quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Curtas-metragens: Um Rapaz Chamado Jaime, de André Marques

Nas curtas-metragens portuguesas, hoje há espaço para falar de Um Rapaz Chamado Jaime, escrita e realizada por André Marques. O filme vai marcar presença em Outubro em Díli, Timor-Leste, na Selecção Oficial FICI' 15 (Festival Internacional de Cinema Independente).


Esta curta faz-nos acompanhar um jovem, Jaime, que vive na ilusão de que os maus tratos sofridos pelas mãos do seu pai são banais, até ao momento em que se apercebe que os abusos não irão terminar em breve. Para abandonar aquela infeliz rotina, acaba por fazer o impensável.

Um Rapaz Chamado Jaime traz ao cinema uma temática dura e pouco usual no grande ecrã: abusos sexuais. Este é um dos pontos mais fortes da curta de André Marques e faz-nos criar uma especial curiosidade pelo protagonista que gostávamos de poder conhecer melhor, talvez, através de mais diálogos e menos silêncios.

A montagem é outra das forças deste trabalho, com as violentas memórias - afinal, tão presentes e tão reais - de Jaime, a imiscuírem-se no seu dia-a-dia. São elas que o fazem debater-se consigo próprio e perceber que algo não está bem.

Podes ver aqui o trailer de Um Rapaz Chamado Jaime:


Segue o filme no facebook: www.facebook.com/umrapazchamadojaime

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sugestão da Semana #182

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca o programa Verão com Jacques Tati no Espaço Nimas, que se prolonga até 16 de Setembro.

VERÃO COM JACQUES TATI


Há Festa na Aldeia
As Férias do Sr. Hulot
O Meu Tio
Playtime - Vida Moderna
Sim, Sr. Hulot
Parade

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Estreias da Semana #182

Esta Quinta-feira trouxe consigo 13 filmes até às salas de cinema portuguesas.

As Férias do Senhor Hulot (cópia digital restaurada) (1953)
Les vacances de Monsieur Hulot
Hôtel de la Plage, costa atlântica, Verão: as pessoas pousam as malas calmamente. Ao longe, o som incomodativo de um carro ruidoso. Ao volante, um veraneante pouco comum. É o senhor Hulot, que empurra a porta do hotel e provoca logo uma enorme corrente de ar. É a desordem total durante a estação balnear: ténis coreográfico, um barco de pesca partido. O Sr. Hulot, para gáudio das crianças, semeia involuntariamente o terror nesta pequena sociedade de veraneantes demasiado sérios.

Um filme-ensaio que procura um novo olhar sobre o enigma da Coreia do Norte, um país quase exclusivamente visto através das lentes distorcidas da propaganda nacionalista ou da sátira irrisória. Cruzando imagens de três visitas da realizadora à Coreia do Norte, com canções, espectáculos, cinema popular e imagens de arquivo, Canções do Norte tenta compreender, através dos seus próprios termos, a psicologia e imaginação popular dos norte-coreanos e a sua ideologia política de amor absoluto, que continua a guiar o país para um futuro incerto.

Férias (2015)
Vacation
A nova geração dos Griswolds está de volta. Seguindo as pisadas do seu pai e na esperança de poder desfrutar de um tempo de qualidade com a sua família, o já adulto Rusty Griswold (Ed Helms) surpreende a sua mulher Debbie (Christina Applegate), e os seus dois filhos, com uma viagem pelo país de volta ao “parque de diversões favorito das famílias Americanas”: Walley World.

Há Festa na Aldeia (cópia digital restaurada) (1949)
Jour de Fête
Numa pequena aldeia do centro de França é dia de festa: os feirantes chegam à praça com as suas roulotes, carroças, carros, cestas, carrocéis, lotarias, fanfarras. Instala-se um cinema ambulante. É ocasião para os aldeões descobrirem um documentário sobre as proezas dos correios na América. Ridicularizado por toda a aldeia, François, o carteiro, decide aprender a executar o seu trabalho “à americana”.

Metamorfoses (2014)
Métamorphoses
Uma rapariga é abordada por um rapaz belo mas muito estranho. Deixa-se seduzir pelas suas histórias. Histórias sensuais e maravilhosas nas quais os deuses se apaixonam por jovens mortais. O rapaz propõe à rapariga que o siga.

O Meu Tio (cópia digital restaurada) (1958)
Mon Oncle
O senhor e a senhora Arpel têm uma casa moderna num quarteirão asséptico. Eles têm tudo, conseguiram tudo, na casa deles é tudo novo: o jardim é novo, a casa é nova, os livros são novos. Neste universo tão confortável, o humor, os jogos e a sorte não têm lugar. E o filho Gérard aborrece-se de morte. É então que irrompe o irmão da senhora, o tio, o Sr. Hulot. Personagem inadaptada, habituada ao seu mundo caloroso, vai, para delírio do sobrinho, virar tudo de pernas para o ar.

Outro/Eu (2015)
Self/less
Com Ryan Reynolds e Ben Kinlgsey nos principais papéis, o filme conta a história de Damian Hale, um bilionário industrial que, quando lhe é diagnosticado cancro, procura um procedimento médico radical e transfere a sua consciência para o corpo de um homem jovem e saudável. Contudo, a imortalidade tem alguns efeitos colaterais e Damian encontra-se a lutar pela sua vida e a daqueles que impactou.

Parade (cópia digital restaurada) (1974)
Parade
Ao longo de Parade, adultos e jovens formam uma massa entusiástica, unida pelo espectáculo à sua frente. Desde o inicio, duas crianças demonstram, através de trocas de olhar, a alegria de estarem juntos. O público participa directamente no espectáculo de circo e music-hall enquanto Tati, o mestre de cerimónias, dirige e anima esta representação.

Sim, Sr. Hulot (cópia digital restaurada) (1971)
Trafic
A sociedade automobilística francesa Altra quer fazer-se vingar no salão Automóvel de Amesterdão com um protótipo engenhoso de caravana desenhado pelo Sr. Hulot. Este irá acompanhar, juntamente com Maria, a jovem e mimada relações públicas da empresa, o camião onde o protótipo seguirá até Amesterdão. Nesta viagem irão surgir uma série de peripécias que atrasarão a chegada e mudarão a postura de Maria para com os que a rodeiam.

Sininho e a Lenda do Monstro do Nunca (2014)
Tinker Bell and the Legend of the NeverBeast
A Fada dos Animais Fawn acredita que não se pode julgar o livro pela capa ou um animal pelas suas presas, e por isso torna-se amiga de uma enorme e misteriosa criatura conhecida por Monstro do Nunca. Como Sininho e as suas amigas não estão muito seguras sobre esta relação com Pixie Hollow, a elite das Fadas Escuteiras junta-se para capturar o monstro antes que ele destrua o lar delas. Fawn tem de acreditar no seu coração e seguir a sua fé, se espera conseguir unir todas as fadas para salvar o Monstro do Nunca.

Um Ponto de Viragem (2014)
You're Not You
Baseado no romance homónimo de Michelle Wildgen, Um Ponto de Viragem conta a história de Kate (Swank), uma pianista a quem é diagnosticada esclerose lateral amiotrófica (ELA) e de Bec (Rossum), uma jovem universitária que vive um momento meio conturbado e tenta conciliar a sua relação com um professor casado com o seu futuro académico.

Vai Seguir-te (2014)
It Follows
Para a jovem Jay, de 19 anos, o Outono deveria ser sinónimo de escola, rapazes e fins de semana no lago. Mas, na sequência de um encontro sexual aparentemente inocente, Jay vê-se atormentada por estranhas visões e pela terrível sensação latente de que alguém ou algo está a segui-la. Perante esta situação, Jay e os seus amigos têm de encontrar forma de escapar aos horrores que parecem estar sempre no seu encalço.

Vida Moderna (cópia digital restaurada) (1967)
Playtime
Na era das Economic Air Lines, turistas americanos efectuam uma viagem organizada. O programa é composto pela visita de uma capital por dia. Quando chegam a Paris, apercebem-se que o aeroporto é exactamente igual àquele de onde partiram de Roma, que as ruas são como as de Hamburgo e que os candeeiros de rua se parecem estranhamente aos de Nova Iorque. Pouco a pouco encontram franceses, entre os quais, o Sr. Hulot.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Declaração de Amor ao Querido mês de Agosto

Sou amante da Sétima Arte. E porque não tentar explicar o meu amor pelo cinema português pegando num único exemplo recente? O filme chama-se Aquele Querido Mês de Agosto, data de 2008 e é realizado por Miguel Gomes, o mesmo que, quatro anos mais tarde nos trouxe Tabu, o filme que conta uma história de amor em Moçambique, e encantou o mundo. Mas agora o amor é português.

Só tive oportunidade de assistir a Aquele Querido Mês de Agosto depois de ver Tabu. Se um me convenceu, o outro apaixonou-me. O que tem de tão especial prende-se com a cultura de um país – Portugal, claro -, a tradição, a sua gente e, a par de tudo isso, o facto de jogar brilhantemente com os segredos do cinema, balançando entre a ficção e o documentário, desconstruindo, sem medo, o processo de produção de um filme, e, ao envolver-nos, toma-nos como parte dele.


Qualquer português irá sentir como seu Aquele Querido Mês de Agosto. Está lá toda a magia de fazer parte do povo lusitano – pelo menos em Agosto. As festas populares, os bailes onde a música “pimba” não falta, as procissões e a religiosidade, as concentrações motards – mais propriamente a de Góis -, os emigrantes que regressam às suas aldeias natal (e mesmo quem resiste por cá vai sentir as saudades)... A par disto, temos uma história de amor de Verão, mais ou menos proibido, os boatos típicos das terras pequenas, os personagens que partilham parte da vida com os seus actores – a maior parte deles escolhidos de entre as gentes do local. Não vamos esquecer Paulo “Moleiro” e as suas hilariantes aventuras no rio Alva, nem mesmo os ficcionais Tânia e Hélder ou Domingos, o pai da protagonista.

Aquele Querido Mês de Agosto convida-nos a entrar naquele Portugal real, profundo, nas entranhas de ser português, com tudo o que isso tem de mais castiço e de mais caricato. O filme é sincero, por vezes irónico, faz-nos rir às gargalhadas ou mesmo chorar com os desgostos de amor, põe-nos a dançar com o Baile de Verão ou o Meu Querido Mês de Agosto (e faz-nos trautear a letra), dá-nos vontade de visitar aquelas paisagens, conhecer aquelas pessoas – quer os actores, quer as personagens criadas para o efeito.


Por outro lado, não são todos os filmes que nos proporcionam uma entrada nos bastidores cinematográficos, fazendo com que da ficção à realidade a fronteira seja ténue ou quase não exista. Tudo para nos fazer apaixonar e deixar aquelas personagens sair do ecrã, chegarem bem perto do seu público.

Miguel Gomes trouxe-nos aqui um óptimo exemplar de como o cinema português tem tanto para dar e pode surpreender da forma mais divertida, simples e profunda, em simultâneo. E sendo o cinema cultura, Aquele Querido Mês de Agosto faz um óptimo resumo da identidade cultural nacional com tudo e todos os que a constituem, ao mesmo tempo que se revela uma das grandes obras – algo desconhecidas do grande público – do cinema português actual, mas que até passou pelo Festival de Cannes.

E quem é que não espera ansiosamente que o próximo Agosto chegue?

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Texto escrito em Setembro de 2014 para a página de facebook do Gerador.

Sugestão da Semana #181

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o blockbuster Missão Impossível: Nação Secreta, o quinto da saga protagonizada por Tom Cruise.

MISSÃO IMPOSSÍVEL: NAÇÃO SECRETA


Ficha Técnica:
Título Original: Mission: Impossible - Rogue Nation
Realizador: Christopher McQuarrie
Actores: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Alec Baldwin, Rebecca Ferguson, Ving Rhames
Género: Acção, Aventura, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 131 minutos

Estreias da Semana #181

Cinco foram os filmes que estrearam nas salas de cinema portuguesas na passada Quinta-feira. Missão Impossível - Nação Secreta cativa as principais atenções.

A Família Bélier (2014)
La Famille Bélier
A família Bélier é uma simpática família francesa que se dedica à produção de lacticínios. Todos são surdos com excepção de Paula (Louane Emera), de 16 anos. Ela é a intérprete dos seus pais e um elo essencial, em especial, no que respeita ao funcionamento diário da quinta da família. Um dia, incitada pelo seu professor de música, Paula descobre um talento para cantar e decide preparar-se para a audição do Coro da Rádio France. Trata-se da escolha de uma vida que irá distanciá-la da sua família e forçá-la a crescer.

Lugares Escuros (2015)
Dark Places
Libby Day (Charlize Theron) pensava ter deixado o seu pesadelo de infância na sua pequena e miserável terra natal. Agora, forças que a ultrapassam reabriram o único capítulo da sua vida que ela desejou nunca mais enfrentar. Sendo a única sobrevivente de um crime, em que, com sete anos, testemunhou a morte da sua mãe e irmãs, Libby vive com o peso do seu testemunho ter sentenciado o irmão, Ben (Corey Stoll) a prisão perpétua.

Missão: Impossível - Nação Secreta (2015)
Mission: Impossible - Rogue Nation
Com a IMF desmantelada e Ethan Hunt (Tom Cruise) excluído, a equipa enfrenta uma rede de agentes especiais extremamente qualificados, o Sindicato. Estes operacionais altamente treinados estão determinados em criar uma nova ordem mundial através de uma série de ataques terroristas. Ethan reúne a sua equipa e junta forças com Faust (Rebecca Ferguson), uma agente britânica excluída, que pode ou não ser membro desta nação secreta, com o grupo a fazer face à missão mais impossível de sempre.

O Verão de May (2013)
May in the Summer
May, uma escritora de sucesso, parece ter tudo. No entanto, ao viajar para a Jordânia para planear o seu casamento, é obrigada a conviver de perto com a sua caótica família. A sua mãe ameaça boicotar o casamento, as irmãs mais novas encaram-na como sua mãe e o seu pai, há muito ausente, regressa.

Um Encontro Com o Destino (2015)
A Date with Miss Fortune
Quando Jack conhece Maria,uma portuguesa bonita e supersticiosa, não imagina o quanto a sua vida e sorte estão prestes a mudar. Durante este primeiro encontro acidental, Jack e Maria procuram transmitir uma imagem idealizada deles mesmos – imagens que, na verdade, entram em cómica contradição com a sua futura vida a dois. Jack dá por si numa desesperada e hilariante tentativa de conquistar a colorida e religiosa família portuguesa de Maria, bem como a sua desconfiada ‘guia espiritual’, sem a qual Maria se recusa a tomar qualquer decisão. Neste processo, Jack irá descobrir a importância da família e Maria descobrirá que o futuro está sempre nas nossas mãos.

sábado, 15 de agosto de 2015

Curtas-metragens: (des)ligado, de Diogo Simão

Mais uma curta-metragem portuguesa no Hoje Vi(vi) um Filme. Desta vez falo-vos de (des)ligado, de Diogo Simão. Seleccionado para o FARCUME - Festival Internacional de Curtas-metragens de Faro, que acontece de 26 a 29 de Agosto, o filme apresenta-nos um jovem homicida geek que adora cinema e sofre de uma doença psicológica. Para tentar manter a sua sanidade, ele vive a vida como um filme.


É nesta viagem entre o real, a ficção, o transtorno psicológico, o absurdo e a violência, que nos leva (des)ligado. Por vezes arrepiante, outras hilariante, a curta-metragem de Diogo Simão joga com a montagem de forma arriscada mas eficiente, num trabalho que parece pretender colocar-nos na mente do protagonista - entre os devaneios e crimes do nosso assassino o realizador oferece-nos flashes de clássicos do cinema.

O nosso narrador homicida guia-nos pelos seus pensamentos e desejos e nós seguimo-lo, atentos, curiosos. Criativo e muito cinéfilo, é assim (des)ligado, uma belíssima estreia de Diogo Simão na realização, que promete igualmente como actor, já que é ele quem veste a pele do protagonista.

Conhece o trailer desta curta-metragem:

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Curtas-metragens: LUX, de Bernardo Lopes e Inês Malveiro

É sempre boa hora para se escrever sobre o cinema português e sobre os realizadores que começam a sua jornada pela Sétima Arte. Falo-vos agora sobre a curta-metragem LUX, de Bernardo Lopes e Inês Malveiro, produzida pelo curso de Cinema da Universidade Lusófona e vencedor do título de Melhor Filme no Over&Out 2015, mostra de todos os filmes produzidos ao longo do ano naquela universidade.


LUX apresenta-nos Pedro, um escritor solitário que decide embarcar num desnorteio imaginário para chegar à ideia para o seu novo romance. O conto A Aranha no Buraco da Fechadura, de Leonardo Da Vinci, serve de inspiração a este drama. O nosso insatisfeito protagonista resolve utilizar um fenómeno insólito de fabrico de lâmpadas que se inicia em sua casa, para tentar ultrapassar o seu bloqueio criativo.

A ideia luminosa de LUX surge nesta divertida analogia entre as inúmeras ideias falhadas, outras que quase poderiam funcionar e as lâmpadas, quebradiças, que se fundem, mas que vão dando luz (ou alento para continuar a insistir). E tal como a fábrica de lâmpadas de Pedro, a cabeça do escritor (ou mesmo a de qualquer um de nós) é um inesgotável gerador de ideias - umas mais eficazes que outras. Bernardo Lopes trabalhou uma ideia simples e transformou-a num argumento original e irónico.

Entre alguns planos interessantes e bem conseguidos, tecnicamente, de destacar neste trabalho de Bernardo Lopes e Inês Malveiro é, acima de tudo, a opção de filmar em 35mm, valorizando a película. 



Nada como seguir os próximos passos desta curta-metragem nas redes sociais: