Título Original: O Jacaré
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Sugestão da Semana #734
Título Original: O Jacaré
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Crítica: O Jacaré (2026)
"Ele é calminho, ele é fofinho, ele é afável, mano..."
Nuno
*8.5/10*
Basil da Cunha regressa à sua (nossa) Reboleira com O Jacaré, aquele que será (mesmo?) o capítulo final do bairro amadorense como cenário e personagem das curtas e longas-metragens do cineasta. Depois de Nuvem (2011), Os Vivos Também Choram (2012), Até Ver a Luz (2013), Nuvem Negra (2014), O Fim do Mundo (2019), 2720 (2023) e Manga d' Terra (2023), O Jacaré (2026) - filmado na segunda metade de 2023 - continua o registo etnográfico de um local que está a desaparecer aos poucos e da sua gente.
Lentamente, as casas têm sido demolidas pela Câmara Municipal da Amadora, as pessoas têm partido, ficam os resistentes, que muito fazem para manter o espírito de alegria e união que caracterizava aquele cantinho da Reboleira. Sempre que Basil da Cunha lá regressa para filmar, consegue reunir actuais e antigos residentes e fundir, uma vez mais, o Passado com o Presente do local, com um realismo mágico muito característico seu enquanto autor.
Aventurando-se, pela primeira vez, numa comédia de acção, em jeito de filme de gangsters (ou não fosse grande fã de Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese), Basil da Cunha filma um local cheio de vida, onde a velha guarda se confronta com os novos "rufias" da zona.
Na Reboleira, um assalto termina com um carro a despistar-se no bairro, mas ninguém sabe o paradeiro dos 180 mil euros roubados. Enquanto a polícia cerca a zona, instala-se uma verdadeira caça ao tesouro. Todos querem ser os primeiros a encontrar o dinheiro. "À medida que as alianças mudam e a tensão aumenta, as histórias cruzam-se numa sucessão de encontros inesperados, traições, humor e violência. E, no meio deste caos, começa a correr um boato impossível: há quem garanta ter visto um jacaré a vaguear pelas ruas da Reboleira."
Filmado em 2023, O Jacaré capta já o Futuro, o Presente actual. Mais do que uma prova de amor à Reboleira e à sua História, o filme é um memorial de alegria e celebração para os que já não estão presentes, um convite às boas lembranças. O sentimento de pertença que só quem ali viveu, cresceu ou foi acolhido consegue sentir, é transposto para o grande ecrã, para que todos os que assistam à longa-metragem possam, nem que seja por instantes, fazer também parte da "família".
Neste filme, há personagens e histórias que se cruzam e entrecruzam, numa teia de desconfianças e ambição que coloca amizades à prova. Os homens da velha guarda, que se protegem e vivem como família, entram num tenso conflito com os novos gangsters, muito jovens e frios, onde é cada um por si. Há os que se perdem, os que se emancipam, num local em que o Poder pode ser sinónimo de sucesso ou de desgraça.
E se, por um lado, os homens é que mandam no bairro - com armas na mão e a constante ameaça de conflito -, o lado matriarcal do local volta a estar em foco: ali há um respeito imenso pelas mães, mulheres mais velhas que acolhem, protegem e perdoam os filhos, mas também não têm medo de os chamar à razão. São as mulheres que trabalham e sustentam a casa. E mesmo que as mais jovens sejam, muitas vezes, rebaixadas, o lugar da mãe ou da avó é tido como o porto seguro no meio da violência. O Jacaré revela, aos poucos, o poder e a influência que o colectivo feminino da Reboleira possui.
A predileção do realizador por répteis (e por animais, em geral) observa-se desde cedo na sua filmografia. Na curta Os Vivos Também Choram, há uma iguana junto da personagem de José Pedro Gomes; já o dragão barbudo de Sombra, em Até Ver a Luz, de nome Jacaré, parece ter crescido e revela-se em tamanho grande em O Jacaré. O animal do título proporciona dos momentos mais hilariantes da longa-metragem. Numa breve efabulação, estes animais escamosos e misteriosos, podem equiparar-se às personagens que vão aparecendo e desaparecendo, de filme para filme, mas que continuam a fazer parte da "família" do bairro e de Basil.
Tecnicamente, realizador e equipa continuam a revelar-se. Para além da forma tão característica como a câmara de Basil da Cunha se move entre as estreitas ruas do bairro e seus recantos, filmando revelações, planos de acção ou perseguições, a utilização de drones em O Jacaré é verdadeiramente cinematográfica, proporcionando planos picados da geografia do bairro ou mesmo planos "impossíveis", provavelmente nunca vistos no cinema português mais recente. Destaque ainda para os efeitos especiais - que bela explosão! -, e para a banda sonora, sempre certeira, realçando a Música enquanto figura central e contínua no dia a dia da Reboleira.
Se, por um lado, este é o filme de temática menos pesada da filmografia de Basil da Cunha, construído com humor, mistério e muita acção, por outro, não lhe falta uma inevitável melancolia latente. Se for mesmo o último filme rodado no bairro, ao menos a despedida foi em grande, com a energia, alegria e união que sempre caracterizou o local, muito woman power, e uma saudade imensa de outros tempos, olhando para o que ainda resta.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Crítica: Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar (2025)
terça-feira, 19 de maio de 2026
Prémios Sophia 2026: Vencedores
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| Banzo, Uma Pedra no Sapato |
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Prémios Curtas 2026: Vencedores
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| Foto: Inês Moreira Santos / Hoje Vi(vi) um Filme |
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| Maria do Céu Guerra nos Prémios Curtas 2026 Foto: Inês Moreira Santos / Hoje Vi(vi) um Filme |
O júri desta edição contou com 15 elementos: Isabél Zuaa, artista multidisciplinar; Lília Lopes, actriz, escritora e apaixonada por vinhos; Rafael Fonseca, realizador e crítico de cinema; Rita Cadima de Oliveira, gestora de comunicação e criadora de conteúdos na FilmTwist e na Associação Festroia (Cinema Charlot); Samuel Andrade, cronista de cinema e projeccionista na Cinemateca Portuguesa; André Pereira, editor de vídeo, videógrafo e gestor de redes sociais; Bernardo Freire, crítico de cinema, apresentador e podcaster; Bruno Gascon, realizador e argumentista; Carolina Serranito, co-fundadora do Festival Triste Para Sempre e programadora de cinema; Francisco Rocha, blogger de cinema, programador e fotógrafo; Frederico Corado, realizador, encenador e programador; Hugo Gomes, crítico de cinema; Inês Moreira Santos, blogger de cinema/TV (aqui no Hoje Vi(vi) um Filme) e divulgadora cultural; Jasmim Bettencourt, crítico de cinema e realizador; e Rafael Félix, crítico de cinema.
Eis a lista completa dos vencedores dos Prémios Curtas 2026:
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| Atom & Void, de Gonçalo Almeida |
Curta de Ficção:
A Emancipação de Mimi
À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Atom & Void
Sol Menor
Tapete Voador
Curta de Animação:
Argumentos a Favor do Amor
Iris
Porque Hoje é Sábado
Sais de Prata
Sequencial
Curta Documental:
Em Reparação
Maria Henriqueta Esteve Aqui
Pássaro Azul
Sensible Soccers: Manoel
Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico
Curta Experimental:
Crua + Porosa
Enxofre
Maria Henriqueta Esteve Aqui
Rezbotanik
Tem Fé
Realização:
André Silva Santos, Sol Menor
Gonçalo Almeida, Atom & Void
Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Justin Amorim, Tapete Voador
Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi
Melhor Actor:
Filipe Vargas, O Compositor
Ivo Arroja, Tapete Voador
Marco Mendonça, Unicorn Hunting
Simão Fumega, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Tiago Schwabl, Sol Menor
Melhor Actriz:
Binete Undonque, Sabura
Cathia Sophia, Antígona, ou a História de Sara Benoliel
Custódia Gallego, O Peso da Pena
Maria Arrais, Um Beijinho
Teresa Madruga, Judite, ou A Primeira Revolta
Melhor Actor Secundário:
David Medeiros, Os Terríveis
Gonçalo Coré, Tapete Voador
Joãozinho da Costa, Sabura
Pedro Gil, Sol Menor
Vicente Gil, O Compositor
Melhor Actriz Secundária:
Anabela Moreira, Caio
Carla Madeira, Não Sei O Que Fazer Com As Mãos
Inês Castel-Branco, Tapete Voador
Isabel Costa, Noites Mais Fáceis
Joana Bernardo, Tapete Voador
Interpretação Infantil:
Agostinho Félix Trindade, A Emancipação de Mimi
Bartolomeu Figueira, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Catarina Machado, Os Terríveis
David Peixeiro, Rui Carlos
Mário Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Argumento:
Francisco Mira Godinho, Antígona, ou a História de Sara Benoliel
Francisco Mira Godinho e Justin Amorim, Tapete Voador
Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi
Pedro Carneiro, Judite, ou A Primeira Revolta
Fotografia:
Alex Grigoras, Atom & Void
Joana Silva Fernandes, A Emancipação de Mimi
Leandro Valente e Pedro Koch, Calhau
Leonardo Simões e Mariana Santana, Claridade
Leonor Teles, Tapete Voador
Montagem:
Ágata de Pinho, Ângela Bismarck e Mariana Vilhena, Crua + Porosa
Cláudia Silvestre, Unicorn Hunting
Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, Enxofre
Pedro Carneiro e Renata Sancho, Judite, ou A Primeira Revolta
Ricardo Saraiva, Atom & Void
Banda Sonora:
Afonso Pinto e Gabriel Worm, O Compositor
André Carvalho, Atom & Void
Filipe Raposo, Sequencial
Gabriel Abrantes, Argumentos a Favor do Amor
Nicolas Snyder, Iris
Som/Efeitos Sonoros:
Bernardo Bento, Maria Henriqueta Esteve Aqui
Bernardo Theriaga e Miguel Martins, Calhau
Gonçalo Almeida e Tiago de Sousa, Atom & Void
João Gazua e Marcelo Tavares, A Emancipação de Mimi
Rui Lima e Sérgio Martins, Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico
Caracterização:
Catarina Santiago e Cris Severo, Unicorn Hunting
Cláudia Fonseca e Daniela Samuel, Borbulha
Guilherme Gamito e Sofia Frazão, Na hora de pôr a mesa, éramos cinco
Hugo Flores, Calhau
Roberta Lionello, Os Terríveis
Guarda-Roupa:
Catarina Campos, Rui Carlos
Eduardo Filipe, Judite, ou A Primeira Revolta
Isabel Castanho e Joana Lages, Unicorn Hunting
Nádia Henriques, Noites Mais Fáceis
Sara Soares, Tapete Voador
Direcção Artística:
Alex Grigoras, Gonçalo Almeida, Margarida Caetano Dias e Rafael Martins, Atom & Void
Ana Maria Simões e Ana Meleiro, Crua + Porosa
Daniela Pires e João Cordeiro, Os Terríveis
David Tutti dos Reis, Joana Lages, Lizzie Favaro e Miguel Afonso, Unicorn Hunting
Laura Gama Martins, A Emancipação de Mimi
Efeitos Visuais:
'Irmã Lúcia' e José André, Argumentos a Favor do Amor
'Irmã Lúcia' e Lexic White, Atom & Void
Daniel Moreira, Edward Fung Chun Lee, João Alves e Pedro Ferreira, Borbulha
Fernão Gonçalves, Mercúrio
Francisco Lacerda, YAZZA
Prémio Cintra Honorário:
Maria do Céu Guerra
Mais informações sobre os Prémios Curtas em https://premioscurtas.pt/.
terça-feira, 10 de março de 2026
Prémios Curtas 2026: Nomeados
Os nomeados para a 4.ª edição dos Prémios Curtas - que premeiam os filmes portugueses em curta-metragem - já foram revelados. Tapete Voador, de Justin Amorim, é conquistou nove nomeações, seguido de perto por Atom & Void, de Gonçalo Almeida, com oito, e A Emancipação de Mimi, de Marcelo Pereira, com sete.
A cerimónia de entrega dos Prémios Curtas 2026 está marcada para 11 de Abril, às 20h30, no Fórum Lisboa. O evento é de entrada livre.
Nesta edição, há uma nova categoria a concurso, Melhor Curta Experimental, e o júri passou a contar com um total de 15 elementos: Isabél Zuaa, artista multidisciplinar; Lília Lopes, actriz, escritora e apaixonada por vinhos; Rafael Fonseca, realizador e crítico de cinema; Rita Cadima de Oliveira, gestora de comunicação e criadora de conteúdos na FilmTwist e na Associação Festroia (Cinema Charlot); Samuel Andrade, cronista de cinema e projeccionista na Cinemateca Portuguesa; André Pereira, editor de vídeo, videógrafo e gestor de redes sociais; Bernardo Freire, crítico de cinema, apresentador e podcaster; Bruno Gascon, realizador e argumentista; Carolina Serranito, co-fundadora do Festival Triste Para Sempre e programadora de cinema; Francisco Rocha, blogger de cinema, programador e fotógrafo; Frederico Corado, realizador, encenador e programador; Hugo Gomes, crítico de cinema; Inês Moreira Santos, blogger de cinema/TV (aqui no Hoje Vi(vi) um Filme) e divulgadora cultural; Jasmim Bettencourt, crítico de cinema e realizador; Rafael Félix, crítico de cinema.
Eis a lista completa de nomeados para os Prémios Curtas 2026:
Curta de Ficção:
A Emancipação de Mimi
À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Atom & Void
Sol Menor
Tapete Voador
Curta de Animação:
Argumentos a Favor do Amor
Iris
Porque Hoje é Sábado
Sais de Prata
Sequencial
Curta Documental:
Em Reparação
Maria Henriqueta Esteve Aqui
Pássaro Azul
Sensible Soccers: Manoel
Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico
Curta Experimental:
Crua + Porosa
Enxofre
Maria Henriqueta Esteve Aqui
Rezbotanik
Tem Fé
Realização:
André Silva Santos, Sol Menor
Gonçalo Almeida, Atom & Void
Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Justin Amorim, Tapete Voador
Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi
Melhor Actor:
Filipe Vargas, O Compositor
Ivo Arroja, Tapete Voador
Marco Mendonça, Unicorn Hunting
Simão Fumega, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Tiago Schwabl, Sol Menor
Melhor Actriz:
Binete Undonque, Sabura
Cáthia Sophia, Antígona, ou a História de Sara Benoliel
Custódia Gallego, O Peso da Pena
Maria Arrais, Um Beijinho
Teresa Madruga, Judite, ou A Primeira Revolta
Melhor Actor Secundário:
David Medeiros, Os Terríveis
Gonçalo Coré, Tapete Voador
Joãozinho da Costa, Sabura
Pedro Gil, Sol Menor
Vicente Gil, O Compositor
Melhor Actriz Secundária:
Anabela Moreira, Caio
Carla Madeira, Não Sei O Que Fazer Com As Mãos
Inês Castel-Branco, Tapete Voador
Isabel Costa, Noites Mais Fáceis
Joana Bernardo, Tapete Voador
Interpretação Infantil:
Agostinho Félix Trindade, A Emancipação de Mimi
Bartolomeu Figueira, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Catarina Machado, Os Terríveis
David Peixeiro, Rui Carlos
Mário Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Argumento:
Francisco Mira Godinho, Antígona, ou a História de Sara Benoliel
Francisco Mira Godinho e Justin Amorim, Tapete Voador
Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe
Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi
Pedro Carneiro, Judite, ou A Primeira Revolta
Fotografia:
Alex Grigoras, Atom & Void
Joana Silva Fernandes, A Emancipação de Mimi
Leandro Valente e Pedro Koch, Calhau
Leonardo Simões e Mariana Santana, Claridade
Leonor Teles, Tapete Voador
Montagem:
Ágata de Pinho, Ângela Bismarck e Mariana Vilhena, Crua + Porosa
Cláudia Silvestre, Unicorn Hunting
Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, Enxofre
Pedro Carneiro e Renata Sancho, Judite, ou A Primeira Revolta
Ricardo Saraiva, Atom & Void
Banda Sonora:
Afonso Pinto e Gabriel Worm, O Compositor
André Carvalho, Atom & Void
Filipe Raposo, Sequencial
Gabriel Abrantes, Argumentos a Favor do Amor
Nicolas Snyder, Iris
Som/Efeitos Sonoros:
Bernardo Bento, Maria Henriqueta Esteve Aqui
Bernardo Theriaga e Miguel Martins, Calhau
Gonçalo Almeida e Tiago de Sousa, Atom & Void
João Gazua e Marcelo Tavares, A Emancipação de Mimi
Rui Lima e Sérgio Martins, Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico
Caracterização:
Catarina Santiago e Cris Severo, Unicorn Hunting
Cláudia Fonseca e Daniela Samuel, Borbulha
Guilherme Gamito e Sofia Frazão, Na hora de pôr a mesa, éramos cinco
Hugo Flores, Calhau
Roberta Lionello, Os Terríveis
Guarda-Roupa:
Catarina Campos, Rui Carlos
Eduardo Filipe, Judite, ou A Primeira Revolta
Isabel Castanho e Joana Lages, Unicorn Hunting
Nádia Henriques, Noites Mais Fáceis
Sara Soares, Tapete Voador
Direcção Artística:
Alex Grigoras, Gonçalo Almeida, Margarida Caetano Dias e Rafael Martins, Atom & Void
Ana Maria Simões e Ana Meleiro, Crua + Porosa
Daniela Pires e João Cordeiro, Os Terríveis
David Tutti dos Reis, Joana Lages, Lizzie Favaro e Miguel Afonso, Unicorn Hunting
Laura Gama Martins, A Emancipação de Mimi
Efeitos Visuais:
'Irmã Lúcia' e José André, Argumentos a Favor do Amor
'Irmã Lúcia' e Lexic White, Atom & Void
Daniel Moreira, Edward Fung Chun Lee, João Alves e Pedro Ferreira, Borbulha
Fernão Gonçalves, Mercúrio
Francisco Lacerda, YAZZA
O honorário Prémio Cintra deste ano será entregue à actriz e encenadora Maria do Céu Guerra.
Mais informações sobre os Prémios Curtas em https://premioscurtas.pt/.
Sugestão da Semana #708
Título Original: Mr. Nobody Against Putin
Título Original: Maria Vitória
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
Sugestão da Semana #693
terça-feira, 14 de outubro de 2025
Sugestão da Semana #687
terça-feira, 1 de julho de 2025
Crítica: O Ancoradouro do Tempo (2024)
"Só sei que aqui todos somos ruínas, a única pessoa inteira és tu."
Marta
Em O Ancoradouro do Tempo, Sol de Carvalho adapta ao grande ecrã o livro de Mia Couto (que assina o argumento em co-autoria com o realizador), A Varanda do Frangipani.
Uma pequena fortaleza isolada - o filme foi integralmente filmado na Fortaleza de São Sebastião, na Ilha de Moçambique - serve de cenário a esta longa-metragem que vive entre o Passado e o Presente, o drama e o misticismo, e onde as ruínas e a paisagem proporcionam planos impressionantes.
"Izidine, um inspector da polícia moçambicana recém-promovido, é chamado a um lar de idosos situado numa antiga fortaleza colonial para investigar um crime: o director, Vasto Excelêncio, foi morto. Marta, a enfermeira, tenta chamar a atenção para o verdadeiro crime, a própria existência do lar. Ao mesmo tempo, o detective confronta-se com um facto insólito: todos confessam ser os autores do crime."
Com um argumento bem construído e empolgante, potenciado por excelentes opções de montagem, que alternam entre passado e presente, e se distinguem, essencialmente, pela mudança da cor para o preto e branco, nos momentos de flashbacks, O Ancoradouro do Tempo é uma obra desafiadora q.b. Desde logo, a investigação de um crime onde todos se assumem como sendo o assassino, cada um com a sua versão da morte - e correspondente reconstituição - cria um enigma mordaz, quer para o inspector, como para a plateia. E, mesmo que alguns momentos possam ser um pouco previsíveis, o certo é que seguem-se alguns plot twist surpreendentes.
O elenco faz um trabalho muito competente, com destaque para o protagonista, Izidine, interpretado por Horácio Guiamba, que enfrenta os desafios do caso, mas também um reviver de traumas de infância.
Esteticamente, é fundamental destacar o belíssimo trabalho da direcção de fotografia de André Guiomar: o jogo entre luz e sombras, que constrói muito do lado fantasmagórico da acção, especialmente nas cenas nocturnas, muito bem iluminadas, mas também de dia, tirando todo o partido da beleza da ilha.
Entre o suspense, a superstição, os fantasmas do passado colonial e das práticas macabras baseadas em mitos e falsas crenças, ainda presentes na região, Sol de Carvalho regista como o isolamento de uma ilha pode deixar qualquer um louco, ou apenas mais consciente da sua própria realidade.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
Sugestão da Semana #672
quarta-feira, 25 de junho de 2025
Encontros do Cinema Português 2025: As Próximas Estreias e os Grandes Destaques do Cinema Português
A 10.ª edição dos Encontros do Cinema Português aconteceu no passado dia 4 de Junho, nos Cinemas NOS Vasco da Gama, e contou com a apresentação de 45 projectos de produção nacional e a participação de mais de 300 representantes da indústria: produtores, realizadores, argumentistas, actores e imprensa, entre outros. No decorrer do evento, foram apresentadas obras que estrearam ou estão prestes a estrear no circuito de festivais e cinemas, e outras que ainda estão em processo de produção ou pós-produção. Um dos títulos apresentados acabou de estrear em sala, Hotel Amor, de Hermano Moreira.
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| Susanna Barbato (NOS Audiovisuais) na abertura dos Encontros do Cinema Português 2025 |
Os Encontros do Cinema Português foram criados em 2016 e, em nove edições, passaram pelo evento cerca de 350 projectos e mais de 2 mil participantes.
Lançado na edição anterior, o Prémio Canal Hollywood regressou este ano e foi entregue ao filme Pátio da Saudade, de Leonel Vieira, produzido pela Volf Entertainment. A longa-metragem tem estreia prevista para Agosto de 2025. Este prémio é entregue ao filme com maior potencial comercial, com foco na sua divulgação junto do grande público, através de um apoio (55 mil euros) dedicado à promoção do projecto vencedor.
O evento começou com a apresentação de um estudo da CresCine, por Manuel Damásio, Director do Departamento de Cinema e Artes dos Media da Universidade Lusófona, que analisou a evolução do cinema em países europeus comparáveis a Portugal. O momento contou com uma conversa com Luis Chaby (ICA) e algumas perguntas da plateia. A finalizar o dia dedicado ao Cinema Português, esteve o habitual debate, desta vez subordinado ao tema O cinema português daqui a 10 anos, com a participação de Susanna Barbato (NOS Audiovisuais), Nuno Aguiar (NOS Cinemas), Elsa Mendes (Plano Nacional de Cinema), e os realizadores Ruben Alves e Bernardo Lopes. A moderação esteve a cargo do jornalista Vítor Moura.
O Hoje Vi(vi) um Filme marcou presença nos Encontros para ficar a par das novidades cinematográficas nacionais a estrear nos próximos meses.
Os Destaques e as Próximas Estreias
Entre os títulos apresentados, destaque para 18 Buracos para o Paraíso (o ano passado apresentado com o título provisório de O Último Verão), de João Nuno Pinto, filmado através dos pontos de vista de três personagens, interpretadas por Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço. Esta longa-metragem tem ainda a particularidade de ser o primeiro filme português a receber a certificação Green Film, para produções audiovisuais sustentáveis. Ainda com um título provisório, Degelo, de Ricardo Oliveira, cativou as atenções da plateia, com uma história passada numa icónica casa, aparentemente assombrada, e em torno do seu dono, filhas e hóspedes. O filme é protagonizado pela banda Capitão Fausto (Tomás Wallenstein apresentou o filme nos Encontros) e Zeca Medeiros.
Estreados no Festival de Cannes 2025, Entroncamento, de Pedro Cabeleira, e O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, - que conquistou o Prémio de Melhor Actriz na secção Un Certain Regard para Cleo Diára (que entra nos dois filmes e marcou presença nos Encontros) - foram dois dos filme que mais expectativas têm criado junto dos amantes de cinema. Ainda sem data de estreia confirmada, está previsto que os filmes cheguem às salas de cinema entre o último trimestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.
O mega-projecto de Ivo M. Ferreira, Projecto Global, uma ficção sobre as FP-25 - que resultará em filme e numa minissérie para a RTP -, já apresentado nos Encontros de 2024, vê a estreia comercial mais próxima, possivelmente perto do final deste ano, e cujas vendas internacionais estão a cargo da The Match Factory.
A Memória do Cheiro das Coisas, de António Ferreira, tem como protagonista um veterano da Guerra Colonial e os preconceitos que carrega consigo. A longa-metragem tem estreia comercial prevista até ao final de 2025 e está actualmente a fazer o seu percurso internacional pelos festivais, onde recentemente José Martins conquistou o Prémio de Melhor Actor no Festival Internacional de Cinema de Xangai.
A primeira longa-metragem de Sebastião Salgado chama-se Solos, é filmado em Almada e conta a relação conturbada entre filho (Afonso Laginha), pai (Ricardo Pereira) e avô (João Pedro Bénard). Afonso Laginha e o realizador estiveram presentes e apresentaram algumas imagens do filme. Também Duarte Neves apresentou o seu primeiro filme Match (em fase de pós-produção), protagonizado por Rodrigo Soares, que o acompanhou nos Encontros do Cinema Português.
Ainda sem data de estreia, mas a mostrar muito potencial, está Terra Vil, a primeira longa-metragem de Luís Campos que se tem distinguido nas curtas. O filme segue João, de 12 anos, que vive com o seu instável pai António, que se debate com um problema de alcoolismo. Os acontecimentos passam-se na zona de Entre-Os-Rios e mostram como a tragédia de 2001 ainda afecta a população da região. Por sua vez, Bernardo Lopes apresentou a sua longa Amanhã Já Não Chove, com Rita Durão e Isabel Zuaa.
Com estreia prevista para o final de 2025, está o novo filme de Carlos Conceição, Baía dos Tigres, que retoma a ligação do realizador a Angola e é protagonizado por João Arrais, colaborador assíduo de Conceição. Realizado por Graça Castanheira, o documentário Querido Mário constrói-se a partir de correspondência trocada entre Maria Barroso e Mário Soares, anos antes do 25 de Abril de 1974. Um filme que alerta para o facto da Liberdade não ser um dado adquirido. A Cabeça Não é um Sítio Seguro, primeira longa-metragem de Joana Caiano, é um documentário sobre saúde mental, filmado no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. Também nos documentários, destaque para Orlando Pantera, de Catarina Alves Costa, sobre o músico cabo-verdiano que partiu demasiado cedo. O filme foi um sucesso no IndieLisboa e aguarda agora a sua estreia comercial. Ainda de destacar é o próximo documentário de Miguel Gonçalves Mendes, De Lugar Nenhum, sobre o escritor Valter Hugo Mãe.
Depois de um breve vislumbre nos Encontros do Cinema Português de 2024, José Filipe Costa regressou para apresentar o seu Pai Novo - Os Últimos Dias de Salazar, agora já finalizado e depois de ter passado pelo festival IndieLisboa. O filme, que relata os últimos anos de Salazar desde que deixa de ser Presidente do Conselho, tem estreia comercial prevista para Outubro de 2025. Também para Outubro, está prevista a estreia de As Meninas Exemplares, de João Botelho.
Para breve, estão as estreias de títulos como A Vida Luminosa, de João Rosas, e Mississipis, de António-Pedro, ambas marcadas para 26 de Junho, a que se acrescenta ainda O Ancoradouro do Tempo, de Sol de Carvalho, apresentado nos Encontros do Cinema Português 2024. Para 11 de Setembro, está marcada a estreia de A Pianista, de Nuno Bernardo, sobre a temática da clonagem, com Teresa Tavares, Miguel Borges e Gonçalo Almeida.
Eis a listagem dos 45 filmes apresentados nos Encontros do Cinema Português 2025:
18 Buracos para o Paraíso, João Nuno Pinto
A Vida Luminosa, João Rosas
Decorado, Alberto Vázquez
Ana, en Passant, Fernanda Salgado
Criadores de Ídolos, Luís Diogo
Degelo, Ricardo Oliveira
Mississipis, Antonio - Pedro
Baía dos Tigres, Carlos Conceição
Querido Mário, Graça Castanheira
A Cabeça não é um sítio seguro, Joana Caiano
A Senhora da Serra, João Dias
Entroncamento, Pedro Cabeleira
Complô, João Miller Guerra
Pai Nosso, José Filipe Rocha
O Riso e A Faca, Pedro Pinho
O Pátio da Saudade, Leonel Vieira
A Jump In Tech - The Impact of Women Code, Rute Moreira
Este É O Teu Momento, Rute Moreira
Óculos de Sol Pretos, Pedro Ramalhete
As Meninas Exemplares, João Botelho
O Poeta Rei, Carlos Gomes
Os Figos do Meu Avô ou Reflexões Sobre Memórias Próximas, Fernando Bastos
Morte e Vida Madalena, Guto Parente
A Quinta, Avelina Prat
Projecto Global, Ivo M. Ferreira
Lugar dos Sonhos, Diogo Morgado
La Vie de Maria Manuela, João Marques
Hotel Amor, Hermano Moreira
Orlando Pantera, Catarina Alves Costa
A Memória do Cheiro das Coisas, António Ferreira
Guided by the Stars, David Nascimento
Solos, Sebastião Salgado
C'est Pas la Vie en Rose, Leonor Bettencourt Loureiro
Filma isto!, Ricardo Teixeira
As Aves, Pedro Magano
Caronte, Tânia Teixeira
Sodade, Hugo Diogo
Match, Duarte Neves
Chão Verde de Pássaros Verdes, Sandra Inês Cruz
Terra Vil, Luís Campos
Cativos, Luís Alves
Vivi Nascosto Guido Guidi, Paulo Catrica
A Pianista, Nuno Bernardo
Amanhã já não chove, Bernardo Lopes
De Lugar Nenhum, Um Retrato de Valter Hugo Mãe, Miguel Gonçalves Mendes
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Esta Quinta-feira, chegaram às salas de cinema portuguesas sete novos filmes. O Veredito Social e Primetime são duas das estreias em destaq...
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O MOTELX 2026 está quase a terminar e já são conhecidos os vencedores desta 20.ª edição. A Hora do Chico! venceu o Prémio MOTELX – Melhor C...
































