Hoje vi(vi) um filme: MOTELx: Entrevistas - Carlos Amaral

sábado, 7 de setembro de 2013

MOTELx: Entrevistas - Carlos Amaral

MOTELx começa já no dia 11 de Setembro e, aproveitando o momento, publico aqui as entrevistas que tenho realizado no âmbito do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, para o Espalha-Factos.
Para o Prémio Yorn MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2013, o único galardão do festival, estão a concorrer nove curtas-metragens nacionais: Bílis Negra, de Nuno Sá PessoaDesespero, de Rui PilãoA Herdade dos Defuntos, de Patrick MendesLonge do Éden, de Carlos AmaralNico – A Revolta, de Paulo AraújoO Coveiro, de André Gil MataHair, de João SeiçaMonstro, de Alex Barone, e Sara, de Miguel Ângelo.

Entrevistei os nove realizadores, que apresentam os seus filmes, e falam sobre o actual estado do cinema português. Conhece, hoje, Carlos Amaral, realizador de Longe do Éden.


Longe do Éden mostra-nos um mundo sem esperança, onde o que resta dela parece residir apenas no homem que caminha com uma máscara de gás. De onde surgiu esta ideia de fim do mundo?

Carlos Amaral – O sub-género pós-apocalíptico sempre me fascinou, na literatura, com The Road de Cormac McCarthy ou Eternity Road de Jack McDevitt, no cinema com Mad Max, e até nos jogos de computador com Fallout, que joguei nos anos 90. Mas, talvez a maior fonte de inspiração foi ver edifícios abandonados e imaginar como seria se tudo estivesse assim. O resto da história foi-se desenvolvendo a partir daí e o resultado foi uma mistura entre o mundo que queria mostrar e o que podia mostrar com os meios que tinha.

Quais as principais inspirações para este filme, numa época em que, a nível internacional, abundam produções sobre o Apocalipse?

CA – Vi alguns filmes para procurar referências, mas numa altura em que já tinha a história escrita. Infelizmente, são poucos os filmes deste género e menos ainda os que são bons. Book of Eli foi o mais próximo no que diz respeito ao sub-género, tem um look muito interessante e uma banda sonora incrível, mas fica-se por aí. Revi também o The Road de John Hillcoat que, infelizmente, não faz justiça ao livro. Mas procurei estes filmes principalmente para perceber como foi feita a construção visual do seu mundo e arranjar uma maneira de aplicar algo parecido à minha história. Acima de tudo, foram uma inspiração técnica.

O que pretende transmitir com esta curta-metragem onde o terror é, parece-me, essencialmente psicológico?

CA – Não sou grande fã de cinema de terror. Gosto de alguns filmes do género, mas onde o terror está misturado com outro género, como ficção científica. Acho que este filme tem mais a ver com solidão e esperança, no entanto, acredito que, para alguém que não conceba que a nossa civilização possa cair, a ideia seja terrorífica.

Longe do Éden passou recentemente pelo Curtas Vila do Conde e vai agora competir no MOTELx. Na sua opinião, qual a importância dos festivais de cinema na divulgação do trabalho dos jovens realizadores em Portugal?

CA – No que diz respeito a curtas-metragens, os festivais são o objectivo final. De que serve fazer um filme se não temos onde o mostrar? Claro que a Internet é uma alternativa interessante, mas os festivais têm um nome que valida o filme e promovem-no. A partir daí é esperar que o público goste...


Entrevista originalmente publicada no Espalha-Factos.

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