segunda-feira, 4 de junho de 2018

Crítica: Um Lugar Silencioso / A Quiet Place (2018)

"Your father will protect you. Your father will always protect you." 
Evelyn

*9/10*

Silêncio. A tensão aumenta a cada pequeno barulho, a cada passo em falso e até na plateia ninguém se atreve a mexer muito. De olhos (e ouvidos) fixos no ecrã, Um Lugar Silencioso traz o silêncio de novo às salas de cinema. E que bom que é!

John Krasinski faz-nos suster a respiração e recear pela "sua" família. O actor protagoniza e realiza este filme de terror (onde faz de marido da sua esposa na realidade, Emily Blunt) que vai, seguramente, ficar na História pelas melhores razões.

Um Lugar Silencioso passa-se no futuro. Uma família vive em silêncio numa quinta, aterrorizada por misteriosas presenças malignas que caçam através do som.

Quase não há datas, apenas se contam os dias que passam, no meio do campo, com ocasionais e perigosas deslocações à cidade mais próxima para se abastecerem com o pouco que resta nos super-mercados, desertos e desolados. A partir daqui, explora-se o medo e a forma como aquela família escolhe lidar com o que a ameaça.


E num local onde o som é símbolo de morte certa, é curioso acompanhar a filha mais velha do casal protagonista, Regan Abbott, que guarda em si uma grande vantagem, mas também outra grande desvantagem em relação aos restantes: é surda-muda. Não fala, é certo, mas também não ouve. Depressa percebemos também que a mãe, Evelyn, está grávida - e vamos prever todo o inevitável som que vai acontecer futuramente e este sim, é impossível de conter.

A personagem de Krasinski é a do já conhecido pai super-protector da família. O filho Marcus é no entanto, muito receoso - com toda a razão - e mostra-se pouco capaz de seguir os corajosos passos do pai, que quer que este seja o próximo homem da família. Por outro lado, as duas mulheres, mãe e filha, ambas em estados que a tornam mais fracas que os restantes, vão-se revelando muito mais fortes do que alguma vez poderíamos supor.


Ao contrário da maioria do cinema actual, Um Lugar Silencioso treina os ouvidos para o silêncio, para captar todos os pormenores que são fundamentais, e para encontrar na imagem todos os significados que o som não diz. É a língua gestual que domina o ecrã e as palavras, quando surgem, são sussurros.

É aqui que entra todo o extraordinário trabalho técnico do filme. Filmado em 35 mm, Um Lugar Silencioso tira o melhor partido possível da escuridão, com uma direcção de fotografia liderada por uma mulher, Charlotte Bruus Christensen, cuja sensibilidade se encontra em cada plano. As cores avermelhadas abundam, e activam os maiores receios de personagens e plateia, a par da banda sonora incómoda e impressionante de Marco Beltrami, que parece absorver o medo que o silêncio absoluto traz consigo e gritá-lo em música. O trabalho de som merece os maiores elogios, já que este é o elemento fundamental. Ouvimos todos os passos, as respirações, as peças de um jogo de tabuleiro... Se é difícil trabalhar o som num filme de acção, então imaginemos num filme onde o silêncio é o elemento vital?

O menos original são mesmo os seres malignos que perseguem o som. Têm semelhanças a outros seres extra-terrestres que já vimos no cinema, e provavelmente ganhariam mais se se revelassem menos.


Nas interpretações, toda a família protagonista consegue criar laços com a plateia, mas é Emily Blunt Millicent Simmonds (que, tal como a sua personagem, é surda na vida real) que ficam na memória. Duas mulheres de garra, forçadas a adaptarem as suas frágeis condições ao mais aterrador dos cenários.

Um Lugar Silencioso é um filme inspirador, que faz regressar o silencio ao Cinema, e nos proporciona uma história de tensão, terror e coragem. John Krasinski mostra uma total entrega ao projecto e o resultado é uma história original e tenebrosa. O suspense vence o medo, mas os dois andaram de mãos dadas.

1 comentário:

António Casaca disse...

Filme banal que não traz nada de novo e que vai buscar apenas ideias a vários outros filmes (Tremors, Mars Attacks, Signs, Alien, entre outros) e "cozinha" essas mesmas ideias num único filme. É uma espécie de "mix" de vários outros filmes, não trazendo nada de relevante nem original, apesar de ter alguns (poucos) momentos razoavelmente bem conseguidos. No entanto, os "furos" no argumento são mais que muitos, descredibilizando e tornando totalmente inverosímil o desenvolvimento do filme, mesmo tendo em conta que se trata de um filme de terror. Vi nos créditos que Michael Bay é produtor desta película. Infelizmente, em tudo o que este homem "mexe" nunca acontece nada de bom.