segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sugestão da Semana #218

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Cemitério do Esplendor, de Apichatpong Weerasethakul.

CEMITÉRIO DO ESPLENDOR


Ficha Técnica:
Título Original: Rak ti Khon Kaen
Realizador: Apichatpong Weerasethakul
Actores: Jenjira Pongpas, Banlop Lomnoi, Jarinpattra Rueangram
Género: Drama, Fantasia
Classificação: M/14
Duração: 122 minutos

IndieLisboa'16: Os Dois Amigos / Les Deux Amis (2015)

*6/10*

A estreia de Louis Garrel na realização de longas-metragens chegou ao IndieLisboa graças ao Herói Independente deste ano Vincent Macaigne, presente na sessão. Em Les Deux Amis (Os Dois Amigos), Garrel é realizador, actor e co-argumentista - com Christophe Honoré.

Nesta comédia romântica, Vincent Macaigne é Clement, um tímido actor que pede ajuda ao seu amigo extrovertido, Abel (Garrel), para seduzir Mona (Golshifteh Farahani), uma empregada num café - que ele não sabe que está presa. Quando os dois se interessam por ela, a relação entre ambos complica-se.


Uma história simples e já muito repetida em comédias românticas, mas filmada com uma sensibilidade muito "francesa", provavelmente inspirada pelo trabalho do pai, Philippe Garrel. Louis não tem uma estreia estrondosa mas proporciona momentos divertidos e emotivos, trabalhando bem a personalidade de Mona - sem dúvida, a mais interessante dos três protagonistas. Ao mesmo tempo, a amizade de Clement e Abel proporciona bons momentos de humor.

Golshifteh Farahani é a grande força do filme. Veste a pele de Mona, a presidiária em regime aberto, que trabalha num café na Gare du Nord. Cumpridora de horários e ansiosa para sair da prisão e voltar para junto da mãe, Mona vê a sua vida complicar-se ao perceber que Clement está apaixonado por ela. A actriz é um turbilhão de emoções e está envolta em sentimentos contraditórios, ansiando pela liberdade, mas assustada com a ideia de perder o comboio que a leva de regresso à prisão. Entre o amor e a liberdade, Mona transpira energia e sensualidade. Vincent Macaigne é um Clement sensível e apaixonado, com uma infantilidade inerente, e faz uma dupla cheia de química com o seu "melhor amigos"Abel, Louis Garrel.


Amizade, amor, sexualidade e mentiras são os principais ingredientes que constroem Les Deux Amis. Garrel, o filho, estreia-se de mansinho, explorando os temas e cenários que lhe têm sido próximos ao longo da sua carreira como actor.

IndieLisboa'16: Vencedores

O IndieLisboa terminou este Domingo e ficamos a conhecer os vencedores desta edição. Jia (The Family) conquistou o Grande Prémio Cidade de Lisboa. Na competição portuguesa de longas, Sérgio Tréfaut viu premiado o seu Treblinka.


Eis a lista completa de vencedores:

Competição Internacional de Longas Metragens
Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa
Jia/The Family, Shumin Liu (Austrália, China)

Prémio Especial do Júri Canais TV & Séries
Kate Plays Christine, Robert Greene (EUA)

Competição Internacional de Curtas Metragens
Grande Prémio de Curta Metragem
Nueva Vida, Kiro Russo (Argentina, Bolívia)
Menções Especiais
Animação
Velodrool, Sander Joon (Estónia)
Documentário
La impresión de una Guerra, Camilo Restrepo (Colômbia, França)
Ficção
Another City, Lan Pham Ngol (Vietname)

Competição Nacional
Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Treblinka, Sérgio Tréfaut (Portugal)

Nescafé Dolce Gusto – Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa
The Hunchback, Gabriel Abrantes, Ben Rivers (Portugal, França)

Prémio Novo Talento Fnac – Curta Metragem
Campo de Víboras, Cristèle Alves Meira (Portugal)
Menção Honrosa
Viktoria, Mónica Lima (Alemanha, Portugal)

Prémio FCSH/NOVA para Melhor Filme na secção Novíssimos
Maxamba, Suzanne Barnard, Sofia Borges (Portugal, EUA)

Prémio RTP para Longa Metragem na Secção Silvestre
Eva no duerme, Pablo Agüero (França)

Prémio FIPRESCI (Primeiras Obras)
Short Stay, Ted Fendt (EUA)

Prémio Format Court (Silvestre Curtas)
World of Tomorrow, Don Hertzfeldt (EUA)

Prémio Árvore da Vida para Filme Português
Ascensão, Pedro Peralta (Portugal)
Menção Honrosa
Jean-Claude, Jorge Vaz Gomes (Portugal)

Prémio IndieJúnior Árvore da Vida
Le nouveau, Rudi Rosenberg (France)

Prémio Amnistia Internacional
Flotel Europa, Vladimir Tomic (Dinamarca, Sérvia)
Menção Honrosa
Balada de Um Batráquio, Leonor Teles (Portugal)

Prémio Culturgest Universidades
Flotel Europa, Vladimir Tomic (Dinamarca, Sérvia)

Prémio Culturgest Escolas
Le gouffre, Vincent Le Port (França)

Júri do Público
Prémio Longa Metragem
Le nouveau, Rudi Rosenberg (França)

Prémio IndieMusic Schweppes
Sonita, Rokhsareh G. Maghami (Alemanha, Suíça, Irão)

Prémio Curta Metragem Merrell
Small Talk, Even Hafnor, Lisa Brooke Hansen (Noruega)

Prémio IndieJúnior Trinaranjus
The Short Story of a Fox and a Mouse, Camille Chaix, Hugo Jean, Juliette Jourdan, Marie Pillier, Kevin Roger (França)

domingo, 1 de maio de 2016

IndieLisboa'16: Competição Nacional de Curtas

Na Competição Nacional de Curtas-metragens do IndieLisboa estão 17 filmes na corrida. O Hoje Vi(vi) um Filme assistiu a 15 e faz aqui uma breve análise a cada um deles.

Ascensão - 9.5/10
Cannes recebe Ascensão na Semana da Crítica, o IndieLisboa deu-nos a oportunidade de vê-lo já. Pedro Peralta deixa-nos extasiados com Ascensão, onde, através de três fantásticos planos sequência nos conta uma história de milagres, usando o cinema como obra de arte. Um grupo de camponeses tenta resgatar o corpo de um rapaz de um poço. As mulheres velam em silêncio, os homens resistem no limite das suas forças. No centro de todos eles: uma mãe aguarda o resgate do filho. As personagens, que nos olham directamente, desconfiadas, parecem-nos, por momentos, representações religiosas - qual Maria com o seu Jesus nos braços. A mestria de Peralta é arrepiante e emocionante (com claras referências a Manoel de Oliveira na forma de filmar), e todo o ambiente, sombrio, onde uma névoa paira sobre a acção, vai desaparecendo com o nascer do dia e o desenrolar desta Ascensão. Excelente trabalho.

Campo de Víboras - 8/10
Cristèle Alves Meira vai ao Festival de Cannes com o seu Campo de Víboras, mas antes passou pelo IndieLisboa. Numa aldeia no nordeste de Portugal ocorre um drama inexplicável. Num jardim cheio de víboras é encontrada morta uma senhora idosa. A sua filha Lurdes desapareceu sem deixar rasto. Os rumores sobre o que se poderá ter passado e o destino da casa começam a espalhar-se rapidamente. O mistério assola esta aldeia perdida em Trás-os-Montes, onde Lurdes - uma fabulosa interpretação de Ana Padrão - não se sente em casa. Solitária e atormentada pelas constantes exigências da mãe doente, esta mulher deseja voltar a França e, certa noite, percebe que está a ser perseguida por um careto, qual fantasma insistente. Um trabalho empolgante de Cristèle Alves Meira.

Viktoria - 8/10
Mónica Lima mostra uma notória evolução desde O Silêncio Entre Duas Canções (Novíssimos no IndieLisboa'14)Viktoria traz uma realizadora mais madura, mais envolvente e consistente. Uma excelente surpresa neste IndieLisboa, que augura futuros trabalhos promissores. A protagonista, Viktoria, é uma campeã de corrida em cadeira de rodas que se descobre de novo a andar. Os medos, as dúvidas, as decisões difíceis de tomar. A braços com esta mudança inesperada, a jovem continua os seus duros treinos para as próximas competições e descobre o amor. Com um argumento forte e de alguma originalidade, Viktoria é uma curta-metragem envolvente que faz-nos querer que continue. Óptima interpretação de Anjorka Strechel.

Balada de um Batráquio - 7.5/10
Vencedor do Urso de Ouro no Festival de BerlimBalada de um Batráquio, de Leonor Teles marcou presença no IndieLisboa. Rebelde e de regresso às origens, a realizadora volta a abordar a comunidade cigana. Neste caso, vem quebrar o preconceito e a "tradição" de colocar um sapo à porta dos estabelecimentos comerciais para impedir a entrada de pessoas desta etnia. Balada de um Batráquio é uma curta-metragem activista e corajosa, filmada em Super 8.

Macabre - 7.5/10
Jerónimo Rocha e João Miguel Real trazem à Competição Nacional a sombria animação Macabre. Um homem tem um acidente de carro num bosque, o que o leva a uma enorme casa solitária. Muito ligado ao cinema gótico, o filme constrói-se e desconstrói-se a si mesmo, numa história onde o suspense perdura e algum terror espreita atrás de nós - e do protagonista. Macabre é um filme labiríntico com um excelente trabalho de animação, onde predominam preto, branco, cinzentos e vermelhos. O som confere um ambiente ainda mais aterrador à curta-metragem e é fundamental para provocar o espectador.

Chatear-me-ia Morrer Tão Joveeeeem… - 7/10
Filipe Abranches viaja no tempo e leva-nos consigo até às trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Chatear-me-ia Morrer Tão Joveeeeem... é uma animação dura e triste, que mergulha na lama, gases tóxicos, sangue e corpos sem vida das guerras que se sucedem ao longo dos anos e nos vários cantos do mundo. Um alerta para a desolação, horror e morte sem razão.

Menina - 7/10
Simão Cayatte leva-nos a viajar no tempo, até ao Estado Novo, e apresenta-nos uma mulher que começa a suspeitar dos atrasos do marido. Ela é a Menina do título, a mulher "ideal" para a mentalidade da altura. Cayatte recria uma época de forma competente, com algum suspense pelo meio a adensar os medos e as dúvidas da protagonista. As interpretações de Joana Santos Pedro Carmo são outro ponto forte do filme, que poderia funcionar ainda melhor como longa-metragem.

A Guest + A Host = A Ghost - 6.5/10
Marcel Duchamp formou o jogo de palavras A Guest + A Host = A Ghost. Por sua vez, Jorge Jácome continua a associação livre em equações visuais até chegar à solução. Uma curta-metragem experimental que pretende fazer-nos resolver esta equação à nossa maneira, conforme as imagens que nos apresenta. As mãos, o toque, as linhas das mãos e aquelas que se desenham nas rochas, os sinais na pele e as estrelas no céu, a natureza e o homem em paralelismo. Uma ideia desafiante para a plateia.

O Desvio de Metternich - 5.5/10
A preto e branco, Tiago Melo Bento apresenta-nos Leopoldina de Hasburgo, que viaja para o Brasil para encontrar o marido, D. Pedro (IV de Portugal, I do Brasil). No caminho, pára num paraíso no meio do Atlântico. O Desvio de Metternich filma São Miguel com esta aura paradisíaca e poética, enquanto ouvimos os desabafos da protagonista, encantada com o local, tal como nós.

Live Tropical Fish - 5/10
Essencialmente, Live Tropical Fish é um exercício de estilo de Takashi Sugimoto. O director de fotografia estreia-se na realização a preto e branco, com longos planos fixos que cativam o olhar. Ainda assim, e apesar de alguns momentos curiosos, a curta-metragem não se destaca para além disso.

Cabeça D’asno - 4/10
Pedro Bastos traz-nos uma curta-metragem experimental que varia entre o diário filmado e o ensaio sobre a natureza das imagens. Numa casa degradada e solitária, seguimos os traços que se desenham nas paredes, imagens religiosas pairam sorrateiramente, e descobrimos negativos de filmes porno. Cabeça d'asno é um apelo à memória e ao tempo que passa.

Heroísmo - 4/10
Em HeroísmoHelena Estrela Vasconcelos leva-nos a um centro comercial abandonado, onde um rapaz vive escondido. Quando uma rapariga vem visitá-lo, recordações e desolação ocupam os espaços vazios. A companhia é momentânea mas serve de consolo a este jovem solitário. Heroísmo convida à introspecção e à reflexão, enquanto exploramos, com as personagens, os recantos abandonados do centro comercial.

O Sul - 4/10
Uma ideia promissora traduz-se num filme algo decepcionante. Afonso Mota revela como poderia ter feito uma curta-metragem muito interessante, subordinada à mesma temática: as memórias de uma viagem à América do Sul, apresentadas sob vários formatos - cartas, fotografias e vídeos. Contudo, O Sul perde-se no meio de tanta informação e alguma desconexão. Ficam, contudo, as boas intenções.

Rochas e Minerais - 3.5/10
A ideia era boa: ver como algumas amizades de infância podem perder o encanto quando se cresce. Em Rochas e Minerais, Miguel Tavares coloca duas amigas num hotel repleto de memórias de quando eram crianças, num Verão onde predominam os silêncios e os banhos de Sol. Após as fotografias e lembranças do passado juntas, a curta-metragem não nos oferece muito mais para além dos silêncios incómodos e das férias das duas amigas que pouco conversam.

Sem Armas - 3.5/10
Sem Armas entra no mundo violento que a adolescência pode trazer consigo. Num prédio em ruínas, juntam-se uns rapazes, mas a amizade pode não ficar em primeiro plano. Tomás Paula Marques não consegue tirar partido da ideia que trouxe para o ecrã e a plateia não leva muito desta curta-metragem.


* Não tive possibilidade de assistir a duas curtas-metragens em competição: Transmission from the Liberated Zones, de Filipa César, e The Hunchback, de Ben Rivers e Gabriel Abrantes.

sábado, 30 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Le fils de Joseph (2016)

*7.5/10*


Uma boa surpresa cinematográfica chegou à secção Silvestre do IndieLisboa: Le fils de Joseph, de Eugène Green. O realizador adapta algumas passagens da Bíblia ao seu estilo satírico e constrói uma história inteligente, divertida e cativante.

Vincent tem 15 anos e vive com a mãe, Maria, que lhe diz que este não tem pai. Mas Vincent não acredita. Não pode acreditar. Por isso, inicia uma investigação por sua conta. Pelo caminho, fica amigo de Joseph.

Esta comédia é contagiante e toma o seu tempo, sem avanços demasiado repentinos na narrativa. As personagens conversam tranquilamente, num certo tom declamatório, os planos são bem estudados e geométricos e os cenários encaixam bem no todo. A cor abunda e confere um ambiente positivo à longa-metragem.


A religião serve de base a Le fils de Joseph, sem excessos, traduzindo-se num humor inteligente, referências bem construídas e personagens interessantes (com momentos verdadeiramente hilariantes), de características muito próprias. 

Destaque, claro, para o nosso "menino Jesus", Vincent, que, após uma desilusão, consegue dar a volta à situação, mesmo que, para isso, se torne num criminoso procurado. Excelente interpretação do jovem Victor Ezenfis. Ao seu lado, Mathieu Amalric reinventa-se como o poderoso e egoísta Oscar Pormenor, em mais um exemplo da versatilidade do actor. Ainda Maria de Medeiros surge numa pequena mas singular interpretação de uma excêntrica crítica literária.


Le fils de Joseph invoca a Bíblia para contar uma história que depressa conquista a plateia. Gargalhadas não faltarão, mas serão os pormenores que, no meio da simplicidade de Eugène Green, revelam um filme cheio de conteúdo.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Estreias da Semana #218

Oito filmes chegaram às salas de cinema esta Quinta-feira. O Ciclo Grande Cinema Russo continua no Nimas e no Teatro Campo Alegre com mais filmes e, a juntar às longas-metragens, podemos assistir à curta premiada Balada de Um Batráquio, de Leonor Teles, que antecede as sessões de Todos Querem o Mesmo.

A Lei do Mercado (2015)
La Loi du Marché
Aos 50 anos, após 18 meses de desemprego, Thierry consegue finalmente um trabalho como segurança de um supermercado, mas é colocado perante um dilema moral quando lhe pedem para espiar os colegas.

Capitão América: Guerra Civil (2016)
Captain America: Civil War
A nova equipa de Vingadores prossegue o seu esforço contínuo para proteger a humanidade. Mas após outro incidente que provoca danos colaterais, cresce a pressão política para instalar um sistema de supervisão ligado ao governo. A nova situação provoca uma fractura nos Vingadores, resultando em dois campos: um liderado por Steve Rogers que defende a sua ideia de permanecer livre para defender a humanidade sem interferência do estado, e o outro, encabeçado por Tony Stark que, surpreendentemente, decidiu apoiar a decisão governamental.

Cemitério do Esplendor (2015)
Rak ti Khon Kaen
Soldados com uma misteriosa doença de sono são transferidos para uma clínica temporária numa antiga escola. O espaço, repleto de memórias, torna-se num mundo revelador para a voluntária, Jenjira, enquanto ela cuida de Itt, um bonito soldado, que nunca recebe visitas da família. Jen faz amizade com Keng, a jovem médium que usa os seus poderes psíquicos para ajudar as famílias a comunicar com os homens em coma. Os médicos exploraram formas, incluindo a terapia de luz colorida, para aliviar os sonhos conturbados dos homens. Jen descobre o enigmático diário de Itt com estranhos escritos e esboços. Pode haver uma ligação entre a síndrome enigmática dos soldados e a mítica região, situada debaixo da clínica. Magia, cura, romance e sonhos fazem parte do caminho de Jen para uma consciência mais profunda de si mesma e do mundo que a rodeia.

Minúsculos: O Vale das Formigas (2013)
Minuscule - La vallée des fourmis perdues
Numa pacífica clareira, entre as sobras de um piquenique, começa uma batalha entre duas tribos de formigas em busca de uma caixa de açúcar. Uma jovem e corajosa joaninha acaba por ser capturada no meio do fogo cruzado e torna-se aliada das formigas negras, ajudando na luta contra as terríveis formigas vermelhas.

O Profeta (2014)
The Prophet
Mustafa, um prisioneiro político, conhece por acaso do destino uma menina traquinas de oito anos chamada Almitra, na ilha fictícia de Orfalés. Com ela partilha a sua sabedoria e os seus poemas através de nove histórias com mensagens de paz, amor, amizade e fraternidade.

Tempo Limite (2016)
Term Life
Nick Barrow (Vince Vaughn) planeia e vende assaltos a quem paga mais. Quando um recente golpe corre mal e o filho do chefe de um cartel de traficantes é assassinado, Nick começa a ser perseguido. Para limpar o nome, é obrigado a denunciar os polícias corruptos que cometeram o crime (Bill Paxton, Mike Epps, Shea Whigham). Com o cartel e a polícia no seu encalce, Nick faz a única coisa positiva que lhe ocorre e tenta ajudar a filha Cate (Hailee Steinfeld) efectuando um seguro de vida no valor de milhões de dólares. Mas há um problema: o seguro só é válido daí a 21 dias e os inimigos estão a aproximar-se de Nick e de Cate.

Todos Querem o Mesmo (2015)
Everybody Wants Some
Acompanha um grupo de estudantes durante o seu primeiro ano de universidade, nos anos 80, e as suas tentativas para entrarem na equipa principal de basebol.

Um Dia de Mãe (2016)
Mother's Day
Três gerações e diferentes histórias cruzam-se no Dia da Mãe.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Helmut Berger, Actor (2015)

*8/10*

Helmut Berger, Actor faz parte da secção Director's Cut do IndieLisboa, e mostra-nos um outro lado daquele que já foi considerado "o homem mais bonito do universo" pela revista Vogue. O realizador Andreas Horvath partiu à aventura e apresenta-nos um Berger decadente, entre a depressão e a loucura.

O documentário mostra-nos o seu estado actual: "entre a tempestuosa demência de um Klaus Kinski e o narcisismo megalómano de uma Norma Desmond". Por seu lado, Andreas Horvath tem de saber lidar com as alterações bruscas de humor do actor, bem como com os seus pedidos mais bizarros.

Acompanhamos o realizador, que passa alguns dias com Berger, na sua casa, em hotéis, etc. Percebemos o estado do actor não apenas pelas suas palavras, conflituosas, desinteressadas, mimadas, mas igualmente pelo estado da sua casa, envolta em desarrumação e sujidade. E é nesse espaço que conhecemos Viola, que ali trabalha e tenta colocar alguma limpeza e organização naquele apartamento, ao mesmo tempo que conta à câmara algumas inconfidências do seu patrão.


Um filme arrojado e provocador, que deixou a plateia (quase cheia) da cinemateca entre as gargalhadas e a estupefacção. E, ironicamente, chegamos ao final com uma dúvida a assolar-nos: tudo o que vimos é a realidade ou será Helmut Berger, Actor em uma das suas personagens?

IndieLisboa'16: Film noir 001 // 002 // 003 (2015) + O cinema que vê (2016)

Na secção Director's Cut do IndieLisboa, encontramos duas curtas-metragens muito ligadas à História do Cinema e seus intervenientes:  Film noir 001 // 002 // 003, de La Ribot e O cinema que vê, de Beatriz Saraiva. Os dois filmes passaram esta Terça-feira, dia 26 de Abril, na Cinemateca Portuguesa.

Film noir 001 // 002 // 003 - *7.5/10*


La Ribot convida-nos a olhar de outra forma para o ecrã de cinema, quase num desafio. De repente, parecemos perdidos ao assistir a uma cena de um clássico como Lawrence da Arábia ou Ben-Hur, já que em Film noir 001 // 002 // 003, em foco está o trabalho dos figurantes.

As estrelas de Hollywood desaparecem da tela e o foco são os desconhecidos que também fizeram com que o filme acontecesse. Esta curta-metragem é um elogio a estes anónimos que ficarão para sempre na memória física que é o cinema. Um exercício curioso e original, em tom de homenagem ao trabalho daqueles que quase passam despercebidos.

O Cinema Que Vê - *6.5/10*


Não sendo uma ideia totalmente original, O cinema que vê  traduz-se numa bonita homenagem às origens do cinema. Trata-se de um ensaio sobre o cinema “como extensão do olho humano”, construído através de excertos de filmes dos irmãos Lumière, Vertov e Varda. Em apenas quatro minutos, Beatriz Saraiva mostra a sua paixão pela Sétima Arte neste regresso aos primórdios.