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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Crítica: Maestro (2023)

"If the summer doesn't sing in you, then nothing sings in you. And if nothing sings in you, then you can't make music."
Felicia


*9/10*

Maestro é um filme grandioso, a todos os níveis, revelando um Bradley Cooper maduro, que respira verdadeiramente cinema, dos dois lados da câmara. Um retrato comovente, empolgante e sem preconceitos de Leonard Bernstein e da sua companheira de vida, a actriz Felicia Montealegre Cohn Bernstein.

"Da sua paixão pela música até à fama como o primeiro maestro americano de renome mundial, seguindo sempre a sua ambição de compor tanto obras sinfónicas como populares musicais da Broadway", o filme acompanha as várias fases da vida de Bernstein e a sua relação com os que o rodeavam, em especial com a esposa Felicia.


Se dúvidas houvesse, depois de Assim Nasce uma Estrela (2018), Maestro fá-las dissipar e é a prova da emancipação de Bradley Cooper enquanto actor e realizador. O filme resulta de seis anos de preparação, tanto para interpretar Leonard Bernstein, como a pensar o filme, plano a plano. Este empenho e coragem sentem-se a cada cena, a cada linha de diálogo.

Com um início que deambula entre a realidade e os sonhos, onde a montagem sugere a magia da imaginação e as ambições que se concretizam mais depressa do que se espera, é aqui que as vidas de Lenny e Felicia se encontram e unem (apesar das relações extraconjugais pouco discretas que Bernstein teve ao longo do tempo). A vida avança e as carreiras dos dois seguem o seu caminho, sendo que Felicia adia os seus objectivos para ficar na sombra do marido, a apoiá-lo e incentivá-lo, chamá-lo à realidade quando o sucesso o tenta com excessos e vícios. Descurando a família, o maestro vive tudo tão intensamente que perde, por vezes, a razão de ser da sua obra. Até que Felicia regressa no momento certo, ela também novamente em ascensão, e o casal se reencontra na doença e no conforto e, desta vez, é ele quem passa a viver para ela.


E se Carey Mulligan está irrepreensível como Felicia Montealegre, artista que estudou afincadamente e que nem o característico sotaque descurou; Bradley Cooper desaparece enquanto Leonard Bernstein - e não é só graças à fantástica caracterização e próteses que usou, para interpretar o maestro em diversas fases da vida. Cooper alterou a voz, aprendeu a conduzir orquestras e a movimentar-se com o mesmo entusiasmo em palco que Bernstein, apreendeu gestos e expressões e o resultado é arrepiante.

Também de destacar, é a gloriosa direcção de fotografia que tira o melhor proveito da película (35mm, a preto e branco e a cores e com diferentes formatos, consoante a época dos acontecimentos), e esconde em si pequenos detalhes que ajudam a construir a personalidade das personagens. Ao mesmo tempo, é capaz de planos avassaladores, como é o caso do concerto na Ely Cathedral - momento de tirar o fôlego - em que é o próprio Bradley Cooper quem conduz a London Symphony Orchestra, numa cena que foi gravada ao vivo.


Maestro tem o dom de causar os sentimentos mais fortes e antagónicos na plateia, indo do delírio do sucesso à mais profunda tristeza. E, mais do que uma marcante experiência cinematográfica, o filme de Bradley Cooper é um retrato realista e comovente da relação entre dois artistas - tão diferentes, mas que se complementaram de forma tão humana. 

domingo, 10 de dezembro de 2023

Sugestão da Semana #591

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Maestro, realizado e protagonizado por Bradley Cooper. Uma experiência que vale mesmo a pena não perder em cinema, antes de estrear na Netflix.

MAESTRO

Ficha Técnica:
Título Original: Maestro
Realizador: Bradley Cooper
Elenco: Bradley Cooper, Carey Mulligan, Maya Hawke, Sarah Silverman, Sam Nivola, Matt Bomer, Michael Urie
Género: Biografia, Drama, Música
Classificação: M/14
Duração: 129 minutos

quarta-feira, 23 de março de 2022

Crítica: Licorice Pizza (2021)

"You have a warm smile, which is very powerful. And... you have a very Jewish nose."
Mary Grady


*7.5/10*

Licorice Pizza é uma viagem jovial e vibrante aos anos 70. Paul Thomas Anderson parte de vivências suas e do contexto da época e cria um filme que, conduzido pelas hormonas da adolescência e dos primeiros amores, percorre as mais inesperadas aventuras entre o universo cinematográfico, dos negócios e da política.

Eis "a história de Alana Kane e Gary Valentine, que crescem e se apaixonam enquanto deambulam pelo vale de San Fernando em 1973."

O deslumbramento pelo mundo do cinema e da televisão a que estão expostos os jovens actores ou figurantes - quer nos anos 70, quer na actualidade - leva as vidas de Alana e Gary a cruzarem-se, apesar da diferença de idades. Depressa se desenvolve uma amizade - onde o interesse romântico nunca deixa de pairar -, e novas perspectivas de carreira para os dois, que se tornam aliados e sócios.


Se, por um lado, Alana consegue que se abram algumas portas no mundo do cinema, por outro, continua a alinhar nas extravagantes ideias de negócio do amigo adolescente. E se vê Gary em constante reinvenção, constata também a sua estagnação enquanto jovem adulta. O seu olhar vagueia entre a estranha relação (quase) amorosa com Gary; os diferentes pontos que os separam; e a expectativa de uma vida adulta estável e na defesa do que realmente importa.

Pequenos pormenores traçam a actualidade política que se vive no momento da acção de Licorice Pizza - desde anúncios ou notícias em jornais ou na televisão - ; personagens ficcionais recordam figuras e problemáticas relevantes da época; e as aventuras mais imprevisíveis transportam a plateia para a verdadeira magia do cinema, hiperbolizando as loucuras da adolescência. Nesta aparente amálgama temática, os dois protagonistas crescem, partilham as mais inusitadas experiências e constroem laços no meio do caos.


Na recriação da época, a direcção artística e o guarda-roupa são exímios, não deixando faltar os padrões característicos da moda, nem cada pequeno (ou grande) objecto que remete para os anos 70. Também visualmente, Paul Thomas Anderson não desilude, com uma direcção de fotografia sempre fabulosa, quer nas cenas diurnas como nocturnas, tirando o melhor partido da sua tão amada película. 

No elenco, os estreantes Alana Haim e Cooper Hoffman formam um dos pares mais adoráveis do cinema recente, e partilham uma aura tão provocadora, como inocente e especialmente divertida. Com uma breve mas icónica participação, Bradley Cooper surge excêntrico e imprevisível na pele de Jon Peters.


Licorice Pizza é um regresso à adolescência de Paul Thomas Anderson, onde despertam paixões, procura-se o verdadeiro sentido da vida, ao mesmo tempo que não se quer crescer. Uma obra que transborda luz e cor, desencantos e alegrias, com a originalidade que caracteriza o realizador.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Crítica: Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas (2021)

"Find out what they're afraid of and sell it back to them."

Dr. Lilith Ritter

*6.5/10*

Em Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas, Guillermo del Toro segue as temáticas obscuras e místicas e adapta o romance de William Lindsay Gresham (que já tem precedente no cinema, no filme de 1947, protagonizado por Tyrone Power). As aberrações circenses que atraíam multidões, os mentalistas e os traumas do passado assombram as personagens e a narrativa, bem ao gosto de del Toro.

Após se juntar a um circo itinerante, o ambicioso Stanton Carlisle (Bradley Cooper) torna-se próximo da vidente Zeena (Toni Collette) e do seu marido mentalista Pete (David Strathairn). Com o conhecimento que os dois lhe transmitem, Stan encontra a chave para o sucesso, ludibriando a elite rica da sociedade de Nova Iorque dos anos 1940. Com Molly (Rooney Mara) lealmente ao seu lado, Stanton planeia enganar um perigoso magnata (Richard Jenkins) com a ajuda de uma psiquiatra misteriosa (Cate Blanchett) que pode passar rapidamente de aliada a adversária.

Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas não faz ressurgir um Guillermo del Toro primordial; longe da sua criatividade, o realizador tira o melhor partido de uma história que o intriga e explora os pontos que mais o inspiram: as macabras atracções circenses, o passado e a personalidade dúbia de Stanton, a psiquiatra femme fatal e todo o misticismo em torno da vida de enganos do protagonista. Explora as crenças e a questão metafísica, os traumas que assombram Stan, em sonhos e na realidade, bem como a sedução do dinheiro e dos vícios.

O que distingue verdadeiramente o filme de del Toro prende-se com todo o trabalho de direcção artística, direcção de fotografia e guarda-roupa (do luso-canadiano Luís Sequeira), com pormenores que a câmara capta com intenção bem definida, e numa fabulosa recriação da época, em que cada objecto (alguns bastante inesperados) tem a sua função no lugar em que se encontra.

No papel principal, Bradley Cooper assume um compromisso fiel com a sua personagem, numa entrega tão física como emocional. Um homem traumatizado e transtornado, que varia entre a ingenuidade e a ganância, a compaixão e a crueldade. 

Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas proporciona uma viagem pelo mundo das feiras itinerantes dos anos 40 e suas atracções, mas igualmente pela mente humana perturbada, doente e desesperada por perdão.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Sugestão da Semana #488

Das estreias da passada Quinta-feira, a primeira Sugestão da Semana de 2022 destaca Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson.

LICORICE PIZZA


Ficha Técnica:
Título Original: Licorice Pizza
Realizador: Paul Thomas Anderson
Elenco: Alana Haim, Cooper Hoffman, Joseph Cross, Bradley Cooper, Sean Penn, Benny Safdie, Tom WaitsMaya Rudolph
Género: Comédia, Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 133 minutos

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Crítica: Correio de Droga / The Mule (2018)

"You're right. I thought it was more important to be somebody out there than the damn failure I was here at my own home."
Earl Stone



*7.5/10*

Clint Eastwood regressou cheio de força a protagonizar um filme realizado por si. Correio de Droga surge como uma purga, após alguns filmes apenas medianos nos últimos anos. Aos 88 anos, Eastwood dá-nos uma lição de cinema. E que bom que é ver a jovialidade deste histórico da Sétima Arte.

Correio de Droga é símbolo de redenção, quer na própria temática do filme, quer no significado da longa-metragem na filmografia do realizador. Também como actor, surge aqui um renascimento: Eastwood não interpretava uma personagem desde 2012.

Earl Stone (Clint Eastwood) é homem de 90 anos que se encontra falido e sozinho. Na sequência do processo de falência da sua empresa, propõem-lhe um trabalho que lhe exige simplesmente que conduza. Parece uma tarefa fácil, mas sem que se aperceba, Earl vê-se contratado por um cartel de droga mexicano. No entanto, este não é o único a vigiar Earl: o misterioso novo correio atraiu as atenções de Colin Bates (Bradley Cooper), um agente da DEA. E embora Earl deixe de ter problemas de dinheiro, os erros do passado começam a pesar-lhe e é duvidoso que ele tenha tempo de corrigir o mal que fez antes que as autoridades ou os agentes fiscalizadores do cartel lhe deitem a mão.


Um horticultor, veterano da guerra da Coreia, que sempre viveu para o trabalho, negligenciando a família vê-se, com o passar dos anos e o avançar da tecnologia (que afinal ainda lhe poderá ser muito útil...), falido. Ao tentar regressar para a família, não é bem recebido, com a culpa que se foi acumulando ao longos dos anos a pesar-lhe agora ainda mais nos ombros.

De repente, vê-se a trabalhar como correio de droga para um perigoso cartel. Os homens com quem tem de lidar são ameaçadores mas Earl depressa os conquista. Aos 90 anos, Earl tem a atitude de um jovem aventureiro e sem receios e só quando a morte parece rondá-lo é que há uma tomada de consciência fulcral para o seu destino e para a sua redenção. É que nem a polícia é capaz de pará-lo.

O patriotismo que normalmente caracteriza Eastwood cai um pouco por terra em Correio de Droga e a crítica politico-social, ainda que subtil, não está ausente. E, no meio do drama e da tensão crescente, conseguimos desfrutar de bons momentos de humor.


O arrependimento acaba por ser o motor que conduz todo o enredo de Correio de Droga, quase sempre inesperado e inacreditável. Ironicamente, o filme tem por base uma história verídica que o argumentista Nick Schenk, adaptou a partir de um artigo do The New York Times intitulado The Sinaloa Cartel's 90-Year-Old Drug Mule, escrito por Sam Dolnick. Os anos passam, mas Clint Eastwood continua a ser excelente a fazer-nos gostar das suas personagens moralmente repreensíveis - especialmente quando é ele que lhes veste a pele.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Os Actores Principais

Olhemos agora para os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Ethan Hawke é o nomeado ausente - o melhor desempenho masculino do ano passado, totalmente ignorado pela Academia. Entre os cinco candidatos, há dois nomes fortes, mas todos os desempenhos estão a níveis bastante semelhantes. Vou abster-me quanto a Willem Dafoe pois ainda não assisti ao seu filme. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:



Bradley Cooper mostra que sabe cantar... e não só. Cooper é, sem dúvida, a grande Estrela do título do seu filme. Afinal, ali há talento, e muito. Nunca imaginei vê-lo num papel com a entrega e emoção que coloca em Jackson Maine. O actor (agora sim, podemos chamá-lo actor) transmite-nos o desespero e desencanto, o vazio que sente, a mágoa e tristeza. Ele sofre e faz-nos ter piedade da sua personagem, esquecendo, por vezes, que Lady Gaga também está no ecrã. Cria-se uma empatia imensa com Cooper que parece ter esperado muitos anos por uma personagem com esta força e carácter. É arrepiante vê-lo. E por muitas graças que se possam fazer acerca da sua personagem em A Ressaca, nada se compara a este alcoólico doente e sem forças, nem esperança.



Já estamos habituados às inúmeras transformações de Christian Bale de personagem para personagem, mas nunca estamos verdadeiramente preparados para a próxima. Em Vice, surge mais uma vez camaleónico e assustadoramente semelhante a Cheney em expressões, gestos e até na voz e forma de falar. Um fabuloso desempenho.



Rami Malek é quem conduz Bohemian Rhapsody e o faz valer a pena. Uma interpretação quase idêntica ao verdadeiro Freddie, o que vai para além da caracterização ou parecenças físicas. Malek estudou minuciosamente os gestos, os movimentos, a forma de andar de Freddie Mercury... Uma interpretação convincente e cheia de dedicação.



Viggo Mortensen forma uma dupla-maravilha como Mahershala Ali, na pele de um italo-americano gabarola e um tanto grosseiro. Viggo engordou para fazer esta personagem, e a comida italiana parece ter sido a dieta ideal. O actor é tão boçal como sincero, numa pureza conspurcada mas ainda com alguma doçura ou inocência. Dos modos racistas iniciais, Tony vai aprendendo muito com Don - e igualmente ensinando -, e entre as diferenças surgem muitos pontos comuns. Tão diferentes e tão complementares.

Willem Dafoe (At Eternity's Gate)
 

Sem avaliação

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Sugestão da Semana #362

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme realizado e protagonizado por Clint Eastwood, Correio de Droga.

CORREIO DE DROGA


Ficha Técnica:
Título Original: The Mule
Realizador: Clint Eastwood
Actores: Clint Eastwood, Bradley Cooper, Manny Montana, Taissa Farmiga, Andy Garcia, Laurence Fishburne, Dianne Wiest, Michael Peña
Género: Crime, Drama, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 116 minutos

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Crítica: Assim Nasce uma Estrela / A Star is Born (2018)

"Maybe its time to let the old ways die."
Jackson Maine


*7/10*

Eis o remake dos tempos modernos de um filme que já teve várias leituras ao longo da História do Cinema. Assim Nasce Uma Estrela chegou em 2018 numa versão realizada por Bradley Cooper, na sua estreia atrás das câmaras.

A nova visão do clássico não traz nada de muito novo, mas é um filme agradável, competente, onde as interpretações surpreendem. Muita música e um bom trabalho de som, ao mesmo tempo que os planos acompanham as emoções que se vivem em palco e fora dele.


Jackson Maine (Bradley Cooper) é um músico country consagrado, que descobre – e se apaixona – por Ally (Lady Gaga), empregada de mesa e cantora nas horas vagas. Ally tinha desistido de realizar o sonho de ser cantora até que Jack a ajuda a chegar aos grandes palcos e ao estrelato. Mas enquanto a carreira de Ally descola, o lado pessoal da relação de ambos começa a deteriorar-se, ao mesmo tempo que Jack luta contra os seus próprios fantasmas.

Assim Nasce Uma Estrela constrói-se em crescendo, tal como a relação dos protagonistas e atinge o seu máximo perto da metade, com Ally a brilhar. Depois, tal como Maine, a longa-metragem perde um pouco o fôlego.

A miúda simples torna-se uma estrela - qual Lady Gaga como Lady Gaga -, e o homem famoso sucumbe aos vícios e a mágoas do passado, tornando-se um artista decadente. A história é bem contada e filmada, com o par protagonista a contribuir em muito para isso. Parte do trabalho resulta por eles. 

Os temas são bem interpretados com Lady Gaga a dar um verdadeiro show como Ally - confesso que gosto mais da sua inicial versão country, mais genuína. Bradley Cooper, por seu lado, mostra que sabe cantar... e não só. Cooper é, sem dúvida, a grande Estrela do título.Afinal, ali há talento, e muito.


Nunca imaginei vê-lo num papel com a entrega e emoção que coloca em Jackson Maine. O actor (agora sim, podemos chamá-lo actor) transmite-nos o desespero e desencanto, o vazio que sente, a mágoa e tristeza. Ele sofre e faz-nos ter piedade da sua personagem, esquecendo, por vezes, que Lady Gaga também está no ecrã. Cria-se uma empatia imensa com Cooper que parece ter esperado muitos anos por uma personagem com esta força e carácter. É arrepiante vê-lo. E por muitas graças que se possam fazer acerca da sua personagem em A Ressaca, nada se compara a este alcoólico doente e sem forças, nem esperança.

Assim Nasce Uma Estrela é, ao contrário do que muitos dizem, Bradley Cooper. Surpreendente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Sugestão da Semana #346

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Assim Nasce Uma Estrela, estreia de Bradley Cooper na realização. Este remake de remake tem tudo para ser muito bom ou muito mau. A crítica internacional tem, no entanto, sido bastante simpática com a longa-metragem protagonizada pelo próprio Cooper e Lady Gaga. Nada como ver para crer.

ASSIM NASCE UMA ESTRELA


Ficha Técnica:
Título Original: A Star Is Born
Realizador: Bradley Cooper
Actores: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott, Alec Baldwin
Género: Drama, Música, Romance
Classificação: M/14
Duração: 136 minutos

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Crítica: Joy (2015)

"I pick up the gun."
Joy
*5/10*

Uma mulher emancipada não precisa de tantas desgraças na sua vida para mostrar que é forte. David O. Russell preferiu, ainda assim, fazer de Joy, antes de mais, uma "dona de casa desesperada" cheia de ideias desfeitas pela família. Mas Jennifer Lawrence prova que está muito acima de estereótipos e salva - pelo menos uma boa parte - a longa-metragem que lhe poderia dar o segundo Oscar - e, desta vez, totalmente merecido.

Joy conta a história de uma família através de quatro gerações centradas numa jovem que se torna mulher e fundadora de uma dinastia de negócios por mérito próprio - ela é Joy Mangano, a inventora da "esfregona mágica". Aliados tornam-se inimigos e inimigos tornam-se aliados, dentro e fora da família, enquanto a vida íntima de Joy (Jennifer Lawrence) e a sua imaginação a conduzem no meio da tempestade que enfrenta.


Pegando na história de uma mulher real, O. Russell quer dominar o filme, enchendo-o dos seus tiques e manias. Após uma hora muito medíocre, Lawrence rouba-lhe, subtilmente, o protagonismo e consegue cativar, finalmente, a plateia. Enche Joy de credibilidade e determinação, de emoções reais, sofrimento, desilusões, desamparo. O drama (e à séria, de preferência) é feito para Lawrence - e vice-versa - ou, afinal, não foi o duríssimo Despojos de Inverno que a catapultou para a fama com a sua primeira nomeação para os Oscars?

Joy é de Jennifer Lawrence, é do seu esforço e entrega, das suas lágrimas. Corajosa por confiar tanto a sua sorte às mãos de David O. Russell, a actriz soube dar a volta por cima, mesmo merecendo uma personagem muito mais forte e bem construída do que esta Joy a quem ninguém dá apoio ou valor, esta mulher que é mãe, filha, ex-mulher, empregada, amiga, canalizadora, empreendedora.  A mulher-prodígio que dá tudo pelos outros, nada recebe em troca e pouco faz por si. A avó é o seu único - e muito tímido - apoio, a mãe é dependente da cama e das novelas, o pai é um garanhão que vive à custa de viúvas ricas, a meia-irmã invejosa, o ex-marido que vive na cave... que mais lhe faltará?


Para além de Lawrence, também Bradley Cooper salva o filme, numa personagem secundária mas fundamental para a mudança da protagonista e do próprio ritmo da longa-metragem. O actor tem finalmente uma interpretação comedida e muito competente. E é sempre bom rever Robert De Niro, Isabella Rossellini ou Diane Ladd, ainda que não acrescentem nada ao todo.

O realizador, todavia, continua sem assumir um estilo próprio. Começa num frenesim de acontecimentos e personagens que atordoa e deixa o público exausto. Só após a metade do filme, acalma e consegue alguns planos inspirados, que dão algum brilho à protagonista. A montagem é mais um ponto negativo de Joy com passado e presente a embrenharem-se de forma confusa e atribulada e onde não faltam erros de continuidade algo evidentes. De positivo, há que destacar o trabalho da direcção artística, guarda-roupa e caracterização que nos transportam para a época dos acontecimentos, em inícios dos anos 90 - e para o sucesso das televendas.


Se é verdade que David O. Russell tem levado Lawrence aos prémios, também é verdade que tem de tomar consciência de que a jovem que tanto confia em si é muito mais que uma vedeta. A Actriz - dramática ou não - existe nela e tem de ser explorada com personagens fortes e reais. Lawrence serve para muito mais do que embelezar os ecrãs de cinema - Joy vem prová-lo uma vez mais.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Principais

Chega o momento de olhar e avaliar os nomeados para Melhor Actor. E mais uma vez, tenho a mesma sensação que com as actrizes: três grandes interpretações e duas muito menores.



Tive alguma renitência em aceitar que esta foi realmente a minha interpretação favorita dos nomeados para Melhor Actor, mas temos de ser justos: Eddie Redmayne sofreu e surpreendeu-me muito. Ao encarnar Stephen Hawking, o jovem actor entrega-se a uma performance extremamente física, que exigiu de si um treino esforçado. Perdeu peso, alterou a postura, e o resultado é surpreendente, mesmo nas parecenças com o original.



Entre os melhores - e praticamente colado ao meu favoritismo por Redmayne - está Keaton e o seu desequilibrado actor em decadência, Riggan Thomson, que sonha com altos voos. O actor tem uma interpretação muito acima da média e surpreende na pele deste protagonista com quem tem, inevitavelmente, algumas semelhanças. Ambos famosos por interpretar um super-herói, Michael Keaton distingue-se de Riggan por ter neste filme o papel que o traz de volta ao reconhecimento público, só lhe falta mesmo o Oscar!

3. Steve Carell por Foxcatcher


Mais um dos meus favoritos: o mauzão do lado dos nomeados para Melhor Actor (numa espécie de paralelismo com o lugar que a personagem de Rosamund Pike ocupa na mesma categoria feminina). Steve Carell dá uma lição de representação a todos os que apenas o viam como um cómico: transfigurado - onde até a voz não parece a mesma -, o actor encarna John du Pont com uma postura fria, frágil e, ao mesmo tempo, pouco confiável. Vamos ter pena dele mas igualmente receá-lo, no meio dos seus desequilíbrios e atitudes estranhas. Carell sai, contudo, em desvantagem nesta corrida para Melhor Actor, dado o carácter mais secundário da sua personagem - apesar de ser fulcral para o desenvolvimento da narrativa de Foxcatcher.

4. Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)


Cumberbatch é competente em todos os papéis que encarna, contudo, como Alan Turing sente-se que poderia fazer melhor. O actor confere-lhe a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, dotando-o de uma personalidade forte e de um génio muito característico, mas também de uma sobriedade em demasia que faz Cumberbatch brilhar menos do que provavelmente seria capaz.

5. Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper)



Eis o nomeado mais fraco. Bradley Cooper tem uma prestação aceitável como Chris Kyle, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Está, no entanto, formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica: Sniper Americano / American Sniper (2014)

"I'm willing to meet my creator and answer for every shot that I took..." 
Chris Kyle
*5/10*

Um elogio a um herói de guerra para os norte-americanos, talvez pouco heroicizado pelo resto do mundo, chega-nos em Sniper Americano. Clint Eastwood realizou mais um filme de guerra, com semelhanças a outras longas-metragens recentes, onde o palco é o médio oriente e o lado americano sai sempre valorizado. Menos patriotismo e maior isenção poderia jogar a favor desde filme sobre o sniper americano mais mortífero de sempre.

Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus colegas de armas. As histórias da sua precisão depressa se espalham e ele passa a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes.

O dilema moral, simplesmente, não existe (apesar do trailer nos querer enganar nesse sentido) em Sniper Americano. Esse é um dos principais grandes problemas do filme de Eastwood: a exagerada identificação com o lado americano, sem deixar espaço à reflexão. O argumento toca levemente nos traumas de guerra, no afastamento da família, mas o certo é que não vemos no ecrã muito mais do que um homem responsável por mais de 160 mortes ser elevado a herói e sem reflexo de qualquer tipo de sentimento de culpa - e é difícil, mesmo cinematograficamente, admirar um filme assim.


Bradley Cooper tem uma prestação aceitável, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Contudo, está formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

A realização filma interessantes sequências de guerra, mas nada muito diferente do que já vimos em outros filmes recentes. O nome de Clint Eastwood prometia muito mais e Sniper Americano revela-se uma desilusão, sem nada de novo, que nem espaço para a reflexão quer deixar.

sábado, 1 de março de 2014

Oscars 2014: Os Actores Secundários

O dia 2 de Março aproxima-se a passos largos e chovem opiniões e previsões sobre nomeados e possíveis vencedores dos Oscars 2014. Como de costume, farei uma breve análise dos nomeados das principais categorias, ordenando-os por ordem de preferência. Comecemos pelos actores secundários.

1. Jared Leto em O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club)
Jared Leto passa anos sem fazer cinema, mas quando o faz prova que devia apenas e só dedicar-se à Sétima Arte. Pode ser que o Oscar o faça reconsiderar. Para esta personagem, o actor perdeu cerca de 14 kg. Sem preconceitos, o actor entregou-se a uma personagem polémica, um transexual com SIDA e toxicodependente. Ele é Rayon, o maior aliado do protagonista de O Clube de Dallas na luta pela vida. Leto oferece-nos uma interpretação delicada, mas fenomenal, numa batalha contra a sociedade, a doença, o vicio e a rejeição da família.

2. Michael Fassbender em 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Ainda não deve ser desta que Fassbender leva o Oscar para casa. Colocando-o ao lado de Leto, quase não consigo dizer qual o mais fabuloso na sua personagem. Como Epps, Fassbender é louco, implacável, completamente desequilibrado, mas ao mesmo tempo frágil na sua demência. Odiamos a sua personagem pela crueldade que comporta, mas aplaudimos de pé o grande actor capaz de incorporá-la de corpo e alma.

3. Barkhad Abdi em Capitão Phillips (Captain Phillips)
Estreante no cinema, Abdi presenteia-nos com uma personagem curiosa, que alia pobreza, brutalidade e fragilidade como poucas. Apesar de tudo, estaremos sempre a torcer também por ele ao longo de Capitão Phillips. Faltou-lhe, todavia, um pouco mais de entrega para ser um dos melhores desta lista de nomeados. Provavelmente fará melhor em futuros projectos.

4. Jonah Hill em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
Jonah Hill provou que, com DiCaprio, forma uma das mais hilariantes duplas do cinema. Nomeação muito merecida pelo grande trabalho que faz em O Lobo de Wall Street, não consegue contudo superar os desempenhos de Leto, Fassbender e Abdi.

5. Bradley Cooper em Golpada Americana (American Hustle)
Cooper oferece-nos uma interpretação divertida - especialmente pelo visual original que não dispensa a permanente - em Golpada Americana, mas que não passa muito disso mesmo. Continua por provar se o actor é realmente capaz de nos surpreender.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Sugestão da Semana #100

Dos dois filmes estreados na passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre Golpada Americana, nomeado para dez Oscars da Academia. Podes ler aqui a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme.


Ficha Técnica:
Título Original: American Hustle
Realizador: David O. Russell
Actores: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/16
Duração: 138 minutos

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Crítica: Golpada Americana / American Hustle (2013)

"Did you ever have to find a way to survive and you knew your choices were bad, but you had to survive?"
Irving Rosenfeld

*7.5/10*

Dinheiro, corrupção, mulheres bonitas e homens astutos são alguns dos ingredientes de Golpada Americana, um dos títulos mais nomeados para os Oscars 2014. Muito superior ao seu antecessor, o filme volta a mostrar que David O. Russell não vem sendo original, mas consegue essencialmente entreter, desta vez com melhor conteúdo e personagens. 

Baseado em acontecimentos reais, Golpada Americana reúne um elenco de luxo - como já vem sendo hábito na filmografia do realizador -, e lembra-nos, de quando em quando, trabalhos de outros cineastas. A longa-metragem debruça-se sobre o vigarista Irving Rosenfeld (Christian Bale), que se alia à sedutora Sydney Prosser (Amy Adams), e se vê  forçado a trabalhar para o agente Richie DiMaso (Bradley Cooper), do FBI, que os coloca no centro do perigoso mundo da máfia. No meio destes esquemas surge também o político Carmine Polito (Jeremy Renner), e, claro, Rosalyn (Jennifer Lawrence), a imprevisível mulher de Irving, que poderá pôr tudo a perder.

Golpada Americana é fundamentalmente um filme de actores. Amy Adams, Christian Bale, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy RennerJack Huston são alguns dos nomes de peso que compõem o elenco e são o motor do filme de O. Russell. Aliás, o ponto mais positivo da longa-metragem é a fusão personagem-interpretação, com Amy Adams na pele de Sydney - ou devo dizer, Edith? - a liderar. Adams é fabulosa, sedutora e uma farsante de alta qualidade. Ela seduz e engana os dois homens fortes da longa-metragem, apesar do amor incondicional pelo seu parceiro de falcatruas. Ela ama, sofre, transforma-se. Ao seu lado está Bale, camaleónico, irreconhecível na pele deste vigarista gordo, careca e pouco atraente - quem adivinharia que é o Batman? -, mas que as mulheres disputam.


Do lado dos secundários, Jennifer Lawrence tem pouco protagonismo, mas o tempo em que a vemos no ecrã será, certamente, o mais divertido da longa-metragem. Rosalyn é desequilibrada, com hábitos e atitudes hilariantes, e dela nunca saberemos o que virá. A prestação da actriz não é extraordinária, mas é, certamente, a mais cómica, e em muito contribui para as voltas e reviravoltas da trama. Por seu lado, Cooper está numa personagem à sua imagem, não muito longe do que já fez antes. O agente do FBI é inteligente mas demonstra alguma ingenuidade, e tem explosões de fúria inesperadas. Jeremy Renner tem um desempenho curioso na pele do político corrupto mas dedicado à família, Carmine Polito - uma caricatura divertida e muito pouco realista, mas que proporciona bons momentos.

O argumento não carrega originalidade, e é, acima de tudo, entretenimento puro. Embrenham-se histórias de máfia e corrupção, sob um texto divertido, com algumas surpresas, e onde são facilmente reconhecidos alguns detalhes que nos lembram obras de Scorsese ou mesmo Coppola

Tecnicamente, o destaque vai especialmente para a direcção artística que faz um trabalho muito interessante, fazendo a audiência sentir-se realmente na New Jersey dos anos 70, aliando-se ao guarda-roupa e à banda sonora que nos embala e situa na época certa.

David O. Russell está longe de ser perfeito e Golpada Americana não é o melhor filme do ano. Contudo, poucas comédias sobre mafiosos - actualmente - nos divertem tanto e de uma forma tão leve como esta.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Os Actores Principais

Depois das mulheres, seguimos para os homens, enumerando, sempre por ordem de preferência, os cinco nomeados ao Oscar de Melhor Actor.

1. Joaquin Phoenix em The Master - O Mentor
As possibilidades de ganhar são muito poucas para Joaquin Phoenix, mas é ele, sem dúvida, o grande merecedor do prémio. Em The Master - O Mentor, o actor presenteia-nos com uma interpretação exigente, onde se entrega ao problemático veterano de Guerra Freddie Quell, que balança entre o álcool, os problemas pessoais e sexuais, e a aparente pouca vontade de os ultrapassar. Phoenix confere à personagem tudo o que ela pede: a postura física, o descontrole emocional, a nostalgia do passado, a culpa que parece não o largar. Phoenix não levará o prémio para casa, mas tem consigo o reconhecimento de todos os que assistiram à sua performance de tirar o fôlego. É impossível ficar-lhe indiferente.

2. Daniel Day-Lewis em Lincoln
O mais provável vencedor do prémio para Melhor Actor é o meu segundo favorito de entre os nomeados. Day-Lewis não desilude na pele do Presidente Lincoln e a sua interpretação é muito competente. Frágil, mas decidido, e capaz de tudo para que a sua vontade - a aprovação da lei que ilegaliza a escravatura - seja cumprida, o actor oferece-nos um Lincoln muito credível, onde nem a caracterização, que o envelhece uns dez anos, nos faz duvidar do que quer que seja. Tudo aponta para que leve o Oscar para casa e, se tal se verificar, é merecido.

3. Hugh Jackman em Os Miseráveis
No musical de Tom Hooper, Jackman oferece uma participação interessante, onde volta a mostrar os seus dotes vocais (que ainda assim o deixam ficar mal algumas vezes durante a longa-metragem). Não sendo brilhante, o actor veste bem a pele do sofrido e corajoso Jean Valjean, surgindo irreconhecível no início de Os Miseráveis.

4. Denzel Washington em Decisão de Risco
Duplamente oscarizado, Denzel Washington soma este ano mais uma nomeação. Sabemos que o actor nunca descura nenhum papel, e como o piloto alcoólico Whip Whitaker também não desilude. Contudo esta não será certamente a sua melhor interpretação, e as probabilidades de Washington levar o prémio para casa são baixas.

5. Bradley Cooper em Guia para um Final Feliz
Surpreendentemente, Bradley Cooper tem sido muito aclamado pela sua interpretação em Guia para um Final Feliz. Com uma personagem bipolar que poderia ser interessante, Cooper começa bem, demonstrando ser capaz de muito mais do que nos tem habituado, mas rapidamente a interpretação se torna banal, ao mesmo tempo que a própria personagem perde a sua singularidade. Melhor do que a sua colega  no filme - Jennifer Lawrence -, é certo, o actor, ainda assim, não me convence.