Título Original: O Jacaré
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Sugestão da Semana #734
Título Original: O Jacaré
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Crítica: O Jacaré (2026)
"Ele é calminho, ele é fofinho, ele é afável, mano..."
Nuno
*8.5/10*
Basil da Cunha regressa à sua (nossa) Reboleira com O Jacaré, aquele que será (mesmo?) o capítulo final do bairro amadorense como cenário e personagem das curtas e longas-metragens do cineasta. Depois de Nuvem (2011), Os Vivos Também Choram (2012), Até Ver a Luz (2013), Nuvem Negra (2014), O Fim do Mundo (2019), 2720 (2023) e Manga d' Terra (2023), O Jacaré (2026) - filmado na segunda metade de 2023 - continua o registo etnográfico de um local que está a desaparecer aos poucos e da sua gente.
Lentamente, as casas têm sido demolidas pela Câmara Municipal da Amadora, as pessoas têm partido, ficam os resistentes, que muito fazem para manter o espírito de alegria e união que caracterizava aquele cantinho da Reboleira. Sempre que Basil da Cunha lá regressa para filmar, consegue reunir actuais e antigos residentes e fundir, uma vez mais, o Passado com o Presente do local, com um realismo mágico muito característico seu enquanto autor.
Aventurando-se, pela primeira vez, numa comédia de acção, em jeito de filme de gangsters (ou não fosse grande fã de Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese), Basil da Cunha filma um local cheio de vida, onde a velha guarda se confronta com os novos "rufias" da zona.
Na Reboleira, um assalto termina com um carro a despistar-se no bairro, mas ninguém sabe o paradeiro dos 180 mil euros roubados. Enquanto a polícia cerca a zona, instala-se uma verdadeira caça ao tesouro. Todos querem ser os primeiros a encontrar o dinheiro. "À medida que as alianças mudam e a tensão aumenta, as histórias cruzam-se numa sucessão de encontros inesperados, traições, humor e violência. E, no meio deste caos, começa a correr um boato impossível: há quem garanta ter visto um jacaré a vaguear pelas ruas da Reboleira."
Filmado em 2023, O Jacaré capta já o Futuro, o Presente actual. Mais do que uma prova de amor à Reboleira e à sua História, o filme é um memorial de alegria e celebração para os que já não estão presentes, um convite às boas lembranças. O sentimento de pertença que só quem ali viveu, cresceu ou foi acolhido consegue sentir, é transposto para o grande ecrã, para que todos os que assistam à longa-metragem possam, nem que seja por instantes, fazer também parte da "família".
Neste filme, há personagens e histórias que se cruzam e entrecruzam, numa teia de desconfianças e ambição que coloca amizades à prova. Os homens da velha guarda, que se protegem e vivem como família, entram num tenso conflito com os novos gangsters, muito jovens e frios, onde é cada um por si. Há os que se perdem, os que se emancipam, num local em que o Poder pode ser sinónimo de sucesso ou de desgraça.
E se, por um lado, os homens é que mandam no bairro - com armas na mão e a constante ameaça de conflito -, o lado matriarcal do local volta a estar em foco: ali há um respeito imenso pelas mães, mulheres mais velhas que acolhem, protegem e perdoam os filhos, mas também não têm medo de os chamar à razão. São as mulheres que trabalham e sustentam a casa. E mesmo que as mais jovens sejam, muitas vezes, rebaixadas, o lugar da mãe ou da avó é tido como o porto seguro no meio da violência. O Jacaré revela, aos poucos, o poder e a influência que o colectivo feminino da Reboleira possui.
A predileção do realizador por répteis (e por animais, em geral) observa-se desde cedo na sua filmografia. Na curta Os Vivos Também Choram, há uma iguana junto da personagem de José Pedro Gomes; já o dragão barbudo de Sombra, em Até Ver a Luz, de nome Jacaré, parece ter crescido e revela-se em tamanho grande em O Jacaré. O animal do título proporciona dos momentos mais hilariantes da longa-metragem. Numa breve efabulação, estes animais escamosos e misteriosos, podem equiparar-se às personagens que vão aparecendo e desaparecendo, de filme para filme, mas que continuam a fazer parte da "família" do bairro e de Basil.
Tecnicamente, realizador e equipa continuam a revelar-se. Para além da forma tão característica como a câmara de Basil da Cunha se move entre as estreitas ruas do bairro e seus recantos, filmando revelações, planos de acção ou perseguições, a utilização de drones em O Jacaré é verdadeiramente cinematográfica, proporcionando planos picados da geografia do bairro ou mesmo planos "impossíveis", provavelmente nunca vistos no cinema português mais recente. Destaque ainda para os efeitos especiais - que bela explosão! -, e para a banda sonora, sempre certeira, realçando a Música enquanto figura central e contínua no dia a dia da Reboleira.
Se, por um lado, este é o filme de temática menos pesada da filmografia de Basil da Cunha, construído com humor, mistério e muita acção, por outro, não lhe falta uma inevitável melancolia latente. Se for mesmo o último filme rodado no bairro, ao menos a despedida foi em grande, com a energia, alegria e união que sempre caracterizou o local, muito woman power, e uma saudade imensa de outros tempos, olhando para o que ainda resta.
quarta-feira, 4 de março de 2026
Cine Amadora 2026: Cinema, Música e Workshops nos Recreios da Amadora de 5 a 8 de Março
domingo, 9 de junho de 2024
Sugestão da Semana #617
terça-feira, 28 de maio de 2024
IndieLisboa 2024: Manga d'Terra (2023)
domingo, 12 de maio de 2024
Sugestão da Semana #613
terça-feira, 7 de maio de 2024
IndieLisboa 2024 com programa fechado
A poucos dias do início da 21.ª edição do IndieLisboa, que acontece de 23 de Maio a 2 de Junho, o festival lisboeta anunciou a sua programação completa.
A Competição Nacional contará com oito longas e 18 curtas-metragens. Entre elas, encontram-se Banzo, de Margarida Cardoso, "que acompanha um médico de uma plantação numa ilha tropical africana que, em 1907, terá de curar um grupo de serviçais 'infectados' pelo Banzo, a nostalgia dos escravos"; O Ouro e o Mundo, de Ico Costa, que se foca "num jovem casal de uma pequena cidade de Moçambique"; O Melhor dos Mundos, de Rita Nunes, que viaja até 2027, e segue "um casal de cientistas frequentemente em pólos opostos", e dados que indicam uma forte probabilidade de "um enorme sismo poder atingir Lisboa"; Estamos no Ar, de Diogo Costa Amarante, acompanha Fátima, que "diz que não sente nada, mas sonha com o polícia que se mudou recentemente para o apartamento ao lado", e aqueles que a rodeiam; Manga d’Terra, de Basil da Cunha, que regressa à Reboleira "para contar a história de Rosa, jovem cabo-verdiana que trabalha num bar para enviar dinheiro para os filhos", vivendo "presa entre o assédio dos mafiosos e a violência policial quotidiana", "o seu verdadeiro escape é a música"; Mãos no Fogo, de Margarida Gil, "explora as características imateriais do cinema através de Maria do Mar, jovem estudante de cinema, e uma tese sobre o Real no Cinema"; Shrooms, de Jorge Jácome, uma "aventura poética" que traz consigo "cogumelos mágicos"; Greice, de Leonardo Mouramateus, acompanha "uma jovem estudante brasileira de 22 anos" que se envolve com Afonso e os dois são responsabilizados "por um estranho acidente que ocorre numa festa e precipita o regresso de Greice a Fortaleza"; Contos do Esquecimento, de Dulce Fernandes, "questiona o papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados a partir de achados arqueológicos recentes em Lagos"; e Nocturno para uma Floresta, de Catarina Vasconcelos, "sobre um muro erguido no sec. XV por monges no Buçaco, impedindo a entrada de mulheres". Todas as longas da Competição Nacional têm legendas descritivas.
![]() |
| Manga d’Terra, de Basil da Cunha |
Novidade no IndieLisboa 2024 é a nova secção Rizoma, "que apresenta um conjunto de filmes que pretende trabalhar questões relevantes da actualidade, cineastas de renome, e ante-estreias". Destaque para All of us Strangers, de Andrew Haigh, com Andrew Scott e Paul Mescal, que aqui terá a sua exibição única em Portugal em sala de cinema; No Other Land, "filme de um colectivo palestiniano sobre a destruição que Israel consegue causar na sua tentativa de ir ocupando maiores faixas de terreno" e também "sobre a ligação que se estabelece entre um jornalista israelita e um activista palestiniano"; A Besta, de Bertrand Bonello, onde "Léa Seydoux é Gabrielle, uma mulher que vive numa sociedade futurista que abomina emoções que exaltem os seres humanos", e Pedágio, de Carolina Markowicz, onde Suellen, cobradora de portagens, "percebe que pode usar seu trabalho para fazer uma renda extra ilegalmente. Mas tudo por uma causa nobre: financiar a ida de seu filho à caríssima cura gay ministrada por um famoso pastor estrangeiro".
A secção competitiva Novíssimos, para jovens cineastas emergentes, conta com títulos como Conseguimos Fazer um Filme, de Tota Alves, Chuvas de Verão, de Mário Veloso, Anima, de Joana Patrão, Clotilde, de Maria João Lourenço, Sunflowers – A Strange Feeling of Existential Angst, de Carolina Bonzinho e Leander Meresaar, entre outros.
![]() |
| All of us Strangers, de Andrew Haigh |
A Sessão de Abertura do festival conta com o filme I’m not everything I want to be, de Klára Tasovská, sobre Libuše Jarcovjáková "e o ambiente sufocante vivido depois da Primavera de Praga de 1968". "A câmara como companheira constante — e a origem do material do filme, composto pelas suas inúmeras fotografias e excertos dos seus diários — captura a ida dela para Berlim Ocidental, escapar para Tóquio, e o regresso à Europa". No encerramento, estará Dream Scenario, de Kristoffer Borgli, uma comédia negra com Nicolas Cage, que interpreta "um professor de biologia perfeitamente banal, a surgir nos sonhos de muitas outras pessoas" que se torna famoso e infame.
Na Piscina Municipal da Penha de França regressa o programa de curtas-metragens para famílias e, este ano, haverá, pela primeira vez, longas para adultos, "com dois clássicos que têm a água, ou a piscina, como tema central": Palombella Rossa, de e com Nanni Moretti, "sobre um líder comunista amnésico que é também jogador de polo aquático"; e "Piranha, paródia de culto realizada por Joe Dante".
O IndieLisboa 2024 acontece no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal, Cinema Fernando Lopes e piscina da Penha de França. A programação completa do festival pode ser consultada em https://indielisboa.com/.
terça-feira, 5 de março de 2024
Cine Amadora - Mostra Internacional de Cinema: De 6 a 8 de Março sob o mote 'Cinema e Revolução'
A 1.ª edição do Cine Amadora – Mostra Internacional de Cinema acontece de 6 a 8 de Março, nos Recreios da Amadora, sob o mote Cinema e Revolução – Uma Ideia na Cabeça e uma Câmara na Mão (inspirado numa célebre frase do cineasta Glauber Rocha), inserida nas Celebrações dos 50 anos do 25 de Abril do município. A entrada é gratuita.
A abertura oficial da mostra realiza-se a 6 de Março, às 15h00, com a exibição do documentário 48, de Susana de Sousa Dias. Às 18h30, é a vez da Carta Branca à ESTC, com a exibição das curtas-metragens: Agora Frenesim, de Laura Andrade; Mistida, de Falcão Nhaga; Rubab, de Marta Vaz; Meia Luz, de Maria Patrão; e Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra.
Também no dia 6 de Março, às 21h30, é exibido O Fim do Mundo (2019), de Basil da Cunha, filmado no bairro da Reboleira.
O dia 7 de Março começa com a Masterclass Cinema e Paisagem Sonora, às 10h30, com Raquel Castro, investigadora de paisagens sonoras, realizadora e curadora. Às 15h30, o radialista Nuno Calado apresenta O Videoclip Enquanto Objecto Cinematográfico, com vários vídeos musicais da lusofonia. Às 18h30, é exibido o documentário Manguebit, de Jura Capela. Este dia, muito dedicado ao som e à música no cinema, termina com o Cine Concerto As Aventuras do Príncipe Achmed (1926), de Lotte Reiniger, musicado ao vivo pelo compositor e multi-instrumentista Sérgio Costa, às 21h30.
O último dia do Cine Amadora, 8 de Março, começa com um Workshop de Cinema Mobile, orientado por Luísa Sequeira e Sama, sobre o uso do telefone móvel como uma ferramenta para a realização de pequenos filmes. Às 15h30 terá início a sessão Curtas & Revolução, que conta com os filmes: Na Parede da Memória - Elis Regina, de Elizabete Martins Campos; Ashes of the Afternoon (134 Mortes), de Márcia Beloti e Luiza Porto; Os Cravos e a Rocha, de Luísa Sequeira; Quando a luz se Apaga, de Tânia Prates; e The Magnificent Women, de Mia Tomé.
Segue-se, às 18h30, o clássico Belarmino (1963), de Fernando Lopes, e, às 21h30, o documentário O Que Podem as Palavras?, de Luísa Sequeira e Luísa Marinho, sobre as escritoras Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa que, em 1972, publicaram As Novas Cartas Portuguesas, abordando temas proibidos e censurados durante o Estado Novo, como a Guerra Colonial, o adultério, a violação ou o aborto.
Mais informações sobre o Cine Amadora - Mostra Internacional de Cinema em https://www.cineamadora.pt/programacao.
domingo, 16 de julho de 2023
Curtas Vila do Conde 2023: 2720, de Basil da Cunha
sexta-feira, 23 de junho de 2023
Curtas Vila do Conde 2023: Programa fechado
A 31.ª edição do Curtas Vila do Conde já tem programa fechado. O festival acontece de 8 a 16 de Julho.
![]() |
| Carta a Mi Madre Para Mi Hijo, Carla Simón |
Destaque para as estreias nacionais das mais recentes obras dos veteranos: Lucrecia Martel (Camarera de Piso), Carla Simón (Carta a Mi Madre Para Mi Hijo), Antonin Peretjatko (Les Algues Maléfiques), Jean-Gabriel Périot (L'effort des Hommes) e a dupla Benjamin de Burca e Bárbara Wagner (Fala da Terra). Do lado dos novos autores, encontram-se obras da francesa Sarah-Anaïs Desbenoit, do egípcio Morad Mostafa, da francesa Julia Kowalski, do chinês Zhang Dalei, do franco-alemão Lucas Malbrun, do italiano Francesco Sossai e da espanhola Irati Gorostidi Agirretxe.
No que respeita a filmes nacionais, passam por Vila do Conde obras de António Pinhão Botelho, Basil da Cunha, David Ferreira, Dimitri Mihajlovic & Miguel Lima, Diogo Baldaia, Duarte Coimbra, Francisco Carvalho, Inês Teixeira, Mário Macedo & Vanja Vascarac, Marta Monteiro, Mónica Lima, Nuno Amorim, Pedro Bastos, Pedro Neves, Susana Abreu e Tomás Baltazar. A programação de filmes produzidos em Portugal integra ainda uma sessão especial com as três curtas que integraram o programa A Fábrica de Realizadores – Norte de Portugal, exibido em Cannes (Espinho, de André Guiomar e Mya Kaplan; Maria, de Mário Macedo e Dornaz Hajiha; As Gaivotas Cortam o Céu, de Mariana Bártolo e Guillermo Garcia Lopez), bem como as exibições, na sessão de Panorama Nacional, de Pátio do Carrasco, de André Gil Mata, Naquele dia em Lisboa, de Daniel Blaufuks, e O Homem das Pernas Altas, de Vítor Hugo Rocha.
![]() |
| 2720, Basil da Cunha |
A abrir o Curtas 2023 estará, em antestreia nacional, 20000 Espécies de Abelhas, a primeira longa-metragem de Estibaliz Urresola Solaguren, que conquistou o Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal na Berlinale deste ano. O filme é exibido no dia 8 de Julho, pelas 19h00, e terá estreia comercial a 20 de Julho. A encerrar o festival, a 15 de Julho, estará Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho. A estreia comercial em Portugal está marcada para 24 de Agosto.
Na secção Cinema Revisitado (onde já tinha sido anunciado o foco na obra de Walerian Borowczyk), o FILMar e o Curtas juntam-se para revisitar a obra de Augusto Cabrita (1923-1993), no centenário do seu nascimento. O programa integra sessões de cinema, conversas e uma exposição, "que sublinham as dimensões do atento observador do diálogo entre a paisagem, social e marítima, a sua transformação pela acção humana e o que se pode guardar de uma memória em fuga".
A secção New Voices (dedicada à obra de jovens cineastas) traça, este ano, um olhar sobre as obras do português João Gonzalez — com uma carte blanche que integra filmes seus, algumas escolhas e a exposição Ice Merchants: do Sub-Consciente ao Ecrã —, da espanhola Estibaliz Urresola Solaguren e do colectivo de media de guerrilha pseudo-marxista, Total Refusal.
O Curtas Vila do Conde tem ainda um programa especial de cinema e oficinas dedicadas ao público infanto-juvenil e familiar (Curtinhas), tal como a competição de cinema de escola (Take One) e o Prémio do Público Europeu.
Já anunciados para o Curtas 2023, estavam os programas centrados nas obras de Billy Roisz, Deborah Stratman e Radu Jude, bem como os dois filmes-concerto integrantes da secção Stereo: Bohren & der Club of Gore x Le Révélateur, de Philippe Garrel (13 de Julho, 23h30, Teatro Municipal de Vila do Conde), e Miaux x Carnival of Souls, de Herk Harvey (14 de Julho, 23h30, Teatro Municipal de Vila do Conde), e ainda o regresso aos palcos dos TURBO JUNK I.E. (10 de Julho, 23h30, Teatro Municipal de Vila do Conde).
Mais informações sobre festival vila-condense em www.curtas.pt.
segunda-feira, 29 de maio de 2023
Batalha Centro de Cinema apresenta programa para Junho e Julho
O programa do Batalha Centro de Cinema para Junho e Julho conta com retrospectivas a Basil da Cunha, Annemarie Jacir e Mai Zetterling; o ciclo temático Contra-Fluxos, dedicado à água; e o programa Oásis, que inclui cinema ao ar livre.
Entre 3 e 17 de Junho, é dedicada uma retrospectiva à obra do realizador luso-suíço Basil da Cunha, com a presença do cineasta, que inclui o seu mais recente filme, comissariado pelo Batalha. Premiado em Oberhausen, 2720 será apresentado em formato de filme-concerto. Segue-se, entre 8 de Junho e 15 de Julho, a primeira retrospectiva em Portugal dedicada a Mai Zetterling, realizadora, actriz e argumentista, que "firmou a sua assinatura na História do cinema realizando, a partir dos anos 60, filmes ousados e transgressivos que permanecem atuais até aos dias de hoje". De 22 de Junho a 7 de Julho, em foco estará a obra da realizadora palestina Annemarie Jacir, que marcará presença no Batalha. A cineasta "escreveu, realizou e produziu mais de 20 filmes e as suas três longas de ficção foram candidatas da Palestina ao Óscar e premiadas nos principais festivais de cinema".
![]() |
| 2720 |
Entre 29 de Junho e 16 de Julho, o ciclo temático Contra-Fluxos "reflete sobre a água enquanto ponte entre continentes e elemento central da história e da sociedade". O programa tem curadoria de Almudena Escobar López e Margarida Mendes e inclui obras de Mati Diop, Kevin Jerome Everson, Basma al-sharif, Sky Hopinka, Ephraim Asili, Miryam Charles, Rosa Barba e Laura Huertas Millán.
No ciclo Luas Novas, dedicado a nomes emergentes do cinema português, é exibido Simon Chama, de Marta Sousa Ribeiro (18 de Junho), e a Constelação #2: El Dorado do ciclo Selecção Nacional — focada na problemática relação do cinema português com África — chega ao fim com sessões a 7 e 21 de Junho, a última com a presença do realizador João Botelho.
Nos dias 6 e 7 de Junho, o Batalha acolhe os Novos Encontros do Cinema Português, um fórum de discussão em torno do cinema nacional que vai reunir, no Porto, os profissionais do sector. A iniciativa — organizada pelo Centro de Cinema, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Clube Português de Cinematografia–Cineclube do Porto — parte da Semana de Estudos sobre o Novo Cinema Português que aconteceu no Batalha em 1967, para propor um novo encontro com quatro painéis de debate: Educação, Produção, Crítica e Distribuição e Exibição.
Também em Junho, nas Matinés do Cineclube, serão apresentados alguns dos filmes que integraram a programação dos Encontros de 1967 e que definiram o movimento do Cinema Novo. No mês seguinte, o programa dedica-se às primeiras realizadoras que o Cineclube do Porto programou.
A primeira temporada do Batalha termina em festa com Oásis — programa anual que celebra a chegada à estação mais quente com propostas multidisciplinares dedicadas ao Verão e suas poéticas. Entre 19 e 22 de Julho, há propostas de filmes dentro e fora de portas — com sessões gratuitas, ao ar livre, na Praça da Batalha — e o filme-performance Olho da Rua, de Jonathas de Andrade.
Para os mais novos, além das Sessões para Famílias, o Batalha propõe o Mini Oásis, que acontece entre 12 e 14 de Julho, e apresenta um conjunto de filmes onde o sol, a praia e o calor estão sempre presentes.
No dia 1 de junho, é apresentada em estreia a performance Workers in Song, que resulta de uma colaboração entre o artista visual James Richards e o compositor Billy Bultheel. Um trabalho que junta som e imagem em movimento numa coreografia expandida, questionando a diferença entre o visível e o imaginário.
Já a 2 de Julho, Rita Natálio apresenta Spillovers, "uma performance-filme que constrói uma releitura fabulada da icónica obra feminista Lesbian peoples: material for a dictionary, escrita em 1976 por Monique Wittig e Sande Zeig".
Até 13 de Agosto, o Foyer 1 e Sala-Filme acolhem a instalação Escondidas na caverna que forjamos umas das outras, de CAConrad com Alice dos Reis e Isadora Pedro Neves Marques.
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
Crítica: O Fim do Mundo (2019)
O Fim do Mundo leva-nos a um mundo de desencanto, naquele que outrora foi um bairro animado e cheio de vida. Basil da Cunha regressa à Reboleira e ao Bairro da Estrada Militar, onde já vem contando histórias há alguns anos.
"Após oito anos numa casa de correcção, Spira (Michael Spencer) regressa à Reboleira, um bairro de lata que está a ser destruído, nos arredores de Lisboa. Spira é bem recebido pelos amigos e familiares, mas Kikas (Carlos Fonseca), um velho traficante do bairro, fá-lo perceber que não é bem-vindo. Depois de Até ver a Luz (2013), Basil da Cunha quis contar em O Fim do Mundo as últimas horas do bairro da Reboleira através dos olhos da geração que ele viu crescer e tomar conta das ruas nos últimos anos."
Destaque para o bom desempenho do protagonista, Michael Spencer, e dos seus dois amigos, Marco Joel Fernandes (Giovanni) e Alexandre da Costa Fonseca (Chandi) cada um com uma personalidade muito própria, formando um trio de jovens sem perspectivas e obrigados pelo mundo a crescer demasiado rápido. Na pele da madrasta de Spira, Luísa Martins dos Santos é a grande descoberta do realizador neste filme. A actriz demonstra confiança e emoções seguras na sua estreia cinematográfica.
Manuel é a personagem que traz os momentos mais inusitados à longa-metragem e ao bairro. Um desafiador, que rouba sanitas ou torradeiras após a demolição das casas, ou coloca música alegre em momentos soturnos. Este elemento desestabilizador proporciona-nos a cena com maior magia latente, que nos anestesia, por momentos, da dor e decadência com que O Fim do Mundo nos confronta.
Uma fuga momentânea para uma realidade paralela - que existe, mesmo que ninguém acredite - e revela o maior encanto escondido daquele local, agora meio em ruínas, que guarda as memórias felizes de muitas gerações.
domingo, 20 de setembro de 2020
Sugestão da Semana #435
Ficha Técnica:
Realizador: Basil da Cunha
Duração: 107 minutos
sábado, 5 de setembro de 2020
IndieLisboa'20: Vencedores
PRÉMIOS DO PÚBLICO
Prémio Longa Metragem - 2000 Euros
A METAMORFOSE DOS PÁSSAROS, de Catarina Vasconcelos
Prémio Curta Metragem - 1000 Euros
MARDI DE 8 À 18, de Cecilia de Arce
Prémio IndieJúnior - 500 Euros
A MINHA VIDA EM VERSALHES, de Clémence Madeleine Perdrillat e Nathaniel H'limi
*artigo actualizado a 8 de Setembro de 2020, com vencedores dos Prémios do Público.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Crítica: Até Ver a Luz (2013)
Até Ver a Luz gira em torno de Sombra, que, acabado de sair da prisão, volta à vida de dealer no bairro da Reboleira. Entre o dinheiro emprestado que não consegue recuperar e aquele que deve, uma iguana pouco comum, uma jovem vizinha sempre por perto e um chefe de gang que duvida da sua boa fé, Sombra começa a pensar que, de facto, mais valia ter ficado dentro.
Basil da Cunha oferece-nos um argumento simples, com um cenário e personagens cativantes. A história de acção e desconfiança de Até Ver a Luz alia-se a um tom, por vezes, cómico, mas sempre eficaz nesse registo. As personagens são reais e credíveis, e é fácil criar empatia com elas - em especial, com Sombra, Nuvem e Clarinha.
Ao contrário do que seria de esperar de um filme que se passa neste tipo de ambiente (no caso, um bairro problemático dos arredores da capital), Basil da Cunha não pretende abordar qualquer temática moralista. Não há lições de moral a dar ou críticas sociais a lançar, disso está o mundo farto. Até Ver a Luz consegue ir mais além e ser mais profundo, até mesmo espiritual. Mostra-se a vida no bairro, de noite, o presente de Sombra, Olos, Mix, Nuvem, e de todos os outros que discutem, conversam, dançam, tocam... e que dão vida ao bairro e à longa-metragem a que assistimos. Em fusão perfeita com o realismo do filme, está a fantasia, uma espécie de estado de transe ou alucinação - onde não faltam as superstições -, que não surge, em momento algum, desfasada da narrativa. Pelo contrário, torna-a ainda mais próxima de quem assiste.
Da competência técnica, à banda sonora cheia de ritmos africanos que nos põem a dançar, passando pela originalidade com que a narrativa é conduzida, Até Ver a Luz deveria ser o filme falado em português - e crioulo - (não é considerado filme português, já que a produção é apenas suíça) obrigatório do ano. Basil da Cunha prova, agora com a sua primeira longa-metragem, o jovem e prometedor talento que tem em si.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Sugestão da Semana #78
-
Esta Quinta-feira, dia 4 de Outubro, são muitas as estreias que vão encher as salas de cinema de todo o país. Nove filmes, um pouco para to...
-
"I think I've made a terrible mistake." Zhenya *7.5/10* Há quem não nasça para ser pai ou mãe, há filhos que ...



















-1920w.webp)


.png)
.jpg)

%20lo.jpg)







