segunda-feira, 27 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Rabo de Peixe – Director’s Cut

*8/10*

Mais cinema português no IndieLisboa, desta vez na secção Director's CutJoaquim Pinto esteve presente no Cinema São Jorge para apresentar o filme que realizou com Nuno Leonel, e recentemente remontado pelos realizadores, Rabo de Peixe - Director's Cut.


Entre Dezembro de 1999 e Dezembro de 2001, Joaquim Pinto e Nuno Leonel filmaram os pescadores de Rabo de Peixe, em São Miguel, nos Açores, com uma proximidade muito familiar. Entraram na intimidade daquela comunidade e ali viveram alguns meses, a filmá-los, a acompanhá-los nas suas vidas, nas idas à pesca, a superar obstáculos, preconceitos e os seus próprios medos - criaram laços. Em E Agora? Lembra-me, Pinto recorda aquele momento da sua vida, e agora, com este director's cut, temos a oportunidade de assistir a este trabalho envolvente e tocante.

Conhecemos PedroArturRuiEmanuel e tantos outros, crianças e adultos, o seu quotidiano, a sua relação com o mar, as suas dificuldades, com as imagens a serem acompanhadas pela narração - sempre em tom muito intimo - dos realizadores que nos têm como seus confidentes.

Joaquim Pinto e Nuno Leonel sabem contar uma história. E sabem igualmente filmar os locais, tornando-os únicos. Dentro do barco de pesca ou a mergulhar no oceano, conhecemos e acompanhamos um modo de vida, um bairro que já não existe daquela forma, técnicas de pesca que também já foram desaparecendo. Fica o registo filmado, a memória, neste caso oferecida pelos dois realizadores, que não esqueceram estas pessoas e, mais de uma década depois, voltaram a pegar naquele material, naquelas histórias e reconstruíram o seu filme, para dá-lo a conhecer ao mundo.

sábado, 25 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Nos Campos em Volta + A Arte da Luz Tem 20.000 Anos

João Botelho esteve presente para apresentar esta Sessão Especial do IndieLisboa'15 onde foram exibidos dois filmes seus de carácter mais "didáctico", como o próprio realizador os definiu. Nos Campos em Volta e A Arte da Luz Tem 20.000 Anos convidam-nos a descobrir e visitar dois locais em Portugal que escondem em si muitas lendas e História.

Nos Campos em Volta - 6/10

Através dos campos em redor de Serpa, descobrimos lendas antigas e vestígios de um passado muito longínquo, de outras civilizações que por ali passaram. Margarida Vilanova é a nossa narradora e conta-nos histórias as fantásticas que acompanham as imagens das paisagens e convidam à descoberta, pelas margens do Guadiana.

A Arte da Luz Tem 20.000 Anos - 8/10

João Botelho traz-nos, neste filme, uma fascinante viagem ao passado através das pinturas rupestres de Foz Côa, numa visita guiada que nos convida fortemente a descobrir o local o mais depressa possível. Mais do que um registo turístico, A Arte da Luz Tem 20.000 Anos traz para o cinema os artistas de quem ninguém fala, de quem ninguém sabe o nome, e que, muitos milénios antes do Cinema, já queriam captar a imagem em movimento que a Sétima Arte reclama como sua.

No percurso desta visita, acompanhamos Joana Botelho na viagem de comboio, no Museu do Côa e por caminhadas no Parque Arqueológico do Vale do Côa, a descobrir a arte mais antiga, as gravuras rupestres, de traço tão decidido e que, felizmente, chegaram até nós. Vemos e escutamos o ruído "de um rio sem barragem" - como diz a certo momento o director do museu, António Martinho Baptista - e só queremos lá estar. 

João Botelho sabe tirar partido da beleza das imagens e paisagens, oferecendo-nos planos fabulosos, jogando com o contraste luz/sombra como tão bem sempre o faz. A Arte da Luz Tem 20.000 Anos leva-nos a viajar no tempo e convida-nos a proteger a herança que a História nos deixou.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Crítica: Ex Machina (2015)

"Isn't it strange, to create something that hates you?"
Ava

*7.5/10*

A estreia de Alex Garland na realização retoma os dilemas éticos da Inteligência Artificial do cinema de ficção científica e tem ao comando uma protagonista fabulosa. Em Ex Machina, o realizador enclausura-nos numa isolada e "fortificada" casa-laboratório, juntamente com o seu reduzido elenco onde facilmente nos envolvemos com o trio de actores principais: Oscar IsaacDomhnall Gleeson e Alicia Vikander.

Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem programador da maior empresa de Internet do mundo, vence um concurso para passar uma semana no refúgio de montanha de Nathan (Oscar Isaac), o CEO da empresa. Quando Caleb chega ao local, percebe que terá de participar numa experiência estranha e fascinante em que deverá interagir com a primeira verdadeira inteligência artificial do mundo, incorporada no corpo de uma bonita rapariga robot, Ava (Alicia Vikander).

Garland conduz-nos por cenários incríveis e introduz-nos num ambiente claustrofóbico, onde deuses e homens parecem coexistir. Naquela casa há algo nunca antes visto, mas isso não nos coloca num futuro muito longe do presente actual. Eis que entra em cena o debate em redor das questões associadas à Inteligência Artificial. O argumento pode não ser o mais original - e lembrar-nos-á outros filmes do género, mesmo em pequenos pormenores - mas as ideias que pairam em Ex Machina continuam pertinentes: alguma máquina poderá ter inteligência e emoções similares às humanas? E quais os limites do poder do seu inventor, qual deus da tecnologia? Sim, porque, aqui, até a religião entra em cena, quer nas conversas entre os dois homens do filme como nos próprios nomes dos três protagonistas.


Entramos na casa de Nathan, tal como Caleb, num profundo desconhecimento daquilo a que vamos. Ele depara-se com Ava, a robot a quem terá de fazer o Teste de Turing, e nós seguimo-lo nas conversas e pelos recantos da casa que lhe estão acessíveis. Sentimos a mesma claustrofobia que o jovem programador naquela casa de alta segurança quase sem janelas, teremos desconfianças a cada nova informação, a cada nova conversa com o humano ou com a robot. As dúvidas apoderam-se de Caleb e da plateia que fica presa no suspense que o ritmo lento do filme tão bem constrói. É este ritmo que distingue Ex Machina de outros filmes de ficção científica recentes: aqui, tudo é mostrado com calma e é esta técnica que contribui para a forte tensão e suspense que se sentem, para este thriller funcionar tão bem enquanto tal. A longa-metragem encontra-se dividida em partes, que correspondem às sessões de Caleb com Ava, e marcam bem o desenrolar da acção - com algumas reviravoltas interessantes -, que culmina num final curioso mas que poderia ser ainda mais arrebatador.

Tecnicamente, Alex Garland mostra-se eficiente, quer pelos planos incómodos - a construção da casa e suas divisões, onde as barreiras estão por todo o lado, sejam elas portas ou vidros que nos separam da verdade, muito contribui para isso - mas principalmente pelo excelente trabalho da direcção de fotografia que tira óptimo partido dos cenários exteriores, mas faz igualmente um excelente e perturbador trabalho no interior, com o vermelho a ter um simbolismo muito próprio. O som é outro ponto forte de Ex Machina, lembra-nos as fronteiras entre o proibido e o permitido naquela casa, salienta igualmente a importância da tecnologia no local, e enquadra-se na perfeição com a banda sonora, repleta de tensão.


Nas interpretações encontramos um trio cheio de talento: Oscar Isaac é Nathan, o poderoso dono da empresa onde Caleb trabalha. Ele cria Ava, mas a sua confiança e o seu poder de "criador" são ameaçados pelo seu vício pelo álcool. Já Domhnall Gleeson interpreta o inteligente mas ingénuo Caleb, cujas dúvidas vão crescendo à mesma medida que o suspense. Mas a dominar Ex Machina está a máquina, Ava, a robot sensual e surpreendentemente inteligente, numa fenomenal interpretação da jovem promessa Alicia Vikander (que já vimos em Anna Karenina ou Um Caso Real, por exemplo). Os seus gestos e expressões são especialmente cuidadosos e é curioso assistir à sua evolução à medida que as conversas com Caleb se vão sucedendo. A forma como lida com o seu corpo mecanizado e com a sua sexualidade (lembrando-nos certa extraterrestre que passou pelos cinemas em 2014) é outro dos pontos a destacar na personagem de Ava e no desempenho de Vikander.

A Inteligência Artificial regressa assim ao cinema pela mão de Alex Garland, que, apesar de não vir marcar a história da ficção científica, traz uma lufada de ar fresco ao género com Ex Machina.

Estreias da Semana #165

Esta Quinta-feira, dia 23, os cinemas nacionais receberam seis estreias*. Capitão Falcão e Ex Machina são alguns dos filmes em destaque.

A Quietude da Água (2014)
Futatsume No Mado
Na ilha de Amami, os habitantes vivem em harmonia com a natureza, pensam que um deus habita em cada árvore, cada pedra e cada planta. Numa noite de Verão, Kaito descobre o corpo de um homem no mar e a amiga Kyoko vai ajudá-lo a desvendar este mistério. Juntos, aprendem a ser adultos e descobrem os ciclos da vida, da morte e do amor.

Capitão Falcão (2014)
Capitão Falcão conta a história de um super-herói português ao serviço do Estado Novo. Juntamente com o seu sidekick, Puto Perdiz, Falcão combate todas as ameaças à Nação, respondendo a um homem apenas, António de Oliveira Salazar. Mas estranhos acontecimentos e uma ameaça democrática começam a invadir a capital. Conseguirá Capitão Falcão salvar o dia?

Ex Machina (2015)
Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem programador da maior empresa de Internet do mundo, vence um concurso para passar uma semana no refúgio de montanha de Nathan (Oscar Isaac), o CEO da empresa. Quando Caleb chega ao local, percebe que terá de participar numa experiência estranha e fascinante em que deverá interagir com a primeira verdadeira inteligência artificial do mundo, incorporada no corpo de uma bonita rapariga robotAva (Alicia Vikander).

Faz-te Homem (2015)
Get Hard
Quando James King (Will Ferrell), um gerente especializado na área de investimentos milionários, é condenado por fraude e sentenciado a prisão em San Quentin, o juiz concede-lhe 30 dias para organizar a sua vida antes de começar a cumprir a pena. Desesperado, ele recorre a Darnell Lewis (Kevin Hart) para ajudá-lo a preparar-se para a vida atrás das grades - assumindo que Darnell é um vilão de primeira, quando é, na realidade, o proprietário de um pequeno negócio, trabalhador e que nunca recebeu uma única multa de estacionamento ou passou um único dia na prisão.

Mortadela e Salamão: Missão não Possível (2014)
Mortadelo y Filemón contra Jimmy el Cachondo
Os agentes Mortadela e Salamão vêem-se obrigados a dar uso a toda a sua reduzida capacidade para resolver praticamente nada e espalhar o caos onde quer que vão a fim de localizar o paradeiro de Jimmy, um meliante maluco que também não prima por um elevado coeficiente intelectual. Mas tudo é ainda mais perigoso quando levas no teu helicóptero um "bombita" atómica que pode explodir a qualquer momento.

O Coro (2015)
Boychoir
Um rapaz de 12 anos, recentemente órfão, é enviado para uma escola interna de música, e ninguém suspeita que o seu comportamento solitário e rebelde esconde o enorme talento que lhe permite tornar-se o solista do coro da escola - um grupo coral de alunos de enorme sucesso, que viaja pelo mundo em espectáculos e que concede a reputação e o prestigio à escola.


*O filme U Omãi Que Dava Pulus teve sessão única no dia 22 de Abril.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Filmes a Não Perder

O IndieLisboa'15 começa já amanhã, dia 23, e, com ele, muito do melhor cinema independente chega à capital e por cá fica até dia 3 de Maio. A escolha é imensa e variada, mas aqui ficam alguns títulos a ter em atenção durante o festival.

Longas-metragens

Capitão Falcão, de João Leitão - Sessões Especiais
Em 1968, várias ameaças parecem cercar o regime que salvou Portugal da bancarrota: o Estado Novo. Entre elas, grupos de comunistas, feministas, e os chamados “Capitães de Abril” conspiram contra António de Oliveira Salazar e os seus princípios nacionalistas. A autoridade do Estado já não chega para proteger os portugueses. Nasce então o super-herói português por excelência para salvar Portugal de todos os seus males: Capitão Falcão (e o seu sidekick Puto Perdiz). O resto da história é conhecida.

Force majeure (Força Maior), de Ruben Östlund - Sessões Especiais
Prémio do Júri Un Certain Regard no Festival de Cannes e nomeado para Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, Força Maior conta a história de uma família sueca que viaja para os Alpes Franceses para desfrutar de uns dias de esqui. O sol brilha e as pistas estão espectaculares, mas durante o almoço num restaurante na montanha, uma avalanche vai provocar o caos. Com os comensais a fugir em todas as direcções, a mãe Ebba chama pelo seu marido Tomas, enquanto tenta proteger os seus filhos. Tomas, entretanto, está a fugir para se salvar…

Aferim!, de Radu Jude -  Competição Internacional
Radu Jude é um dos maiores destaques da nova vaga do cinema romeno. Aferim! é uma aventura pelos territórios feudais da Roménia do séc. XIX: um terreno pouco visto no novo cinema romeno, mas sempre domado pelo humor forte, a sátira social do presente, e personagens herdeiras das histórias de Gogol.

Melbourne, de Nima Javidi -  Competição Internacional
A primeira obra de Nima Javidi inspira-se nos melhores princípios de Hitchcock para criar uma história de suspense dentro de um apartamento de Teerão. Aqui, é o que acontece entre as suas paredes que interessa a quem está fora delas: amigos, vizinhos e uma autoridade sem rosto que, por visitas não anunciadas, ameaçam uma emigração planeada para Melbourne. E pelos mecanismos do cinema, quer-se revelar uma população cujos caminhos, da nascença à idade adulta, se encontram atados às prisões mentais de cada um.

Les gants blancs, de Louise Traon - Director's Cut
O cinema cuida-se com luvas brancas – assim o era quando metros de película exigiam cortes e recortes, pelo olhar de montadores e realizadores, antes de se encontrar um filme numa rodagem de muitas horas. A era digital veio dispensar as luvas – mas não uma delicadeza redobrada em imagens vistas e revistas até surgir o corpo de um filme e, depois, o seu espírito e versão definitiva. Mais ainda se falarmos de Manoel de Oliveira e da sua montadora Valérie Loiseleux.

Rabo de Peixe – Director’s Cut, de Joaquim Pinto, Nuno Leonel - Director's Cut
Em E Agora? Lembra-me, Joaquim Pinto evoca uma passagem pelos Açores quando buscava uma aproximação à vida. Rabo de Peixe foi esse lugar intocado: onde as pessoas de uma terra renovaram o olhar de dois autores e companheiros, movidos pela beleza humilde das suas pessoas, dos seus corpos e do seu trabalho. Joaquim Pinto e Nuno Leonel viram, nos pescadores de Rabo de Peixe, a razão para continuarem a filmar. Esta é a versão remontada e definitiva para cinema.

White Bird in a Blizzard, de Gregg Araki -  Boca do Inferno
Em White Bird in a Blizzard,  o realizador foca-se, uma vez mais, no despertar dos instintos sexuais de uma jovem personagem, juntando-lhe o misterioso desaparecimento, aos 17 anos, da sua mãe. Apesar dessa “ausência”, é esse papel – e a interpretação de Eva Green – a comandar uma narrativa familiar, em tons de policial, dentro do universo suburbano norte-americano.

Aqui, em Lisboa, de Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes, Marie Losier - Sessões Especiais
Em 2013, para celebrar o seu 10.º aniversário, o IndieLisboa convidou estes quatro realizadores a filmarem em Lisboa. Aqui, em Lisboa é o resultado – quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pelos registos da ficção, do documentário, da comédia ou do fantástico.

Repulsion, de Roman Polanski - Sessões Especiais
Um dos mais perturbadores filmes de Polanski. Destilando terror psicológico por todos os fotogramas, Repulsion, com Catherine Deneuve, constrói-se à volta das fobias sexuais de uma personagem aterrorizada pelo pesadelo recorrente de uma violação, cuja obsessão a conduz à loucura com consequências assassinas.

While We’re Young, de Noah Baumbach - Sessões Especiais
Um casal de meia-idade (Ben Stiller e Naomi Watts) vê a sua vida contagiada pelo encontro com um jovem casal na casa dos vinte (Adam Driver e Amanda Seyfried), oferecendo novamente o retrato de uma classe urbana e artística de traços disfuncionais, em que o peso da idade serve para uma nova comédia de costumes e de tempos com Nova Iorque em pano de fundo.

Trudno byt’ Bogom (Hard to be a God), de Aleksey German - Silvestre
É difícil ser um deus: sobretudo se cairmos, como extraterrestres, num planeta igual à Terra, e formos aclamados como divindades num tempo vivido há 800 anos. Hard to be a God pega num livro de Arkady e Boris Strugatsky e no conflito entre dois mundos para servir de estudo sobre a natureza humana. Planeado durante quatro décadas, o último filme do realizador russo Aleksei German foi terminado, depois da sua morte em 2013, pelo seu filho e realizador Aleksei German Jr.

Queen of Earth, de Alex Ross Perry - Silvestre
Em Queen of Earth, a Elizabeth Moss junta-se Katherine Waterston e um curto elenco. Entre as duas actrizes, a câmara faz e refaz os nós de uma crescente neurose entre duas amigas no espaço de uma casa de férias. Um thriller emocional que ecoa os caminhos traçados por Bergman em Persona ou a paranóia dos interiores de Polanski em Rosemary’s Baby.

Curtas-metragens

Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos -  Competição Nacional
Em Cinzas e Brasas, Manuel Mozos entra pelo campo da literatura, com Isabel Ruth como Dulce Maria Cardoso, para filmar uma casa de escrita e memórias.

A Rapariga de Berlim, de Bruno de Freitas Leal - Novíssimos
A Rapariga de Berlim filma o segundo capítulo de uma relação numa Lisboa solitária e poética.

Provas, Exorcismos, de Susana Nobre -  Competição Nacional
Presente este ano também na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, oferece um olhar fictício, também de influência documental, sobre o desemprego e uma terra tocada pelo falhanço da política.

Cavern Club, de Gonçalo Soares - Novíssimos
O bar de estreia dos Beatles empresta o seu nome a Cavern Club, a história de um montador perdido entre uma Lisboa turística, uma precária indústria de cinema e manifestações de uma geração sem futuro.

Seafood Porn, de Momoko Seto - Boca do Inferno
Seafood Porn traz-nos pornografia de pescado em stop-motion.

Música Moderna – Um Disco Filme de Tochapestana, de Tochapestana - IndieMusic
Os Tochapestana, num contexto performático, chamam os nossos corpos pela via do glitter (ou género associado à sua música: baile-turbo-punk). Pela estética dos anos 80 e a sua atracção pelo imaginário popular português, os videoclips do duo musical (onde se inclui o realizador Gonçalo Tocha) espelham o universo do seu álbum Música Moderna.

Habana, de Edouard Salier - Sessões Especiais
Um jovem rapaz leva-nos pelo caos de Havana, uma cidade à beira da guerra-civil.

Nos Campos em Volta, de João Botelho - Sessões Especiais
João Botelho traz-nos aqui um filme sobre as histórias e lendas que se escondem na paisagem de Serpa.

Kacey Mottet Klein, Naissance d’un acteur, Une petite leçon de cinéma, de Ursula Meier - Silvestre
A realizadora Ursula Meier olha para o crescimento e o trabalho do seu jovem actor de Home (2008) e Irmã (2012) através da sua presença e palavras.

Conhece toda a programação do IndieLisboa, horários e outras informações em www.indielisboa.com.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sugestão da Semana #164

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Phoenix, de Christian Petzold, protagonizado por Nina Hoss. O filme passou pelo Lisbon & Estoril Film Festival em Novembro de 2014.

PHOENIX


Ficha Técnica:
Título Original: Phoenix
Realizador: Christian Petzold
Actores:  Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Nina Kunzendorf
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Estreias da Semana #164

Dez filmes chegaram na passada Quinta-feira aos cinemas portugueses.

A Promessa de Uma Vida (2014)
The Water Diviner
A Promessa de uma Vida decorre quatro anos após a devastadora batalha de Gallipoli, na Turquia, durante a Primeira Guerra Mundial. O agricultor australiano Connor (Crowe) viaja para Istambul para descobrir o destino dos seus filhos, desaparecidos em combate, e aí estabelece uma relação com uma bela turca (Kurylenko), dona do hotel onde fica hospedado. Agarrando-se à esperança, e com a ajuda de um oficial turco, Connor parte numa viagem por todo o país, para descobrir a verdade sobre a sorte dos seus filhos.

Amor Acidental (2015)
Accidental Love
Alice Eckle, uma ingénua criada de mesa em patins de uma pequena localidade do Indiana, está prestes a ficar noiva do seu namorado, o soldado Scott. No restaurante de luxo onde finalmente Alice tem o anel de noivado no dedo, um operário desajeitado atinge-a acidentalmente na cabeça com um prego disparado pelo seu berbequim.

Labirinto de Mentiras (2014)
Im Labyrinth des Schweigens
15 anos após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha concentra-se no seu dia-a-dia, e no milagre económico da reconstrução, esquecendo os acontecimentos de grande guerra. Um jovem advogado é colocado frente-a-frente com um jornalista que defende a memória das atrocidades cometidas no campo de Auschwitz, numa sociedade que já se esqueceu o que aconteceu nos campos de concentração. Perante o horror dos factos, é este procurador que vai enfrentar uma sociedade que escolheu esquecer, principalmente as cadeias de poder que fizeram tudo o que podiam para que os que serviram e executaram as ordens não fossem punidos.

Noite em Fuga (2015)
Run All Night
Jimmy Conlon (Neeson), um mafioso de Brooklyn e prolífico assassino em tempos conhecido como The Gravedigger, já viu melhores dias. Amigo de longa data do chefe da máfia Shawn Maguire (Harris), Jimmy, actualmente com 55 anos, é perseguido pelos erros do seu passado – e por um detective da polícia (D’Onofrio), que o procura há 30 anos. O único consolo de Jimmy nos últimos tempos parece encontrar-se no fundo de um copo de whisky.

O Rapaz Invisível (2014)
Il Ragazzo Invisibile
Michele (Ludovico Girardello) vive numa cidade à beira mar. Ninguém diria que ele é popular na escola, um estudante brilhante ou bom nos desportos. Mas no fundo, ele não se importa. Michele contentar-se-ia com a atenção de Stella (Noa Zatta), a rapariga para quem olha durante todas as aulas. Mas Michele sente que Stella não tem a mínima consciência da sua presença. Um dia, a monotonia da vida normal é quebrada por uma descoberta extraordinária: Michele olha para o espelho e descobre que é invisível.

O Segurança do Shopping: Las Vegas (2015)
Paul Blart: Mall Cop 2
Depois de seis anos a garantir a segurança de tudo quanto é centro comercial, Paul Blart tem, finalmente, direito a umas merecidas férias. Viaja para Las Vegas com a sua filha adolescente antes desta entrar para a Universidade. Mas a segurança nunca tira férias e, quando o dever chama, Blart responde.

Outra Forma de Luta (2014)
Durante os últimos seis anos finais da ditadura fascista em Portugal, Carlos Antunes (Bigodes) e Nuno Bragança conheceram-se em Paris. Com base em passagens do livro Square Tolstoi, de Nuno Bragança, e em 13 perguntas que o autor deixou a Carlos Antunes, Outra forma de Luta retrata uma parte recente da História de Portugal, quando alguns acreditavam que só pela força seria possível solucionar o problema político português.

Outro País (2000)
A Revolução Portuguesa (1974-75) vista através dos olhares de alguns dos mais importantes fotógrafos e cineastas que testemunharam o evento. Quais eram os seus sonhos e expectativas? O que ficou do sonho da revolução?

Outubro Novembro (2013)
Oktober November
Numa pequena vila nos Alpes Austríacos há um hotel, agora encerrado. Há muitos anos, quando as pessoas ainda passavam as férias de Verão em lugares como aquele o negócio era próspero. Duas irmãs cresceram lá. Sonja agora vive em Berlim e é uma actriz famosa. A irmã Verena continuou a viver na aldeia e, após a morte da mãe, foi viver com a família para o hotel, onde também vive o pai de ambas. Mas quando este sofre um ataque cardíaco, Sonja regressa à terra natal e as duas irmãs reencontram-se.

Phoenix (2014)
Nelly Lenz é uma sobrevivente de um campo de concentração que ficou seriamente desfigurada. Lene Winter, que trabalha para uma agência judaica, leva-a para Berlim. Após a cirurgia de reconstrução, Nelly inicia a procura do seu marido Johnny. Quando finalmente o encontra, este não a reconhece. Ainda assim, ele aborda-a com uma proposta: uma vez que ela se parece com a sua mulher, que ele acredita estar morta, pede-lhe que esta o ajude a reclamar a considerável fortuna que ela deixou. Nelly concorda.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

FESTin'15: Os vencedores

O FESTin 2015 termina hoje e foram esta noite anunciados os grandes vencedores desta edição. O júri escolheu A Despedida, de Marcelo Galvão, como a Melhor Longa-metragem de Ficção e o seu protagonista, Nelson Xavier, como Melhor Actor. O prémio para Melhor Actriz foi para Priscila Fantin, no filme O Jogo de Xadrez.


José Eduardo Belmonte, do filme Alemão, foi escolhido como Melhor Realizador, com o seu elenco principal, composto por Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Mello Jr., Mariana Nunes, Milhem Cortaz e Otávio Müller, a receber uma menção honrosa. Por sua vez, o Prémio do Público foi para o português Lura, de Luís Brás.

Aqui fica a lista completa dos vencedores do FESTin'15:

FICÇÃO – Longas-metragens

Melhor Longa-Metragem: A Despedida
Menção Honrosa: Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Mello Jr., Mariana Nunes, Milhem Cortaz e Otávio Müller (Alemão)
Melhor Actor: Nelson Xavier (A Despedida)
Melhor Actriz: Priscila Fantin (Jogo de Xadrez)
Melhor Realizador: José Eduardo Belmonte (Alemão)
Melhor Longa-Metragem eleita pelo Público: Lura

FICÇÃO – Curtas-Metragens

Melhor Filme: Urbanos (de Alessandra Nilo)
Menção Honrosa: Balança (de Rui Falcão)
Menção Honrosa: O Mal e a Aldeia (de David Serôdio e Diogo Lima)
Melhor Curta-Metragem eleita pelo Público (ex-aequo): A Boneca e o Silêncio (de Carol Rodrigues)
Melhor Curta-Metragem eleita pelo Público (ex-aequo): O Mal e a Aldeia (de David Serôdio e Diogo Lima)

DOCUMENTÁRIOS

Melhor Documentário: Setenta (de Emília Silveira)
Menção Honrosa: Sem Pena (de Eugenio Puppo)
Menção Honrosa: Qitupo, Hoyé (de Chico Carneiro e Rogério Manjate)
Melhor Documentário eleito pelo Público: Água para Tabatô (de Paulo Carneiro)