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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Sugestão da Semana #734




Ficha Técnica:
Título Original: O Jacaré
Realizador: Basil da Cunha
Elenco: Alexandra Sena, Alexandre da Costa Fonseca, Paulo César Lima Fonseca, Nelson Carvalho, Pedro Diniz, Heidir Correia, Carlos Fonseca, Pedro Ferreira, Frederico Lopes, Verónica Lii, Maria Santos, Susana Costa, Ivo Bernardo, Carloto Cotta, Filipe Vargas
Género: Comédia, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 92 minutos

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Crítica: O Jacaré (2026)

"Ele é calminho, ele é fofinho, ele é afável, mano..."

Nuno

*8.5/10*

Basil da Cunha regressa à sua (nossa) Reboleira com O Jacaré, aquele que será (mesmo?) o capítulo final do bairro amadorense como cenário e personagem das curtas e longas-metragens do cineasta. Depois de Nuvem (2011), Os Vivos Também Choram (2012), Até Ver a Luz (2013), Nuvem Negra (2014), O Fim do Mundo (2019), 2720 (2023) e Manga d' Terra (2023), O Jacaré (2026) - filmado na segunda metade de 2023 - continua o registo etnográfico de um local que está a desaparecer aos poucos e da sua gente.

Lentamente, as casas têm sido demolidas pela Câmara Municipal da Amadora, as pessoas têm partido, ficam os resistentes, que muito fazem para manter o espírito de alegria e união que caracterizava aquele cantinho da Reboleira. Sempre que Basil da Cunha lá regressa para filmar, consegue reunir actuais e antigos residentes e fundir, uma vez mais, o Passado com o Presente do local, com um realismo mágico muito característico seu enquanto autor.

Aventurando-se, pela primeira vez, numa comédia de acção, em jeito de filme de gangsters (ou não fosse grande fã de Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese), Basil da Cunha filma um local cheio de vida, onde a velha guarda se confronta com os novos "rufias" da zona.

Na Reboleira, um assalto termina com um carro a despistar-se no bairro, mas ninguém sabe o paradeiro dos 180 mil euros roubados. Enquanto a polícia cerca a zona, instala-se uma verdadeira caça ao tesouro. Todos querem ser os primeiros a encontrar o dinheiro. "À medida que as alianças mudam e a tensão aumenta, as histórias cruzam-se numa sucessão de encontros inesperados, traições, humor e violência. E, no meio deste caos, começa a correr um boato impossível: há quem garanta ter visto um jacaré a vaguear pelas ruas da Reboleira."

Filmado em 2023, O Jacaré capta já o Futuro, o Presente actual. Mais do que uma prova de amor à Reboleira e à sua História, o filme é um memorial de alegria e celebração para os que já não estão presentes, um convite às boas lembranças. O sentimento de pertença que só quem ali viveu, cresceu ou foi acolhido consegue sentir, é transposto para o grande ecrã, para que todos os que assistam à longa-metragem possam, nem que seja por instantes, fazer também  parte da "família".

Neste filme, há personagens e histórias que se cruzam e entrecruzam, numa teia de desconfianças e ambição que coloca amizades à prova. Os homens da velha guarda, que se protegem e vivem como família, entram num tenso conflito com os novos gangsters, muito jovens e frios, onde é cada um por si. Há os que se perdem, os que se emancipam, num local em que o Poder pode ser sinónimo de sucesso ou de desgraça.

E se, por um lado, os homens é que mandam no bairro - com armas na mão e a constante ameaça de conflito -, o lado matriarcal do local volta a estar em foco: ali há um respeito imenso pelas mães, mulheres mais velhas que acolhem, protegem e perdoam os filhos, mas também não têm medo de os chamar à razão. São as mulheres que trabalham e sustentam a casa. E mesmo que as mais jovens sejam, muitas vezes, rebaixadas, o lugar da mãe ou da avó é tido como o porto seguro no meio da violência. O Jacaré revela, aos poucos, o poder e a influência que o colectivo feminino da Reboleira possui.

A predileção do realizador por répteis (e por animais, em geral) observa-se desde cedo na sua filmografia. Na curta Os Vivos Também Choram, há uma iguana junto da personagem de José Pedro Gomes; já o dragão barbudo de Sombra, em Até Ver a Luz, de nome Jacaré, parece ter crescido e revela-se em tamanho grande em O Jacaré. O animal do título proporciona dos momentos mais hilariantes da longa-metragem. Numa breve efabulação, estes animais escamosos e misteriosos, podem equiparar-se às personagens que vão aparecendo e desaparecendo, de filme para filme, mas que continuam a fazer parte da "família" do bairro e de Basil.

Tecnicamente, realizador e equipa continuam a revelar-se. Para além da forma tão característica como a câmara de Basil da Cunha se move entre as estreitas ruas do bairro e seus recantos, filmando revelações, planos de acção ou perseguições, a utilização de drones em O Jacaré é verdadeiramente cinematográfica, proporcionando planos picados da geografia do bairro ou mesmo planos "impossíveis", provavelmente nunca vistos no cinema português mais recente. Destaque ainda para os efeitos especiais - que bela explosão! -, e para a banda sonora, sempre certeira, realçando a Música enquanto figura central e contínua no dia a dia da Reboleira.

Se, por um lado, este é o filme de temática menos pesada da filmografia de Basil da Cunha, construído com humor, mistério e muita acção, por outro, não lhe falta uma inevitável melancolia latente. Se for mesmo o último filme rodado no bairro, ao menos a despedida foi em grande, com a energia, alegria e união que sempre caracterizou o local, muito woman power, e uma saudade imensa de outros tempos, olhando para o que ainda resta.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Crítica: Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar (2025)

"Porque é que não pensar deixar o seu cargo?"
Maria de Jesus


*5/10*

O primeiro de dois filmes sobre o ditador português com estreia prevista para 2026 já chegou às salas: Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar é a proposta do realizador José Filipe Costa de um retrato irónico dos últimos meses de vida do protagonista. 

A farsa real é transportada para o grande ecrã com a governanta Maria de Jesus (Catarina Avelar) ao comando das operações, seja na coordenação das visitas ao presidente deposto, seja a tomar as rédeas da casa, junto das empregadas, ou simplesmente a cuidar e fazer companhia ao ditador doente.

"Portugal, 1968. Salazar, o ditador fascista que no mundo mais tempo esteve no poder, cai de uma cadeira e sofre um AVC. Quando volta ao palacete de São Bento para convalescer, já não é Presidente do Conselho. Mas ninguém lhe conta a verdade: nem a fiel governanta Maria de Jesus, nem as criadas Aparecida, Socorro e Teresinha, nem o seu médico pessoal. Durante dois anos ele vive uma ilusão minuciosamente construída para acreditar que ainda é Presidente, até morrer em 1970. Uma das farsas mais absurdas da História, que muita gente ainda hoje ignora."


José Filipe Costa volta a mostrar a sua ousadia na escolha e na forma de trabalhar os temas dos seus filmes. O realizador "estava interessado nos dilemas, nas contradições e nos paradoxos vividos pelas personagens dentro de São Bento". Apenas dentro do palácio, Salazar continuava a ser o presidente.

No entanto, a acutilância que caracteriza o cinema de José Filipe Costa não foi usada da forma que este filme mereceria. Infelizmente, há uma ligeira humanização de Salazar nestes seus últimos dias, que, tendo em conta os controversos tempos que se vivem, pode ter uma leitura totalmente errada pela plateia. Os melhores momentos acontecem na segunda metade do filme, quando pesadelos e alucinações atormentam o antigo ditador, com o delírio a despoletar momentos de humor sarcástico e, por vezes, outros até ligeiramente perturbadores. É aí que surge a mordacidade característica do realizador, que peca por ser tão pouca nesta longa-metragem. 


Nas interpretações, Catarina Avelar está imperturbável na pele da sempre fiel Maria de Jesus, ela própria uma espécie de ditadora das regras daquela casa, onde a mentira passava a verdade inabalável. No papel de Salazar, Jorge Mota revela a fragilidade e a confusão mental da decadência do ditador.

Pai Nosso - Os Últimos Dias de Salazar perde assim a grande oportunidade para "enterrar" de vez os resquícios do Estado Novo. José Filipe Costa mostra a sua marca provocatória, mas é demasiado brando no retrato satírico do ditador.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Prémios Sophia 2026: Vencedores

A cerimónia da 15.ª edição dos Prémios Sophia aconteceu na Sexta-feira, 15 de Maio, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Apresentada por Inês Lopes Gonçalves, esta edição teve como tema "Projetar o presente, imaginar o futuro".

Banzo, de Margarida Cardoso, foi o grande vencedor da noite ao conquistar 10 Sophias, incluindo os de Melhor Realização e Melhor Filme. O actor Rui Mendes foi o homenageado com o Prémio Sophia Carreira 2026.

Banzo, Uma Pedra no Sapato

Eis a lista completa de vencedores e nomeados:

Melhor Filme
A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, Tathiani Sacilotto / António Ferreira / Persona Non Grata Pictures
O RISO E A FACA, Filipa Reis / Tiago Hespanha / Pedro Pinho / Uma Pedra no Sapato / Terratreme
Filmes
ON FALLING, Mário Patrocínio / BRO Cinema

Melhor Filme de Comédia
SONHAR COM LEÕES, Justin Amorim / Paolo Marinou-Blanco / Promenade Films / Darya Films
HOTEL AMOR, Hermano Moreira / Talita Antunes / André Magri / Justin Amorim / Promenade / Volken Film
O VELHO E A ESPADA, Fábio Powers / Cristiano Guerreiro

Melhor Realização
A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, António Ferreira
HANAMI, Denise Fernandes
ON FALLING, Laura Carreira

Melhor Argumento Original
A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, Tiago Cravidão / António Ferreira
ON FALLING, Laura Carreira
SONHAR COM LEÕES, Paolo Marinou-Blanco

Melhor Argumento Adaptado
LAVAGANTE
António-Pedro Vasconcelos / Mário Barroso
Adaptado a partir da obra Lavagante de José Cardoso Pires
AS MENINAS EXEMPLARES
João Botelho / Leonor Pinhão
Adaptado a partir da obra As Meninas Exemplares, As Férias e Os Desastres de Sofia
de Condessa de Ségur
LONGE DA ESTRADA
Hugo Vieira da Silva / Claudia Bottino
Adaptado a partir da obra de Victor Segalen

Melhor Actor Protagonista
José Martins, A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS
Sérgio Coragem, O RISO E A FACA
João Nunes Monteiro, SONHAR COM LEÕES

Melhor Actriz Protagonista
Joana Santos, ON FALLING
Mina Andala, A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS
Cleo Diára, O RISO E A FACA
Denise Fraga, SONHAR COM LEÕES

Melhor Actor Coadjuvante
Nuno Lopes, LAVAGANTE
Miguel Borges, A PIANISTA
António Durães, SONHAR COM LEÕES

Melhor Actriz Coadjuvante
Rita Cabaço, A QUINTA
Catarina Wallenstein, AS MENINAS EXEMPLARES
Joana Ribeiro, SONHAR COM LEÕES

Melhor Documentário em Longa-Metragem
A MULHER QUE MORREU DE PÉ, Rosa Coutinho Cabral / António Cabral / nocturno
AS ESTAÇÕES, Luís Urbano / Sandro Aguilar / O Som e a Fúria
CARTAS TELEPÁTICAS, Rodrigo Areias / Bando à Parte
LINDO, Margarida Gramaxo / João Afonso Vaz / David Vasques / Santa Rita Filmes / Maus da
Fita

Melhor Direcção de Fotografia
AS MENINAS EXEMPLARES, João Ribeiro aip
LAVAGANTE, Mário Barroso
O RISO E A FACA, Ivo Lopes Araújo

Melhor Montagem
A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, António Ferreira
LAVAGANTE, Micael Espinha
ON FALLING, Helle le Fevre

Melhor Som
A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, Bernardo Theriaga / Matheus Miguens / Ricardo Cutz
LAVAGANTE, Pedro Góis / Tomé Palmeirim
PORTUGUESES, Pedro Góis / Pedro Melo / Tiago Raposinho

Melhor Canção Original
A PIANISTA • GO OF YESTERDAY: Letra: Nuno Bernardo; Música: Riccardo Mazzaglia; Interpretação: Dirk JJ van der Merwe
NOME • TCHOMAL PAKÉ: Letra, Música e Interpretação: Remna Schwarz
O VELHO E A ESPADA • A MALDIÇÃO: Letra e Música: Zé Consciência; Interpretação: Zé Consciência / Carla Sousa

Melhor Banda Sonora Original
A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS, Luís Pedro Madeira
LAVAGANTE, Mário Laginha

Melhor Direcção Arte
AS MENINAS EXEMPLARES, Cláudia Lopes Costa
LAVAGANTE, Paula Szabo
PORTUGUESES, Bruno Alhandra Duarte / Cypress Cook

Melhor Efeitos Especiais
ERA UMA VEZ EM GAZA, Coletivo Élio Mateus / Rui Veiga
O LUGAR DOS SONHOS, Marco Oliveira / Pedro Mota Teixeira
SONHAR COM LEÕES, João Torres / Omar Colocci

Melhor Figurino
AS MENINAS EXEMPLARES, Luísa Pacheco
LAVAGANTE, Lucha d’Orey
PORTUGUESES, Joana Cardoso

Melhor Maquilhagem, Caracterização e Cabelos
AS MENINAS EXEMPLARES, Nuno Esteves “Blue” / Teresa Dias
LAVAGANTE, Natália Bogalho / Sónia Seabra
SONHAR COM LEÕES, Olga José

Melhor Série/Telefilme
CASA-ABRIGO - Realização, Criação, Direcção de Argumento e Escrito por: Márcio Laranjeira; Produção: Luís Galvão Teles / Gonçalo Galvão Teles / Fado Filmes
MULHERES, ÀS ARMAS - Realização: Patrícia Sequeira; Criação, Direcção de Argumento e Escrito por: Filipa Martins; Produção: Susana Sequeira / Patrícia Sequeira / Santa Rita Filmes
RABO DE PEIXE – TEMPORADA 2 - Realização: Augusto Fraga / João Maia; Criação e Direcção de Argumento: Augusto Fraga; Escrito por: Augusto Fraga / Hugo Gonçalves / Tiago R. Santos; Produção: Pandora da Cunha Telles / Pablo Iraola / Ukbar Filmes / RB Filmes
RUÍDO - Realização: Ricardo Freitas / Tiago Guedes; Criação e Direcção de Argumento: Bruno Nogueira; Escrito por: Bruno Nogueira / Carlos Coutinho Vilhena / Frederico Pombares / Luís Araújo; Produção: Agostinho Ribeiro / Nuno Morais / Ricardo Freitas / Sandra Faria / REED / Força de Produção

Melhor Curta-Metragem de Ficção
TAPETE VOADOR, Justin Amorim
A FRONTEIRA AZUL, Dinis M. Costa
AGENTE IMOBILIÁRIO SEM CASA PARA VIVER, Filipe Amorim
SABURA, Falcão Nhaga

Melhor Curta-Metragem Documental
ESTAVA ESCURO NA BARRIGA DO LOBO, Joana Botelho
MAIO, Claudio Carbone
O ÚLTIMO PASTOR DO SABUGUEIRO, Laurène Da Palma Cavaco
SALTO, Ana Castro

Melhor Curta-Metragem de Animação
CÃO SOZINHO, Marta Reis Andrade
AMARELO BANANA, Alexandre Sousa
ARGUMENTS IN FAVOR OF LOVE, Gabriel Abrantes
PORQUE HOJE É SÁBADO, Alice Eça Guimarães

Prémio Sophia de Carreira 2026
Rui Mendes

Melhor Cartaz
LONGE DA ESTRADA, autoria de Catarina Sampaio

Melhor Trailer
CORO, Edgar Ferreira / Steven Nascimento

Melhor Filme Europeu

Melhor Filme Ibero-americano
O AGENTE SECRETO, Kleber Mendonça Filho

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Prémios Curtas 2026: Vencedores

Os vencedores da 4.ª edição dos Prémios Curtas - que premeiam os filmes portugueses em curta-metragem - foram anunciados no Sábado, 11 de Abril, numa cerimónia que teve lugar no Fórum Lisboa, apresentada por Rui Alves de Sousa. Atom & Void, de Gonçalo Almeida, foi o grande vencedor da noite com sete prémios; Tapete Voador foi distinguido nas categorias de Melhor Actor (Ivo Arroja) e Melhor Actriz Secundária (Joana Bernardo); e Antígona, ou a História de Sara Benoliel, conquistou os prémios de Melhor Actriz (Cathia Sophia) e Melhor Argumento (Francisco Mira Godinho).

Foto: Inês Moreira Santos / Hoje Vi(vi) um Filme

A actriz e encenadora Maria do Céu Guerra marcou presença na cerimónia, onde foi distinguida com o Prémio Cintra de Carreira nesta edição dos Prémios Curtas, numa homenagem a mais de seis décadas de dedicação às artes performativas e à sua contribuição para a cultura portuguesa.

Maria do Céu Guerra nos Prémios Curtas 2026
Foto: Inês Moreira Santos / Hoje Vi(vi) um Filme

O júri desta edição contou com 15 elementos: Isabél Zuaa, artista multidisciplinar; Lília Lopes, actriz, escritora e apaixonada por vinhos; Rafael Fonseca, realizador e crítico de cinema; Rita Cadima de Oliveira, gestora de comunicação e criadora de conteúdos na FilmTwist e na Associação Festroia (Cinema Charlot); Samuel Andrade, cronista de cinema e projeccionista na Cinemateca Portuguesa; André Pereira, editor de vídeo, videógrafo e gestor de redes sociais; Bernardo Freire, crítico de cinema, apresentador e podcaster; Bruno Gascon, realizador e argumentista; Carolina Serranito, co-fundadora do Festival Triste Para Sempre e programadora de cinema; Francisco Rocha, blogger de cinema, programador e fotógrafo; Frederico Corado, realizador, encenador e programador; Hugo Gomes, crítico de cinema; Inês Moreira Santos, blogger de cinema/TV (aqui no Hoje Vi(vi) um Filme) e divulgadora cultural; Jasmim Bettencourt, crítico de cinema e realizador; e Rafael Félix, crítico de cinema.

Eis a lista completa dos vencedores dos Prémios Curtas 2026:

Atom & Void, de Gonçalo Almeida

Curta de Ficção:

A Emancipação de Mimi

À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Atom & Void

Sol Menor

Tapete Voador


Curta de Animação:

Argumentos a Favor do Amor

Iris

Porque Hoje é Sábado

Sais de Prata

Sequencial


Curta Documental:

Em Reparação

Maria Henriqueta Esteve Aqui

Pássaro Azul

Sensible Soccers: Manoel

Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico


Curta Experimental:

Crua + Porosa

Enxofre

Maria Henriqueta Esteve Aqui

Rezbotanik

Tem Fé


Realização:

André Silva Santos, Sol Menor

Gonçalo Almeida, Atom & Void

Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Justin Amorim, Tapete Voador

Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi


Melhor Actor:

Filipe Vargas, O Compositor

Ivo Arroja, Tapete Voador

Marco Mendonça, Unicorn Hunting

Simão Fumega, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Tiago Schwabl, Sol Menor


Melhor Actriz:

Binete Undonque, Sabura

Cathia Sophia, Antígona, ou a História de Sara Benoliel

Custódia Gallego, O Peso da Pena

Maria Arrais, Um Beijinho

Teresa Madruga, Judite, ou A Primeira Revolta


Melhor Actor Secundário:

David Medeiros, Os Terríveis

Gonçalo Coré, Tapete Voador

Joãozinho da Costa, Sabura

Pedro Gil, Sol Menor

Vicente Gil, O Compositor


Melhor Actriz Secundária:

Anabela Moreira, Caio

Carla Madeira, Não Sei O Que Fazer Com As Mãos

Inês Castel-Branco, Tapete Voador

Isabel Costa, Noites Mais Fáceis

Joana Bernardo, Tapete Voador


Interpretação Infantil:

Agostinho Félix Trindade, A Emancipação de Mimi

Bartolomeu Figueira, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Catarina Machado, Os Terríveis

David Peixeiro, Rui Carlos

Mário Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe


Argumento:

Francisco Mira Godinho, Antígona, ou a História de Sara Benoliel

Francisco Mira Godinho e Justin Amorim, Tapete Voador

Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi

Pedro Carneiro, Judite, ou A Primeira Revolta


Fotografia:

Alex Grigoras, Atom & Void

Joana Silva Fernandes, A Emancipação de Mimi

Leandro Valente e Pedro Koch, Calhau

Leonardo Simões e Mariana Santana, Claridade

Leonor Teles, Tapete Voador


Montagem:

Ágata de Pinho, Ângela Bismarck e Mariana Vilhena, Crua + Porosa

Cláudia Silvestre, Unicorn Hunting

Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, Enxofre

Pedro Carneiro e Renata Sancho, Judite, ou A Primeira Revolta

Ricardo Saraiva, Atom & Void


Banda Sonora:

Afonso Pinto e Gabriel Worm, O Compositor

André Carvalho, Atom & Void

Filipe Raposo, Sequencial

Gabriel Abrantes, Argumentos a Favor do Amor

Nicolas Snyder, Iris


Som/Efeitos Sonoros:

Bernardo Bento, Maria Henriqueta Esteve Aqui

Bernardo Theriaga e Miguel Martins, Calhau

Gonçalo Almeida e Tiago de Sousa, Atom & Void

João Gazua e Marcelo Tavares, A Emancipação de Mimi

Rui Lima e Sérgio Martins, Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico


Caracterização:

Catarina Santiago e Cris Severo, Unicorn Hunting

Cláudia Fonseca e Daniela Samuel, Borbulha

Guilherme Gamito e Sofia Frazão, Na hora de pôr a mesa, éramos cinco

Hugo Flores, Calhau

Roberta Lionello, Os Terríveis


Guarda-Roupa:

Catarina Campos, Rui Carlos

Eduardo Filipe, Judite, ou A Primeira Revolta

Isabel Castanho e Joana Lages, Unicorn Hunting

Nádia Henriques, Noites Mais Fáceis

Sara Soares, Tapete Voador


Direcção Artística:

Alex Grigoras, Gonçalo Almeida, Margarida Caetano Dias e Rafael Martins, Atom & Void

Ana Maria Simões e Ana Meleiro, Crua + Porosa

Daniela Pires e João Cordeiro, Os Terríveis

David Tutti dos Reis, Joana Lages, Lizzie Favaro e Miguel Afonso, Unicorn Hunting

Laura Gama Martins, A Emancipação de Mimi


Efeitos Visuais:

'Irmã Lúcia' e José André, Argumentos a Favor do Amor

'Irmã Lúcia' e Lexic White, Atom & Void

Daniel Moreira, Edward Fung Chun Lee, João Alves e Pedro Ferreira, Borbulha

Fernão Gonçalves, Mercúrio

Francisco Lacerda, YAZZA

 

Prémio Cintra Honorário:

Maria do Céu Guerra


Mais informações sobre os Prémios Curtas em https://premioscurtas.pt/.

terça-feira, 10 de março de 2026

Prémios Curtas 2026: Nomeados

Os nomeados para a 4.ª edição dos Prémios Curtas - que premeiam os filmes portugueses em curta-metragem - já foram revelados. Tapete Voador, de Justin Amorim, é conquistou nove nomeações, seguido de perto por Atom & Void, de Gonçalo Almeida, com oito, e A Emancipação de Mimi, de Marcelo Pereira, com sete.

A cerimónia de entrega dos Prémios Curtas 2026 está marcada para 11 de Abril, às 20h30, no Fórum Lisboa. O evento é de entrada livre.

Nesta edição, há uma nova categoria a concurso, Melhor Curta Experimental, e o júri passou a contar com um total de 15 elementos: Isabél Zuaa, artista multidisciplinar; Lília Lopes, actriz, escritora e apaixonada por vinhos; Rafael Fonseca, realizador e crítico de cinema; Rita Cadima de Oliveira, gestora de comunicação e criadora de conteúdos na FilmTwist e na Associação Festroia (Cinema Charlot); Samuel Andrade, cronista de cinema e projeccionista na Cinemateca Portuguesa; André Pereira, editor de vídeo, videógrafo e gestor de redes sociais; Bernardo Freire, crítico de cinema, apresentador e podcaster; Bruno Gascon, realizador e argumentista; Carolina Serranito, co-fundadora do Festival Triste Para Sempre e programadora de cinema; Francisco Rocha, blogger de cinema, programador e fotógrafo; Frederico Corado, realizador, encenador e programador; Hugo Gomes, crítico de cinema; Inês Moreira Santos, blogger de cinema/TV (aqui no Hoje Vi(vi) um Filme) e divulgadora cultural; Jasmim Bettencourt, crítico de cinema e realizador; Rafael Félix, crítico de cinema.

Eis a lista completa de nomeados para os Prémios Curtas 2026:

Curta de Ficção:

A Emancipação de Mimi

À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Atom & Void

Sol Menor

Tapete Voador


Curta de Animação:

Argumentos a Favor do Amor

Iris

Porque Hoje é Sábado

Sais de Prata

Sequencial


Curta Documental:

Em Reparação

Maria Henriqueta Esteve Aqui

Pássaro Azul

Sensible Soccers: Manoel

Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico


Curta Experimental:

Crua + Porosa

Enxofre

Maria Henriqueta Esteve Aqui

Rezbotanik

Tem Fé


Realização:

André Silva Santos, Sol Menor

Gonçalo Almeida, Atom & Void

Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Justin Amorim, Tapete Voador

Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi


Melhor Actor:

Filipe Vargas, O Compositor

Ivo Arroja, Tapete Voador

Marco Mendonça, Unicorn Hunting

Simão Fumega, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Tiago Schwabl, Sol Menor


Melhor Actriz:

Binete Undonque, Sabura

Cáthia Sophia, Antígona, ou a História de Sara Benoliel

Custódia Gallego, O Peso da Pena

Maria Arrais, Um Beijinho

Teresa Madruga, Judite, ou A Primeira Revolta


Melhor Actor Secundário:

David Medeiros, Os Terríveis

Gonçalo Coré, Tapete Voador

Joãozinho da Costa, Sabura

Pedro Gil, Sol Menor

Vicente Gil, O Compositor


Melhor Actriz Secundária:

Anabela Moreira, Caio

Carla Madeira, Não Sei O Que Fazer Com As Mãos

Inês Castel-Branco, Tapete Voador

Isabel Costa, Noites Mais Fáceis

Joana Bernardo, Tapete Voador


Interpretação Infantil:

Agostinho Félix Trindade, A Emancipação de Mimi

Bartolomeu Figueira, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Catarina Machado, Os Terríveis

David Peixeiro, Rui Carlos

Mário Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe


Argumento:

Francisco Mira Godinho, Antígona, ou a História de Sara Benoliel

Francisco Mira Godinho e Justin Amorim, Tapete Voador

Gonçalo Waddington, À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe

Marcelo Pereira, A Emancipação de Mimi

Pedro Carneiro, Judite, ou A Primeira Revolta


Fotografia:

Alex Grigoras, Atom & Void

Joana Silva Fernandes, A Emancipação de Mimi

Leandro Valente e Pedro Koch, Calhau

Leonardo Simões e Mariana Santana, Claridade

Leonor Teles, Tapete Voador


Montagem:

Ágata de Pinho, Ângela Bismarck e Mariana Vilhena, Crua + Porosa

Cláudia Silvestre, Unicorn Hunting

Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, Enxofre

Pedro Carneiro e Renata Sancho, Judite, ou A Primeira Revolta

Ricardo Saraiva, Atom & Void


Banda Sonora:

Afonso Pinto e Gabriel Worm, O Compositor

André Carvalho, Atom & Void

Filipe Raposo, Sequencial

Gabriel Abrantes, Argumentos a Favor do Amor

Nicolas Snyder, Iris


Som/Efeitos Sonoros:

Bernardo Bento, Maria Henriqueta Esteve Aqui

Bernardo Theriaga e Miguel Martins, Calhau

Gonçalo Almeida e Tiago de Sousa, Atom & Void

João Gazua e Marcelo Tavares, A Emancipação de Mimi

Rui Lima e Sérgio Martins, Stop - Salas de ensaio para um materialismo histórico


Caracterização:

Catarina Santiago e Cris Severo, Unicorn Hunting

Cláudia Fonseca e Daniela Samuel, Borbulha

Guilherme Gamito e Sofia Frazão, Na hora de pôr a mesa, éramos cinco

Hugo Flores, Calhau

Roberta Lionello, Os Terríveis


Guarda-Roupa:

Catarina Campos, Rui Carlos

Eduardo Filipe, Judite, ou A Primeira Revolta

Isabel Castanho e Joana Lages, Unicorn Hunting

Nádia Henriques, Noites Mais Fáceis

Sara Soares, Tapete Voador


Direcção Artística:

Alex Grigoras, Gonçalo Almeida, Margarida Caetano Dias e Rafael Martins, Atom & Void

Ana Maria Simões e Ana Meleiro, Crua + Porosa

Daniela Pires e João Cordeiro, Os Terríveis

David Tutti dos Reis, Joana Lages, Lizzie Favaro e Miguel Afonso, Unicorn Hunting

Laura Gama Martins, A Emancipação de Mimi


Efeitos Visuais:

'Irmã Lúcia' e José André, Argumentos a Favor do Amor

'Irmã Lúcia' e Lexic White, Atom & Void

Daniel Moreira, Edward Fung Chun Lee, João Alves e Pedro Ferreira, Borbulha

Fernão Gonçalves, Mercúrio

Francisco Lacerda, YAZZA

 

O honorário Prémio Cintra deste ano será entregue à actriz e encenadora Maria do Céu Guerra.


Mais informações sobre os Prémios Curtas em https://premioscurtas.pt/.

Sugestão da Semana #708

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca dois filmes: o documentário, nomeado para os Oscars, Mr. Nobody Contra Putin, de David Borenstein e Pavel Talankin; e o filme português Maria Vitória, de Mário Patrocínio, primeira longa de ficção do realizador.

MR. NOBODY CONTRA PUTIN


Ficha Técnica:
Título Original: Mr. Nobody Against Putin
Realizadores: David Borenstein e Pavel Talankin
Elenco: Pavel Talankin, Vladimir Putin
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 90 minutos



MARIA VITÓRIA


Ficha Técnica:
Título Original: Maria Vitória
Realizador: Mário Patrocínio
Elenco: Mariana Cardoso, Miguel Borges, Miguel Nunes, Ana Cristina Oliveira, António Durães, Benedito José, Isabel Simões, Joana Ribeiro, Marco Mendonça, Miguel Amorim, Rui Pedro Silva
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 114 minutos

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Sugestão da Semana #693

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o documentário Complô, de João Miller Guerra, sobre Bruno Furtado, o rapper Ghoya.

COMPLÔ


Ficha Técnica:
Título Original: Complô
Realizador: João Miller Guerra
Elenco: Bruno Ghoya Furtado
Género: Documentário, Música
Classificação: M/14
Duração: 86 minutos

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Sugestão da Semana #687

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Sombras, de Jorge Cramez, um filme de terror português protagonizado por Victoria Guerra e Pedro Lacerda.

SOMBRAS


Ficha Técnica:
Título Original: Sombras
Realizador: Jorge Cramez
Elenco: Victoria Guerra, Pedro Lacerda, Dinis Gomes, Catarina Machado
Género: Drama, Terror
Classificação: M/12
Duração: 104 minutos

terça-feira, 1 de julho de 2025

Crítica: O Ancoradouro do Tempo (2024)

"Só sei que aqui todos somos ruínas, a única pessoa inteira és tu."

Marta


*7/10*

Em O Ancoradouro do Tempo, Sol de Carvalho adapta ao grande ecrã o livro de Mia Couto (que assina o argumento em co-autoria com o realizador), A Varanda do Frangipani.

Uma pequena fortaleza isolada - o filme foi integralmente filmado na Fortaleza de São Sebastião, na Ilha de Moçambique - serve de cenário a esta longa-metragem que vive entre o Passado e o Presente, o drama e o misticismo, e onde as ruínas e a paisagem proporcionam planos impressionantes.

"Izidine, um inspector da polícia moçambicana recém-promovido, é chamado a um lar de idosos situado numa antiga fortaleza colonial para investigar um crime: o director, Vasto Excelêncio, foi morto. Marta, a enfermeira, tenta chamar a atenção para o verdadeiro crime, a própria existência do lar. Ao mesmo tempo, o detective confronta-se com um facto insólito: todos confessam ser os autores do crime."

Com um argumento bem construído e empolgante, potenciado por excelentes opções de montagem, que alternam entre passado e presente, e se distinguem, essencialmente, pela mudança da cor para o preto e branco, nos momentos de flashbacks, O Ancoradouro do Tempo é uma obra desafiadora q.b. Desde logo, a investigação de um crime onde todos se assumem como sendo o assassino, cada um com a sua versão da morte - e correspondente reconstituição - cria um enigma mordaz, quer para o inspector, como para a plateia. E, mesmo que alguns momentos possam ser um pouco previsíveis, o certo é que seguem-se alguns plot twist surpreendentes.

O elenco faz um trabalho muito competente, com destaque para o protagonista, Izidine, interpretado por Horácio Guiamba, que enfrenta os desafios do caso, mas também um reviver de traumas de infância.

Esteticamente, é fundamental destacar o belíssimo trabalho da direcção de fotografia de André Guiomar: o jogo entre luz e sombras, que constrói muito do lado fantasmagórico da acção, especialmente nas cenas nocturnas, muito bem iluminadas, mas também de dia, tirando todo o partido da beleza da ilha.

Entre o suspense, a superstição, os fantasmas do passado colonial e das práticas macabras baseadas em mitos e falsas crenças, ainda presentes na região, Sol de Carvalho regista como o isolamento de uma ilha pode deixar qualquer um louco, ou apenas mais consciente da sua própria realidade.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Sugestão da Semana #672

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Ancoradouro do Tempo, de Sol de Carvalho, que adapta o livro de Mia Couto, A Varanda do Frangipani.

O ANCORADOURO DO TEMPO


Ficha Técnica:
Título Original: O Ancoradouro do Tempo
Realizador: Sol de Carvalho
Elenco: Tomas Bie, Josefina Massango, Mário Mabjaia, Maria Adamugy, Horácio Guiamba
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 105 minutos

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Encontros do Cinema Português 2025: As Próximas Estreias e os Grandes Destaques do Cinema Português

A 10.ª edição dos Encontros do Cinema Português aconteceu no passado dia 4 de Junho, nos Cinemas NOS Vasco da Gama, e contou com a apresentação de 45 projectos de produção nacional e a participação de mais de 300 representantes da indústria: produtores, realizadores, argumentistas, actores e imprensa, entre outros. No decorrer do evento, foram apresentadas obras que estrearam ou estão prestes a estrear no circuito de festivais e cinemas, e outras que ainda estão em processo de produção ou pós-produção. Um dos títulos apresentados acabou de estrear em sala, Hotel Amor, de Hermano Moreira.

Susanna Barbato (NOS Audiovisuais) na abertura dos Encontros do Cinema Português 2025

Os Encontros do Cinema Português foram criados em 2016 e, em nove edições, passaram pelo evento cerca de 350 projectos e mais de 2 mil participantes.

Lançado na edição anterior, o Prémio Canal Hollywood regressou este ano e foi entregue ao filme Pátio da Saudade, de Leonel Vieira, produzido pela Volf Entertainment. A longa-metragem tem estreia prevista para Agosto de 2025. Este prémio é entregue ao filme com maior potencial comercial, com foco na sua divulgação junto do grande público, através de um apoio (55 mil euros) dedicado à promoção do projecto vencedor.

O evento começou com a apresentação de um estudo da CresCine, por Manuel Damásio, Director do Departamento de Cinema e Artes dos Media da Universidade Lusófona, que analisou a evolução do cinema em países europeus comparáveis a Portugal. O momento contou com uma conversa com Luis Chaby (ICA) e algumas perguntas da plateia. A finalizar o dia dedicado ao Cinema Português, esteve o habitual debate, desta vez subordinado ao tema O cinema português daqui a 10 anos, com a participação de Susanna Barbato (NOS Audiovisuais), Nuno Aguiar (NOS Cinemas), Elsa Mendes (Plano Nacional de Cinema), e os realizadores Ruben Alves e Bernardo Lopes. A moderação esteve a cargo do jornalista Vítor Moura.

O Hoje Vi(vi) um Filme marcou presença nos Encontros para ficar a par das novidades cinematográficas nacionais a estrear nos próximos meses.

Os Destaques e as Próximas Estreias

Entre os títulos apresentados, destaque para 18 Buracos para o Paraíso (o ano passado apresentado com o título provisório de O Último Verão), de João Nuno Pinto, filmado através dos pontos de vista de três personagens, interpretadas por Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço. Esta longa-metragem tem ainda a particularidade de ser o primeiro filme português a receber a certificação Green Film, para produções audiovisuais sustentáveis. Ainda com um título provisório, Degelo, de Ricardo Oliveira, cativou as atenções da plateia, com uma história passada numa icónica casa, aparentemente assombrada, e em torno do seu dono, filhas e hóspedes. O filme é protagonizado pela banda Capitão Fausto (Tomás Wallenstein apresentou o filme nos Encontros) e Zeca Medeiros.

Estreados no Festival de Cannes 2025, Entroncamento, de Pedro Cabeleira, e O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, - que conquistou o Prémio de Melhor Actriz na secção Un Certain Regard para Cleo Diára (que entra nos dois filmes e marcou presença nos Encontros) - foram dois dos filme que mais expectativas têm criado junto dos amantes de cinema. Ainda sem data de estreia confirmada, está previsto que os filmes cheguem às salas de cinema entre o último trimestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.

O mega-projecto de Ivo M. Ferreira, Projecto Global, uma ficção sobre as FP-25 - que resultará em filme e numa minissérie para a RTP -, já apresentado nos Encontros de 2024, vê a estreia comercial mais próxima, possivelmente perto do final deste ano, e cujas vendas internacionais estão a cargo da The Match Factory.

A Memória do Cheiro das Coisas, de António Ferreira, tem como protagonista um veterano da Guerra Colonial e os preconceitos que carrega consigo. A longa-metragem tem estreia comercial prevista até ao final de 2025 e está actualmente a fazer o seu percurso internacional pelos festivais, onde recentemente José Martins conquistou o Prémio de Melhor Actor no Festival Internacional de Cinema de Xangai.

A primeira longa-metragem de Sebastião Salgado chama-se Solos, é filmado em Almada e conta a relação conturbada entre filho (Afonso Laginha), pai (Ricardo Pereira) e avô (João Pedro Bénard). Afonso Laginha e o realizador estiveram presentes e apresentaram algumas imagens do filme. Também Duarte Neves apresentou o seu primeiro filme Match (em fase de pós-produção), protagonizado por Rodrigo Soares, que o acompanhou nos Encontros do Cinema Português.

Ainda sem data de estreia, mas a mostrar muito potencial, está Terra Vil, a primeira longa-metragem de Luís Campos que se tem distinguido nas curtas. O filme segue João, de 12 anos, que vive com o seu instável pai António, que se debate com um problema de alcoolismo. Os acontecimentos passam-se na zona de Entre-Os-Rios e mostram como a tragédia de 2001 ainda afecta a população da região. Por sua vez, Bernardo Lopes apresentou a sua longa Amanhã Já Não Chove, com Rita Durão e Isabel Zuaa.

Com estreia prevista para o final de 2025, está o novo filme de Carlos Conceição, Baía dos Tigres, que retoma a ligação do realizador a Angola e é protagonizado por João Arrais, colaborador assíduo de Conceição. Realizado por Graça Castanheira, o documentário Querido Mário constrói-se a partir de correspondência trocada entre Maria Barroso e Mário Soares, anos antes do 25 de Abril de 1974. Um filme que alerta para o facto da Liberdade não ser um dado adquirido. A Cabeça Não é um Sítio Seguro, primeira longa-metragem de Joana Caiano, é um documentário sobre saúde mental, filmado no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. Também nos documentários, destaque para Orlando Pantera, de Catarina Alves Costa, sobre o músico cabo-verdiano que partiu demasiado cedo. O filme foi um sucesso no IndieLisboa e aguarda agora a sua estreia comercial. Ainda de destacar é o próximo documentário de Miguel Gonçalves Mendes, De Lugar Nenhum, sobre o escritor Valter Hugo Mãe.

Depois de um breve vislumbre nos Encontros do Cinema Português de 2024, José Filipe Costa regressou para apresentar o seu Pai Novo - Os Últimos Dias de Salazar, agora já finalizado e depois de ter passado pelo festival IndieLisboa. O filme, que relata os últimos anos de Salazar desde que deixa de ser Presidente do Conselho, tem estreia comercial prevista para Outubro de 2025. Também para Outubro, está prevista a estreia de As Meninas Exemplares, de João Botelho. 

Para breve, estão as estreias de títulos como A Vida Luminosa, de João Rosas, e Mississipis, de António-Pedro, ambas marcadas para 26 de Junho, a que se acrescenta ainda O Ancoradouro do Tempo, de Sol de Carvalho, apresentado nos Encontros do Cinema Português 2024. Para 11 de Setembro, está marcada a estreia de A Pianista, de Nuno Bernardo, sobre a temática da clonagem, com Teresa Tavares, Miguel Borges e Gonçalo Almeida.


Eis a listagem dos 45 filmes apresentados nos Encontros do Cinema Português 2025:

18 Buracos para o Paraíso, João Nuno Pinto

A Vida Luminosa, João Rosas

Decorado, Alberto Vázquez

Ana, en Passant, Fernanda Salgado

Criadores de Ídolos, Luís Diogo

Degelo, Ricardo Oliveira

Mississipis, Antonio - Pedro

Baía dos Tigres, Carlos Conceição

Querido Mário, Graça Castanheira

A Cabeça não é um sítio seguro, Joana Caiano

A Senhora da Serra, João Dias

Entroncamento, Pedro Cabeleira

Complô, João Miller Guerra

Pai Nosso, José Filipe Rocha

O Riso e A Faca, Pedro Pinho

O Pátio da Saudade, Leonel Vieira

A Jump In Tech - The Impact of Women Code, Rute Moreira

Este É O Teu Momento, Rute Moreira

Óculos de Sol Pretos, Pedro Ramalhete

As Meninas Exemplares, João Botelho

O Poeta Rei, Carlos Gomes

Os Figos do Meu Avô ou Reflexões Sobre Memórias Próximas, Fernando Bastos

Morte e Vida Madalena, Guto Parente

A Quinta, Avelina Prat

Projecto Global, Ivo M. Ferreira

Lugar dos Sonhos, Diogo Morgado

La Vie de Maria Manuela, João Marques

Hotel Amor, Hermano Moreira

Orlando Pantera, Catarina Alves Costa

A Memória do Cheiro das Coisas, António Ferreira

Guided by the Stars, David Nascimento

Solos, Sebastião Salgado

C'est Pas la Vie en Rose, Leonor Bettencourt Loureiro

Filma isto!, Ricardo Teixeira

As Aves, Pedro Magano

Caronte, Tânia Teixeira

Sodade, Hugo Diogo

Match, Duarte Neves

Chão Verde de Pássaros Verdes, Sandra Inês Cruz

Terra Vil, Luís Campos

Cativos, Luís Alves

Vivi Nascosto Guido Guidi, Paulo Catrica

A Pianista, Nuno Bernardo

Amanhã já não chove, Bernardo Lopes

De Lugar Nenhum, Um Retrato de Valter Hugo Mãe, Miguel Gonçalves Mendes