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terça-feira, 14 de abril de 2026

Sugestão da Semana #713

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Nossa Terra, de Lucrecia Martel. O filme estreou no Doclisboa 2025, em Outubro passado.

NOSSA TERRA


Ficha Técnica:
Título Original: Nuestra tierra
Realizadora: Lucrecia Martel
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 123 minutos

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Doclisboa 2025: Tales of the Wounded Land (2025)

*7/10*

Também o Líbano não tem saído incólume das investidas de Israel, e Tales of the Wounded Land (Hikayat elbeit elorjowani), de Abbas Fahdel, é espelho da destruição (resultado dos ataques de Israel, que duraram cerca de ano e meio e cessaram, aparentemente, em Novembro de 2024) que marcou a paisagem e cada um dos habitantes da região.

Neste caso, a câmara está do lado do realizador - franco-iraquiano, radicado no Líbano -  e da sua família, onde a filha pequena parece não estranhar ouvir os bombardeamentos enquanto brinca (e até os repete), como algo que se começa a tornar normal no seu quotidiano.

Da janela vê-se a guerra a aproximar-se, de dia para dia, da casa da família, em Nabatieh, no sul do país. Até que, para eles, só a fuga temporária pode ser a solução, deixando para trás a casa, os animais e os vizinhos que resistem. Tempos depois, dá-se o regresso e a constatação do que mudou e do que permaneceu. Mas, agora, a criança tem medo de voltar à casa dos pais. Entre o choque da destruição e o reencontro com quem ficou, o desgosto e a alegria misturam-se e a comoção é inevitável. 

As várias imagens captadas por drone dão a ideia real da destruição sem fim à vista, ao longo de muito quilómetros, e da morte ao filmar uma interminável procissão de caixões.

Filmado na primeira pessoa, Tales of the Wounded Land cria uma proximidade e envolvência muito fortes com a plateia e só peca pela duração excessiva de alguns planos repetitivos na ideia a transmitir. 

Segundo palavras de Abbas Fahdel: “O meu filme nasceu da necessidade de testemunhar uma guerra que destruiu as nossas vidas e os nossos lares e mostrar que, apesar de tudo, a resiliência e a humanidade continuam a florescer no meio das ruínas”. Mais uma guerra sem razão, que apaga a memória das terras e das gentes. Todavia, no meio dos escombros, há vidas que resistem e só procuram normalidade e paz.

domingo, 26 de outubro de 2025

Doclisboa 2025: Vencedores

A cerimónia de entrega de prémios do Doclisboa 2025 decorreu este Sábado, 25 de Outubro, na Culturgest, e foi seguida da exibição o filme de encerramento, A Árvore do Conhecimento, de Eugène Green

The Night Is Fading Away / La Noche Está Marchándose Ya, de Ezequiel Salinas e Ramiro Sonzini

The Night Is Fading Away / La Noche Está Marchándose YaÁgua MãeAurora foram alguns dos filmes premiados no festival. Eis a lista completa de vencedores:

Competição Internacional

Grande Prémio Cidade de Lisboa 
The Night Is Fading Away / La Noche Está Marchándose Ya, de Ezequiel Salinas e Ramiro Sonzini (Argentina)

Prémio Doclisboa do Júri da Competição Internacional
Tell Me a Fairy Tale / Ji Min Re Çîro Kek Beje, de Ebrû Avci (Turquia)

Prémio Médicos Sem Fronteiras – Portugal para Melhor Realização da Competição Internacional 
Fantasy / Fantaisie, de Isabel Pagliai (França)

Competição Portuguesa

Prémio Doclisboa para Melhor Filme
Água Mãe, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do Júri da Competição Portuguesa
As Estações / The Seasons, de Maureen Fazendeiro

Prémio Escola – ETIC 
Explode São Paulo, Gil / Gil, Let’s Explode São Paulo, de Maria Clara Escobar

Menção Honrosa
Complô, de João Miller Guerra

Competição Verdes Anos

Prémio Conserveira de Lisboa para Melhor Filme 
Ping Pong, de Tianji Yu (Portugal, Bélgica, Hungria, China)

Prémio Pedro Fortes para Melhor Realização Portuguesa 
Se Eu Não Morresse Nunca! / If I Would Never Die!, de David Falcão

Menção Honrosa
I Lit the Fire! / Men ottu kuyguzdum!, de Valeria Lemeshevskaya (Quirguistão, Bielorrúsia, Azerbaijão)

Competição Transversal

Prémio Revelação – Doclisboa para Melhor Primeira Longa-Metragem 
Under the Flags, the Sun / Bajo las Banderas, el Sol, de Juanjo Pereira (Paraguai)

Menção Honrosa
Do You Love Me, de Lana Daher (França,Catar, Líbano, Alemanha)

Prémio para Melhor Curta-Metragem
Baumettes Studio / Studio Baumettes, de Hassen Ferhani (França) 

Prémio Lugares de Trabalho Seguros e Saudáveis – Agência Europeia para a Segurança no Trabalho 
Wishful Filming, de Sarah Vanagt (Bélgica)

Prémios do Público

Prémio do Público Legal Partners Direitos e Liberdades
Aurora, de João Vieira Torres

Prémio Canais TVCine
Soco a Soco / Punch for Punch, de Diogo Varela Silva

Na noite de Sábado, 25 de Outubro, houve ainda uma homenagem à cineasta, montadora e actriz Patrícia Saramago, que faleceu na passada Quinta-feira, 23.

As sessões de exibição dos filmes premiados desta edição do Doclisboa decorrerão nos dias 27, 28 e 29 de Outubro, no Cinema Ideal.

O Doclisboa regressa em 2026, de 15 a 25 de Outubro, com a Grécia como país convidado. Mais informações sobre o festival em https://doclisboa.org/.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Doclisboa 2025: With Hasan in Gaza (2025)

*7/10*

With Hasan in Gaza, de Kamal Aljafari, foi o filme de abertura do Doclisboa 2025, com sala cheia no Cinema São Jorge. 

"Três cassetes Mini DV que documentam a vida em Gaza em 2001 foram recentemente recuperadas. O que começou como uma busca por um antigo companheiro de prisão de 1989 transformou-se numa viagem do norte ao sul de Gaza com Hasan, um guia local. Uma reflexão cinematográfica sobre a memória, a perda e a passagem do tempo, registando uma Gaza antiga e vidas que talvez nunca mais se encontrem."

O documentário de Kamal Aljafari é, antes de mais, um registo histórico de uma Gaza que já não existe. A destruição e os conflitos -  que se intensificaram nos últimos dois anos - já se faziam sentir há décadas e Kamal não só filma a destruição como a vida "normal" numa zona constantemente atacada.

Kamal e Hasan percorrem as praias, as ruas, os mercados ou os bairros mais fustigados pelos ataques diários, passam junto dos postos de controlo, dos campos de refugiados, tudo bem ali ao lado. Conversam com quem se cruzam, ouvem as queixas de uns e a esperança de outros, até que Kamal fala também da sua experiência na prisão, em finais dos anos 80. Da janela de casa de Hasan, o realizador filma alguns ataques de morteiros entre os dois lados do confronto - o terror da realidade à janela, enquanto Hasan vê televisão na sala: mais uma noite habitual.

A importância de With Hasan in Gaza, para além do registo das imagens que não se repetirão e dos cenários (e pessoas) que desapareceram, são as inúmeras crianças que rodeiam o realizador, de sorriso aberto e curioso, e que tanto querem aparecer, ser "fotografadas". Que será feito delas, agora adultas, se tiverem sobrevivido a esta guerra interminável?

Para o realizador, este documentário é "Uma homenagem às pessoas, a tudo o que foi apagado e que recordei neste momento urgente da existência – ou não existência – palestiniana. É um filme sobre a catástrofe e a poesia que resiste". Uma redescoberta ainda mais importante nos tempos que correm, que convida a uma profunda e difícil reflexão.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Doclisboa 2025 anuncia programação Completa

A 23.ª edição do Doclisboa decorre de 16 a 26 de Outubro, na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal. O programa do festival foi esta Quinta-feira anunciado em conferência de imprensa.

With Hasan in Gaza, Kamal Aljafari

O filme de abertura, já anunciado, será With Hasan in Gaza, do realizador palestiniano Kamal Aljafari, uma homenagem à resistência em Gaza. A fechar, o Doclisboa mostra A Árvore do Conhecimento, de Eugène Green, uma co-produção luso-francesa, protagonizada por Diogo Dória, Leonor Silveira, João Arrais, Ana Moreira e Rui Pedro Silva

Competição Internacional e Nacional

A Competição Internacional reúne 12 filmes: One Minute Is an Eternity for Those Who Are Suffering, de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro (Brasil); Vacances, de Victoria Hely-Hutchinson (EUA, França); Towards the Light, de Vadim Kostrov (França); Letters to My Dead Parents, de Ignacio Agüero (Chile); The Night Is Fading Away, de Ezequiel Salinas e Ramiro Sonzini, (Argentina); Cinema Kawakeb, de Mahmoud Massad (Jordânia, Catar, Países Baixos); Le Lac, de Fabrice Aragno (Suíça); Fantasy, de Isabel Pagliai (França); Tell Me a Fairy Tale, de Ebrû Avci (Turquia); B for Bartleby, de Angela Summereder (Áustria); The Anything, de Giorgos Athanasiou (Grécia); e The Strongest Lightning Strikes Not From Dark Skies, de Nate Lavey (EUA)

Por sua vez, a Competição Portuguesa contará também com 12 títulos: Llenya, de Manel Raga Raga; Água Mãe, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres; Three of Cups, de Mário Macedo e Enotea; Explode São Paulo, Gil, de Maria Clara Escobar; Andar com Fé, de Duarte Coimbra; As Estações, de Maureen Fazendeiro; Fuck the Polis, de Rita Azevedo Gomes; Complô, de João Miller Guerra; Ouro e Cinza, de Salomé Lamas; Baía dos Tigres, de Carlos Conceição; Ku Handza, de André Guiomar, e Nova '78, de Aaron Brookner e Rodrigo Areias.

Baía dos Tigres, Carlos Conceição

Riscos

A secção Riscos coloca a natureza contemporânea do cinema no centro da sua atenção, reunindo filmes produzidos entre 1896 e 2025. O programa vai das primeiras experiências cinematográficas às práticas mais contemporâneas, "desde os planos luminosos e movimentos de câmara de Gabriel Veyre, operador de câmara dos irmãos Lumière, até aos novos filmes de Hassen Ferhani, Javier Rebollo, Marko Grba Singh ou Margarita Ledo Andión", explica o festival. A egípcia Hala Elkoussy é realizadora convidada, cuja obra combina uma abordagem inventiva, política e poética.

Outro destaque é Minh Quý Trương, cuja obra reflecte a sua profunda ligação ao Vietname e ao seu povo. "Tanto nas obras a solo como em colaboração com Nicolas Graux, Trương combina tradições de ficção, não-ficção, etnografia e ficção científica, construindo filmes de atenção e detalhe, onde a história, a memória e a materialidade do tempo presente se entrelaçam". O programa da secção Riscos inclui também Shadowboxing, concebido pela programadora associada do Doclisboa, Cíntia Gil, e o programador e crítico francês Jean-Pierre Rehm. "Shadowboxing propõe um combate imaginário sem contrapartida, tomando a Palestina como horizonte e presença espiritual, moral e estética".

Heart Beat

Na secção Heart Beat, destaque para o filme da realizadora Solveig Nordlund, Memórias do Teatro da Cornucópia, que mostra, com recurso a imagens de arquivo de vários espectáculos, peças emblemáticas da companhia fundada por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, em 1973. Já Bull’s Heart, da grega Eva Stefani, acompanha de perto os preparativos para a criação Transverse Orientation, do coreógrafo Dimitris Papaioannou e a sua digressão pelos teatros europeus.

Nesta secção, destaque ainda para: Cast of Shadows, de Sami van Ingen, sobre Robert Joseph Flaherty; Andy Kaufman Is Me, de Clay Tweel; Barking in the Dark, de Marie Losier; Bobò, de Pippo Delbono; Paul, de Denis Cotê; Toni, Mio Padre, de Anna Negri; Megadoc, de Mike Figgis, sobre Megalopolis de Francis Ford Coppola; Strange Journey: The Story of Rocky Horror, de Linus O'Brien, e uma homenagem a Robert Wilson, desaparecido este ano, com três filmes: dois seus, Stations e Video 50, e outro sobre uma produção teatral sua, Robert Wilson & the CIVIL warS, de Howard Brookner.

Welcome to Lynchland, Stéphane Ghez

Já anunciado, no Heart Beat estava David Lynch em dose dupla, primeiro com Welcome to Lynchland, de Stéphane Ghez, que mergulha na obra do realizador e dá voz a Kyle MacLachlan, Laura Dern e Isabella Rossellini, entre outros dos colaboradores mais próximos; e ainda a exibição de Duran Duran: Unstaged, experiência lynchiana numa actuação dos britânicos Duran Duran.

Ainda no registo de documentário musical, estão Boy George & Culture Club, de Alison Ellwood, onde o cantor e os seus colegas de banda partilham pela primeira vez a sua história; Becoming Madonna, de Michael Ogden, que, partindo de imagens e registos inéditos, acompanha a transformação da jovem outsider do Michigan na estrela pop mais poderosa e controversa do mundo; It's Never Over, Jeff Buckley, de Amy Berg; e One to One: John & Yoko, de Kevin Macdonald e Sam Rice-Edwards.

Nesta edição, o Doclisboa celebra os 100 anos do nascimento do compositor italiano Luciano Berio com um programa especial. Serão apresentados quatro filmes raros que exploram a relação entre música, imagem, memória e experimentação: Il canto d’amore di Prufrock (1967), de Nico D’Alessandria, inspirado no poema homónimo de T. S. Eliot, combina a declamação de Carmelo Bene com a música de Berio; Sirènes (1961), de Emile Degelin, baseia-se no poema The Sirens, de James Joyce, em diálogo com música eletrónica e sonhos marítimos; The Colours of Light (1963), de Bruno Munari e Marcello Piccardo, investiga luz e cor com a presença conceptual de Berio; e Voyage to Cythera (1999), de Frank Scheffer, centra-se na terceira parte da Sinfonia de Berio, transformando citações musicais de Mahler, Stravinsky e Boulez num fluxo contínuo de sons e imagens, guiado pelo próprio compositor.

Da Terra à Lua

Na secção Da Terra à Lua, destaque para a exibição de O Riso e a Faca integral, de Pedro Pinho, versão longa e em estreia mundial do filme premiado em Cannes (Melhor Actriz na secção Un Certain Regard para Cleo Diára). A este filme, juntam-se outros como Remake, de Ross McElwee, uma reflexão sobre as suas criações e um tributo à vida do seu filho Adrian, que faleceu em 2016; Bulakna, de Leonor Noivo, que aborda a desigualdade social num mundo pós-colonial, ao mesmo tempo que toma em temas como o valor do trabalho, do corpo e da vida; Pescadores de Bubaque, de Pedro Florêncio; Contemplação Impasse Tentativa, de Welket Bungué; Aurora, de João Vieira Torres; Tales of the Wounded Land, de Abbas Fahdel; Angela's Diaries. Two Filmmakers: Chapter Three, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi; e Tôsô, de Masao Adachi.

Ghosts Elephants, Werner Herzog

Já anunciado tinha sido a presença dos filmes de Lucrecia Martel e Werner Herzog no programa do Doclisboa 2025. Da realizadora, destaque para a exibição de Landmarks, que acompanha a luta de nove anos por justiça, depois de, em 2009, Javier Chocobar, líder da comunidade indígena de Chuschagasta, ter sido assassinado por três homens que alegaram ser donos da terra. O filme combina vozes e imagens da comunidade com footage do tribunal, para explorar as consequências do colonialismo e da expropriação de terras. Já de Werner Herzog será exibido Ghosts Elephants, que questiona se certas epopeias não são melhores se ficarem por concluir. O filme acompanha o explorador Steve Boyes, que juntamente com três mestres rastreadores da Namíbia, parte numa busca pelos raros elefantes-fantasma de Angola. O filme de Herzog desperta questões existenciais e reflecte sobre a conservação ambiental e cultural em África. 

Ainda de destacar na secção Da Terra à Lua, está Cover-up, de Laura Poitras em colaboração com Mark Obenhaus, que explora a carreira do jornalista Seymour Hersh, jornalista premiado com o Pulitzer, que revelou os escândalos de tortura do exército dos EUA nas guerras do Vietname e Iraque.

De Portugal, será ainda exibido um filme inédito: As Brigadas Revolucionárias na Luta Contra a Ditadura (1970-1974), de Luiz Gobern Lopes.

Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa será apresentada a já noticiada retrospectiva dedicada a William Greaves (1926–2014), co-programada pelo académico Scott MacDonald e Luís Mendonça (Cinemateca Portuguesa). O programa  revelará a versatilidade de Greaves enquanto actor, realizador, produtor e editor. 

Mais sobre a programação do Doclisboa e outras informações em https://doclisboa.org/.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Doclisboa 2025 e Cinemateca Portuguesa apresentam Retrospectiva dedicada a William Greaves

O Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa apresentam, em Outubro, uma retrospectiva dedicada ao cineasta norte-americano William Greaves (1926–2014).

Nationtime (1972), William Greaves | Cartaz: Pedro Nora

Figura notável do cinema documental e experimental afro-americano, a obra de William Greaves reflecte um compromisso com a justiça social, a memória histórica e a liberdade. A retrospectiva que o Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa lhe dedicam é co-programada em conjunto com Scott MacDonald, um dos autores do livro William Greaves: Filmmaking as Mission, e oferece um olhar singular e revelador sobre o trabalho do actor, realizador, produtor e editor, e sobre o seu país, os Estados Unidos da América.

A Sessão de Antecipação da retrospectiva acontecerá, na esplanada da Cinemateca, a 4 de Julho, com a projecção do filme In the Company of Men (1969), um exercício psicodramático com trabalhadores negros e gestores brancos no Sul dos EUA. O programa completo dedicado a Greaves poderá ser descoberto de 16 a 26 de Outubro, no Doclisboa.

O cineasta começou a sua carreira nas artes performativas, antes de compreender “o poder do documentário como ferramenta de transformação social”, refere Scott MacDonald. Sem oportunidades para estudar realização documental nos EUA, mudou-se para o Canadá, e estudou no National Film Board. Regressa mais tarde ao seu país para criar a William Greaves Productions com a sua companheira, Louise Archambault Greaves.

Produziu, com um orçamento sempre reduzido, notícias para a US Information Agency, tendo sido produtor executivo e co-apresentador do Black Journal, episódios 1 – 24 (1968 – 1970), o primeiro programa de notícias transmitido por todo o país com foco na vida dos cidadãos afro-americanos. Greaves e o seu filho, David, documentaram ainda o primeiro combate entre Muhammad Ali e Joe Frazier, em Dezembro de 1970, que resultou no filme The Fight (1973).

O Doclisboa 2025 e a Cinemateca Portuguesa vão exibir, além dos já mencionados, filmes como The First World Festival of Negro Arts (1966), Space for Women (1981) e o filme-ensaio Symbiopsychotaxiplasm: Take One (1968), entre muitos outros.

domingo, 27 de outubro de 2024

Doclisboa 2024: Vencedores

O Doclisboa anunciou os vencedores da sua 22.ª edição na cerimónia de encerramento, este Sábado à noite. The Shards, de Masha Chernaya, As Noites ainda cheiram a Pólvora, de Inadelso Cossa, e Por ti, Portugal, eu juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, foram alguns dos filmes premiados este ano.

Eis a lista completa de vencedores:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

GRANDE PRÉMIO CIDADE DE LISBOA PARA MELHOR FILME DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

The Shards / Oskolky, de Masha Chernaya

2024 Georgia, Alemanha, 90’


PRÉMIO CUPRA DO JÚRI DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL  - ex aequo

Fire Supply, de Lucía Seles

2024, Argentina,158’


The Anchor / L’Ancre, de Jen Debauche

2024, Bélgica, 61’


PRÉMIO REVELAÇÃO CANAIS TVCINE

The Anchor / L’Ancre, de Jen Debauche

2024, Bélgica, 61’


Menção Honrosa

Dad’s Lullaby / Tatova Kolyskova, de Lesia Diak

2024, Ucrânia, Roménia, Croácia, 79’


COMPETIÇÃO PORTUGUESA 

PRÉMIO ESCOLA

I Am Here / Estou Aqui, de Zsófia Paczolay, Dorian Rivière

2024, Portugal, 79’


PRÉMIO SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES DO JÚRI DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA

The Nights Still Smell of Gunpowder / As Noites ainda cheiram a Pólvora, de Inadelso Cossa

2024, Moçambique, Alemanha, França, Portugal, Países Baixos, Noruega, 93’


PRÉMIO MAX PARA MELHOR FILME DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA

The Palace of Citizens / O Palácio de Cidadãos, de Rui Pires

2024, Portugal, 133’


PRÉMIOS DO PÚBLICO

PRÉMIO LEGAL PARTNERS DIREITOS E LIBERDADES 

PRÉMIO DOCLISBOA

For You, Portugal, I Swear / Por ti, Portugal, eu juro!, de Sofia da Palma Rodrigues, Diogo Cardoso

2024, Portugal, 98’


PRÉMIO OSHA

Favoriten, de Ruth Beckermann

2024, Áustria,118’


Menção honrosa

Boolean Vivarium, de Nicolas Bailleul

2024, France, 57'


PRÉMIO INATEL

The Falling Sky / A Queda do Céu, de Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha

2024, Brasil, Itália, 109’  


Toda a informação sobre o Doclisboa em https://doclisboa.org/2024/.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Doclisboa 2024: Por ti, Portugal, eu juro! (2024)

*7/10*

Na secção Da Terra à Lua do Doclisboa 2024, encontra-se o documentário Por ti, Portugal, eu juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, filme baseado na reportagem multimédia homónima da DIVERGENTE.

"Durante a Guerra Colonial, milhares de africanos combateram ao lado das Forças Armadas Portuguesas e arriscaram a vida por uma pátria que acreditavam ser a sua. Depois do 25 de Abril, quando Portugal se retirou dos territórios que ocupava em África, estes militares foram deixados para trás. Cinquenta anos depois, contam, pela primeira vez, a sua história e acusam o Estado português de abandono e traição."

A partir dos testemunhos de alguns homens que fizeram parte dos Comandos Africanos da Guiné - uma tropa de elite do exército português -, criados pelo então Governador António de Spínola, tendo combatido por Portugal durante a Guerra Colonial, constrói-se uma parte da História, tão poucas vezes falada. A estas declarações, sentidas e sofridas - muitos nunca tinham falado sobre a experiência na guerra e da luta nos anos que se seguiram -, juntam-se imagens de arquivo da época.

Fica o registo histórico de um momento terrível para tantos, mas, igualmente, o espelho da mágoa e dos terrores que nunca deixaram de assombrar estes ex-soldados. Foram obrigados a combater por Portugal e Portugal abandonou-os à sua sorte, perseguidos pelo PAIGC, e sem as pensões de sangue e invalidez que lhes foram prometidas. As promessas foram caindo por terra com a aprovação de novas leis, que anularam as anteriores, e estes homens viram as suas vidas arruinadas por uma guerra em que embarcaram, apesar praticamente a desconhecerem.

Por ti, Portugal, eu juro! faz, inevitavelmente, reflectir sobre o polémico tema das reparações às ex-colónias. Uma obra dura e real sobre o que nunca vem nos livros de História da escola.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Doclisboa 2024: De 17 a 27 de Outubro, com filmes de Syberberg, Radu Jude, Andrei Ujică ou Harmony Korine

O Doclisboa acontece entre 17 e 27 de Outubro na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal e Casa do Comum do Bairro Alto, com filmes de Syberberg, Radu Jude, Andrei Ujică ou Harmony Korine, entre outros. Esta 22.ª edição do festival é dedicada a Augusto M. Seabra, recentemente falecido.

A abrir o Doclisboa está Sempre, de Luciana Fina. O filme é construído a partir dos arquivos cinematográficos da Cinemateca Portuguesa que convidou Luciana Fina para conceber uma instalação por ocasião da celebração dos 50 anos do 25 de Abril. O filme de encerramento do festival será O Dia que te conheci, de André Novais Oliveira.

A Competição Internacional deste ano conta com 12 filmes, entre eles: Aparição, de Camila FreitasEn vez de árboles, de Philipp HartmannLes Loups, de Isabelle Prim; ou Tales from the Source, de Léonard Pongo. Na Competição Portuguesa, há dez obras a concurso. Entre elas, destaque para: Espiral em Ressonância, de Filipa César e Marinho de Pina; Na Trafaria, de Pedro Florêncio; O Palácio de Cidadãos, de Rui Pires; e Sob a Chama da Candeia, de André Gil Mata.

Riscos

A secção Riscos os mais recentes filmes de Andrei Ujică, Hans-Jürgen Syberberg, Radu Jude e Harmony Korine. O realizador convidado deste ano é o francês Pierre Creton (Go, Toto!, 7 Walks with Mark Brown), numa programação que vai da "relação com o mundo natural que convocam os filmes deste cineasta-agricultor de grande sensibilidade, ele próprio retratado noutro filme desta secção, I Am Pierre Creton, Normand and Filmmaker, de Dominique Auvray; e os mundos virtuais e distópicos dos trabalhos de Phil Solomon (Still Raining, Still Dreaming, Rehearsals from Retirement) que transforma as paisagens do jogo Grand Theft Auto ou de Korine e Aggro Dr1ft, peça de grande inventiva formal que é também um conto de violência e redenção à maneira de uma sala de jogos multiplayer", explica a organização do festival em comunicado.

Aggro Dr1ft, de Harmony Korine

Nos Riscos encontra-se ainda "fixação de Andrei Ujică pela viagem dos Beatles a Nova Iorque em 1965 e a perplexidade perante a paisagem social americana, passada e presente, em TWST — Things We Said Today"; Eight Postcards From Utopia, de Radu Jude, "filme-montagem que colige material de anúncios publicitários pós-socialistas na Roménia"; Hans-Jürgen Syberberg que regressa 30 anos depois do seu último trabalho com o filme Demmin Cantos, filme sobre a cidade de Demmin, no nordeste da Alemanha, "onde o realizador nasceu e que foi palco de um dos maiores suicídios em massa no pós-Segunda Guerra Mundial". O realizador estará no Doclisboa, que mostra ainda Ludwig. Requiem for a Virgin King (1972), integrado na retrospectiva Back to the Future, com curadoria de Jean-Pierre Rehm.

No ano do desaparecimento de Augusto M. Seabra, alguém fundamental para a história do Doclisboa e da secção Riscos, o festival "dedica-lhe esta edição e exibe um dos primeiros filmes por si programados para os Riscos: Compilations, 12 instants d’amour non partagé, de Frank Beauvais, obra onde convivem pequenos gestos de amor e música. A sessão, nomeada Exórdio, está agendada para 20 de Outubro, às 15h30, na Culturgest, e terá entrada gratuita mediante levantamento de bilhete no próprio dia".

Daniel Hui regressa ao festival para apresentar o seu novo trabalho: Small Hours of the Night, sobre a Singapura dos anos 1960 e os seus fantasmas políticos. O filme está em linha directa com outro da programação: If I Fall, Don’t Pick Me Up, de Declan Clarke, que explora a correspondência de década e meia entre Samuel Beckett e o encenador Walter. D Asmus.

Da Terra à Lua

Na secção Da Terra à Lua, destaque para duas cópias restauradas: Um é Pouco, Dois é Bom (1970), de Odion Lopes, pioneiro do cinema negro; e El Castillo de la Pureza, do mexicano Arturo Ripstein, além de Lázaro at Night, de Nicolás Pereda.

Destaque, nesta secção, para: Der Soldat Monika, de Paul Poet; Henry Fonda for President, de Alexander Horwarth; Lula, de Oliver Stone e Rob Wilson; The Invasion, de Sergei Loznitsa; Favoriten, de Ruth Beckermann; Subject: Filmmaking, de Edgar Reitz e Jörg Adolph; Dahomey, de Mati Diop; Dad’s Lullaby, de Lesia Diak; ou In Limbo, de Alina Maksimenko

Lula, de Oliver Stone e Rob Wilson

Há dois filmes portugueses nesta secção: Por Ti, Portugal, Eu Juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, onde a "Guerra Colonial é reinterpretada com testemunhos de antigos soldados guineenses, recrutados para combater ao lado das Forças Armadas portuguesas, posteriormente abandonados pelo país por que combateram e expostos a perseguições e fuzilamentos, acusados de traição na sua terra natal"; e Kora, de Cláudia Varejão, "oferece o retrato fotográfico como porta de entrada à memória, com cinco mulheres que, refugiadas no nosso país, vivem entre aquilo de que fugiram e um futuro de incertezas".

Da Terra à Lua apresentará ainda uma sessão dedicada à guerra no Médio Oriente e ao massacre em curso do povo palestino, com Here and Elsewhere (1976), de Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Gorin e Anne-Marie Miéville, e The Palestinians (1975), de Johan van der Keuken.

Heart Beat

Na secção Heart Beat, encontra-se Peaches Goes Bananas, de Marie Losier, que abre a programação com uma viagem ao backstage da artista electropunkDevo, de Chris Smith, "retrata a carreira quinquagenária da banda synth-pop americana, pioneira na música e no videoclipe, através de entrevistas e imagens de arquivo"; e Before It's Too Late, de Mathieu Amalric, segue de perto o Emerson String Quartet durante a gravação do seu último álbum, Infinite Voyage, após 47 anos de carreira. 

Na mesma secção, destaque para  Blur: To the End, de Toby L."acompanha a nova reunião da banda de culto liderada por Damon Albarn, e a gravação e concertos do seu mais recente álbum, The Ballad of Darren"Pavements, de Alex Ross Perry"mostra a banda indie rock Pavement a preparar-se para a sua reunion tour esgotada de 2022, enquanto acompanha a criação de um musical baseado nas suas canções."Diário de Estrada: Bruce Springsteen e The E Street Band, de Thom Zimny"cruza imagens de ensaios, momentos de backstage e testemunhos de um dos reis do rock" - o Doclisboa exibe o documentário dias antes da sua chegada à plataforma Disney+, a 25 de Outubro -; e Luiz Melodia — No Coração do Brasil, de Alessandra Dorgan, sobre a vida e o trabalho do cantor e compositor carioca, narrada na primeira pessoa.

Também o cinema está em foco no Heart BeatMiyazaki, Spirit of Nature, de Léo Favier, sobre o realizador japonês, com enfoque nos valores ecologistas que guiaram a sua carreira; Jacques Demy, the Pink and the Black, de Florence Platarets e Frédéric BonnaudFrançois Truffaut, My Life, a Screenplay, de David Teboul"revela arquivos e imagens inéditas do mestre francês numa viagem com o seu velho confidente Claude de Givray meses antes de morrer"Looking for Robert, de Richard Copans, entra no universo do realizador Robert Kramer, com quem Copans trabalhou durante 20 anos.

Peaches Goes Bananas, de Marie Losier

Ainda no Heart Beat, encontra-se High & Low — John Galliano, de Kevin Macdonald, que apresenta o mundo do designer de moda John Galliano, conta com entrevistas ao estilista e a nomes como Naomi CampbellKate Moss Anna WintourGuido Guidi Lives in Hiding, de Paulo Catrica, que vai à pequena cidade de Cesena, casa do fotógrafo que dá título ao filme e que, há mais de 40 anos,  "fotografa com um olhar distinto as coisas comuns, enquanto vai construindo um arquivo que é o retrato de uma Itália rural e suburbana"Ricardo Aleixo: Afro-Atlântico, de Rodrigo Lopes de Barros, onde "o realizador experimenta com diferentes formas de gravação de vídeo e serve-se dos poemas, da voz e do corpo do autor brasileiro para explorar a sua condição periférica e afro-brasileira"

Entre os filmes portugueses, destaque para a estreia mundial de O Voo do Crocodilo — O Timor de Ruy Cinatti, de Fernando Vendrell"sobre a relação — afectiva, etnográfica, artística — que Cinatti desenvolveu com esse país distante e que acabou por definir o curso da sua vida". Há ainda dois filmes feitos por pai e filho: Ressaca Bailada — Filme Concerto, realizado por um dos guitarristas dos Expresso TransatlânticoSebastião Varela"é a transposição visual de uma narrativa de muitos formatos rodada num castelo em ruínas, com personagens que deambulam ao som das faixas do álbum Ressaca Bailada, num movimento de celebração e questionamento da tradição cultural portuguesa"; e  O Diabo do Entrudo, de Diogo Varela Silva, foca-se numa das "mais antigas tradições de Carnaval em Portugal, o Entrudo de Lazarim, e a tudo o que envolve os Caretos, desde a elaboração das suas máscaras e trajes às dinâmicas de género geradas pela tradição e passadas entre gerações".

Por fim, Turn in the Wound, de Abel Ferrara, com Patti Smith Soundwalk Collective"mostra a guerra contada na primeira pessoa por gente comum, numa carta visual e musical de apoio ao povo ucraniano"

De regresso está a secção competitiva Verdes Anos, revelando novos talentos, o Nebulae, espaço de indústria do festival, apresenta Espanha como país convidado, e o projecto educativo abcDoc, que aposta na força do documentário como ferramenta pedagógica.

Todos os detalhes sobe o Doclisboa podem ser consultados em em doclisboa.org.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Doclisboa 2024 e Cinemateca Portuguesa apresentam Retrospectiva de Paul Leduc

O Doclisboa, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, apresenta uma retrospectiva da obra do realizador mexicano Paul Leduc (1943-2020), e terá lugar durante a 22.ª edição do festival, de 17 a 27 de Outubro.

A retrospectiva terá por título Uma Dança para a Música do Tempo, conta com o apoio do FICUNAM e da Embaixada do México, e será a maior retrospectiva dedicada a Paul Leduc, realizada fora do seu país natal e a primeira no continente europeu. 

¿Cómo ves? (1986), de Paul Leduc

Para dia 5 de Julho, às 21h45, está agendada uma sessão de antecipação na Esplanada da Cinemateca, com a exibição de ¿Cómo ves?, retrato "quase documental sobre a vida dos jovens num dos bairros mais pobres da Cidade do México, em que não há protagonistas mas antes um fresco de micro-histórias, por vezes abstratas, que de uma forma quase irreconhecível se inspiram em textos de vários escritores, incluindo alguns autores seminais como José Agustín e José Revueltas. Estes fragmentos são colados por actuações ao vivo de bandas de rock e músicos mexicanos", refere o Doclisboa em comunicado.

"Paul Leduc é um nome de referência do cinema independente mexicano da década de 1970, cujo trabalho tem vindo a ser descoberto fora de portas ao longo dos últimos anos graças ao trabalho da Filmoteca da Universidade Nacional Autónoma do México. Autor de uma obra variada, Leduc retratou através dos seus filmes as grandes alterações políticas e socioculturais do seu país de origem na segunda metade do século XX e princípio do século XXI, assim como temas centrais para compreender a História da América Latina durante esse período: desde a herança da revolução mexicana às lutas dos camponeses contra a opressão dos caciques locais, passando pelas várias revoluções da América Latina e as consequências da globalização e das políticas neoliberais que assolaram o continente. No seu cinema, Leduc quis sempre levar aos limites as linguagens cinematográficas mais convencionais, cruzando elementos do documentarismo, poesia, dança, música e magia, resultando esse trabalho numa linguagem única, vanguardista e independente", acrescenta. 

Em Outubro, o Doclisboa e a Cinemateca Portuguesa convidam à descoberta da sua obra, numa retrospectiva com curadoria de Boris Nelepo, programador do Doclisboa.

Mais informações em doclisboa.org.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Doclisboa 2023: Vencedores

Já são conhecidos os filmes vencedores da 21.ª edição do Doclisboa, que terminou este Domingo. A cerimónia de entrega dos prémios aconteceu no Sábado, dia 28 de Outubro, na Casa Independente.

La tierra los altares, de Sofía Peypoch (Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional), e As Melusinas à Margem do Rio, de Melanie Pereira (Prémio HBO Max para Melhor Filme da Competição Portuguesa), foram os grandes premiados do festival.

As sessões de exibição dos filmes premiados nesta edição do Doclisboa decorrerão nos dias 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro, no Cinema Ideal.

Eis a lista completa de vencedores:

Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional

la tierra los altares, de Sofía Peypoch


Prémio RTP do Júri da Competição Internacional

Terril, de Jorn Plucieniczak


Menção Honrosa – Competição Internacional

Magnificent Sky, de Alexandru Badea


Prémio HBO Max para Melhor Filme da Competição Portuguesa

As Melusinas à Margem do Rio, de Melanie Pereira


Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do Júri da Competição Portuguesa

Memories of a Perfect Day, de Davina-Maria El Khoury


Prémio Melhor Curta-Metragem

At Night, the Red Sky, Ali Razi


Prémio Revelação Canais TV Cine

la tierra los altares, de Sofia Peypoch


Prémio Lugares de Trabalho Seguros e Saudáveis

Hormigas Perplejas, de Mercedes Moncada Rodríguez


Menção Honrosa - Prémio Lugares de Trabalho Seguros e Saudáveis

Human, not Human, de Natan Castay


Prémio Direitos e Liberdades

An Owl, a Garden and the Writer, de Sara Dolatabadi


Menção Honrosa – Prémio Direitos e Liberdades

The Trial, de Ulises de la Orden


Prémio Fundação INATEL

Fogo no Lodo, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca


Prémio Fernando Lopes

As Melusinas à Margem do Rio, de Melanie Pereira


Prémio Uniarts Helsinki para Melhor Filme nos Verdes Anos

Sparks, de Ève Le Fessant Coussonneau


Prémio Pedro Fortes para Melhor Filme Português nos Verdes Anos

By Division and Differentiation, de Carolina Grilo Santos


Menção Honrosa – Verdes Anos

Passportless Mess, de Maja Penčič


Prémio do Público Jornal Público

Verdade ou Consequência?, de Sofia Marques


Prémio Escolas

As Melusinas à Margem do Rio, de Melanie Pereira


Horários das Sessões de Exibição dos Filmes Premiados - Cinema Ideal

30 OUT

20h00

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA?, Sofia Marques (106')

Prémio do Público


22h00

FOGO NO LODO, Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca (119')

Prémio Fundação InateL


31 OUT

20h00

AN OWL, A GARDEN & THE WRITER, Sara Dolatabadi (83')

Prémio Direitos e Liberdades Legal Partners Portugal


22h00

AT NIGHT, THE RED SKY, Ali Razi (39')

Prémio Melhor Curta-Metragem

PERPLEXED ANTS, Mercedes Moncada (94')

Prémio Lugares de Trabalho Seguros e Saudáveis


1 NOV

20h00

MEMORIES OF A PERFECT DAY, Davina Maria (18')

Prémio Especial do Júri SPA da Competição Portuguesa

AS MELUSINAS À MARGEM DO RIO, Melanie Pereira (82')

Prémio HBO Max Melhor Filme da Competição Portuguesa

Prémio Fernando Lopes

Prémio Escolas


22h00

TERRIL, Jorn Plucieniczak (29')

Prémio Especial do Júri RTP da Competição Internacional

EARTH ALTARS, Sofía Peypoch (69')

Grande Prémio Cidade de Lisboa da Competição Internacional

Prémio Revelação Canais TV Cine


Mais informações sobre o Doclisboa em https://doclisboa.org/2023/.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Doclisboa 2023 já começou e leva muito cinema à Capital até 29 de Outubro

O Doclisboa 2023 já começou e prolonga-se até dia 29 de Outubro, no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e Cinema Ideal.

Man in Black, de Wang Bing, abriu o festival, esta Quinta-feira, dia 19 de Outubro. Na Sessão de Encerramento será exibido Baan, de Leonor Teles, no dia 29 de Outubro, pelas 21h00, na Culturgest.

A Competição Internacional conta com 13 filmes, entre os quais: Suite Canadienne, de Olivier Godin; Earth altars, de Sofía Peypoch; Ongoing Cave, de Julian D’Angiolillo; Perplexed Ants, de Mercedes Moncada Rodríguez; e Magnificent Sky, de Alexandru Badea.

Já a Competição Portuguesa tem nove filmes na corrida: Memories of a Perfect Day, de Davina-Maria El Khoury; Em Ano de Safra, de Sofia Bairrão; Guarda Vieja 3458 timbre 3/6, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes; Clandestina, de Maria Mire; Para Norte, de Rui Esperança; As Melusinas à Margem do Rio, de Melanie Pereira; This Night Has Opened My Eyes, de Francisco Valente; Lucefece: Where there is no vision, the people will perish, de Ricardo Leite, e Fogo no Lodo, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca.

 Não Sou Nada - The Nothingness Club

Na secção Riscos, destaque para o novo filme de Edgar PêraNão Sou Nada - The Nothingness Club, sobre Fernando Pessoa; Accidents of History, de Jerónimo Atehortúa Arteaga, que "continua o trabalho desenvolvido com Ospina para a re-significação da história do cinema colombiano"; bem como para os realizadores convidados Paula Gaitán e Mika Taanila

Regressam as habituais secções Verdes Anos, Doc Alliance e Nebulae, e as sessões de cinema para escolas com o programa abcDoc. À programação juntam-se as já anunciadas retrospectivas de Anastasia Lapsui e de Markku Lehmuskallio, e O Documentário em Marcha: Conturbados Anos 30 na América do New Deal, bem como as secções Heart Beat e Da Terra à Lua.

Mais informações sobre o Doclisboa 2023, programa completo e horários das sessões, em https://doclisboa.org/2023/.

sábado, 9 de setembro de 2023

'Verdade ou Consequência?', sobre Luís Miguel Cintra, exibido no Doclisboa 2023

O documentário Verdade ou Consequência, de Sofia Marques, sobre o actor e encenador Luís Miguel Cintra, tem estreia na secção Heart Beat do Doclisboa 2023.

No filme, a realizadora Sofia Marques "parte em busca do seu amigo Luís Miguel Cintra; e Cintra em busca de si mesmo, ambos escavando a matéria e a memória do teatro, a matéria e a memória da vida - em casa, rodeado de estatuária e do seu Porto, junto ao mar e na Espanha onde nasceu, num palco de luz e sombras, nos filmes de Manoel de Oliveira ou nos poemas de Ruy Belo".

Verdade ou Consequência? terá uma sessão única de antestreia a 12 de Setembro, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, no Porto. A estreia no Doclisboa está agendada para 22 Outubro às 15h30, no Auditório Emílio Rui Vilar da Culturgest.

 Mais informações sobre o Doclisboa 2023 em https://doclisboa.org/2023/.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Doclisboa 2023 anuncia novidades nas secções 'Heart Beat' e 'Da Terra à Lua'

O Doclisboa anunciou os primeiros títulos confirmados da sua 21.ª edição, que acontecerá de 19 a 29 de Outubro. Para já, foram revelados cinco filmes da secção musical Heart Beat e cinco filmes da secção Da Terra à Lua.

Da Terra à Lua apresenta uma visão íntima da realizadora Sara Dolotadabi sobre o seu pai, o escritor iraniano Mahmoud Dowlatabadi – autor da mais longa narrativa escrita em língua persa –, no filme An Owl, A Garden & The Writer. A este título juntam-se A Câmara, de Cristiane Bernardes e Tiago Aragão, em estreia mundial no Doclisboa, que "acompanha mulheres eleitas de diferentes espectros políticos, que exercem o seu cargo na Câmara dos Deputados durante o último ano do governo de Jair Bolsonaro", e L’amitié, de Alain Cavalier, que filma "os laços indeléveis que o ligam àqueles que sabem consigo partilhar o espaço, quer seja à frente ou atrás das câmaras". E ainda o novo filme de Frederick Wiseman, Menus Plaisirs - Les Troigros, e o filme póstumo de Luís Ospina, co-realizado com Jeronimo Atehortua Arteaga, Silent Witnesses.

Na secção Heart Beat, encontram-se Ospina Cali Colombia, de Jorge de Carvalho; Joan Baez I Am Noise, de Karen O’Connor, Maeve O’Boyle e Miri Navaski; Nôs Dança, de Rui Lopes da Silva, que convida a viajar com o bailarino e coreógrafo António Tavares às ilhas de Cabo Verde; Creature, de Asif Kapadia, que une a dança e cinema e re-interpreta uma coreografia de Akram Khan; e ainda Nam June Paik: Moon is the Oldest TV, de Amanda Kim, "que conta a história de como o mais célebre artista coreano e pioneiro da videoarte, se tornou famoso em Nova Iorque, e de como previu o futuro – em que 'cada um terá o seu próprio canal de TV'"

O Doclisboa apresentou também a imagem desta edição, assinada pela designer Ana C. Bahia

Mais informações sobre o festival em https://doclisboa.org/2023/.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Doclisboa 2023 anuncia Retrospetivas

O Doclisboa 2023 anunciou as retrospectivas, inseridas na programação do festival. O evento acontece de 19 a 29 de Outubro de 2023.

Este ano, as propostas recaem no cinema americano do período do New Deal, com sessões pensadas em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, e visões da tundra, das florestas, e da vida no Norte, a descobrir no cinema de Anastasia Lapsui e de Markku Lehmuskallio, num programa apoiado pela Finnish Film Foundation.

O Documentário em Marcha: Conturbados Anos 30 na América do New Deal

Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, a retrospectiva temática do Doclisboa será então dedicada "ao conjunto de cineastas radicais que, em plena Grande Depressão, lutaram para fazer nascer o novo género do Documentário Social como instrumento de mudança socio-política nos EUA. Paralelamente ao empenho do Presidente Roosevelt em prol da justiça social através das políticas do New Deal do seu governo na década de 1930, uma geração de cineastas procurou infundir factos com sentimentos, arte com agitprop e propaganda, através de um cinema da realidade que procurava comunicar, e talvez até ajudar a resolver, as questões sociais significativas de tempos turbulentos e conturbados".

Da auto-proclamada produção “revolucionária” e das câmaras armadas de grupos independentes, como a Film and Photo League e a Frontier Films, aos épicos “documentários musicais”, financiados e produzidos pelo Governo dos EUA, a retrospectiva vai centrar-se num grupo central de cineastas – incluindo Ralph Steiner, Irving Lerner, Willard Van Dyke, Paul Strand, Leo Hurwitz, Herbert Kline, Pare Lorentz e Joris Ivans – mapeando "uma década única de possibilidades, experiências e desafios, tanto para o cinema como para a sociedade, mostrando ao mesmo tempo como muitas das crises actuais se reflectem nas do nosso passado".

Anastasia Lapsui & Markku Lehmuskallio

Anastasia Lapsui e Markku Lehmuskallio serão alvo da primeira retrospectiva completa dedicada à sua obra. "Anastasia Lapsui, realizadora e argumentista, nascida em 1944 na Região Autónoma de Yamalo-Nenets, então território da União Soviética, e Markku Lehmuskallio, realizador e director de fotografia nascido em 1938 na Finlândia, dedicaram as suas vidas e o seu trabalho conjunto aos povos indígenas do Norte: aos Sami, Inuit, Nenets, Chukchi e Selkup, entre outros. Ao tentarem transmitir os modos de ver e a cultura desses povos, que filmam através de uma grande variedade de abordagens cinematográficas, documentaram as suas vidas e criaram um corpo de trabalho único".

Enquanto Lehmuskallio trabalhou como guarda-florestal na Finlândia e iniciou-se no cinema ao criar filmes de instrução, Lapsui, oriunda de uma família nómada, foi a primeira jornalista radiofónica indígena em Yamal.

A sua filmografia inclui a primeira longa-metragem finlandesa em que o povo Sami fala a sua própria língua, bem como Seven Songs from the Tundra, o primeiro filme narrativo de sempre na língua Nenets. Para além de ser um estudo antropológico, as temáticas do seu cinema focam-se na natureza, na ecologia, nas florestas, no mundo animal e no planeta. 

As retrospectivas do Doclisboa são momentos marcados por projectos curatoriais que oferecem uma visão precisa e abrangente dos temas e cineastas a que são dedicadas; a sessão de antecipação terá lugar na esplanada da Cinemateca Portuguesa no dia 7 de Julho às 21h30, e lançará um primeiro olhar sobre a programação desta edição.

Serão exibidos os filmes, Footnote to Fact, de Lewis Jacobs (EUA, 1933, 8’), Millions of Us, de Jack Smith [Slavko Vorkapich] e Tina Taylor (EUA, 1936, 17’), e Hands, de Ralph Steiner e Willard Van Dyke (EUA, 1934, 4’), como antevisão da retrospectiva O Documentário em Marcha: Conturbados Anos 30 na América do New Deal.

A sessão continuará com o filme, Anna, de Anastasia Lapsui e Markku Lehmuskallio (Finlândia / 1997 / 58’), que apresenta a retrospectiva dedicada aos realizadores.

Mais informações sobre o Doclisboa em https://doclisboa.org/2023/.

domingo, 16 de outubro de 2022

Doclisboa 2022: Vencedores

Já são conhecidos os filmes vencedores da 20.ª edição do DoclisboaA Date in Minsk, de Nikita Lavretski, Vexations, de Leonardo Mouramateus, A Visita e um Jardim Secreto, de Irene M. Borrego, e Memória, de Welket Bungué, são alguns dos títulos premiados.

Eis a lista completa de vencedores:

Competição Internacional

Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional

A Date in Minsk, de Nikita Lavretski 


Prémio YouTube do Júri da Competição Internacional

A Landscaped Area Too Quiet For Me, de Alejandro Vázquez San Miguel

 

Competições Portuguesa e de Curtas-Metragens

Prémio HBO Max para Melhor Filme da Competição Portuguesa (ex aequo)

Vexations, de Leonardo Mouramateus

A Visita e um Jardim Secreto, de Irene M. Borrego

 

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do Júri da Competição Portuguesa

Memória, de Welket Bungué

 

Prémio Escolas ETIC para Melhor Filme da Competição Portuguesa

A Visita e um Jardim Secreto, de Irene M. Borrego


Competição Transversal

Prémio Revelação - Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Longa-Metragem (mais de 60’) de uma selecção transversal a todas as secções, excepto retrospectivas e Cinema de Urgência

It’s Party Time, de Léo Liotard


Menção Honrosa

Moto, de Gastón Sahajdacny

 

Prémio para Melhor Curta-Metragem (até 40’) de uma selecção transversal a todas as secções, excepto retrospectivas e Cinema de Urgência

May the Earth Become the Sky, de Ana Vîjdea

 

Prémios Lugares de Trabalhos Seguros e Saudáveis - Prémio Agência Europeia para a Segurança no Trabalho para Melhor Longa-Metragem de Temática Associada ao Trabalho de uma selecção transversal a todas as secções, excepto retrospectivas e Cinema de Urgência.

The Beach of Enchaquirados, de Iván Mora Manzano

 

Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade, de uma selecção transversal a todas as secções excepto retrospectivas e Cinema de Urgência

Adeus, Capitão, de Tatiana Almeida e Vincent Carelli


Menção Honrosa

Yarokamena, de Andrés Jurado


Prémio Fernando Lopes - Prémio Midas Filmes e Doclisboa para Melhor Primeiro Filme Português

Home, Revised, de Inês Pedrosa e Melo 


Prémio do Público - Prémio Jornal Público para Melhor Filme Português Transversal a Competições, Riscos, Heart Beat e Da Terra à Lua 

O que podem as Palavras, de Luísa Marinho e Luísa Sequeira


Competição Verdes Anos

Prémio Le Fresnoy para Melhor Filme dos Verdes Anos

Picnic at Hanging Rock, de Naama Heiman


Prémio Pedro Fortes para Melhor Filme Português nos Verdes Anos

Bentuguês, de Daniel Borga


Prémios Arché

Prémio RTP para Melhor Projecto em Fase de Montagem ou Primeiro Corte

A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro


Prémio Selina para Melhor Projecto em Fase de Escrita ou Desenvolvimento

Continuum, de Mariana Bomba


Prémio Escola das Artes Universidade Católica Portuguesa Especial do Júri Arché para Melhor Projecto em Fase de Escrita e Desenvolvimento

House made of mist, de Alberto Dexeus


 Toda a informação sobre o Doclisboa pode ser consultada em https://doclisboa.org/2022/.