segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sugestão da Semana #325

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Nunca Estiveste Aqui, de Lynne Ramsay. O filme venceu o prémio de Melhor Argumento e Melhor Actor para Joaquin Phoenix no Festival de Cannes 2017. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

NUNCA ESTIVESTE AQUI


Ficha Técnica:
Título Original: You Were Never Really Here 
Realizadora: Lynne Ramsay
Actores: Joaquin Phoenix, Ekaterina Samsonov, Alessandro Nivola, Alex Manette, John Doman, Judith Roberts
Género: Drama, Mistério, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 89 minutos

sábado, 19 de maio de 2018

Estreias da Semana #325

Esta Quinta-feira,  foram nove os filmes que chegaram às salas de cinema portuguesas. Deadpool 2 e Nunca Estiveste Aqui são duas das estreias.

17 Raparigas (2011)
17 filles
Camille tem 16 anos e é muito popular na escola. Um dia, depois de passar a noite com um rapaz, descobre que está grávida e decide partilhar o seu segredo com as colegas e amigas. Com a sua influência e personalidade mordaz, Camille vai convencer as outras raparigas na escola que estar à espera de um filho é muito mais fixe do que ter muitos amigos no Facebook. Apesar de não sentirem grandes ciúmes ou curiosidade por aquilo que se está a passar com Camille, as outras raparigas sentem-se pressionadas psicologicamente e decidem seguir o seu exemplo, e não vai ser difícil encontrar cúmplices voluntários entre os seus colegas rapazes para conseguirem levar o plano adiante.

A Ordem Divina (2017)
Die Göttliche Ordnung 
Nora é uma jovem dona de casa e mãe que mora numa pequena vila com o marido e os seus dois filhos. As áreas rurais suíças permanecem intocadas pelas grandes revoltas sociais que o movimento de 1968 provocou. A vida de Nora também não é afectada; é uma pessoa tranquila de que todos gostam - até ao dia em que decide iniciar um movimento pelo direito ao voto das mulheres, algo que os homens decidem num referendo a 7 de Fevereiro de 1971.

Deadpool 2 (2018)
Depois de sobreviver a um ataque bovino quase fatal, o desfigurado chef de cafetaria Wade Wilson luta para cumprir o sonho de se tornar o barman mais sexy de Mayberry, enquanto lida com o facto de ter perdido o paladar. Na procura do gosto pela vida, e do capacitador de fluxo de Regresso ao Futuro, Wade terá de lutar contra ninjas, contra a Yakuza e enfrentar uma matilha de cães sexualmente agressivos, enquanto viaja pelo mundo a fim de descobrir a importância da família, da amizade e dos sabores, ganhando um novo gosto pela aventura e a caneca de café mais cobiçada, aquela que ostenta a frase: "Melhor Amante do Mundo".

Desejo Inconcebível (2017)
Inconceivable
Katie (Nicky Whelan) procura escapar a um passado repleto de agressões e abusos mudando-se para uma nova cidade onde se torna amiga de outra mãe, Angela (Gina Gershon). A relação de ambas rapidamente evolui para uma obsessão deixando no meio Brian (Nicolas Cage), o marido de Angela, que será forçado a tomar partido de uma das mulheres...

Madame Hyde (2017)
Madame Géquil é uma professora excêntrica, desprezada pelos colegas e estudantes. Numa noite de tempestade é atingida por um relâmpago e desmaia. Ao acordar, sente-se diferente. Será Madame Géquil capaz de conter a poderosa e vingativa Madame Hyde?

Joe (Joaquin Phoenix) é um veterano traumatizado, que não teme a violência. O seu trabalho consiste em encontrar raparigas desaparecidas. Quando um dos seus trabalhos se complica e ele perde o controlo da situação, os pesadelos de Joe consomem-no, à medida que se desvenda uma conspiração que poderá leva-lo à morte.

O Segredo da Câmara Escura (2017)
Le Secret de la Chambre Noire
Jean (Tahar Rahim), jovem parisiense com poucas capacidades e ambições, parece um candidato improvável a assistente do famoso e obsessivo Stéphane (Olivier Gourmet), um fotógrafo perfeccionista que vive em isolamento desde a inesperada morte da sua esposa. Jean encontra-se na vasta e decadente mansão do seu empregador, para ajudar a criar daguerreótipos à escala humana, tão vívidos que parecem conter a alma dos retratados. O seu modelo é quase sempre a filha e musa de Stéphane, Marie (Constance Rousseau). Quando Jean e Marie se apaixonam, apercebem-se que têm de criar um plano para deixar o mundo assombrado de Stéphane. Haverá algo contido nos daguerreótipos que impedirá a sua fuga?

Para Além dos Limites (2018)
Za granyu realnosti
Michael (Milos Bikovic) elabora um esquema para roubar um casino de luxo no coração da Europa, mas quando está prestes a alcançar o objectivo vê o seu plano desmascarado por um enigmático rival. Ficando com as culpas e com apenas uma semana para repor o dinheiro roubado, Michael reúne uma equipa pronta para dar o próximo golpe. Cada passo de Michael é supervisionado em segredo por um misterioso homem de negócios chamado Gordon (Antonio Banderas), de quem parece depender o sucesso ou o fracasso da equipa. À medida que o plano se desenrola, Michael dá por si num beco sem saída, colocando-se a si e à equipa em grande perigo.

Refugiados (2017)
Human Flow
A crise dos refugiados, representada numa escala épica através de imagens capturadas por drones e telemóveis, chega através deste documentário do artista Ai Weiwei. Durante o ano de 2016, o Weiwei viajou por 23 países em busca de historias de coragem, resistência e adaptação à crise que já obrigou mais de 65 milhões de pessoas a abandonar as suas casas em busca de novas vidas.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Crítica: Nunca Estiveste Aqui / You Were Never Really Here (2017)

"Where you spend your time? What do you do?"  
Mãe de Joe

*8/10*

Lynne Ramsay está de regresso, desta vez com um filme protagonizado por Joaquin Phoenix. Nunca Estiveste Aqui venceu os prémios de melhor argumento e melhor actor no Festival de Cannes, em 2017, e olhando para o trabalho de Ramsay, só poderia ser muito prometedor. Confirma-se.

Nunca Estiveste Aqui pode ter a violência e o ambiente de Nicolas Winding Refn, os traumas de Paul Thomas Anderson e até alguns toques de Léon, o Profissional, de Luc Besson, mas, na realidade, Lynne Ramsay assume-se como uma cineasta de personalidade e a não esquecer. Todos se lembram de Temos de Falar Sobre Kevin e suas perturbações. Ela faz filmes que não nos saem da cabeça.


Joe (Joaquin Phoenix) é um veterano traumatizado, que não teme a violência. O seu trabalho consiste em encontrar raparigas desaparecidas. Quando um dos seus trabalhos se complica e ele perde o controlo da situação, os pesadelos de Joe consomem-no, à medida que se desvenda uma conspiração que poderá leva-lo à morte.

O estilo da realizadora é cruel, com um ambiente que pode fazer lembrar um filme de terror e personagens complexas. Depois do adolescente Kevin, agora é Joe o nosso foco. Um homem adulto, cheio de traumas e de poucas palavras - tal como o filme, onde as imagens falam por si. As cicatrizes no corpo são testemunhos de um passado complicado, assim como os comportamentos suicidas e os pesadelos que não o largam. Afinal, ele exerce esta "profissão" numa espécie de acerto de contas com o passado. Joaquin Phoenix é fabuloso, sendo já habituais os seus excelentes desempenhos de personagens perturbadas. Mas o actor consegue sempre ir mais além e transfigura-se de tal forma que o realismo toma conta dele.


Os sonhos de Joe misturam-se com a realidade, os segredos espreitam em cada canto e, afinal, não se pode confiar em ninguém. A desconfiança e o zelo nunca são em demasia, e Joe parece saber disso desde o primeiro plano.

Ao mesmo tempo, a família tem uma presença importante também neste filme (apesar de o ser num contexto completamente diferente), com a mãe do protagonista em destaque. Ela traz ao de cima o que de mais humano existe em Joe. O mesmo acontece com as crianças que ele salva. E também é essa inocência das crianças que simboliza um sinal de esperança para o protagonista.


Nunca Estiveste Aqui é um filme sombrio, onde o estilo marcado de Lynne Ramsay acompanha a acção e deixa a audiência tão chocada como envolvida com a história de Joe. Os flashbacks, o trabalho de montagem, a banda sonora de sonoridades refnianas e a fotografia, essencialmente nocturna, juntam-se para criar um filme tão cruel como absorvente. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Animais Cinéfilos #2

Este Animais Cinéfilos é muito especial, tanto pelo filme que escolhi, como pela causa que apoia directamente. Está a decorrer uma campanha de crowdfunding para ajudar uma associação que eu apoio, a Focinhos & Bigodes - Associação Zoófila para Proteção de Animais Abandonados e Ambiente, a fazer obras nas suas instalações. Aqui fica um apelo para que, todos os que puderem, os ajudem

O filme que escolhi para hoje é húngaro e tem tudo a ver com esta associação. Chama-se Deus Branco (White God), é realizado por Kornél Mundruczó e aqui os cães são os grande protagonistas e são muitos mais do que os humanos.


Lili, de 13 anos, faz tudo pelo seu cão, Hagen. Mas, na realidade onde vive, os cães, habitualmente tidos como os melhores amigos do Homem, parecem estar a revoltar-se contra os que tanto mal lhes têm feito. O Humano parece querer segregá-los entre cães de raça e rafeiros e, de repente, os cães abandonados multiplicam-se.

Curiosamente, Luke Body que interpretaram Hagen, conquistaram a Palma de Ouro Canina (Palm Dog) no Festival de Cannes, em 2014.

Ora, Deus Branco traz-nos uma enorme matilha que passa a reinar nas ruas da cidade de Budapeste. E todos a temem. Trata-se de um conto premonitório sobre as relações entre uma espécie superior e o seu inferior caído em desgraça. Banido e traído, "o melhor amigo do homem" revolta-se contra o seu antigo mestre.

Revoltemo-nos nós também contra o abandono de animais!

domingo, 13 de maio de 2018

Sugestão da Semana #324

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Frantz, de François Ozon.

FRANTZ


Ficha Técnica:
Título Original: Frantz
Realizador: François Ozon
Actores: Pierre Niney, Paula Beer,  Cyrielle Clair, Johann von Bülow, Ernst Stötzner, Marie Gruber
Género: Drama, História, Romance
Classificação: M/12
Duração: 113 minutos

sábado, 12 de maio de 2018

Estreias da Semana #324

Esta Quinta-feira, foram 11 os novos filmes nos cinemas portugueses. Anon e Frantz são duas das estreias.

A Cuidadora (2016)
The Carer
Dorottya é uma jovem actriz húngara com um ardente desejo: alcançar o sucesso nos palcos britânicos. O lendário actor Sir Michael Gifford sofre de uma doença incurável e tem um único desejo: que o deixem em paz.

Anon (2017)
Num futuro próximo, Sal Frieland (Clive Owen) é um polícia confrontado com uma série de homicídios que parecem interligados. Frieland quer encontrar o assassino e possui uma vantagem distinta: vive numa sociedade onde a vida de todos é registada ao microssegundo e guardada numa rede chamada The Ether. Sem espaço para o anonimato, o comportamento criminal quase desapareceu. Quando, durante a investigação, Frieland se cruza com uma jovem (Amanda Seyfried) que não está associada a qualquer identificação, encontra a primeira pista de que a segurança da The Ether foi comprometida, e que alguém conseguiu editar registos de vida e, assim, encobrir os seus crimes. Desta forma, Frieland dá início a uma missão com o fim de encontrar uma mulher que não existe, e desmascarar uma conspiração que vai muito para além do esperado.

Asas Pelos Ares (2018)
Duck Duck Goose
Penca é um ganso preguiçoso que não se prepara para a próxima viagem de migração. Numa das muitas acrobacias aéreas com que ocupa o tempo, algo corre mal e acaba por partir uma asa. Incapaz de voar e rejeitado pela família, encontra Ping e Pong, dois patinhos que se perderam da família e adoptam Penca como sua mãe. Perdidos, inseguros e ameaçados pelo gato Banzou, os patinhos depressa se afeiçoam a Penca, em busca de protecção, para grande aborrecimento deste. Mas quando Penca percebe que eles lhe podem ser muito úteis, concorda acompanhá-los na procura pela família.

Cuidado Com a Mamã e o Papá (2017)
Mom and Dad
Quando um caso de histeria colectiva, de origem desconhecida, leva os habitantes de uma pacata cidade suburbana a atacarem violentamente os seus próprios filhos, Carly Ryan (Anne Winters) e o seu irmão Josh (Zackary Arthur) têm de lutar pela vida e escapar à feroz perseguição dos pais (Nicolas Cage e Selma Blair).

Frantz (2016)
Logo após a Primeira Guerra Mundial, a jovem alemã Anna visita todos os dias a campa do seu noivo Frantz, morto em combate. Um dia conhece Adrien, um misterioso francês que também visita a campa do soldado alemão. A sua presença, tão pouco tempo depois do armistício, vai agitar os ânimos na cidade.

Guardiãs do Túmulo (2018)
Guardians of the Tomb
Durante uma missão de busca e salvamento do irmão, Jia (Li Bingbing) descobre o túmulo subterrâneo de um antigo imperador chinês, que viveu uma vida invulgarmente longa. Ao explorar o túmulo, Jia e os companheiros descobrem não apenas o segredo da longevidade de vida do imperador, mas também a razão da sua morte.

Guernsey - A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata (2018)
The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society
Logo após a Segunda Guerra Mundial, Juliet Ashton (Lily James), uma jovem escritora com falta de inspiração recebe uma carta da misteriosa Sociedade Literária de Guernsey, uma organização formada durante o período de ocupação nazi. Curiosa, Juliet decide ir até às ilhas de Guernsey encontrar-se com os membros da Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata, entre os quais se encontra Dawsey (Michiel Huisman), o sedutor e intrigante agricultor que esteve na origem da carta. As suas confidências, a sua ligação à ilha e aos seus habitantes e a crescente afeição que nutre por Dawsey irão para sempre mudar o curso da vida de Juliet.

Journeyman: Vontade de Vencer (2017)
Journeyman
Matty Burton (Paddy Considine), campeão mundial de boxe na categoria de pesos-médios, decide despedir-se da carreira com a conquista de um último título. Matty vence o duro combate, mas logo a seguir tem um colapso. Quando desperta do coma, a sua luta para recuperar a fala, o movimento e a memória será mais dura do que qualquer combate já travado, mas o prémio é incomparável: recuperar a relação com Emma, a sua mulher (Jodie Whittaker) e a sua bebé, Mia.

Luz Obscura (2017)
Que rede familiar se esconde por detrás de um único preso político? Como dar corpo a quem desapareceu sem nunca ter tido existência histórica? Partindo de fotografias da polícia política portuguesa (1926-1974), Luz Obscura procura revelar como um sistema autoritário opera na intimidade familiar, fazendo emergir, ao mesmo tempo, zonas de recalcamento actuantes no presente.

O Quebra-Corações (2018)
Le retour du héros
1809, França. Elisabeth é séria e honesta. O capitão Neuville é cobarde, enganador e sem escrúpulos. Ela odeia-o. Ele despreza-a. Mas ao fazer dele um herói de opereta, Elisabeth tornou-se responsável por uma fraude que em breve irá ultrapassá-la.

Os Empatas (2018)
Blockers
Três pais tentam impedir as respectivas filhas de terem sexo na noite do baile de finalistas.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Offside Lisboa 2018: Cinema e Bola de 25 a 27 de Maio

A primeira edição do Festival Offside Lisboa, que junta o cinema ao futebol, acontece entre os dias 25 e 27 de Maio.

O Campo Polidesportivo de Santa Catarina será palco da abertura do evento, numa sessão ao ar livre do filme português Até lá Abaixo, de João Silva Fontes, que retrata a viagem que três amigos realizaram num jipe durante cinco meses, de Marrocos à África do Sul, levando o futebol como denominador comum e descobrindo como se vive o jogo em contextos tão distintos. A encerrar o festival, no Museu do Desporto, será exibido George Best: All By Himself, filme biográfico do jogador que foi a primeira grande estrela do futebol inglês dentro e fora dos relvados, apelidado à época pela imprensa portuguesa de “o quinto Beatle”.


Ao todo serão seis longas-metragens e 10 curtas, subordinadas à temática futebolística, onde se encontram títulos como Minas de Futebol ou El Zurdo: The Revenge of the Underdog, entre outros.

Nas actividades paralelas do Offside Lisboa, há lugar para um cine-jantar no restaurante O Reserva, em que serão recriados alguns pratos associados ao futebol e à street food, intervalados com a apresentação de sete curtas-metragens. Em debate Temos de falar sobre Justin: futebol fora do armário, a propósito dos 20 anos da morte de Justin Fashanu (primeiro profissional de futebol a assumir publicamente a homossexualidade), vai abordar um tema que parece ainda ser tabu dentro das quatro linhas.

No fim-de-semana, o Museu do Desporto recebe diversas exposições, uma do foto-jornalista João Henriques, uma extensão do filme Até lá Abaixo composta por imagens captadas na mesma viagem, e e outra do ilustrador e designer Charis Tsevis. Em dia de final da Champions League, no dia 26, haverá a Festa dos Campeões Europeus na Academia de Recreio Artístico a partir da 19h45, prolongando-se pela noite dentro.

O Offside desafia ainda os seus espectadores e fãs de futebol para um mini-torneio de futsal, com inscrições abertas ao público.

Todas as informações sobre o festival podem ser consultadas em offsidelisboa.pt.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

IndieLisboa'18: O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta (2018)

*8.5/10*


Edgar Pêra continua fiel a si e a pôr muito amor nos filmes que faz. Agora, traz para o grande ecrã  O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta num elogio ao poeta e performer português, Alberto Pimenta. Sem pimenta ou papas na língua, é fácil aceitar o convite para descobrir mais sobre o percurso do artista, embalados pelo estilo inconfundível de Pêra - e os dois entendem-se tão bem já há 24 anos...

O filme foca-se na poesia de Alberto Pimenta, mas também na sua importância enquanto pioneiro da performance em Portugal. O momento em que, em 1977, no Jardim Zoológico, Pimenta trancou -se numa jaula (junto à dos macacos) com uma tabuleta indicando “Homem (Homo sapiens)” é um dos que poderemos relembrar neste filme-performance ou filme-poema.

O Homem-Pykante - Diálogos com Pimenta homenageia o artista, e é quase tão desafiante como a sua obra. Arquivos - filmados por Edgar Pêra entre 1994 e 2018 - de conversas, leituras ou performances de Alberto Pimenta, a que se juntam imagens de arquivo e performances de alguns actores habituais do realizador (Miguel Borges Marina Albuquerque, por exemplo) constroem este desafiante filme.


Entre o experimentalismo de Pêra e o de Pimenta, recupera-se a obra quase dadaísta e, ao mesmo tempo, tão crítica do poeta. O documentário convida-nos a conhecer mais, a rir e a chorar a rir com as suas palavras aparentemente vazias mas cheias de complexidade.

Depois, Edgar Pêra faz o resto: as suas típicas distorções de som (ou flores a cair como bombas), sobreposições de imagens, e a história nasce.

O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta fez parte das Sessões Especiais do IndieLisboa'18 e foi exibido perante um auditório quase cheio, numa emotiva sessão, onde realizador e poeta apresentaram o filme.