segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sugestão da Semana #173

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de animação Divertida-Mente.

DIVERTIDA-MENTE


Ficha Técnica:
Título Original: Inside Out
Realizadores: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen
Actores: Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black, Phyllis Smith, Kaitlyn Dias, Richard Kind, Mindy Kaling, Lewis Black
Género: Animação, Comédia, Drama
Classificação: M/6
Duração: 94 minutos

Estreias da Semana #173

As salas de cinema portuguesas receberam seis novos filmes na passada Quinta-feira. Divertida-Mente e San Andreas são dois dos filmes em destaque.

Alto Bairro (2015)
1950, Bairro Alto. João tem 13 anos e decidiu fazer uma investida no "bairro das prostitutas", em Lisboa. Foi o início de uma etapa nova na sua vida, num bairro também ele feito de etapas distintas. O que hoje resta do Bairro Alto das prostitutas, dos jornalistas, artistas e artesãos? Que mudanças o atravessam e como poderão afectar o futuro da cidade? Seguimos os rostos e as vozes que o recheiam pelas ruas vazias do dia e pela excitação da noite numa tentativa de inscrever as memórias e expectativas, os sonhos e anseios que compõem o Bairro Alto no ano do seu 500.º aniversário.

Cães Errantes (2014)
Jiao You
Um pai e seus dois filhos vagueiam como marginais em Taipei. Andam pelos rios e matas da periferia e pelas chuvosas ruas da cidade. De dia, o pai tenta ganhar algum dinheiro como “outdoor” humano de apartamentos de luxo, enquanto seus filhos procuram amostras grátis de comida em supermercados e shoppings. Toda noite, a família abriga-se num prédio abandonado. O pai está estranhamente fascinado pelo mural que enfeita a parede da casa improvisada. No seu aniversário, a família recebe a companhia de uma mulher. Será que ela pode ser a chave para desenterrar emoções do passado?

Inside Out: Divertida-Mente (2015)
Inside Out
Riley tem 11 anos e mudou-se com a família para São Francisco, onde o pai começou num novo emprego. Isso significou deixar amigos e a escola e começar tudo de novo. Uma tarefa nada fácil para a jovem. É aí que entram as suas emoções. A Alegria, o Medo, a Raiva, a Repulsa e a Tristeza. No centro de controlo, no interior do cérebro de Riley, são eles que vão aconselhá-la ao longo do dia.

Maggie (2015)
Uma pandemia viral necrótica alastra por toda América, incluindo uma pequena cidade onde mora Maggie (Abigail Breslin), de 16 anos, obrigando as autoridades a estabelecer um protocolo: todos os pacientes infectados com o vírus mortal devem ser afastados da sociedade e levados para enfermarias especiais de isolamento de forma a completar a agonizante e perigosa transformação em mortos-vivos. O que acontece depois disso não é revelado. Wade Vogel (Arnold Schwarzenegger) não está disposto a desistir da sua filha. Depois de semanas em busca de Maggie, em fuga após o seu diagnóstico, Wade traz a filha de volta a casa e à família – de onde faz parte Caroline (Joely Richardson), madrasta, e os seus dois filhos – para que passem juntos o tempo que lhe falta até que comece a extremamente dolorosa metamorfose.

Rasgar o Céu (2013)
Rasgar el Cielo
Um documentário sobre o universo do circo contemporâneo. Jovens que rasgam o céu com as suas acrobacias. Seguimos profissionais das grandes escolas de circo, incluindo o Chapitô e o Cirque du Soleil, num filme que retrata a vida de talentosos estudantes de circo, num esforço para alcançar a perfeição e ter um lugar neste mundo tão fascinante quanto competitivo. O filme foi rodado em 11 países.

San Andreas (2015)
Depois da conhecida falha de San Andreas ceder, desencadeando na Califórnia um sismo de magnitude nove, um piloto de helicóptero de resgate e salvamento (Dwayne Johnson) e a sua ex-mulher (Carla Gugino) fazem juntos o caminho de Los Angeles até São Francisco para salvar a sua única filha. Mas esta arriscada viagem é apenas o início. E quando eles pensam que o pior já passou... está, na verdade, a começar.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

O Filme da Minha Vida, por Edgar Pêra

O Filme da Minha Vida
por Edgar Pêra

As Aventuras de Buckaroo Banzai na Oitava Dimensão não é o melhor filme do mundo (mas qual é? para mim de certeza que não é Vertigo) nem consta das listas de melhores filmes de sempre, no entanto é o filme que mais vezes vi. Nunca o visionei numa sala de cinema mas vi-o mais de 4 dezenas de vezes numa sala de tver. Porque vi Buckaroo tantas vezes? Qual seria o motivo? Antes de mais, Buckaroo estimula no espectador o estatuto de fã (de cinema de culto). Os fãs convencionais de ficção científica tinham Star Wars e Star Trek, nós tínhamos Buckaroo.

Vi Buckaroo pela primeira vez em 1985, na companhia de correligionários e parceiros de aventuras, amigos das áreas do cinema, da escrita e da música pop/rock. O ambiente era quase sempre de festa. Estes visionamentos selvagens aproximavam-se das sessões dos primórdios do cinema, em que os espectadores ainda não se encontravam domesticados. Procurávamos alternativas de modos de viver e de criar no cinema de tendência trans-realista e Buckaroo foi o catalisador de dezenas de noites de galhofa e transe. Conhecíamos os diálogos e todos os pequenos detalhes de nonsense que a narrativa comportava. A arte do filme estava nos nossos olhos. Totalmente descomplexado, Buckaroo era sincrónico com os nossos propósitos: fazer ruir o sistema de sobriedade vigente.

Escrito por Earl Mac Rauch e realizado por W.D. Richter, As Aventuras de Buckaroo Banzai Através da Oitava Dimensão é o resultado da harmonia total de pormenores, do guião ao casting, da banda sonora minimal pop aos adereços ecológicos alienígenas low-fi, tudo se combina para produzir uma pequena pérola de cine-paródia, que assenta nessa constante revelação: “isto é apenas um filme”.

Mas afinal quem é Buckaroo Banzai? Buckaroo Banzai é um (super)crioulo nipo-americano renascentista: neuro-cirurgião, astrofísico cantor e guitarrista rock, piloto de ensaio, protagonista de um comic (da Marvel), e líder dos Hong Kong Cavaliers, cuja sede é um ultra-sofisticado autocarro (inspirado numa capa de um disco de Elvis Costello) que os leva em tournée. Richter procurava no actor que interpretasse Buckaroo alguém que pudesse parecer heróico mesmo cheio de graxa na cara e que ao mesmo tempo projectasse a inteligência que associamos a um neurocirurgião ou inventor. Escolheu Peter Weller - o Buckaroo perfeito, com os seus olhos azuis cristalinos e penetrantes, actor-guitarrista-cantor multifacetado como o herói que interpreta. O naipe de personagens rivaliza com o de filmes como Casablanca: todos os actores são espectacularmente idiossincráticos, com um destaque especial para o Dr. Emilio Lizardo, interpretado por John Lithgow. É graças a esta personagem monty-pytonesca - um cientista italiano possuído por um lectróide do planeta dez da Oitava Dimensão - que o filme entra literalmente noutra dimensão, de delírio puro. É também graças a Lizardo que a palavra flashback se materializa pela primeira vez numa película (ver foto).


Esta paródia trans-realista, que começa como se fosse o comic-book número 123 de uma série, não se preocupando em explicar as múltiplas ramificações narrativas implícitas nos diálogos entre personagens com nomes como Perfect Tommy e  New Jersey (para além de que John é o primeiro nome de todos os invasores alienígenas – e não são poucos). O filme abre com Buckaroo Banzai a operar o cérebro de um esquimó para pouco depois pilotar um carro supersónico e atravessar uma montanha, entrando numa zona negativa infra-atómica, habitada por criaturas lovecraftianas em rota de colisão com o seu veículo. A pretexto dos relatos radiofónicos de Orson Welles de uma invasão extraterrestre, que geraram o pânico nos Estados Unidos, o argumentista encontrou uma solução inter-textual e inter-media (da rádio ao cinema, da realidade à ficção) e cozinhou uma premissa genial: e se a invasão de 1938 tivesse sido real e os invasores Lectróides tivessem raptado Welles, obrigando-o a radiodifundir que a invasão alienígena era apenas de uma encenação (e desde aí ocuparam o nosso planeta, camuflados)? E tudo isso explicado ao piano por Jeff Goldblum vestido de cowboy-palhaço?

Os alienígenas-bons desta fita imitam rudimentarmente a cultura terráquea: são pseudo-rastas que comunicam através de uma gramática invertida (sujeito depois do verbo) e de uma linguagem gestual estilo alien-hip-hop. O filme não pára nos créditos finais (que Wes Anderson citou em The Life Aquatic with Steve Zissou): são um cine-épico de simplicidade, entre a passagem de modelos e o desfile carnavalesco de uma banda pop. E ainda hoje há quem aguarde ansiosamente pela sequela anunciada no fim do filme (quem me dera ser eu a fazê-la, claro).

Buckaroo é um filme para quem não tem medo de não saber tudo e nesse sentido influenciou-me tanto como Eraserhead. Quis mais tarde criar no espectador dos meus filmes essa mesma sensação, de que um filme é um mistério, que merece múltiplas visitas de espírito aberto.

As Aventuras de Buckaroo Banzai Através da Oitava Dimensão é à primeira vista o típico filme de aventuras pós-moderno, repleto de citações e clichés reciclados, da pulp fiction (Doc Savage) e de séries de ficção científica (Outer Limits) mas, a meu ver, vai muito mais longe do que os seus companheiros de viagem, quer seja  Indiana Jones ou até Jack Burton de Carpenter (que conta também com um argumento de Richter). Como afirma o recém convertido Bowes, a atenção que o filme exige do espectador coloca-o numa categoria diferente de outros filmes de (regresso ao) entretenimento. Buckaroo é um filme que se insere na tradição da cine-paródia, aderindo à ideologia do série B-ismo, ridicularizando e desconstruindo convenções do género, criando novas regras e atitudes. Sem proselitismos nem austeridades. Querem melhor de um filme menor?  

Termino citando uma expressão confucionista de Buckaroo: “No matter where you go… there you are”

*texto adaptado de artigo para revista Argumento.
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Edgar Pêra é realizador e na sua extensa filmografia encontramos títulos como A Janela (Maryalva mix), O Barão ou, mais recentemente, Virados do Avesso - entre muitos outros.

Agradeço ao Edgar ter aceite o meu desafio!

[TAG] Viciado em Séries

O Hoje Vi(vi) um Filme foi nomeada pelo Sala3 para responder a uma tag sobre as suas séries favoritas. Não será uma tarefa fácil, porque por aqui é mesmo muito raro ver séries, portanto não se choquem com as respostas pouco criativas e repetitivas.

Para continuar o desafio, ficam aqui os nomeados do Hoje Vi(vi) um Filme:




1) Qual a tua série favorita?
Acompanhei mesmo mesmo muito poucas - desculpem-me os fãs de séries. Acredito que vá corrigir ligeiramente este erro em breve. Mas, com o que tenho visto, respondo True Detective.


2) Qual a série que recomendarias a qualquer pessoa?  
Vão começar as repetições: True Detective.

3) Qual a série com o melhor figurino?
Nunca vi um episódio de Game of Thrones, mas acredito que seja justo atribuir-lhe este título.


4) Qual foi a última série que viste?
Adivinhem... True Detective.

5) Já ficaste triste com o final de alguma série?
Para já, não.

6) Que personagem gostavas de ser?
Assim, de repente não me ocorre ninguém. Sou uma vergonha. :P


7) Que série tens vontade de ver?
Breaking Bad, House of Cards e Fargo.

8) Que série não tens vontade de ver?
How I Met Your Mother.


9) Já viste alguma série só porque sim? Se sim, qual?
Vi a primeira temporada de Glee porque toda a gente falava nisso na altura. Depois não tive paciência para continuar a seguir.

10) Pensa em alguém. Diz quem é e que série gostam de ver juntos?
Tenho a certeza que o meu namorado não se importaria nada de rever comigo Breaking Bad.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sugestão da Semana #172

Das estreias da passada Quinta-feira, a escolha é difícil, mas por aqui a curiosidade recai especialmente sobre O Olhar do Silêncio, de Joshua Oppenheimer - que conquistou com o seu corajoso O Acto de Matar.

O OLHAR DO SILÊNCIO


Ficha Técnica:
Título Original: The Look of Silence
Realizador: Joshua Oppenheimer
Género: Documentário
Classificação: M/16
Duração: 103 minutos

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Estreias da Semana #172

Quarta e Quinta-feira estrearam nos cinemas portugueses cinco filmes. Mundo Jurássico e Enquanto Somos Jovens estão entre os novos títulos em sala.

Enquanto Somos Jovens (2015)
While We're Young
Enquanto Somos Jovens é tanto uma comédia multigeracional de Noah Baumbach sobre envelhecimento, ambição e sucesso, como um retrato dinâmico de um casamento testado pelas forças invasoras da juventude. Nenhum filme captura tão bem o bizarro e a lógica invertida das tendências urbanas: os mais velhos agarrados aos seus iPads e Netflix, os mais jovens ansiando por discos de vinil e cassetes VHS vintage.

Mekong Hotel (2012)
Um retrato de um hotel perto do rio Mekong, o rio que marca a fronteira entre a Tailândia e o Laos. Nos quartos e nos terraços, Apichatpong ensaiou um filme que não chegou a ser feito. O filme divaga entre a ficção e o documentário, os laços entre uma mãe e a sua filha, dois amantes e o rio. Mas ao ser filmado durante as cheias na Tailândia é também atravessado pela demolição, a política e os sonhos de futuro.

Mundo Jurássico (2015)
Jurassic World
Steven Spielberg regressa como produtor executivo de Mundo Jurássico, da sua série Parque Jurássico. Colin Trevorrow realiza o filme a partir do argumento escrito em conjunto com Derek Connolly. Frank Marshall e Pat Crowley juntam-se à equipa como produtores.

O Olhar do Silêncio (2014)
The Look of Silence
Depois de O Acto de Matar que desafiou os líderes impenitentes dos esquadrões da morte na Indonésia a encenar o seu papel no genocídio nos anos 1960, O Olhar do Silêncio explora o que é ser um sobrevivente numa realidade assim. Filmando os responsáveis pelo genocídio, uma família de sobreviventes descobre como é que o filho foi assassinado e a identidade dos homens que o mataram. O mais novo dos irmãos está determinado a quebrar o feitiço de silêncio e medo sob o qual vivem os sobreviventes e, assim, confronta os homens responsáveis pelo assassinato do irmão – algo inimaginável num país onde os assassinos permanecem no poder.

Uma Equipa de Sonho (2012)
Les Seigneurs
O filme retrata a história de Patrick Orbéra (José Garcia), uma antiga estrela do futebol que perdeu totalmente a sua glória. Sem emprego, alcoólico e em ruína, perdeu, inclusive, o direito de ver a sua filha Laura. Forçado por um juiz a procurar um emprego estável, ele não tem outra opção se não partir rumo a uma pequena ilha bretã para treinar a equipa de futebol local. Caso esta vença os três jogos seguintes, conseguirá juntar dinheiro suficiente para salvar a fábrica de conservas da ilha, em liquidação judicial, que emprega metade dos habitantes. Patrick Orbéra é imediatamente confrontado com um obstáculo maior: transformar os pescadores em futebolistas quase profissionais. Decide então chamar os seus antigos companheiros para o ajudarem a fazer deste pequeno clube bretão um dos grandes.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sugestão da Semana #171

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Estações da Cruz, de Dietrich Brüggemann.

ESTAÇÕES DA CRUZ


Ficha Técnica:
Título Original: Kreuzweg
Realizador: Dietrich Brüggemann
Actores: Lea van Acken, Franziska Weisz, Florian Stetter, Anna Brüggemann, Lucie Aron, Moritz Knapp
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 107 minutos

sábado, 6 de junho de 2015

Estreias da Semana #171

Esta Quinta-feira foram quatro os filmes que chegaram às salas de cinema portuguesas. A Criança Nº44 e A Mulher de Ouro estão entre os títulos estreados.

A Criança Nº44 (2014)
Child 44
Baseado no best-seller de Tom Rob Smith, A Criança Nº 44 é um thriller que tem como pano de fundo a Rússia Estalinista dos anos 50. Produto do sistema soviético e órfão tornado herói, Leo Demidov (Tom Hardy) subiu na hierarquia do KGB, até se transformar numa estrela das investigações de actividades dissidentes.

Estações da Cruz (2014)
Kreuzweg
Maria está presa entre dois mundos. Aos 14 anos, na escola, tem os mesmos interesses de qualquer outra adolescente daquela idade, mas em casa, com a família, segue os ensinamentos católicos tradicionais da Sociedade Pio XII.

Mulher de Ouro (2015)
Woman in Gold
60 anos após ter fugido de Viena durante a Segunda Guerra Mundial, uma mulher idosa judia, Maria Altmann (Helen Mirren) começa sua jornada para recuperar os bens da família apreendidos pelos nazis, entre eles o famoso quadro Retrato de Adele Bloch-Bauer I, de Gustav Klimt. Juntamente com o seu inexperiente mas corajoso advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), Maria Altmann embarca numa grande batalha que os leva a confrontar o Estado austríaco e o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, e que a obriga, ao longo deste processo, a confrontar-se com verdades difíceis sobre o passado.

Spy (2015)
Susan Cooper (Melissa McCarthy) é uma simples e sedentária analista da CIA, e o herói não reconhecido por trás das missões mais perigosas da Agência. Mas quando a identidade do seu parceiro (Jude Law) e de outro agente (Jason Statham) é comprometida, Cooper voluntaria-se para se disfarçar e infiltrar-se no mundo de um traficante de armas mortais, tentando evitar um desastre global.