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domingo, 24 de março de 2019

Sugestão da Semana #369

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Gabriel, de Nuno Bernardo. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida no blog, bem como uma entrevista ao realizador.

GABRIEL


Ficha Técnica:
Título Original: Gabriel
Realizador: Nuno Bernardo
Actores: Igor Regalla, José Condessa, Sérgio Praia,  Ana Marta Ferreira, Ameno GonçalvesCarlos Areia
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 92 minutos

quarta-feira, 20 de março de 2019

Entrevista a Nuno Bernardo, realizador de Gabriel

Gabriel chega aos cinemas portugueses esta Quinta-feira, dia 21 de Março. O Hoje Vi(vi) um Filme já viu e a crítica está publicada no blog. Ficámos curiosos e quisemos saber mais sobre todo o processo de criação deste filme sobre um jovem cabo-verdiano, recém-chegado a Lisboa, que procura o pai e vê no boxe uma forma de ajudá-lo e ligar-se a ele.

O realizador Nuno Bernardo respondeu a algumas perguntas do Hoje Vi(vi) um Filme sobre Gabriel, a sua primeira longa-metragem.


Gabriel é um filme atual, que vai muito para além do boxe. De onde surgiu a ideia de escrever e realizar um filme com esta temática?
Nuno Bernardo (NB): Em 2014 estava em Dublin realizar um documentário sobre Stand-Up Comedy e, para um dos segmentos desse documentário, decidiu-se gravar um pequeno combate de boxe, isto porque um dos comediantes era um lutador amador. Esta experiência – de filmar boxe – foi amor à primeira vista. Adorei conhecer o meio, as pessoas e acima de tudo os códigos de valor e ética que regem este desporto. Depois, em Portugal, fui contactando frequentemente com esta comunidade, assistindo a galas e combates, o que fizeram crescer este desejo de fazer um filme sobre boxe. 

A violência das palavras funciona com uma naturalidade assustadora e condiz com a brutalidade dos vilões da história. Acha que é precisa coragem para filmar a violência com este realismo? 
NB: Apesar de não ser um apaixonado pelo Boxe, sempre tive um interesse especial por filmes sobre este desporto. Mas as lutas de Gabriel, em especial a forma de as filmar, seguiram um padrão diferente. O meu foco foi sempre criar uma luta realista, que represente um pouco o mundo do boxe amador como o descobri em Portugal. Ou seja, não estamos a falar de um combate de 12 assaltos, realizado em Las Vegas, com 10.000 espectadores onde tudo é muito estilizado. Em Gabriel, procurei filmar o boxe de uma forma crua, mas real. 

O racismo é um problema que persiste na actualidade e também é abordado em Gabriel. Quer despertar consciências, mudar mentalidades?
NB: As histórias que me dão prazer contar são as histórias que reflectem a vida como ela é, a atualidade, os problemas que nos afetam enquanto sociedade. Por isso Gabriel e esta história de imigração, de integração social, de chegada a um novo país e a uma nova vida. O meu objetivo é sempre contar uma boa história, uma história que não termine quando os créditos começam a passar no final do filme mas sim continue na memória de quem assistiu e gere discussões após sair da sala de cinema.

Como chegou a Igor Regalla para protagonista e como foi trabalhar com ele?
NB: Existiu um trabalho - em ligação com a produtora Sara Moita - de identificar atores portugueses que se enquadrassem nas personagens criadas. Na altura vimos vários showreels, ficção nacional e peças de teatro. A escolha do Igor vem de uma peça que vimos no Teatro São Luiz. A Ana Marta da sua carreira de um filme que tinha visto umas semanas antes em que ela participa. O José Condessa pela paixão que demonstrou no projeto quando reunimos com ele.


A câmara tem uma grande proximidade com as personagens e filma os combates com muita credibilidade. Como foi o desafio de filmar boxe?
NB: Existiu um intenso trabalho realizado com o coreógrafo e preparador de atores - David Chan - e com o Diretor de Fotografia, o Pedro Negrão, para passar o realismo para as cenas do combate de boxe. Eu não queria duplos, ou slow-motions, ou aqueles truques que vemos em filmes do género. Eu queria passar ao espetador a ideia de realismo e que aqueles combates são reais. 

Foi o Igor que lhe deu a conhecer a música de Vado Más Ki Às, que participa com quatro temas na banda sonora de Gabriel (e faz até uma participação especial). Por coincidência a história do cantor tem algumas semelhanças com a do protagonista (também cresceu num bairro problemático). De que forma a música de Vado e de outros interpretes de hip hop influenciaram a produção do filme?
NB: Durante o processo de escrita e de pregação do filme eu ouvi muitas músicas do novo hip hop português. Cheguei a criar um playlist no Spotify que ouvia muitas vezes durante a escrita e reescrita do guião. Algumas dessas músicas foram mesmo usadas no filme. O Vado apenas conheci dois dias antes do início da rodagem - por isso a sua música não influenciou a preparação do filme, mas depois a fase de pós-produção. 

Qual espera que seja a reacção do público português?
NB: Espero que vão ver cinema português, em especial Gabriel. Muitas vezes existe o preconceito contra o filme nacional. Mas Gabriel, como muitos outros filmes portugueses, contam histórias dos nossos locais, das nossas tradições e culturas, algo que nenhuma outra cinematografia faz. Só isso, justifica uma ida ao cinema. Mas Gabriel, espero, adiciona uma história atual, bons atores e a maior sequência de boxe alguma vez filmada em Portugal.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Crítica: Gabriel (2018)

"Acredita em ti que tu vais ganhar isto."
Paulo


*7/10*

Eis que as atenções se viram para o boxe e para a direita de Gabriel, a sua arma mais forte contra os adversários. Fora do ringue, mergulhamos numa vida a recomeçar num país diferente, em busca do caminho certo. Gabriel é de um realismo cruel, pouco experimentado no cinema português. A violência das palavras e dos actos mostra o pior dos seres humanos, mas também ensina como é possível construir o trilho mais digno.

Depois da morte da mãe, Gabriel (Igor Regalla), um jovem pugilista cabo-verdiano recém-chegado a Portugal, vem à procura do pai, um antigo campeão de boxe dos Olivais. Na busca, Gabriel entra em contacto com Rui (José Condessa), um membro violento do gangue local liderado por Jorge (Sérgio Praia), que organiza todas as lutas no bairro.


A história de Gabriel é simples e familiar. Filmam-se as dificuldades da vida num bairro social lisboeta, filma-se o racismo, a imigração, a violência, o medo e o desespero. Ao mesmo tempo, capta-se também o amor pela família, a força do desporto e a vontade de ser a nossa melhor versão. A história não nos é contada cronologicamente, mas o encadeamento temporal da narrativa constrói-se com naturalidade graças à montagem eficaz.

Gabriel é incansável na busca pelo seu pai, aventurando-se pelos locais mais sinistros da vizinhança. Ao mesmo tempo, vê na sua paixão pelo boxe a única solução para melhorar a vida dos seus. E mesmo que a ingenuidade do jovem protagonista por vezes nos deixe revoltados, certo é que a sua humildade e coragem criam a empatia necessária para torcermos por ele. Depois de ser Eusébio, Igor Regalla regressa ao grande ecrã e encaixa-se na perfeição na personagem, mesmo com o aspecto franzino que o caracteriza e que torna, ainda mais, Gabriel num herói improvável. O filme foi não só física como psicologicamente desafiante para o actor.


Ao seu lado, há muita química com Ana Marta Ferreira, a namorada que também sofre em silêncio, bem como com o seu rival no ringue de boxe, José Condessa. Um trio de jovens actores que funcionam muito bem em cena. Ainda de destacar são as personagens de Almeno Gonçalves - o treinador que protege e incentiva Gabriel -, e o vilão da história, totalmente desprovido de coração, interpretado e bem por Sérgio Praia.

A banda sonora, repleta de hip hop tuga, torna-se viciante por se encaixar completamente no ritmo e temática do filme. Destaque para Vado Más Ki Às (com uma participação especial na longa-metragem) que assina quatro temas de Gabriel, incluindo a canção original, Vai.


O realizador, Nuno Bernardo, consegue inserir-nos na vida do bairro sem que nos sintamos estranhos. A câmara coloca-nos no local, como mais um morador ou um curioso que aposta tudo em Gabriel. A violência é muito bem filmada, e cada soco parece-nos real, faz-nos sentir desconfortáveis na cadeira do cinema - e isso é muito bom! É fundamental que um filme marque quem o vê e Gabriel é capaz, em alguns momentos, de deixar-nos KO.

Gabriel é mesmo "um murro no estômago" (provavelmente dado com o punho direito do protagonista), um daqueles que o espectador de cinema bem precisa, de vez em quando.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Tema original do filme Gabriel ganha videoclip

Gabriel é o filme de Nuno Bernardo que chega aos cinemas a 21 de Março de 2019. O videoclip da música Vai, do artista cabo-verdiano Vado Más Ki Ás, tema original criado para a longa-metragem, foi divulgado há poucos dias.


O tema está também à venda nas principais lojas digitais de música e no Spotify.

Para além de Vado, a banda sonora do filme conta com a participação de Bispo, Piruka, Dillaz, Royalstick e Estraca, entre outros. 

Gabriel foi apresentado no último Festival de Cinema de Locarno e conta com os actores Igor Regalla, Ana Marta Ferreira, José Condessa, Sérgio Praia, Mina Andala, Almeno Gonçalves e Ângelo Torres no elenco. O filme conta a história de um jovem pugilista cabo-verdiano recém-chegado a Portugal, que após a morte da mãe, vem à procura do pai, um antigo campeão de boxe dos Olivais.

Assiste ao videoclip do tema Vai:


Espreita o trailer do filme Gabriel: