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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Sugestão da Semana #695

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Justa, de Teresa Villaverde. O filme foca-se em personagens que são sobreviventes dos incêndios florestais de 2017, em Portugal. No elenco, destaque para Betty Faria, Filomena Cautela e Madalena Cunha.

JUSTA


Ficha Técnica:
Título Original: Justa
Realizadora: Teresa Villaverde
Elenco: Betty Faria, Filomena Cautela, Madalena Cunha, Ricardo Vidal, Anabela Moreira, João Pedro Vaz, Alexandre Batista, Luísa CruzRobinson Stévenin
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 108 minutos

domingo, 28 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Actos de Cinema / Acts of Cinema (2018)

*7/10*


Jorge Cramez surge em dose dupla no Doclisboa'18 e o Hoje Vi(vi) um Filme não quis perder a estreia de Actos de Cinema (Acts of Cinema), longa-metragem da secção Riscos.

Um resumo muito eficaz e rico do cinema português mais recente, repleto de arquivos filmados durante a rodagem de filmes de Miguel Gomes, Teresa Villaverde, João Botelho, Fernando Lopes, José Álvaro de Morais, entre outros. Um retrato sincero e frontal de como é trabalhar em cinema em Portugal, com todas as limitações, dificuldades e improvisos que só os portugueses sabem ultrapassar.

Entre a nostalgia das imagens de bastidores, surgem testemunhos e recordações sentidas de realizadores, actores e técnicos que falam para a câmara.  João Botelho, João Mário Grilo, Beatriz Batarda, Ana Moreira, Teresa Villaverde, Miguel Gomes, Vasco Pimentel, Pedro MeloMarcello Urgeghe, etc.

Actos de Cinema é quase um diário de bordo de Jorge Cramez, que começa nos cenários pintados de Os Maias, com o rigor e perfeccionismo de Botelho, espreita as aventuras da curta-metragem W, de Paulo Belém, enfrenta as temperaturas geladas de Transe, de Teresa Villaverde, e recebe o companheirismo de Fernando Lopes na rodagem de 98 Octanas, entre tantas outras aventuras que partilha com a plateia.

Cramez criou assim um filme, ritmado, com uma montagem de excelência que nunca nos faz perder o interesse. Informativo e melancólico, assim é Actos de Cinema.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Sugestão da Semana #316

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Colo, de Teresa Villaverde. A crítica pode ser lida aqui.



Ficha Técnica:
Título Original: Colo
Realizadora: Teresa Villaverde
Actores: Alice Albergaria Borges, Beatriz BatardaJoão Pedro VazClara Jost, Tomás GomesRicardo Aibéo, Simone de Oliveira, Rita Blanco, Carloto Cotta
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 136 minutos


domingo, 18 de março de 2018

Crítica: Colo (2017)

*8/10*

A adolescência é, mais uma vez, o foco de Teresa Villaverde, que a explora tendo como ambiente a crise económica e os problemas de uma família. Mas tudo extrapola o mais comummente associado a estas temáticas. Não será talvez um filme fácil, mas é profundo, mágico, num bonito retrato da protagonista, Marta. Ela precisa de Colo, sem dúvida.

Em Lisboa, uma mãe trabalha em dois empregos enquanto o seu marido ficou desempregado. Têm uma filha adolescente. Com as dificuldades que se vão acumulando, gradualmente eles afastam-se uns dos outros, e uma tensão cresce em silencio e culpa.


Marta é o motor da narrativa de Colo, cujo drama, quase fantástico, acompanhamos pela câmara atenta de Teresa Villaverde, apaixonada pela adolescência desde o início da sua carreira. Ela espreita pela janela, percorre os corredores, segue personagens nas suas descobertas e aventuras. Adapta-se à personalidade e estado de espírito de cada um e compõe uma espécie de poema visual pouco comum no cinema português. E entre a aura pesada que paira sobre as personagens, ainda vamos conseguir rir com momentos inesperados, quase surreais.

Filha, pais, namorado e amiga. Todos fogem de si e dos problemas. A todos falta a coragem e resiliência de Marta. Ela tem inseguranças, receios, problemas que esconde, mas é, de todos, a que mais vontade tem de continuar a ser ela mesma. E quem esquecerá o seu inseparável pássaro? É com ele que se estabelece um curioso paralelismo. Ele é, de todas as personagens, o mais próximo da protagonista. É o único que precisa dela e o único que a acompanha. E têm muito mais que isso em comum. Ele simboliza o próprio crescimento de Marta e o evoluir do mundo à sua volta. Ele é o conforto e o confidente dela. Menina e pássaro têm uma relação muito sensorial também, compondo dos mais bonitos planos da longa-metragem.


Entre as indecisões e desorientação, chegamos ao topo do prédio de muitos andares onde a família de Marta vive, na parte oriental de Lisboa. Ali, somos colocados no terraço das amarguras, do desespero, onde a vista sobre a Lisboa moderna é estonteante.

A adolescência sonhadora e inocente, a vida adulta arrependida e cobarde. Todas as personagens se movem com ânsia de liberdade e esperança, mas de forma muito diferente. Marta é a heroína da história e Alice Albergaria Borges, a actriz que a interpreta, torna-a terna, decidida e cheia de personalidade.


Percebe-se porque é que a crítica internacional não gostou de Colo: tiveram medo. Medo que lhes aconteça a eles, medo de sentir culpa por terem despedaçado Portugal. Esse medo sobrepôs-se a tudo o resto e não foram capazes de alcançar a beleza e significância da obra de Villaverde. Ela adivinha um rejuvenescimento de coragem e esperança, mas sempre alerta.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

LEFFEST'16: Jean-Luc Godard e Jerzy Skolimowski homenageados

Na sua 10.ª edição, o Lisbon & Estoril Film Festival vai homenagear os cineastas Jean-Luc Godard e Jerzy Skolimowski. O evento irá decorrer entre 4 e 13 de Novembro.


As obras de Godard e Skolimowski serão alvo de uma retrospectiva integral durante o festival. O trabalho do realizador francês será igualmente tema de discussão no simpósio internacional desta edição. Figuras do mundo cinematográfico, das artes, da literatura e da crítica internacional vão partilhar com o público a influência que o cineasta teve em cada um e nas gerações futuras.  Jerzy Skolimowski, por sua vez, e após ter conquistado o prémio para Melhor Filme do LEFFEST'15 com 11 Minutos, regressa para ser homenageado e ainda para fazer parte do júri da Selecção Oficial em Competição. Também a obra da realizadora portuguesa Teresa Villaverde será alvo de uma retrospectiva integral.

No que ao teatro diz respeito, o LEFFEST'16 vai apresentar Dias Felizes, peça de Samuel Beckett, onde a actriz italiana Nicoletta Braschi interpreta o papel de Winnie. A encenação é de Andrea Renzi, que veste a pele de Willie, e será apresentada no Teatro Nacional D. Maria II, nos dias 10 e 11 de Novembro.

Nesta 10.ª edição, poderemos ver a exposição fotográfica Chema Prado/Series que inclui retratos de grande formato de personalidades do cinema, como John Malkovich, Manoel de Oliveira, António Banderas, Pedro Almodóvar, Stephen Frears, Jim Jarmusch, Robert de Niro, entre outros. Trata-se de uma série de fotografias espontâneas de autoria de Chema Prado, que dirigiu durante 30 anos a Cinemateca Espanhola.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Os Mutantes, Teresa Villaverde (1998)

*9/10*

Perdidos no mundo e na vida, Os Mutantes que Teresa Villaverde trouxe ao cinema português em 1998 comportou consigo um rasgo de desafio. A proximidade das personagens – que só podem contar connosco, o seu espectador atento e de confiança -, originada pela câmara da realizadora, obriga-nos a olhá-las nos olhos, sentir a sua dor e desespero. Pelo menos aqui não podemos evitar ver estes miúdos de rua “invisíveis”, incompreendidos. Não há julgamentos, nada de juízos de valor. É o realismo duro e cru(el), poucas vezes visto, até então, no cinema português.


Seguimos três protagonistas, Andreia (Ana Moreira), Pedro (Alexandre Pinto) e Ricardo (Nelson Varela), adolescentes que preferem a rua à clausura e às regras das instituições. Sem família, sem casa, sem um porto seguro. Abandonados à sua sorte (e azar), estes jovens tornam-se adultos cedo demais, ainda com o desconhecimento dos riscos que correm, tal como a criança que ainda são. O perigo espreita e estas almas selvagens apenas querem ser livres e aventuram-se, experimentam, e nós gostamos de acompanhá-los. Não há finais felizes, nem salvadores, nem plot twists, tudo é como tem de ser e, se por momentos esquecermos o lado ficcional, Os Mutantes podia ser um documentário (como inicialmente foi pensado pela realizadora que visitou muitas instituições de reinserção social).

Na sua primeira longa-metragem, a promissora Ana Moreira é Andreia e oferece-nos uma interpretação cheia de entrega e mágoa, num sofrimento interior carregado de inocência. Ao seu lado, Alexandre Pinto dá tudo de si na pele do jovem Pedro. Aqui, a maioria dos actores frequentavam realmente instituições semelhantes às que o filme mostra. As crianças e jovens marcam as obras de Villaverde e nesta longa-metragem eles são o motor da narrativa. São eles que nos transmitem a estranha (e quase contraditória) sensação de liberdade que nos contagia e inebria, até ao final.

Os Mutantes passou pela secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, em 1998, e é um marco que importa não esquecer no Cinema Português. A aura que paira sobre o filme é triste, desconfortável, mas envolve-nos, como poucos, e transmite os sentimentos mais fortes e contraditórios, faz-nos pensar. Teresa Villaverde foi uma revelação, com a audácia que o público ansiava, na denúncia de uma crua realidade. Os Mutantes ajudou a construir a História de sucesso do nosso cinema: não há muitas palavras que o definam, mas fica a certeza que todos deviam vê-lo e reflectir sobre ele.

*Texto originalmente publicado na rubrica Hollywood, tens cá disto? do Espalha-Factos. Lê o artigo completo aqui.*