domingo, 26 de março de 2017

Crítica: Vida Inteligente / Life (2017)

*7/10*

Vida Inteligente apoia-se em ideias desenvolvidas noutros filmes para reinventá-las numa história assustadora sobre a descoberta de vida extraterrestre. No espaço, seis astronautas são as cobaias deste curioso ser trazido de Marte. Nós somos os espectadores aterrorizados e impotentes, que assistem ao crescimento desta vida de outro mundo.

Daniel Espinosa não traz novidades à ficção científica, mas consegue criar um universo cativante, onde o suspense se entranha até aos ossos. Com o seu tom mordaz e muito directo, Vida Inteligente é uma surpresa positiva neste ano cinematográfico.


Conhecemos a história dos seis membros da tripulação da Estação Espacial Internacional no momento em que a mesma se depara com uma das mais importantes descobertas na história da humanidade: a primeira prova da existência de vida extraterrestre em Marte. À medida que a tripulação inicia a pesquisa, os seus métodos acabam por ter consequências indesejadas e a forma de vida mostra ser mais inteligente do que alguma vez esperaram.

Apesar das muitas semelhanças a Alien - O Oitavo Passageiro, Daniel Espinosa não tem qualquer tipo de interesse em esconder a forma deste ser, bem pelo contrário. É fundamental que o vejamos e nos apercebamos da sua espantosa evolução. Mas na génese da sua ideia, Alien tem realmente um papel fundamental para o argumento de Vida Inteligente. O ser extraterrestre é forte e a tripulação teme, com razão, o desconhecido. Por outro lado, no que toca a semelhanças "técnicas", encontramos planos que nos lembram Gravidade, de Alfonso Cuarón. A câmara de Espinosa leva-nos a flutuar pela estação espacial, e o bom trabalho de iluminação é outra característica que recorda o filme protagonizado por Sandra Bullock.


Seamus McGarvey faz um excelente trabalho na direcção de fotografia e a banda sonora de Jon Ekstrand mantém-nos no espaço, numa curiosa sensação de claustrofobia, onde não temos como fugir mesmo que o Universo seja infinito.

Rebecca Ferguson, Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds são três dos seis astronautas que conhecemos em Vida Inteligente e, especialmente os dois primeiros, têm desempenhos competentes. As personagens não são especialmente complexas nem nos dão grande background da sua vida na Terra, à excepção da personagem de Gyllenhaal, a única que nos desperta verdadeiro interesse.


Acima de tudo, Vida Inteligente oferece-nos bom entretenimento, com uma história pouco original, mas, ainda assim, bastante imprevisível. Ao embarcar nesta viagem espacial, a plateia tem de suster a respiração, até ao fim.

1 comentário:

Antonio Americano disse...

Também gostei. Vale uma nova olhada.