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terça-feira, 12 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Novíssimos Curtas 1 e 2

Para concluir, e ainda falando de curta-metragens portuguesas no IndieLisboa, não deixaremos de analisar as seleccionadas da secção Novíssimos. Boas surpresas na secção que pretende dar visibilidade aos novos talentos nacionais da realização.

Swallows - 7.5/10
Sofia Bost trouxe uma boa surpresa à secção Novíssimos. Swallows passa-se em Londres, onde uma jovem portuguesa vive na esperança de uma vida melhor num país e numa casa que não são seus, longe dos laços que deixou em Portugal.

A realizadora traz-nos uma história simples, protagonizada por Teresa Tavares, bem filmada e onde a campainha que não pára de tocar é o elemento chave para tornar o todo mais especial e prender as atenções. Swallows tem ritmo e a sua história banal flui e funciona graças ao realismo e ao espírito subtilmente positivo que traz consigo.

Meeting Point - 5.5/10
Londres regressa aos Novíssimos com Meeting Point, de Miguel Rato. A capital inglesa serve para um encontro entre a cidade real e a cidade imaginada.

Às fotografias e miniaturas, junta-se a cidade desejada, os seus jardins, prédios e pessoas nos seus afazeres diários ou em lazer. O realizador joga com as imagens e cria simulações.

A Rapariga de Berlim - 6/10
A curta-metragem vencedora do Novíssimos, A Rapariga de Berlim, de Bruno Freitas Leal, traz-nos uma história de reencontros e ausências, tendo Lisboa como pano de fundo.

Ela regressa de Berlim, para uma relação que parece estagnada. A curta-metragem vive de silêncios e a sua história não avança muito, tal como a relação do casal que vemos no ecrã. O realizador oferece-nos planos interessantes que nos envolvem com a protagonista e nos fazem entender as suas hesitações e receios.

A Rapariga Ideal - 7/10
Mariana Trigo Pereira traz as memórias de juventude de duas mulheres que cresceram na Mocidade Portuguesa, à imagem do regime, com A Rapariga Ideal. A realizadora dedica o seu documentário às duas protagonistas, as suas avós. Entre recordações e algumas imagens antigas, surgem-nos as duas mulheres deste filme. A Mocidade Portuguesa fez parte da sua juventude, as suas fardas, os seus pontos fracos ou fortes. Estas duas avós contam-nos tudo. Por um lado, temos quem gostou da experiência e do que aprendiam por lá (entre cozinhar, ginástica, etc.), por outro, temos quem sofreu a mudança de frequentar um liceu misto e passar, de repente, para uma escola apenas com meninas.

Numa segunda parte da curta-metragem, e tendo em conta que na Mocidade Portuguesa as mulheres eram educadas para serem uma espécie de "Rapariga Ideal" (não faltavam aulas de economia doméstica, por exemplo), a realizadora desafia as avós a responderem a algumas questões de acordo com as respostas que dariam na altura dos seus 18 anos. Um exercício curioso e intimo, onde uma parte da História do país nos é contada por quem a viveu.

Logística - 5/10
Logística, de Miguel Tavares, faz o retrato de um jovem grupo de amizades marcado por uma ida para outro país. A imigração e a procura por uma vida melhor estão em jogo nesta curta.

Um super-mercado é o cenário de encontros e reencontros deste grupo de amigos, onde as cores vivas, a banda sonora inicial e os planos de câmara se revelam interessantes. A chegada de um amigo que esteve em Berlim coloca dúvidas e divide o grupo. O argumento poderia ter oferecido um desfecho mais emocionante para a curta.

Mapa Museu - 6.5/10
Com Mapa Museu, Nuno Lacerda desconstrói o espaço arquitectónico do CCB para criar uma espécie de puzzle cinematográfico. Com a mistura dos vários planos do seu filme no ecrã, qual quadro de Picasso no cinema, o realizador desafia-nos a seguir e procurar o nosso protagonista na sua visita ao museu.

Mapa Museu é uma experiência divertida e original de desconstrução cinematográfica, que peca apenas pela duração, que se estende em demasia.

A Última Noite - 6/10
Em A Última Noite, de Joana Reis, um jovem faz uma última ronda antes de abandonar o colégio interno onde viveu metade da sua vida. Nesta curta-metragem simples mas emotiva, a mudança serve de mote para o dia seguinte.

A dificuldade que um adolescente sente em deixar a segunda família, após sete anos a viver num colégio interno. No ar encontramos a despedida do espaço, o que fica por dizer e o medo da mudança.

Cavern Club - 8.5/10
O bar de estreia dos Beatles empresta o seu nome a Cavern Club, de Gonçalo Soares, que nos faz entrar na vida e nos dilemas de um montador perdido entre uma Lisboa turística, uma precária indústria de cinema, e manifestações de uma geração sem futuro. Este é o mote para a curta mais longa da secção Novíssimos.

Com um argumento mordaz e inteligente, Cavern Club apresenta-nos um protagonista, Luís, que não se identifica com o que o rodeia, vive num mundo à parte, é quase uma personagem de anime - facto que o nosso narrador japonês faz intensificar mais ainda - acabada de aterrar num Portugal ele mesmo perdido. Vagueando entre a realidade e a imaginação - e o nosso protagonista tem-na de sobra -, entre a cidade barulhenta e o retorno às origens, vamo-nos cruzando com as personagens mais caricatas e entrando nos sonhos mais divertidos de Luís. Tecnicamente, encontramos um bom trabalho de fotografia, planos bem construídos e um estilo muito próprio. Com este filme, o realizador deixa involuntariamente no ar um aviso: Gonçalo Soares é, sem dúvida, um nome a reter.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Competição Nacional de Curtas 3 e 4

Concluímos a análise da Competição Nacional de Curtas-metragens do IndieLisboa'15 com os filmes das sessões 3 e 4.

The Last Analog Tree - 7/10
A curta-metragem The Last Analog Tree, de Jorge Pelicano, joga com a perspectiva daquele que filma e de quem é filmado no plano da natureza – campo de trabalho do realizador.

Um trabalho simples, mas curioso e inteligente, que mostra a interacção entre o Homem, a Natureza e o filme.

Othon - 6.5/10
Guillaume Pazat e Martim Ramos trouxeram ao IndieLisboa o seu Othon, onde nos conduzem pelo antigo hotel Othon Palace, em São Paulo, para filmar a entrada de famílias de ocupantes de uma sociedade à espera de acontecer.

Subimos os mais de 20 andares deste hotel abandonado e acompanhamos os seus novos moradores, que nos contam os seus dramas, dificuldades e reclamam o direito a um tecto. Encontramos antigos moradores de rua, favelas ou barracas, e seguimos os seus primeiros tempos no Othon, entre a batalha diária pela água que têm de trazer de fora do edifício, as muitas escadas que têm de subir e descer, sem elevador, e a sua rotina diária. Othon revela-se mais um trabalho de denúncia e crítica às injustiças no Brasil.

Provas, Exorcismos - 6/10
Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, vai passar na Quinzena dos Realizadores em Cannes e fez parte da Competição Nacional de Curtas do IndieLisboa. A realizadora oferece um olhar fictício, de influência documental, sobre o desemprego e uma terra tocada pelo falhanço da política.

Alhandra serve de palco a esta história simples onde uma fábrica encerra e despede os seus trabalhadores - que podia ser outra fábrica em outra cidade do país. Entre o desespero de uns e a inconformidade de outros, o argumento é já muito visto mas uma mensagem de esperança é subtilmente deixada no ar.

Despedida - 7/10
Tiago Rosa-Rosso duplica a sua presença na Competição Nacional de Curtas com Despedida, uma espécie de jogo de absurdo, no último dia de praia, a partir das referências da infância e do humor nos códigos de comunicação da amizade masculina.

Enquanto um dos rapazes sustém a respiração, os outros dois jogam, brincam e relembram bandas sonoras que ficam para sempre na memória. Despedida é um filme simples, divertido e eficaz.

This Particular Nowhere - Parte I - Some of Wigner's Friends - 7/10
This Particular Nowhere – Part I – Some of Wigner’s Friends, de Rita Macedo, revela-se uma interessante experiência sensorial. A curta-metragem experimental tem o físico Eugene Wigner como inspiração, resultando num ensaio sobre o caminho da existência para a escuridão.

O "universo" estrelado inicial traz-nos surpresas: cabeças giratórias são estrelas neste filme de Rita Macedo, um trabalho que nos transporta para uma outra dimensão, repleta de tranquilidade.

Fora da Vida - 7/10
Foi o vencedor da Competição Nacional de Curtas desta edição do IndieLisboa'15, Fora da Vida, de Filipa Reis e João Miller Guerra, entra na realidade dos subúrbios de Lisboa, dando continuidade ao trabalho dos realizadores neste campo.

Próximo e realista, Fora da Vida mostra-nos as dificuldades e as lutas diárias dos moradores dos subúrbios que partilham dos mesmos problemas do país: a crise, o desemprego, os cortes, os ordenados baixos... O espectador é um observador participativo, colocado pelos realizadores nesta realidade que, provavelmente, conhece bem. Tudo é filmado com muita cor e naturalidade, não faltando o ambiente de festa para espantar os males. 

Campo à Beira Mar - 6/10
Única animação da Competição Nacional, Campo à Beira Mar, de André Ruivo, traça o fluxo humano entre o campo e o mar com muita comédia. Uma viagem onde o campo e a praia se cruzam das formas mais caricatas.

O tom é fortemente irónico e o nonsense abunda nesta curta-metragem cheia de cor, que junta ovelhas, gaivotas, pastores, bolas de Berlim, surfistas e banhistas.

Um Dia Cabouqueiros - 6/10
Tomás Baltazar trouxe-nos Um Dia Cabouqueiros, onde lembra os que edificam os edifícios e os pousos eternos das nossas vidas, memórias de silêncio que ecoam em minas profundas. E o silêncio é mesmo um factor importante neste filme: não ouvimos vozes, apenas os barulhos das máquinas a trabalhar na pedreira.

Tudo começa com um apelo à memória, através de imagens de arquivo, depois, já nos dias de hoje, conhecemos o trabalho, os rostos e as casas daqueles que passaram ou têm passado a sua vida a trabalhar nas pedreiras. Uma curta-metragem interessante, marcada por planos longos.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Competição Nacional de Curtas 1 e 2

Tempo agora para analisar a Competição Nacional de Curtas-metragens do IndieLisboa'15 a que assistimos na íntegra. Dos 16 filmes seleccionados, começamos por abordar os oito que compõem as primeira e segunda sessões.

Para lá do Marão - 6.5/10
José Manuel Fernandes trouxe ao IndieLisboa'15 a curta-metragem documental Para Lá do Marão. Ali, o realizador apresenta-nos uma população em extinção e uma terra, longe da vista, ameaçada pelo seu próprio desaparecimento.

Um trabalho simples e quase "fantasmagórico", que nos coloca perante uma aldeia-fantasma, onde observamos as casas típicas, os rebanhos e os cães que os acompanham, mas onde é quase raro o vislumbre de humanos. O nevoeiro, o som do vento e dos animais sobrepõe-se ao da população que mal vemos ou ouvimos. Um filme com um ambiente muito característico e que nos traz um retrato destas aldeias esquecidas.

Iec Long - 8/10
O percurso de João Pedro Rodrigues e João Nuno Guerra da Mata por Macau continua em Iec Long, onde, através do cinema, recuperam memórias de uma fábrica de fogo de artifício agora abandonada. O passado e o presente cruzam-se nesta curta-metragem que alterna entre a cor, música e ambiente de festa, com a prevalência do fogo de artifício no início, e as ruínas da fábrica protagonista deste filme.

Iec Long abriu em 1923 e encerrou nos anos 70. Produzia exactamente fogos de artifício (ou panchões). As imagens evocam a memória de outros tempos, e é o nosso guia, Teng Man Cheang - de 79 anos, que começou a trabalhar na Iec Long aos oito -, que nos conta a história do local, ele que se assume como o guardador daquelas ruínas. Entre as imagens a preto e branco que recordam as fantasmagóricas crianças que ali trabalharam, as fotografias da época ou as figuras em miniatura a representar o trabalho da fábrica, cria-se um passado e um presente potenciado pelo óptimo trabalho de montagem das imagens e do som.

Outubro Acabou - 6.5/10
Mãe, pai e filho são os protagonistas de Outubro Acabou, onde Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes redescobrem as origens do cinema pelas mãos de uma criança. Não faltam referências aos consagrados Godard ou Eisenstein, e o nosso herói é um realizador em ponto pequeno, uma criança obcecada pelas imagens e pela película.

A banda sonora forte acompanha as aventuras de pais - quais produtores - e filho - o realizador -, na busca pelo seu filme perfeito, entre birras, indecisões e algum humor. Outubro Acabou é algo ingénuo na concretização mas constrói-se a partir de uma ideia muito interessante.

Aula de Condução - 4.5/10
Um ambiente misterioso e sensual paira sobre Aula de Condução, de André Santos e Marco Leão. Enquanto um jovem treina para o seu exame de condução, a mulher com quem está envolvido passeia a sua cadela.

Entre dúvidas e desejos, Aula de Condução promete mais do que nos oferece e deixa no ar algumas dúvidas. Ainda assim, o filme proporciona-nos planos interessantes numa paisagem isolada e campestre.

Lei da Gravidade - 8/10
Uma boa surpresa na Competição Nacional de Curtas é Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso - realizador com dois filmes seleccionados para o IndieLisboa'15. O filme encena uma ficção beckettiana, onde o absurdo toma conta de duas personagens à espera que o seu filme aconteça.

Lei da Gravidade brinca consigo mesmo - um filme português - e ironiza com os preconceitos a que muitas vezes se associa o nosso cinema. Através de bons diálogos, debate-se sobre o cinema nacional, utilizam-se referências Godard ou a D.W. Griffith e não falta uma miúda e uma pistola.

O Rebocador - 8.5/10
Jorge Cramez trouxe-nos O Rebocador, provavelmente o melhor filme da Competição Nacional de Curtas, pelo menos para o Hoje Vi(vi) um Filme. Qual campanha de prevenção rodoviária, esta curta-metragem introduz-nos na noite com quem trabalha nela, um rebocador, que percorre as estradas, de acidente em acidente, para proceder ao reboque dos veículos envolvidos e levá-los para a sucata. Este homem relata-nos a sua rotina de trabalho, o seu testemunho triste e dramático, onde as palavras são uma espécie de imagens faladas, fortes e intensas.

Tal como o acidentado que acompanha o rebocador, ouvimos as suas histórias e temos medo, ficamos sensibilizados e atormentados. O Rebocador tem uma magia muito própria e um monólogo fantástico, potenciado pela excelente interpretação de Adriano Luz.

A Trama e o Círculo - 7/10
Ao longo de vários meses, Mariana Caló e Francisco Queimadela recolheram testemunhos de diversas práticas relacionadas com o lavor, o ludismo e outras actividades quotidianas assentes no conhecimento empírico. Estabelecendo relações intuitivas entre gestos concretos e substâncias, experiências sensoriais e o pensamento analógico, os autores procuraram criar um filme fragmentário imerso na ideia de transformação da matéria, gerando um movimento concêntrico que se metamorfoseia ao longo do trabalho.


A Trama e o Círculo, de Francisco Queimadela e Mariana Caló, cria a sua própria experiência sensorial por um jogo de montagem sobre o trabalho manual e a sua história empírica. Esta curta-metragem experimental revela-se um exercício competente e dinâmico entre figuras geométricas, trabalhos manuais e artesanais, sombras ou movimentos intuitivos, entre o passado e o presente.

Cinzas e Brasas - 7.5/10
Com Cinzas e Brasas, Manuel Mozos entra pelo campo da literatura para filmar uma casa de escrita e memórias, onde Isabel Ruth é Dulce Maria Cardoso. As cinzas surgem cedo neste filme, com a ideia da morte e da ausência a pairar. 43 anos depois, Dulce tem uma visita inesperada, alguém que amou e o grande responsável pelo seu sucesso literário. O início, repleto de muita cor, dá lugar à noite escura com a chegada deste visitante, apenas iluminada pela lamparina.

Sempre num limbo entre o real e o imaginário, entre a lembrança do passado e o presente, Cinzas e Brasas tem em si uma aura especial, e com um final aberto a diversas interpretações. O trabalho da direcção de fotografia é outro ponto forte desta curta-metragem.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Gipsofila

*6.5/10*

Gipsofila, de Margarida Leitão, é outro dos quatro títulos que passaram pela Competição Nacional de Longas-metragens do IndieLisboa'15. Um trabalho intimo e muito pessoal da realizadora que nos introduz no espaço da sua avó, mostra-nos a sua casa e faz-nos acompanhar a relação entre ambas.


Partilhando o nome com as flores que plantou para o seu casamento, Gipsofila pretende não só dar a conhecer a vida de Lurdes Albuquerque, a avó da realizadora, como, mais do que isso, filmar a relação entre avó e neta, colocando-nos no espaço privado de Lurdes, num apelo à memória, aos laços familiares e à existência. A casa, repleta de memórias - sejam elas fotografias, vestidos antigos, etc. -, a partilha de momentos simples, de conversas banais, de preocupações e medos, tudo isso é captado pela câmara de Margarida e envolve o espectador que consegue facilmente passar das gargalhadas sinceras às lágrimas.

Por outro lado, talvez os maiores problema de Gipsofila se prendam com a falta de foco do documentário, que parece não ter um objectivo demarcado, e na dificuldade de Margarida Leitão encontrar o seu lugar à frente das câmaras.

Gipsofila revela-se um trabalho muito emocional, que peca, contudo, por ser demasiado pessoal. Sente-se a falta de um maior distanciamento da realizadora no produto final. Ainda assim, Margarida Leitão mostrou coragem ao filmar este projecto tão íntimo e com uma protagonista tão cativante como a sua avó.

IndieLisboa'15: Vencedores



O último dia do IndieLisboa'15 ficou marcado pelo anúncio dos vencedores desta edição. Os grandes galardoados da noite foram Os Olhos de André, que conquistou três prémios, e Aferim!, que arrecadou dois, entre eles o grande prémio da noite. Nas curtas-metragens, o destaque vai para o português Fora da Vida e End of Summer.


Nos próximos dias, o Hoje Vi(vi) um Filme continuará a publicar críticas dos filmes vistos no IndieLisboa, com especial destaque para as curtas-metragens nacionais, mas não só.

Para já, eis a listagem completa dos vencedores deste ano.

Aferim!, de Radu Jude
Júri da Competição Internacional de Longas Metragens
Jérôme Baron | João Mário Grilo | Lis Kogan

Grande Prémio de Longa Metragem “Cidade De Lisboa”

Júri da Competição Internacional de Curtas Metragens
Carloto Cotta| Dominga Sotomayor | Kathleen McInnis

Grande Prémio de Curta Metragem Airbnb
End of Summer, Jóhann Jóhannsson (Islanda, Dinamarca)

Menções Especiais
Animação
Of a Forest, Katarzyna Melnyk (Polónia)
Documentário
Shipwreck, Morgan Knibbe (Holanda, Itália)
Ficção
Guy Moquet, Demis Herenger (França)

Júri da Competição Nacional
Gustavo Beck | Michael Pattison | Pascale Ramonda

Prémio Allianz – Digimaster para Melhor Longa Metragem Portuguesa

Prémio Nescafé Dolce Gusto – Pixel Bunker para Melhor Curta Metragem Portuguesa
Fora da Vida, Filipa Reis, João Miller Guerra (Portugal)

Prémio Novo Talento Fnac – Curta Metragem
A Trama e o Círculo, Francisco Queimadela, Mariana Caló (Portugal)

Prémio Restart para Melhor Filme na secção Novíssimos
A Rapariga de Berlim, Bruno de Freitas Leal (Portugal)

Júri Blogues de Cinema
Carlos Natálio | Carlos Nogueira | João Miranda

Prémio Canais TVCine & Séries

Menção Especial
Koza, Ivan Ostrochovský (Eslováquia, República Checa)

Júri FIPRESCI
Klaus Eder | Carmen Gray | Manuel Halpern

Prémio FIPRESCI (Silvestre Longas)
Before We Go, Jorge León (Bélgica)

Júri Format Court
Katia Bayer | Agathe Demanneville | Lola L’Hermite | Marie Bergeret | Zoé Libault

Prémio Format Court (Silvestre Curtas)
The Mad Half Hour, Leonardo Brzezicki (Dinamarca, Argentina)

Júri Árvore da Vida
Inês Gil | João Amaro Correia | Maria João Costa

Prémio Árvore da Vida para Filme Português

Menção Especial
Para Lá do Marão, José Manuel Fernandes (Portugal)

Júri IndieJúnior
Francisco Aires Mateus | José Câmara | Rodrigo Rebello de Andrade

Prémio IndieJúnior Árvore da Vida
Historia de un oso, Gabriel Osorio (Chile)

Júri Amnistia Internacional
António Antunes | Sofia Lorena | Susana Gaspar

Prémio Amnistia Internacional
O Medo à Espreita, Marta Pessoa (Portugal)

Menção Especial
Shipwreck, Morgan Knibbe (Holanda, Itália)

Júri TAP
Antonieta Pezo

Prémio TAP para Longa Metragem Portuguesa de Ficção

Prémio TAP para Documentário Português de Longa Metragem

Júri Universidades
André Pereira | Frederico Mesquita | Inês Freitas | João Leitão | Vasco Ruivo

Prémio SIC Universidades
Ming of Harlem: Twenty One Storeys in The Air, Phillip Warnell (Reino Unido, Bélgica, EUA)

Júri Escolas
Gustavo Ferreira | Mafalda Rosa | Ricardo Guimarães

Prémio Culturgest Escolas
A Trama e o Círculo, Francisco Queimadela, Mariana Caló (Portugal)

Júri do Público

Prémio do Público para Longa Metragem Fox Movies
A Toca do Lobo, Catarina Mourão (Portugal)

Prémio do Público para Curta Metragem Merrell
In Waking Hours, Katrien Vanagt, Sarah Vanagt (Bélgica)

Prémio do Público IndieJúnior
A Lua e o Lobo, Patrick Delage, Toma Leroux (França)

sábado, 2 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Aferim!

*8.5/10*

Aferim, de Radu Jude, é irónico, provocador e provavelmente um marco no cinema romeno mais recente. A Competição Internacional do IndieLisboa tem aqui um forte candidato à vitória. Um filme de época que brinca com estereótipos, que não tem medo de chocar ou arriscar, com um argumento provocador e um visual fabuloso.

Que Radu Jude é um nome a reter, já não há dúvida - ainda há poucos meses o seu trabalho foi alvo de retrospectiva por cá na Festa do Cinema Romeno. Em Aferim!, o realizador traz-nos uma aventura pelos territórios feudais da Roménia do século XIX, onde um polícia e o seu filho e assistente partem numa jornada para capturar um escravo cigano que fugiu do seu senhor.

Nesta história, aparentemente simples, está uma forte sátira social, onde o humor domina e há lugar para abordar o racismo, a escravatura ou o lugar das mulheres na sociedade e, claro, quais os valores que se levantam mais alto. O argumento está muito bem construído, com momentos marcados pelo carácter irónico ou cómico dos diálogos.

Em Aferim!, o trabalho de recriação histórica é fenomenal, com a direcção artística a assumir um papel fulcral. Outro ponto forte é a direcção de fotografia, potenciada pelo preto e branco, e pela rodagem em 35 mm, que lhe adensa o tom sujo e de época que a longa-metragem pede.

Divertido - mas com as suas intenções bem demarcadas -, ritmado, com planos que demorarão a sair-nos da cabeça, Radu Jude trouxe-nos neste seu trabalho o afirmar do seu talento como cineasta e do seu estilo muito próprio: mordaz, corajoso e original. Só podemos esperar cada vez melhor. "Aferim" (bravo), Radu Jude!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Os Olhos de André

*7.5/10*

Na Competição Portuguesa de Longas-metragens do IndieLisboa encontramos Os Olhos de André, de António Borges Correia. Um curioso trabalho que recria uma história verdadeira interpretada pelas pessoas que a viveram na realidade.

É na paisagem de Arcos de Valdevez que conhecemos António, pai de quatro rapazes, que vê o seu poder paternal posto em causa quando lhe retiram a custódia do filho mais novo, Francisco. É através dos olhos de André - o segundo mais velho dos quatro - que entendemos o sofrimento e a revolta:  aquilo que perdeu na sua família, o desejo de ver reconhecido o seu talento para o futebol e o que guarda para si das várias figuras familiares.


Os Olhos de André está repleto de simplicidade e, ao mesmo tempo, aproxima-nos da sua história e protagonistas como poucos conseguem. Esta fusão de realidade e ficção (ou melhor, esta realidade ficcionada) resulta num filme inocente, ingénuo, no melhor sentido das palavras, e cheio de carinho. O público não lhe ficará indiferente, irá indignar-se com as injustiças, partilhar da dor da ausência de Francisco e valorizar todos os esforços deste pai para proporcionar o melhor aos seus filhos.

André é o nosso guia, com quem nos refugiamos no campo, junto das suas flores; António é o nosso herói (e o de André), que acompanhamos na sua rotina diária. A vida desta família é-nos contada com uma timidez natural, onde o amadorismo das interpretações só joga a favor do produto final. O poder paternal, o amor entre irmãos, as relações na Internet, as zangas entre amigos, a rádio local, o futebol para os jovens, os adultos que querem concluir os estudos são muitos dos temas que nos são tão próximos aqui apresentados, no contexto rural deste município do norte do país.

Respiramos o ar puro das paisagens de Arcos de Valdevez e sentimos a tranquilidade, envolvemo-nos na história desta família e torcemos por eles, seguimos Os Olhos de André com verdadeiro interesse e admirando a simplicidade do trabalho, o seu maior ponto forte.

IndieLisboa'15: Les gants blancs

*6.5/10*

A secção Director's Cut do IndieLisboa apresentou esta Quinta-feira, na Cinemateca Portuguesa, Les gants blancs, de Louise Traon, que nos oferece um intimo olhar sobre o trabalho da sua mãe, Valérie Loiseleux, montadora de muitos dos filmes de Manoel de Oliveira.


Desde as luvas brancas que os montadores usam para trabalhar os filmes em película - cortes e recortes até à montagem final -, ao digital que exige agora uma atenção diferente, com as imagens a serem vistas e revistas no ecrã, Les gants blancs debruça-se sobre este trabalho fundamental, e muitas vezes esquecido quando se vê um filme: a montagem. Aqui, o centro das atenções é Loiseleux (Vale Abraão, 1993; O Convento, 1995; Vou Para Casa, 2001; Espelho Mágico, 2005; O Estranho Caso de Angélica, 2010; O Gebo e a Sombra, 2012; etc.), acompanhada pelos filmes de Oliveira - com maior destaque para O Estranho Caso de Angélica.

Seguimos mãe e filha por Lisboa, assistimos às suas conversas, relembramos outros trabalhos de realizador e montadora - O Quinto Império é algumas vezes lembrado - e Valérie Loiseleux recorda a genialidade do cineasta, curiosidades e momentos passados com ele.

Apesar da narração de Luís Miguel Cintra manter Oliveira muito presente, sentimos ainda assim a falta de uma maior presença física do realizador neste Les gant blancs, que apenas surge por breves minutos. É verdade que Louise Traon nos trouxe um filme simples e pertinente - com este foco no montador -, mas fazia-nos esperar um pouco mais, soube-nos a pouco.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Une jeunesse allemande

*7.5/10*

Jean-Gabriel Périot está no IndieLisboa'15 e trouxe consigo Une jeunesse allemande, um documentário que recorre totalmente a imagens de arquivo para contar uma parte importante da História da Alemanha nos anos 60 e 70. O filme faz parte da Competição Internacional do festival.

Esta longa-metragem pretende lançar um olhar sobre o mundo de hoje através do nascimento da RAF (Fracção do Exército Vermelho) e as suas origens na primeira geração pós-III Reich de estudantes de cinema em Berlim Ocidental.


A crescente agitação nas ruas, os conflitos entre os jovens e as forças policiais, até aos mais graves acontecimentos terroristas da época na RFA, todos esses momentos são-nos apresentados neste retrato da juventude alemã que saiu das Universidades, ao que parece assombrada pelos fantasmas do nazismo - e contagiada pelo clima que se vivia pela Europa no momento -, tomando os caminhos do activismo e extremismos. Desde os filmes-propaganda ou meramente jocosos, o crescendo da tensão política no país é-nos apresentado pelo realizador muito clara e aprofundadamente, sem tomar partidos, apenas e só a partir de imagens da época, quer com testemunhos, programas de televisão, notícias e excertos de filmes realizados pelos jovens que dão título ao documentário de Périot. Personagens fundamentais neste trabalho são, claro, a jornalista Ulrike Marie Meinhof - que nos acompanha ao longo de todo o documentário -, um dos principais nomes deste movimento extremista, o advogado Horst Mahler, ou os artistas Andreas Baader e Gudrun Ensslin.

Com esta Une jeunesse allemande, o realizador Jean-Gabriel Périot trouxe ao público do IndieLisboa uma excelente lição de História e um bom ponto de partida para a reflexão sobre o antes e o agora.

IndieLisboa'15: From Caligari to Hitler: German Cinema in the Age of the Masses

*7/10*

A Cinemateca Portuguesa recebeu esta Segunda-feira o filme From Caligari to Hitler: German Cinema in the Age of the Masses (Von Caligari zu Hitler: Das deutsche Kino im Zeitalter der Massen) no âmbito da secção Director's Cut do IndieLisboa. O realizador e crítico de cinema Rüdiger Suchsland esteve presente na sessão para apresentar o seu filme e responder a questões do público.


Partindo do ensaio de Siegfried Kracauer sobre o cinema alemão das décadas de 1920 e 1930 que relacionava o expressionismo alemão com os medos escondidos da sociedade, Suchsland desenvolve um percurso que junta a liberdade criativa da indústria cinematográfica alemã da República de Weimar com os perigos que espreitavam em redor da sua sociedade democrática.

Na época das massas, depois da Primeira Guerra, tudo mudou e os filmes alemães ganharam um fôlego renovado, com o expressionismo a abrir as hostes, retratando sonâmbulos ou seres demoníacos. From Caligari to Hitler: German Cinema in the Age of the Masses vê nesses filmes e nos que se lhes seguiram algo escondido no subconsciente que avisa que o nazismo está para chegar à Alemanha.

A explicação é-nos apresentada recorrendo a numerosos filmes da época, uns inevitavelmente famosos, outros mais desconhecidos, de realizadores como Fritz Lang, F.W. Murnau, G.W. Pabst, Joseph von Sternberg, Billy Wilder ou Ernst Lubitsch, e relembrando igualmente actrizes como Marlene Dietrich, Louise Brooks, entre outros nomes que marcaram aqueles anos.

A defesa desta pertinente - mas não original - ideia, de que, até à chegada de Hitler ao poder, os filmes alemães são esta premonição do que se seguiria no país, apoia-se firmemente em diversos testemunhos de historiadores e críticos de cinema e em explicações do narrador que justificam a teoria. A acompanhar, estão então os excertos de muitos clássicos, relembrando realizadores, actores e actrizes, e convidando a redescobrir estes anos gloriosos do cinema alemão.

From Caligari to Hitler: German Cinema in the Age of the Masses apresenta-nos um trabalho muito completo, bem justificado, que apenas poderá pecar pela duração, um pouco longa.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Rabo de Peixe – Director’s Cut

*8/10*

Mais cinema português no IndieLisboa, desta vez na secção Director's Cut. Joaquim Pinto esteve presente no Cinema São Jorge para apresentar o filme que realizou com Nuno Leonel, e recentemente remontado pelos realizadores, Rabo de Peixe - Director's Cut.


Entre Dezembro de 1999 e Dezembro de 2001, Joaquim Pinto e Nuno Leonel filmaram os pescadores de Rabo de Peixe, em São Miguel, nos Açores, com uma proximidade muito familiar. Entraram na intimidade daquela comunidade e ali viveram alguns meses, a filmá-los, a acompanhá-los nas suas vidas, nas idas à pesca, a superar obstáculos, preconceitos e os seus próprios medos - criaram laços. Em E Agora? Lembra-me, Pinto recorda aquele momento da sua vida, e agora, com este director's cut, temos a oportunidade de assistir a este trabalho envolvente e tocante.

Conhecemos Pedro, Artur, Rui, Emanuel e tantos outros, crianças e adultos, o seu quotidiano, a sua relação com o mar, as suas dificuldades, com as imagens a serem acompanhadas pela narração - sempre em tom muito intimo - dos realizadores que nos têm como seus confidentes.

Joaquim Pinto e Nuno Leonel sabem contar uma história. E sabem igualmente filmar os locais, tornando-os únicos. Dentro do barco de pesca ou a mergulhar no oceano, conhecemos e acompanhamos um modo de vida, um bairro que já não existe daquela forma, técnicas de pesca que também já foram desaparecendo. Fica o registo filmado, a memória, neste caso oferecida pelos dois realizadores, que não esqueceram estas pessoas e, mais de uma década depois, voltaram a pegar naquele material, naquelas histórias e reconstruíram o seu filme, para dá-lo a conhecer ao mundo.

sábado, 25 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Nos Campos em Volta + A Arte da Luz Tem 20.000 Anos

João Botelho esteve presente para apresentar esta Sessão Especial do IndieLisboa'15 onde foram exibidos dois filmes seus de carácter mais "didáctico", como o próprio realizador os definiu. Nos Campos em Volta e A Arte da Luz Tem 20.000 Anos convidam-nos a descobrir e visitar dois locais em Portugal que escondem em si muitas lendas e História.

Nos Campos em Volta - 6/10


Através dos campos em redor de Serpa, descobrimos lendas antigas e vestígios de um passado muito longínquo, de outras civilizações que por ali passaram. Margarida Vilanova é a nossa narradora e conta-nos histórias as fantásticas que acompanham as imagens das paisagens e convidam à descoberta, pelas margens do Guadiana.

A Arte da Luz Tem 20.000 Anos - 8/10


João Botelho traz-nos, neste filme, uma fascinante viagem ao passado através das pinturas rupestres de Foz Côa, numa visita guiada que nos convida fortemente a descobrir o local o mais depressa possível. Mais do que um registo turístico, A Arte da Luz Tem 20.000 Anos traz para o cinema os artistas de quem ninguém fala, de quem ninguém sabe o nome, e que, muitos milénios antes do Cinema, já queriam captar a imagem em movimento que a Sétima Arte reclama como sua.

No percurso desta visita, acompanhamos Joana Botelho na viagem de comboio, no Museu do Côa e por caminhadas no Parque Arqueológico do Vale do Côa, a descobrir a arte mais antiga, as gravuras rupestres, de traço tão decidido e que, felizmente, chegaram até nós. Vemos e escutamos o ruído "de um rio sem barragem" - como diz a certo momento o director do museu, António Martinho Baptista - e só queremos lá estar. 

João Botelho sabe tirar partido da beleza das imagens e paisagens, oferecendo-nos planos fabulosos, jogando com o contraste luz/sombra como tão bem sempre o faz. A Arte da Luz Tem 20.000 Anos leva-nos a viajar no tempo e convida-nos a proteger a herança que a História nos deixou.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Filmes a Não Perder

O IndieLisboa'15 começa já amanhã, dia 23, e, com ele, muito do melhor cinema independente chega à capital e por cá fica até dia 3 de Maio. A escolha é imensa e variada, mas aqui ficam alguns títulos a ter em atenção durante o festival.

Longas-metragens

Capitão Falcão, de João Leitão - Sessões Especiais
Em 1968, várias ameaças parecem cercar o regime que salvou Portugal da bancarrota: o Estado Novo. Entre elas, grupos de comunistas, feministas, e os chamados “Capitães de Abril” conspiram contra António de Oliveira Salazar e os seus princípios nacionalistas. A autoridade do Estado já não chega para proteger os portugueses. Nasce então o super-herói português por excelência para salvar Portugal de todos os seus males: Capitão Falcão (e o seu sidekick Puto Perdiz). O resto da história é conhecida.

Force majeure (Força Maior), de Ruben Östlund - Sessões Especiais
Prémio do Júri Un Certain Regard no Festival de Cannes e nomeado para Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, Força Maior conta a história de uma família sueca que viaja para os Alpes Franceses para desfrutar de uns dias de esqui. O sol brilha e as pistas estão espectaculares, mas durante o almoço num restaurante na montanha, uma avalanche vai provocar o caos. Com os comensais a fugir em todas as direcções, a mãe Ebba chama pelo seu marido Tomas, enquanto tenta proteger os seus filhos. Tomas, entretanto, está a fugir para se salvar…

Aferim!, de Radu Jude -  Competição Internacional
Radu Jude é um dos maiores destaques da nova vaga do cinema romeno. Aferim! é uma aventura pelos territórios feudais da Roménia do séc. XIX: um terreno pouco visto no novo cinema romeno, mas sempre domado pelo humor forte, a sátira social do presente, e personagens herdeiras das histórias de Gogol.

Melbourne, de Nima Javidi -  Competição Internacional
A primeira obra de Nima Javidi inspira-se nos melhores princípios de Hitchcock para criar uma história de suspense dentro de um apartamento de Teerão. Aqui, é o que acontece entre as suas paredes que interessa a quem está fora delas: amigos, vizinhos e uma autoridade sem rosto que, por visitas não anunciadas, ameaçam uma emigração planeada para Melbourne. E pelos mecanismos do cinema, quer-se revelar uma população cujos caminhos, da nascença à idade adulta, se encontram atados às prisões mentais de cada um.

Les gants blancs, de Louise Traon - Director's Cut
O cinema cuida-se com luvas brancas – assim o era quando metros de película exigiam cortes e recortes, pelo olhar de montadores e realizadores, antes de se encontrar um filme numa rodagem de muitas horas. A era digital veio dispensar as luvas – mas não uma delicadeza redobrada em imagens vistas e revistas até surgir o corpo de um filme e, depois, o seu espírito e versão definitiva. Mais ainda se falarmos de Manoel de Oliveira e da sua montadora Valérie Loiseleux.

Rabo de Peixe – Director’s Cut, de Joaquim Pinto, Nuno Leonel - Director's Cut
Em E Agora? Lembra-me, Joaquim Pinto evoca uma passagem pelos Açores quando buscava uma aproximação à vida. Rabo de Peixe foi esse lugar intocado: onde as pessoas de uma terra renovaram o olhar de dois autores e companheiros, movidos pela beleza humilde das suas pessoas, dos seus corpos e do seu trabalho. Joaquim Pinto e Nuno Leonel viram, nos pescadores de Rabo de Peixe, a razão para continuarem a filmar. Esta é a versão remontada e definitiva para cinema.

White Bird in a Blizzard, de Gregg Araki -  Boca do Inferno
Em White Bird in a Blizzard,  o realizador foca-se, uma vez mais, no despertar dos instintos sexuais de uma jovem personagem, juntando-lhe o misterioso desaparecimento, aos 17 anos, da sua mãe. Apesar dessa “ausência”, é esse papel – e a interpretação de Eva Green – a comandar uma narrativa familiar, em tons de policial, dentro do universo suburbano norte-americano.

Aqui, em Lisboa, de Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes, Marie Losier - Sessões Especiais
Em 2013, para celebrar o seu 10.º aniversário, o IndieLisboa convidou estes quatro realizadores a filmarem em Lisboa. Aqui, em Lisboa é o resultado – quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pelos registos da ficção, do documentário, da comédia ou do fantástico.

Repulsion, de Roman Polanski - Sessões Especiais
Um dos mais perturbadores filmes de Polanski. Destilando terror psicológico por todos os fotogramas, Repulsion, com Catherine Deneuve, constrói-se à volta das fobias sexuais de uma personagem aterrorizada pelo pesadelo recorrente de uma violação, cuja obsessão a conduz à loucura com consequências assassinas.

While We’re Young, de Noah Baumbach - Sessões Especiais
Um casal de meia-idade (Ben Stiller e Naomi Watts) vê a sua vida contagiada pelo encontro com um jovem casal na casa dos vinte (Adam Driver e Amanda Seyfried), oferecendo novamente o retrato de uma classe urbana e artística de traços disfuncionais, em que o peso da idade serve para uma nova comédia de costumes e de tempos com Nova Iorque em pano de fundo.

Trudno byt’ Bogom (Hard to be a God), de Aleksey German - Silvestre
É difícil ser um deus: sobretudo se cairmos, como extraterrestres, num planeta igual à Terra, e formos aclamados como divindades num tempo vivido há 800 anos. Hard to be a God pega num livro de Arkady e Boris Strugatsky e no conflito entre dois mundos para servir de estudo sobre a natureza humana. Planeado durante quatro décadas, o último filme do realizador russo Aleksei German foi terminado, depois da sua morte em 2013, pelo seu filho e realizador Aleksei German Jr.

Queen of Earth, de Alex Ross Perry - Silvestre
Em Queen of Earth, a Elizabeth Moss junta-se Katherine Waterston e um curto elenco. Entre as duas actrizes, a câmara faz e refaz os nós de uma crescente neurose entre duas amigas no espaço de uma casa de férias. Um thriller emocional que ecoa os caminhos traçados por Bergman em Persona ou a paranóia dos interiores de Polanski em Rosemary’s Baby.

Curtas-metragens

Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos -  Competição Nacional
Em Cinzas e Brasas, Manuel Mozos entra pelo campo da literatura, com Isabel Ruth como Dulce Maria Cardoso, para filmar uma casa de escrita e memórias.

A Rapariga de Berlim, de Bruno de Freitas Leal - Novíssimos
A Rapariga de Berlim filma o segundo capítulo de uma relação numa Lisboa solitária e poética.

Provas, Exorcismos, de Susana Nobre -  Competição Nacional
Presente este ano também na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, oferece um olhar fictício, também de influência documental, sobre o desemprego e uma terra tocada pelo falhanço da política.

Cavern Club, de Gonçalo Soares - Novíssimos
O bar de estreia dos Beatles empresta o seu nome a Cavern Club, a história de um montador perdido entre uma Lisboa turística, uma precária indústria de cinema e manifestações de uma geração sem futuro.

Seafood Porn, de Momoko Seto - Boca do Inferno
Seafood Porn traz-nos pornografia de pescado em stop-motion.

Música Moderna – Um Disco Filme de Tochapestana, de Tochapestana - IndieMusic
Os Tochapestana, num contexto performático, chamam os nossos corpos pela via do glitter (ou género associado à sua música: baile-turbo-punk). Pela estética dos anos 80 e a sua atracção pelo imaginário popular português, os videoclips do duo musical (onde se inclui o realizador Gonçalo Tocha) espelham o universo do seu álbum Música Moderna.

Habana, de Edouard Salier - Sessões Especiais
Um jovem rapaz leva-nos pelo caos de Havana, uma cidade à beira da guerra-civil.

Nos Campos em Volta, de João Botelho - Sessões Especiais
João Botelho traz-nos aqui um filme sobre as histórias e lendas que se escondem na paisagem de Serpa.

Kacey Mottet Klein, Naissance d’un acteur, Une petite leçon de cinéma, de Ursula Meier - Silvestre
A realizadora Ursula Meier olha para o crescimento e o trabalho do seu jovem actor de Home (2008) e Irmã (2012) através da sua presença e palavras.

Conhece toda a programação do IndieLisboa, horários e outras informações em www.indielisboa.com.