Hoje vi(vi) um filme: Crítica: O Frágil Som do meu Motor

terça-feira, 23 de abril de 2013

Crítica: O Frágil Som do meu Motor

"Não me podes ver... Não me podes tocar..."
*6.5/10* 

É já na Quinta-feira, dia 25 de Abril, que chega aos cinemas mais uma produção nacional. O Frágil Som do meu Motor, a primeira longa-metragem de Leonardo António, fez parte da selecção oficial da Mostra Internacional de São Paulo, Novos Realizadores e promete trazer muitas surpresas e um novo fôlego para um género quase inexistente no cinema português: o thriller. Com um título sonante e uma protagonista feminina, a longa-metragem é pouco aconselhável aos mais sensíveis, repleta de erotismo, aliado a uma aura pesada e violenta.

Gabriela (Alexandra Rocha) é enfermeira num hospital da capital. Apesar de trabalhar em Lisboa, ela vive num vale frio do norte do país com o marido Pedro, um ex-polícia reformado, vítima de um tiroteio que o deixou paraplégico. Com o casamento em declínio, Gabriela começa a receber cartas de um admirador secreto e rapidamente é conduzida para uma relação intensa e misteriosa, que assenta numa fantasia: vendar-se a si própria, a pedido do amante, para não conhecer a sua identidade quando estão juntos.

Ao mesmo tempo, Vítor, um investigador que foi colega de Pedro, tem em mãos um complicado caso de assassínios em série, onde as vítimas, todas mulheres, são queimadas vivas nas suas próprias casas por alguém que, meses antes, as engravidara. Gabriela, que trabalha na Unidade de Queimados, está a tratar da única sobrevivente a estes ataques. A enfermeira colabora então com Vítor, cuidando da vítima, e, ao mesmo tempo, de outro internado, um estranho homem, parcialmente queimado e com uma aparente perturbação psicológica. Com o desenrolar das investigações, Gabriela começa a desconfiar que o seu amante poderá ser o assassino. Muitos homens presentes na sua vida serão os seus principais suspeitos.


As desconfianças de Gabriela e da plateia perduram do início ao fim do filme de Leonardo António, que não teve medo de arriscar e veio oferecer ao público português um trabalho que vai muito para além do habitual. O Frágil som do meu Motor tem um mote prometedor, sem qualquer dúvida, com um argumento original e o suspense muito bem construído. As suposições vão sendo feitas mas os mistérios perduram até ao último minuto. O thriller é assim experimentado em português com competência e interesse para um primeiro trabalho. Por outro lado, sente-se alguma divagação ao longo da história, que parece querer complicar sem necessidade, e pode deixar o espectador confuso ou perdido no meio de tantos “ornamentos” desnecessários. Sente-se a presença de uma série de narrativas paralelas ao centro da acção que faz o filme perder algum fôlego. Ideia interessante, apesar de utilizada em excesso, é a do “feto narrador” que inicia a longa-metragem e vai acompanhando a narrativa, como um guia do espectador.

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