domingo, 22 de outubro de 2017

Estreias da Semana #295

Seis filmes chegaram aos cinemas portugueses na passada Quinta-feira.

A Paixão de Van Ghogh (2017)
Loving Vincent
Joseph Roulin é o carteiro que Van Gogh pintou e com quem estreitou amizade. Não se convencendo da teoria do suicídio do pintor, manda o seu filho Armand entregar a última carta que o artista escreveu ao irmão, Theo. Resignado, Armand parte em missão. Quando descobre que o irmão de Van Gogh morrera pouco depois de Vincent, dá início a uma série de encontros com as várias personagens que cruzaram a vida do artista. Quanto mais pessoas ouve, mais a teoria do suicídio lhe parece infundada. A quem poderá ele entregar a carta, quando todos parecem culpados?

Geostorm - Ameaça Global (2017)
Geostorm
Um projectista de satélites vê-se obrigado a trabalhar com o irmão para salvar o mundo de uma gigantesca tempestade quanto os satélites de controlo meteorológico avariam. Enquanto decorre uma viagem ao espaço para reparar o equipamento, na Terra desenrola-se uma conspiração para assassinar o presidente dos EUA.

O Boneco de Neve (2017)
The Snowman
O detective Harry Hole investiga o desaparecimento de uma mulher cujo lenço cor-de-rosa é encontrado a envolver um sinistro boneco de neve.

O Castelo de Vidro (2017)
The Glass Castle
Uma jovem cresce numa família disfuncional de nómadas inconformistas que inclui uma mãe artista e excêntrica e um pai alcoólatra capaz de manipular a imaginação das crianças com esperança, como distracção para a pobreza em que vivem.

O Pequeno Vampiro (2017)
The Little Vampire
Rudolph é um vampiro de treze anos que vê o seu clã ser ameaçado por um notório caçador de vampiros. É então que conhece Tony, um mortal da mesma idade, fascinado por antigos castelos, cemitérios e... vampiros.

Porto (2016)
Jake e Mati são dois estrangeiros que tiveram uma breve mas íntima relação na cidade do Porto. Um mistério permanece sobre os momentos que partilharam. Na busca alternada entre as recordações mais dolorosas e os momentos de maior felicidade, voltam a viver as profundezas de uma noite escondida pelas consequências do tempo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Sugestão da Semana #294

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Lumière! A Aventura Começa, de Thierry Frémaux.

LUMIÉRE! A AVENTURA COMEÇA


Ficha Técnica:
Título Original: Lumière! L'aventure commence
Realizador: Thierry Frémaux
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 90 minutos

sábado, 14 de outubro de 2017

Doclisboa'17: 15 Filmes a não perder

O Doclisboa'17 começa já no dia 19 e prolonga-se até dia 29 de Outubro. O Hoje Vi(vi) um Filme destaca os filmes que não podes perder nesta 15.ª edição do festival.

Sessão de Abertura
19 OUT / 21.30, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Competição Internacional
26 OUT / 18.45, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
27 OUT / 10.30, CULTURGEST – GRANDE AUD. | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

António and Catarina, de Cristina Hanes
Competição Portuguesa
24 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
28 OUT / 14.00, SÃO JORGE – SALA 3

I don’t belong here, de Paulo Abreu
Competição Portuguesa
22 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
23 OUT / 14.00, SÃO JORGE – SALA 3 | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO

Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira
Riscos
25 OUT / 18.45, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
29 OUT / 14.00, CULTURGEST – PEQUENO AUD.

Dawson City: Frozen Time, de Bill Morrison
Da Terra à Lua
20 OUT / 10.30, CULTURGEST – GRANDE AUD. | SESSÃO PARA ESCOLAS ABERTA AO PÚBLICO
22 OUT / 21.45, SÃO JORGE – SALA 3


Ex Libris – The New York Public Library, de Frederick Wiseman
Da Terra à Lua
19 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
23 OUT / 16.30, SÃO JORGE – SALA 3

Napalm, de Claude Lanzmann
Da Terra à Lua
19 OUT / 22.00, CINEMA IDEAL
24 OUT / 16.30, SÃO JORGE – SALA 3

Risk, de Laura Poitras
Da Terra à Lua
19 OUT / 20.00, CINEMA IDEAL
29 OUT / 19.00, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Simone Veil, A French Story, de David Teboul
Da Terra à Lua
29 OUT / 18.45, CULTURGEST – PEQUENO AUD.

The Reagan Show, de Pacho Velez e Sierra Pettengill
Da Terra à Lua
27 OUT / 19.00, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Becoming Cary Grant, de Mark Kidel
Heart Beat
21 OUT / 21.30, CULTURGEST – GRANDE AUD.
29 OUT / 17.00, CULTURGEST – PEQUENO AUD.

Faithfull, de Sandrine Bonnaire
Heart Beat
20 OUT / 16.15, CULTURGEST – GRANDE AUD.
29 OUT / 16.15, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Histórias que Nosso Cinema (não) contava, de Fernanda Pessoa
Heart Beat
25 OUT / 22.00, SÃO JORGE – SALA M. OLIVEIRA
28 OUT / 21.30, SÃO JORGE – SALA 3

Whitney ‘Can I be Me’, de Nick Broomfield e Rudi Dolezal
Heart Beat
22 OUT / 16.15, CULTURGEST – GRANDE AUD.

Bons filmes!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estreias da Semana #294

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses 10 novos filmes. A Floresta das Almas Perdidas e Feliz Dia Para Morrer são duas das estreias.

A Febre das Tulipas (2017)
Tulip Fever
Século XVII, Amesterdão. Uma mulher casada (Alicia Vikander) inicia uma apaixonada relação com o artista (Dane DeHaan) contratado para pintar o seu retrato. Os amantes investem no mercado em expansão de bolbos de tulipa como forma de arrecadar dinheiro para fugirem juntos.

A Floresta das Almas Perdidas transporta-nos para o local mais popular para a prática do suicídio em Portugal, uma floresta densa e remota, onde dois estranhos se conhecem. Ele é um pai de família à procura do local onde a filha morreu. Ela é uma jovem com uma paixão pela morte. Mas um deles não é quem diz ser.

Alguém Como Eu (2017)
Helena, uma jovem mulher de 30 anos, toma uma decisão que mudará o resto da sua vida: viver em Lisboa, ser solteira, independente e indisponível. Mas como Helena não controla o destino dá de caras com o homem da sua vida. O que parecia ser um ano de puro enriquecimento pessoal, longe de aventuras amorosas, transforma- se num louco e imprevisível teste à sua inteligência emocional.

Feliz Dia Para Morrer (2017)
Happy Death Day
Uma estudante revive incessantemente o dia do seu assassinato, com todos os excepcionais detalhes e um aterrorizante final, até conseguir descobrir a identidade do assassino.

Lumière! A Aventura Começa (2016)
Lumière! L'aventure commence
Em 1895, Louis e August Lumière inventam o cinematógrafo e filmam alguns dos primeiros filmes na história do Cinema. Com a descoberta da mise-en-scène, dos travellings e ainda dos efeitos especiais e remakes, também inventaram o cinema enquanto arte. Dos seus mais de 1400 filmes, Thierry Frémaux, director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, seleccionou 114: obras de arte mundialmente conhecidas, ou descobertas de filmes antes desconhecidos, recuperados em 4K e reunidos para celebrar o legado dos Lumière.

Melodias de Django (2017)
Django
1943, na Paris ocupada, Django Reinhardt está no auge da sua carreira. O brilhante e descontraído guitarrista de jazz toca para as maiores salas da capital francesa. Ao mesmo tempo, os seus irmãos ciganos são perseguidos e mortos por toda a Europa. Quando a máquina de propaganda nazi decide enviá-lo numa digressão pela Alemanha, Django é obrigado a tomar uma decisão que irá mudar a sua vida e colocar em risco tudo o que conseguiu.

O Estrangeiro (2017)
The Foreigner
Um humilde empresário com um passado secreto procura justiça quando a filha é morta num atentado terrorista. Segue-se um confronto com um agente do governo que pode ter pistas sobre a identidade dos assassinos.

O Sabor da Cereja (1997) (reposição)
Ta'm e guilass
Numa tarde de um dia feriado um homem de meia idade, o sr. Badii, percorre os arredores quase desertos de Teerão. Ao volante do seu carro procura, aparentemente, alguém. Várias pessoas entram no carro, um soldado, um estudante de teologia, um operário ou um taxidermista, a quem faz um pedido invulgar. O sr. Badii decidiu suicidar-se e precisa de alguém que, caso seja bem sucedido, o enterre. Todos tentam convence-lo da importância da vida e recusam a tarefa. O último, porém, aceita convencido que o sr. Baddi não será capaz de se matar.

Os Fantasmas de Ismael (2017)
Les Fantômes d'Ismaël
Ismaël é um cineasta que se prepara para realizar um filme sobre um diplomata atípico inspirado no seu irmão. Apesar do relacionamento duradouro que conseguiu estabelecer com Sylvia, vive ainda traumatizado pelo súbito desaparecimento da mulher, Carlotta, há mais de 20 anos. Tudo muda quando Carlotta reaparece, subitamente.

Um Susto de Família (2017)
Happy Family
Os Wishbones estão longe de ser uma família feliz. A mãe, Emma, possui uma livraria que está envolta em dívidas, o pai, Frank, trabalha demais e sofre sob a alçada do seu chefe tirano, a filha, Fay é uma adolescente preocupada com a aparência que acaba de se apaixonar pela primeira vez, e o genial filho Max  está a ser intimidado na escola. E os dramas não terminam aqui. Numa festa máscaras, a malvada bruxa Baba Yaga transforma toda a família em monstros! Emma torna-se um vampiro, Frank é agora o monstro de Frankenstein, Fay uma múmia e Max um lobisomem. Juntos, vão perseguir a bruxa por meio mundo para a convencerem a reverter o feitiço.

Crítica: A Floresta das Almas Perdidas (2017)

"A tristeza durará para sempre"


*5.5/10*

Há quanto tempo não se encontrava em cartaz uma longa-metragem de terror portuguesa? A produtora Anexo 82 apostou no género mais arriscado em Portugal e traz aos cinemas um filme de terror independente de produção nacional, A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes.

É a preto e branco que o realizador se estreia nas longas, sem medo de correr riscos, e cativa-nos a atenção, em especial, pelo visual muito estético que preenche o filme. A Floresta das Almas Perdidas transporta-nos para o local mais popular para a prática do suicídio em Portugal, uma floresta densa e remota, onde dois estranhos se conhecem. Ele é um pai de família à procura do local onde a filha morreu. Ela é uma jovem com uma paixão pela morte. Mas um deles não é quem diz ser.

A Floresta das Almas Perdidas destaca-se, acima de tudo, pelas imagens que oferece. Com um forte sentido estético, a fotografia (a cargo de Francisco Lobo) é muito competente, repleta de planos que ficarão na memória, como é o caso da ponte inacabada, qual cenário de contos de fadas, aliás, como toda a floresta onde estas almas se perdem. A acompanhar a acção, a banda sonora de Emanuel Grácio fica no ouvido.


José Pedro Lopes parte de uma premissa muito interessante que, contudo, se perde após o twist inicial - sem dúvida, inesperado. Sente-se falta de mais presença da "floresta" propriamente dita, e talvez a acção ganhasse mais ao estar concentrada apenas no local que dá título ao filme. Ao mesmo tempo, a personagem principal tem em si uma maldade latente que ganharia em ser mais desenvolvida. A Floresta das Almas Perdidas funcionaria melhor, para já, como curta-metragem, como longa, deveria atingir mais alguma maturidade.

O texto é um pouco inocente, com algumas frases feitas - que talvez resultem em inglês -, e uma poesia inerente que o liga aos cenários. No conjunto, aqui temos um sinal para estarmos atentos a futuros trabalhos de José Pedro Lopes.


A Floresta das Almas Perdidas merece que lhe reconheçamos todo o mérito, como filme corajoso e persistente que é. Tem conquistado festivais internacionais e conta já com distribuição garantida em diversos países (EUA, Canadá, Espanha, Suécia e Reino Unido). Não é todos os dias que o filme português consegue um percurso destes.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sugestão da Semana #293

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana não consegue escolher apenas um filme, e por isso hoje há um duplo destaque. Al Berto, de Vicente Alves do Ó, (cuja crítica pode ser lida aqui) e Blade Runner 2049 (que terá crítica no blog muito em breve), de Denis Villeneuve, são os dois filmes que merecem ser vistos no cinema esta semana.



Ficha Técnica:
Título Original: Al Berto
Realizador: Vicente Alves do Ó
Actores: Ricardo Teixeira, José Pimentão, Ana Vilela da Costa, Raquel Rocha Vieira, Gabriela Barros, João Villas-Boas, Rita Loureiro, Manuela Couto
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 109 minutos


BLADE RUNNER 2049


Ficha Técnica:
Título Original: Blade Runner 2049
Realizador: Denis Villeneuve
Actores: Ryan Gosling, Harrison FordRobin Wright, Dave Bautista, Ana de Armas, Sylvia Hoeks, Jared Leto
Género: Ficção Científica
Classificação: M/14
Duração: 164 minutos

sábado, 7 de outubro de 2017

Estreias da Semana #293

Esta Quinta-feira, feriado do 5 de Outubro, chegaram aos cinemas portugueses sete novos filmes. Entre as estreias estão Al Berto e Blade Runner 2049.

A Rainha de Espanha (2016)
La Reina de España
As desventuras de uma equipa de filmagens que tenta rodar um filme americano em Espanha, na década de 50.

A Viagem (2017)
The Journey
Após 40 anos de hostilidades na Irlanda do Norte, as principais figuras do conflito encontram-se na Igreja de Santo André para uma derradeira tentativa de forjar um acordo de paz duradouro. O sucesso da reunião está nas mãos do lealista Ian Paisley (Timothy Spall) e do antigo comandante do IRA Martin McGuinness (Colm Meaney), dois inimigos que terão de aceitar uma partilha de poder. Com as negociações em crise extrema, o par é forçado, pelas circunstâncias ou talvez pelo destino, a embarcar numa viagem de carro em conjunto. Depois de uma acesa troca de palavras, a conversa começa a evoluir e algumas fendas começam a surgir nas suas armaduras. Vigiados pelos colegas em Santo André, os rivais vão descobrir que não são assim tão diferentes um do outro e começam a criar uma improvável amizade.

Depois do seu regresso a Portugal, após uma longa estadia em Bruxelas, onde estudou Belas Artes, Al Berto instala-se no palácio da família, em Sines, onde ensaia uma vida em comunidade. Encontra João Maria, apaixona-se e abre uma livraria na vila. Acompanhamos os anos em que ali levou uma vida excêntrica e vanguardista pouco tempo depois do 25 de Abril. Mas a gente da terra não estava preparada para tanta liberdade.

Blade Runner 2049 (2017)
O Agente K (Ryan Gosling), da polícia de Los Angeles, depara-se com um segredo há muito enterrado e capaz de lançar o caos no que resta da sociedade. A descoberta leva-o a tentar localizar Rick Deckard (Harrison Ford), o antigo Blade Runner, cujo paradeiro é desconhecido há trinta anos.

Borg vs. McEnroe (2017)
Borg/McEnroe
Wimbledon, 1980. O Verão mais chuvoso das últimas décadas. O mundo aguarda pelo momento em que verá Björn Borg, número um mundial, conquistar o quinto título em Wimbledon. Poucos sabem do drama que se desenrola nos bastidores: com apenas 24 anos, Borg está no limite - exausto, desgastado e repleto de ansiedade. O seu adversário é John McEnroe, 20 anos, decidido a substituir o seu antigo herói no trono do torneio de ténis inglês.

O Maravilhoso Jardim de Bella Brown (2016)
This Beautiful Fantastic
Conto de fadas contemporâneo em torno da mais improvável das amizades entre uma jovem agorafóbica e solitária que sonha escrever livros infantis e um idoso viúvo e resmungão, tendo por pano de fundo um  jardim no coração de Londres.

Super Heróis (2016)
Bling
Sam é um desajeitado mecânico num parque temático e sonha declarar-se a Sue. Com a crença equivocada de que apenas um precioso anel pode ganhar o coração da rapariga dos seus sonhos, Sam planeia a noite perfeita. Mas eis que surge o super vilão Oscar com o seu anel maligno capaz de destruir a cidade. Uma troca inadvertida de anéis estraga os planos de Sam e obriga-o a juntar-se aos seus amigos robôs para encontrarem o anel certo e impedir o vilão de concretizar os seus objectivos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Crítica: Al Berto (2017)

"O que toda a gente comenta pouco me importa."
Al Berto

*8.5/10*

Vicente Alves do Ó construiu um poema visual, um quadro vivo, tal a fortíssima estética de Al Berto, a sua mais pessoal e inspiradora longa-metragem. O filme, que estreia no ano em que se completam duas décadas da morte do poeta português, relata os anos em que Al Berto viveu em Sines e manteve uma relação amorosa com o irmão do realizador. 

Depois do seu regresso a Portugal, após uma longa estadia em Bruxelas, onde estudou Belas Artes, Al Berto instala-se no palácio da família, em Sines, onde ensaia uma vida em comunidade. Encontra João Maria, apaixona-se e abre uma livraria na vila. Acompanhamos os anos em que ali levou uma vida excêntrica e vanguardista pouco tempo depois do 25 de Abril. Mas a gente da terra não estava preparada para tanta liberdade.


As cores são vibrantes e livres, como os jovens do palácio querem ser, a direcção de fotografia de Rui Poças faz um trabalho estupendo, tirando o melhor partido da luz e da escuridão, compondo planos inesquecíveis. A acompanhar, o guarda-roupa e a direcção artística são exímios ao transportar a longa-metragem para a sua época, os anos 70. Ora, se nas imagens Vicente Alves do Ó nos apresenta uma obra de arte, as palavras e interpretações não lhe ficam atrás.

As festas, os poemas, a ambição e desejo de criar, sonhar com a arte, viver numa liberdade ilusória mas inebriante... Al Berto contagia-nos com o universo tão único que se vive dentro daquele velho palácio que é de todos e de ninguém. Em contraste com uma  terra parada nos velhos costumes do salazarismo - e, ao mesmo tempo, dominada pelo poder desmedido que todos acreditavam ter depois do 25 de Abril -, a vida no palácio é totalmente paradoxal à do resto de Sines. Eles não têm medo de quebrar regras, de ameaças, de se expressar e amar livremente, não têm medo de viver. E Al Berto, afinal, só quer o melhor para esta vila que tão mal o recebe de volta: quer modernidade, solidariedade e cultura.


Com uma banda sonora à altura, Al Berto põe-nos a dançar e vibrar com um elenco que reúne, muito provavelmente, os mais talentosos jovens actores nacionais (muitos deles quase totalmente desconhecidos do grande público). Ricardo Teixeira é um surpreendente Al Berto, de grande semelhança física com o poeta, ele entrega-se de corpo, alma e coração. Lábios grossos e voz tranquila, ele acalma-nos e ensina-nos muito, é o melhor guia que Vicente nos podia dar nesta viagem aos anos 70. A química é imensa com José Pimentão, que interpreta João Maria, um poeta apaixonado e insaciável, que vagueia entre a revolta, os ciúmes e o amor.

Com retratos realistas e magoados de três mulheres do seu tempo, Raquel Rocha Vieira, Ana Vilela da Costa e Gabriela Barros têm desempenhos muito fortes como Clara, Sara e Leonor, companheiras inseparáveis dos habitantes do palácio, cujos sentimentos oscilam entre a ambição de mudar, a resignação e a frustração.


Íntimo e corajoso, Al Berto respira poesia e liberdade, e, mais que uma sentida homenagem, é amor. Amor à arte, à liberdade, às pessoas, a Sines, a Al Berto e, claro, a João Maria.