quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Estreias da Semana #127

Oito longas e uma curta-metragem chegam esta Quinta-feira às salas de cinema nacionais.

Belém (2013)
Bethlehem
Belém conta a história da relação entre Razi, um agente dos Serviços Secretos Israelitas, e Sanfur, o seu informador palestiniano adolescente. Sanfur é o irmão mais novo de Ibrahim, um militante palestiniano altamente procurado. Razi, determinado a capturar ou assassinar Ibrahim, recrutou Sanfur quando este tinha apenas 15 anos, investindo toda a sua energia no rapaz e desenvolvendo com ele uma relação muito íntima, quase paternal.

Ciúme (2013)
La Jalousie
Um homem de 30 anos vive com uma mulher num pequeno apartamento arrendado e mobilado. Ele tem uma filha com outra mulher - uma mulher que ele abandonou.

Hércules (2014)
Hercules
Simultaneamente homem e mito, Hércules (Dwayne Johnson) lidera um grupo de mercenários que tentam ajudar a pôr fim a uma sangrenta guerra civil na Trácia e a devolver o trono ao rei legítimo. Uma alma atormentada desde que nasceu, Hércules tem a força de um Deus mas sofre como um ser humano. Vilões inimagináveis testarão o mítico poder de Hércules.

Luminita (2013)
Na curta-metragem portuguesa Luminita, dois irmãos que não se comunicam há anos encontram-se no funeral da sua mãe, onde têm de lidar com a sua família de luto, as suas obrigações enquanto filhos e os seus próprios sentimentos de perda.

O Centenário que fugiu pela janela e desapareceu (2013)
Hundraåringen som klev ut genom fönstret och försvann
Allan Karlsson, um homem de 100 anos de idade, decide que não é tarde demais para começar de novo. No dia em que celebra 100 anos, resolve fugir pela janela do lar e desaparecer. Para a maioria das pessoas seria a aventura de uma vida, mas esta viagem inesperada de Allan não é a primeira. Durante um século, participou de forma involuntária nos maiores acontecimentos do planeta, e agora está novamente livre para continuar o seu trabalho.

O Guardião das Causas Perdidas (2013)
Kvinden i buret
Carl Mørck não é o detective mais popular da Divisão de Homicídios de Copenhaga. Assim, quando é criado o Departamento Q, com a missão de rever casos arquivados, Carl Mørck é designado para o dirigir. O seu primeiro caso é o de Merete Lynggaard, uma deputada que desaparecera cinco anos antes sem que a polícia conseguisse mais do que conjecturar uma aparente tentativa de suicídio. Todos acham que ela está morta e que investigar o sucedido é uma perda de tempo. Mas, à medida que Carl Mørck começa a seguir as pistas que o seu colega havia descartado aquando da investigação inicial, descobre um caso com contornos inesperados e sinistros.

Quando a Noite Cai em Bucareste ou Metabolismo (2013)
Când se lasa seara peste Bucuresti sau metabolism
Durante as rodagens do seu filme, Paul, o realizador, tem um caso com Alina, uma actriz que desempenha um papel secundário. No dia seguinte, supostamente o último dia de Alina nas filmagens, Paul decide filmar uma cena de nudez. Em vez de filmar a cena, o realizador diz ao produtor que lhe dói a úlcera que tem no estômago. O filme e a vida do cineasta gradualmente entrelaçam-se e as filmagens tomam um rumo inesperado.

Ruas Rivais (2014)
Num bairro dos subúrbios onde vinga a lei da rua, um grupo de adolescentes vai ser obrigado a superar-se e a desafiar os seus medos para conquistar um lugar no mundo. Nurb di Street, Cristóvão, Mr. Pakistan e os seus tropas têm de derrotar Mister U, o chefe do gang que domina o bairro. Nesta história de amizade, amor e poder as guerras não se travam com tiros, mas sim com palavras, em grandes batalhas de freestyle.

Step Up 5 - Todos dançam (2014)
Step Up: All In
Quando Sean Asa (Ryan Guzman), street dancer, se muda de Miami para Hollywood com sonhos de fama e fortuna, descobre como vai ser difícil concretizá-los no mundo da dança profissional. Mas, assim que o novo grupo de dança que ele forma em conjunto com Andie West (Briana Evigan) chega às etapas finais de um concurso de televisão, na cidade de Las Vegas, ele tem finalmente uma oportunidade para tornar os seus sonhos realidade, conseguir afastar-se de rivalidades de longa data e fazer o que mais gosta: dançar.

Crítica: A Emigrante / The Immigrant (2013)

"Is it a sin for me to survive when I have done so many bad things?"
Ewa

*8/10*

A busca pelo sonho americano revelou-se pouco mais que um pesadelo para Ewa, a protagonista de A Emigrante. O mais recente filme de James Gray prossegue com o seu estilo melancólico e traz-nos mais uma história de personagens de triste sina.

Em 1921, Ewa Cybulski (Marion Cotillard) e sua irmã Magda saem da Polónia rumo a Nova Iorque à procura de um novo começo. Quando chegam a Ellis Island, os médicos descobrem que Magda está doente e as duas são separadas. Ewa é libertada para as ruas de Manhattan, enquanto a irmã é colocada em quarentena. Sozinha, sem ter onde ficar e desesperada por reunir-se com Magda, Ewa rapidamente se torna dependente de Bruno (Joaquin Phoenix), um homem cativante mas perverso que a leva a prostituir-se. Mas com a chegada de Orlando (Jeremy Renner) - um mágico destemido, primo de Bruno Ewa restabelece a esperança num futuro melhor, o que ela não contava era com os ciúmes de Bruno.


Em A Emigrante não será o argumento o que mais nos cativa. Nos anos 20, muitos imigrantes procuravam uma vida melhor nos EUA. Malfadadas, Ewa e Magda têm desde cedo impedimentos a uma entrada tranquila no país. E a partir deste ponto, nada de extraordinário acontece, assistimos apenas à árdua jornada de Ewa na luta pelo que mais deseja: reencontrar a irmã. Mesmo não sendo singular ou original, a narrativa consegue nunca se tornar previsível. O público sofre com as personagens e são elas um dos pontos positivos da longa-metragem. Até do antagonista se terá tendência para ter piedade.

As personagens são um pouco obscuras para o espectador, mas nem por isso deixamos de criar com elas esta empatia especial. Ewa é a mulher que encabeça o enredo: ingénua, mas lutadora e determinada, capaz de muitos sacrifícios pela irmã. A sua transformação em Lady Liberty é impressionante, e Marion Cotillard tem aqui uma interpretação de grande entrega. Bruno, por seu lado, é machista, violento, apesar da paixão que nutre pela protagonista. Ele encanta-nos com as suas falinhas mansas, ao mesmo tempo que nos desilude com as suas atitudes inicialmente inesperadas, tal como a Ewa. Joaquin Phoenix é que nunca nos desilude. Encarna este homem rude e sem escrúpulos de corpo e alma, e aliado a Cotillard, oferece-nos uma das melhores interpretações do ano. A chegada de Orlando traz um sopro de esperança (magia) e romantismo a A Emigrante. Ele simboliza isso mesmo: a esperança de um futuro melhor, longe de mentiras e abusos. Jeremy Renner transmite esta segurança e tranquilidade com o seu desempenho.

O contexto socio-cultural da época está aqui bem representado por Gray, quer no que respeita ao lugar das mulheres na sociedade, quer na procura incessante dos imigrantes pelo sonho americano - que ainda hoje persiste - ainda mais no pós-guerra.


Contudo, é mesmo visualmente que A Emigrante nos arrebata.Ver-nos-emos tão envolvidos no ambiente da época, nas cores, nos fantásticos planos (não nos iremos esquecer do plano final, certamente), nos cenários tristes, tudo potenciado pelo excelente trabalho de fotografia, a cargo de Darius Khondji, que não descarta o jogo de espelhos, as cores escuras, as sombras e uma espécie de névoa que percorre o filme. A acompanhar, está a bela banda sonora de Christopher Spelman. Toda a componente técnica adensa o fabuloso contraste entre o erotismo, a cor e a animação do espectáculo de Bruno e das bonitas imigrantes que ali desfilam, e as emoções, desespero, nostalgia e pouca esperança de Ewa.

A Emigrante surge assim simples e em crescendo, culminando num trabalho profundamente estético e emocional, tão ao jeito de James Gray. O amor e o ódio estão a um passo de distância e a esperança pode surgir ou desaparecer quando menos se espera.

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Doclisboa'14 com Retrospectivas de Johan Van Der Keuken e "Neo-Realismo e Novos Realismos"

As primeiras novidades do Doclisboa'14 foram apresentadas na passada Segunda-feira, dia 28, no Cinema São Jorge. A 12ª edição do festival irá decorrer em Lisboa e Almada entre os dias 16 e 26 de Outubro.


Os directores do Doclisboa, Cintía Gil e Augusto M. Seabra, revelaram para já as duas retrospectivas da edição de 2014: uma temática intitulada de Neo-Realismo e Novos Realismos e outra dedicada ao realizador holandês Johan Van Der Keuken, em parceria com a Cinemateca – Museu do Cinema.

Neo-realismo e Novos Realismos fará uma jornada que começa no neo-realismo italiano e termina na contemporaneidade. Trata-se de uma viagem geográfica, política e social, em que o lugar do cineasta e os códigos do cinema são questionados pelos diferentes presentes e lugares. L’Amore in Città, uma antologia de seis filmes realizados por Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Carlo Lizzani, Dino Risi, Alberto Lattuada e Francesco Maselli e Cesare Zavattini, compõe uma das sessões desta retrospectiva.

Em foco no Doclisboa'14 estará o realizador Johan Van Der Keuken, que terá direito a um retrospectiva inteiramente dedicada ao seu trabalho, de referência na História do documentário. Amsterdam Global Village (1996) ou a trilogia Norte-Sul, constituída por Diary (1972), The White Castle (1973) e The New Ice Age (1974) são alguns dos filmes que farão parte do programa.

Para além das Retrospectivas, as secções do festival mantêm-se: competições portuguesa e internacional, Investigações, Riscos, Heart Beat, Cinema de Urgência, Verdes Anos, Passagens e Doc Alliance.

O festival continuará a marcar presença na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa , em Lisboa, e no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada. Nesta edição o Doclisboa terá dois novos espaços de exibição: o Cinema Ideal e o Cinema City Campo Pequeno.

Mais informações podem ser encontradas no site do Doclisboa.

domingo, 27 de Julho de 2014

Sugestão da Semana #126

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre A Emigrante, de James Gray. O filme leva-nos a conhecer a história de Ewa e a descobrir como se torna na Lady Liberty, ao longo do duro caminho que percorre, sempre na esperança de reencontrar a irmã. James Gray traz-nos um filme melancólico e extremamente visual.

A EMIGRANTE


Ficha Técnica:
Título Original: The Immigrant
Realizador: James Gray
Actores: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner
Género: Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 120 minutos

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Já Vi(vi) este Filme, por FilmPuff

Já Vi(vi) este Filme
por FilmPuff, do Not a film critic


Se ele há convites complicados de cumprir, este foi o mais complicado de todos. Ora então, viver um filme não é? Quem conhece o meu canto saberá certamente que os géneros de terror, thriller e ficção científica oriundos do este/sudeste asiático são os que mais me agradam. Tentei pois encontrar aí um ponto de encontro entre as expectativas (creio eu), da Inês que me fez tão simpático convite e o meu de, corresponder, sem fugir ao que mais me agrada. Falhei, pois, quase miseravelmente. Sei lá? A meios que não possuo nenhuma experiência em que me revejo acossada e em que grito feita histérica enquanto um qualquer monstro nas trevas me persegue. Não. Felizmente. Nem tenho pretensões de tal. Gosto de terror mas não sejam tão extremistas… Sou assim uma aborrecida e sensaborona funcionária pública (não sou mas finjam comigo), que entende como o mais próximo de excitante, a altura em que o ponteiro das horas atinge o número 6, a uma sexta-feira. E da escolha, feita parva, fui fugindo. Sou uma criatura de hábitos e, eis que a uma terça-feira decidi rever aquela comédia romântica que todos têm dentro de si mas são incapazes de admitir. Uma das “minhas” é My Sassy Girl. Julguem-me! E nessa terça-feira em que a revi, fiz um facepalm mental. Como é que esta criaturinha parva se podia ter esquecido daquela comédia romântica que até podia ser da Disney, se tirarmos a parte do alcoolismo e do vómito (mini-spoiler). E agora que já admiti que nas profundezas do meu ser se encontra uma romântica incurável deixem-me contar-vos onde é que My Sassy Girl é tão similar a eventos da minha vida que quase a podia ter copiado, à excepção, peculiar talvez, que o filme antecipou e prevê eventos da minha vida que se viriam a concretizar (yep, sou assim tão egocêntrica).


My Sassy Girl conta a história de um rapaz que salva uma rapariga obviamente alcoolizada de cair na linha do metropolitano. Quer o destino que eles acabem por viver uma improvável história de amor, de tantas vezes se cruzarem e de ele, com uma paciência apenas comparável à de um santo e, sim, arraçado de capacho, a querer salvar dela própria a despeito de um feitio irascível. My Sassy Girl é uma ode ao amor fora de tempo. A “rapariga” pois que nunca ouvimos o nome dela tenta sabotar de todas as formas e feitios o início de uma nova ligação amorosa. Identifico-me com ela, mas creio muitos outros, de qualquer dos sexos poderá ali encontrar um elo de ligação. O facto de ela não ter um nome é uma pista, porque no fundo “ela” sou eu, tu, o vizinho do lado e somos todos nós. Ela sente-se em ruínas, uma sombra do que uma vez foi por causa do passado e é ele que guia as suas acções aparentemente aleatórias. Por isso, por um lado deseja destruir qualquer hipótese de uma nova relação e, por outro, tenta recriar a anterior que tanta felicidade e sofrimento lhe provocaram. O desejo de reviver tais momentos agridoces, não são mais do que artifícios que não constituem qualquer aprendizagem para o momento presente. Talvez se, se reviver vezes sem conta os momentos especiais, consigamos mudar o futuro, talvez eles se tornem menos penosos… Haverá pois exercício mais masoquista? A rapariga exige e comanda atenção até ao cansaço da outra parte. Um comportamento motivado apenas e só para um final esperado, para que depois ela possa dizer a si própria: “eu bem te disse”. Como se fosse veneno e a única pessoa no mundo em sofrimento. Um mártir. Apenas e só na cabeça dela, egoísta, que enquanto não desligar da dor, não irá compreender o impacto que tem nos outros. O desgosto constitui um dos momentos mais solitários na vida de uma pessoa pois esta pede ajuda em tudo quanto faz, suplica conforto emocional e ao mesmo tempo, magoada como está, não é capaz de sentir empatia por quem está a desempenhar esse papel e magoa tão ou mais do que aquilo porque passou. E para uma relação sempre são precisos dois! My Sassy Girl é pois sobre o caos amoroso na cabeça de uma pessoa e o papel do tempo na sua resolução. Os outros, lamento, mas não pertencem à equação. São os denominados danos colaterais.


My Sassy Girl não será a melhor comédia romântica alguma vez realizada mas vale certamente pelo desempenho da rapariga (Ji-hyun Jun) e por uma história próxima do coração dos espectadores, independentemente da fase em que se encontram: 1) na expectativa de um romance maior que a própria vida, 2) que vêem com nostalgia um conto que podia ser o seu e 3) que se encontram a atravessar esse mesmo processo. Se este último for o caso, não se esqueçam de ter uns lenços Renova ao lado. E porque não quero que abandonem este texto, se é que aguentaram até ao fim, a necessitar de um antidepressivo, faço notar que My Sassy Girl termina com uma mensagem de esperança. 

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Obrigada pela tua participação, FilmPuff!

Estreias da Semana #126

Sete filmes chegaram esta Quinta-feira às salas de cinema nacionais. Entre os títulos estreados destaque para A Emigrante, de James GraySnowpiercer - Expresso do Amanhã, de Joon-Ho Bong, e três filmes de Yasujiro Ozu: Bom Dia, A Flor do Equinócio e O Fim do Outono.

A Emigrante (2013)
The Immigrant
Em 1921, Ewa Cybulski (Marion Cotillard) e sua irmã Magda saem da Polónia rumo a Nova Iorque em busca de um novo começo e do sonho americano. Quando chegam a Ellis Island, os médicos descobrem que Magda está doente e as duas são separadas. Ewa é libertada para as ruas de Manhattan, enquanto a irmã é colocada em quarentena. Sozinha, sem ter onde ficar e desesperada por reunir-se com Magda, Ewa rapidamente se torna dependente de Bruno (Joaquin Phoenix), um homem cativante mas perverso que a leva a prostituir-se. Mas com a chegada de Orlando (Jeremy Renner) - um mágico destemido, primo de Bruno Ewa restabelece a sua autoconfiança e a esperança num futuro melhor. O que ela não contava era com os ciúmes de Bruno.

A Flor do Equinócio (1958)
Higanbana
Na recepção do casamento da filha de um velho amigo seu, Hirayama questiona-se porque razão Mikami, outro velho amigo, não compareceu. Na verdade, Mikami estava preocupado com a filha Fumiko, que fugiu de casa com o namorado, e não quis ir à cerimónia. Mikami pede para Hirayama ir ver como Fumiko está. Ao mesmo tempo que Hirayama se mostra compreensivo com Fumiko, fica furioso quando Taniguchi, o namorado de sua própria filha, faz uma surpresa e pede permissão para se casar com ela.

Bom Dia (1959)
Ohayô
Bom dia retoma um antigo filme do próprio Ozu (Nasci, mas…), modificando a história para fazer sentido no período em que foi rodado: neste filme dois rapazes juram não voltar a dizer qualquer palavra até que os pais comprem um aparelho de televisão.

O Fim do Outono (1960)
Akibiyori
Após o falecimento de Miwa, os seus melhores amigos decidem preocupar-se com o futuro da sua viúva, Akiko, e da sua filha, Ayako. Todos acreditam que a melhor solução é casar a jovem, mas esta rejeita um após o outro, todos os candidatos que lhe são oferecidos. Assim decidem casar primeiro Akiko.

Que Mal Fiz Eu a Deus? (2014)
Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?
Quando um casal francês e conservador vê as suas quatro filhas casarem com um árabe, um judeu, um chinês e um africano, tudo pode acontecer.

Sex Tape - O Nosso Vídeo Proibido (2014)
Sex Tape
Jason Segel e Cameron Diaz interpretam um casal com um casamento feliz, mas que - com duas crianças e profissões que os ocupam a tempo inteiro - se depara com a dificuldade em ter tempo um para o outro. Para agitar um pouco o ambiente decidem filmar-se num momento de intimidade. Contudo, descobrem que este video privado já não é assim tão privado. Em vez de uma recordação de uma noite mais selvagem o vídeo foi acidentalmente colocado na "cloud" para todos verem. Com as suas reputações em risco, começa a corrida para recuperar o vídeo.

Snowpiercer - Expresso do Amanhã (2014)
Snowpiercer
Baseado na banda desenhada francesa Le Transperceneige, Snowpiercer - Expresso do Amanhã passa-se num futuro próximo, quando uma experiência falhada acaba com a vida no planeta. Os sobreviventes são os poucos que se encontram a bordo do Snowpiercer, um comboio que viaja pelo mundo, onde vigora um sistema de classes sociais.

MOTELx'14: Conhece as primeiras (e muitas) novidades

Na sua 8ª edição, o MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa acontece entre 10 e 14 de Setembro e divulgou as primeiras novidades em Conferência de Imprensa no passado dia 22 de Julho. Este ano o festival decorre no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA e Palácio Foz (Cinemateca Júnior).


Na secção principal do festival, Serviço de Quarto, é de destacar a continuação de algumas trilogias, como Allelluia (2014), de Fabrice du Welz, e o fecho de outras com Among the Living (2014), da dupla Julien Maury e Alexandre Bustillo. Em estreia neste MOTELx estão outros autores já reputados como Nacho Vigalondo que nos traz Open Windows e Adrian García Bogliano, com Late Phases. No lado das comédias, Life After Beth, de Jeff Baena, e Stage Fright, de Jerôme Sable, são alguns dos títulos presentes nesta edição. Tal como em 2013, as mulheres continuam presentes no MOTELxHoneymoon chega-nos dos Estados Unidos da América pela mão de Leigh Janiakdos, e da Austrália vem The Babadook, de Jennifer Kent.

Os filmes portugueses continuam a ter destaque na secção Quarto Perdido, que se dedica este ano à "literatura negra" e recupera duas longas-metragens: O Cerro dos Enforcados, de Fernando Garcia, a partir de O Defunto, de Eça de Queirós, e Os Canibais, de Manoel de Oliveira, a partir da obra homónima de Álvaro do Carvalhal.

O Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, a única secção competitiva do festival, regista um notável aumento de inscrições e terá 13 curtas-metragens em competição. Os candidatos serão Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigues Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro PintoForbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão (menção honrosa na passada edição do MOTELx); Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. NunesSchadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.

O júri será este ano composto pelo actor Gonçalo WaddingtonLuísa Sequeira, jornalista e actual directora artística do Shortcutz Porto, e o realizador francês Julien Maury (Inside e Livid). O vencedor do Prémio MOTELx 2014 será contemplado com 3000 euros e um fim-de-semana de inspiração num hotel da cadeia Hotéis Belver.

Para os mais novos, a secção Lobo Mau apresenta, na Cinemateca Júnior, o ciclo Espelhos, Dragões, Magia Negra e Esqueletos - Os Clássicos da Disney, com três animações: Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio e Fantasia. Para toda a família, volta novamente a Tarde de Jogos (pouco) Assustadores, dedicada aos jogos de tabuleiro.

Paralelamente às secções do MOTELx, diversos acontecimentos têm lugar. Julien Maury e Alexandre Bustillo estarão à conversa com o público sobre a sua carreira e metodologia de trabalho, as dificuldades de filmar terror em França e aquilo que os fascina no género. Haverá também uma masterclass/workshop em efeitos especiais com Dan Frye (Shaun of the Dead ou Prometheus) e a primeira masterclass de duplos no MOTELx, conduzida pela MAD Stunts de David Chan. Por sua vez, os fãs de True Blood terão a oportunidade de assistir à antestreia do primeiro episódio da sétima e última temporada da série.

Uma noite de poesia tumular, no bar Povo, no dia 1 de Setembro, e cinema ao ar livre no Largo de São Carlos são duas das actividades que constituem a semana de Warm Up MOTELx. Haverá ainda tempo para zombie parades Mini e ainda para uma festa de antecipação do festival, a 5 de Setembro, no Musicbox.

Mais informações sobre o MOTELx 2014 podem ser consultadas aqui.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Crítica: Ida (2013)

*9/10*

Da Polónia, Ida apela a uma profunda reflexão sobre religiões, família, passado e presente, e, principalmente, que implicações pode ter esse passado nas decisões futuras. Pawel Pawlikowski mergulha por entre as sequelas do nazismo, por entre os dilemas da religião, na experiência e no conhecimento da vida.

Tudo acontece na Polónia dos anos 60, onde Anna é uma noviça, prestes a celebrar os votos definitivos para se tornar freira no convento onde vive desde que ficou órfã em criança. Contudo, antes da celebração, a madre obriga-a a conhecer a única familiar viva, a tia Wanda. Juntas, as duas mulheres embarcam numa viagem à descoberta de si próprias e do passado que têm em comum.

Ida surpreende-nos pela sua abordagem forte, mas sem juízos de valor. Tal como Anna, saímos do âmago da religião católica para conhecer o seu passado, as suas origens e a tragédia em redor da sua família. Anna descobre um mundo novo, a sua nova realidade, o seu verdadeiro eu. Afinal, a identidade religiosa de cada um pode viver independente do passado e na ausência da experiência ou constrói-se à medida que cada um cresce enquanto pessoa, conhecendo-se primeiro a si e ao mundo? A reflexão fica lançada para o lado do espectador, mas cabe à jovem protagonista tomar as decisões.


Ao conhecer Wanda, Anna fica exposta a uma realidade que desconhece. A tia é o oposto da sobrinha. Uma mulher magoada, de vida vulgar, que introduz, inevitavelmente, Anna às tentações do mundo. A inocência e pureza guardadas tantos anos num convento são agora postas à prova com a convivência entre estas duas mulheres tão diferentes mas de personalidade definida.

Ao passarem alguns dias juntas, Anna e Wanda são uma lufada de ar fresco na vida uma da outra. Ambas trazem novos pontos de vista, novas experiências, ambas lutam por dar dignidade aos familiares mortos. Os opostos atraem-se também nas relações familiares, ao que aqui parece. Crentes em diferentes religiões, tia e sobrinha são um desafio mútuo. Wanda, juíza de profissão, assume uma função quase divina, já que tem (ou teve) o poder de decidir o destino de muitos. Anna, por seu lado, ingénua e submissa, é um desafio para uma mulher aguerrida como Wanda. Cada uma delas é para a outra a personificação daquilo em que não acreditam ou defendem. As duas mulheres trazem reciprocamente mudanças fundamentais, para o melhor e para o pior. É este o argumento subtil mas desafiador que Ida nos oferece e que não queremos parar de descobrir.

Pawel Pawlikowski não tem medo de tocar em temas-chave e quase tabu. Tanto a desumanidade do nazismo, como o choque de religiões estão aqui no centro da questão, aliados à construção da identidade de cada um, aos seus dilemas e inquietações. Tudo é filmado com uma simplicidade e calma como o cinema pede - e que tanto escasseia ultimamente. As emoções são adquiridas mais pelas expressões, gestos e atitudes do que pelas palavras. Os planos fixos são uma constante e transbordam uma tranquilidade inquietante, como as almas destas duas personagens. Nem tudo nos é revelado à primeira, um breve olhar sobre algumas imagens faz-nos imaginar aquilo que não vemos, e que apenas confirmaremos num plano mais aberto que surgirá de seguida.


O excelente trabalho de fotografia alia-se na perfeição aos cenários, desolados, por entre árvores, caminhos, cemitérios e casas antigas, que convidam à solidão. Nas interpretações, Agata Kulesza e Agata Trzebuchowska formam uma dupla sóbria e aliciante para o espectador, com desempenhos que contrastam em energia, mas que se unem nas emoções que transmitem e nas dúvidas que partilham.

A preto e branco e no formato académico 1:37, Ida leva-nos numa viagem íntima e envolvente a um passado não tão longínquo assim, e a duas vidas que não poderemos esquecer nos próximos tempos.