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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Comic Con Portugal 2019: 4º dia em Resumo

A enchente - um mar de gente quase a perder de vista - chegou no quarto e último dia de Comic Con Portugal, para ver - em especial - Millie Bobby Brown. Gerou-se tanto o caos como a euforia. Foram muitos os que ficaram do lado de fora do Golden Theatre, que já estava cheio muito antes do painel de Millie começar. Se, lá dentro, a alegria era audível, do lado de fora, os apupos fizeram-se ouvir. Houve lágrimas das crianças e jovens que não conseguiram um dos 2 mil lugares do auditório e desespero das mães que não conseguiam circular na zona do recinto mais próxima das entradas do Golden Theatre.


"Eu nem gosto de super-heróis, só vim cá mesmo para a ver [Millie Bobby Brown]", lamentou-se um jovem que ficou do lado de fora ao Hoje Vi(vi) um Filme, repetindo várias vezes que o que se estava a passar "É uma vergonha". Junto à área de imprensa, ao lado do Golden Theatre muitos nos faziam perguntas a que não sabíamos responder, queixando-se de falta de organização e de informação.

La dentro (onde nem os jornalistas puderam entrar), Nuno Markl foi o anfitrião do painel e conversou animadamente com a actriz de Stranger Things que se mostrou simpática e entusiasmada, e disse que gostaria de regressar a Portugal. Cá fora, os fãs acompanhavam tudo através de um ecrã colocado à entrada do auditório, pequeno para tanta gente. "Queremos entrar", gritaram diversas vezes. 


Enquanto isso, Anthony Carrigan - uma semana antes de se saber se vencerá o Emmy para que está nomeado - esteve com os jornalistas na sala de imprensa a responder a algumas questões sobre Barry  e os Emmy Awards, cuja nomeação foi uma total surpresa e apanhou o actor desprevenido. Seguiu-se mais uma conferência de imprensa com Alexander Ludwig que terminou com o actor no meio dos jornalistas numa conversa mais intimista, devido a um problema com o microfone. Pouco depois, o actor esteve no Golden Theatre numa animada conversa com Joe Reitman e os fãs presentes. 



No auditório ao lado, o Prime TheatreQuimbé, Catarina Perez, Bruno Ferreira, Alexandre Maia e Ricardo Azevedo contaram a sua experiência no que toca a dar vozes a séries e filmes de animação. Enquanto isso, o The One Theatre recebia Joaquim de Almeida que fazia uma retrospectiva da sua carreira, em conversa com Rui Pedro Tendinha.



Outro dos grande momentos do último dia da Comic Con Portugal 2019 foi o concerto da banda do filme Variações, no Music Stage, com Sérgio Praia, Armando Teixeira, Duarte CabaçaVasco Duarte e David Santos ao comando. Um público de todas as idades dançou e cantou com os músicos e, apesar de alguns problemas de som, a energia de Sérgio Praia contagiou tudo e todos. Mais um concerto marcante da banda que quer lembrar e homenagear António Variações.


E assim terminou a edição de 2019 da Comic Con Portugal. Para o ano há mais.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Comic Con Portugal 2019: La Casa de Papel e Variações marcam presença

A poucos dias do início da Comic Con Portugal 2019, foram confirmadas as presenças de duas actrizes da série La Casa de Papel e um concerto da banda do filme Variações.


As actrizes espanholas Itziar Ituño e Esther Acebo, conhecidas pelos seus papéis como Raquel Murrilo (Lisboa) e Mónica Gaztambide (Estocolmo) respectivamente, na série La Casa de Papel da Netflix, vão estar no evento nos dias 12 e 13 de Setembro, para painéis de Q&A, autógrafos e fotografias com os fãs.

Este ano, a Comic Con conta com um palco de música com emissões em directo, onde vão passar diversos convidados: Rádio Comercial Music Stage By Milk&Black. É lá que se poderá assistir ao concerto da banda do filme Variações, no dia 15 de Setembro, às 18h00. O actor e vocalista Sérgio Praia vai estar acompanhado, como de costume, por Armando Teixeira e pelos músicos Vasco Duarte (guitarra), David Santos (baixo) e Duarte Cabaça (bateria), para interpretarem vários dos famosos temas de António Variações.

Será neste espaço que a Rádio Comercial fará a transmissão da sua emissão em directo durante os quatro dias do evento. O palco irá ainda receber sessões de Storytelling, onde diversos nomes da música portuguesa, como Fernando Daniel (dia 13) e SEA3P0 (dia 15) irão partilhar um pouco do seu percurso profissional com os fãs.

domingo, 25 de agosto de 2019

Sugestão da Semana #391

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português sobre António Variações, Variações, de João Maia, protagonizado por Sérgio Praia. Podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui, e o texto sobre a banda sonora, lançada no dia 23 de Agosto, aqui.

VARIAÇÕES


Ficha Técnica:
Título Original: Variações
Realizador: João Maia
Elenco: Sérgio Praia, Filipe Duarte, Victoria Guerra, Teresa Madruga, Diogo Branco, José Raposo, Augusto Madeira, Tomás Alves
Género: Biografia, Drama, Música
Classificação: M/12
Duração: 109 minutos

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Bandas Sonoras #5

Variações virou filme biográfico e fez nascer uma nova banda, homónima, que recupera temas de António Variações e apresenta-os com um novo arranjo, respeitando a sua ideia inicial. Para além dos temas mais famosos do artista português, Variações grava canções que nunca foram editadas e dá-nos direito a conhecer um original, Quero Dar Nas Vistas. Tudo isto foi possível graças às cassetes gravadas por António quando ainda tocava com músicos amadores, no final dos anos 70, e compunha em casa.


A produção musical do disco é assumida por Armando Teixeira (Balla), que se sentiu estimulado com "a possibilidade de reinventar a música de António Variações à luz dos nossos dias", como explicou em comunicado. O realizador João Maia queria "que eu desse corpo às ideias que o António Variações gravara na garagem com músicos amadores no final dos anos 70", continuou. Armando ouviu as cassetes e encontrou António "a cantar acapella, sobre uma caixa de ritmos, ensaios de banda e concertos". Antes de tudo, "compunha a música sozinho ou com a caixa de ritmos e depois, nos ensaios, os músicos faziam os arranjos", explicou, referindo que existem muitas versões de cada canção.

Entre canções completas, excertos e outras onde parecem faltar "pedaços e estrutura", encontrou um inédito, Quero dar nas Vistas"Parece ser uma canção desenvolvida em ensaio, mas não um improviso. Existem gravações de diferentes ensaios. O António apresenta-se, a banda desenvolve um prog-rock com inúmeros solos, mais uma vez, sem nenhuma estrutura. Ensaiavam pelo prazer de tocar." Entre muitas descobertas, construiu-se a banda sonora de Variações que também vive do amor ao cantor, comum a todos os elementos do grupo.


A banda sonora conta com 10 temas gravados pela banda formada por Sérgio Praia, Pedro Monteiro, Duarte Cabaça, Vasco Duarte Armando Teixeira. Anjo da Guarda, O Corpo é que Paga, Visões – Ficções (Nostradamus), Na Lama, Estou AlémToma o Comprimido, Teia, Perdi a Memória, Canção de Engate, e Quero Dar nas Vistas - tema inédito encontrado no espólio de António Variações - são as músicas de Variações. São cheias de ritmo, intemporalidade e chegam a ser viciantes, mesmo ao estilo a que o barbeiro-cantor nos habituou.

A banda sonora do filme de João Maia é editada pela Sony Music a 23 de Agosto, em formato físico e digital. Na Lama é o primeiro single e já se encontra disponível nas principais plataformas digitais.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Crítica: Variações (2019)

"E quem te disse que eu me quero adaptar a Lisboa? É Lisboa que se vai adaptar a mim."
António Variações


*7/10*

O ícone da música pop-rock portuguesa António Variações renasce no cinema (e nos palcos) através da interpretação fulgurante de Sérgio Praia. As semelhanças são arrepiantes. As cores, a voz, os olhares, as paisagens transbordam saudade e nostalgia daquilo que muitos nunca viveram e outros pareciam ter esquecido.

Variações, de João Maia, é um dos filmes mais aguardados de 2019, ano em que o cantor comemoraria 75 anos de vida e se contam 35 do seu desaparecimento. Foi um parto difícil para o realizador e argumentista, mas já está cá fora para se mostrar ao Mundo e fazer viajar no tempo. 

Variações retrata a vida de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, barbeiro e figura de Lisboa no final dos anos 70, perseguindo o sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. O filme foca o processo de transformação na persona de António Variações, artista excêntrico e popular cuja carreira fulgurante foi interrompida pela sua morte em 1984.


Eis a viagem no tempo que João Maia nos proporciona, através de uma direcção artística cuidada e atenta e caracterização e guarda-roupa a fazerem o resto do trabalho. Quando nos vemos na Lisboa do final dos 70, inícios de 80, entramos facilmente na vida de António e na sua luta diária para alcançar o sonho de ser cantor. Tornamo-nos íntimos.

Sérgio Praia é o actor a incorporar o cantor que alcançou o sucesso no início dos anos 80 e continua a deslumbrar todas as gerações que ouvem a sua música. As semelhanças entre os dois são imensas e o actor tem uma presença fenomenal - é ele próprio quem dá voz aos temas de Variações. Já merecia uma personagem assim. O actor absorve a magia do artista e transfigura-se, quer em gestos, movimentos, expressões, tudo com uma sensibilidade e doçura encantadoras. Em grande parte, é ele o motor da longa-metragem, que dificilmente funcionaria tão bem com outro protagonista. Bravo, Sérgio!

A banda sonora recupera os temas que vamos trautear baixinho ao longo do filme, com muita vontade de dançar, e ter um arrepiante déjà vu quando vemos e ouvimos Sérgio Praia a dar voz às canções que eternizaram o cantor.


Apesar de tudo de bom que Variações nos traz - a nós, plateia, e ao cinema português no seu todo, que deve aprender a preservar a memória dos seus artistas -, sente-se que poderia haver mais coesão. Há momentos em que nos sentimos verdadeiramente envolvidos, com planos sequência intensos, outros quase de êxtase, com a câmara a colar-nos a António; enquanto em outros momentos, sentimos um corte brusco, a poética perde-se, dando lugar a uma objectividade que nos desprende drasticamente das boas sensações anteriores. Queremos deixar-nos embalar pela câmara e pela voz e sonhos de Variações, mas nem sempre o filme nos proporciona isso. Quando o faz, sim, é eficaz.

Historicamente, tenho pena de não serem retratados alguns momentos-chave de António Variações na televisão (em O Passeio dos Alegres, por exemplo), ou mesmo o encontro com Júlio Isidro na sua barbearia.

Confesso a minha admiração imensa por António Variações, e o meu respeito pelo trabalho árduo que João Maia teve na autêntica batalha que foi fazer este filme. Variações recupera a memória de um dos maiores nomes da História do país e comemora-o nas salas de cinema, para que nunca o esqueçamos.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Variações em concerto: O Passado fez-se Presente

O NOS Alive 2019 guardou um espaço do seu cartaz para três concertos da banda Variações do filme homónimo. Arriscamos dizer que, no dia 12 de Julho - dia em que vimos a banda no Palco EDP Fado Café -, aquele foi o concerto mais vibrante da noite - talvez a par com a diva Grace Jones e os jovens Greta van Fleet.

O trabalho de Armando Teixeira (Balla) com os músicos Vasco DuarteDuarte Cabaça e David Santos, e com o actor Sérgio Praia a dar a voz à banda, resulta num grande espectáculo musical. Da banda sonora criada para Variações a partir dos seus temas mais conhecidos, mas também de outros que nunca chegaram a ser editados - alguns não passaram das cassetes que António Variações gravava sozinho ou com bandas com que tocava -, os músicos saltaram para o palco e ressuscitaram a música do artista rock dos anos 80.

No público, encontrámos os saudosos, seus contemporâneos, mas igualmente jovens que nasceram certamente por volta do ano 2000. Todos, idades à parte, cantam e trauteiam as letras continuamente actuais do barbeiro-cantor. E todos, sem excepção, se arrepiam com a performance de Sérgio Praia, que traz a personagem para o palco. Sérgio e Armando introduzem os temas e interagem com a plateia que corresponde ao chamamento. As palmas para Variações e para António são mais que muitas e quase se fazem ouvir no céu.


Armando Teixeira apresenta-nos excertos das gravações de António, que chegaram ao realizador João Maia e foram utilizadas para reconstruir o repertório do cantor. A voz de António soa nas colunas e inicia a canção, a banda de Variações continua a dar-nos música. Entre os temas que se fizeram ouvir no NOS Alive encontram-se Anjo da Guarda, O Corpo é Que Paga, Toma o Comprimido, Perdi a Memória, Canção do Engate, Estou Além, bem como um inédito, Quero Dar Nas Vistas, encontrado no espólio recuperado para o filme.

O calor dentro do pequeno espaço que é o EDP Fado Café (e até mesmo fora, onde se juntaram dezenas de curiosos que não couberam no interior) aumenta à medida que a energia da banda cresce e todos dançam, cantam e saltam desenfreadamente. Sérgio muda de roupa, ao preto inicial junta-se um vibrante vermelho e uma gargantilha dourada. O suor é muito e a alegria também.

Assim, o Passado regressou, por momentos, ao Presente que se viveu no festival lisboeta. Aguardamos com ânsia que mais concertos se anunciem e que possamos continuar a celebrar António Variações em palco.

O filme Variações estreia a 22 de Agosto nos cinemas portugueses e a banda sonora, produzida por Armando Teixeira, será editada no dia 23.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

A Estrear: Variações

Variações é um dos mais aguardados filmes portugueses a estrear este ano. A longa-metragem, realizada por João Maia, pretende contar a história do ícone da música António Variações, no ano em que comemoraria 75 de vida e se contam 35 anos do seu desaparecimento.

Sérgio Praia é o actor a incorporar o cantor que alcançou o sucesso no início dos anos 80 e continua a deslumbrar todas as gerações que ouvem a sua música. As semelhanças entre os dois são imensas e o actor tem uma presença fenomenal - é ele próprio quem dá voz aos temas de Variações. Já merecia uma personagem assim.


No elenco, além do protagonista encontramos nomes como Filipe Duarte, Victória Guerra, Augusto Madeira, José Raposo, Afonso Lagarto, Diogo Branco e Teresa Madruga.

A 18 de Março de 1981, António Variações deu o seu primeiro concerto na discoteca Trumps, em Lisboa, momento que o filme retrata. E com a música a comandar, quase numa estreia antecipada - e já depois de divulgados trailer, teaser e poster de Variações -, eis que surge a grande novidade: vão acontecer concertos da banda do filme Variações. O primeiro deles já aconteceu e foi uma surpresa no Rive-Rouge, em Lisboa, no passado dia 8 de Julho.

Seguem-se, nos dias 11, 12 e 13 de Julho, no EDP Fado Cafe, do NOS Alive'19, mais concertos que reavivam a memória nunca esquecida de António Variações e servem para aguçar o apetite para o filme que estreia a 22 de Agosto nos cinemas portugueses.

Criada no âmbito do filme, a banda Variações é composta pelo actor Sérgio Praia e pelos músicos Duarte Cabaça, David Santos (Noiserv), Vasco Duarte e Armando Teixeira (Balla) – direcção musical e responsável pela banda sonora do filme.

Enquanto o filme não estreia e não vemos a banda ao vivo, nada como espreitar algumas imagens de Variações.

Trailer

Teaser: Canção do Engate 

domingo, 24 de março de 2019

Sugestão da Semana #369

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Gabriel, de Nuno Bernardo. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida no blog, bem como uma entrevista ao realizador.

GABRIEL


Ficha Técnica:
Título Original: Gabriel
Realizador: Nuno Bernardo
Actores: Igor Regalla, José Condessa, Sérgio Praia,  Ana Marta Ferreira, Ameno GonçalvesCarlos Areia
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 92 minutos

segunda-feira, 18 de março de 2019

Crítica: Gabriel (2018)

"Acredita em ti que tu vais ganhar isto."
Paulo


*7/10*

Eis que as atenções se viram para o boxe e para a direita de Gabriel, a sua arma mais forte contra os adversários. Fora do ringue, mergulhamos numa vida a recomeçar num país diferente, em busca do caminho certo. Gabriel é de um realismo cruel, pouco experimentado no cinema português. A violência das palavras e dos actos mostra o pior dos seres humanos, mas também ensina como é possível construir o trilho mais digno.

Depois da morte da mãe, Gabriel (Igor Regalla), um jovem pugilista cabo-verdiano recém-chegado a Portugal, vem à procura do pai, um antigo campeão de boxe dos Olivais. Na busca, Gabriel entra em contacto com Rui (José Condessa), um membro violento do gangue local liderado por Jorge (Sérgio Praia), que organiza todas as lutas no bairro.


A história de Gabriel é simples e familiar. Filmam-se as dificuldades da vida num bairro social lisboeta, filma-se o racismo, a imigração, a violência, o medo e o desespero. Ao mesmo tempo, capta-se também o amor pela família, a força do desporto e a vontade de ser a nossa melhor versão. A história não nos é contada cronologicamente, mas o encadeamento temporal da narrativa constrói-se com naturalidade graças à montagem eficaz.

Gabriel é incansável na busca pelo seu pai, aventurando-se pelos locais mais sinistros da vizinhança. Ao mesmo tempo, vê na sua paixão pelo boxe a única solução para melhorar a vida dos seus. E mesmo que a ingenuidade do jovem protagonista por vezes nos deixe revoltados, certo é que a sua humildade e coragem criam a empatia necessária para torcermos por ele. Depois de ser Eusébio, Igor Regalla regressa ao grande ecrã e encaixa-se na perfeição na personagem, mesmo com o aspecto franzino que o caracteriza e que torna, ainda mais, Gabriel num herói improvável. O filme foi não só física como psicologicamente desafiante para o actor.


Ao seu lado, há muita química com Ana Marta Ferreira, a namorada que também sofre em silêncio, bem como com o seu rival no ringue de boxe, José Condessa. Um trio de jovens actores que funcionam muito bem em cena. Ainda de destacar são as personagens de Almeno Gonçalves - o treinador que protege e incentiva Gabriel -, e o vilão da história, totalmente desprovido de coração, interpretado e bem por Sérgio Praia.

A banda sonora, repleta de hip hop tuga, torna-se viciante por se encaixar completamente no ritmo e temática do filme. Destaque para Vado Más Ki Às (com uma participação especial na longa-metragem) que assina quatro temas de Gabriel, incluindo a canção original, Vai.


O realizador, Nuno Bernardo, consegue inserir-nos na vida do bairro sem que nos sintamos estranhos. A câmara coloca-nos no local, como mais um morador ou um curioso que aposta tudo em Gabriel. A violência é muito bem filmada, e cada soco parece-nos real, faz-nos sentir desconfortáveis na cadeira do cinema - e isso é muito bom! É fundamental que um filme marque quem o vê e Gabriel é capaz, em alguns momentos, de deixar-nos KO.

Gabriel é mesmo "um murro no estômago" (provavelmente dado com o punho direito do protagonista), um daqueles que o espectador de cinema bem precisa, de vez em quando.