Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'15: Competição Nacional de Curtas 3 e 4

sexta-feira, 8 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Competição Nacional de Curtas 3 e 4

Concluímos a análise da Competição Nacional de Curtas-metragens do IndieLisboa'15 com os filmes das sessões 3 e 4.

The Last Analog Tree - 7/10
A curta-metragem The Last Analog Tree, de Jorge Pelicano, joga com a perspectiva daquele que filma e de quem é filmado no plano da natureza – campo de trabalho do realizador.

Um trabalho simples, mas curioso e inteligente, que mostra a interacção entre o Homem, a Natureza e o filme.

Othon - 6.5/10
Guillaume Pazat e Martim Ramos trouxeram ao IndieLisboa o seu Othon, onde nos conduzem pelo antigo hotel Othon Palace, em São Paulo, para filmar a entrada de famílias de ocupantes de uma sociedade à espera de acontecer.

Subimos os mais de 20 andares deste hotel abandonado e acompanhamos os seus novos moradores, que nos contam os seus dramas, dificuldades e reclamam o direito a um tecto. Encontramos antigos moradores de rua, favelas ou barracas, e seguimos os seus primeiros tempos no Othon, entre a batalha diária pela água que têm de trazer de fora do edifício, as muitas escadas que têm de subir e descer, sem elevador, e a sua rotina diária. Othon revela-se mais um trabalho de denúncia e crítica às injustiças no Brasil.

Provas, Exorcismos - 6/10
Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, vai passar na Quinzena dos Realizadores em Cannes e fez parte da Competição Nacional de Curtas do IndieLisboa. A realizadora oferece um olhar fictício, de influência documental, sobre o desemprego e uma terra tocada pelo falhanço da política.

Alhandra serve de palco a esta história simples onde uma fábrica encerra e despede os seus trabalhadores - que podia ser outra fábrica em outra cidade do país. Entre o desespero de uns e a inconformidade de outros, o argumento é já muito visto mas uma mensagem de esperança é subtilmente deixada no ar.

Despedida - 7/10
Tiago Rosa-Rosso duplica a sua presença na Competição Nacional de Curtas com Despedida, uma espécie de jogo de absurdo, no último dia de praia, a partir das referências da infância e do humor nos códigos de comunicação da amizade masculina.

Enquanto um dos rapazes sustém a respiração, os outros dois jogam, brincam e relembram bandas sonoras que ficam para sempre na memória. Despedida é um filme simples, divertido e eficaz.

This Particular Nowhere - Parte I - Some of Wigner's Friends - 7/10
This Particular Nowhere – Part I – Some of Wigner’s Friends, de Rita Macedo, revela-se uma interessante experiência sensorial. A curta-metragem experimental tem o físico Eugene Wigner como inspiração, resultando num ensaio sobre o caminho da existência para a escuridão.

O "universo" estrelado inicial traz-nos surpresas: cabeças giratórias são estrelas neste filme de Rita Macedo, um trabalho que nos transporta para uma outra dimensão, repleta de tranquilidade.

Fora da Vida - 7/10
Foi o vencedor da Competição Nacional de Curtas desta edição do IndieLisboa'15, Fora da Vida, de Filipa Reis e João Miller Guerra, entra na realidade dos subúrbios de Lisboa, dando continuidade ao trabalho dos realizadores neste campo.

Próximo e realista, Fora da Vida mostra-nos as dificuldades e as lutas diárias dos moradores dos subúrbios que partilham dos mesmos problemas do país: a crise, o desemprego, os cortes, os ordenados baixos... O espectador é um observador participativo, colocado pelos realizadores nesta realidade que, provavelmente, conhece bem. Tudo é filmado com muita cor e naturalidade, não faltando o ambiente de festa para espantar os males. 

Campo à Beira Mar - 6/10
Única animação da Competição Nacional, Campo à Beira Mar, de André Ruivo, traça o fluxo humano entre o campo e o mar com muita comédia. Uma viagem onde o campo e a praia se cruzam das formas mais caricatas.

O tom é fortemente irónico e o nonsense abunda nesta curta-metragem cheia de cor, que junta ovelhas, gaivotas, pastores, bolas de Berlim, surfistas e banhistas.

Um Dia Cabouqueiros - 6/10
Tomás Baltazar trouxe-nos Um Dia Cabouqueiros, onde lembra os que edificam os edifícios e os pousos eternos das nossas vidas, memórias de silêncio que ecoam em minas profundas. E o silêncio é mesmo um factor importante neste filme: não ouvimos vozes, apenas os barulhos das máquinas a trabalhar na pedreira.

Tudo começa com um apelo à memória, através de imagens de arquivo, depois, já nos dias de hoje, conhecemos o trabalho, os rostos e as casas daqueles que passaram ou têm passado a sua vida a trabalhar nas pedreiras. Uma curta-metragem interessante, marcada por planos longos.

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