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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Sugestão da Semana #695

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Justa, de Teresa Villaverde. O filme foca-se em personagens que são sobreviventes dos incêndios florestais de 2017, em Portugal. No elenco, destaque para Betty Faria, Filomena Cautela e Madalena Cunha.

JUSTA


Ficha Técnica:
Título Original: Justa
Realizadora: Teresa Villaverde
Elenco: Betty Faria, Filomena Cautela, Madalena Cunha, Ricardo Vidal, Anabela Moreira, João Pedro Vaz, Alexandre Batista, Luísa CruzRobinson Stévenin
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 108 minutos

domingo, 22 de setembro de 2024

Sugestão da Semana #632

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Grand Tour, de Miguel Gomes, a longa-metragem portuguesa candidata ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

GRAND TOUR


Ficha Técnica:
Título Original: Grand Tour
Realizador: Miguel Gomes
Elenco: Gonçalo Waddington, Crista Alfaiate, Teresa Madruga, Jani Zhao, João Pedro Vaz, Manuela Couto, Lang Khê Tran, Diogo Dória, Cláudio da Silva, Américo Silva
Género: Aventura, Drama
Classificação: M/12
Duração: 128 minutos

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Crítica: Restos do Vento (2022)

"Tu não podes falar disto a ninguém, percebeste? Ninguém."
Paulo


*7/10*

As tradições mais ancestrais servem de mote para uma história de poder e exclusão numa povoação perdida no interior norte de Portugal. Depois de A Herdade, Tiago Guedes regressa com Restos do Vento, um filme mais sombrio e angustiante que o seu antecessor, com quem partilha a particularidade da acção se passar também em épocas distintas - separadas por 25 anos.

Uma comunidade fechada em si e no machismo tóxico das suas tradições, vê-se assombrada por traumas passados, que emergem quando uma tragédia acontece. Todos guardam segredos, qual pacto de silêncio. Ao mesmo tempo, o estranho ou desconhecido também não é bem acolhido entre a população - mesmo que seja fruto dela.


Tiago Guedes - que assina igualmente o argumento juntamente com Tiago Rodrigues - pretende imiscuir-se no centro da violência e perceber como pode ela ter origem nas sociedades envolventes. Esta pequena vila sem nome guarda em si o rastilho que faz despertar o que de pior pode existir no ser humano. Rituais ultrapassados, escondidos dentro de baús, estão mais vivos do que se pensa, num local onde parece não existir lei. E, por muita boa vontade que alguns tenham, as novas gerações cultivam os piores vícios e medos, da mesma forma que os seus pais: com humilhação, violência, machismo e abusos.

Com uma premissa forte e um protagonista cheio de potencial, Restos do Vento não vai ao âmago das outras personagens, tornando-as superficiais e insensíveis, até mesmo pouco realistas. O início em crescendo, onde os rituais machistas, em que rapazes vestidos com fatos e capuz de serapilheira perseguem as jovens da aldeia para as açoitar (os caretos de Podence,  bem mais modernos, podem ser facilmente entendidos como inspiração para esta "tradição" ficcional), cativa as atenções da plateia para a brutalidade do Homem. Todavia, 25 anos passados, e após as festividades da terra, algo acontece que vem perturbar a aparente tranquilidade da povoação. É aí que o filme perde intensidade: há uma enorme quebra na acção, com decisões pouco consistentes, um suspense frágil e muita previsibilidade. 


Num elenco de grandes nomes do cinema português - como Nuno Lopes (Samuel), Isabel Abreu (Judite), Gonçalo Waddington (Vítor) ou João Pedro Vaz (Paulo) - é Albano Jerónimo quem se distingue, num papel muito diferente daqueles que o têm notabilizado. Ele é o protagonista, Laureano, um homem frágil e ingénuo, apesar do aspecto que assusta muitos com quem se cruza, e que vive à margem da comunidade, numa velha casa isolada. Solitário, apenas conta com o apoio de Judite, e com a companhia dos muitos cães errantes, os seus mais fiéis companheiros. Albano Jerónimo encarna Laureano de forma intensa, desde logo na transformação física que o levou a ganhar peso, assume o desleixo da personagem, o seu jeito de andar desengonçado, as expressões inocentes ou amedrontadas. Esta é a única personagem que mexe com a plateia e desperta verdadeira compaixão.


E mesmo com a falta de maior complexidade narrativa, Restos do Vento oferece-nos uma experiência desafiante, que mexe com emoções e faz reflectir sobre a (i)legitimidade da violência. Um filme capaz de provocar uma angústia latente dos dois lados do ecrã.

domingo, 25 de setembro de 2022

Sugestão da Semana #527

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, Restos do Vento, de Tiago Guedes.

RESTOS DO VENTO


Ficha Técnica:
Título Original: Restos do Vento
Realizador: Tiago Guedes
Elenco: Albano Jerónimo, Nuno Lopes, Isabel Abreu, João Pedro Vaz, Gonçalo Waddington, Leonor VasconcelosMaria João PinhoTónan Quito
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 127 minutos

segunda-feira, 19 de março de 2018

Sugestão da Semana #316

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Colo, de Teresa Villaverde. A crítica pode ser lida aqui.



Ficha Técnica:
Título Original: Colo
Realizadora: Teresa Villaverde
Actores: Alice Albergaria Borges, Beatriz BatardaJoão Pedro VazClara Jost, Tomás GomesRicardo Aibéo, Simone de Oliveira, Rita Blanco, Carloto Cotta
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 136 minutos


domingo, 18 de março de 2018

Crítica: Colo (2017)

*8/10*

A adolescência é, mais uma vez, o foco de Teresa Villaverde, que a explora tendo como ambiente a crise económica e os problemas de uma família. Mas tudo extrapola o mais comummente associado a estas temáticas. Não será talvez um filme fácil, mas é profundo, mágico, num bonito retrato da protagonista, Marta. Ela precisa de Colo, sem dúvida.

Em Lisboa, uma mãe trabalha em dois empregos enquanto o seu marido ficou desempregado. Têm uma filha adolescente. Com as dificuldades que se vão acumulando, gradualmente eles afastam-se uns dos outros, e uma tensão cresce em silencio e culpa.


Marta é o motor da narrativa de Colo, cujo drama, quase fantástico, acompanhamos pela câmara atenta de Teresa Villaverde, apaixonada pela adolescência desde o início da sua carreira. Ela espreita pela janela, percorre os corredores, segue personagens nas suas descobertas e aventuras. Adapta-se à personalidade e estado de espírito de cada um e compõe uma espécie de poema visual pouco comum no cinema português. E entre a aura pesada que paira sobre as personagens, ainda vamos conseguir rir com momentos inesperados, quase surreais.

Filha, pais, namorado e amiga. Todos fogem de si e dos problemas. A todos falta a coragem e resiliência de Marta. Ela tem inseguranças, receios, problemas que esconde, mas é, de todos, a que mais vontade tem de continuar a ser ela mesma. E quem esquecerá o seu inseparável pássaro? É com ele que se estabelece um curioso paralelismo. Ele é, de todas as personagens, o mais próximo da protagonista. É o único que precisa dela e o único que a acompanha. E têm muito mais que isso em comum. Ele simboliza o próprio crescimento de Marta e o evoluir do mundo à sua volta. Ele é o conforto e o confidente dela. Menina e pássaro têm uma relação muito sensorial também, compondo dos mais bonitos planos da longa-metragem.


Entre as indecisões e desorientação, chegamos ao topo do prédio de muitos andares onde a família de Marta vive, na parte oriental de Lisboa. Ali, somos colocados no terraço das amarguras, do desespero, onde a vista sobre a Lisboa moderna é estonteante.

A adolescência sonhadora e inocente, a vida adulta arrependida e cobarde. Todas as personagens se movem com ânsia de liberdade e esperança, mas de forma muito diferente. Marta é a heroína da história e Alice Albergaria Borges, a actriz que a interpreta, torna-a terna, decidida e cheia de personalidade.


Percebe-se porque é que a crítica internacional não gostou de Colo: tiveram medo. Medo que lhes aconteça a eles, medo de sentir culpa por terem despedaçado Portugal. Esse medo sobrepôs-se a tudo o resto e não foram capazes de alcançar a beleza e significância da obra de Villaverde. Ela adivinha um rejuvenescimento de coragem e esperança, mas sempre alerta.