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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Oscars 2021: As Actrizes Secundárias

Começo a análise pré-Oscars aos nomeados com a categoria de Melhor Actriz Secundária. Das veteranas às estreantes, reúne-se um grupo de interpretações de qualidade e bastante equilibradas. Temos grandes nomes e algumas estreantes nestas andanças dos prémios. 

Fazer comédia com sucesso não é para qualquer pessoa, e Maria Bakalova fá-lo com um à-vontade surpreendente, por isso é ela a primeira da minha lista. Eis as nomeadas por ordem de preferência.


1. Maria Bakalova (Borat, o Filme Seguinte / Borat Subsequent Moviefilm)

Numa dupla inesquecível com Sacha Baron Cohen, a búlgara Maria Bakalova é uma das grandes revelações da época, na pele de Tutar, filha de Borat. Corajosa - a cena com Rudy Giuliani ficará para a História -, aparentemente inocente, segura e divertida, a jovem cativou atenções, para além de ter dado à longa-metragem um lado feminista, especialmente necessário no contexto dos acontecimentos.

2. Olivia Colman (O Pai / The Father

Ao lado do veterano Anthony Hopkins, Olivia Colman incorpora o rosto exausto de uma filha incansável e dedicada, que vê desaparecer, aos poucos, a existência do homem que a criou. A actriz tem uma interpretação contida e comovente, num esforço contínuo pelo bem estar do pai.

3. Glenn Close (Lamento de uma América em Ruínas / Hillbilly Elegy)

Sete nomeações depois, ainda não deve ser este o ano de Glenn Close. O filme é fraco, mas a actriz tem uma fabulosa interpretação como a avó Mamaw. Close incorporou uma forma de andar e falar muito característica e está transfigurada, de aspecto descuidado e modos grosseiros - e, no final, a partir de vídeos caseiros da família Vance, podemos constatar como está igual à verdadeira avó de J.D. Curiosamente, a personagem valeu-lhe nomeação para os Oscars e para os Razzie Awards.

4. Youn Yuh-jung (Minari

Aos 73 anos, a sul-coreana Youn Yu-jung conquistou a sua primeira nomeação para os Oscars. A maior força de Minari reside na relação que se constrói entre a sua personagem, a avó recém-chegada, e o neto, o estreante Alan S. Kim. A fragilidade da idosa, mas igualmente os esforços que faz na conquista da simpatia do neto - que a considera uma avó pouco comum -, tornam o desempenho da actriz digno de distinção.

5. Amanda Seyfried (Mank)


Amanda Seyfried será a nomeada com menos hipóteses este ano - mas surpresas podem sempre acontecer. Na pele de Marion Davies, Seyfried tem um papel pequeno mas relevante para a acção. A elegância da actriz alia-se ao desalento de uma mulher que sente que a carreira está a perder fulgor e a idade vai passando.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Crítica: Lamento de uma América em Ruínas / Hillbilly Elegy (2020)

"Don't make us your excuse, J.D."

Lindsay

*3.5/10*

Lamento de uma América em Ruínas (Hillbilly Elegyé o mais recente filme de Ron Howard, com selo Netflix, baseado no livro homónimo de J.D. Vance, o protagonista. O filme é, contudo, um rol de clichés e estereótipos, onde até as críticas são em jeito de elogios. 

"J.D. Vance (Gabriel Basso), antigo fuzileiro naval oriundo do sul do Ohio e atualmente aluno do curso de direito em Yale, está prestes a conseguir o emprego com que sempre sonhou, quando uma crise familiar o obriga a regressar a casa e a reencontrar uma vida que queria esquecer. J.D. terá de lidar com a complexa dinâmica da sua família rural, incluindo a relação volátil com Bev (Amy Adams), a sua mãe toxicodependente. Tocado pelas memórias da avó Mamaw (Glenn Close), a mulher forte e sagaz que o criou, J.D. percebe que para realizar os seus sonhos, terá primeiro de aceitar as suas raízes."

Entre flashbacks, o protagonista conta-nos a história da sua família e as dificuldades por que passou até ingressar em Yale: cresceu numa família de mulheres sofridas de poucas posses, entre a violência doméstica e a toxicodependência, sofreu bullying, mas contra todas as expectativas foi Marine, formou-se, tem uma relação estável e está à beira de conseguir o emprego de sonho. Um conto de fadas cheio de lugares-comuns e cujas reviravoltas só vêm desculpar as falhas do sistema norte-americano, que, no fundo, J.D. tanto admira e do qual ambiciona fazer parte (e não é que lá está ele, na vida real?).

Mas mesmo que o único a singrar neste filme tenha sido um homem, é nas mulheres que encontramos a força de Lamento de uma América em Ruínas. Se Amy Adams está competente na pele da mãe toxicodependente, e Haley Bennett como Lindsay, a irmã dedicada mas conformada, o que dizer da fabulosa interpretação de Glenn Close, como a avó Mamaw? A veterana incorporou uma forma de andar e falar muito característica e está transfigurada, de aspecto descuidado e modos grosseiros - e, no final, a partir de vídeos caseiros da família Vance, podemos constatar como está igual à verdadeira avó de J.D.

No fim de contas, Ron Howard criou um filme superficial, sem personalidade, nem grandes intenções. A família branca desestruturada de uma América profunda, abandonada à sua sorte e cheia de preconceitos associados, onde a culpa dos problemas parece ser apontada, única e exclusivamente às vítimas, serve de caricatura para a história de superação deste rapaz. Não há empatia, nem admiração, bem pelo contrário. Vale pelas interpretações femininas.