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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Sugestão da Semana #639

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana chega a dobrar e destaca dois filmes portugueses: Estamos no Ar, de Diogo Costa Amarante, e Por ti, Portugal, eu Juro!, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso. Os dois filmes têm crítica no Hoje Vi(vi) um Filme (Estamos no Ar e Por ti, Portugal, Eu Juro!).



Ficha Técnica:
Título Original: Estamos no Ar
Realizador: Diogo Costa Amarante
Elenco: Carloto Cotta, Sandra Faleiro, Valerie Braddell, Anabela Moreira, Cucha Carvalheiro, João Pacola, Marco Paiva, Pedro Almendra, Romeu Runa, Sónia Balacó
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 92 minutos





Ficha Técnica:
Título Original: Por ti, Portugal, Eu Juro!
Realizadores: Diogo Cardoso, Sofia da Palma Rodrigues
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

terça-feira, 4 de junho de 2024

IndieLisboa 2024: Banzo (2024)

"O Mal não sei deixa fotografar facilmente. Temos de dar uma ajuda"
Alphose


*5.5/10*

Em Banzo, Margarida Cardoso parte de uma premissa tão pertinente como perturbadora: a saudade, traduzida em doença, que os escravos sentiam quando levados à força da sua terra natal para outro local. O primeiro registo deste tipo de "depressão" foi registado nos escravos levados da costa africana para o Brasil.

O filme passa-se em "1907. Afonso recomeça a vida numa ilha tropical africana como médico de uma plantação, onde terá de curar um grupo de serviçais 'infectados' pelo Banzo, a nostalgia dos escravos. Morrem às dezenas, de inanição ou suicidando-se. Por receio de contágio, o grupo é enviado para um morro chuvoso, cercado por floresta. Ali, Afonso tenta curar os serviçais, mas a incapacidade de entender o que lhes vai na alma revela-se mais forte que todas soluções."


Ninguém vive feliz naquele degredo - nem Senhores, nem serviçais, nem médicos ou capatazes -, e se, por um lado, alguns se suicidam ou deixam de viver, os restantes sobrevivem acomodados à sua sorte e cumprem as suas funções. O recém-chegado médico é quem parece mais curioso por tentar compreender e curar aqueles homens e mulheres que se recusam a comer. A fronteira da língua é o maior bloqueio ao entendimento entre o médico e os doentes, mas entre os homens brancos, ninguém colabora, parecendo querer atrasar ou mesmo lograr qualquer tentativa de cura dos doentes - que Afonso (Carloto Cotta) acaba por concluir que será, unicamente, o regresso dos serviçais às suas terras.

A figura do fotógrafo, Alphonse (Hoji Fortuna), um dos únicos homens negros verdadeiramente livres daquele local, um nómada que regista a realidade em que cada um quer acreditar, é uma personagem de destaque e apela às maiores reflexões quer junto de Afonso como da plateia.


Banzo revela um bom trabalho de direcção de fotografia, que filma São Tomé e Príncipe como uma terra sombria e chuvosa, onde muitas almas pairam entre a vegetação e espiam os vivos e os quase mortos. Contudo, há um constante distanciamento das personagens com a opção de filmar sempre com relativa distância, existindo uma quase ausência de grandes planos. Essa distância passa para o outro lado da tela e é das maiores fraquezas do filme. Se, por um lado, há o choque da doença e da forma como se tratavam os quase escravos, por outro, há algo que impede a aproximação emocional às personagens e ao seu passado.

Margarida Cardoso cria uma obra que promete muito e sabe a pouco. Banzo não chega a atingir a profundidade narrativa e visual que esta temática exigiria.

domingo, 26 de maio de 2024

IndieLisboa 2024: Estamos no Ar / We're on Air (2024)

"Estava um bocado farta de estar ali sentada a rir e a bater palmas"
Júlia


*6.5/10*

Diogo Costa Amarante estreia-se nas longas-metragens com Estamos no Ar, uma comédia dramática inspirada, inesperada e visualmente apelativa. 

"Fátima diz que não sente nada, mas sonha com o polícia que se mudou recentemente para o apartamento ao lado. Vítor, o filho, usa secretamente a farda do vizinho na expectativa de que o rapaz que conheceu online sinta alguma coisa por ele. Júlia, a avó, quer fugir do lar, mas sente-se cansada de andar às voltas para não ir a lado nenhum. Uma espiral de insónias e ilusões nocturnas leva a mal-entendidos e relações impossíveis, todos em busca de um pouco de ar."


As personagens vivem numa incessante busca de mudança, de ultrapassar o estado em que se encontram e alcançar algo mais, mas parecem andar aos círculos, sem grandes avanços ou recuos. Nessas tentativas, tantas vezes goradas, surgem os mais inesperados acontecimentos ou experiências, que não chegam a quebrar a rotina de mãe, filho ou avó, mas ajudam a acalentar a esperança em dias melhores.

Imaginação não falta a Diogo Costa Amarante, que usa de um humor subtil e assertivo - muitas vezes hilariante -, sempre a par com uma tranquilidade que paira na longa metragem, em contraste com as inquietações e vontade de mudança dos protagonistas.


Estamos No Ar tem uma estética muito diferenciada, que se denota, desde logo, nas opções de cores dos décors, mas o grande destaque visual do filme vai para um excelente trabalho da direcção de fotografia de Sabine Lancelin (que trabalhou em alguns filmes de Manoel de Oliveira) que joga com a iluminação e cores de forma quase fantasiosa, psicadélica, e criando, outras vezes, autênticos quadros vivos na tela do cinema.

A fazer as delícias da plateia estão, entre outros, Sandra Faleiro, Carloto Cotta, Anabela Moreira, Romeu Runa, Cucha Carvalheiro, João Pacola, e uma extraordinária Valerie Braddell.


Diogo Costa Amarante tem aqui uma estreia auspiciosa, depois de um percurso muito prometedor também nas curtas-metragens. 

domingo, 22 de agosto de 2021

Sugestão da Semana #469

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Diários De Otsoga, de Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes.

DIÁRIOS DE OTSOGA


Ficha Técnica:
Título Original: Diários De Otsoga
Realizadores: Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes
Elenco: Carloto Cotta, Crista Alfaiate, João Nunes Monteiro
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 101 minutos

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Animais Cinéfilos #11

O Animais Cinéfilos está de regresso para destacar os simpáticos personagens de quatro patas do filme português Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt. São eles: os surpreendentes cachorrinhos peludos que entram em campo e fazem magia com Diamantino (interpretado por Carloto Cotta), o melhor jogador do mundo, e o gato Piruças, que lhe faz companhia fora das quatro linhas.


Este Animais Cinéfilos serve ainda para lembrar que começa amanhã, 31 de Janeiro, o Pet Festival - Festival da Família e dos Animais de Companhia, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), que se prolonga até 2 de Fevereiro. Nada como visitar e passar pelo Parque Pedagógico, com actividades e dezenas de associações de apoio e defesa animal.

Gato e cães não faltam no poster do filme

domingo, 29 de setembro de 2019

Globos de Ouro SIC 2019: Vencedores de Cinema

Os Globos de Ouro SIC 2019 foram anunciados na noite de Domingo, 29 de Setembro. Isabel Ruth, Carloto Cotta e o filme Raiva, conquistaram os prémios da categoria de cinema.


Fica a lista completa de nomeados de cinema:

Melhor Filme
Cabaret Maxime
Parque Mayer
Ramiro

Melhor Actriz
Ana Padrão (Cabaret Maxime)
Inês Castel-Branco (Snu)
Victoria Guerra (Aparição)

Melhor Actor
António Mortágua (Ramiro)
Francisco Froes (Parque Mayer)

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Sugestão da Semana #371

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Diamantino, de Gabriel AbrantesDaniel Schmidt, com Carlotto Cotta no papel principal. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida ou relida aqui.

DIAMANTINO


Ficha Técnica:
Título Original: Diamantino
Realizadores: Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Actores: Carloto Cotta, Cleo Tavares, Anabela MoreiraMargarida Moreira, Carla Maciel, Chico Chapas, Maria Leite, Joana Barrios, Filipe Vargas, Manuela Moura Guedes
Género: Comédia, Drama, Fantasia
Classificação: M/14
Duração: 96 minutos

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Crítica: Diamantino (2018)

"Vamos fazer Portugal grande outra vez!"


*8/10*

Será que Portugal está preparado para Diamantino? Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt arriscam, sem pudor, e dão asas à imaginação e extravagância, para nos oferecem uma comédia viciante e original sobre um jogador de futebol muito ingénuo e o mundo que o rodeia.

Não se sabe como o país irá reagir a esta paródia inesperada. Não há medo, nem vergonha. Há elementos extremamente "fofos" e outros quase diabólicos, há amor, enganos, não há complexos, há ciência, refugiados e nacionalismos. Entre a política e os relvados, certo é que a vida de Diamantino leva uma reviravolta.

Diamantino, a maior estrela de futebol do mundo, perde o talento e a sua carreira acaba em desgraça. À procura de um novo objectivo de vida, o ídolo internacional começa uma odisseia - qual Ulisses - que mistura neofascismo, adopção, a crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade.


É a primeira longa-metragem de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt e conquistou logo o Grande Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cannes. Ao ver Diamantino, compreendemos os motivos. A singularidade do que é apresentado é tão surreal como clássica. A opção de filmar em película de 16 mm, que confere um grão muito visível à imagem, joga na mesma equipa que efeitos especiais competentes, numa fusão de opções tão diferentes, desde a componente técnica ao argumento. Basicamente, sentimo-nos introduzidos no sonho de alguém com muita imaginação.

As personagens estão propositadamente cheias de clichés, desde o jogador de futebol musculado e milionário, mas muito naïf e pouco perspicaz; às irmãs gémeas (bem interpretadas por Anabela e Margarida Moreira) malvadas que só pensam em dinheiro - todos com um afincado sotaque micaelense. Não faltam agentes secretos, cachorrinhos peludos, o gato piruças, um filho adoptivo (?), uma ministra kubrickiana, nem a vontade de construir uma muralha (onde é que já ouvi isto?).


Carloto Cotta transformou-se para encarnar este ídolo nacional, que de estrela dos relvados passa a cobaia de experiências científicas. Pelo meio de muitas farsas e enganos, Diamantino faz-nos lembrar alguém: Cristiano Ronaldo não pode ficar afastado da conversa quando falamos deste filme. No final de contas, é a ideia do melhor do mundo que está perante os nossos olhos, interpretado por um homem alto, moreno, com penteados da moda, carros milionários e muito musculado. Além disso, o protagonista é quase um D. Sebastião, qual símbolo de esperança de uma nação. Ele faz arte na catedral que é o estádio e quer ser "sublime", como as pinturas de Michelangelo na Capela Sistina, que o pai tanto admirava. Cotta pode exibir aqui todo o seu talento, sem tabus, e é exemplar ao representar um homem adulto cuja mente é semelhante à de uma criança. É impossível não acarinhar o protagonista.


A ideia de remeter para a actualidade política é executada com acutilância e Diamantino revela-se tão satírico como delirante. No filme, querem "fazer Portugal grande outra vez”. No meio cinematográfico, Abrantes e Schmidt já o conseguiram fazer.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sugestão da Semana #183

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o primeiro volume do mais recente filme de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites: O Inquieto.

AS MIL E UMA NOITES, VOLUME 1 - O INQUIETO


Ficha Técnica:
Título Original: As Mil e Uma Noites, Volume 1 - O Inquieto
Realizador: Miguel Gomes
Actores: Miguel Gomes, Carloto Cotta, Adriano Luz , Rogério Samora, Maria Rueff, Luísa Cruz, Crista Alfaiate
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 125 minutos