mantém-se: a competição internacional, a retrospectiva de Albert Serra e o ciclo de cinema Italiano, país convidado desta edição.

I Do Not Care if we go down in History as Barbarians
Na Competição Internacional, encontramos longas-metragens recentes, que têm forte ligação com a literatura. Fortress, de Ludovica Andò e Emiliano Aiello, There was a Little Ship, de Marion Hänsel, The Good Girls, de Alejandra Márquez, e I Do Not Care if we go down in History as Barbarians, de Radu Jude, são alguns dos títulos que fazem parte da Selecção do FICLO 2020.

Como já havia sido anunciado, haverá uma retrospectiva integral da obra de inspiração literária do realizador Albert Serra. Fazem parte desta secção filmes como: Honor of the Knights (2006), livremente inspirado nos personagens principais de El Quijote de Miguel de Cervantes; Birdsong (2008), que se inspira na Bíblia; Story of My Death (2013), com foco em Casanova e Drácula; The Death of Louis XIV (2016) que se inspira nas Memórias de Saint Simon ou o seu último filme Liberté (2019), que vai aos relatos do Marquês de Sade e às fantasias de Apollinaire.


SELECÇÃO 2020
Adoration, Fabrice du Welz, Bélgica, fic., 2020, 98’ (Estreia nacional)
Endless Night [Longa Noite], Eloy Enciso, Espanha, fic., 2019, 93’
Fortress [Fortezza], Ludovica Andò, Emiliano Aiello, Itália, fic., 2019, 72’
(Estreia nacional)
Out Stealing Horses [Ut og stjæle hester], Hans Petter Moland, Noruega, fic.,
2019, 123’ (Estreia nacional)
The Good Girls [Las Niñas Bien], Alejandra Márquez, México, fic., 2018, 93’
(Estreia nacional)
There was a Little Ship [Il était un petit navire], Marion Hänsel, Bélgica, doc.,
2019, 65’ (Estreia nacional)
Valley of Souls [Tantas Almas], Nicolás Rincón Gille, Colombia, fic., 2019,
127’ (Estreia nacional)

RETROSPECTIVA ALBERT SERRA
Honor of the Knights [Honor de Cavalleria], Espanha, fic., 2006, 110’
Birdsong [El Cant dels Ocells], Espanha, fic., 2008, 98’
The Names of Christ [Els noms de Crist], Espanha, série de tv, 2010, 193’
The lord has Worked Wonders in Me [El Senyor ha fet en mi meravelles],
Espanha, fic., 2011, 146’
Story of My Death [Historia de la meva mort], Espanha, fic., 2013, 148’ The
Death of Louis XIV [La Mort de Louis XIV], França, fic., 2016, 115’
Roi Soleil, Espanha, fic., 2018, 61’ (Estreia nacional)
Liberté, França, fic., 2019, 133’

FILME DE ABERTURA
Adoration, Fabrice du Welz
Quarta, 15 de Julho, 21h30, República 14

FILME DE ENCERRAMENTO
Valley of Souls, Nicolás Rincón Gille
Terça, 21 de Julho, 18h00, Auditório Municipal de Olhão (AMO)

Toda a programação do FICLO e actividades paralelas podem ser consultadas em https://www.365algarve.pt/pt/agenda/8989/ficlo--festival-internacional-de-cinema-e-literatura-de-olhao.aspx.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão acontece de 15 a 21 de Julho

O FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão vai realizar-se entre 15 e 21 de Julho, depois do adiamento, devido ao estado de emergência.


O evento irá manter "o essencial da programação de filmes e actividades paralelas anunciadas em Março e com ajustes de exibição em linha de concordância com as recomendações emitidas pelas entidades competentes", explica a organização em comunicado. 

O FICLO regressará com mais actividades ao ar livre, com lugares marcados e sentados, sendo que o pátio da República 14 passará a ser um ponto central das exibições da competição internacional de filmes, mostrados aqui em ambiente aberto.

A retrospectiva da obra do realizador Albert Serra mantém-se programada, com todos os seus filmes com ligação à literatura, incluindo o recente Libertè. O ciclo italiano também continua garantido, e irá percorrer "a cinematografia, que, desde o pós-guerra, leva a narrativa contemporânea ao cinema através de uma proposta visual cinematográfica específica". Clássicos de RosselliniVisconti, Antonioni e Pasolini farão parte do ciclo.

Já o ciclo do Gótico Tropical será adiado. A direcção do festival considera que “a relação dos géneros com a problematização do passado e presente perturbadores, resulta actual por excesso e, como tal, perde sentido de conveniência e relevância no actual cenário”. Algumas das actividades paralelas serão também adiadas "pois, pela sua natureza, não conseguiriam acontecer sem que com isso se comprometesse a segurança dos intervenientes"

O programa completo, bilhetes e locais serão disponibilizados, em breve, no site: https://ficlo.pt/

quarta-feira, 11 de março de 2020

Covid-19: Cancelamento e Adiamento de eventos

Como sabemos, o Covid-19 tem levado ao cancelamento, adiamento ou suspensão de várias actividades, incluindo as culturais. Como tal, faremos aqui um apanhado dos eventos culturais  relacionados com cinema, em Portugal, que sofreram alterações:

Festivais e eventos culturais

Guiões VI - Festival do Roteiro de Língua Portuguesa - Alterações ao programa: Comunicado aqui.

7.ª edição do Leiria Film Fest - Adiado: Comunicado aqui.

2.ª edição do FICLO – Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão - Adiado: Comunicado aqui.

20.ª edição do Monstra - Festival de Animação de Lisboa - Adiado: Comunicado aqui.

13.ª edição da Festa do Cinema Italiano - Adiado: Comunicado aqui.

6.ª edição do Festival Encontros do DeVIR - Cancelamento dos primeiros espectáculos. Comunicado aqui. - Actualizado a 24 de Março: Todas as actividades suspensas.

FEST – Cineclube de Espinho adia as suas sessões de Março. Comunicado aqui.

Sessões Shortcutz canceladas. Comunicado aqui.

2.ª edição do Moinho Cine Fest - Adiada para o final do ano em data a anunciar. Comunicado aqui.

Curtas Metragens CRL irá suspender todas as actividades de acção educativa até ao dia 3 de Abril. Comunicado aqui.

Ciclo 6.doc adiado.

Cerimónia de entrega dos Prémios Sophia 2020 adiada. Comunicado aqui.

Exposição de Harry Potter: The Exhibition em Lisboa - Encerrada a partir de dia 16 de Março.

Solar - Galeria de Arte Cinemática - Encerrada até 3 de Abril.

FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa - Adiado.

IndieLisboa 2020 - Adiado. Comunicado aqui.

Curtas Vila do Conde 2020 - Adiado para de  3 a 11 de Outubro. Comunicado aqui.



Salas de Cinema - Todas as salas de cinema do país estão fechadas.

Cinema Trindade - Programação suspensa até 3 de Abril. Comunicado aqui.

Cinemas Castello Lopes - Encerrados temporariamente.

Cinema da Villa - Cascais. Encerrado temporariamente.

Salas do Cinema City - Encerradas temporariamente.
Cinemas Cinemax Penafiel - Encerrados temporariamente.

Espaço Nimas - Encerrado temporariamente.

Cinema Atlântida, Carcavelos - Encerrado temporariamente.

NOS Cinemas - Encerradas temporariamente.

UCI Cinemas - Encerrados temporariamente.

Salas Cineplace -Encerradas temporariamente.

Salas de cinema do Fórum Vizela - Encerradas temporariamente.

Algarcine, de Olhão, Sines, Lagos e Portimão - Encerradas temporariamente.

Auditório Charlot - Programação suspensa.

Teatro Municipal Campo Alegre - Encerrado temporariamente.

Teatro Académico de Gil Vicente - Encerrado temporariamente.

Suspensão dos serviços públicos da Cinemateca Portuguesa até dia 6 de Abril de 2020. - Esta suspensão abrange as duas salas de cinema da sede, a biblioteca, as sessões e oficinas da Cinemateca Júnior e os visionamentos no departamento ANIM.



*actualizado às 16h48 de 24 de Março 2020.

sábado, 7 de março de 2020

FICLO 2020: Programa completo

A 2.ª edição do FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão já tem o programa fechado. Haverá foco no grande cinema italiano e filmes em estreia nacional, para além do já anunciado foco na obra do realizador Albert Serra e o ciclo gótico tropical.

O evento promove 12 estreias nacionais e um conjunto de actividades paralelas dedicadas à escrita, debate e aprofundamento das conexões entre o cinema e a literatura, como os passeios performáticos pela cidade ou a leitura encenada por Rogério de Carvalho do argumento escrito em residência pelo realizador Tiago Hespanha.

I Do Not Care if We Go Down in History as Barbarians, de Radu Jude
Este ano, a Competição Internacional integra nove obras de produção recente: Adoration (filme de abertura do FICLO), Valley of Souls (filme de encerramento do festival), ambos com uma estrutura de conto e viagem dantesco, envolvidos por uma atmosfera poética; a viagem sem retorno no deserto de Fortress, de Ludovica Andò e Emiliano Aiello, inspirado no romance de Dino Buzzati; a viagem através da memória histórica em I Do Not Care if We Go Down in History as Barbarians, de Radu Jude, assim como em Endless Night, de Eloy Enciso; ainda There Was a little Ship, de Marion Hänsel, Out Stealing Horses, de Hans Petter Moland, e ainda o périplo pela consciência dividida e anulada em The Good Girls, de Alejandra Márques Abella. A estes títulos junta-se o português Campo, de Tiago Hespanha, que tem a natureza humana como ponto de partida.

Destaque para o foco nos filmes italianos que, desde o pós-guerra, levam a narrativa contemporânea ao cinema. O ciclo integra grandes clássicos de Rossellini, Visconti, Antonioni e Pasolini, propondo uma lista de filmes que se valem da estrutura narrativa e da temática da viagem para a exploração da identidade, outro dos grandes assunto da literatura contemporânea.

O FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão acontece entre 28 de Março e 5 de Abril. Mais informações em https://ficlo.pt/.

Campo, de Tiago Hespanha
SELECÇÃO COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Adoration, Fabrice du Welz, Bélgica, fic., 2020, 98' (Estreia nacional)
Endless Night [Longa Noite], Eloy Enciso, Espanha, fic., 2019, 93'
Fortress [Fortezza], Ludovica Andò, Emiliano Aiello, Itália, fic., 2019, 72' (Estreia nacional)
Out Stealing Horses [Ut og stjæle hester], Hans Petter Moland, Noruega, fic., 2019, 123’ (Estreia nacional)
The Good Girls [Las Niñas Bien], Alejandra Marquez, México, fic., 2018, 93' (Estreia nacional)
There was a Little Ship [Il était un petit navire], Marion Hänsel, Bélgica, doc., 2019, 65' (Estreia nacional)
Valley of Souls [Tantas Almas], Nicolás Rincón Gille, Colombia, fic., 2019, 127’ (Estreia nacional)

terça-feira, 3 de março de 2020

FICLO 2020: Albert Serra e Gótico Tropical em Olhão

O FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão acontece de 28 de Março a 5 de Abril e vai debater as relações de dominação e o imperialismo num foco dedicado ao Gótico Tropical. Albert Serra é um dos realizadores já confirmados.


São nove os filmes que compõem o ciclo, cuja história "surge a partir duma conversa entre o escritor Álvaro Mutis e Luis Buñuel. Mutis quer escrever um romance gótico em terras quentes. Buñuel mostra-se completamente céptico em relação a esta empresa. O resultado: La Mansión de Araucaima, que se inscreve dentro da antropologia do mal com uma paisagem tropical como cenário. Até aí Buñuel ainda tinha razão. Só quando Carlos Mayolo leva o romance ao cinema é que este consegue recuperar o verdadeiro espírito subversivo do gótico, porque muito para além da paisagem, enfatizar-se-ão as relações de dominação coloniais e pós-coloniais", explica o comunicado do festival.

O FICLO vai exibir Agarrando Pueblo (Carlos Mayolo e Luis Ospina, 1977), Carne de tu carne (Carlos Mayolo, 1983), Pura sangre (Luis Ospina, 1982), La Mansión de Araucaima (Carlos Mayolo, 1986), Vampiros en la Habana! (Juan Padrón, 1985), mas também longas-metragens mais recentes como Zombi Child (Bertrand Bonello, 2019), Los que Vuelven (Laura Casabé, 2019); Juan de los muertos (Alejandro Brugués, 2011) e La Región Salvaje (2016) de Amat Escalante.


Foco Albert Serra

O realizador Albert Serra está no Algarve em Março para o seminário Metodologia e Cinema Contemporâneo, a decorrer de 3 a 5 de Março, que antecipa o foco que o FICLO fará da sua obra nesta edição, com retrospectiva integral dos seus filmes literários.

Honor de Cavalleria (2006), livremente inspirada nos personagens principais de El Quijote, de Miguel de Cervantes; El Cant dels Ocells (2008), que vai beber à Bíblia; Historia de la meva mort (2013), com foco em Casanova e Drácula; La Mort de Louis XIV (2016), que se inspira nas Memórias de Saint Simon; e o seu último filme Liberté (2019) serão alguns dos títulos exibidos no festival. 


Retrospectiva obras literárias Albert Serra

Honor de Cavalleria (Honra de Cavalaria), Espanha, drama, 2006, 110’
El Cant dels Ocells (O Canto dos Pássaros), Espanha, drama, 2008, 98’
Els noms de Crist, Espanha, comédia (série de tv), 2010, 193’
El Senyor ha fet en mi meravelles (O Senhor fez em mim maravilhas), Espanha, drama, 2011, 146’
Els tres porquets, Alemanha, histórico, 2012, 6060’
Historia de la meva mort (História da Minha Morte), Espanha, drama, 2013, 148’
La Mort de Louis XIV (A Morte de Luís XIV), França, drama, 2016, 115’
Roi Soleil (Rei Sol), Espanha, drama, 2018, 61’
Liberté, França, drama, 2019, 133’

Mais informações sobre o FICLO em https://ficlo.pt/.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão de 4 e 13 de Abril

Olhão recebe a primeira edição do FICLO - Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão entre 4 e 13 de Abril, em vários locais da cidade algarvia.


No dia 4 de Abril, o Auditório Municipal de Olhão recebe, pelas às 19h00, o Filme de Abertura do FICLO 2019, The Gentle Indifference of the World, de Adilkhan Yerzhanov, que estará presente na sessão. A longa-metragem serve de inspiração a um Menu Fílmico, concebido pelo Chef Adérito Almeida, que será disponibilizado após a sessão.

O festival irá apresentar uma Competição Internacional composta por 10 filmes, todos eles inéditos ou sem estreia comercial em Portugal, com origem em países como Cazaquistão, Sérvia, Espanha, Ucrânia ou República Checa.

Estão também programados três ciclos: País Convidado, este ano dedicado à Suécia; Realizadoras, com a mais importante retrospectiva em Portugal da cineasta soviética Kira Muratova, falecida em 2018; e Obra Criativa do Festival, com um convite aos escritores Alexandra Lucas Coelho, Gonçalo M. Tavares e Nuno Mourão para apresentarem criações em diálogo com as imagens de três filmes mudos. O FICLO terá ainda Sessões Especiais (Special Screenings), Masterclasses, Oficinas, Instalações, Performances, Leituras e Concertos.

A propósito do festival, mas com o objectivo de se tornarem uma referência no panorama turístico do Algarve, o FICLO criou, em parceria com os Tuk Tuk de Olhão e Tavira, os Passeios Fílmicos – Turismo Cinematográfico. Através destes roteiros, o público pode percorrer locais da região que serviram de cenário a filmes de Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Teresa Villaverde ou Tony Gatlif.

O FICLO decorre no Auditório Municipal de Olhão, na Associação Cultural Re-Criativa República 14, na Sociedade Recreativa Progresso Olhanense, no Mercado da Fruta (palco de declamações e local para uma livraria temporária), entre outros espaços olhanenses, e é organizado pelo Cineclube de Tavira em co-produção com a Câmara Municipal de Olhão, e com o apoio do programa cultural 365 Algarve.

Mais informações sobre o Festival Internacional de Cinema e Literatura de Olhão em https://www.facebook.com/festivalcinemaliteraturaolhao/.