Mostrar mensagens com a etiqueta Roman Polanski. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Roman Polanski. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Crítica: J'accuse - O Oficial e o Espião (2019)

"Dreyfus is innocent"
Picquart


*7.5/10*

J'accuse - O Oficial e o Espião é a mais recente obra de Roman Polanski, um drama histórico sobre espionagem. Longe de ser o filme mais inspirado do cineasta, é contudo um trabalho sóbrio e bem executado sobre justiça e política.

"No dia 5 de Janeiro de 1895, o Capitão Alfred Dreyfus, um jovem oficial judeu, é acusado de espionagem para a Alemanha e condenado a prisão perpétua na ilha do Diabo. Entre as testemunhas está Georges Picquart, promovido para gerir a unidade militar de contra-espionagem. Mas quando Picquart descobre que informações secretas continuam a ser fornecidas aos alemães, é arrastado para um labirinto perigoso de fraude e corrupção que ameaça não só a sua honra, mas também a sua vida."


Polanski transpõe para o grande ecrã um famoso caso de escândalo político, retratando sem receios e com crueza, desde o preconceito da época em relação aos judeus - como o próprio realizador -, a humilhação a que Dreyfus foi exposto, e a investigação de Picquart e posterior perseguição política.

Esta árdua luta, em que a verdade foi repetidamente anulada para bem da imagem política do país, é encabeçada por uma grande interpretação de Jean Dujardin como Georges Picquart, entre a contenção, o sentido de justiça, e desilusão com o exército e seus superiores. Ao seu lado, Louis Garrel veste a pele do sofrimento e revolta de Dreyfus, incansável em provar a sua inocência e limpar o nome da sua família.


J'accuse é um registo ficcional de um escândalo da História da França, mas também um elogio aos que clamam por justiça e não se deixam corromper.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Prémios César 2020: Vencedores

Os vencedores da 45.ª edição dos César, os prémios do cinema francês, foram entregues esta Sexta-feira, dia 28 de Fevereiro, no Pleyel Hall, em Paris. Les Misérables conquistou o prémio para Melhor Filme e o ausente Roman Polanski venceu como Melhor Realizador, perante o descontentamento de algumas pessoas da assistência que abandonaram a sala.


Fica a lista completa de vencedores::

MELHOR FILME
La Belle époque, de Nicolas Bedos
Grâce à dieu, de François Ozon
Hors normes, de Olivier Nakache e Éric Toledano
J’accuse, de Roman Polanski
Les Misérables, de Ladj Ly
Portrait de la jeune fille en feu, de Céline Sciamma
Roubaix, une lumière, de Arnaud Desplechin 

MELHOR PRIMEIRO FILME
Atlantique, de Mati Diop
Au nom de la terre, de Edouard Bergeon
Le Chant du loup, de Antony Baudry
Les Misérables, de Ladj Ly
Papicha, de Mounia Meddour 

MELHOR REALIZAÇÃO
Olivier Nakache e Éric Toledano (Hors normes)
Ladj Ly (Les Misérables)
Céline Sciamma (Portrait de la jeune fille en feu)
Arnaud Desplechin (Roubaix, une Lumière)
Nicolas Bedos (La Belle Epoque)
François Ozon (Grâce à Dieu)
Roman Polanski (J’accuse

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Nicolas Bedos por La Belle Epoque
François Ozon por Grâce à dieu
Olivier Nakache e Éric Toledano por Hors normes
Ladj Ly, Giordano Gederlini e Alexis Manenti por Les Misérables
Céline Sciamma por Portrait de la jeune fille en feu 

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Costa-Gavras por Adults in the room
Roman Polanski por J'accuse
Jérémy Clapin por J'ai perdu mon corps
Arnaud Desplechin por Roubaix, une lumière
Dominik Moll por Seules les Bêtes

MELHOR ACTRIZ
Anaïs Demoustier (Alice et le maire)
Eva Green (Proxima)
Adèle Haenel e Noémie Merlant (Portrait de la jeune fille en feu)
Karin Viard (Une chanson douce)
Doria Tillier (La Belle Époque)
Chiara Mastroianni (Chambre 212

MELHOR ACTOR
Daniel Auteuil (La Belle Époque)
Damien Bonnard (Les Misérables)
Vincent Cassel (Hors normes)
Jean Dujardin (J’Accuse)
Reda Kateb (Hors Normes)
Melvil Poupaud (Grâce à Dieu)
Roschdy Zem (Roubaix, une lumière

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Fanny Ardant (La Belle Époque)
Laure Calamy (Seules les bêtes)
Sara Forestier (Roubaix, une lumière)
Hélène Vincent (Hors normes)
Josiane Balasko (Grâce à Dieu

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Swann Arlaud (Grâce à Dieu)
Grégory Gadebois (J’Accuse)
Louis Garrel (J’Accuse)
Benjamin Lavernhe (Mon Inconnue)
Denis Ménochet (Grâce à Dieu

MELHOR ACTRIZ REVELAÇÃO
Luàna Bajrami (Portrait de la jeune fille en feu)
Céleste Brunnquell (Les Éblouis)
Mama Sané (Atlantique)
Lyna Khoudri (Papicha)
Nina Meurisse (Camille

MELHOR ACTOR REVELAÇÃO
Anthony Bajon (Au nom de la terre)
Benjamin Lesieur (Hors Normes)
Alexis Manenti (Les Misérables)
Djebril Zonga (Les Misérables
Liam Peron (La Vie scolaire)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
68, mon Père et les Clous, de Samuel Bigiaoui
La Cordillère des songes, de Patricio Guzmán
Lourdes, de Thierry Demaizière e Alban Teurlai
M, de Yolande Zauberman
Wonder boy Olivier Rousteing, né sous X, de Anissa Bonnefont 

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Le Jeune Ahmed, dos irmãos Dardenne
Joker, de Todd Phillips
Lola vers la mer, de Laurent Micheli
Era uma vez... em Hollywood, de Quentin Tarantino
O Traidor, de Marco Bellocchio
Parasitas, de Bong Joon-ho 

MELHOR FOTOGRAFIA
Nicolas Bolduc (La Belle Époque)
Pawel Edelman (J'accuse)
Julien Poupard (Les Misérables)
Claire Mathon (Portrait de la jeune fille en feu )
Irina Lubtchansky (Roubaix, une lumière​)

MELHOR MONTAGEM
Laure Gardette (Grâce à Dieu)
Hervé De Luz (J’accuse)
Flora Volpelière (Les Misérables)
Anny Danché e Florent Vassault (La Belle Epoque)
Dorian Rigal-Ansou (Hors Normes) 

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Stéphane Rozenbaum por La Belle Epoque
Benoît Barouh por Le chant du loup
Franck Schwarz por Edmont
Jean Rabasse por J’accuse
Thomas Grézaud por Portrait de la jeune fille en feu 

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
Atlantique
J’accuse
J’ai perdu mon corps
Les Misérables
Roubaix, une lumière

MELHOR SOM
RémiI Daru, Séverin Favriau, Jean-PaulL Hurier por La Belle Epoque
Nicolas Cantin, Thomas Desjonquères, Raphaëll Mouterde, Olivier Goinard, Randy Thom por Le Chant du loup
Lucien Balibar, Aymeric Devoldère, Cyril Holtz, Niels Barletta por J’accuse
Arnaud Lavaleix, Jérôme Gonthier, Marco Casanova por Les Misérables
Julien Sicart, Valérie De Loof, Daniel Sobrino por Portrait de la jeune fille en feu 

MELHOR GUARDA-ROUPA
Pascaline Chavanne (J’accuse)
Emmanuelle Youchnovski (La belle époque)
Thierry Delettre (Edmond)
Alexandra Charles (Jeanne)
Dorothée Guiraud (Portrait de la jeune fille en feu) 

MELHOR CURTA-METRAGEM
Beautiful Loser, de Maxime Roy
Pile Poil, de Lauriane Escaffre e Yvonnick Muller
Le Chant d’Ahmed, de Foued Mansour
Chien bleu, de Fanny Liatard
Netta Football Club, de Yves Piat 

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
La fameuse invasion des ours en Sicile, de Lorenzo Mattotti
J’ai perdu mon corps, de Jérémy Clapin
Les Hirondelles de Kaboul, de Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec 

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Ce magnifique gâteau, de Marc James Roels e Emma de Swaef
Je sors acheter des cigarettes, de Osman Cerfon
La nuit des sacs plastiques, de Gabriel Harel
Make It Soul, de Jean-Charles Mbotti Malolo

CÉSAR DO PÚBLICO
Les Misérables

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Estreias da Semana #414

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses quatro novos filmes. Os nomeados para os Oscars Jojo Rabbit e Mulherzinhas são duas das estreias. Na plataforma de streaming Netflix, estreia Diamante Bruto, dos irmãos Safdie, no dia 31 de Janeiro.

Calafrio (2020)
The Turning
No Maine, numa misteriosa mansão localizada numa zona rural, Kate (Mackenzie Davis), a nova ama, está encarregada de cuidar de dois órfãos perturbados, Flora (Brooklynn Prince) e Miles (Finn Wolfhard). Mas Kate depressa se apercebe que a casa e as duas crianças albergam segredos tenebrosos e que as coisas poderão não ser aquilo que parecem.

J'accuse - O Oficial e o Espião (2019)
J'accuse
A 5 de Janeiro de 1895, o Capitão Alfred Dreyfus (Louis Garrel), um jovem oficial judeu, é acusado de espionagem para a Alemanha e condenado a prisão perpétua na ilha do Diabo. Entre as testemunhas está Georges Picquart (Jean Dujardin), promovido para gerir a unidade militar de contra-espionagem. Mas quando Picquart descobre que os alemães continuam a receber informações secretas, é arrastado para um labirinto perigoso de fraude e corrupção que ameaça não só a sua honra, mas também a sua vida.

Mulherzinhas (2019)
Little Women
Greta Gerwig apresenta uma versão de Mulherzinhas baseada não só no romance de Louisa May Alcott, mas também nas notas deixadas pela autora. A história do crescimento de quatro irmãs nos anos que se seguiram à Guerra Civil dos EUA, desdobra-se no alter ego da autora, Jo March, à medida que esta leva a sua vida real para a  ficção. Retratando Jo, Meg, Amy e Beth March, estão as actrizes Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, e Eliza Scanlen, com Timothée Chalamet no papel do vizinho Laurie, Laura Dern como Marmee e Meryl Streep como tia March.

Jojo Rabbit (2019)
Jojo Rabbit é um menino que vive durante a Segunda Guerra Mundial e tem como amigo imaginário, uma versão imprecisa de Adolf Hitler, que inflama as ingénuas crenças patrióticas do menino. No entanto, tudo muda quando Jojo conhece uma menina que desafia esses pontos de vista e o obriga a enfrentar a realidade.

Estreia Netflix:

Diamante Bruto (2019)
Uncut Gems
Howard Ratner (Adam Sandler), um carismático joalheiro nova-iorquino está sempre à procura do próximo grande negócio. Uma série de apostas arriscadas, que o podem levar a perder tudo, obrigam-no a equilibrar negócios e família enquanto se defende dos ataques que surgem por todos os lados, na busca incansável pela vitória final.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Prémios César 2020: Os Nomeados

Os nomeados para a 45.ª edição dos César, os prémios do cinema francês, foram anunciados esta Quarta-feira, dia 29 de Janeiro. Os vencedores são conhecidos a 28 de Fevereiro, no Pleyel Hall, em Paris.


J'accuse (O Oficial e o Espião), de Roman Polanski, lidera a corrida com 12 nomeações.

Fica a lista completa de nomeados:

MELHOR FILME
La Belle époque, de Nicolas Bedos
Grâce à dieu, de François Ozon
Hors normes, de Olivier Nakache e Éric Toledano
J’accuse, de Roman Polanski
Les Misérables, de Ladj Ly
Portrait de la jeune fille en feu, de Céline Sciamma
Roubaix, une lumière, de Arnaud Desplechin 

MELHOR PRIMEIRO FILME
Atlantique, de Mati Diop
Au nom de la terre, de Edouard Bergeon
Le Chant du loup, de Antony Baudry
Les Misérables, de Ladj Ly
Papicha, de Mounia Meddour 

MELHOR REALIZAÇÃO
Olivier Nakache e Éric Toledano (Hors normes)
Ladj Ly (Les Misérables)
Céline Sciamma (Portrait de la jeune fille en feu)
Arnaud Desplechin (Roubaix, une Lumière)
Nicolas Bedos (La Belle Epoque)
François Ozon (Grâce à Dieu)
Roman Polanski (J’accuse

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Nicolas Bedos por La Belle Epoque
François Ozon por Grâce à dieu
Olivier Nakache e Éric Toledano por Hors normes
Ladj Ly, Giordano Gederlini e Alexis Manenti por Les Misérables
Céline Sciamma por Portrait de la jeune fille en feu 

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Costa-Gavras por Adults in the room
Roman Polanski por J'accuse
Jérémy Clapin por J'ai perdu mon corps
Arnaud Desplechin por Roubaix, une lumière
Dominik Moll por Seules les Bêtes

MELHOR ACTRIZ
Anaïs Demoustier (Alice et le maire)
Eva Green (Proxima)
Adèle Haenel e Noémie Merlant (Portrait de la jeune fille en feu)
Karin Viard (Une chanson douce)
Doria Tillier (La Belle Époque)
Chiara Mastroianni (Chambre 212

MELHOR ACTOR
Daniel Auteuil (La Belle Époque)
Damien Bonnard (Les Misérables)
Vincent Cassel (Hors normes)
Jean Dujardin (J’Accuse)
Reda Kateb (Hors Normes)
Melvil Poupaud (Grâce à Dieu)
Roschdy Zem (Roubaix, une lumière

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Fanny Ardant (La Belle Époque)
Laure Calamy (Seules les bêtes)
Sara Forestier (Roubaix, une lumière)
Hélène Vincent (Hors normes)
Josiane Balasko (Grâce à Dieu

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Swann Arlaud (Grâce à Dieu)
Grégory Gadebois (J’Accuse)
Louis Garrel (J’Accuse)
Benjamin Lavernhe (Mon Inconnue)
Denis Ménochet (Grâce à Dieu

MELHOR ACTRIZ REVELAÇÃO
Luàna Bajrami (Portrait de la jeune fille en feu)
Céleste Brunnquell (Les Éblouis)
Mama Sané (Atlantique)
Lyna Khoudri (Papicha)
Nina Meurisse (Camille

MELHOR ACTOR REVELAÇÃO
Anthony Bajon (Au nom de la terre)
Benjamin Lesieur (Hors Normes)
Alexis Manenti (Les Misérables)
Djebril Zonga (Les Misérables
Liam Peron (La Vie scolaire)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
68, mon Père et les Clous, de Samuel Bigiaoui
La Cordillère des songes, de Patricio Guzmán
Lourdes, de Thierry Demaizière e Alban Teurlai
M, de Yolande Zauberman
Wonder boy Olivier Rousteing, né sous X, de Anissa Bonnefont 

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Dor e Glória, de Pedro Almodóvar
Le Jeune Ahmed, dos irmãos Dardenne
Joker, de Todd Phillips
Lola vers la mer, de Laurent Micheli
Era uma vez... em Hollywood, de Quentin Tarantino
O Traidor, de Marco Bellocchio
Parasitas, de Bong Joon-ho 

MELHOR FOTOGRAFIA
Nicolas Bolduc (La Belle Époque)
Pawel Edelman (J'accuse)
Julien Poupard (Les Misérables)
Claire Mathon (Portrait de la jeune fille en feu )

Irina Lubtchansky (Roubaix, une lumière​)

MELHOR MONTAGEM
Laure Gardette (Grâce à Dieu)
Hervé De Luz (J’accuse)
Flora Volpelière (Les Misérables)
Anny Danché e Florent Vassault (La Belle Epoque)
Dorian Rigal-Ansou (Hors Normes) 

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Stéphane Rozenbaum por La Belle Epoque
Benoît Barouh por Le chant du loup
Franck Schwarz por Edmont
Jean Rabasse por J’accuse
Thomas Grézaud por Portrait de la jeune fille en feu 

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
Atlantique
J’accuse
J’ai perdu mon corps
Les Misérables
Roubaix, une lumière

MELHOR SOM
RémiI Daru, Séverin Favriau, Jean-PaulL Hurier por La Belle Epoque
Nicolas Cantin, Thomas Desjonquères, Raphaëll Mouterde, Olivier Goinard, Randy Thom por Le Chant du loup
Lucien Balibar, Aymeric Devoldère, Cyril Holtz, Niels Barletta por J’accuse
Arnaud Lavaleix, Jérôme Gonthier, Marco Casanova por Les Misérables
Julien Sicart, Valérie De Loof, Daniel Sobrino por Portrait de la jeune fille en feu 

MELHOR GUARDA-ROUPA
Pascaline Chavanne (J’accuse)
Emmanuelle Youchnovski (La belle époque)
Thierry Delettre (Edmond)
Alexandra Charles (Jeanne)
Dorothée Guiraud (Portrait de la jeune fille en feu) 

MELHOR CURTA-METRAGEM
Beautiful Loser, de Maxime Roy
Pile Poil, de Lauriane Escaffre e Yvonnick Muller
Le Chant d’Ahmed, de Foued Mansour
Chien bleu, de Fanny Liatard
Netta Football Club, de Yves Piat 

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
La fameuse invasion des ours en Sicile, de Lorenzo Mattotti
J’ai perdu mon corps, de Jérémy Clapin
Les Hirondelles de Kaboul, de Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec 

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Ce magnifique gâteau, de Marc James Roels e Emma de Swaef
Je sors acheter des cigarettes, de Osman Cerfon
La nuit des sacs plastiques, de Gabriel Harel
Make It Soul, de Jean-Charles Mbotti Malolo

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crítica: Era Uma Vez... Em Hollywood / Once Upon a Time in Hollywood (2019)

"I'm the Devil. And I'm here to do the Devil's business."
Tex


*7/10*

Quentin Tarantino
gosta de fazer justiça pelas próprias mãos, isso já sabemos. Em Era Uma Vez... Em Hollywood, o realizador baseia-se pela primeira vez em acontecimentos reais para criar a sua história, num tributo a uma época menos dourada de Hollywood.

Juntar Leonardo DiCaprio e Brad Pitt no mesmo filme não é para todos - prova disso é que esta foi a primeira vez que os dois actores contracenaram -, mas é para Tarantino. E que belíssima dupla nos é apresentada, o galã dos filmes de cowboys em crise e o seu duplo, não menos charmoso.

Tudo acontece na Los Angeles de 1969, onde o clima é de mudança. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), estrela de TV, e o seu duplo de muitos anos, Cliff Booth (Brad Pitt), confrontam-se com uma indústria que já não reconhecem.


E eis que entram em cena os "factos reais" em que a história de Era Uma Vez... Em Hollywood se baseia: na madrugada do dia 9 de Agosto de 1969, a jovem actriz Sharon Tate (esposa do realizador Roman Polanski), de 26 anos e grávida de oito meses, foi assassinada, tal como alguns amigos com quem estava, pela seita de Charles Manson, na sua casa em Los Angeles.

Tarantino coloca-nos no ano de 1969, numa Hollywood decadente (onde os novos rostos são também uma nova esperança), com o florir do movimento hippie e do bando de Charles Manson - ele próprio um frustrado que nunca conseguiria singrar em Hollywood, pelo menos por bons motivos. É neste ambiente que surgem como novos vizinhos de DaltonSharon Tate e Roman Polanski. E o cenário está montado. Misturando personagens reais a fictícias, o cineasta cria a sua versão da História do ano 1969. Claro que a direcção artística e o guarda-roupa fazem um trabalho esplêndido na recriação da época e dos locais.


Mas, afinal, este é provavelmente o filme menos inspirado de Quentin Tarantino, pelo menos desde há uns bons anos. Isso não é ser mau, longe disso, mas o cineasta já nos habituou a um patamar mais elevado e é sempre difícil vê-lo recuar. As homenagens são mais que muitas, como sempre, onde a longa-metragem como um todo será a maior delas. As personagens são dúbias mas muito divertidas - Leonardo DiCaprio faz tudo com uma perna às costas, seja bêbado, deprimido, galã ou vilão -, Brad Pitt surge mais discreto mas não menos impactante, numa personagem secundária que depressa assume o protagonismo, em especial após a metade do filme. Os dois actores provam ser uma dupla que vamos gostar de ver mais vezes no grande ecrã.

Não há a profundidade que talvez gostássemos de ver explorada, mas há imensas referências em personagens símbolos desta Hollywood em mudança. Por vezes, sentimos um dèjá vu, com claras alusões a filmes anteriores (Sacanas Sem Lei será provavelmente o mais facilmente comparável em determinados momentos - desde logo, nos nazis que Rick Dalton fulmina num dos seus filmes). Sentimos que este nono filme quer ser mais um retrato de uma época, do que um marco da criatividade do seu criador.


Era Uma Vez... Em Hollywood revela-se menos certeiro, apesar dos delirantes 20 minutos finais, que serão, sem dúvida, inesquecíveis. O fulgor com que culmina não suporta as quase três horas da longa-metragem, não deixando contudo de ser um belo desafio à História e à indústria. No fundo, será Hollywood sonhada por Quentin Tarantino.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Vénus de Vison: No Cinema e no Teatro

David Ives tem inspirado o Teatro e, mais recentemente, também o Cinema com a sua obra Vénus de Vison. Por cá, a adaptação cinematográfica de Roman Polanski desfilou pelas salas de cinema portuguesas em Novembro de 2013 (podes reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui). Agora, o Teatro Aberto dá a oportunidade de assistir ao mesmo texto num palco - para o qual foi escrito -, sob a encenação de Marta Dias.

Pedro Laginha e Ana Guiomar são Tomás e Vanda em Vénus de Vison no Teatro Aberto

Ana Guiomar e Pedro Laginha dão corpo às mesmas personagens que Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric: Vanda e Thomas (Tomás na versão portuguesa). Quem gostou do filme, pode experimentar a peça de teatro e não sairá nada desiludido. Vénus de Vison está desde dia 10 de Janeiro em cena no Teatro Aberto, em Lisboa, e ali ficará até 30 de Março, de Quarta-feira a Sábado às 21h30 e aos Domingos às 16h00.

Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric são Vanda e Thomas em Vénus de Vison, de Roman Polanski

O poder e a sexualidade são os grandes motores da peça de David Ives e se em Polanski ficámos rendidos à Vanda de Seigner, a de Ana Guiomar não nos dará qualquer hipótese, nem a nós nem a Tomás. O mote é o mesmo. No fim de um dia de audições, o encenador Tomás está sem esperança de conseguir encontrar a protagonista da sua peça. Mas quando se prepara para sair, surge mais uma actriz. Vem atrasada, é enérgica e tem maus modos, mas ainda quer prestar provas. Partilha o nome com a personagem principal da peça - Vanda - e fará tudo para conseguir o papel, mas será ela diferente de todas as outras?

Do filme de Polanski à dramaturgia de Marta Dias, as diferenças argumentativas são mínimas. A Vanda de Ana Guiomar é mais jovem - tem 24 anos - mas parece tão vivida como a de Seigner. A sua linguagem - repleta de "tipo, cenas, yá" - é mais infantil, mas a aparente imaturidade esconde a mesma experiência, a mesma subversão e o mesmo mistério da francesa. Tomás assume o mesmo domínio inicial e vai-se deixando subjugar ao longo da peça, tal como acontece no filme. Tanto Thomas de Mathieu Amalric, como o Tomás de Pedro Laginha impressionam-nos pelo curioso percurso da sua personagem, e, especialmente, aquando da reviravolta final.


Contudo, é mesmo na personagem feminina que se encontram as principais diferenças - e semelhanças - entre a longa-metragem e a peça de teatro. Por um lado, a diferença de idade entre Ana Guiomar, de 25 anos, e Emmanuelle Seigner, de 47, poderia oferecer alguma renitência em crer que a jovem actriz pudesse estar à altura da personagem de Vanda. Mas certo é que a portuguesa prova, a cada peça - esta é a sua terceira -, como pode ser surpreendente e como é feita para o teatro. O à vontade com que está em palco, a sensualidade que personifica, a impressionante naturalidade com que faz a transição - repentina - entre Vanda Jordão e a Vanda da peça de Tomás é impressionante e prova o furacão que Ana é em palco. 

Os dois actores estão em cena ao longo de uma hora e quarenta minutos, sem intervalo, sob luzes quentes e na pele de personagens poderosas e, em momento algum, se denota fraqueza ou cansaço. Pelo contrário, sempre com mais ritmo, com mais ferocidade, violência e sedução, nunca descurando o texto, tão machista, tão feminista. Vénus de Vison em palco é feito num único take - aí está a desafiante vantagem do Teatro.


O pormenor cinematográfico que obtemos ao ver um filme perde-se naturalmente num teatro, mas o dinamismo é, no entanto, muito maior. A atenção e os olhos do espectador têm de seguir os actores - que estão tão perto -, de um lado ao outro do palco, os ouvidos têm de estar mais alerta.

Ao mesmo tempo, quem for ao Teatro Aberto assistir à peça encenada por Marta Dias, depara-se com um excelente trabalho de cenografia, que não esquece os elementos fundamentais do texto: o canapé, a secretária ou o poste - o famoso símbolo fálico. E toda a cena se transfigura perto do fim, sob os olhares incrédulos da plateia, num misto entre sonho e realidade. Para tudo isto, muito contribui igualmente a iluminação e o som - a condizer com o ambiente misterioso, onde se multiplicam os jogos de poder e de sedução.


O Teatro e Cinema têm a mesma magia, cada um à sua maneira. Os sorrisos e risadinhas tímidas são mais frequentes e sonoros no teatro, as palmas são silenciosas na sala de cinema, onde o silêncio é de ouro para desfrutar da experiência e, perante um palco, quanto mais sonoras forem mais são sinal da qualidade do espectáculo. Vénus de Vison deveria ser uma experiência a ter por meio de ambas as artes.

Depois de experimentar mais uma adaptação de uma peça de teatro à linguagem cinematográfica por Polanski, agora com Vénus de Vison, nada como sentir na pele as peles de Vénus também no teatro. Este retrato mordaz de um autor atraiçoado pela própria criação está ao dispor de quem o que quiser ver no Teatro Aberto, com grandes interpretações.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Crítica: Vénus de Vison / La Vénus à la Fourrure (2013)

"E o Senhor o feriu pela mão de uma mulher."
*8/10*

Roman Polanski regressa aos grandes filmes com o seu novo Vénus de Vison. O teatro, o poder e a sexualidade são alguns dos temas presentes nesta longa-metragem protagonizada por Emmanuelle Seigner Mathieu Amalric - os dois únicos nomes do elenco.

Vénus de Vison teve antestreia nacional no LEFFEST'13 e já está nos cinemas. Sozinho num teatro parisiense após um dia de audições a actrizes para a peça que está prestes a encenar, Thomas (Mathieu Amalric) lamenta ao telefone o fraco desempenho das candidatas. Ninguém tem a dimensão necessária para assumir o papel principal, e, quando se prepara para sair, eis que surge Vanda (Emmanuelle Seigner), um verdadeiro turbilhão de energia, tão desenfreada como atrevida. Vanda incorpora tudo o que Thomas odeia. Ela é vulgar, insensata, e fará de tudo para conseguir o papel.

Mais uma vez, teatro e cinema fundem-se na filmografia de Polanski, depois de O Deus da Carnificina. Desta vez, o palco está ali, e tudo acontece naquele espaço - um teatro parisiense. O cineasta adaptou a peça de David Ives que se debruça sobre o romance Venus in Furs, de Leopold von Sacher-Masoch. Às (apenas) duas personagens em cena - no ecrã de cinema e no palco do teatro -, soma-se um argumento provocador, que vem recuperar temas recorrentes em outros filmes de Roman Polanski, e o resultado é provocador e aberto às interpretações da plateia.

Vénus de Vison está repleto de jogos de poder e de sedução. Machismo - "E o Senhor o feriu pela mão de uma mulher", já Vanda se queixava - , feminismo, travestismo ou masoquismo, encontramos de tudo neste trabalho de Polanski. Mas Vanda parece sair sempre por cima, contrariando a reticência inicial de Thomas. Ela seduz, mas não se deixa seduzir, ela irrita-o, humilha-o, mas, acima de tudo, ela é tudo aquilo que ele imaginou.


O poder, tão central em Vénus de Vison, começa por ser detido por Thomas, o encenador saturado de procurar a sua Vanda. Ele nega-se a fazer a audição da atrasada actriz, com tão maus modos e  -aparentemente - poucos conhecimentos dramáticos. Todavia, rapidamente é Vanda que passa a deter o poder, contestando, surpreendendo e dominando o seu avaliador. E mesmo quando os papéis se voltam a inverter, é ela que o subjuga, novamente.

E é na personagem feminina que reside o mistério que perdura até ao final. Quem é esta mulher, que partilha o nome e se transforma completamente ao incorporar a personagem feminina da peça de Thomas? Vanda surge como a personificação do ideal de actriz que o encenador procura. Será que ela existe ou é apenas fruto da imaginação dele? Vénus de Vison é o retrato mordaz de um autor atraiçoado pela própria criação.

Para além das excelentes personagens, a longa-metragem de Polanski destaca-se igualmente pelos pequenos pormenores como os objectos invisíveis que se revelam através dos sons, genialmente presentes. Sabemos onde está a chávena, o pires ou a colher mesmo sem os ver. Ao mesmo tempo, tecnicamente, o realizador movimenta-se como ninguém num único espaço, coloca-nos muitas vezes na pele de Vanda - o início e final do filme são os exemplos mais flagrantes e que aguçam o carácter quase imaginário da personagem -, a fotografia de Pawel Edelman joga com luz e sombra tão perfeitamente como Vanda sabe iluminar o palco do teatro perante o olhar incrédulo de Thomas. A acompanhar toda a atmosfera teatral e dominadora - até do espectador - está a delicada e muito adequada banda sonora de Alexandre Desplat.


Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric são a alma de Vénus de Vison. A química entre ambos é evidente, e a energia e entrega às personagens são enormes. Amalric mostra uma vez mais o talentoso e versátil actor que é na pele do exigente e perturbado Thomas. Já Seigner oferece-nos um desempenho fabuloso como Vanda, esta mulher vulgar mas surpreendente, sensual, vingativa e desequilibrada.

Com Vénus de Vison, Roman Polanski volta aos temas fortes onde o poder é o grande motor da acção. O pesadelo dos autores é incorporado por Emmanuelle Seigner que trará ao de cima toda a perversidade escondida numa peça de teatro e na mente de um encenador.

Sugestão da Semana #90

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o mais recente filme de Roman Polanski, Vénus de Vison.

VÉNUS DE VISON


Ficha Técnica:
Título Original: La Vénus à la fourrure
Realizador: Roman Polanski
Actores: Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 96 minutos

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Festival de Cannes já começou


Começou na noite de Quarta-feira (dia 15) e tem todas as atenções cinéfilas do mundo centradas em si até dia 26 de Maio. Falo, é claro, do Festival de Cannes, que cumpre este ano a sua 66ª edição. A abrir esteve o muito esperado THE GREAT GATSBY, de Baz Luhrmann - com estreia marcada em Portugal para esta Quinta-feira -, a fechar, o filme de Jérôme Salle, ZULU.


EM COMPETIÇÃO temos diversos títulos, todos eles com temáticas cativantes. São eles:

BEHIND THE CANDELABRA, de Steven Soderbergh

BORGMAN, de Alex Van Warmerdam

GRIGRIS, de Mahamat-Saleh Haroun

HELI, de Amat Escalante

INSIDE LLEWYN DAVIS, de Ethan Coen e Joel Coen

JEUNE & JOLIE (YOUNG & BEAUTIFUL), de François Ozon

JIMMY P. (PSYCHOTHERAPY OF A PLAINS INDIAN), de Arnaud Desplechin

LA GRANDE BELLEZZA (THE GREAT BEAUTY), de Paolo Sorrentino

LA VÉNUS À LA FOURRURE (VENUS IN FUR), de Roman Polanski


LA VIE D'ADÈLE - CHAPITRE 1 & 2 (BLUE IS THE WARMEST COLOUR), de Abdellatif Kechiche

LE PASSÉ (THE PAST), de Asghar Farhadi

MICHAEL KOHLHAAS, de Arnaud Des Pallières

NEBRASKA, de Alexander Payne

ONLY GOD FORGIVES, de Nicolas Winding Refn

ONLY LOVERS LEFT ALIVE, de Jim Jarmusch

SOSHITE CHICHI NI NARU (LIKE FATHER, LIKE SON), de Kore-Eda Hirokazu

THE IMMIGRANT, de James Gray


TIAN ZHU DING (A TOUCH OF SIN), de Jia Zhangke

UN CHÂTEAU EN ITALIE (A CASTLE IN ITALY), de Valeria Bruni Tedeschi

WARA NO TATE (SHIELD OF STRAW), de Takashi Miike
 
As minhas atenções estão especialmente viradas para os novos filmes de Soderbergh, Polanski, Refn, Payne e James Gray, mas todos, no geral, me suscitam interesse.


Na secção UN CERTAIN REGARD - que abre com o novo filme de Sofia Coppola, The Bling Ring -, os filmes são os seguintes: 

AS I LAY DYING, de James Franco


BENDS, de Flora Lau

DAST-NEVESHTEHAA NEMISOOZAND (MANUSCRIPTS DON'T BURN), de Mohammad Rasoulof

DEATH MARCH, de Adolfo Alix Jr.

FRUITVALE STATION, de Ryan Coogler

GRAND CENTRAL, de Rebecca Zlotowski

L'IMAGE MANQUANTE (THE MISSING PICTURE), de Rithy Panh

L'INCONNU DU LAC (STRANGER BY THE LAKE), de Alain Guiraudie

LA JAULA DE ORO, de Diego Quemada-Diez

LES SALAUDS (BASTARDS), de Claire Denis

MIELE, de Valeria Golino

MY SWEET PEPPER LAND, de Hiner Seleem

NORTE, HANGGANAN NG KASAYSAYAN (NORTE, THE END OF HISTORY), de Lav Diaz

OMAR, de Hany Abu-Assad

SARAH PRÉFÈRE LA COURSE (SARAH PREFERS TO RUN), de Chloé Robichaud

THE BLING RING, de Sofia Coppola


TORE TANZT (NOTHING BAD CAN HAPPEN), de Katrin Gebbe

WAKOLDA, de Lucía Puenzo



Por seu lado, as CURTAS-METRAGENS seleccionadas para Cannes este ano são as seguintes:

37°4 S, de Adriano Valerio

BISHTAR AZ DO SAAT (MORE THAN TWO HOURS), de Ali Asgari

CONDOM LEAD, de Mohammed Abunasser (ARAB), Ahmad Abunasser (TARZAN)

HVALFJORDUR (WHALE VALLEY), de Gudmundur Arnar Gudmundsson

INSEKI TO IMPOTENCE (METEORITE + IMPOTENCE), de Omoi Sasaki

MONT BLANC, de Gilles Coulier

OLENA, de Elzbieta Benkowska

OPHELIA, de Annarita Zambrano


SAFE, de Byoung-Gon Moon


Todas as informações sobre o Festival podem ser consultadas AQUI, bem como todos os filmes da selecção oficial.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Iniciativas de Bloggers: O Cinema dos Anos 2000 - O Pianista


Roman Polanski deixou o mundo atordoado em 2002 com o seu perturbador e realista O PIANISTA. Vencedor de três Oscars das sete categorias onde esteve nomeado, a longa-metragem relata acontecimentos da Segunda Guerra Mundial pelo olhar de quem a vivenciou — não somente do pianista Wladyslaw Szpilman, mas também do próprio realizador que viveu, na primeira pessoa, alguns dos acontecimentos de O PIANISTA.


Este tom duplamente autobiográfico confere, desde logo, à obra de Polanski, uma aura que a distingue de outros filmes que relatam a mesma época histórica, criando uma proximidade e tocando profundamente a plateia. Ao mesmo tempo, o protagonista não poderia ser melhor — exemplarmente escolhido pelo realizador —, Adrien Brody tem um desempenho arrepiante, vestindo a pele, de corpo e alma, a uma personagem exigente, tanto física como psicologicamente. O actor é o rosto do sofrimento, da perda, do vazio de uma Polónia devastada, e, ao mesmo tempo, representa a força e coragem de quem luta, contra tudo o que o poderia fazer desistir.

O PIANISTA é um retrato de humanidade, que mostra, sem qualquer receio, as atrocidades de que o Homem é capaz, num paradoxo capaz de emocionar. A banda sonora, composta por Wojciech Kilar, faz adensar o ambiente de tragédia e desolação que se vive do início ao fim, mas, ao mesmo tempo, inunda O PIANISTA de sensações e de uma força sem igual. A música, essa, está sempre presente, mesmo à margem da banda sonora, na própria personagem de Wladyslaw Szpilman, que mesmo resignado ao silêncio faz ouvir o som das suas teclas invisíveis.

A realização de Polanski arrisca e, aliada à direcção de fotografia, de Pawel Edelman, proporciona cenas inesquecíveis, numa Polónia escura e gelada — as cores neutras abundam —, em ruínas, e onde a guerra e a morte espreitam por toda a parte. Um dos momentos mais tocantes da película — se é que se pode destacar apenas um — é quando Szpilman toca piano para um oficial alemão, numa sala escura, onde um único foco de luz espreita por entre as cortinas e ilumina a cabeça do pianista, num subtil prenúncio do que o espera no futuro.

Roman Polanski trouxe em O PIANISTA um dos mais marcantes filmes da primeira década do século XXI, que se tornará, inevitavelmente, parte da História da Sétima Arte. Envolvente, brutal e cruel, um fiel retrato de uma dura realidade escrita na História Mundial.

Esta é a minha segunda contribuição (vejam o post original aqui) para a excelente iniciativa do Keyzer Soze's Place, O Cinema dos Anos 2000, que revisita o que de melhor se fez na Sétima Arte entre 2001 e 2010.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Doclisboa'12: Retratos: Roman Polanski e Milos Forman

Roman Polanski: A Film Memoir                                      *7.5./10*

Laurent Bouzereau é o realizador deste filme biográfico Roman Polanski: A Film Memoir, onde entramos numa conversa informal, entre o realizador polaco e o seu amigo e colaborador Andrew Braunsberg, uma conversa entre amigos estendida a quem assiste. Percorrendo a vida do cineasta desde a sua infância em Varsóvia, em plena Segunda Guerra Mundial, até aos dias de hoje, a longa-metragem centra-se nos três grandes e difíceis momentos vividos por Polanski: a perda da mãe e pai e irmã levados para campos de concentração; a morte da sua mulher Sharon Tate e a prisão, nos anos 70, devido ao relacionamento sexual com uma adolescente, e posterior exílio, caso que se prolongou até 2009, onde voltou a ser preso, na Suiça.


Durante a conversa, com momentos de grande emoção, são-nos apresentadas fotografias e imagens de arquivo, bem como excertos dos seus filmes - O Pianista serve para ilustrar situações vividas pelo próprio Polanski enquanto criança durante a Segunda Guerra Mundial.

Com um tom menos cinematográfico (e mais televisivo) do que se possa esperar, Roman Polanski: A Film Memoir é interessante para quem conhece pouco o realizador, mas não traz grandes novidades a quem já o conhece bem. No entanto, a conversa flui da melhor forma e nunca se torna maçadora, bem pelo contrário, não se dá pelo tempo passar.

Milos Forman: Co tě nezabije… / Milos Forman: what doesn’t kill you…                                                                                     *6/10*


Milos Forman também teve direito a entrar na secção Retratos deste Doclisboa'12 com o filme de Milos SmídmajerMilos Forman: Co tě nezabije… Com uma vida menos emocionalmente que a de Polanski, Forman conta também com grandes momentos que merecem destaque neste documentário. Smídmajer filmou-o ao longo de cinco anos, conseguindo aclarar alguns dos aspectos da vida íntima do realizador, que o inspiram para fazer filmes profundos e coerentes.

Com uma infância difícil, onde também a Segunda Guerra Mundial marca presença, a vida de Milos Forman é-nos contada destacando importantes momentos: os seus filmes, os Óscares e a sua família, que tem uma importância especial nesta longa-metragem. Voando Sobre um Ninho de Cucos, Amadeus, O Baile dos Bombeiros ou Larry Flynn, são alguns dos filmes aqui revisitados.

Milos Forman: Co tě nezabije… peca, no entanto, por parecer um pouco perdido no meio de tantos factos e não ter sabido seleccionar melhor os importantes dados que reúne. A certo momento, a atenção do espectador começa a dispersar, e o filme não a volta a conseguir agarrar.