Hoje vi(vi) um filme: FESTin'14: Competição de Curtas-Metragens #3

segunda-feira, 7 de abril de 2014

FESTin'14: Competição de Curtas-Metragens #3


Este Sábado, dia 5 de Abril, teve lugar no FESTin'14 a quarta e última sessão de curtas-metragens em competição, e o Hoje Vi(vi) um Filme esteve lá. Em análise, desta vez, estão os seguintes títulos: Acalanto, de Arturo Sabóia, Amor Proibido, de Maciel BrumEroticon, de Ernesto PintoKali, o pequeno vampiro, de Regina Pessoa, e Satúrnica, de César Netto.

Acalanto - 8/10

Acalanto, de Arturo Sabóia, chega-nos do Brasil, e traz-nos uma adaptação do conto A Carta, do escritor moçambicano Mia Couto. Luzia (Léa Garcia), uma senhora analfabeta, procura amenizar a saudade do seu filho ao solicitar a um conhecido (Luiz Carlos Vasconcelos) para que leia diversas vezes a mesma velha e única carta por ele enviada há dez anos. Através dessas leituras, uma bonita amizade é criada entre os dois.

Enternecedor, Acalanto balança entre a saudade, a tristeza e a esperança de uma mãe, perdida num desespero conformado por novidades do filho. O conhecido a quem pede ajuda, após o espanto inicial de, todos os dias, Luzia lhe bater à porta para que ele lhe leia a mesma carta, cria com ela uma relação de carinho e preocupação, quase se transformando ele no seu filho. Aquela rotina que se cria entre os dois, alimenta a esperança e a imaginação. Uma curta-metragem com uma história comovente, onde também as cores quentes e os bonitos planos contribuem para o envolvimento da plateia.

Satúrnica - 8/10

Do Brasil, Satúrnica, de César Netto, chegou para surpreender. Ana é uma jovem que oculta uma estranha compulsão, que descobre ainda em criança. A mania cresce juntamente com o seu desejo, passando pelas fases de descoberta, euforia e sofrimento.

César Netto construiu uma curta-metragem muito original e delicada. Esta mulher, com um vício muito estranho - o de comer anéis -, alimenta a sua fixação através de comportamentos inesperados e, tal como os seus amigos e conhecidos, vamos ter de nos esforçar para a compreender ou aceitar. O realizador oferece-nos bonitos planos que juntam a Ana do passado e do presente, num tom mais introspectivo. Satúrnica é eficaz desde o alusivo título, e constrói-se de forma brilhante - onde humor e drama não faltam -, até ao inesperado final.

Kali, o pequeno vampiro - 7.5/10

A animação premiada de Regina PessoaKali, o Pequeno Vampiro (que faz igualmente parte da Mostra País Convidado: França), conta a história de um rapaz diferente dos outros, que sonha encontrar o seu lugar ao sol. Tal como a lua passa por diferentes fases, também o Kali tem de enfrentar os seus medos e demónios interiores para, no final, encontrar a passagem para a luz. Um dia ele vai desaparecer… ou talvez seja apenas mais uma fase de mudança.

O traço típico de Regina Pessoa está bem marcado em Kali, o Pequeno Vampiro, que se traduz numa história doce, mas com o toque obscuro que a caracteriza. O protagonista conquista o espectador, ele que simplesmente quer ser igual aos outros - mas é um vampiro. Na bonita animação, sobressaem as cores maioritariamente escuras, mas onde, naturalmente, o vermelho se destaca. A narração de Fernando Lopes deixa saudades.

Amor Proibido - 2/10

Em Amor Proibido, de Maciel Brum, conhecemos a história de Paulo, gay não assumido, que divide o apartamento com o amigo heterossexual Daniel. Paulo apaixona-se por Daniel, que, revoltado e surpreso ao descobrir a sexualidade do amigo, acaba por se afastar dele. Triste e magoado, Paulo resolve desabafar com sua melhor amiga Marina, que, sem saber que Paulo é gay, cultiva uma paixão por ele.

Amor Proibido quer chamar a atenção para o preconceito e vingança, mas não se foca nos verdadeiros problemas que poderia abordar relativamente a esta temática homossexual. A história é má e previsível, com um forte tom de novela de má qualidade. As interpretações são, na sua maioria, forçadas, amparadas por diálogos fracos. 

Eroticon 2/10

Não é todos os dias que a cidade do Porto serve de palco a uma curta-metragem - que filma a cidade como bilhete postal - e, neste aspecto, Eroticon distingue-se. No filme, Diana é uma repórter que investiga uma serie de estranhos relatos de encontros sexuais nas ruas da cidade. Percebe, no entanto, que algo mais se passa.

Apesar das bonitas imagens da Invicta, a história de Eroticon apresenta-nos um futuro mal construído e confuso, que não prende o espectador - que se sentirá cansado -, ao mergulhar numa história que parece não ter pés nem cabeça. Os diálogos rebuscados e pouco naturais também não ajudam a curta-metragem de Ernesto Pinto. A narração não soa bem ao espectador: quer explicar tudo, mas não chega a dizer nada, tornando-se quase dispensável, pelo menos na quantidade exagerada em que é utilizada. Eroticon precisava, acima de tudo, de um rumo para funcionar.

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