quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Estreias da Semana #153

São quatro os filmes que chegam às salas de cinema esta Quinta-feira, dia 29 de Janeiro. Entre as estreias estão dois dos nomeados para os Oscars: A Teoria de Tudo e Whiplash - Nos Limites.

A Teoria de Tudo (2014)
Theory of Everything
A Teoria de Tudo debruça-se sobre a relação entre o famoso físico Stephen Hawking e a sua mulher Jane.

O Excêntrico Mortdecai (2015)
Mortdecai
O nobre Charlie Mortdecai (Johnny Depp), comerciante de arte um pouco escrupuloso e bon vivant de Londres, está com sérios problemas de liquidez. Para além de todas as suas dívidas aristocráticas, Charlie precisa arranjar oito milhões de libras em menos de uma semana, ou perderá a sua ancestral propriedade e, juntamente com ela, a sua encantadora esposa, Johanna (Gwyneth Paltrow). Quando um restaurador de arte, a trabalhar num Goya há muito perdido, é assassinado e o quadro desaparece, os problemas de Charlie podem ser ultrapassados se encontrar a obra-prima perdida e reclamar a recompensa.

Whiplash - Nos Limites (2014)
Whiplash
Sob a direcção do impiedoso professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrew Neiman (Miles Teller), um jovem e talentoso baterista, procura a perfeição a qualquer custo, mesmo que isso signifique perder a sua humanidade.

Wild Card - Jogo Duro (2014)
Wild Card
Nick Wild (Jason Statham) é um ex-viciado em jogo que trabalha como guarda-costas. No entanto, um ajuste de contas com um líder da máfia que abusou da sua amiga Holly (Dominik García-Lorido), irá levá-lo a enfrentar sérios problemas, com consequências imprevisíveis.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica: Sniper Americano / American Sniper (2014)

"I'm willing to meet my creator and answer for every shot that I took..." 
Chris Kyle
*5/10*

Um elogio a um herói de guerra para os norte-americanos, talvez pouco heroicizado pelo resto do mundo, chega-nos em Sniper Americano. Clint Eastwood realizou mais um filme de guerra, com semelhanças a outras longas-metragens recentes, onde o palco é o médio oriente e o lado americano sai sempre valorizado. Menos patriotismo e maior isenção poderia jogar a favor desde filme sobre o sniper americano mais mortífero de sempre.

Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus colegas de armas. As histórias da sua precisão depressa se espalham e ele passa a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes.

O dilema moral, simplesmente, não existe (apesar do trailer nos querer enganar nesse sentido) em Sniper Americano. Esse é um dos principais grandes problemas do filme de Eastwood: a exagerada identificação com o lado americano, sem deixar espaço à reflexão. O argumento toca levemente nos traumas de guerra, no afastamento da família, mas o certo é que não vemos no ecrã muito mais do que um homem responsável por mais de 160 mortes ser elevado a herói e sem reflexo de qualquer tipo de sentimento de culpa - e é difícil, mesmo cinematograficamente, admirar um filme assim.


Bradley Cooper tem uma prestação aceitável, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Contudo, está formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

A realização filma interessantes sequências de guerra, mas nada muito diferente do que já vimos em outros filmes recentes. O nome de Clint Eastwood prometia muito mais e Sniper Americano revela-se uma desilusão, sem nada de novo, que nem espaço para a reflexão quer deixar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sugestão da Semana #152

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Noite Cairá, de André Singer. Este documentário está nos cinemas e passa também na RTP1 esta Terça-feira, 27 de Janeiro, à noite.

A NOITE CAIRÁ


Ficha Técnica:
Título Original: Night Will Fall
Realizador: André Singer
Género: Documentário
Classificação: M/14
Duração: 75 minutos

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Estreias da Semana #152

Seis filmes estrearam nas salas de cinema portuguesas esta Quinta-feira.

A Noite Cairá (2014)
Night Will Fall
A 15 de Abril de 1945, as tropas britânicas libertaram o campo de concentração de Bergen-Belsen.  Uma equipa de filmagens filmou as pilhas de cadáveres e os sobreviventes, provas irrefutáveis dos crimes cometidos pelo regime Nazi. O produtor Sidney Bernstein planeava usá-las num filme e convidou Alfred Hitchcock para o montar. Mas, depois do fim da Guerra, as forças de ocupação mudaram a sua política e em vez de confrontar a Alemanha com a culpa, preferiram instalar a confiança para tornar possível a reconstrução do pós-Guerra, e estas imagens foram confinadas aos arquivos. A Noite Cairá segue as pisadas deste filme inacabado conhecido como o “Hitchcock perdido”.

Blackhat: Ameaça na Rede (2015)
Blackhat
No mundo do cibercrime global, Blackhat: Ameaça na Rede acompanha a história de um recluso em liberdade condicional que, em conjunto com parceiros de pontos extremos do globo, persegue uma rede organizada de cibercrime de alto-nível, de Chicago a Los Angeles, de Hong Kong a Jacarta.

O Homem Decente (2014)
Der Anständige
Através de cartas, fotografias e diários encontrados na casa de família dos Himmler em 1945, o filme retrata a vida e a mente do “Arquitecto da Solução Final”, Heinrich Himmler.

O Último dos Injustos (2013)
Le Dernier des Injustes
Em 1975, em Roma, Claude Lanzmann filma Benjamin Murmelstein, o último Presidente do Conselho Judeu do gueto de Theresienstadt, o único que sobreviveu à Guerra. Rabino em Viena, Murmelstein, depois da anexação da Áustria pela Alemanha em 1938, lutou com unhas e dentes com Eichmann, semana após semana, durante sete anos, conseguindo fazer com 121 mil judeus emigrassem e evitando a liquidação do gueto. Em 2012, Claude Lanzmann, com 87 anos, recupera estas entrevistas em Roma, regressando a Theresienstadt, a cidade “dada aos judeus por Hitler”. Descobrimos a personalidade de Benjamin Murmelstein. Através destas três épocas, de Nisko a Theresienstadt e de Viena a Roma, o filme revela a génese da solução final, desmascara o verdadeiro rosto de Eichmann e desvenda as contradições do Conselho Judeu.

Sniper Americano (2014)
American Sniper
Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus irmãos de armas. A sua precisão singular salva inúmeras vidas no cenário de guerra, e à medida que as suas histórias se espalham, ele passou a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação, começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes.

Um Verão na Provença (2014)
Avis de Mistral
Este ano as férias de Verão de Léa, Adrien e o irmão mais novo Theo, que nasceu surdo, vão ser na Provença, com o avô Paul, que eles nunca conheceram devido a um conflito familiar. Em 24 horas, torna-se evidente o choque de gerações entre os adolescentes e o avô, que eles consideram um controlador excessivo. O passado tempestuoso de Paul ressurge e os anos 70 regressam às montanhas Alpilles. No decurso deste turbulento Verão, as duas gerações transformam-se uma à outra.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Crítica: Foxcatcher (2014)

"Coach is the father. Coach is a mentor. Coach has great power on athlete's life." 
John du Pont
*8/10*

Bennett Miller sabe realizar um bom filme onde o desporto é rei e, depois do razoável Moneyball – Jogada de Risco, supera-se em Foxcatcher, levando o seu trabalho a um patamar onde uma tensão perturbadora assola a plateia do início ao fim. Mais do que filmar o desporto, Miller filma um drama inspirado em acontecimentos verídicos que nos mantém presos ao ecrã, num ambiente sombrio e suspeito.

Para além de nos dar a conhecer a luta livre, o realizador introduz-nos num thriller psicológico difícil de digerir, envolto numa realização e fotografia de excelência, e com desempenhos aterradores por parte dos três actores principais: Steve Carell, Channing Tatum Mark Ruffalo (muito provavelmente, nos seus melhores papéis de sempre).

Foxcatcher conta a história de Mark Schultz (Channing Tatum), lutador olímpico de luta livre premiado com uma medalha de ouro, que vive em Wisconsin com dificuldades desportivas e económicas. Certo dia, é convidado pelo milionário John du Pont (Steve Carell) para se mudar para a sua luxuosa propriedade, onde este planeia formar e treinar uma equipa de luta livre para os Jogos Olímpicos de Seul de 1988. Schultz aproveita a oportunidade, ansioso também por sair da sombra de Dave (Mark Ruffalo), o seu irmão mais velho, um respeitado treinador de luta livre, também ele medalhista olímpico.


O argumento de Foxcatcher não nos dá explicações, temos apenas imagens, palavras, acções e um ambiente muito especial, onde a tragédia parece pairar, mesmo que desconheçamos o caminho que a história irá tomar (se não conhecem os acontecimentos que dão origem a Foxcatcher, investiguem apenas depois). E é a dimensão psicológica que faz do filme um dos grandes do ano, com esta névoa a assombrar-nos, como algo que se esconde por detrás das personagens e, sem sabermos bem como, nos perturba e angustia - uma espécie de pressentimento, talvez.

Para adensar todas estas sensações incómodas, o elenco faz um trabalho extraordinário. Steve Carell dá uma lição de representação a todos os que apenas o viam como um cómico: transfigurado - onde até a voz não parece a mesma -, o actor encarna du Pont com uma postura fria, frágil e, ao mesmo tempo, pouco confiável. Vamos ter pena dele mas igualmente receá-lo, no meio dos seus desequilíbrios e atitudes estranhas. Por sua vez, Channing Tatum mostra o actor que há em si como Mark Schultz e, apesar de fisicamente ser tão fácil imaginá-lo num filme de desporto, a carga trágica que carrega consigo é digna de elogios. Tatum oferece-nos uma interpretação sofrida, revoltada e, por vezes, furiosa (a cena no quarto de hotel é um bom exemplo). A acompanhar, temos Ruffalo como Dave Schultz, um homem ponderado e fiel aos seus valores, que adora o irmão e põe a família à frente de tudo. O actor tem uma interpretação tranquila e consistente, capaz de conquistar a simpatia da plateia.


Tecnicamente, a tensão aumenta com a predominância de planos fixos, com um excelente trabalho da direcção de fotografia de Greig Fraser, que tanto contribui para o carácter sombrio de Foxcatcher. Ali, não nos sentimos seguros, nem temos para onde fugir. O realizador controla-nos da mesma forma que du Pont parece controlar os irmãos Schultz e intimida-nos como a personagem de Steve Carell se sente intimidada pela presença da mãe. A banda sonora contribui da mesma forma para o desconforto que a longa-metragem de Miller nos transmite e torna tudo ainda mais especial, tenebroso e sombrio.

O ambiente pesado sente-se por todos os recantos da tela, as personagens não nos transmitem segurança e o desequilíbrio psicológico de du Pont perturba-nos. No fim e entre os receios da plateia, Foxcatcher traduz-se num retrato sóbrio e arrepiante de uma tragédia que assolou o desporto.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) / Birdman (2014)

"Listen to me. I'm trying to do something important."
Riggan
*6.5/10*

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) voa alto mas não chega muito longe. A experiência de Alejandro González Iñárritu, onde a técnica predomina, não consegue sustentar-se apenas da sua estética, com o argumento a fazer tudo cair por terra (ou perder-se para sempre nos céus). 

Birdman apresenta-nos Riggan Thomson (Michael Keaton), um actor famoso por ter interpretado um super-herói icónico, que agora planeia montar uma peça de teatro numa tentativa de recuperar o reconhecimento de outros tempos. Nos dias que antecedem a noite de abertura, Riggan luta contra o seu ego e tenta recuperar a sua família, a sua carreira e ele próprio.

Entre o drama do desequilibrado actor cujos tempos de glória ficaram esquecidos e a crítica feita nada mais nada menos que aos críticos de arte, nada é consistente, nem mesmo os motivos que regem os actos do nosso protagonista. O argumento faz-nos entrar nos bastidores do teatro, mas foca-se essencialmente nos delírios de Riggan, este actor fracassado, rodeado ele mesmo de outros colegas (e familiares) com visíveis problemas psicológicos - cada um à sua maneira. E no meio de um antro de desequilíbrios mentais com vozes que nos perseguem e poderes telecinéticos, corridas a nu pela rua ou voos pelos céus como o super-herói que ficou no passado, o espaço de reflexão que é deixado à plateia é mínimo ou nem sequer existe. Não se extrai muito desta história, que podia ter verdadeiramente muito para dar, mas que se perde em delírios.


A acompanhar, a originalidade técnica não salva Birdman. É, sem dúvida, um prodígio de realização, filmado de forma a fazer-nos crer que tudo foi rodado num só take, com cortes quase invisíveis, acompanhado por uma direcção de fotografia sublime - mais uma vez Emmanuel Lubezki candidata-se fortemente a levar o Oscar para casa. O trabalho de direcção artística é excelente (estão lá todos os pormenores dos bastidores do teatro), os efeitos especiais adensam o imaginário alucinatório de Birdman e a banda sonora, onde a percussão domina, acompanha tudo na perfeição. Mas, neste caso, por muito perfeita que seja a forma, ela não faz valer o conteúdo. Denota-se um certo pretensiosismo de Iñárritu, que poderia realmente ter aqui uma obra inesquecível, mas que não a constrói com equilíbrio - o mesmo que falta às personagens.


Nas interpretações, destaque para Michael Keaton que se mostra muito acima da média e surpreende na pele do protagonista Riggan Thomson, com quem tem inevitavelmente algumas semelhanças. Ambos famosos por interpretar um super-herói, Keaton distingue-se de Riggan por ter neste filme o papel que o traz de volta ao reconhecimento público.

E assim chega Birdman, com um argumento fantasioso, que levanta interessantes mas preguiçosas questões, e cuja magia técnica não o consegue elevar ao mais alto dos céus, com ou sem as asas do protagonista.

Sugestão da Semana #151

Numa semana fraca de estreias, a Sugestão da Semana destaca o nomeado para os Oscars, O Jogo da Imitação. Um filme monótono, mas com uma história forte e uma interessante interpretação de Benedict Cumberbatch. Já podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

O JOGO DA IMITAÇÃO


Ficha Técnica:
Título Original: The Imitation Game
Realizador: Morten Tyldum
Actores: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew GoodeMark Strong, Rory Kinnear
Género: Biografia, Drama, Thriller
Classificação: M/12
Duração: 114 minutos