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domingo, 22 de setembro de 2024

Sugestão da Semana #632

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Grand Tour, de Miguel Gomes, a longa-metragem portuguesa candidata ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

GRAND TOUR


Ficha Técnica:
Título Original: Grand Tour
Realizador: Miguel Gomes
Elenco: Gonçalo Waddington, Crista Alfaiate, Teresa Madruga, Jani Zhao, João Pedro Vaz, Manuela Couto, Lang Khê Tran, Diogo Dória, Cláudio da Silva, Américo Silva
Género: Aventura, Drama
Classificação: M/12
Duração: 128 minutos

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

'Grand Tour' é o candidato de Portugal a Melhor Filme Internacional dos Oscars 2025

O filme Grand Tour, de Miguel Gomes, é o candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Internacional, na 97.ª edição dos Oscars, os Prémios da Academia Americana de Cinema. A cerimónia acontece a 2 de Março de 2025, em Los Angeles (EUA).

Os membros da Academia Portuguesa de Cinema votaram, entre 13 de Agosto e 10 de Setembro, e Grand Tour foi o filme eleito com mais votos. Em consideração, estavam também A Flor do Buriti, de João Salaviza e Renée Nader Messora (Karõ Filmes), Manga d’Terra, de Basil da Cunha (Continue Walking e Akka Films), O Teu Rosto Será O Último, de Luís Filipe Rocha (Ukbar Filmes) e O Vento Assobiando Nas Gruas, de Jeanne Waltz (C.R.I.M.)

Realizado por Miguel Gomes e produzido pela produtora Uma Pedra no Sapato, Grand Tour "retrata a história de Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do Império Britânico, em Rangum, Birmânia, no ano de 1918. No dia da chegada da sua noiva Molly (Crista Alfaiate) para o casamento, Edward foge, dando início a uma jornada pela Ásia onde o pânico cede lugar à melancolia. Durante a viagem, ele reflecte sobre o vazio da sua existência e questiona o que terá acontecido a Molly. Determinada a casar-se, Molly decide seguir o rasto de Edward neste Grand Tour asiático".

O filme de Miguel Gomes já conquistou o prémio de Melhor Realização no Festival de Cannes e está também entre as 29 primeiras obras seleccionadas para os Prémios do Cinema Europeu e é candidato à categoria de Melhor Filme Europeu na 39.ª edição dos Prémios Goya, de Espanha. Grand Tour tem estreia marcada nos cinemas portugueses para o próximo dia 19 de Setembro.

domingo, 22 de agosto de 2021

Sugestão da Semana #469

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Diários De Otsoga, de Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes.

DIÁRIOS DE OTSOGA


Ficha Técnica:
Título Original: Diários De Otsoga
Realizadores: Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes
Elenco: Carloto Cotta, Crista Alfaiate, João Nunes Monteiro
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 101 minutos

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Curtas Vila do Conde 2021: Lynne Ramsay em Retrospectiva, estreias de Quentin Dupieux, Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes e mais novidades

O 29.º Curtas Vila do Conde vai exibir em antestreia dos novos filmes de Helvécio Marins Jr. e Sérgio Borges, Quentin Dupieux e Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes. A obra da realizadora Lynne Ramsay será alvo de uma retrospectiva.

Diários de Otsoga, de Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes, rodado em Agosto passado numa propriedade em Sintra, com estreia mundial apontada para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, marcará presença em Vila do Conde em Julho, na secção da Curta à Longa. Na mesma secção, também está o novo filme do brasileiro Helvécio Marins Jr.Lutar Lutar Lutar, corealizado com Sérgio Borges, que narra a história do Clube Atlético Mineiro, desde a sua fundação até ao título ganho em 2014. De regresso ao festival, está ainda o francês Quentin Dupieux com a antestreia nacional da longa-metragem Mandibules (o filme terá estreia comercial em Portugal no mês de Setembro).

Lynne Ramsay começou a sua carreira nas curtas-metragens: em 1996, a sua primeira curta, Small Deaths, venceu o Prémio do Júri, no Festival de Cannes, e voltou a conquistá-lo em 1998, com Gasman; e, em 2000, recebeu o prémio do Júri de Clermont-Ferrand por Kill the Day, a sua terceira obra. Os três filmes estão incluídos na Retrospectiva que o Curtas 2021 lhe dedica, ao lado das quatro longas-metragens que a levaram a afirmar-se: We Need to Talk About Kevin (Temos de Falar sobre Kevin), RatcatcherYou Were Never Really Here (Nunca Estiveste Aqui) e Morvern Callar (O Romance de Morven Callar)

Já a secção Stereo, que cruza o cinema e a música, conta com as actuações da harpista espanhola Angélica Salvi, que musicará o filme Shoes de Louis Weber, e do colectivo liderado por Yaw Tembe, Chão Maior, que sobre ao palco do Teatro Municipal de Vila do Conde numa das raras apresentações ao vivo do seu mais recente trabalho e, em colaboração, com o realizador Igor Dimitri

A Competição de Vídeos Musicais este ano integra: Lote B de António Zambujo, realizado por Pedro Serrazina; Theme Vision de Bruno Pernadas, realizado pelo próprio e Jep Jorba; Running in The Dark de Moullinex ft. GPU Panic, realizado por Bruno Ferreira; Magic de Ghetthoven, realizado por Vasco Mendes; Inatel de David & Miguel realizado por Francisco Lobo; Incompatibilidades de PZ, realizador por Alexandre Azinheira; Escravo do Patrão de Luta Livre, realizador por Cristina Viana; cinco de Pedro Augusto, realizado por Rafael Gonçalves; Yipman de Stereoboy, realizado por Luís Sobreiro; Disuelta de Lucrecia Dalt, realizado por Pedro Maia; Passo 2 de Chão Maior, realizado por Igor Dimitri; Stay In Bed dos FUGLY, realizado por Hugo Amaral; FP25 dos Sereias, realizado por Francisco Laranjeira; e Fogo Fera, de Vaiapraia, realizado por Eloísa Micaelo

Entre os 51 filmes em competição, oriundos de 24 países, destacam-se, na Competição Internacional, os regressos de Ana Elena TejeraVirpi SuutariGeorges SchwizgebelBárbara Wagner Benjamin de Burca e Guy Maddin; as estreias nacionais de David, de Zachary WoodsNight for Day, de Emily Wardill, que tem como eixo central um conjunto de entrevistas a Isabel do Carmo, revolucionária da resistência contra o regime fascista em Portugal, e Quattro Strade, de Alice Rohrwacher, um diário impressionista sobre a vida durante o primeiro confinamento geral em Itália. Na Competição Experimental, marcam presença seis filmes portugueses, realizados por Sandro AguilarLúcia PranchaPedro MaiaMargarida AlbinoKate Saragaço-Gomes Helena Gouveia Monteiro. Vencedores de prémios em edições passadas, estão de regresso este ano Rosa BarbaChristoph GirardetMatthias MuellerMorgan Quaintance e Peter Tscherkassky.

O Curtas 2021 decorrerá em Vila do Conde, de 16 a 25 de Julho, estendendo-se simultaneamente a Lisboa e Porto, juntando-se ainda uma programação no online. Mais informações em http://festival.curtas.pt/.


​PROGRAMA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

A Love Song In Spanish, Ana Elena Tejera, França/Panamá, 2021, DOC, 24'

A Questo Punto, Pablo Cotten, Joseph Rozé, França, 2021, FIC, 26'

Aninsri Daeng (Red Aninsri; Or, Tiptoeing On The Still Trembling Berlin Wall), Ratchapoom Boonbunchachoke, Tailândia, 2020, FIC, 30'

Bestia, Hugo Covarrubias, Chile, 2021, ANI, 16'

Buried News, Bill Morrison, EUA, 2021, DOC, 12'

Comme Un Fleuve, Sandra Desmazières, França/Canadá, 2020, ANI, 15'

Condition D'élévation, Isabelle Prim, França, 2020, FIC/DOC, 20'

Dans Le Silence D'une Mer Abyssale, Juliette Klinke, Bélgica, 2021, DOC, 19'

Das Massaker Von Anröchte (The Massacre Of Anroechte), Hannah Dörr, Alemanha, 2021, FIC, 60'

Das Spiel (The Game), Roman Hodel, Suíça, 2020, DOC, 17'

David, Zachary Woods, EUA, 2020, FIC, 11'

Delenda Carthago, Guillaume Orignac, França, 2021, FIC, 39'

Farrucas, Ian de la Rosa, Espanha/EUA, 2021, FIC, 17'

I Gotta Look Good For The Apocalypse, Ayce Kartal, Turquia/França, 2021, DOC/ANI, 6'

Kansanradio - Runonlaulajien Maa (A People's Radio - Ballads From A Wooded Country), Virpi Suutari, Finlândia, 2021, DOC, 27'

L'enfant Salamandre, Théo Dégen, Bélgica, 2020, FIC, 26'

Le Journal De Darwin, Georges Schwizgebel, Suíça, 2020, ANI, 9'

Le Roi David, Lila Pinell, França, 2021, FIC, 41'

Los Ladrillos, Tito Montero, Espanha, 2020, DOC, 19'

Motorway 65, Evi Kalogiropoulou, Grécia, 2020, FIC, 15'

Night For Day, Emily Wardill, Portugal/Áustria, 2020, FIC/DOC, 47'

Noir-Soleil, Marie Larrivé, França, 2021, ANI, 20'

On N'est Pas Animaux, Noé Debré, França, 2021, FIC, 16'

One Hundred Steps, Barbara Wagner, Benjamin de Burca, Alemanha, 2021, DOC, 31'

Quattro Strade, Alice Rohrwacher, Itália, 2021, DOC, 8'

Ronde De Nuit, Julien Regnard, França/Bélgica, 2021, ANI, 12'

The Rabbit Hunters, Guy Maddin, Evan Johnson, Galen Johnson, Canadá, 2020, FIC, 9'

Vo, Nicolas Gourault, França, 2021, DOC, 20'

We Have One Heart, Katarzyna Warzecha, Polónia, 2020, DOC/ANI, 11'

Xia Wu Guo Qu Le Yi Ban (Day Is Done), Zhang Dalei, China, 2020, FIC, 24'

Zonder Meer, Meltse Van Coillie, Bélgica, 2020, FIC, 14'''


PROGRAMA COMPETIÇÃO EXPERIMENTAL

BaBaki Tadu É, Kate Saragaço-Gomes, Calum MacBeath Morgan, Índia/Dinamarca/Portugal, 2021, DOC, 13'

Berlin Feuer, Pedro Maia, Portugal/Alemanha, 2021, EXP, 6'

Black Beauty, Grace Ndiritu, Reino Unido/Bélgica/Espanha, 2021, FIC, 30'

Citadel, John Smith, Reino Unido, 2020, EXP, 16'

Depth Wish, Margarida Albino, Portugal, 2021, EXP, 12'

Dissolution Prologue (Extended Version), Siegfried Fruhauf, Áustria, 2020, EXP, 6'

Earthearthearth, Daïchi Saïto, Canadá, 2021, EXP, 30'

Emtza'i Meuchar (Belated Measures), Nir Evron, Israel, 2020, DOC, 35'

Flowers Blooming In Our Throats, Eva Giolo, Bélgica/Itália, 2020, EXP, 9'

Glimpses From A Visit To Orkney In Summer 1995, Ute Aurand, Reino Unido/Alemanha, 2020, EXP, 5'

Inside The Outset, Evoking A Space Of Passage, Rosa Barba, Chipre/Alemanha/Itália, 2021, DOC, 31'

Misty Picture, Christoph Girardet, Matthias Müller, Alemanha, 2021, EXP, 17'

Of This Beguiling Membrane, Charlotte Pryce, EUA, 2020, EXP, 5'

Purkyně's Dusk, Helena Gouveia Monteiro, Irlanda/França, 2021, EXP, 9'

Sunrise, Lúcia Prancha, Portugal, 2021, EXP, 18'

Surviving You, Always, Morgan Quaintance, Reino Unido, 2020, DOC, 18'

The Detection Of Faint Companions, Sandro Aguilar, Portugal, 2021, EXP, 9'

Train Again, Peter Tscherkassky, Áustria, 2021, EXP, 20'

When Light Is Displaced, Zaina Bseiso, Palestina/EUA, 2021, DOC, 7'

Who Is Afraid Of Ideology ? Part III Micro Resistencias, Marwa Arsanios, Alemanha, 2020, DOC, 31'

terça-feira, 8 de junho de 2021

Festival de Cannes 2021: Quinzena dos Realizadores

Depois de anunciar a Selecção Oficial de 2021, o Festival de Cannes revelou agora os filmes que compõem a 53.ª Quinzena dos Realizadores, que acontece de 7 a 17 de Julho. O filme português Diários de Otsoga, de Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro, tem presença marcada.

Eis os títulos que compõem esta secção paralela do festival:

Longas-metragens:

A Chiara, de Jonas Carpignano

A Night of Knowing Nothing, de Payal Kapadia

Ali & Ava, de Clio Barnard

Clara Sola, de Nathalie Álvarez Mesen

De bas étage (A Brighter Tomorrow), de Yassine Qnia

Diários de Otsoga (Journal de Tûoa, The Tsugua Diaries), de Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro

El empleado y el patron (L’Employeur et l’Employé, The Employer and the Employee), de Manuel Nieto Zas

Entre les vagues (The Braves) d’Anaïs Volpé

Europa, de Haider Rashid

Futura, de Pietro Marcello, Francesco Munzi e Alice Rohrwacher

Întregalde, de Radu Muntean

Jadde khaki (Hit the Road), de Panah Panahi

Les Magnétiques (Magnetic Beats), de Vincent Maël Cardona

Luaneshat e kodrës (La Colline où rugissent les lionnes, The Hill where Lionesses Roar), de Luàna Bajrami

Medusa, de Anita Rocha da Silveira

Mon légionnaire (Our Men), de Rachel Lang

Murina, de Antoneta Alamat Kusijanović

Neptune Frost, de Saul Williams et Anisia Uzeyman

Ouistreham (Between Two Worlds), de Emmanuel Carrère - Filme de Abertura

Re Granchio (La Légende du Roi Crabe, The Tale of King Crab), de Alessio Rigo de Righi e Matteo Zoppis

Retour à Reims (Fragments) – (Returning to Reims (Fragments)), de Jean-Gabriel Périot

The Souvenir Part II, de Joanna Hogg

Yong an zhen gu shi ji (Ripples of Life), de Shujun Wei

البحر أمامكم (Face à la mer, The Sea Ahead), de Ely Dagher


Sessão Especial

The Souvenir, de Joanna Hogg


Curtas-metragens

Anxious Body, de Yoriko Mizushiri

El Espacio sideral (The Sidereal Space), de Sebastián Schjaer

Simone est partie (Simone Is Gone), de Mathilde Chavanne

Sycorax, de Lois Patiño e Matías Piñeiro

The Parents’ Room (La Chambre des parents), de Diego Marcon

The Vandal, de Eddie Alcazar

The Windshield Wiper, deAlberto Mielgo

Train Again, de Peter Tscherkassky

When Night Meets Dawn (Quand la Nuit rencontre l’Aube), de Andreea Cristina Borțun


CARROSSE D’OR - Prémio Honorário

Monrovia, Indiana, de Frederick Wiseman


Mais informações sobre a Quinzena dos Realizadores em https://www.quinzaine-realisateurs.com/.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Momentos Para Recordar #61

Estamos a meio de Agosto, o mês do coração de muitos portugueses. Ou porque estão de férias, na praia, no campo, porque estão de regresso à terra natal que ganha outra vida neste mês, ou simplesmente porque gostam do oitavo mês do ano. Seja qual for a razão, Agosto tem um encanto que faz com que seja tema de canções ou de filmes.

O Momentos Para Recordar de hoje traz-nos um belo conjunto de histórias que nos recordam tudo o que Agosto tem de especial - Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes. No Hoje Vi(vi) um Filme já falamos deste filme aqui e aqui, mas nunca é demais outra recomendação. É como as festas das aldeias, sempre uma alegria.

Aquele Querido Mês de Agosto, Miguel Gomes (2008)

domingo, 28 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Actos de Cinema / Acts of Cinema (2018)

*7/10*


Jorge Cramez surge em dose dupla no Doclisboa'18 e o Hoje Vi(vi) um Filme não quis perder a estreia de Actos de Cinema (Acts of Cinema), longa-metragem da secção Riscos.

Um resumo muito eficaz e rico do cinema português mais recente, repleto de arquivos filmados durante a rodagem de filmes de Miguel Gomes, Teresa Villaverde, João Botelho, Fernando Lopes, José Álvaro de Morais, entre outros. Um retrato sincero e frontal de como é trabalhar em cinema em Portugal, com todas as limitações, dificuldades e improvisos que só os portugueses sabem ultrapassar.

Entre a nostalgia das imagens de bastidores, surgem testemunhos e recordações sentidas de realizadores, actores e técnicos que falam para a câmara.  João Botelho, João Mário Grilo, Beatriz Batarda, Ana Moreira, Teresa Villaverde, Miguel Gomes, Vasco Pimentel, Pedro MeloMarcello Urgeghe, etc.

Actos de Cinema é quase um diário de bordo de Jorge Cramez, que começa nos cenários pintados de Os Maias, com o rigor e perfeccionismo de Botelho, espreita as aventuras da curta-metragem W, de Paulo Belém, enfrenta as temperaturas geladas de Transe, de Teresa Villaverde, e recebe o companheirismo de Fernando Lopes na rodagem de 98 Octanas, entre tantas outras aventuras que partilha com a plateia.

Cramez criou assim um filme, ritmado, com uma montagem de excelência que nunca nos faz perder o interesse. Informativo e melancólico, assim é Actos de Cinema.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Animais Cinéfilos #1

Quem me conhece sabe como sou apaixonada por animais. Dos cães e gatos aos menos comuns morcegos, são todos adoráveis. 

E quando eles se tornam ícones do Cinema nos filmes em que surgem? A nova rubrica Animais Cinéfilos visa destacar as pequenas personagens que não são humanas mas têm, muitas vezes, mais coração e alma que muitos homens e mulheres. E, sem dúvida, ficam na memória.


Começo pelo Lucky, o poodle maltês espanhol que fez do português Dixie e até ganhou um prémio em Cannes, o Palm Dog, que premeia a melhor interpretação canina dos filmes do festival. Lembram-se dele em As Mil e Uma Noites: Vol. 2, O Desolado, de Miguel Gomes? Era um elo de ligação entre personagens e tinha um toque sobrenatural.

domingo, 13 de agosto de 2017

Em Português: Aquele Querido Mês de Agosto (2008)

Agosto chegou e com ele o lembrete do quanto gosto do mais jovial filme de Miguel Gomes, Aquele Querido Mês de Agosto. Desde que o vi, fiquei fascinada por esta docuficção, pelas personagens reais e ficcionais, pelo argumento original e audaz.


O site da produtora do filme O Som e a Fúria descreve Aquele Querido Mês de Agosto da seguinte forma: "No coração de Portugal, serrano, o mês de Agosto multiplica os populares e as actividades. Regressam à terra, lançam foguetes, controlam fogos, cantam karaoke, atiram-se da ponte, caçam javalis, bebem cerveja, fazem filhos. Se o realizador e a equipa do filme tivessem ido directamente ao assunto, resistindo aos bailaricos, reduzir-se-ia a sinopse: «Aquele Querido Mês de Agosto acompanha as relações sentimentais entre pai, filha e o primo desta, músicos numa banda de baile». Amor e música, portanto." Está tudo dito.

Adoro o mês de Agosto e dificilmente outro filme traduz melhor o que significa este mês de regresso às origens, de reencontros, de festas, romarias e procissões, de praia (no mar ou no rio) e calor que potencia os famosos amores de Verão. Miguel Gomes traz para a tela o melhor e o pior desta época do ano, filmando desde as concentrações motards aos incêndios que, todos os anos, assolam o país.


Aquele Querido Mês de Agosto é um excelente retrato do Portugal mais profundo, que se enche de gente no oitavo mês do ano. Todos já fomos, ou conhecemos alguém que vá para a "terra" (aquela que, mesmo que esteja longe, parece partilhar do nosso sangue) nesta altura, dance ao som da música "pimba" das festas das aldeias ou vá dar um mergulho à praia fluvial.


Há uns anos, escrevi uma declaração de amor a este filme, ao quanto ele representa para mim. Hoje destaco-o nesta rubrica. Tudo mais que possa haver para dizer sobre Aquele Querido Mês de Agosto está aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Sugestão da Semana #189

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o terceiro volume da trilogia de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites, Vol. 3 - O Encantado.

AS MIL E UMA NOITES, VOL. 3 - O ENCANTADO


Ficha Técnica:
Título Original: As Mil e Uma Noites, Vol. 3 - O Encantado
Realizador: Miguel Gomes
Actores: Crista Alfaiate, Bernardo Alves, Chico Chapas, Carloto CottaAmérico SilvaGonçalo Waddington
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 125 minutos

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sugestão da Semana #187

Das belas estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana escolhe o fabuloso As Mil e Uma Noites, Vol. 2 - O Desolado. O segundo filme da trilogia de Miguel Gomes é o nosso candidato aos Oscars na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Se ficar entre os nomeados, faremos História.

AS MIL E UMA NOITES, VOL.2 - O DESOLADO


Ficha Técnica:
Título Original: As Mil e Uma Noites, Volume 2 - O Desolado
Realizador: Miguel Gomes
Actores:  Crista Alfaiate, Chico Chapas, Luísa Cruz, Gonçalo Waddington, Joana de Verona, Teresa Madruga, João Pedro Bénard, Margarida Carpinteiro, Isabel Muñoz Cardoso
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 131 minutos

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sugestão da Semana #183

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o primeiro volume do mais recente filme de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites: O Inquieto.

AS MIL E UMA NOITES, VOLUME 1 - O INQUIETO


Ficha Técnica:
Título Original: As Mil e Uma Noites, Volume 1 - O Inquieto
Realizador: Miguel Gomes
Actores: Miguel Gomes, Carloto Cotta, Adriano Luz , Rogério Samora, Maria Rueff, Luísa Cruz, Crista Alfaiate
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 125 minutos

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Declaração de Amor ao Querido mês de Agosto

Sou amante da Sétima Arte. E porque não tentar explicar o meu amor pelo cinema português pegando num único exemplo recente? O filme chama-se Aquele Querido Mês de Agosto, data de 2008 e é realizado por Miguel Gomes, o mesmo que, quatro anos mais tarde nos trouxe Tabu, o filme que conta uma história de amor em Moçambique, e encantou o mundo. Mas agora o amor é português.

Só tive oportunidade de assistir a Aquele Querido Mês de Agosto depois de ver Tabu. Se um me convenceu, o outro apaixonou-me. O que tem de tão especial prende-se com a cultura de um país – Portugal, claro -, a tradição, a sua gente e, a par de tudo isso, o facto de jogar brilhantemente com os segredos do cinema, balançando entre a ficção e o documentário, desconstruindo, sem medo, o processo de produção de um filme, e, ao envolver-nos, toma-nos como parte dele.


Qualquer português irá sentir como seu Aquele Querido Mês de Agosto. Está lá toda a magia de fazer parte do povo lusitano – pelo menos em Agosto. As festas populares, os bailes onde a música “pimba” não falta, as procissões e a religiosidade, as concentrações motards – mais propriamente a de Góis -, os emigrantes que regressam às suas aldeias natal (e mesmo quem resiste por cá vai sentir as saudades)... A par disto, temos uma história de amor de Verão, mais ou menos proibido, os boatos típicos das terras pequenas, os personagens que partilham parte da vida com os seus actores – a maior parte deles escolhidos de entre as gentes do local. Não vamos esquecer Paulo “Moleiro” e as suas hilariantes aventuras no rio Alva, nem mesmo os ficcionais Tânia e Hélder ou Domingos, o pai da protagonista.

Aquele Querido Mês de Agosto convida-nos a entrar naquele Portugal real, profundo, nas entranhas de ser português, com tudo o que isso tem de mais castiço e de mais caricato. O filme é sincero, por vezes irónico, faz-nos rir às gargalhadas ou mesmo chorar com os desgostos de amor, põe-nos a dançar com o Baile de Verão ou o Meu Querido Mês de Agosto (e faz-nos trautear a letra), dá-nos vontade de visitar aquelas paisagens, conhecer aquelas pessoas – quer os actores, quer as personagens criadas para o efeito.


Por outro lado, não são todos os filmes que nos proporcionam uma entrada nos bastidores cinematográficos, fazendo com que da ficção à realidade a fronteira seja ténue ou quase não exista. Tudo para nos fazer apaixonar e deixar aquelas personagens sair do ecrã, chegarem bem perto do seu público.

Miguel Gomes trouxe-nos aqui um óptimo exemplar de como o cinema português tem tanto para dar e pode surpreender da forma mais divertida, simples e profunda, em simultâneo. E sendo o cinema cultura, Aquele Querido Mês de Agosto faz um óptimo resumo da identidade cultural nacional com tudo e todos os que a constituem, ao mesmo tempo que se revela uma das grandes obras – algo desconhecidas do grande público – do cinema português actual, mas que até passou pelo Festival de Cannes.

E quem é que não espera ansiosamente que o próximo Agosto chegue?

_____

Texto escrito em Setembro de 2014 para a página de facebook do Gerador.

terça-feira, 12 de maio de 2015

As Mil e Uma Noites de Miguel Gomes já tem trailer

O novo filme de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites está prestes a estrear na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes - é já no dia 16 de Maio - e já podemos assistir ao seu trailer. Depois de filmes como Tabu ou Aquele Querido Mês de Agosto, a expectativa é alta em torno deste novo trabalho. As Mil e Uma Noites estará dividido em três volumes: O Inquieto, O Desolado e O Encantado.


A estreia em Portugal está prevista para Setembro. Para já, contentemo-nos com este trailer.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Redemption (2013)

*8.5/10*

Miguel Gomes não tem medo de arriscar, Redemption é mais uma prova disso mesmo. E que melhor secção para esta curta-metragem que não exactamente Riscos, no DocLisboa?

A balançar entre o documental e o imaginário - os textos são fruto da imaginação de Miguel Gomes e Mariana Ricardo -, a curta-metragem apresentada no festival - que em breve estará nas salas de cinema comercial, a acompanhar o filme de Salomé Lamas, Terra de Ninguém - é original, provocadora e surpreendente, mostrando uma vez mais a genialidade do realizador português. A sua estreia aconteceu no último Festival de Cinema de Veneza.

Redemption apresenta-nos quatro histórias passadas em anos e países diferentes. A 21 de Janeiro de 1975, numa aldeia do norte de Portugal, uma criança escreve aos pais que se encontram em Angola, para falar-lhes do estado de Portugal. "Portugal é triste e vai ser sempre assim", conta ela, desiludida. No dia 13 de Julho de 2011, em Milão, um velho homem recorda o seu primeiro amor: Alessandra. Foram muitas as mulheres que teve, mas é dela que sente saudades, interrogando-se sobre o seu paradeiro: "Alessandra, onde estás?".


A 6 de Maio de 2012, em Paris, um homem diz à filha bebé que, seja o que for que ela venha a ser no futuro, ele teme que nunca vá ser um pai de verdade para ela. No dia 3 de Setembro de 1977, em Leipzig, uma noiva luta contra uma ópera de Wagner que não lhe sai da cabeça, temendo que aquele "fascista" lhe arruíne o casamento.

Em Redemption, uma dimensão privada (como refere o próprio realizador) entra em cena com as imagens de arquivo que vão ilustrando cada história, consoante o que cada narrador nos conta - e que assim, entram na esfera pública. Os quatro personagens unem-se pela tristeza e inquietação - e redenção -, pelas questões políticas que lhes estão adjacentes, tão longe, espacial e temporalmente, mas, no fundo, tão perto uns dos outros. Sentimental e mordaz, Miguel Gomes consegue tocar-nos fundo - quer estejamos em Portugal, Itália, França ou Alemanha -, e despertar no público as mais paradoxais emoções.

sábado, 21 de abril de 2012

Crítica: Tabu (2012)

"Sou uma tola, porque a vida das pessoas não é como nos sonhos"
Aurora

Histórias de quem pensa mais em si do que nos outros e de amores e desamores, entre Moçambique e Portugal. Tabu traz tudo isto a preto e branco, filmado em 35 mm e no formato 1:1.37 (ecrã quadrado), é um filme que deve ser visto no cinema. Miguel Gomes quis assim voltar a surpreender tudo e todos depois de Aquele Querido Mês de Agosto, e Tabu já arrecadou o Prémio Alfred Bauer, para a inovação, e o Prémio Especial da Crítica, no último Festival de Berlim, e mais dois no Festival Internacional de Cinema de Las Palmas, o Prémio Lady Harimaguada de Prata e o Prémio do Público.

As histórias de Pilar, Santa, Aurora e Gianluca Ventura tudo contado de forma singular. Pilar vive os seus primeiros anos de reforma a tentar endireitar o mundo e a lidar com as culpas dos outros. Os seus dias dividem-se entre vigílias pela paz e grupos católicos de intervenção social, mas inquieta-se, sobretudo, com a solidão da sua vizinha Aurora, uma octogenária temperamental e excêntrica, que foge para o casino se tiver dinheiro, fala da filha que pouco se importa com ela, ressaca antidepressivos e desconfia que Santa, a sua  empregada cabo-verdiana, dirige contra ela práticas de voodoo. De Santa pouco se sabe, é de poucas palavras, executa ordens e acha que cada um deve meter-se na sua própria vida. É a partir de um misterioso pedido de Aurora, que as outras duas se unem para o tentar cumprir. Quer encontrar-se com um homem, Gianluca Ventura, que até então ninguém sabia que existia. Pilar e Santa descobrem o seu paradeiro, mas informam-nas de que já não está bom da cabeça. Ventura tem um pacto secreto com Aurora e uma história por contar. Uma história passada há cinquenta anos, pouco antes do início da Guerra Colonial portuguesa.


A história de Tabu divide-se em duas partes. A primeira, Paraíso Perdido, passa-se em Lisboa e dá-nos a conhecer a altruísta Pilar, Santa e uma Aurora idosa. O quotidiano das três é-nos apresentado e é aqui que começamos a estabelecer empatia com as personagens, sem nada saber ainda do seu passado. Esse é-nos contado na segunda parte - Paraíso -,onde ficamos a conhecer a juventude de Aurora e de Gianluca e todos os segredos tão bem guardados na parte inicial de Tabu.

As personagens possuem características muito próprias que as tornam únicas no seu universo. Pilar, para além de todos os gestos altruístas que ocupam os seus dias, parece trazer para o filme uma paixão pelo cinema, que frequenta com regularidade. Muito religiosa, preocupa-se com todos, descurando-se a si mesma. Aurora, em idosa, apresenta-se debilitada, com alguns rasgos de excentricidade, por vezes pouco lúcida, mas, apesar de tudo, mantendo uma personalidade forte que já vem da sua juventude, aventureira e corajosa. Gianluca, um playboy enquanto jovem, é, em idoso, o narrador nostálgico de toda a segunda parte de Tabu. E para personagens tão boas, actores à altura. Teresa Madruga entrega-se a Pilar, uma das personagens com quem mais iremos simpatizar e que é fundamental para conhecer toda a história. Aurora em idosa é interpretada pela veterana Laura Soveral, que lhe confere algo de especial e mágico. 50 anos antes, Ana Moreira dá-lhe toda a jovialidade e firmeza características, uma mulher decidida e sem medo de nada. Gianluca Ventura tem também dois interpretes de peso: em idoso Henrique Espírito Santo é quem lhe veste a pele, em jovem é Carlotto Cota quem encarna o aventureiro.


Os diálogos são muito bons, com frases marcantes para a história, e uma narração que diz tudo o que queremos saber, a seu tempo. O argumento, relativamente simples, alia-se de tal forma a aspectos mais técnicos que lhe conferem uma complexidade e beleza a que já não se está habituado no cinema. Para além de ser rodado em 35 mm e a preto e branco, as cenas de Moçambique, presentes em Paraíso, foram filmadas em 16 mm, e deixam-nos ver melhor o grão da película. Mais ainda, nessa segunda parte nunca ouvimos as vozes dos actores jovens, podemos escutar todos os outros sons, como se estivéssemos lá, os pássaros, a água, alguém bater à porta, mas as personagens surgem-nos mudas, sendo a única voz presente a do narrador, Ventura, que nos conta tudo o que aconteceu na sua juventude. Miguel Gomes fez um trabalho de realização excelente, aliado a uma fotografia fantástica e banda sonora que se encaixa da melhor forma em todo o ambiente.

A nostalgia de um amor proibido paira em Tabu, que prima pela beleza visual e originalidade que traz ao cinema. Recupera métodos que parecem estar a ser esquecidos e mostra como, nos dias de hoje, filmes assim também funcionam e muito bem.
*8.5*

domingo, 8 de abril de 2012

Sugestão da Semana #6

Dos filmes estreados na passada Quinta-feira, recomendo o filme português:

TABU

Ficha Técnica:
Título Original: Tabu
Realizador: Miguel Gomes
Argumento: Miguel Gomes e Mariana Ricardo
Elenco: Teresa Madruga, Laura Soveral, Ana Moreira, Carloto Cotta, Isabel Cardoso, Ivo Müller, Manuel Mesquita
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 118 minutos