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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Doclisboa'18: The People vs. Paul Crump (1962)

*7/10*


O primeiro filme que William Friedkin realizou, muito antes dos títulos de culto que o tornaram famoso em Hollywood, foi um documentário. Uma espécie de filme-altruísta que ajudou a salvar da morte Paul Crump, um condenado à cadeira eléctrica.


Em 1953, cinco homens negros assaltaram uma fábrica. Na confusão da fuga, um segurança foi baleado e morto. Um dos assaltantes, Paul Crump, foi acusado de homicídio e condenado à morte. Friedkin acreditava na inocência do jovem e fez este filme, para lhe salvar a vida.

The People vs. Paul Crump é o nome do documentário de estreia do cineasta que, anos mais tarde, realizou o sucesso de terror O Exorcista. Ainda longe do registo que o tornou famoso, Friedkin consegue fazer com que todos ouçam a versão do acusado, fazendo uma reconstituição dos acontecimentos à medida que Paul Crump faz o seu relato, tão revoltado como emocionado.

Friedkin cria assim um bom argumento de defesa do homem que há nove anos esperava pelo dia em que percorreria o corredor da morte. E aliadas à ideia da cadeira eléctrica, surgem, a finalizar o documentário, planos aterradores desse instrumento de tortura e morte - imagens tão abjectas como demoníacas. E estas eram reais.

Doclisboa'18: Westwood: Punk, Icon, Activist (2018)

*6/10*

Westwood: Punk, Icon, Activist é um documentário repleto de cor, música e rebeldia, que percorre a vida e crenças da estilista Vivienne Westwood, desde a década de 60, até à actualidade. O filme fez parte da secção Heart Beat do Doclisboa'18 e atraiu muitos fãs da estilista ao festival.


A realizadora Lorna Tucker entra no local de trabalho da septuagenária designer de moda, sempre exigente e perfeccionista, e apresenta-nos a sua história, através de imagens de arquivo, testemunhos de familiares, colaboradores e amigos próximos, e da própria. Fazer Vivienne Westwood falar sobre si é difícil e rapidamente nos apercebemos disso ao ver as tentativas da realizadora, que utiliza com humor os momentos de recusa da estilista.

Westwood: Punk, Icon, Activist analisa a sua luta difícil para triunfar, com enfoque no seu talento artístico, activismo e significado cultural. A História e integridade da sua marca, os seus princípios e o seu legado são os principais focos do documentário. 

Contudo, Lorna Tucker não aproveita o tempo da melhor forma e, num filme que devia ser mais longo, toca superficialmente os temas fortes da vida de Vivienne. Por aqui, gostávamos de um retrato mais profundo desta mulher ainda tão provocadora, activista ambiental, que entre o punk e os escândalos, chegou longe, ganhou prémios e recebeu até o título de Dama, pela casa real britânica.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Friedkin Uncut (2018)

*7.5/10*


William Friedkin esteve em foco na secção Heart Beat no documentário Friedkin Uncut, de Francesco Zippel. O filme percorre a carreira do cineasta de O Exorcista, analisando-a através de excertos de filmes e conversas sinceras com o próprio Friedkin, e outros nomes que trabalharam com ele ao longo dos anos ou apenas o admiram.


Ellen BurstynFrancis Ford Coppola, Dario Argento Matthew McConaugheyQuentin Tarantino, Juno TempleMichael ShannonDamien ChazelleWes AndersonEdgar Wright são alguns dos nomes que partilham connosco a sua experiência (em muitos casos inesquecível) com William Friedkin.

Pela primeira vez, Friedkin decidiu expor-se e conduzir os espectadores numa viagem através dos temas e histórias que mais tiveram influência na sua vida e trabalho. The French Connection, The Exorcist, Sorcerer, CruisingTo Live and Die in L.A e Killer Joe são algumas das obras citadas. Sem esquecer o primeiro filme do cineasta (que também faz parte da programação do Doclisboa'18The People vs. Paul Crump, que foi onde tudo começou, antes da chegada a Hollywood.

As conversas com William Friedkin são de uma franqueza notável, e o à-vontade do realizador faz-nos sentir convidados a entrar em sua casa e tomar um belo copo de café com ele. Friedkin Uncut traz-nos, acima de tudo, momentos bem passados, com um filme bem construído e um cineasta entusiasmante.

Doclisboa'18: Turno do Dia / Day Shift (2018)

*6/10*


Turno do Dia, de Pedro Florêncio, surgiu na Competição Portuguesa do Doclisboa suscitando curiosidade. O documentário apresenta-nos a central de emergência médica da linha 112, na sede do INEM, em Lisboa.


Os pedidos de ajuda não param de chegar ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes. À distância, é preciso prestar todas as informações necessárias enquanto não chega uma equipa médica. Turno do Dia é um filme sobre rostos, gestos e procedimentos de um turno do dia no INEM.

Pedro Florêncio leva-nos a conhecer os quatro cantos à casa, e mostra-se bom ouvinte. O público confessa a curiosidade em saber como tudo se passa do outro lado do telefone. Dos casos mais dramáticos e urgentes aos mais inusitados, percebemos que ao INEM chegam chamadas pelos motivos mais variados e, alguns deles, caricatos. Quem ali trabalha, tem de ter a calma e paciência que, muitas vezes, o lado que telefona não tem. E a rotina é exigente e, certamente, perturbadora.

Turno do Dia filma os bastidores do trabalho de quem ajuda a salvar vidas e fá-lo com grande familiaridade. O filme peca apenas por ser tão longo, algo que uma montagem mais certeira poderia melhorar e dotar de mais ritmo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Vencedores

O Doclisboa'18 terminou neste Domingo, dia 28 de Outubro, e Greetings From Free Forests, de Ian Soroka, venceu o Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional. Terra, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres venceram a Competição Portuguesa.


Conhece a lista completa de premiados:

Competição Internacional
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional
GREETINGS FROM FREE FORESTS
Ian Soroka

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do Júri da Competição Internacional
THE GUEST
Sebastian Weber

Competição Portuguesa
Prémio Doclisboa para Melhor Filme da Competição Portuguesa
TERRA
Hiroatsu Suzuki, Rossana Torres

Prémio Kino Sound Studio do Júri da Competição Portuguesa
PELE DE LUZ
André Guiomar

Menção Honrosa do Júri da Competição Portuguesa
VACAS E RAINHAS
Laura Marques

Prémio Escolas – Prémio ETIC para Melhor Filme da Competição Portuguesa
TERRA FRANCA
Leonor Teles

Competição Transversal
Prémio Revelação
Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Longa-Metragem
CIDADE MARCONI
Ricardo Moreira

Menção Honrosa: 
AMANECER
Carmen Torres

Menção Honrosa: 
PAUL IS DEAD
Antoni Collot

Prémio Ageas Seguros para Melhor Curta-Metragem
THE GUEST
Sebastian Weber

Prémio do Público – Prémio Jornal Público para Melhor Filme Português
(transversal a competições, Riscos, Heart Beat e Da Terra à Lua)
VADIO
Stefan Lechner

Prémio Prática, Tradição e Património – Prémio Fundação Inatel
VACAS E RAINHAS
Laura Marques

Competição Verdes Anos
Prémio Kask/Brussels Airlines para Melhor Filme dos Verdes Anos
AFTER THE FIRE
Ahsan Mahmood Yunus

Prémio Especial Walla Collective do Júri Verdes Anos
AOS MEUS PAIS
Melanie Pereira

Prémio Doc’s Kingdom para Melhor Realização nos Verdes Anos
SONG OF THE BELL
Hosein Jalilvand

Arché
Prémio RTP para Melhor Projecto em fase de Pós-produção
FANTASMAS: CAMINHO LONGO PARA CASA
Tiago Siopa

Prémio FCSH para Melhor Projecto das Oficinas Arché
VIAGEM AOS MAKONDE DE MOÇAMBIQUE
Catarina Alves Costa

Prémio Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas para Melhor Projecto em Fase de Escrita
LA PLAYA DE LOS ENCHARQUIDOS
Iván Mora Manzano

Prémio Bienal Arte Jovem
AMOR E MEDOS ESTRANHOS
Deborah Viegas


Os filmes premiados do Doclisboa'18 passam no Cinema Ideal nos dias 29, 30 e 31 de Outubro, com sessões às 18h00 e às 22h15. 

domingo, 28 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Actos de Cinema / Acts of Cinema (2018)

*7/10*


Jorge Cramez surge em dose dupla no Doclisboa'18 e o Hoje Vi(vi) um Filme não quis perder a estreia de Actos de Cinema (Acts of Cinema), longa-metragem da secção Riscos.

Um resumo muito eficaz e rico do cinema português mais recente, repleto de arquivos filmados durante a rodagem de filmes de Miguel Gomes, Teresa Villaverde, João Botelho, Fernando Lopes, José Álvaro de Morais, entre outros. Um retrato sincero e frontal de como é trabalhar em cinema em Portugal, com todas as limitações, dificuldades e improvisos que só os portugueses sabem ultrapassar.

Entre a nostalgia das imagens de bastidores, surgem testemunhos e recordações sentidas de realizadores, actores e técnicos que falam para a câmara.  João Botelho, João Mário Grilo, Beatriz Batarda, Ana Moreira, Teresa Villaverde, Miguel Gomes, Vasco Pimentel, Pedro MeloMarcello Urgeghe, etc.

Actos de Cinema é quase um diário de bordo de Jorge Cramez, que começa nos cenários pintados de Os Maias, com o rigor e perfeccionismo de Botelho, espreita as aventuras da curta-metragem W, de Paulo Belém, enfrenta as temperaturas geladas de Transe, de Teresa Villaverde, e recebe o companheirismo de Fernando Lopes na rodagem de 98 Octanas, entre tantas outras aventuras que partilha com a plateia.

Cramez criou assim um filme, ritmado, com uma montagem de excelência que nunca nos faz perder o interesse. Informativo e melancólico, assim é Actos de Cinema.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Fahrenheit 11/9 (2018)

*7/10*


Michael Moore não perdoa e volta à carga com Fahrenheit 11/9, com mais denúncias e muita propaganda. Quem já conhece o realizador, sabe o que esperar. Este lado activista sarcástico é uma das maiores qualidades que podemos reconhecer-lhe.

Percorremos a eleição de Trump, no dia 9 de Novembro de 2016, o boicote dos democratas a Bernie Sanders, as lágrimas dos apoiantes de Hillary Clinton, a crise da água em Flint, Michigan, a desilusão Obama, a Guerra, as armas, a separação de pais e filhos mexicanos, o descontrolo total do país que se diz o melhor do mundo.

Recorrendo a imagens de arquivo de diversos momentos da História norte-americana recente, Moore não se coíbe de expor o pior lado dos EUA, a corrupção, e vai ao terreno, conhecer os problemas, falar com os que não baixam os braços, provocar e confrontar quem não tem humanidade. Ele quer justiça. A sua crítica mordaz e ironia constante estão, como sempre, presentes, ao mesmo tempo que o realizador nos apresenta a personagens com ideais e vontade de lutar.


Michael Moore tem ritmo e sabe cativar - ou chocar - a audiência, mesmo que, por vezes, divague um pouco demais. Certo é que o realizador nunca perde a coragem ou vontade de denunciar, e far-nos-á questionar profundamente muitos problemas do mundo actual.

O Doclisboa'18 apresentou o documentário em antestreia, mas em Novembro Fahrenheit 11/9 chegará às salas de cinema nacionais.

sábado, 20 de outubro de 2018

Crítica: Terra Franca / Ashore (2018)

*8/10*


Leonor Teles é talentosa e prova-o a cada novo filme. A sua primeira longa-metragem enquanto realizadora é mais uma lufada de ar fresco no cinema nacional com uma docuficção (não consigo classificá-lo apenas como documentário) enigmática, naturalista e terna. Terra Franca é um regresso à terra onde cresceu e às pessoas que lá conheceu, centrando-se num protagonista tão forte como misterioso.

À beira do Tejo, numa antiga comunidade piscatória, um homem vive entre a tranquilidade solitária do rio e as relações que o ligam à terra. Terra Franca retrata a vida deste pescador, Albertino Lobo, atravessando as quatro estações que renovam os ciclos da natureza e acompanham as contingências da vida, tudo passado em Vila Franca de Xira.

Observa sem comentar, não levanta ondas, não partilha as suas mágoas, sorri para as mulheres da sua vida e diverte-se, de sorriso embevecido, com a picardia entre mãe e filhas. No íntimo, Albertino sofre, receia. Ele é um homem do rio e é lá que se sente bem e solto, no seu trabalho. O rio é a sua liberdade e libertação. Sem ele, a depressão paira e a esperança esfuma-se, mas Albertino não desiste.


O documentário de Leonor faz-nos chegar perto das suas personagens sem sermos intrusivos mas, ao mesmo tempo, ligamo-nos à família como se fizéssemos parte dela, provavelmente como Leonor. Atrás da câmara, ela não interfere na vida daquelas pessoas mas também não lhes é estranha. Leonor conta-nos aquela história real, e entra na intimidade dos Lobo, e na introspecção de Albertino (o lobo do rio). Quase somos capazes de ler-lhe o pensamento.

Leonor Teles promete conquistar mais públicos e mais salas de cinema com a sua arte que, até agora, tem sido tão encantadora como desafiante.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Doclisboa'18: 20 Filmes a Não Perder

O Doclisboa começa esta Quinta-feira, dia 18 de Outubro e até dia 28 há muito cinema para ver em Lisboa. O Hoje Vi(vi) um Filme deixa algumas sugestões de filmes que não deves perder.

The Waldheim Waltz (Waldheims Walzer), de Ruth Beckermann
Sessão de Abertura

Brisseau – 251, Marcadet’s Street (Brisseau – 251 rue Marcadet), de Laurent Achard
Competição Internacional

Extinção (Extinction), de Salomé Lamas
Competição Portuguesa

Terra Franca (Ashore), de Leonor Teles
Competição Portuguesa

Turno do Dia (Day Shift), de Pedro Florêncio
Competição Portuguesa

Aftermath, de Mike Hoolboom
Riscos

Acts of Cinema (Actos de Cinema), de Jorge Cramez
Riscos

Eldorado, de Markus Imhoof
Da Terra à Lua

Fahrenheit 11/9, de Michael Moore
Da Terra à Lua

Graves Without a Name (Les Tombeaux sans noms), de Rithy Panh
Da Terra à Lua

Monrovia, Indiana, de Frederick Wiseman
Da Terra à Lua

Yours in Sisterhood, de Irene Lusztig
Da Terra à Lua

Depeche Mode: 101, de David Dawkins, Chris Hegedus, D.A. Pennebaker
Heart Beat

Bad Reputation, de Kevin Kerslake
Heart Beat

Deux, trois fois Branco, à la rencontre d’un producteur de légendes, de Boris Nicot
Heart Beat

Friedkin Uncut, de Francesco Zippel
Heart Beat

Shut Up and Play the Piano, de Philipp Jedicke
Sessão de Abertura - Heart Beat

The People vs. Paul Crump, de William Friedkin
Heart Beat

Vadio – I Am Not A Poet (Vadio), de Stefan Lechner
Heart Beat

Westwood: Punk, Icon, Activist, de Lorna Tucker
Heart Beat

Toda a programação e outras informações em https://www.doclisboa.org/2018/.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Doclisboa'18 anuncia programação completa

O Doclisboa'18 deu a conhecer a sua programação completa esta Quarta-feira, dia 3 de Outubro, em conferência de imprensa. O festival acontece entre os dias 18 e 28 de Outubro.


Após as novidades já anunciadas, eis que chegam as que faltavam. A Competição Portuguesa traz consigo 18 filmes, entre eles o premiado Terra Franca, de Leonor Teles, Extinção, de Salomé Lamas, Alis Ubbo, de Paulo Abreu, Avenida Almirante Reis em 3 Andamentos, de Renata Sancho, Mood Keep, de Alice dos Reis, ou Turno do Dia, de Pedro Florêncio.

A secção Riscos tem James Benning e Mike Hoolboom como realizadores convidados, através do diálogo entre filmes de diferentes momentos das suas vidas, e um pequeno foco temático. Transmissão, Territórios Imaginados condensa uma linha de força do festival: filmar é confrontarmo-nos com outros mundos possíveis. Evidence, de 1935, o primeiro filme de vigilância, da polícia de Londres, é o ponto de partida para um programa sobre a prova e a imagem forense. O actor Jean-François Stévenin apresentará cópias restauradas dos três filmes que realizou.

Na secção Cinema de Urgência desta edição do Doclisboa apresentam-se filmes que respondem às lacunas do exercício dos media, existindo através de redes sociais e outros meios, estabelecendo um ancoramento imediato com a realidade que, cada vez mais, desafia os cineastas a uma prática quotidiana da cidadania.

Toda a programação e horários das sessões já podem ser consultados no site do festival: https://www.doclisboa.org/2018/.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Doclisboa'18: Da Terra à Lua, Estreias e Heart Beat

The Waldheim Waltz, de Ruth Beckermann, será o filme de abertura do Doclisboa'18 e Infinite Football, de Corneliu Porumboiu, é exibido no encerramento. O festival lisboeta acontece de 18 a 28 de Outubro.

Em The Waldheim Waltz, Ruth Beckermann - que estará presente no Doclisboa - recorre a materiais de arquivo para um novo olhar sobre o caso de Kurt Waldheim, ex Secretário-geral da ONU com um obscuro passado Nazi. Na sessão de encerramento do festival, Corneliu Porumboiu volta à sua terra natal para saber mais sobre um novo desporto inventado a partir de alterações às regras do futebol em Infinite Football.


Da Terra à Lua

Os novos filmes de Wang Bing (Dead Souls), Stefano Savona (Samouni Road) e Želimir Žilnik (The Most Beautiful Country in the World) na serão exibidos na secção Da Terra à Lua. Rosa Coutinho Cabral apresenta PE SAN IÉ, Steve Sprung exibe O Plano, e Pedro Neves Marques mostra a curta-metragem A Arte Que Faz Mal à Vista, filme sobre a estátua do padre António Vieira, que será exibido com Ava Yvy Vera - A Terra do Povo do Raio, obra realizada por um colectivo indígena sobre a reconquista das suas terras.

Marie-Clémence Andriamonta-Paes virá ao Doclisboa apresentar o seu filme FAHAVALO, Madagascar 1947, em que a realizadora volta a Madagáscar para reabrir as feridas do colonialismo naquele país. Talal Derki apresenta Of Fathers and Sons, dando-nos uma perspectiva única sobre o quotidiano de uma família radical islâmica. 

The Silence of Others, de Almudena Carracedo e Robert Bahar, mostra a luta das vítimas e sobreviventes de atrocidades cometidas durante a ditadura de Franco, em Espanha. A exibição do filme será acompanhada por um debate, com a presença da realizadora e de Paqui Maqueda, representante da associação Nuestra Memoria, que o filme acompanha. The Raft, de Marcus Lindeen, dá-nos a conhecer os sobreviventes de uma experiência social sobre a violência e a atracção sexual, realizada nos anos 70.

Monrovia, Indiana, o novo filme de Frederick Wiseman, será exibido após a sua estreia no Festival de Veneza. Rithy Panh continua a sua busca pessoal com Graves Without a Name, e estará no Doclisboa'18.

Luis Ospina estará presente no festival, onde haverá uma retrospectiva integral da sua obra, bem como do foco Navegar o Eufrates, Viajar no Tempo do Mundo, que explora o passado daquela região geográfica para compreender o seu presente. 

Estreias Mundiais

Na sua 16ª edição, o Doclisboa apresenta obras de 21 países na Competição Internacional, todas em estreia mundial ou internacional. São elas: 

12 AND 24, de Kim Namsuk (Coreia do Sul, EUA, 2018, 102’)   – Estreia Internacional
Resurrection, de Orwa Al Mokdad (Síria, Líbano, 2018, 18’) - Estreia Mundial
Antecâmara, de Jorge Cramez (Portugal, 2018, 52’) – Estreia Mundial
That Summer Without a Home, de Santiago Reale (Argentina, 2018, 10’) – Estreia Mundial
Brisseau 251 Marcadet’s Street, de Laurent Achard (França, 2018, 55’) – Estreia Mundial
Tripoli Tide, de Ahmed Elghoneimy (Líbano, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Alemanha, 2018, 16’) – Estreia Mundial
Goodnight & Goodbye, de Yao-Tung Wu (Taiwan, 2018, 66’) – Estreia Internacional
The Guest, de Sebastian Weber (Polónia, 2018, 31’) – Estreia Internacional
Silent Streams, de Philippe Ramos (França, 2018, 70’) – Estreia Internacional
Greetings From Free Forests, de Ian Soroka (EUA, Eslovénia, Croácia, 2018, 99’) – Estreia Internacional
From the Land, de Ramona Bădescu, Jeff Silva (França, EUA, 2018, 30’) – Estreia Mundial
Maré, de Amaranta Cesar (Brasil, 2018, 23’)– Estreia Internacional
Miró. Traces of Oblivion, de Franca González (Argentina, Equador, 2018, 91’) – Estreia Internacional
Monologue, de Otto Lakoba (Rússia, 2017, 27’) – Estreia Internacional
Odyssey, de Sabine Groenewegen (Holanda, Bélgica, França, Portugal, 2018, 63’) – Estreia Mundial
To War, de Francisco Marise (Argentina, Espanha, Portugal, Panamá, 2018, 65’) – Estreia Internacional
What Madness, de Diego Governatori (França, 2018, 85’) – Estreia Internacional
Reunion, de Ilan Serruya (Espanha, 2018, 65’) – Estreia Mundial
We Are the Sons of Your Rocks, de Ivan Salatic (Montenegro, 2018, 34’)– Estreia Mundial
Their Own Republic, de Aliona Polunina (Rússia, 2018, 70’) – Estreia Internacional
Topo y Wera, de Jean-Charles Hue (França, 2018, 49’) – Estreia Mundial
Komodo Dragons, de Michał Borczuch (Polónia, 2018, 71’) – Estreia Internacional

Heart Beat

A secção Heart Beat dá destaque a dois grandes nomes femininos do movimento punk: Joan Jett, estrela de Bad Reputation, de Kevin Kerslake, e Vivienne Westwood, que a realizadora Lorna Tucker (que marcará presença no Doclisboa) dá a conhecer em Westwood: Punk, Icon, Activist


Na sessão de abertura da secção haverá lugar para a música de Chilly Gonzalez em Shut Up and Play the Piano, de Philipp Jedicke, que acompanha o compositor e pianista.

Mstislav Rostropovitch, the Indomitable Bow, de Bruno Monsaingeon, é um documentário que dá um retrato íntimo do violoncelista e maestro Mstislav Rostropovitch. O realizador estará presente no festival. Blue Note Records: Beyond the Notes, de Sophie Huber, explora a visão por trás da editora de jazz dos EUA, responsável por artistas como John Coltrane, Miles Davis e Norah Jones.

Depeche Mode 101 é um documentário que acompanha as aventuras dos Depeche Mode e a viagem dos seus fãs rumo ao 101.º concerto da digressão mundial Music for the Masses, que revisitamos 30 anos depois. César Paes virá ao Doclisboa’18 apresentar Songs for Madagascar, que segue de perto o trabalho criativo de um grupo de músicos que chama à atenção para a sua ilha.

The Unicorn é um filme centrado em Peter Gruzdien, a força musical solitária por trás do primeiro álbum psicadélico de música country abertamente homossexual. Os realizadores do filme, Isabelle Dupuis e Tim Geraght, estarão presentes no festival. O fado chega ao Heart Beat com Vadio, de Stefan Lechner (convidado desta edição), que durante anos acompanhou o rumo do fado vadio em Portugal. Quatro Estações e Outono, de Pedro Sena Nunes presta homenagem a Jorge Listopad, com depoimentos de colegas, artistas, antigos alunos, amigos, e textos ditos pelo próprio Listopad.

William Friedkin surge a dobrar na programação da secção com The People vs. Paul Crump, o seu primeiro filme que será exibido numa versão restaurada para celebrar o início de uma carreira de mais de 40 anos, e em Friedkin Uncut, de Francesco Zippel, que propõe um vislumbre introspectivo da vida e carreira artística do realizador.

Deux, trois fois Branco, de Boris Nicot, apresenta um retrato do produtor português Paulo Branco, entre Lisboa e Paris, passando por locais icónicos e pelos realizadores que produziu, como Manoel de Oliveira, João César Monteiro e Raul Ruiz.

No programa 3e Scène – Opéra National de Paris conhecemos um projecto que convidou vários artistas para realizarem trabalhos relacionados com o universo da Ópera Nacional de Paris: seis curtas-metragens, com os pontos de vista dos artistas Clément Cogitore, Danielle Arbid, Mathieu Amalric, Jean-Stéphane Bron, Claude Lévêque e Thierry Thieu Niang.

Over the Limit, de Marta Prus, segue a campeã olímpica, Margarita Manum, ginasta russa, num filme que mostra como o sistema russo de treino transgride os limites. Bruk Out!, de Cori Wapnowski, mergulha no mundo do dancehall, o popular estilo musical jamaicano, acompanhando seis mulheres – as Dancehall Queens, à medida que estas se preparam para competir pelo maior troféu do dancehall.

Mais informações em www.doclisboa.org.

domingo, 29 de outubro de 2017

Doclisboa'17: Vencedores

O Doclisboa'17 termina hoje a sua 15.ª edição e revelou ontem à noite os vencedores deste ano. Eis a lista completa de premiados.


COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional
MILLA, Valérie Massadian

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores do Júri da Competição Internacional
WHY IS DIFFICULT TO MAKE FILMS IN KURDISTAN, Ebrû Avci

Prémio Jornal Público / MUBI para Melhor Curta-Metragem (até 40’) transversal a Competições e Riscos
SAULE MARCEAU, Juliette Achard

MENÇÃO HONROSA DO JÚRI DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
SPELL REEL, Filipa César

COMPETIÇÃO PORTUGUESA

Prémio Revelação / Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Obra transversal a Competições e Riscos
THOSE SHOCKING SHAKING DAYS, Selma Doborac

Prémio NOVA FCSH/ Íngreme para Melhor Filme da Competição Portuguesa
VIRA CHUDNENKO, Inês Oliveira

Prémio Kino Sound Studio do Júri da Competição Portuguesa
À TARDE, Pedro Florêncio 

Prémio do Público
Prémio RTP para Melhor Filme Português transversal a Competições, Riscos, Heart Beat e Da Terra à Lua
DIÁLOGOS OU COMO O TEATRO E A ÓPERA SE ENCONTRAM PARA CONTAR A MORTE DE 16 CARMELITAS E FALAR DO MEDO, Catarina Neves

Prémio Escolas / Prémio ETIC para Melhor Filme da Competição Portuguesa
I DON’T BELONG HERE, Paulo Abreu


COMPETIÇÃO TRANSVERSAL

Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade, transversal a todas as secções excepto Retrospectivas e Cinema de Urgência
MARTÍRIO, Vincent Carelli 

MENÇÃO HONROSA
MEDRONHO TODOS OS DIAS, Sílvia Coelho e Paulo Raposo

Prémio José Saramago – Fundação José Saramago – para Melhor Filme falado maioritariamente em português, galego ou crioulo de origem portuguesa transversal às Competições e Riscos
SPELL REEL, Filipa César

VERDES ANOS

Prémio FAMU para Melhor Filme dos Verdes Anos 
NORLEY AND NORLEN, Flávio Ferreira

Prémio Especial Walla Collective do Júri Verdes Anos
PESAR, Madalena Rebelo

Prémio Melhor Realizador dos Verdes Anos 
JOHN 746, Ana Vijdea

Prémio Walla Collective para melhor Work in Progress - Arché 
SILVIA, María Silvia Esteve

Prémio Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas para melhor Projecto em Desenvolvimento
Folha 84, Catarina Mourão

sábado, 14 de outubro de 2017

Doclisboa'17: 15 Filmes a não perder

O Doclisboa'17 começa já no dia 19 e prolonga-se até dia 29 de Outubro. O Hoje Vi(vi) um Filme destaca os filmes que não podes perder nesta 15.ª edição do festival.

Sessão de Abertura
19 OUT / 21.30, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Competição Internacional
26 OUT / 18.45, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
27 OUT / 10.30, CULTURGEST – GRANDE AUD. | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

António and Catarina, de Cristina Hanes
Competição Portuguesa
24 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
28 OUT / 14.00, SÃO JORGE – SALA 3

I don’t belong here, de Paulo Abreu
Competição Portuguesa
22 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
23 OUT / 14.00, SÃO JORGE – SALA 3 | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira
Riscos
25 OUT / 18.45, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
29 OUT / 14.00, CULTURGEST – PEQUENO AUD.

Dawson City: Frozen Time, de Bill Morrison
Da Terra à Lua
20 OUT / 10.30, CULTURGEST – GRANDE AUD. | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO
22 OUT / 21.45, SÃO JORGE – SALA 3


Ex Libris – The New York Public Library, de Frederick Wiseman
Da Terra à Lua
19 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
23 OUT / 16.30, SÃO JORGE – SALA 3

Napalm, de Claude Lanzmann
Da Terra à Lua
19 OUT / 22.00, CINEMA IDEAL
24 OUT / 16.30, SÃO JORGE – SALA 3

Risk, de Laura Poitras
Da Terra à Lua
19 OUT / 20.00, CINEMA IDEAL
29 OUT / 19.00, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Simone Veil, A French Story, de David Teboul
Da Terra à Lua
29 OUT / 18.45, CULTURGEST – PEQUENO AUD.

The Reagan Show, de Pacho Velez e Sierra Pettengill
Da Terra à Lua
27 OUT / 19.00, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Becoming Cary Grant, de Mark Kidel
Heart Beat
21 OUT / 21.30, CULTURGEST – GRANDE AUD.
29 OUT / 17.00, CULTURGEST – PEQUENO AUD.

Faithfull, de Sandrine Bonnaire
Heart Beat
20 OUT / 16.15, CULTURGEST – GRANDE AUD.
29 OUT / 16.15, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Histórias que Nosso Cinema (não) contava, de Fernanda Pessoa
Heart Beat
25 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
28 OUT / 21.30, SÃO JORGE – SALA 3

Whitney ‘Can I be Me’, de Nick Broomfield e Rudi Dolezal
Heart Beat
22 OUT / 16.15, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Bons filmes!

domingo, 1 de outubro de 2017

Doclisboa'17 apresenta programa

A programação da 15ª edição do Doclisboa - Festival Internacional de Cinema já é conhecida. O evento acontece entre os dias 19 e 29 de Outubro. Ramiro, de Manuel Mozos, será o Filme de Abertura e Era uma vez Brasília, de Adirley Queirós, fará as honras de encerramento do festival. A secção Passagens convida a artista plástica norte-americana Sharon Lockhart.


A Competição Internacional será composta por 18 filmes de realizadores como Ileana Dell’Unti, Camila Rodríguez Triana, Axel Salvatori-Sinz, Valérie Massadian, Filipa César, entre outros. A Competição Portuguesa apresenta filme de Inês Oliveira, Catarina Botelho, Paulo Abreu, Margaux Dauby, Diogo Pereira, Nathalie Mansoux, João Canijo e Anabela Moreira, Silas Tiny, Ico Costa e Cristina Hanes.

Bitter Money e Mrs. Fang, de Wang Bing, Ex Libris - The New York Public Library, de Frederick Wiseman, Napalm, de Claude Lanzmann e Risk, de Laura Poitras são o centro das atenções na secção Da Terra à Lua. Já na secção Riscos, Fernand Déligny é alvo de um programa especial. Destaque ainda para Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira, sobre a primeira realizadora portuguesa.

Com a curadoria de Boris Nelepo, a retrospectiva dedicada a Vera Chytilova será a primeira retrospectiva integral de sempre a nível mundial sobre o trabalho da realizadora checa. Já Uma Outra América - o singular cinema do Quebec é a retrospectiva temática da 15.ª edição do Doclisboa, em parceria com a Cinemateca Portuguesa.

A secção Heart Beat abre com o filme Grace Jones - Bloodlight and Bami, de Sophie Fiennes, no dia 20 de Outubro, às 21h30, no Cinema São Jorge. Faithfull, de Sandrine Bonnaire, Whitney: Can I Be Me, de Nick Broomfield, Alive in France, de Abel Ferrara, e Bill Frisell, a Portrait, de Emma Franz, são alguns dos títulos que compõem a secção que privilegia a música no Doclisboa.

O Cinema de Urgência traz consigo o foco B'Tselem, o colectivo israelita formado em 1989 com o intuito de denunciar as violações dos direitos humanos perpetradas pelo Estado Israelita sobre a Palestina.

Este ano, o Doclisboa acontece na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa, Cinema Ideal, Fundação Oriente e Museu Colecção Berardo. O programa completo e outras informações podem ser encontradas em: http://www.doclisboa.org/2017/