sexta-feira, 17 de maio de 2019

IndieLisboa'19: Monólogos com a História (2019) + Sou Autor Do Meu Nome Mia Couto (2019)

Monólogos com a História, de Sol de Carvalho - 6.5/10


Monólogos com a História, de Sol de Carvalho, trouxe às Sessões Especiais do IndieLisboa'19 um apelo ao passado e à memória, com a fantasia a comandar a história.

Eis uma reflexão sobre a História de Moçambique no confronto entre um pai morto e um filho de luto. A distância entre os dois em vida parece quebrar-se na morte. Um passado fechado a cadeado e em ruínas - tal como a casa herdada pelo filho, que é palco da curta-metragem - é agora aberto. Duas visões muito diferentes dos mesmos acontecimentos, com significados totalmente distintos para cada geração. Mas afinal, há muito mais que une pai e filho.

Sou Autor Do Meu Nome: Mia Couto, de Solveig Nordlund - 7/10

Sou Autor do Meu Nome: Mia Couto fez parte das Sessões Especiais do IndieLisboa'19 e leva-nos numa visita ao passado do escritor Moçambicano. É ele próprio, o contador de histórias, que nos conta a sua. A realizadora luso-sueca Solveig Nordlund segue-o pelas ruas de Moçambique, filma os locais que lhe são queridos, na Beira, e que o fazem sentir-se em casa.


A realizadora  já realizou documentários sobre escritores como António Lobo Antunes, Marguerite Duras ou J. G. Ballard. Neste filme, acompanhamos o dia-a-dia do escritor moçambicano e percorremos a sua carreira literária, através de conversas íntimas onde nos revela memórias e nos apresenta as figuras que compõem a sua vida.

A tranquilidade com que passeia na rua, abordado por muitos admiradores que lhe pedem selfies é a mesma com que fala para a câmara de Solveig Nordlund. Com grande sinceridade, conta-nos o seu percurso e o quanto a infância e juventude - muito marcadas pela guerra em Moçambique - o marcaram. Através da literatura, do teatro e do cinema Sou Autor do Meu Nome: Mia Couto conta também parte da História de um país.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Estreias da Semana #377

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses 11 novos filmes. 3 Rostos e Sinónimos são duas das estreias e têm crítica no blog.

Três actrizes em diferentes estágios da sua carreira e de três gerações distintas são o foco de 3 Rostos. Uma delas, foi uma estrela antes da Revolução Islâmica de 1979, outra é uma actriz dos dias de hoje, famosa por todo o país, e a mais nova é uma jovem que ambiciona entrar no conservatória, mas cuja família proíbe.

Aladino e o Tapete Mágico (2018)
Hodja fra Pjort
Aladino, um jovem que nasceu na pequena cidade de Pjort, sonha viajar pelo mundo. Contudo, o pai do rapaz deseja que ele fique em casa e se torne aprendiz de alfaiate. Entretanto, Aladino faz um acordo com o vizinho. Este empresta-lhe o seu tapete voador e, em troca, o jovem vai à procura da sua neta, Diamante. Eufórico com esta aventura, Aladino viaja até à capital, onde vive o Sultão, um governante que quer a todo o custo voar. Na capital, Aladino conhece Esmeralda e os seus amigos órfãos, que sobrevivem a roubar a mando do ganancioso Ratazana. Ele ouve Aladino dizer as palavras mágicas que fazem o tapete voar e decide roubar o objecto encantado, levando-o ao Sultão que o faz general do exército. Perante este cenário, Aladino e os amigos tentam recuperar o tapete mágico, encontrar Diamante e regressar a Pjort.

Em Chamas (2018)
Beoning
O estafeta Jongsu está a meio de uma entrega quando encontra Haemi, uma antiga vizinha. Haemi pede-lhe para tomar conta do gato durante a sua viagem a África. Quando regressa, a jovem apresenta-lhe um jovem enigmático chamado Ben, que ela conheceu durante as férias. Um dia, Ben confessa a Jongsu o seu passatempo invulgar...

Extremamente Perverso, Escandalosamente Cruel e Vil (2019)
Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile
Crónica da vida criminosa de Ted Bundy a partir da perspectiva de Elizabeth Kloepfer, a sua namorada de longa data. Ted (Zac Efron) é atraente, inteligente, carismático e carinhoso. Liz (Lily Collins) não consegue resistir aos seus encantos. Para ela, Ted é o homem perfeito. Até ao dia em que a felicidade e a vida perfeita do casal são quebradas para sempre. Ted é preso e acusado de uma série de assassinatos. A preocupação depressa dá lugar à paranóia e, à medida que as provas se acumulam, Liz é obrigada a enfrentar a verdade: o homem com quem partilha a vida pode realmente ser um psicopata.

John Wick 3: Implacável (2019)
John Wick: Chapter 3 – Parabellum
John Wick está em fuga e há um prémio de 14 milhões de dólares pela sua cabeça. Para piorar as coisas, matou no interior de um Continental Hotel, que serve de território neutro aos elementos do submundo do crime, e a vítima era um dos 12 membros da High Table, o comité de chefes das maiores organizações criminosas do mundo que ordenou a sua execução. Poupado por Winston, o dono do hotel, foi-lhe dada uma hora antes de passar a ser um "Excommunicado" e banido de todas as actividades, serviços e contactos da organização. Um tempo precioso que Wick deverá usar para preparar a sua fuga de Nova Iorque.

Juntos Para Sempre 2 (2019)
A Dog's Journey
Há amizades que transcendem uma vida. Em Juntos Para Sempre 2, o cão Bailey descobre o seu novo destino e cria um laço inquebrável que o levará, bem como às pessoas que ama, numa viagem que nunca imaginaram. Bailey (voz de Josh Gad) tem uma vida boa, na quinta de Ethan (Dennis Quaid) e Hannah (Marg Helgenberger), no Michigan. Tem até uma nova companheira de brincadeiras, a neta bebé de Ethan e Hannah, CJ. O problema é que a mãe de CJ, Gloria (Betty Gilpin), decide levar CJ para longe. Quando a alma de Bailey se prepara para deixar esta vida e começar uma nova, ele promete a Ethan encontrar CJ e protegê-la, a qualquer custo. Assim começa a nova aventura de Bailey, ao longo de muitas vidas cheias de amor, amizade e devoção, enquanto ele, CJ (Kathryn Prescott) e o seu melhor amigo, Trent (Henry Lau), vivem alegrias e tristezas.

Mar (2018)
A bela Francisca, ex-funcionária da Comissão Europeia, vê-se perante uma vida que não tinha imaginado. O seu único filho partiu em busca de outras realidades. Francisca resolve agarrar uma oportunidade de mudança e embarca no veleiro À Flor do Mar. Os desafios da viagem começam com o resto da tripulação: Pedro, dono do veleiro e um fascinante traficante de arte sacra, Toni um skipper charmoso, Lili uma artista de cabaret, e Malik, um jovem clandestino africano. Entre cumplicidades e conflitos a bordo, o espaço torna-se cada vez mais exíguo, mas o veleiro vai seguindo a rota dos descobridores portugueses do séc. XVI quando, em alto mar, ocorre a maior traição.

Seguimos Yoav (Tom Mercier), um jovem israelita que vai para Paris com a ajuda de um simples dicionário hebraico-francês, na esperança de que França e os franceses o salvem da loucura do seu país. Em Paris, as coisas não começam muito bem para Yoav, mas ele está determinado a livrar-se da sua nacionalidade o mais rápido possível. Para ele, ser israelita é como um tumor que precisa de ser removido cirurgicamente.

Uma Família no Ringue (2019)
Fighting with My Family
Comédia inspirada na história de Paige (Florence Pugh), uma superestrela da WWE. Nascida no seio de uma família britânica de lutadores, Paige e o seu irmão Zak (Jack Lowden) ficam empolgados quando têm a oportunidade única de prestar provas para a WWE. A partir do momento em que conquista um lugar no competitivo programa de treinos, Paige tem de deixar a família e enfrentar sozinha este mundo novo e implacável.

Uma Traição Necessária (2018)
Red Joan
No ano 2000, Joan Stanley (Judi Dench) vive uma reforma despreocupada, longe da cidade. A sua existência tranquila é interrompida pelo MI5 que a detém sob acusações de ter espiado para a União Soviética. De regresso ao passado, em 1938, Joan (Sophie Cookson) é uma estudante de física em Cambridge. Apaixonada pelo jovem comunista Leo Galich, começa a ver o mundo sob uma nova luz. Durante a Segunda Guerra Mundial, começa a trabalhar num laboratório ultra-secreto que se dedica à investigação nuclear e chega à conclusão de que o mundo está à beira da destruição mútua. Confrontada com o preço a pagar pela paz, Joan vê-se obrigada a escolher entre trair o seu país, ou salvar os seus entes queridos.

Velhos Jarretas (2018)
Les Vieux Fourneaux
Pierrot, Mimile e Antoine, três amigos de infância com 70 primaveras, sabem que a única forma de evitar a morte é envelhecendo... e estão resolvidos a fazê-lo com muita classe. Infelizmente, a reunião dos três para o funeral de Lucette, mulher de Antoine, é encurtada quando este encontra por acaso uma velha carta que o faz perder a cabeça; sem a mais pequena explicação aos amigos, mete-se no carro e parte para a Toscana. Pierrot e Mimile, acompanhados por Sophie, neta de Antoine e a poucas semanas de dar à luz, vão atrás do avô esperando evitar que ele cometa um crime passional... 50 anos após o facto.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

FESTin 2019: Programa

A 10.ª edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa acontece entre os dias 15 e 22 de Maio, no Cinema São Jorge, Instituto Cervantes, Fórum Lisboa e Cinema City Alvalade.


Entre curtas e longas-metragens, serão exibidos 45 filmes na edição de 2019. Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor, será o Filme de Abertura do festival, e aborda o linchamento público de suspeitos de assédio sexual, através de aplicativos e redes sociais. Miguel Falabella e Marisa Orth estarão em Lisboa para lançamento de Sai de Baixo – o Filme, que marcará o encerramento da 10.ª edição do FESTin, no dia 22 de Maio.

O drama adolescente, Ferrugem, de Aly Muritiba, Unicórnio (Patricia Pillar vem apresentar o filme), de  Eduardo NunesBoni Bonita,  de Daniel Barosa, Todas as Canções de Amor, de Joana Marianie, O Olho e a Faca, de Paulo Sacramento são alguns dos títulos a exibir no FESTin.

Na Competição de Documentários encontramos o filme angolano Início do Fim, que narra a realidade da imprensa e da democracia após as eleições do país em 1992; a coprodução entre Portugal e Cabo Verde Tarrafal – Dez Pancadas no Carril, que aborda a representação emblemática da repressão salazarista; e Missão 115 reconstrói um atentado à bomba que tentava frustrar a democratização do Brasil, em 1981.

As problemáticas do universo feminino surgem em três obras: Marias da Sé, Saudade Mundão e Lusófonas. Em O Incerto Lugar do Desejo, uma mulher analisa o papel deste item na sua vida. De Moçambique, chega O Menino Escritor, a história de uma criança que ganha dinheiro nas ruas a memorizar livros.

Fora da Competição, encontramos o universo indígena em Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi o documentário Karingana – Licença para Contar reúne a cantora brasileira Maria Bethânia e os escritores Mia Couto, moçambicano, e José Eduardo Agualusa, angolano.

O FESTin apresenta ainda a Competição de Curtas-Metragens, a Mostra do Cinema Brasileiro, o FESTin + para 3.ª idade e a Mostra Latim – a Língua em Movimento. Nas actividades paralelas, destaque para a masterclass da argumentista Júlia Priolli e para a mesa redonda sobre coprodução audiovisual entre países da língua portuguesa.

Mais informações sobre o Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa em http://festin-festival.com.

Sugestão da Semana #376

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda o filme português, Hotel Império, de Ivo M. Ferreira. Passada integralmente em Macau, a longa-metragem é protagonizada por Margarida Vila-Nova. Podes ler a crítica ao filme aqui, bem como a conversa com realizador e elenco, aqui.

HOTEL IMPÉRIO


Ficha Técnica:
Título Original: Hotel Império
Realizador: Ivo M. Ferreira
Actores: Margarida Vila-Nova, Rhydian Vaughan, Tiago Aldeia, Cândido Ferreira
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 82 minutos

IndieLisboa'19: 3 Rostos/ 3 Faces (2018)

*7.5/10*


Jafar Panahi continua a "cumprir" a pena de 20 anos sem filmar a que foi condenado em 2010, supostamente por fazer propaganda contra o governo iraniano. Ora, nos primeiros oito anos destas duas décadas já podemos contar com quatro longas-metragens (Isto Não É Um Filme, Pardé, Táxi e 3 Faces)  na sua filmografia - clandestinas, mas que chegam ao mundo inteiro, felizmente.

3 Faces (3 Rostos) é o seu filme mais recente, onde explora o feminismo e a forma como as mulheres continuam a ser tratadas no Irão, em especial em regiões mais isoladas. Ao mesmo tempo, traça um retrato do Irão mais "profundo", numa espécie de road movie, por estradas estreias e sinuosas, em que as buzinadelas funcionam como código entre condutores.


Três actrizes em diferentes estágios da sua carreira e de três gerações distintas são o foco de 3 Faces. Uma delas, foi uma estrela antes da Revolução Islâmica de 1979, outra é uma actriz dos dias de hoje, famosa por todo o país, e a mais nova é uma jovem que ambiciona entrar no conservatória, mas cuja família proíbe.

Humor, drama e suspense, os três géneros juntam-se neste filme de Panahi que também tem muito de documental, a começar por todas as personagens se interpretarem a elas mesmas, realizador incluído. Jafar Panahi, acompanhado por Behnaz Jafari, imiscui-se entre as pessoas daquela aldeia conservadora e retrógrada, onde as mulheres continuam a ser subjugadas e proibidas de estudar ou seguir os seus sonhos. Isolados de tudo, vêem no gado uma importante forma de subsistência.

Ao mesmo tempo, o misterioso desaparecimento da jovem Marziyeh - que enviou um vídeo desesperado a Jafari a pedir ajuda - transforma 3 Faces num filme de detectives.


Nos encontros que Panahi e Jafari vão tendo ao longo da viagem, conhecemos a hospitalidade dos locais, mas descobrimos igualmente mais tradições ancestrais que podem por em causa a própria presença do realizador e da actriz, ou pelo menos, alterar-lhes um pouco crenças e comportamentos. Behnaz Jafari, muitas vezes pensativa, parece recordar tudo pelo que passou para seguir a carreira artística.

3 Faces dá continuidade à crítica cerrada que Jafar Panahi tem construído ao longo da sua obra, ao mesmo tempo que faz um elogio às actrizes e às Mulheres.

IndieLisboa'19: Vencedores

O IndieLisboa'19 terminou este Domingo, 12 de Maio, após 11 dias intensos de cinema independente. Os vencedores já são conhecidos e podem ser vistos nas sessões de Segunda, Terça e Quarta-feira (13, 14 e 15 de Maio), no Cinema Ideal.


Eis a lista completa de vencedores:

JÚRI DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL DE LONGAS METRAGENS

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa

DE LOS NOMBRES DE LAS CABRAS/ON THE NAMES OF THE GOATS
Silvia Navarro, Miguel G. Morales, Espanha, doc., 2019, 62'

Prémio Especial do Júri Canais TVCine & Séries
Ex-Aequo

JESSICA FOREVER
Caroline Poggi, Jonathan Vinel, França, fic., 2018, 97'

SĂ NU UCIZI/THOU SHALT NOT KILL
Gabi Virginia Șarga, Cătălin Rotaru, Roménia, fic., 2018, 120′

JÚRI INTERNACIONAL DE CURTAS METRAGENS

Grande Prémio de Curta Metragem

PAST PERFECT
Jorge Jácome, Portugal, fic./doc./exp., 2019, 23′

Prémios Turismo de Macau

Animação
GUAXUMA
Nara Normande, França/Brasil, anim., 2018, 14′

Documentário
SWATTED
Ismaël Joffroy Chandoutis, França, doc., 2018, 21′

Ficção
THE GIRL WITH TWO HEADS
Betzabé Garcia, Reino Unido, fic., 2018, 13′

JÚRI DA COMPETIÇÃO NACIONAL

Prémio Allianz para Melhor Longa Metragem Portuguesa

A MINHA AVÓ TRELOTÓTÓ
Catarina Ruivo, Portugal, fic./doc., 2018, 173'

Prémio Melhor Realizador para Longa Metragem Portuguesa

CAMPO
Tiago Hespanha, Portugal, doc., 2019, 100′

Prémio Dolce Gusto para Melhor Curta Metragem Portuguesa

A CASA, A VERDADEIRA E A SEGUINTE, AINDA ESTÁ POR FAZER/THE HOUSE IS YET TO BE BUILT
Sílvia das Fadas, EUA/Áustria/Portugal, doc./exp., 2018, 35'

Menção Especial

O MAR ENROLA NA AREIA
Catarina Mourão, Portugal, fic./doc./exp., 2019, 16'

Prémio Novo Talento FCSH/NOVA

PODER FANTASMA
Afonso Mota, Portugal, fic., 2019, 23'

JÚRI DA COMPETIÇÃO NOVISSIMOS

Prémio Novíssimos The Yellow Color + Portugal Film

ESTAS MÃOS SÃO MINHAS
André Ferreira, Portugal, doc., 2019, 8′

JÚRI SILVESTRE

Prémio Silvestre para Melhor Longa Metragem
Ex-Aequo

"ÎMI ESTE INDIFERENT DACA ÎN ISTORIE VOM INTRA CA BARBARI2/”I DO NOT CARE IF WE GO DOWN IN HISTORY AS BARBARIANS”
Radu Jude, Roménia/República Checa/França/Bulgária/Alemanha, fic., 2018, 140′

M.
Yolande Zauberman, França, doc., 2018, 106′

Prémio Silvestre para Melhor Curta Metragem

SETE ANOS EM MAIO/SEVEN YEARS IN MAY
Affonso Uchôa, Brasil/Argentina, fic./doc., 2019, 42′

Menção Especial

WONG PING’S FABLES 1
Wong Ping, Hong Kong, anim., 2018, 13′

JÚRI INDIEMUSIC

Prémio IndieMusic

BATIDA DE LISBOA/LISBON BEAT
Rita Maia, Vasco Viana, Portugal, doc., 2019, 65′

JÚRI ÁRVORE DA VIDA

Prémio Árvore da Vida para Melhor Filme Português

INVISÍVEL HERÓI/INVISIBLE HERO
Cristèle Alves Meira, Portugal/França, fic., 2019, 27′

Menção Especial

A MINHA AVÓ TRELOTÓTÓ/MY GRANDMOTHER TRELOTÓTÓ
Catarina Ruivo, Portugal, fic./doc., 2018, 173′

JÚRI AMNISTIA INTERNACIONAL

Prémio Amnistia Internacional

SETE ANOS EM MAIO/SEVEN YEARS IN MAY
Affonso Uchôa, Brasil/Argentina, fic./doc., 2019, 42′

JÚRI SANTA CASA

Prémio Santa Casa  

PRÍNCIPE KIK-KI-DO: A TOUPEIRA MINEIRA
Grega Mastnak, Eslovénia, fic., 2018, 5'

JÚRI UNIVERSIDADES

Prémio Universidades

PRESENT.PERFECT.
Shengze Zhu, EUA/Hong Kong, doc., 2019, 124'

JÚRI ESCOLAS

Prémio Escolas

GUAXUMA
Nara Normande, França/Brasil, anim., 2018, 14′

PRÉMIO DO PÚBLICO

Longas-metragens
Bait, de Mark Jenkin

Curtas-metragens
Guaxuma, de Nara Normande

IndieJúnior
Morcego, de Julia Ocker


*artigo actualizado no dia 13 de Maio 2019 com os vencedores do Prémio do Público.

domingo, 12 de maio de 2019

IndieLisboa'19: Sinónimos / Synonymes (2019)

*6/10*


Sinónimos, de  Nadav Lapid, foi o Filme de Encerramento do IndieLisboa'19. O realizador israelita carrega a longa-metragem de sarcasmo e constrói uma história quase inacreditável, inspirada na sua própria experiência de vida.

Seguimos Yoav (Tom Mercier), um jovem israelita, que vai para Paris, com a ajuda de um simples dicionário hebraico-francês, na esperança de que França e os franceses o salvem da loucura do seu país. Em Paris, as coisas não começam muito bem para Yoav, mas ele está determinado a livrar-se da sua nacionalidade o mais rápido possível. Para ele, ser israelita é como um tumor que precisa de ser removido cirurgicamente.

Sinónimos é um filme que pode provocar sentimentos antagónicos. Deambula entre o absurdo, o sarcástico, a sátira e a crítica, mas, ao mesmo tempo, não chega a bom porto. Há uma hipérbole constante desde o início, onde todas as situações parecem ser elevadas ao mais ridículo possível - e há realmente momentos que têm impacto e cuja crítica social é certeira.


Com uma boa interpretação de Tom Mercier, a personagem de Yoav, apesar de determinada, é construída também no exagero. Os dilemas do israelita que quer ser francês estão presentes e preenchem os espaços vazios, mas o drama existencial parece levado demasiadamente a brincar, quase em negação. Yoav nega-se a falar hebraico e esforça-se ao máximo para se tornar num francês.

Nadav Lapid crítica veementemente Israel e não tem qualquer pudor em mostrá-lo ao mundo. Um filme essencialmente provocador.

IndieLisboa'19: Divino Amor (2019)

*5.5/10*


É com os néons do filme anterior (Boi Néon) que começa Divino Amor, o novo trabalho de Gabriel Mascaro, que fez parte da secção Herói Independente do IndieLisboa'19. No entanto, está muitos pontos abaixo do seu antecessor, num registo diferente.

A crítica política e religiosa é mais que evidente, no meio desta distopia brasileira que o realizador criou. Se, actualmente, apesar das ligações à religião que associamos ao Governo de Bolsonaro (não esquecer o lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos"), o Brasil é um Estado laico, a visão pessimista retratada em Divino Amor é que num futuro próximo, 2027, o país seria um Estado Religioso.

Apresentam-nos Joana (Dira Paes), uma mulher profundamente religiosa, que usa a sua posição num notário para tentar prevenir o divórcio de casais. Ansiando por um sinal divino como reconhecimento dos seus esforços, vê-se confrontada com uma crise que a colocará mais perto de Deus.


Divino Amor arranca muito bem, num mergulho no mar da ficção científica. A estranheza que se sente com o que vemos e ouvimos a narração contar aguça a curiosidade. Mas, a certo momento, perde o fôlego, com a crítica inicial, tão poderosa, a anular-se e começar a perder o sentido. Algumas das contradições que surgem são totalmente certeiras na crítica acesa que o filme faz, contudo, outras opções mostram o contrário daquilo que o humor mordaz de Gabriel Mascaro vem a defender.

Joana é só mais uma das pessoas daquela espécie de seita que se reúne para um culto ao amor e ao deus que eles defendem. A realidade deste Brasil distópico não é explorada para além do circulo de Joana e esse é um dos grandes desencantamentos do filme.

Visualmente, há planos marcantes, e a direcção de fotografia tem bons momentos, com as cores neón e o fumo a sobressaírem. A direcção artística também é de destacar, onde existe um drive in especialmente bem concretizado - um dos melhores momentos de humor do filme de Mascaro. A banda sonora que nos acompanha desde os créditos iniciais é viciante e outro dos pontos mais fortes de Divino Amor.


Gabriel Mascaro está cheio de ideias a borbulhar, mas precisa voltar a pô-las em ordem. O sentimento foi de desencanto, não tanto com o triste mundo que criou, mas com o resultado de Divino Amor.