segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sugestão da Semana #273

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca I Am Not Your Negro - Eu Não Sou o Teu Negro, de Raoul Peck.

I AM NOT YOUR NEGRO - EU NÃO SOU O TEU NEGRO


Ficha Técnica:
Título Original: I Am Not Your Negro
Realizador: Raoul Peck
Actores: Samuel L. Jackson, James Baldwin, Harry Belafonte
Género: Documentário
Classificação: M/12
Duração: 93 minutos

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Estreias da Semana #273

Com a Festa do Cinema a aproximar-se (começa já na próxima Segunda-feira, dia 22 de Maio e prolonga-se até dia 24), os cinemas receberam onze novos filmes esta Quinta-feira. Há muito para ver.

A Louca História de Max e Léon (2016)
La Folle Histoire de Max et Léon
As aventuras de Max e Leo, dois amigos de infância, que tentam por todos os meios escapar à Segunda Guerra Mundial.

A caminho de um distante e remoto planeta com uma missão de colonização, a tripulação da nave Covenant descobre que aquilo que parecia ser um paraíso é, na verdade, um mundo sombrio e perigoso. Perante a terrível ameaça, inicia-se uma angustiante e desesperada fuga.

Amarelinho (2014)
Gus - Petit oiseau, grand voyage
Um jovem pássaro órfão que nunca deixou o ninho vê-se a liderar um bando na sua migração anual para África.

Colossal (2017)
Gloria é uma mulher comum, forçada a deixar Nova Iorque e voltar para a sua cidade natal após perder o emprego e ser expulsa do apartamento pelo namorado. Ao ver relatos sobre uma criatura gigante que está a destruir Seul, na Coreia do Sul, Gloria gradualmente percebe que está, de alguma, forma ligada a este fenómeno. À medida que os acontecimentos ficam fora de controlo, Gloria é obrigada a perceber de que maneira a sua existência aparentemente insignificante tem um efeito tão colossal sobre o destino do mundo.

Conspiração Terrorista (2017)
Unlocked
Alice Racine (Noomi Rapace) era uma das principais interrogadoras da CIA, mas foi colocada de parte após falhar a obtenção de informações a tempo de salvar dezenas de pessoas que se tornaram vítimas de um ataque terrorista em Paris. Agora, leva uma vida tranquila em Londres como analista, mas é inesperadamente chamada de volta à acção quando a CIA detém um suspeito que se acredita ter conhecimento directo de outro ataque iminente.

Eu Não Sou o Teu Negro (2017)
I Am Not Your Negro
Em 1979, James Baldwin escreveu ao seu editor dizendo que o seu próximo projecto, Remember This House, seria um livro revolucionário sobre as vidas e os assassinatos de três dos seus amigos mais próximos: Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King, Jr. Quando morreu, em 1987, deixou apenas 30 páginas do manuscrito. Este documentário dá voz às palavras de Baldwin e, usando materiais de arquivo, traz de volta à ribalta as questões raciais na América.

Heróis da Nação (2017)
Their Finest
Durante os bombardeamentos na Segunda Guerra Mundial, uma equipa de filmagens britânica tenta fazer um filme de propaganda para levantar a moral da população.

Norman (2017)
Norman Oppenheimer (Richard Gere) deseja mais que tudo entrar no círculo de poder e riqueza da cidade de Nova Iorque, mas sem sucesso. Sempre à procura de alguém disposto a prestar-lhe atenção, Norman observa de perto Micha Eshel (Lior Ashkenazi), um carismático político israelita que se encontra sozinho na cidade e num período frágil da sua carreira. Apercebendo-se da sua vulnerabilidade, Norman consegue chegar ao seu contacto. Três anos mais tarde, quando Eshel se torna primeiro ministro, esta relação dá frutos e Norman inunda-se da atenção e respeito daqueles que sempre desejou: o seu sobrinho (Michael Sheen), um rabino (Steve Buscemi), entre tantos outros. Os esquemas de Norman não duram para sempre e a sua queda inicia-se, criando as condições perfeitas para uma catástrofe internacional.

Perdidos (2017)
Um cruzeiro de fim-de-semana, a bordo de um luxuoso veleiro, sofre um terrível revés quando o grupo de amigos decide nadar em alto mar sem baixar as escadas. O barco revela-se impossível de escalar, deixando-os à deriva, a quilómetros da costa. Lentamente, apercebem-se da dimensão da sua trágica situação e a esperança de escapar com vida começa a desaparecer. A exaustão de se manterem à superfície e a luta para voltar a subir a bordo do barco começam a tomar proporções insuportáveis.

Planetário (2016)
Planetarium
Paris, finais dos anos 30. Kate e Laura Barlow, duas jovens espíritas americanas, terminam a sua digressão mundial. Fascinado pelo seu dom, um poderoso produtor cinematográfico francês, André Korben, contrata-as para fazer um ambicioso filme. Absorvidas pelo cinema, não se apercebem do negro destino que espera a Europa.

Uma Vida À Espera (2016)
A história de um homem. Ou dois. Um pai que sai de casa levando consigo a caixa do correio e uma mala. Senta-se num banco de jardim à espera da resposta do filho. Todos os dias lhe envia uma carta e todos os dias espera resposta. Ninguém o demove do seu objectivo, mas uma década é muito tempo.

terça-feira, 16 de maio de 2017

IndieLisboa'17: Os Vencedores

O IndieLisboa'17 terminou neste Domingo, dia 14 de Maio, e Viejo Calavera, de Kiro Russo, foi a longa-metragem vencedora do grande prémio do festival.


Eis a lista completa de vencedores desta edição:

Competição Internacional

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa
Viejo Calavera, Kiro Russo (Bolívia, Qatar)

Prémio Especial do Júri Canais TVCine & Séries
Arábia, Affonso Uchôa, João Dumans (Brasil)

Grande Prémio de Curta Metragem
Wiesi/Close Ties, Zofia Kowalewska (Polónia)

Melhor Animação –  Curta Metragem 
489 Years, Hayoun Kwon (França)

Melhor Documentário –  Curta Metragem
The Hollow Coin, Frank Heath (EUA)

Melhor  Ficção –  Curta Metragem 
Le film de l’été, Emmanuel Marre (França, Bélgica)


Competição Nacional

Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Encontro Silencioso, Miguel Clara Vasconcelos (Portugal)

Prémio Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa
Miragem Meus Putos, Diogo Baldaia (Portugal)

Prémio Novo Talento FCSH/Nova – Curta Metragem
Flores, Jorge Jácome (Portugal)

Prémio Walla Collective para Melhor Filme da Secção Novíssimos
Os Corpos que Pensam, Catherine Boutaud (França, Portugal)



Prémio Indiemusic Schweppes
Tony Conrad: Completely in the Present, Tyler Hubby (EUA, Reino Unido)

Prémio Árvore da Vida
Ex-aequo:
Antão, o Invisível, Maya Kosa, Sérgio da Costa (Suíça, Portugal)
Num Globo de Neve, André Gil Mata (Portugal)

Prémio Amnistia Internacional
Find Fix Finish, Mila Zhluktenko, Sylvain Cruiziat (Alemanha)

Prémio Universidades
El mar la mar, Joshua Bonnetta, J.P. Sniadecki (EUA)

Prémio Escolas
Le fol espoir/Wild Hope, Audrey Bauduin (França)


Prémio do Público Longa Metragem
Venus, Lea Glob, Mette Carla Albrechtsen (Dinamarca, Noruega)

Prémio do Público Curta Metragem Crocs
Scris/Nescris, Adrian Silisteanu (Roménia)

Prémio do Público IndieJúnior Escolas DoctorGummy
Bichinhos do Lixo/Litterbugs, Peter Staney-Ward (Reino Unido)

Prémio do Público IndieJunior Famílias Trina
O Trenó/The Sled, Olesya Shchukina (Rússia)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sugestão da Semana #272

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de animação A Minha Vida de Courgette, de Claude Barras.

A MINHA VIDA DE COURGETTE


Ficha Técnica:
Título Original: Ma vie de Courgette
Realizador: Claude Barras
Actores: Gaspard Schlatter, Sixtine Murat, Paulin Jaccoud
Género: Animação, Comédia, Drama
Classificação: M/6
Duração: 66 minutos

domingo, 14 de maio de 2017

Estreias da Semana #272

Quatro filmes chegaram às salas de cinema nacionais na passada Quinta-feira. A Minha Vida de Courgette e Música a Música são duas das estreias.

A Minha Vida de Courgette (2016)
Ma Vie de Courgette
Após a morte súbita da mãe, Courgette faz amizade com Raymond, um amável agente da polícia, que acompanha Courgette até à sua nova casa, cheia de outros órfãos da sua idade. De início, Courgette luta para encontrar o seu lugar neste ambiente estranho, às vezes hostil. No entanto, com a ajuda de Raymond e de novos amigos, Courgette aprende finalmente a confiar, a encontrar o verdadeiro amor e, finalmente, uma nova família.

Música a Música (2017)
Song to Song
Inspirado na cena musical da cidade texana de Austin, Música a Música segue quatro amantes interligados pelos altos e baixos e conflitos das suas carreiras musicais. Guiados pela juventude e pela paixão, envoltos em luxúria, drogas e acessos de criatividade, um casal descobre o caminho para as distracções selvagens das vidas modernas enquanto procura novas formas de satisfação.

Rei Artur - A Lenda da Espada (2017)
King Arthur: Legend of the Sword
Reinvenção da lenda do Rei Arthur, que se acredita ter sido um rei do século VI, defensor da Grã-Bretanha contra os invasores saxões. O pai de Artur é assassinado e o seu tio Vortigern (Jude Law) usurpa a coroa. Privado dos seus direitos e sem qualquer ideia de quem realmente é, Artur acaba por crescer da maneira mais dura, nas ruas e vielas da cidade. No momento em que retira com sucesso a mítica espada da pedra, a sua vida sofre uma reviravolta, Artur vê-se forçado a honrar o seu legado... quer queira, quer não.

Viral (2016)
Na cidade de Shadow Canyon, as irmãs Emma (Sofia Black D'Elia) e Stacey (Analeigh Tipton) estão a ajustar-se à vida no sul da Califórnia. O pai de ambas (Michael Kelly) aceitou trabalho como professor de ciências no liceu local, realojando a família no subúrbio em desenvolvimento. De repente, tudo muda quando Gracie, uma amiga de Emma, apanha uma estranha doença. A quarentena de emergência separa-as do pai e obriga-as a cuidarem de si mesmas, enquanto o governo declara a Lei Marcial. Até que se apercebem-se de como este vírus é muito pior do que podiam ter imaginado: trata-se de um agressivo verme parasita que força o hospedeiro a atacar violentamente, espalhando-se assim a outras vítimas.

sábado, 13 de maio de 2017

Crítica: Alien: Covenant (2017)

"All of this to start our new life"
Daniels

*6.5/10*

Ridley Scott regressou ao seu bebé - leia-se o Alien de 1979 -, que entretanto cresceu e multiplicou-se. E é mesmo o fenómeno da criação o grande mote de Alien: Covenant que peca por ser tão previsível neste regresso ao gore original.

"Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra" (Gn 1, 28), já dizia a Bíblia e diz-nos, de forma um tanto adaptada, o mais recente e tão ansiado filme de Ridley Scott. O suspense alia-se bem ao terror visceral e apodera-se das sombras e dos corredores da nave dos protagonistas. Contudo, o argumento tem um péssimo arranque, que deita por terra as boas ideias que se seguem.

A caminho de um distante e remoto planeta com uma missão de colonização, a tripulação da nave Covenant descobre que aquilo que parecia ser um paraíso é, na verdade, um mundo sombrio e perigoso. Perante a terrível ameaça, inicia-se uma angustiante e desesperada fuga.


Visualmente, Alien: Covenant supera as expectativas e, mesmo que o Alien tenha deixado totalmente de lado a timidez de 1979 - agora é até bastante exuberante e vaidoso -, os efeitos especiais e a direcção de fotografia do novo filme valorizam-no e deixam-nos arrebatados. A banda sonora transporta-nos para o ambiente da saga, adensa a tensão que se sente, estimula os possíveis sustos e faz-nos perder no espaço desconhecido e infinito.

Michael Fassbender teve o merecido espaço nesta sequela, depois de, em Prometheus, ter realmente prometido muito. É ele a alma do filme - se bem que os robôs não a têm - e supera-se na pele deste autómato tão humano e tão fulcral na narrativa. É ele que tudo condiciona. É frio, calculista, mas ao mesmo tempo terno e capaz de estabelecer uma relação emocional com a plateia que, curiosamente, nenhuma das restantes personagens (humanas) chega a alcançar.


A protagonista, interpretada por Katherine Waterston, não chega a estar à altura de Noomi Rapace - muito menos de Sigourney Weaver - mas faz ainda assim um bom trabalho físico e emocional, mostrando ter a destreza e captado bem o espírito da personagem principal. Mais uma vez, uma mulher de armas (mas com um fortíssimo lado sentimental) ao comando das decisões mais importantes a caminho de planetas desconhecidos, queira ou não queira.

Ridley Scott regressa em grande forma e irá satisfazer os fãs da saga que criou. Apesar das fraquezas do argumento, Alien: Covenant levanta curiosos simbolismos e paralelismos religiosos que são tão irónicos como eficazes.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sugestão da Semana #271

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Foge, de Jordan Peele. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

FOGE


Ficha Técnica:
Título Original: Get Out
Realizador: Jordan Peele
Actores: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Keith Stanfield
Género: Mistério, Terror, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 104 minutos

Crítica: Foge / Get Out (2017)

"If I could, I would have voted for Obama for a third term."
Dean Armitage

*8/10*

O racismo serve de mote à primeira longa-metragem realizada por Jordan Peele, Foge. O terror é essencialmente psicológico com uma forte crítica social latente. Sem sustos, há todavia uma tensão tremenda a percorrer Foge, deixando-nos em suspenso até ao final, a tentar desvendar os segredos daquela família e o destino do nosso protagonista.

Rose (Allison Williams) convida o namorado Chris (Daniel Kaluuya) para um fim-de-semana no campo, onde irá apresentar-lhe os seus pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Bradley Whitford). De início, Chris vê o comportamento complacente da família como uma tentativa nervosa de lidar com a sua ascendência africana, mas à medida que o fim-de-semana avança, uma série de descobertas cada vez mais perturbadoras conduzem-no a uma verdade inimaginável.


Podia ser uma simples história de amores proibidos mas não é. Está muito longe disso. Há personagens e atitudes sinistras por toda a parte, rituais desconhecidos, todos agem de forma estranha, fazendo-nos temer por Chris, mas, ao mesmo tempo, tratando-o o melhor possível. O telemóvel e a curiosidade do protagonista são duas armas poderosas à medida que o filme avança e que os segredos começam a ser revelados.

Foge é ousado e muito original na forma como se constrói como filme de terror - ou será mais um thriller de suspense? - em redor de um estigma que já deveria estar ultrapassado, e, ao mesmo tempo, crítica a sociedade muito para além do racismo. Esta forma de discriminação social é aqui filmada com características muito próprias, que suscitam curiosidade. Os afro-americanos são mais invejados do que discriminados, neste filme, mas tudo acontece de um modo um tanto macabro.


A montagem é fundamental para o suspense, a par do argumento imprevisível e pouco usual. Daniel Kaluuya, o protagonista Chris, mostra-se à altura do desafio. O actor é extremamente expressivo e cativa a audiência ao juntar na perfeição curiosidade, inocência e terror.

Foge é um alerta, irónico e sarcástico, mas, igualmente adulto e singular na sua forma e propósito. Uma excelente surpresa na estreia de Jordan Peele na realização.