domingo, 9 de maio de 2021
Sugestão da Semana #454
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Estreias da Semana #454
terça-feira, 4 de maio de 2021
Crítica: O Pai / The Father (2020)
"Paris. They don't even speak English there."
Anthony
*8.5/10*
A delicadeza perturbadora de O Pai (The Father), estreia de Florian Zeller nas longas-metragens, faz-nos imergir na vida de um homem com demência, de um ponto de vista inesperado. O dramaturgo adaptou a sua peça ao cinema, com a colaboração de Christopher Hampton, numa experiência desconcertante.
"Anthony (Anthony Hopkins) tem 81 anos e mora sozinho no seu apartamento em Londres, rejeitando todas as enfermeiras que a sua filha Anne (Olivia Colman) tenta impor-lhe. Porém, esse apoio torna-se cada vez mais urgente para ela, pois vai deixar de poder visitá-lo todos os dias - decidiu mudar-se para Paris para viver com um homem que acabou de conhecer... Mas se isso é verdade, quem é o estranho que irrompe pela sala de Anthony, afirmando ser casado com Anne há mais de dez anos? E porque diz tão convictamente que estão na casa do casal e não no apartamento de Anthony? E ela não tinha decidido ir viver para Paris? Estará Anthony a perder o juízo? Parece que o mundo, por instantes, deixou de ter lógica."
O Pai aborda uma história simples e realista de envelhecimento e perda - de faculdades, de memórias, de laços... -, mas igualmente de dedicação e mágoa de uma filha. Zeller cria um drama desolador, pincelado por momentos de humor requintado, porque na tristeza também se encontram alguns sorrisos e amparo.
A fragilidade do ser humano, a desconfiança constante e a confusão de memórias que o cérebro atraiçoa são os elementos que nos fazem entrar na cabeça de Anthony e compreender a sua perspectiva, de uma forma que ninguém à sua volta é capaz. Vamos ganhar-lhe afeição, compreensão e também partilharemos com ele o desespero e o medo. Percorremos corredores e salas que tão bem conhece (mas duvida), desfrutaremos da música que o acompanha ou da vista da janela do seu quarto, mas seremos igualmente testemunhas fiéis do desnorte que o rodeia.
Para além da subtileza e inteligência do argumento, o trabalho de montagem de Yorgos Lamprinos é o verdadeiro potenciador da singularidade e da partilha da experiência para o outro lado do ecrã. São poucos os filmes que nos envolvem tão activamente numa narrativa fragmentada e nos inquietam tão sagazmente.
Anthony Hopkins é soberbo na pele deste protagonista com quem partilha o nome e data de nascimento. O golpe que sente na sua independência provoca-lhe revolta e desconfiança. A memória atraiçoa-o, os rostos e locais deixam momentaneamente de ser familiares, o desespero e as frases repetidas evidenciam a fragilidade da sua condição. Se, por um lado, ele não admite (nem compreende) a sua fraqueza, por outro, a rispidez é a melhor arma que encontra para se defender. Ao lado do veterano, Olivia Colman incorpora o rosto exausto da filha incansável e dedicada, que vê desaparecer, aos poucos, a existência do homem que a criou. A actriz tem uma interpretação contida e comovente, num esforço contínuo pelo bem estar do pai.
Florian Zeller faz-nos reflectir na incapacidade humana para controlar o destino ou reverter o envelhecimento, bem como sobre a necessidade de empatia, respeito e compreensão pelo próximo. O Pai é cruel na realidade que retrata, mas é igualmente humanizador na forma como o faz.
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Oscars 2021: Vencedores
A 93.ª cerimónia dos Oscars aconteceu na noite de Domingo, 25 de Abril, num formato e contexto diferentes, devido à pandemia. Por aqui, estivemos a actualizar os vencedores em tempo real, como de costume.
Algumas surpresas - em especial nas categorias de actores principais - e um leque de prémios bem distribuídos, com Nomadland a sobressair com três Oscars: Melhor Filme, Melhor Actriz e Melhor Realizadora.
Melhor Realizador
quinta-feira, 22 de abril de 2021
Oscars 2021: Melhor Filme
Para finalizar a análise aos nomeados, eis as oito longas-metragens na corrida para o Oscar de Melhor Filme. No geral, temos um grupo com qualidade e competência, mas longe de ser um conjunto estrondoso. Há dois filmes muito bons, seguidos de perto por outros dois. Há um dos nomeados que se destaca pela negativa - um filme fraco que não merece a nomeação. Sentem-se as ausências de títulos como Another Round, Malcolm & Marie ou mesmo One Night in Miami..., que poderiam ocupar alguns dos lugares da lista de nomeados de 2021.
Mas é tudo uma questão de votos dos membros da Academia e de opinião. Aí ficam os nomeados para o Oscar de Melhor Filme, por ordem de preferência.
1. Sound of Metal (Amazon Studios)
Sound of Metal, de Darius Marder, leva-nos numa experiência sensorial ao universo da surdez. A violenta viagem que o realizador nos propõe é um confronto de emoções, ruídos e silêncio absoluto, numa aprendizagem permanente e restruturação pessoal total para voltar a viver. E mesmo sem ouvir, a música pode continuar presente - tal como a esperança.
3. Nomadland - Sobreviver na América (Searchlight Pictures)
Chloé Zhao criou um road movie melancólico e realista, que convida à introspecção, enquanto viajamos estrada fora pelas planícies sem fim do Oeste dos EUA. Para além da crítica socio-político, o filme apela ao autoconhecimento, à relação dos humanos com a perda e à harmonia entre o Homem e a Natureza.
4. Uma Miúda com Potencial / Promising Young Woman (Focus Features)
Uma Miúda Com Potencial (Promising Young Woman) é um thriller em tons de rosa, onde Carey Mulligan encarna a vingança feminista. A estreia de Emerald Fennell na realização de longas-metragens alia a angústia ao humor sarcástico, num resultado extremamente desafiador. Um revenge movie no seu esplendor, com características que o tornam singular: provocador, sensual, feminino, delicado e inteligente (menos o seu final!).
5. Os 7 de Chicago / The Trial of the Chicago 7 (Netflix)
Entre vinganças políticas, muita violência e um juiz incapaz de imparcialidade, constrói-se a acção de Os 7 de Chicago. Através do elenco que dá vida ao filme, Aaron Sorkin faz-nos olhar para o passado, através destas personagens, e constatar como há ainda tanto a fazer política e socialmente e, afinal, tão pouco mudou desde 1968.
7. Judas and the Black Messiah (Warner Bros.)
8. Minari (A24)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Filmes a Não Perder em 2021
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Esta Quinta-feira, dia 4 de Outubro, são muitas as estreias que vão encher as salas de cinema de todo o país. Nove filmes, um pouco para to...
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"I think I've made a terrible mistake." Zhenya *7.5/10* Há quem não nasça para ser pai ou mãe, há filhos que ...






















