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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Globos de Ouro 2023: Red Carpet

Os Globos de Ouro regressaram aos moldes habituais, com desfile na passadeira vermelha. Nesta 80.ª edição dos prémios da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, há mais homens em destaque do que o habitual no top do Hoje Vi(vi) um Filme. Eis os meus favoritos entre os que desfilaram na red carpet na noite passada.


Seth Rogen arriscou - e bem - com um muito elegante fato cor-de-rosa Dior e sapatos pretos.


Stephanie Hsu desfilou com um vestido em tons de preto e branco Giambattista Valli Haute Couture, de decote original e uma elegante saia bordada.

Monica Barbaro levou cor à redcarpet (muito marcada pelos tons escuros) com um vestido Dolce & Gabbana vermelho em tule. O penteado simples e batom a condizer dão o toque final ao look.

O realizador belga Lukas Dhont destacou-se com um look militar, de fato preto e sapatos bordô.


Eddie Redmayne desfilou na passadeira vermelha com um fato preto Valentino, de onde sobressaía uma enorme rosa de seda ao peito.

A jovem actriz Bailey Bass brilhou com um vestido dourado Christian Dior de padrão floral.

Paul Dano desfilou com um fato preto Emporio Armiani, onde se destacava o casaco, com pormenores metalizados, que deram brilho ao conjunto.

Tão clássica como prática, Hannah Einbinder usou um vestido sem alças preto e branco Carolina Herrera, com bolsos na saia. O penteado clássico e as jóias Tiffany & Co. completaram o look.

A actriz Jenna Ortega surgiu deslumbrante num vestido castanho claro da Gucci, cruzado na zona do abdómen e com uma longa saia assimétrica. As jóias são Tiffany & Co.

Li Jun Li escolheu um vestido cai-cai justo Dolce & Gabbana, em tons de branco, prata e brilhantes, com bolsa e jóias a condizer.

Tão simples quanto elegante, Jamie Lee Curtis desfilou com um macacão preto complementado por uma majestosa capa de renda Valentino.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Crítica: Os 7 de Chicago / The Trial of the Chicago 7 (2020)

"That's right, we're not goin' to jail because of what we did, we're goin' to jail because of who we are!"
Abbie Hoffman


*7/10*

Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7), de Aaron Sorkin, estreou sob a chancela da Netflix, e faz-nos mergulhar num dos julgamentos que marcaram a História dos Estados Unidos da América.

O filme acompanha o julgamento de sete homens, após os tumultos ocorridos entre a polícia e os manifestantes contra a guerra do Vietname, em 1968, enquanto decorria a Convenção do Partido Democrata, em Chicago, Illinois.


Num período conturbado e trágico para os EUA (a morte de Martin Luther King e, anos antes, de J.F. Kennedy), a Guerra do Vietname dividia a população e fazia milhares de morto s. Neste contexto, uma manifestação foi inevitável, mas foi, principalmente, a brutalidade policial que levou estes oito (depois sete) homens a tribunal.

Entre vinganças políticas, muita violência e um juiz incapaz de imparcialidade, constrói-se a acção de Os 7 de Chicago. Aaron Sorkin escreve e realiza e é capaz de criar um filme dinâmico e denunciador, com muitos diálogos, bem ao estilo do argumentista, mesmo que, por vezes, o texto em excesso possa prejudicar a atenção do espectador. 


Os flashbacks acompanham as alegações e testemunhos em tribunal, ilustrando os depoimentos com o que na realidade aconteceu. A ficção é intercalada com imagens reais de arquivo do dia da manifestação, numa opção de montagem impactante e incómoda.

Mas Os 7 de Chicago vive principalmente do seu elenco, cheio de nomes sonantes, onde se distinguem um dramático Sacha Baron Cohen, que mantem algum do seu humor intrínseco, aqui contudo um tanto trágico, e Frank Langella na pele do juiz Julius Hoffman, personificação da injustiça e impotência, perante um tribunal parcial e violento, cuja revolta que gera contagia o espectador. Yahya Abdul-Mateen II destaca-se pela presença forte e pelo desempenho físico como o activista Bobby Seale, o oitavo homem acusado, que viu o seu julgamento anulado durante o processo. Competentes e convictos, com interpretações tão fortes como emocionais encontram-se ainda Mark Rylance, Joseph Gordon-Levitt, Eddie Redmayne e Michael Keaton.


Num período tão complexo como o que assistimos actualmente nos EUA, Aaron Sorkin faz-nos olhar para o passado, através de Os 7 de Chicago, e constatar como há ainda tanto a fazer política e socialmente e, afinal, tão pouco mudou desde 1968.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dia Internacional do Beijo: Os melhores beijos de 2015

Como é costume no Hoje Vi(vi) um Filme, celebramos o Dia Internacional do Beijo com os mais inesquecíveis beijos do passado ano cinematográfico. De 2015, aqui estão sete beijos que ficaram na memória do público e que pudemos ver entre Janeiro e Dezembro (nos cinemas portugueses). Os beijos estão ordenados pela data de estreia portuguesa.

Caminhos da Floresta (Into the Woods) - Emily Blunt e Chris Pine



A Teoria de Tudo (The Theory of Everything) -  Felicity Jones e Eddie Redmayne



007 - Spectre (Spectre) - Monica Bellucci e Daniel Craig



007 - Spectre (Spectre) - Léa Seydoux e Daniel Craig



The Hunger Games: A Revolta - Parte 2 (The Hunger Games: Mockingjay - Part 2) - Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson




The Hunger Games: A Revolta - Parte 2 (The Hunger Games: Mockingjay - Part 2) -  Jennifer Lawrence e Liam Hemsworth



A Rapariga Dinamarquesa (The Danish Girl) -  Eddie Redmayne e Ben Whishaw

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Os Actores Principais

Avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Duas interpretações surpreendentes e outra que as segue de perto distanciam-se das restantes. Eis os nomeados, por ordem de preferência.

Se não for desta, não sabemos que mais terá Leonardo DiCaprio que fazer para receber um Oscar. O actor tem um desempenho assombroso como Hugh Glass, de uma exigência física imensa. Sem falas durante grande parte do filme, DiCaprio sabe servir-se do corpo e das expressões faciais para dizer muito mais do que as palavras o permitiriam.

Vencedor do Oscar para Melhor Actor em 2015, Redmayne tenta repetir o feito este ano. E se como Stephen Hawking foi surpreendente, na pele de Lili Elbe não ficou atrás. Os gestos, o olhar, os movimentos e a sensibilidade nas palavras, o sofrimento enclausurado que quer sair para sempre, custe o que custar. O protagonista sofre, experimenta, sabe que tem o corpo errado e, a cada pequena mudança, mais mulher se sente. 

3. Michael Fassbender por Steve Jobs
Se o mundo fosse justo Fassbender já podia ter na prateleira pelo menos um Oscar pelo seu papel em Vergonha (já nem falemos em Fome), mas nem nomeado foi. Este ano contabiliza a sua segunda nomeação (a primeira foi por 12 Anos Escravo) e o seu desempenho é exemplar como Steve Jobs. Ele é duro, arrogante, antipático, mas não chega a igualar as fabulosas interpretações nas primeiras duas longas-metragens de Steve McQueen, e dificilmente conseguiria bater Redmayne ou DiCaprio.

4. Bryan Cranston por Trumbo
Cranston é um excelente actor mas o cinema ainda não lhe ofereceu o papel que lhe dê o Oscar. Em Trumbo, tem um bom desempenho, onde até a postura foi trabalhada, mas não há margem de manobra para uma grande interpretação.

Matt Damon é bom actor, ninguém duvida. Contudo, não foi certamente na pele de Mark Watney, o astronauta botânico que fica esquecido em Marte, que o actor se conseguiu superar. Damon tem um desempenho descontraído, com algum humor, no meio da tragédia em que a sua personagem se encontra. É, acima de tudo, divertido vê-lo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Crítica: A Rapariga Dinamarquesa / The Danish Girl (2015)

*5.5/10*

A Rapariga Dinamarquesa traz novamente para a ribalta o oscarizado Eddie Redmayne, que brilha, acompanhado por Alicia Vikander, um talento em ascensão. Tom Hooper não se esforça muito na realização e, no final, sentimos que, sem os actores nem valeria a pena assistir ao filme.


A história de amor verídica do artista dinamarquês Einar Wegener (Redmayne) e da sua esposa, a pintora Gerda Gottlieb (Alicia Vikander), numa viagem pioneira para se tornar uma mulher, nos anos 20 do século XX. Wegener viajou para a Alemanha em 1930 para se submeter a uma cirurgia em fase experimental.

Trazer para o cinema a história daquela que se pensa ser a primeira operação de mudança de sexo de sempre é, logo à partida, muito desafiante, mais ainda quando se sabe que é Redmayne que assume as rédeas da personagem transgénero.


Na primeira metade do filme há fluidez no desenrolar da personalidade de Einar, na construção da sua identidade como Lili e na relação com Gerda, mas este ritmo inicial cativante perde-se e toda a narrativa se torna atabalhoada, fugindo à veracidade do caso que relata. Mesmo tratando-se de ficção, há pressa em concluir o filme, alguns clichés tornam-se inevitáveis, bem como a previsibilidade da acção.

Ora, em contraste com o fraco trabalho de realização e de argumento estão as interpretações. Redmayne e Vikander entregam-se aos personagens sem medo nem pudor, com uma intimidade comovente. Os gestos, o olhar, os movimentos e a sensibilidade nas palavras, o sofrimento enclausurado que quer sair para sempre, custe o que custar. Enquanto Einar ou Lili, o protagonista sofre, experimenta, sabe que tem o corpo errado e, a cada pequena mudança, mais mulher se sente. Por seu lado, Gerda, companheira de todos os momentos, efectivamente a responsável pela tomada de consciência da sexualidade do marido, sofre com ele e por ele. Vê-se obrigada a abdicar do amor da sua vida pela felicidade dele - haverá maior prova de amor?


A história de Gerda e Lili merecia muito mais, mas apenas os actores deram tudo de si. O realizador deixou-se levar por eles e pouco ou nada mais fez, para além de observar e filmar sem grande empenho as suas interpretações arrebatadoras.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Principais

Chega o momento de olhar e avaliar os nomeados para Melhor Actor. E mais uma vez, tenho a mesma sensação que com as actrizes: três grandes interpretações e duas muito menores.



Tive alguma renitência em aceitar que esta foi realmente a minha interpretação favorita dos nomeados para Melhor Actor, mas temos de ser justos: Eddie Redmayne sofreu e surpreendeu-me muito. Ao encarnar Stephen Hawking, o jovem actor entrega-se a uma performance extremamente física, que exigiu de si um treino esforçado. Perdeu peso, alterou a postura, e o resultado é surpreendente, mesmo nas parecenças com o original.



Entre os melhores - e praticamente colado ao meu favoritismo por Redmayne - está Keaton e o seu desequilibrado actor em decadência, Riggan Thomson, que sonha com altos voos. O actor tem uma interpretação muito acima da média e surpreende na pele deste protagonista com quem tem, inevitavelmente, algumas semelhanças. Ambos famosos por interpretar um super-herói, Michael Keaton distingue-se de Riggan por ter neste filme o papel que o traz de volta ao reconhecimento público, só lhe falta mesmo o Oscar!

3. Steve Carell por Foxcatcher


Mais um dos meus favoritos: o mauzão do lado dos nomeados para Melhor Actor (numa espécie de paralelismo com o lugar que a personagem de Rosamund Pike ocupa na mesma categoria feminina). Steve Carell dá uma lição de representação a todos os que apenas o viam como um cómico: transfigurado - onde até a voz não parece a mesma -, o actor encarna John du Pont com uma postura fria, frágil e, ao mesmo tempo, pouco confiável. Vamos ter pena dele mas igualmente receá-lo, no meio dos seus desequilíbrios e atitudes estranhas. Carell sai, contudo, em desvantagem nesta corrida para Melhor Actor, dado o carácter mais secundário da sua personagem - apesar de ser fulcral para o desenvolvimento da narrativa de Foxcatcher.

4. Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)


Cumberbatch é competente em todos os papéis que encarna, contudo, como Alan Turing sente-se que poderia fazer melhor. O actor confere-lhe a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, dotando-o de uma personalidade forte e de um génio muito característico, mas também de uma sobriedade em demasia que faz Cumberbatch brilhar menos do que provavelmente seria capaz.

5. Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper)



Eis o nomeado mais fraco. Bradley Cooper tem uma prestação aceitável como Chris Kyle, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Está, no entanto, formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Crítica: A Teoria de Tudo / The Theory of Everything (2014)

"I have a slight problem with the celestial dictatorship premise."
Stephen Hawking

*7/10*

"Conto de fadas" é uma boa expressão para caracterizar A Teoria de Tudo que, apesar do seu tom positivo e romântico, não deixa de se revelar melhor do que o esperado, assentando especialmente nas surpreendentes interpretações do seu elenco. Tudo é muito cor-de-rosa, construído para ser bonito ou para emocionar, mas, no fim de contas, A Teoria de Tudo acaba por ser um interessante e intimo retrato de um casamento que durou o tempo que tinha de durar.

A Teoria de Tudo debruça-se sobre a relação entre o famoso físico Stephen Hawking e a sua mulher Jane, desde o tempo da Universidade, quando o diagnosticaram com esclerose lateral amiotrófica.

Anthony McCarten adaptou o livro de Jane Hawking, e falha ligeiramente por não se dedicar um pouco mais a Stephen e às suas descobertas, mas sim, quase exclusivamente, ao seu casamento. O tom é demasiado romântico, construído para apelar às lágrimas da plateia, mas com uma aura positiva que torna tudo menos emocionante do que se tivesse um pouco mais da crueza da realidade. No centro de A Teoria de Tudo está, exactamente, um casamento e a forma como o casal lidou com o desenvolvimento da doença de Stephen. O Tempo tem aqui também uma importância simbólica curiosa, menos pelas teorias do físico que apenas conhecemos brevemente, mas pela forma como os dois anos de esperança de vida que lhe deram se traduziram em muitos mais e em muitos feitos, pessoais e profissionais.


No final, conhecemos melhor a mulher do que o homem - talvez porque tudo tenha sido inspirado nas suas memórias -, e, se a realidade for tão semelhante à ficção, aqui temos uma grande mulher. Tão grande como ela é a interpretação de Felicity Jones, que se entrega de alma e coração à personagem, que parece ter estudado bem, numa especial atenção a gestos e palavras. O esforço dá frutos e, como JaneFelicity sofre e sacrifica-se como poucas.

Ao seu lado está Eddie Redmayne como Stephen, numa interpretação extremamente física, que exigiu do actor um treino esforçado. Perdeu peso, alterou a postura, e o resultado é surpreendente, mesmo nas parecenças com o original. Apesar de muito competente, talvez Redmayne tenha colocado o desempenho físico ligeiramente à frente do psicológico e seria interessante ter sentido um pouco mais de entrega nesse aspecto.


Tecnicamente, tudo parece estar desenhado de acordo com a história, com James Marsh a fazer um trabalho competente mas muito muito "encantado" - o encanto vai passando com o deteriorar do estado de saúde de Stephen - na realização, e com a banda sonora, de Jóhann Jóhannsson a destacar-se como o ponto mais forte.

A Teoria de Tudo é, fundamentalmente, um filme de grandes interpretações, onde viajamos no tempo e acompanhamos a intimidade de um casal e a sua luta para lidar com a doença, que chegou cedo demais.