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domingo, 4 de junho de 2023

Sugestão da Semana #563

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de animação Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, realizado por Kemp Powers, o luso-americano Joaquim Dos Santos e Justin K. Thompson.

HOMEM-ARANHA ATRAVÉS DO ARANHAVERSO


Ficha Técnica:
Título Original: Spider-Man: Across the Spider-Verse
Realizadores: Kemp Powers, Joaquim Dos Santos e Justin K. Thompson
Elenco de vozes: Shameik Moore, Hailee Steinfeld, Jake Johnson, Issa Rae, Daniel Kaluuya, Karan Soni, Jason Schwartzman, Oscar Isaac
Género: Animação, Acção, Aventura
Classificação: M/12
Duração: 140 minutos

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Crítica: Nope (2022)

"What's a bad miracle?"

OJ Haywood

*8/10*

Jordan Peele continua a sua incursão pelo cinema de terror com Nope, a desbravar novos subgéneros, e onde a História do Cinema (desde logo a referência a Sallie Gardner at a Gallop, de 1878, de Eadweard Muybridge, em que 24 fotografias tiradas em rápida sucessão, mostram um cavaleiro negro a galope no cavalo que dá título ao conjunto de imagens em movimento) e as influências do realizador mantêm um papel preponderante.

"OJ e Emerald Haywood, interpretados por Daniel Kaluuya e Keke Palmer, são dois irmãos com personalidades opostas, que ficam encarregues de tomar conta do rancho, após a morte do seu pai, atingido por objetos aleatórios caídos do céu. Este acontecimento deixa OJ perturbado, desconfiando que se passa algo de muito estranho na, até então tranquila, localidade de Agua Dulce. Os irmãos empenham-se na resolução deste mistério na esperança de conseguirem a fotografia que lhes trará fama e dinheiro...".

Peele reencontrou o equilíbrio que parecia ter perdido em Nós. Nope tem ideias bem desenvolvidas e o mesmo nível de originalidade que Foge, de 2017, que o colocou entre os grandes do cinema de terror actual. Desta vez, o desconhecido espreita por entre as nuvens, e parece maior do que as possibilidades de combatê-lo. 

E assim, apelando aos filmes de OVNIS, extraterrestres e criaturas de outro mundo, Nope constrói-se sob o mistério que paira nos céus, vomita pequenos objectos capazes de fazer graves danos, rapta cavalos durante a noite e perturba a rede eléctrica da região. Enquanto Emerald prefere deixar tudo para trás, OJ não pretende abandonar a sua casa, cavalos nem rancho. Quer enfrentar o medo, qual cavaleiro destemido. A irmã acaba por ser sua aliada, sempre com o foco na possibilidade de ser famosa.


Com personagens fortes e icónicas, quase todas marcadas pela tragédia - uns, como Jupe, que a usam para se promoverem; outros, como OJ, que a querem superar através do legado que lhes foi deixado -, Jordan Peele joga com os conceitos de presa e predador e de sensacionalismo, criando a espectacularidade que tanto se fala ao longo do filme. Tudo é inesperado, aterrador, mas igualmente cómico em muitos momentos.

Sendo a sua primeira obra filmada em película, o realizador não deixou de fazer uma homenagem ao suporte analógico, através da personagem de Antlers Holst (o realizador em busca do plano impossível, interpretado por Michael Wincott), fascinado por predadores, e sempre munido da sua câmara. Nope é mais uma prova da intemporalidade e quase infalibilidade do analógico, em detrimento do digital.


Mistério, humor e muitas referências cinematográficas, fazem de Nope mais uma prova da criatividade de Jordan Peele, que reforça a sua posição como um dos mais notáveis realizadores de terror da actualidade.

domingo, 21 de agosto de 2022

Sugestão da Semana #522

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Nope, o mais recente filme de terror de Jordan Peele.

NOPE


Ficha Técnica:
Título Original: Nope
Realizador: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, Keke Palmer, Steven Yeun, Barbie Ferreira, Brandon Perea, Michael Wincott, Terry Notary, Conor Kawalski, Mark Casimir Dyniewicz Jr.
Género: Ficção Científica, Mistério, Terror
Classificação: M/16
Duração: 130 minutos

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Crítica: Judas e o Messias Negro / Judas and the Black Messiah (2021)

"I am a revolutionary!"

Fred Hampton

*6/10*

Com um título sugestivo, Judas and the Black Messiah, de Shaka King, leva para o cinema um momento marcante da História recente dos EUA, centrando-se na vida e importância de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras.

"O informador do FBI William O'Neal (LaKeith Stanfield) infiltra-se no Partido dos Panteras Negras do Illinois com a tarefa de vigiar o seu líder carismático, Fred Hampton (Daniel Kaluuya). Ladrão de carreira, O'Neal aprecia o perigo de manipular os seus companheiros de partido e o seu contacto no FBI, o agente especial Roy Mitchell (Jesse Plemons). As proezas políticas de Hampton aumentam ao mesmo tempo que se apaixona pela companheira de luta Deborah Johnson (Dominique Fishback). Enquanto isso, trava-se uma batalha pela alma de O'Neal, indeciso entre a fidelidade aos seus irmãos dos Panteras Negras e as ordens do director do FBI, J. Edgar Hoover (Martin Sheen)."

Judas and the Black Messiah é um filme competente, com bons momentos de acção, e mais um retrato da brutalidade policial contra os afro-americanos e do racismo endémico dos EUA. Os discursos de Fred Hampton são apresentados com a grandiosidade que merecem, graças também à interpretação de Daniel Kaluuya

No filme, o actor mostra a sua capacidade de transformação, com um papel exigente também fisicamente - a transformação física é evidente -, na pele deste jovem revolucionário, uma das figuras centrais entre os activistas pelos direitos civis nos EUA. Entre a revolta, a emoção e o desejo de justiça, Kaluuya cativa o seu público dos dois lados do ecrã. Ao seu lado, LaKeith Stanfield distingue-se na pele do infiltrado que vive em constante dilema.

Judas and the Black Messiah destaca-se ainda pelo trabalho de Sean Bobbitt na direcção de fotografia, proporcionando planos envolventes - especialmente nocturnos - que nos levam numa viagem aos anos 60.

Shaka King capta bem o ambiente de desconfiança, chantagem e medo que rodeava Fred Hampton e os que lhe eram próximos. A perseguição cerrada por parte do FBI, injustiças e contradições são denunciadas no grande ecrã, num resultado dinâmico e honroso para a memória de Hampton.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Oscars 2021: Os Actores Secundários

Passamos aos nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com desempenhos muito equilibrados. Sem dúvida, há um actor que se destaca - até porque o seu desempenho poderia ser considerado de actor princial - e falo de Daniel Kaluuya. Sentimos a falta, contudo, de Jared Leto (The Little Things) e, principalmente, Delroy Lindo (Da 5 Bloods - Irmãos de Armas) nesta lista. Seria merecido e Lindo um justo vencedor. Eis os nomeados, por ordem de preferência.

1. Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah

Como Fred Hampton, Daniel Kaluuya assumiu um papel exigente, onde também a transformação física é evidente, na pele de um jovem revolucionário, figura central entre os activistas pelos direitos civis nos EUA. Entre a revolta, a emoção e o desejo de justiça, Kaluuya cativa o público dos dois lados do ecrã, e dá voz aos discursos de Hampton com a grandiosidade que merecem.

2. Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago / The Trial of the Chicago 7)

Sacha Baron Cohen é genial na comédia, mas é capaz de um excelente trabalho também no drama. Como Abbie Hoffman, carismático e desafiador, o actor mantém algum do seu humor intrínseco, todavia com um tom trágico.

3. Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami / One Night in Miami...)

Leslie Odom Jr. tem dado cartas no teatro (vestiu a pele de Aaron Burr, o antagonista de Hamilton, na Broadway) e, aos poucos, tem surgido com maior protagonismo no cinema - e ainda bem. No filme de Regina King, alia a representação aos seus dotes musicais e interpreta o músico Sam Cooke. É de elogiar a confiança com que articula gestos e maneirismos, e o carisma que confere ao grupo de actores com quem contracena. Destacam-se inevitavelmente os debates acesos e convictos que a sua personagem trava com Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), que quase abalam uma amizade.

4. Paul Raci (Sound of Metal)

Paul Raci foi uma das surpresas entre os nomeados deste ano, mas o reconhecimento é merecido. O actor, filho de pais surdos, interpreta Joe, um surdo-mudo com um papel fundamental para ajudar outros na mesma condição a deixar as drogas. Sem falar, Raci é capaz de nos transmitir muito: um homem exigente, dedicado e, à sua maneira, compreensivo.

5. Lakeith Stanfield (Judas and the Black Messiah)

Ao lado de Daniel Kaluuya, LaKeith Stanfield distingue-se na pele de Bill O'Neal, o infiltrado que vive no constante dilema, entre a sua colaboração com o FBI e a amizade que vai construindo com Fred Hampton. O actor tem uma interpretação competente, assente numa dualidade de carácter difícil de digerir.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Sugestão da Semana #351

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Viúvas, de Steve McQueen.

Viúvas


Ficha Técnica:
Título Original: Widows
Realizador: Steve McQueen
Actores: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Liam Neeson, Robert Duvall, Colin Farrell, Brian Tyree Henry, Daniel Kaluuya, Jacki Weaver
Género: Crime, Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 129 minutos

sexta-feira, 2 de março de 2018

Oscars 2018: Os Actores Principais

Para finalizar, avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria onde o vencedor está quase certo, encontramos bons desempenhos, em especial os dois primeiros da minha lista. O último dos nomeados começa a ser a Meryl Streep no masculino, somando nomeações nos últimos anos e, apesar de ter uma boa prestação, havia outros nomes que poderiam ocupar o seu lugar na lista de nomeados. Falo, em especial, de James Franco. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:

1. Timothée Chalamet, Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)


Timothée Chalamet retrata a inocência, os medos e a arrogância típicas da adolescência, a par da curiosidade imensa pelo que o rodeia. Como Elio, ele interioriza as dúvidas e a paixão avassaladora que é este primeiro amor. Vive e sofre com a mesma ânsia e deixa-nos arrebatados com uma interpretação tão adulta. Se um actor tão jovem é capaz de tanto, há que lhe dar o merecido valor.

2. Daniel Day-Lewis, Linha Fantasma (Phantom Thread)


Daniel Day-Lewis é metódico, elegante, encarna o estilista como se estivesse a fazer de si mesmo. Cada papel, cada novo Day-Lewis, ele que é um dos melhor actores da sua geração. Rígido mas frágil, apaixonado mas igualmente enlouquecido quando as emoções fogem ao seu controlo, é um homem aparentemente decidido mas que depende em demasia da irmã e de outras mulheres que compõem a sua vida. Ele esconde segredos nas bainhas, segredos que prefere partilhar com as roupas que desenha, mais do que com as pessoas que o rodeiam.

3. Gary Oldman, A Hora Mais Negra (Darkest Hour)


Gary Oldman desaparece na personagem e ganha todas as cenas em que entra. A caracterização fez um trabalho estupendo, e é mesmo difícil encontrarmos o actor, não fossem os olhos azuis e alguns trejeitos de boca. De resto, voz, movimentos, expressões estão totalmente entregues ao filme.

4. Daniel Kaluuya, Foge (Get Out)


Daniel Kaluuya, o protagonista Chris, mostra-se à altura do desafio. O actor é extremamente expressivo e cativa a audiência ao juntar na perfeição curiosidade, inocência e terror. Um estreante com potencial.

5. Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.

Denzel Washington é um grande actor e interpreta com coração cada papel que lhe dão. Roman J. Israel, Esq. não é excepção, onde veste a pele do protagonista homónimo, um advogado convicto e orgulhoso. De aparência extravagante e com algumas dificuldades de socialização, Washington surge ligeiramente diferente da imagem a que nos tem habituado. Roman é especialmente dedicado ao que defende e luta pelas suas convicções, mesmo quando um dilema moral se atravessa no seu caminho. Se a nomeação é merecida, talvez, mas há outros desempenhos tão ou mais merecedores deste lugar.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sugestão da Semana #271

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Foge, de Jordan Peele. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

FOGE


Ficha Técnica:
Título Original: Get Out
Realizador: Jordan Peele
Actores: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Keith Stanfield
Género: Mistério, Terror, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 104 minutos

Crítica: Foge / Get Out (2017)

"If I could, I would have voted for Obama for a third term."
Dean Armitage

*8/10*

O racismo serve de mote à primeira longa-metragem realizada por Jordan Peele, Foge. O terror é essencialmente psicológico com uma forte crítica social latente. Sem sustos, há todavia uma tensão tremenda a percorrer Foge, deixando-nos em suspenso até ao final, a tentar desvendar os segredos daquela família e o destino do nosso protagonista.

Rose (Allison Williams) convida o namorado Chris (Daniel Kaluuya) para um fim-de-semana no campo, onde irá apresentar-lhe os seus pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). De início, Chris vê o comportamento complacente da família como uma tentativa nervosa de lidar com a sua ascendência africana, mas à medida que o fim-de-semana avança, uma série de descobertas cada vez mais perturbadoras conduzem-no a uma verdade inimaginável.


Podia ser uma simples história de amores proibidos mas não é. Está muito longe disso. Há personagens e atitudes sinistras por toda a parte, rituais desconhecidos, todos agem de forma estranha, fazendo-nos temer por Chris, mas, ao mesmo tempo, tratando-o o melhor possível. O telemóvel e a curiosidade do protagonista são duas armas poderosas à medida que o filme avança e que os segredos começam a ser revelados.

Foge é ousado e muito original na forma como se constrói como filme de terror - ou será mais um thriller de suspense? - em redor de um estigma que já deveria estar ultrapassado, e, ao mesmo tempo, crítica a sociedade muito para além do racismo. Esta forma de discriminação social é aqui filmada com características muito próprias, que suscitam curiosidade. Os afro-americanos são mais invejados do que discriminados, neste filme, mas tudo acontece de um modo um tanto macabro.


A montagem é fundamental para o suspense, a par do argumento imprevisível e pouco usual. Daniel Kaluuya, o protagonista Chris, mostra-se à altura do desafio. O actor é extremamente expressivo e cativa a audiência ao juntar na perfeição curiosidade, inocência e terror.

Foge é um alerta, irónico e sarcástico, mas, igualmente adulto e singular na sua forma e propósito. Uma excelente surpresa na estreia de Jordan Peele na realização.