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domingo, 15 de março de 2026

Oscars 2026: Vencedores

A 98.ª cerimónia dos Oscars aconteceu na noite deste Domingo, 15 de Março, no Dolby Theatre, em Los Angeles. O anfitrião foi novamente Conan O'Brien e o Hoje Vi(vi) um Filme esteve a acompanhar e a actualizar os vencedores em tempo real.

Batalha Atrás de Batalha (One Battle After Another) foi o grande vencedor da noite com seis Oscars, incluindo os de Melhor Filme, Realizador e Montagem. Pecadores (Sinners) seguiu-o de perto com quatro estatuetas, entre elas a de Melhor Actor para Michael B. Jordan.

Contra muitas expectativas, a zeros ficou Marty Supreme e O Agente Secreto. Valor Sentimental (Sentimental Value) conquistou o prémio para Melhor Filme Estrangeiro.

Aqui fica a lista completa de vencedores e nomeados:

Melhor Filme
Bugonia
F1
Frankenstein
Marty Supreme
One Battle After Another
The Secret Agent
Sinners
Train Dreams

Melhor Actor
Timothée Chalamet, Marty Supreme
Leonardo DiCaprio, One Battle After Another 
Ethan Hawke, Blue Moon
Michael B. Jordan, Sinners 
Wagner Moura, The Secret Agent

Melhor Actriz
Rose Byrne, If I Had Legs I’d Kick You
Kate Hudson, Song Sung Blue 
Emma Stone, Bugonia 

Melhor Actor Secundário
Benicio Del Toro, One Battle After Another
Jacob Elordi, Frankenstein
Delroy Lindo, Sinners
Sean Penn, One Battle after Another

Melhor Actriz Secundária 
Amy Madigan, Weapons 
Wunmi Mosaku, Sinners 
Teyana Taylor, One Battle After Another

Melhor Realizador
Josh Safdie, Marty Supreme
Paul Thomas Anderson, One Battle After Another
Ryan Coogler, Sinners

Melhor Argumento Original
Melhor Argumento Adaptado
Bugonia (Will Tracy)
Frankenstein (Guillermo del Toro)
One Battle After Another (Paul Thomas Anderson)
Train Dreams (Clint Bentley & Greg Kwedar)

Melhor Filme de Animação
Arco
Elio
KPop Demon Hunters
Little Amélie or the Character of Rain
Zootopia 2

Melhor Filme Estrangeiro
The Secret Agent / O Agente Secreto (Brasil)
The Voice of Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Casting
Marty Supreme, Jennifer Venditti
One Battle After Another, Cassandra Kulukundis
The Secret Agent, Gabriel Domingues
Sinners, Francine Maisler

Melhor Fotografia
Frankenstein, Dan Laustsen
Marty Supreme, Darius Khondji
One Battle After Another, Michael Bauman
Sinners, Autumn Durald Arkapaw
Train Dreams, Adolpho Veloso

Melhor Montagem
F1, Stephen Mirrione
Marty Supreme, Ronald Bronstein and Josh Safdie
One Battle After Another, Andy Jurgensen
Sinners, Michael P. Shawver

Melhor Design de Produção
Frankenstein; Tamara Deverell e Shane Vieau
Marty Supreme; Jack Fisk e Adam Willis
One Battle After Another; Florencia Martin e Anthony Carlino
Sinner; Hannah Beachle e Monique Champagne

Melhor Guarda-Roupa
Avatar: Fire and Ash, Deborah L. Scott
Frankenstein, Kate Hawley
Marty Supreme, Miyako Bellizzi
Sinners, Ruth E. Carter

Melhor Caracterização
Frankenstein, Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey
Kokuho, Kyoko Toyokawa, Naomi Hibino e Tadashi Nishimatsu
Sinners, Ken Diaz, Mike Fontaine e Shunika Terry
The Smashing Machine, Kazu Hiro, Glen Griffin and Bjoern Rehbein
The Ugly Stepsister, Thomas Foldberg and Anne Cathrine Sauerberg

Melhor Banda Sonora Original
Bugonia, Jerskin Fendrix
Frankenstein, Alexandre Desplat
One Battle After Another, Jonny Greenwood
Sinners, Ludwig Goransson

Melhor Canção Original
“Dear Me” de Diane Warren: Relentless; Música e Letra por Diane Warren.
“Golden” de KPop Demon Hunters; Música e Letra por EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu Kwak, Yu Han Lee, Hee Dong Nam, Jeong Hoon Seon e Teddy Park
“I Lied to You” de Sinners; Música e Letra por Raphael Saadiq e Ludwig Goransson
“Sweet Dreams of Joy” de Viva Verdi! (Viva Verdi!); Música e Letra por Nicholas Pike
“Train Dreams” de Train Dreams; Música por Nick Cave e Bryce Dessner, Letra por Nick Cave

Melhor Som
F1
Frankenstein
One Battle After Another
Sinners
Train Dreams

Melhores Efeitos Visuais
Avatar: Fire and Ash
F1
Jurassic World Rebirth
The Lost Bus
Sinners

Melhor Documentário
The Alabama Solution
Come See Me in the Good Light 
Cutting Through Rocks
Mr. Nobody Against Putin
The Perfect Neighbor 

Melhor Curta Documental
All the Empty Rooms
Armed Only With a Camera: The Life and Death of Brent Renaud 
Children No More: “Were and Are Gone” 
The Devil Is Busy 
Perfectly a Strangeness

Melhor Curta de Animação
Butterfly 
Forevergreen
The Girl Who Cried Pearls
Retirement Plan
The Three Sisters

Melhor Curta (ex aequo)
Butcher’s Stain
A Friend of Dorothy
Jane Austen’s Period Drama
The Singers 
Two People Exchanging Saliva

*artigo actualizado às 03h11 de dia 16 de Março de 2026.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Sugestão da Semana #685

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson, protagonizado por Leonardo DiCaprio.

BATALHA ATRÁS DE BATALHA


Ficha Técnica:
Título Original: One Battle After Another
Realizador: Paul Thomas Anderson
Elenco: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Alana Haim
Género: Acção, Comédia, Crime
Classificação: M/16
Duração: 161 minutos

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Doclisboa no Museu do Oriente com sessões gratuitas todos os Domingos de Agosto

O Doclisboa regressa ao Museu do Oriente em Agosto, com sessões gratuitas todos os Domingos (7, 14, 21 e 28), às 18h00. Os quatro filmes exibidos têm na música o seu fio condutor. 

Nestas sessões, "explora-se um território rico em expressões e referências musicais, num cruzamento entre tempos e vidas para mostrar os ritmos que nos movem", refere a organização em comunicado.

Junun, de Paul Thomas Anderson

A viagem cinematográfica começa no noroeste da Índia, com Junun, de Paul Thomas Anderson. Filmado no Rajastão, uma das maiores regiões da Índia, o filme "conta a história do álbum homónimo do guitarrista e teclista dos Radiohead, Jonny Greenwood, o produtor da banda britânica, Nigel Godrich, o compositor israelita Shye Ben Tzur e os Rajasthan Express, uma orquestra indiana. O álbum mistura sonoridades de música tradicional de várias regiões do país, com letras escritas em hebreu e em vários dialetos indianos".

Segue-se depois para a Coreia do Sul, com Bamseom Pirates Seoul Inferno, de Jung Yoon-suk, "sobre dois jovens músicos coreanos que lançam um desafio ao sistema e às autoridades, com a sua paixão inabalável por música. A banda Bamseom Pirates é criada com a intenção de dar à sociedade sul-coreana a música que ela merece, resultando numa mistura entre grindcore punk, black metal, free jazz, Rammstein de baixo orçamento e arte performática".

O destino seguinte é a Turquia, com Anatolian Trip, de Deniz Tortum e Can Eskinazi. "Inspirados pelo Anatolian Rock dos anos 1970, um grupo de amigos forma uma banda e parte numa carrinha, começando uma longa viagem por um país dividido entre o progresso e a tradição".

Novamente rumo à Coreia do Sul, 12 and 24, de Kim Namsuk, faz um retrato do seu amigo Xin Seha, músico independente sul-coreano, "que entre a ascensão da sua carreira e a doença da mãe, encara a dor e a perda através da sua voz".

As sessões são de entrada gratuita, mediante levantamento de bilhete no próprio dia.


OS RITMOS QUE NOS MOVEM

Doclisboa no Museu do Oriente

7, 14, 21 e 28 Agosto

18h00

Auditório do Museu do Oriente

M/12 anos

Gratuito, mediante levantamento de bilhete no próprio dia

Co-organização: Doclisboa


7 Agosto

Junun

Paul Thomas Anderson | 2015 | USA | 54’


14 Agosto

Bamseom Pirates Seoul Inferno

Jung Yoon-suk | 2017 | Coreia do Sul | 119’


21 Agosto

Anatolian Trip

Deniz Tortum, Can Eskinazi | Turquia | 2018 | 114’


28 Agosto

12 Hago 24

Kim Namsuk / Coreia do Sul, EUA / 102’

quarta-feira, 23 de março de 2022

Crítica: Licorice Pizza (2021)

"You have a warm smile, which is very powerful. And... you have a very Jewish nose."
Mary Grady


*7.5/10*

Licorice Pizza é uma viagem jovial e vibrante aos anos 70. Paul Thomas Anderson parte de vivências suas e do contexto da época e cria um filme que, conduzido pelas hormonas da adolescência e dos primeiros amores, percorre as mais inesperadas aventuras entre o universo cinematográfico, dos negócios e da política.

Eis "a história de Alana Kane e Gary Valentine, que crescem e se apaixonam enquanto deambulam pelo vale de San Fernando em 1973."

O deslumbramento pelo mundo do cinema e da televisão a que estão expostos os jovens actores ou figurantes - quer nos anos 70, quer na actualidade - leva as vidas de Alana e Gary a cruzarem-se, apesar da diferença de idades. Depressa se desenvolve uma amizade - onde o interesse romântico nunca deixa de pairar -, e novas perspectivas de carreira para os dois, que se tornam aliados e sócios.


Se, por um lado, Alana consegue que se abram algumas portas no mundo do cinema, por outro, continua a alinhar nas extravagantes ideias de negócio do amigo adolescente. E se vê Gary em constante reinvenção, constata também a sua estagnação enquanto jovem adulta. O seu olhar vagueia entre a estranha relação (quase) amorosa com Gary; os diferentes pontos que os separam; e a expectativa de uma vida adulta estável e na defesa do que realmente importa.

Pequenos pormenores traçam a actualidade política que se vive no momento da acção de Licorice Pizza - desde anúncios ou notícias em jornais ou na televisão - ; personagens ficcionais recordam figuras e problemáticas relevantes da época; e as aventuras mais imprevisíveis transportam a plateia para a verdadeira magia do cinema, hiperbolizando as loucuras da adolescência. Nesta aparente amálgama temática, os dois protagonistas crescem, partilham as mais inusitadas experiências e constroem laços no meio do caos.


Na recriação da época, a direcção artística e o guarda-roupa são exímios, não deixando faltar os padrões característicos da moda, nem cada pequeno (ou grande) objecto que remete para os anos 70. Também visualmente, Paul Thomas Anderson não desilude, com uma direcção de fotografia sempre fabulosa, quer nas cenas diurnas como nocturnas, tirando o melhor partido da sua tão amada película. 

No elenco, os estreantes Alana Haim e Cooper Hoffman formam um dos pares mais adoráveis do cinema recente, e partilham uma aura tão provocadora, como inocente e especialmente divertida. Com uma breve mas icónica participação, Bradley Cooper surge excêntrico e imprevisível na pele de Jon Peters.


Licorice Pizza é um regresso à adolescência de Paul Thomas Anderson, onde despertam paixões, procura-se o verdadeiro sentido da vida, ao mesmo tempo que não se quer crescer. Uma obra que transborda luz e cor, desencantos e alegrias, com a originalidade que caracteriza o realizador.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Sugestão da Semana #488

Das estreias da passada Quinta-feira, a primeira Sugestão da Semana de 2022 destaca Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson.

LICORICE PIZZA


Ficha Técnica:
Título Original: Licorice Pizza
Realizador: Paul Thomas Anderson
Elenco: Alana Haim, Cooper Hoffman, Joseph Cross, Bradley Cooper, Sean Penn, Benny Safdie, Tom WaitsMaya Rudolph
Género: Comédia, Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 133 minutos

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Crítica: Linha Fantasma / Phantom Thread (2017)

"Whatever you do, do it carefully." 
Alma


*9/10*

Paul Thomas Anderson regressa esplendoroso e inspirado, tal como Daniel Day-Lewis, naquele que diz ser o seu último papel. Linha Fantasma absorve o perfeccionismo de um artista que vive apenas para a sua criação. Quando o amor chega, os dois lutam por espaço na sua vida.

O perfeccionismo do criador revê-se também no trabalho de toda a equipa de Linha Fantasma, num assombro de talento. A par disso, é criada uma aura sobrenatural que surge de forma subtil e muito realista, onde a forma de encarar a morte ganha um papel de destaque.


Na  Londres  do  pós-guerra,  o famoso costureiro  Reynolds  Woodcock  (Daniel  Day-Lewis)  e  a  irmã  Cyril  (Lesley Manville) estão no centro da moda Britânica, vestindo realeza, estrelas de cinema, herdeiras, socialites e damas com o distinto estilo d’A Casa de Woodcock. As mulheres entram e saem da vida de Reynolds, providenciando-lhe inspiração e companhia, até que ele se cruza com uma  jovem  e  perseverante  mulher,  Alma  (Vicky  Krieps),  que  rapidamente  se  torna  uma fixação na sua vida, como musa e amante. Antes controlada e planeada, ele vê agora a sua vida despedaçada pelo amor.

O génio admirado, por vezes intratável, arrogante e obcecado com o seu trabalho, também se apaixona, mas não é qualquer mulher que o irá suportar. Só mesmo Alma, a sua musa. Essa mulher especial, forte, provocadora, sem receios, nem rodeios. Escrúpulos ainda lhe restam alguns e parecem ser os suficientes para que a poção de amor resulte.


Linha Fantasma deve ser visto e sentido, quer pela história de paixão desenhada e cosida à mão, pela beleza dos vestidos, pela delicadeza dos planos de câmara, dos actores, da fotografia, do som e, principalmente, por ter sido filmado em película.

Daniel Day-Lewis é metódico, elegante, encarna o estilista como se estivesse a fazer de si mesmo. Cada papel, cada novo Day-Lewis, ele que é um dos melhor actores da sua geração. Rígido mas frágil, apaixonado mas igualmente enlouquecido quando as emoções fogem ao seu controlo, é um homem aparentemente decidido mas que depende em demasia da irmã e de outras mulheres que compõem a sua vida. Ele esconde segredos nas bainhas, segredos que prefere partilhar com as roupas que desenha, mais do que com as pessoas que o rodeiam. Lesley Manville e Vicky Krieps acompanham-no e dão-lhe regras e vida, respectivamente. Ambas com interpretações à altura do protagonista, Manville é magnética na pele de Cyril, a irmã omnipresente e controladora. Vicky Krieps oferece um misto de fragilidade e rebeldia a Alma, que a torna especialmente misteriosa.


Paul Thomas Anderson pinta um quadro em movimento através da sua câmara, sendo realizador e director de fotografia do seu filme. Ele joga com a iluminação, com o rodopiar das modelos nos vestidos de Reynolds, potencia as suas cores suaves, os tons pastel, as peles pálidas, em contraste com a decoração em redor. O trabalho de som tem um papel especialmente relevante em Linha Fantasma, nos momentos em que até barrar manteiga numa tosta causa um ruído impossível de aguentar para o protagonista. Vemo-nos a sentir os ruídos da mesma forma: tudo é demasiado barulhento e perturbador quando se precisa de foco. A banda sonora de Jonny Greenwood acompanha a narrativa na perfeição.


Paul Thomas Anderson presenteia-nos com um dos melhores filmes da sua carreira. Day-Lewis hipnotiza-nos e ensina-nos que só quando está de caras com a morte é que o Homem vive.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sugestão da Semana #310

Hoje a Sugestão da Semana é a dobrar. Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca os dois nomeados para o Oscar de Melhor Filme: A Forma da Água, de Guillermo del Toro, e Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson.

A FORMA DA ÁGUA


Ficha Técnica:
Título Original: The Shape of Water
Realizador: Guillermo del Toro
Actores: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Doug Jones, Michael Stuhlbarg, Octavia Spencer
Género: Drama, Fantasia, Romance
Classificação: M/16
Duração: 123 minutos



LINHA FANTASMA


Ficha Técnica:
Título Original: Phantom Thread
Realizador: Paul Thomas Anderson
Actores: Daniel Day-Lewis, Lesley Manville, Vicky Krieps, Camilla Rutherford, Richard Graham, Jane Perry, Pip Phillips
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 130 minutos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sugestão da Semana #156

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o novo filme de Paul Thomas Anderson, Vício Intrínseco.

VÍCIO INTRÍNSECO


Ficha Técnica:
Título Original: Inherent Vice
Realizador: Paul Thomas Anderson
Actores: Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Owen WilsonKatherine WaterstonJoanna NewsomEric RobertsBenicio Del ToroJena MaloneReese Witherspoon
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/16
Duração: 148 minutos

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Filme da Minha Vida, por Luís Filipe Borges

MAGNOLIA FIELDS

por Luís Filipe Borges



Uma amiga mantém há anos as duas palavras do título desta croniqueta como essência do seu endereço electrónico. Só agora, perante o desafio lançado, me dou conta da probabilidade disto ter algo a ver com o filme que vimos juntos (terceiro visionamento para mim, no espaço duma semana; estreia para ela). Sim, Magnolia, escrito e realizado por Paul Thomas Anderson, é o filme da minha vida – se me apontarem uma pistola à cabeça e tiver mesmo de responder.

Não são os 10/12 minutos mais carismáticos da carreira de Tom Cruise (embora também); não é o miúdo abusado psicologicamente pelo pai que urina pernas abaixo em pleno concurso televisivo (contudo também); não é o William H. Macy vencido da vida, o monólogo de Julianne Moore na farmácia, um contido Philip Seymour Hoffman, esse fenómeno chamado John C. Reilly (e sua relação espectral com Melora Walters) – capaz do mesmo brilhantismo nos dois extremos do espectro, do mais profundo drama à mais desbragada comédia (todavia também); nem sequer a história em altmaniano mosaico nem a ideia subjacente sobre a magia inesperadamente lógica das alegadas coincidências (embora sejam alma e coração desta película de 3 horas).

Acho que o pormaior decisivo foi o que significou para mim este filme naquela idade e naquele momento da vida, nas precisas circunstâncias em que o escriba se encontrava (analogia: quando, com um dos meus maiores amigos, saímos de Fight Club a pontapear caixotes do lixo e sinais de trânsito rua fora). 

Tal como os livros ou os quadros nos fazem sentir. Não é à toa que muitos autores, depois da obra exposta ao mundo, afirmam deixar de sentirem-se seus donos, proclamam ser esse filho artístico de todos agora. Porque a arte depende da interpretação dela feita. E saberão os trintões - e daí em diante - que porventura lerem este texto que a maior parte das obras que nos enformam atingem-nos sobretudo num período particular da vida, quando as costuras da personalidade total ainda precisam duns retoques do alfaiate. 

Querem saber mais? Ponham-me num divã. Ou, como poderia dizer o “outro”: Respect the writer and tame the curiosity.

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O açoriano Luís Filipe Borges é humorista, guionista e apresentador de televisão. Actualmente - e já desde 2009 - podemos vê-lo na RTP1 a apresentar o programa 5 para a Meia-Noite.

Agradeço ao Luís ter aceite o meu desafio.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Momentos para Recordar #23

Magnolia é hoje o filme em destaque no Momentos para Recordar. Sendo quase impossível seleccionar uma única cena desta longa-metragem (que merece ser visionada muitas vezes), a escolha recai sobre uma memorável cena daquela que é talvez a mais marcante personagem interpretada por Tom Cruise.

Magnolia, Paul Thomas Anderson (1999)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Crítica: The Master - O Mentor (2012)

 "What a day. We fought against the day and we won. We won. "
Lancaster Dodd
*8.5/10*

Paul Thomas Anderson nunca é capaz de menos do que nos impressionar a cada novo filme. Com The Master - O Mentor não é diferente, e o estrondo visual que temos perante nós durante cerca de duas horas e meia ofusca qualquer possível fraqueza que o argumento possa ter. Juntam-se-lhe ainda as interpretações magistrais de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman para um resultado deslumbrante.

A longa-metragem passa-se nos anos 50 e relata a viagem de um veterano da Marinha, Freddie Quell, que chega a casa vindo da Guerra, indeciso e inseguro em relação ao futuro, até se deixar seduzir pela Causa e pelo seu carismático líder, Lancaster Dodd.

O argumento é muito suportado pelas personagens, que lhe dão a força que necessita para vingar apesar das pontas soltas que deixa, muito numa espécie de apelo ao espectador, para que este reflicta, explore hipóteses e decida ele mesmo. Freddie é o retrato das marcas deixadas pela Guerra nos seus veteranos e na sociedade, em todos os aspectos. A aparente paz que se vive está muito longe da luta interior do protagonista, que demonstra um desequilíbrio mental e sexual e mágoas deixadas pelo passado. Ao dar de caras com A Causa - movimento aparentemente inspirado na Cientologia - Freddie começa a tentar ultrapassar esses seus problemas, numa espécie de auto-conhecimento e auto-controlo, segundo os métodos do seu líder Lancaster Dodd.


Mas é também interessante denotar como há diversas semelhanças entre Quell e Dodd, por muito diferentes que possam parecer. Certo é, desde logo, a empatia que se gera entre ambos, bem como a dependência do álcool que parece uni-los ainda mais. Um dos momentos mais emocionantes é a primeira vez que Quell serve de cobaia aos estudos de Dodd, uma sequência verdadeiramente inquietante. Menos evidentes que os problemas de Freddie, também os do Mestre vão-nos sendo subtilmente apresentados ao longo de The Master - O Mentor

E personagens complexas pediam interpretações competentes por parte do elenco, que não as deixam ficar mal. Joaquin Phoenix é a grande estrela do filme, surge com uma aparência carregada, mais magro, de rosto fechado, espelhando bem os distúrbios do seu personagem, presenteia-nos por vezes com o seu característico sorriso que encaixa perfeitamente em Freddie Quell. Segue-o de perto Philip Seymour Hoffman, com uma interpretação forte deste Mestre, ambicioso e persistente. Amy Adams, como Peggy Dodd, não deixa ficar mal a forte personagem feminina, a grande mulher por detrás do grande homem. Os três vêem o seu desempenho reconhecido pela Academia com as únicas nomeações aos Oscars que o filme alcançou (merecendo muitas mais a bem dizer). 


No entanto, o que torna a longa-metragem de Paul Thomas Anderson verdadeiramente fabulosa é toda a componente técnica, desde as marcas autorais, à fotografia hipnotizante de Mihai Malaimare Jr., com uma iluminação genial, aliada às cores que tanto sugerem a época vivida. Toda esta qualidade técnica duplica com a utilização da cada vez mais rara película de 70 mm, que nos permite uma profundidade e detalhe assombrosos - a sequência em que Dodd e Freddie andam de mota no deserto é talvez o expoente máximo daquilo a que me refiro.

Não sendo provavelmente o melhor filme de Paul Thomas Anderson, The Master - O Mentor prova que o realizador não faz um mau filme. Argumentativamente aberto a muitas interpretações, visualmente digno de ser visto no cinema, de preferência, de modo a usufruir das sensações únicas que consegue proporcionar. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sugestão da Semana #50

A Sugestão da Semana destaca desta vez o mais recente filme de Paul Thomas Anderson, que conta com três nomeações para os Oscars.

THE MASTER - O MENTOR


Ficha Técnica:
Título Original: The Master
Realizador: Paul Thomas Anderson
Actores: Joaquin PhoenixPhilip Seymour Hoffman, Amy Adams
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 144 minutos