domingo, 21 de Setembro de 2014

Arquiteturas Film Festival'14: Filmes em Competição

O Arquiteturas Film Festival'14 começa já no dia 24 e prolonga-se até 28 de Setembro, em Lisboa. Conhece aqui quais são os filmes em competição. Os prémios serão entregues no dia 28 de Setembro às 22h00 no Cinema City Alvalade, Film Set Room.


Todos os filmes premiados farão parte do circuito itinerante nacional e internacional do Arquiteturas Film Festival 2014.

Melhor Longa-Metragem Nacional:




Melhor Curta-metragem Nacional:
Ficção




Documentário




Experimental


Obelisco Nuno Serrão, Portugal (2014)

Melhor Longa-metragem Internacional








Melhor Curta-metragem Internacional

Documentário





Ficção



Experimental





Prémio Lusofonia



Film Exercise #  - Studio MK27, Brasil (2013)




Prémio Novos Talentos




Prémio da Audiência - votado pelo público

Sugestão da Semana #134

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme rendeu-se ao filme português Alentejo, Alentejo, de Sérgio Tréfaut, e é ele a Sugestão da Semana. Uma declaração de amor ao Cante Alentejano, a quem o canta e a quem o escuta. A crítica ao filme pode ser lida ou relida aqui.

ALENTEJO, ALENTEJO


Ficha Técnica:
Título Original: Alentejo, Alentejo
Realizador: Sérgio Tréfaut
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por Daniel Curval

Já Vi(vi) este Filme
por Daniel Curval, do Unraccord


A trilogia de Richard Linklater tem para mim um valor de quase guilty pleasure, mas no sentido da expressão que ironiza com a nossa vida. Quando vi o primeiro filme "Antes do Amanhecer" (1995) tinha uns vinte e tal anos bem consolidados, passado por sustos tipo "eu sou muito novo para ser pai" e por desilusões que me levavam a procurar abrigo nas salas de cinema. Num desses dias que ansiava pelo conforto num filme, assisti ao "Before Sunrise". Foi então aí que conheci este par de namorados em Viena, assisti a tudo em real time cinematográfico, que não é o nosso tempo. Não fiquei maravilhado com o filme, já era muito exigente com os filmes na altura (imagine-se agora, burro velho), mas achei a Celine e o Jesse dois bons simpáticos amigos, daqueles que só encontramos nos filmes e nos livros. Saio da sala do cinema e só tinha uma ideia na cabeça "raio, só eu é que não encontro miúdas como aquela Celine", é preciso dizer que um tipo que responde que lê Balzac aos vinte e poucos está bem fodido com as gajas, mas subi a parada, passei a dizer que só lia banda desenhada, Astérix e coisas assim, também não acharam piada, que era coisa de putos, "foda-se, de putos?! olha-me esta a falar mal do Astérix e do Óbelix". Mudei de estratégia, "então que andas a ler?", "nada de especial" respondia com ares de desinteressado. "Vá lá" atacavam elas, "olha, leio literatura até ao século XVI e em latim", os olhos delas diziam qualquer coisa como "olha-me este tótó, vai-te foder ó pseudo-intelectual" abria-se um hiato de silêncio e falávamos do tempo, que se calhar ia chover. Em abono da verdade, que fique aqui registado, que não sei ler latim, nem grego e de português só até antes do novo acordo ortográfico. E até ao século XVI só conheço umas coisinhas leves, tipo "umas poesias". Os anos vão passando, e eu vou-me entretendo (porque como diz o poeta MF "temos de nos distrair da morte e não sabemos muito bem como.") com umas gatinhas de dia e outras de noite, que todas são pardas, night and day ao sabor de jazz, black and white ao sabor da pele. Disse-me uma há pouco tempo, que se deve sempre falar de gatinhas quando se escreve. Ela anda num curso de escrita criativa, deve saber do que fala. Onde é que eu ia? ah, com os planos orçamentais do amor a derrapar em todas as linhas dos gráficos excell, resolvi adoptar uma prática de austeridade nos gostos literários, e agora quando me perguntam o que ando a ler, respondo "clássicos e poesia, uns ensaios pelo meio, fundamentalmente sobre cinema e fotografia". Se dantes se riam ou me chamavam de parvo, agora só tenho direito ao desprezo. Elas fazem-me tão feliz no silêncio dos lençóis. And i don't give a shit. Todavia, eu sou a prova viva e humana, que aqui não há robots, que a austeridade não dá resultados nenhuns. Cheguei a 2004 na boémia e bon vivant, já tinha estado em Paris e tudo. Quando estreia o "Before Sunset" não podia deixar de ir ao rendez-vous com aqueles amigos que conheci numa sala escura de um qualquer cinema. Encontrei-os mais maduros, mais cheios de vida, tanta que nunca esqueci aquela frase de Jesse dirigida a Celine, que era mais ou menos "se me tocas, desfaço-me em moléculas", eu na altura também andava desfeito. Somando aos diálogos inteligentes, a cidade de Paris e a Nina Simone estava o caldo entornado para ficar com este filme como um afecto cinematográfico (repito muitas vezes esta palavra, para dar um toque de longa-metragem ao texto). "Antes do Anoitecer" é o meu "teremos sempre Paris". Nunca mais quis rever estes dois primeiros filmes, estou a pensar fazer agora, para ver se os afectos continuam ou se sequei que nem uma figueira. Ano da (des)graça de 2013, estou nos "entas", expressão tão feia que alguns cotas (outra feia) tanto usam, enfim, alguns tornam-se ridículos, outros novos-ricos, outros desempregados, outros políticos e outros divorciados. Eu continuo a parecer que tenho menos idade, do que aquela que marca no B.I. (ainda não tenho cartão de cidadão, que chatice). Elas agora dizem que sou como o melhor vinho do porto. Não sei. Mas gosto muito de vinho tinto, e dizem que faz bem a tudo, deve ser por isso. Como o Jesse, quando deixo crescer a barba os pêlos brancos revelam-se, dá-me um ar de bandido, diz a minha mãe. Como ele com a escrita, detesto quando me perguntam se a fotografia é para mim um hobby. Quem me faz uma pergunta dessas tem logo o meu desprezo e silêncio. Ah que me esquecia, também, adoro e acho sexy os quartos de hotel. Os três, isto é, o Jesse a Celine e eu estamos cansados da vida, do mundo, deixamos de ter tempo e paciência para a estupidez, para a inveja, a hipocrisia e o cinismo. Como ao Jesse, a mim interessa-me cada vez mais o humor, o despojamento, ele passeia entre oliveiras na Grécia, eu junto ao mar em Portugal. A Celine tornou-se a mulher dos sonhos dos homens que pouco querem, para além de paz e saúde, mesmo com aquele french big ass. Estamos todos mais velhos. Passaram-se 18 anos. "Before Midnight" é o terceiro filme, espero que termine aqui, quero apenas ficar com estes filmes-afectos como uma trilogia e não quero que se tornem numa telenovela. Richard Linklater, nosso amigo na sombra da tua câmara de filmar, não voltes a esta história, deixa-a seguir a sua vida, permite que faça a passagem de que falas no filme.

"Antes da Meia-noite" foi pensado e realizado não como um filme, mas como um livro, um romance. Divide-se em capítulos ou partes, são umas 6 ou 8, tenho de voltar a ver em DVD para melhor dissecar o filme. E passa-se em 6 cenários apenas, estando sempre presentes Jesse e Celine, são eles: no interior do carro; na casa dos amigos gregos; a passear nas ruínas; a passear na povoação; no interior do quarto do hotel, e por último, antes da meia-noite numa esplanada. Estes seis cenários são filmados com o mínimo de planos possíveis, recorrendo a enormes e belíssimos planos-sequência, enquanto assistimos a intermináveis conversas e diálogos inteligentes, outros nem tanto. O argumento, às vezes, resvala nos lugares-comuns. Como em Portugal, nalguns cinemas, se faz intervalos, achei de início a primeira parte medíocre, tinha visto a sequência da conversa entre Jesse e Celine no interior do carro em plano frontal e a sequência na casa dos amigos gregos. Até aqui, nada de especial, banalidades, conversa sobre a crise do matrimónio, da meia-idade, clichés sobre sexo, o homem e a mulher, os dejá vu habituais, etc, eu bufava de tédio e cogitava desiludido "como ficaram os meus amigos". Sete minutos de intervalo, escrevo as primeiras notas sobre o filme no meu moleskine e de imediato me lembro da frase do meu avô "o amor é cagar". Há quase um ano atrás tinha lido "O Colosso de Maroussi" de Henry Miller, o livro é sobre a passagem do Miller em 1939 pela Grécia. Depois de ler o livro fiquei apaixonado, tal como Henry, pelo país, pelo povo e pela paisagem, pela cultura já era. Quase que fiz as malas e abalava de imediato para aqueles anfiteatros de paisagens divinas e céus e mares da maravilhosa mitologia grega. Porém antes, fiz a asneira de verificar o saldo bancário. Um aventureiro nunca faz isso. Fiquei-me pelo Google Earth, a cavalo dado não se olha o dente.

Linklater, optou e bem por filmar na Grécia, o filme precisa daquela luz intensa, os personagens também. A narrativa na segunda parte torna-se forte e empolgante, cresce como uma metáfora mitológica, o filme parece que faz um volte-face, estava derreado no chão, qual herói grego e levanta-se. Todavia, não foi o macho a reerguer o filme, foi uma heroína, foi a Celine, foi a Julie Delpy que lhe dá a cara e o corpo, que agarra no filme como num minotauro, toma-lhe a rédea, e faz uma interpretação fabulosa. Isto acontece precisamente à noite, no interior do quarto do hotel. Antes, Linklater tinha andado com eles a passear e no fim, para descansar da conversa entre homem e mulher, oferece-lhes umas bebidas numa esplanada, invoca o livro de Jules Verne e o filme de Éric Rohmer e segreda-lhes a lenda do fenómeno do Raio Verde ao crepúsculo. Voltemos à espantosa sequência no interior do quarto do hotel, era para ser uma noite de amor e transforma-se numa enorme discussão e crise matrimonial, o crash instala-se, segredos por revelar como traições, questões de maternidade e paternidade, feminismo, machismo, tudo filmado com uma mestria exemplar, há uns campos e contra-campos absolutamente perfeitos, aqueles em que Ethan Hawke (Jesse) ao falar para a Julie Delpy (Celine) é filmado em plano frontal como se estivesse a falar para nós e o inverso, Julie Delpy a falar para nós também em plano frontal de corpo inteiro enfrenta o espectador. Nesta sequência ainda temos, quanto a mim, dos mais importantes planos, do peito de uma mulher de quarenta anos despidos. Não é a nudez per se, é como é filmada, sem glamour a beleza feminina em toda a sua naturalidade inocente. É uma mulher de 40 anos que estava a começar a ter sexo com o seu homem e que por causa de um telefonema, tudo descamba. Noutro filme, a personagem feminina ter-se-ia vestido ou coberto as mamas, como se existisse pudor entre um homem e uma mulher casados há vários anos e que se conhecem há 18. Claro que não há (se existir a questão é outra), Delpy (Celine) mantém-se naquela forma e estado entre o vestida e o meio-despida, a discutir como todas as mulheres o fazem tão bem, a argumentar e acabar dizendo ao seu homem Jesse (Ethan Hawke) que ele não é nenhum Henry Miller, nem na cama, nem na escrita. Poderosa. Chego ao fim do filme e fico a perceber toda aquela banalidade inicial, não é por acaso, ela é o símbolo da nossa vida de clichés, de repetições quotidianas, de palimpsestas conversas. O tédio, esse eterno companheiro de todos. Celine sai porta fora, vai para uma esplanada sozinha, Jesse vai ter com ela, diz-lhe umas graças e umas sentidas verdades, Celine rende-se ao inevitável sentimento do amor "Before Midnight".

Este texto estava para ter o título de "o amor é cagar" uma expressão muito cara e de autoria do meu avô, que a dizia muitas vezes, à janela do seu quarto com um cigarro de enrolar a queimar no canto da boca e uma boina preta basca na cabeça. Eu puto a brincar no terreiro com as ferramentas de carpinteiro dele, ouvia e só me ria de inocência, e da brejeirice das palavras sábias de um analfabeto. Esse meu avô teve sete filhos e sabia muito mais da vida do que eu sei agora.

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Obrigada pela tua participação, Daniel!

Prémios Sophia 2014: Os Nomeados

Já foram divulgados há alguns dias, mas nunca é tarde para os relembrar também por aqui. A Academia Portuguesa de Cinema divulgou na passada semana os nomeados para os Prémios Sophia 2014.

Os nomes dos vencedores serão divulgados na cerimónia oficial de entrega dos prémios que decorre no dia 8 de Outubro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. A Academia irá ainda distinguir com os Prémios Sophia Carreira 2014: José Fonseca e Costa (Realizador), Eduardo Serra (Director de Fotografia) e Henrique Espírito Santo (Produtor).


Melhor Documentário em Longa-Metragem
- Ophiussa - Uma Cidade de Fernando Pessoa - Fernando Carrilho
- Terra de Ninguém - Salomé Lamas
- A Batalha de Tabatô João Viana


Melhor Documentário em Curta-Metragem:

- Almas Censuradas – Bruno Ganhão
- A Máquina – Mafalda Marques
- Lápis Azul – Rafael Antunes 
- Casa Manuel Vieira – Júlio Alves
- Fontelonga – Luís Costa

Melhor Curta-Metragem de Animação:
- Carratrope – Paulo D’Alva
- Outro Homem Qualquer – Luís Soares
- Ptomolus – Josemaria RRA
- Alda – Ana Cardoso e Filipe Fonseca
- Brincar – Coletivo Fotograma 24 e Coletivo de Crianças, jovens e idosos de Guimarães.

Melhor Curta-Metragem de Ficção:
- Longe do Éden – Carlos Amaral
- Lápis Azul – Rafael Antunes
- Gambozinos – João Nicolau
- Luminita – André Marques

Melhor Música:
- Rodrigo Leão – O Frágil Som do Meu Motor
- João Marco – Além de ti
- As Mercenárias, Mentis afro (Boss) e Primeiro G – Um Fim do Mundo
- Luís Cília – Até Amanhã Camaradas

Melhor Montagem:
- Pedro Ribeiro – Até Amanhã Camaradas
- Pedro Ribeiro – Quarta Divisão
- João Braz – É o Amor
- Miguel Costa, Gonçalo Frederico, Paulo Pinto, Bairro, João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata – A Última Vez que Vi Macau

Melhor Caracterização:
- Abigail Machado – A República di Mininus
- Ana Lorena e Rute Alves – RPG
- Cláudia Ferreira, Sandra Fonseca, João Rapaz, Iris Peleira, Sara Menitra e Helena Baptista – O Frágil Som do Meu Motor
- Magali Santana – 7 Pecados Rurais
- Sano de Perpessac – Comboio Nocturno para Lisboa
- Sano de Perpessac – Em Segunda Mão
- Susana Correia e Ana Ferreira – Até Amanhã Camaradas


Melhor Guarda-Roupa:

- Ana Simão – Em Segunda Mão
- Maria Gonzaga e Maria Amaral – Até Amanhã Camaradas
- Silvia Grabovwsky – 7 Pecados Rurais
- Teresa Alves – Bairro

Melhor Som:
- Carlos Alberto Lopes e Branco Neskov – Até Amanhã Camaradas
- Carlos Alberto Lopes, Branco Neskov (C.A.S), Elsa Ferreira e Pedro Melo - Quarta Divisão
- Pedro Vieira, Pedro Melo, Filipe Sambado, Ricardo Leal, Amélia Sarmento, Luís Bicudo e Paulo Abelho, João Eleutério – O Frágil Som do Meu Motor
- Vasco Pedroso e Branco Neskov – RPG

Melhor Direcção Artística:
- Augusto Mayer – Comboio Nocturno para Lisboa
- Isabel Branco e Paula Szabo – Em Segunda Mão
- João Martins – Até Amanhã Camaradas
- João Rui Guerra da Mata – A Última Vez que Vi Macau

Melhor Direcção de Fotografia:
- Carlos Lopes (A.I.P) – Quarta Divisão
- José António Loureiro – Até Amanhã Camaradas
- Mário Castanheira e Tiago Carvalho – É o Amor
- Rui Poças – A Última Vez que Vi Macau

Melhor Realizador:
- Joaquim Leitão – Até Amanhã Camaradas
- Joaquim Leitão – Quarta Divisão
- João Canijo – É o Amor
- João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata – A Última Vez que Vi Macau

Melhor Argumento Original:
- António Pedro Figueiredo, Catarina Ruivo – Em Segunda Mão
- Leonardo António e Inês Pott – O Frágil Som do Meu Motor
- João Canijo e Anabela Moreira – É o Amor
- João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata – A Última Vez que Vi Macau

Melhor Actriz Secundária:
- Beatriz Batarda – Comboio Nocturno para Lisboa
- Carla Chambel – Até Amanhã Camaradas
- Joana de Verona – Em Segunda Mão
- Julie Sergeant – Bairro

Melhor Actor Secundário:
- Adriano Carvalho – Até Amanhã Camaradas
- Adriano Luz – Até Amanhã Camaradas
- Adriano Luz – Comboio Nocturno para Lisboa
- Afonso Pimentel – Bairro
- Carloto Cotta – Bairro
- Marco D'Almeida – Comboio Nocturno para Lisboa

Melhor Actriz Principal:
- Carla Chambel – Quarta Divisão
- Leonor Seixas – Até Amanhã Camaradas
- Maria João Bastos – Bairro
- Rita Durão – Em Segunda Mão

Melhor Actor Principal:
- Cândido Ferreira – Até Amanha Camarada
- Gonçalo Waddington – Até Amanhã Camaradas
- João Lagarto – Bairro
- Pedro Hestnes – Em Segunda Mão

Melhor Filme:
- A Última Vez que Vi Macau BlackMaria
- Até Amanhã CamaradasMGN Filmes
- Comboio Nocturno para LisboaCinemate
- É o AmorLoudness Films e MIDAS Filmes
- Quarta DivisãoMGN Filmes

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Estreias da Semana #134

Chegam hoje aos cinemas portugueses oito novos filmes. Alentejo, Alentejo, de Sérgio Tréfaut, Jersey Boys, de Clint Eastwood, e Maze Runner - Correr ou Morrer, de Wes Ball, são alguns dos títulos a estrear.

De origem popular, o “cante” alentejano sobrevive graças aos grupos que o cultivam no Alentejo e na periferia de Lisboa, os quais recapitulam em ensaio o repertório conhecido de memória, quase sem registo escrito ou sonoro e com reduzidas alterações criativas. No Alentejo, dezenas de grupos amadores reúnem-se regularmente para ensaiar antigos cantos polifónicos e para improvisar cantos sobre o tempo presente. Nascido nas tabernas e nos campos, cantado por camponeses e por mineiros, o cante alentejano deixou os campos e atravessou as fronteiras da sua região. Nas últimas décadas, com a diáspora alentejana, apareceram novos grupos na periferia industrial de Lisboa e em diversos países de emigração, acentuando o cante como traço identitário dos alentejanos onde quer que estejam.

I Love Kuduro (2013)
O Kuduro (literalmente “cu duro”) é um movimento cultural urbano nascido em Angola durante a última década da Guerra Civil. Criado nas discotecas e raves da Baixa de Luanda através de uma fusão entre batidas house, techno e ritmos tradicionais angolanos, o Kuduro transbordou do centro da cidade para a periferia. Rapidamente se espalhou por Angola, por África e agora por todo mundo. I Love Kuduro acompanha as mais idolatradas estrelas deste fenómeno urbano, nomeadamente Bruno de Castro, Eduardo Paim, Sebem, Nagrelha, Hochi Fu, os Namayer, Tchobari, Titica, Francis Boy e Cabo Snoop, oferecendo uma visão sobre a nova geração de talento africano.

Jersey Boys (2014)
Jersey Boys conta-nos a história de quatro jovens rapazes fora-da-lei de Nova Jérsia, que se juntam e formam o icónico grupo musical dos anos 60, The Four Seasons. A história das maiores provações e triunfos do grupo é acompanhada pelas canções que influenciaram uma geração: Sherry, Big Girls Don’t Cry, Walk Like a Man, Dawn, Rag Doll, Bye Bye Baby, Who Loves You, entre outras.

Maze Runner - Correr ou Morrer (2014)
The Maze Runner
Num cenário pós-apocalíptico, uma comunidade de rapazes descobre estar presa num labirinto. Juntos, terão de descobrir como escapar, resolver o enigma e revelar o segredo acerca de quem os colocou ali e por que razão.

Má Raça (1986)
Mauvais Sang
Paris, um futuro próximo. Marc e Hans são dois ladrões que devem dinheiro a uma mulher americana cruel que lhes dá duas semanas para pagarem. Planeiam roubar e vender um antídoto para um novo vírus semelhante à SIDA, chamado STBO, que está a matar os que "praticam sexo sem amor", mas precisam de alguém com mãos rápidas. Recrutam Alex, apelidado de "língua veloz", um miúdo rebelde que está a terminar a sua relação com Lisa, a sua namorada de 16 anos. Pouco antes do roubo, as coisas complicam-se.

Namoro à Espanhola (2014)
Ocho Apellidos Vascos
Andaluz de gema, Rafa nunca teve de sair de Sevilha para conseguir o que mais aprecia na vida: o xerez, o gel de cabelo e as mulheres. Tudo muda quando aparece a primeira mulher que resiste aos seus encantos, Amaia, uma basca. Decidido a conquistá-la, Rafa viaja até a uma pequena povoação do Euskadi. Aí, para conseguir Amaia, fará tudo o que for preciso: até fazer-se passar por basco.

Num Outro Tom (2013)
Begin Again
Gretta (Keira Knightley) e Dave (Adam Levine) são namorados e parceiros na composição de músicas, e partem para Nova Iorque quando Dave consegue um contrato com uma grande empresa discográfica. Só que a fama e o sucesso  acabam por envolver Dave, que decide deixar a namorada. Mas o mundo de Gretta dá uma reviravolta quando conhece Dan (Mark Ruffalo), um ex-executivo discográfico falido e em desgraça, que fica imediatamente rendido ao talento em bruto de Gretta quando assiste a uma actuação num palco em East Village. Deste encontro casual resulta uma encantadora e transformadora colaboração, tendo como palco a banda sonora de um verão em Nova Iorque.

Paixões Cruzadas (1984)
Boy Meets Girl
A longa-metragem de estreia de Leos Carax segue a relação entre um aspirante a realizador que acabou de ser abandonado pela sua namorada e uma jovem com tendências suicidas, igualmente a lidar com uma relação falhada.

MOTELx'14: The Guest (2014)

*8.5/10*

Provavelmente um dos grandes filmes do MOTELx'14: The Guest, de Adam Wingard (realizador de You're Next, que fez furor no MOTELx'13) promete muito e oferece ainda mais com um thriller violento e sarcástico.

Aparentemente pouco profundo, mas extremamente certeiro e bem concretizado, é assim o novo filme de Wingard. The Guest alia a história, cheia de suspeitas e segredos, onde não falta uma leve crítica politico-militar, a uma realização e fotografia de excelência, a um sarcasmo muito eficaz, a interpretações interessantes e ainda a uma banda sonora a condizer.

David é mesmo o convidado perfeito. Simpático, bonito e prestável, este jovem soldado visita a casa da família Peterson, afirmando ser um grande amigo do filho que morreu no campo de batalha. A família dá as boas-vindas a David e convida-o a entrar na vida deles, recebendo-o em sua casa. Mas quando várias pessoas morrem misteriosamente na cidade, Anna, a filha adolescente, começa a suspeitar que David é o responsável pelos terríveis crimes.


A atmosfera é de tensão, carregada de ironia, sensualidade e muito sangue. A banda sonora é fenomenal, cheia de sonoridades electrónicas, com uns toques 80's, que encaixam de forma poucas vezes vista nas imagens que passam no ecrã. O trabalho de fotografia é muito interessante, recorrendo a imprescindíveis jogos de espelhos e cores. Perto do fim, e tendo como marcador temporal o halloween, chega-nos a mais bela cena de The Guest, que conjuga todos estes aspectos técnicos de forma inesquecível, aliados ao twist - que não sendo inesperado é competente -, levando o espectador a entrar numa espécie de hipnose. O paradoxo entre música e acção está verdadeiramente bem concretizado.

Com The Guest (e pondo de parte o humor), Adam Wingard faz-nos lembrar Nicolas Winding Refn no trabalho de luz, cor, no modo de filmar as cenas de acção, na violência ou mesmo na ideia de anti-herói.


Nas interpretações, Dan Stevens tem um desempenho frio, sensual e mortífero, com as doses certas de sarcasmo, tal como David pede. Por seu lado, Maika Monroe - talvez a nova estrela do terror, já que protagonizou também It Follows neste MOTELx - surge competente, entre a ingenuidade típica da idade e a coragem que se vê obrigada a descobrir.

The Guest é um thriller sangrento que todos deveriam descobrir. Fiquemos a aguardar que chegue depressa às salas de cinema.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Arquiteturas Film Festival'14: Festa de Abertura acontece hoje no Musicbox

O Arquiteturas Film Festival'14 começa já dia 24 de Setembro e prolonga-se até dia 28, mas a festa começa já hoje no Musicbox. A partir das 21h30, o espaço nocturno lisboeta recebe a Festa de Abertura do festival, com a projecção do filme Train of Thoughts, de Timoty Novoty, nesta que será a estreia nacional do documentário, seguida de um concerto dos KUFUKI.


Trains of Thoughts é um ensaio audiovisual, que compara e reflecte sobre os sistemas de metro em todo o mundo. É uma exploração de um mundo dentro do mundo, bem como dos sentimentos (de fascinação, obsessão, medo) e temas (de sobrevivência, controlo e silêncio) que o envolvem. O filme leva-nos por Nova Iorque, Los Angeles, Moscovo, Viena, Tóquio e Hong Kong, soltando a imaginação em cada destino com sua distinta paleta visual e de selecção dos sons pelos Sofa Surfers.

A partir das 23h00, são os japoneses KUFUKI os donos do palco. Chegam-nos de Tóquio e são mestres de uma das maiores originalidades ouvidas nos últimos tempos no mundo musical. A fusão ecléctica do espírito tradicional japonês, da electrónica da dança e dos ritmos sul americanos, fazem-nos viajar à volta do mundo num só concerto espelhado por gigantescas projecções.


A banda, nascida em 2010, lançou em 2012 o seu disco de estreia homónimo pela Wonderyou. O álbum teve impacto não só na imprensa e público japoneses, mas também na imprensa online alemã, chilena e colombiana, e ainda teve direito a remixes de artistas como Astral Social Club (Reino Unido) e Anla Courtis (Argentina).

Enquanto trabalham no seu segundo disco, os KUFUKI aterram pela primeira vez na Europa onde tocam em Portugal, Inglaterra e Alemanha.

A entrada são 3 euros.

MOTELx'14: O Cerro dos Enforcados (1954)

*7/10*

A secção Quarto Perdido é sempre uma das que mais curiosidade pode despertar no MOTELx pelos clássicos do cinema português - muitas vezes, quase desconhecidos - que nos traz. Este ano, O Cerro dos Enforcados, de Fernando Garcia, foi um dos escolhidos. O filme, que data de 1954, é uma adaptação de O Defunto, conto de Eça de Queirós, e foi durante muito tempo oficialmente o único exemplo do cinema português do género fantástico. A história do morto que "ressuscita" para salvar uma vida parecia ter tudo para agradar ao grande público, mas tanto o público como a crítica renegaram esta longa-metragem, marcando o início do período negro do cinema português, até ao surgimento do Cinema Novo.

No século XV. D. Afonso, um velho fidalgo ciumento, ordena que todos se afastem quando a mulher, D. Leonor, vai à igreja orar à virgem das Mercês. Um dia, é vista por outro nobre, D. Rui, que fica deslumbrado com a sua beleza. D. Afonso manda retirar a esposa para a quinta do Cabril, e decide apunhalar o rival. É então que um enforcado resolve intervir.

Tecnicamente, O Cerro dos Enforcados não nos traz nada de especialmente inesquecível. Toda a narrativa é contudo promissora, mais ainda na época em que o filme foi rodado. Uma história de ciúme obsessivo da parte de um marido consideravelmente mais velho, uma mulher jovem e bonita, e a chegada de um fidalgo jovem e elegante, tudo cria um ambiente de potencial interesse para o espectador, que pode começar a imaginar o desfecho.

A religiosidade está bem presente na adoração à virgem das Mercês por parte de D. Rui e de D. Leonor. O medo, por sua vez, está espelhado no cerro dos enforcados, por onde D. Leonor tem receio de passar, e será mesmo dali que virá a grande surpresa do filme. 

Não sendo uma obra ímpar do cinema português, O Cerro dos Enforcados é, no entanto, um clássico que vale a pena conhecer, com um elenco com nomes como Artur Semedo, Helga Liné ou Alves da Costa.