quarta-feira, 24 de abril de 2024
Crítica: Guerra Civil / Civil War (2024)
domingo, 21 de abril de 2024
Sugestão da Semana #610
sábado, 30 de dezembro de 2023
Crítica: Assassinos da Lua das Flores / Killers of the Flower Moon (2023)
"I don't know what you said, but it must've been Indian for 'handsome devil'."
Ernest Burkhart
*8/10*
Martin Scorsese juntou dois dos seus actores de eleição - Leonardo DiCaprio e Robert De Niro - e adaptou ao cinema o livro homónimo Assassinos da Lua das Flores, de David Grann, baseado em acontecimentos reais.
Eis Scorsese puro e duro, a pisar território índio - com respeito e humildade -, mas sempre com uma máfia de homens brancos a explorar terrenos e narrativa.
"Durante os anos de 1920, nas terras ricas em petróleo da Nação Osage, no estado norte-americano do Oklahoma, dezenas de assassinatos em circunstâncias misteriosas desencadeiam uma operação em grande escala por parte do recém-formado FBI". Assassinos da Lua das Flores parte da história real, narrada através do invulgar romance de Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio) com a indígena Mollie Kyle (Lily Gladstone), que se envolve na conspiração do poderoso fazendeiro William Hale (Robert De Niro), admirado por brancos e indígenas e capaz de tudo por petróleo.
O amor e a cobardia andam de mãos dadas na construção da personagem de DiCaprio (algo diferente dos seus papéis mais recentes): um homem apaixonado, mas de fraco carácter e sem personalidade. Reinará sempre a dúvida na plateia: Será ele um ignorante que não sabe distinguir o bem do mal; um cobarde cheio de traumas que tem tanto medo de perder a mulher da sua vida como a protecção do seu tio; ou um traumatizado de guerra sem discernimento?
Deambulando entre o western e o thriller, a longa-metragem dá destaque ao trabalho dos actores. Para além de DiCaprio, Robert DeNiro, eterno colaborador de Scorsese e sempre à altura dos desafios, é William Hale, homem poderoso, manipulador e sem escrúpulos, que se acha acima de todas as leis. Jesse Plemons é o agente do FBI Tom White, símbolo da justiça que tardava em chegar ao território Osage, e sinónimo de alguma esperança para o povo índio. Mas é para a personagem feminina, Mollie Kyle, interpretada pela actriz indígena Lily Gladstone, que todas as atenções se viram. Uma mulher independente (apesar das limitações impostas pelos homens brancos), cuja vida é marcada pela paixão e tragédia, sendo que a primeira virá a contribuir, em muito, para a segunda. Um papel entre a contenção, a desconfiança e o desalento, capaz de tocar a plateia como poucos.
A revolta é crescente em Assassinos da Lua das Flores, quer junto da plateia, como da comunidade índia na longa-metragem. As atrocidades vão surgindo em crescendo, com a violência e crueldade que o realizador sempre soube bem filmar. A par dos horrores retratados, o racismo e a falta de carácter dos homens brancos e poderosos conseguem ser verdadeiramente chocantes.
Assassinos da Lua das Flores é uma obra opressiva, que clama por justiça, fazendo ressurgir um Martin Scorsese fiel às suas temáticas, mas aberto a novos horizontes narrativos.
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
Sugestão da Semana #584
domingo, 27 de março de 2022
Oscars 2022: Os Actores Secundários
Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com dois desempenhos muito intensos e verdadeiramente merecedores de mérito. Já J.K. Simmons, que muito admiro, não deveria constar entre os nomeados (poderia facilmente dar lugar a Jared Leto ou Al Pacino, por House of Gucci, por exemplo).
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Crítica: O Poder do Cão / The Power of the Dog (2021)
sexta-feira, 30 de abril de 2021
Crítica: Judas e o Messias Negro / Judas and the Black Messiah (2021)
"I am a revolutionary!"
Fred Hampton
*6/10*
Com um título sugestivo, Judas and the Black Messiah, de Shaka King, leva para o cinema um momento marcante da História recente dos EUA, centrando-se na vida e importância de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras.
"O informador do FBI William O'Neal (LaKeith Stanfield) infiltra-se no Partido dos Panteras Negras do Illinois com a tarefa de vigiar o seu líder carismático, Fred Hampton (Daniel Kaluuya). Ladrão de carreira, O'Neal aprecia o perigo de manipular os seus companheiros de partido e o seu contacto no FBI, o agente especial Roy Mitchell (Jesse Plemons). As proezas políticas de Hampton aumentam ao mesmo tempo que se apaixona pela companheira de luta Deborah Johnson (Dominique Fishback). Enquanto isso, trava-se uma batalha pela alma de O'Neal, indeciso entre a fidelidade aos seus irmãos dos Panteras Negras e as ordens do director do FBI, J. Edgar Hoover (Martin Sheen)."
Judas and the Black Messiah é um filme competente, com bons momentos de acção, e mais um retrato da brutalidade policial contra os afro-americanos e do racismo endémico dos EUA. Os discursos de Fred Hampton são apresentados com a grandiosidade que merecem, graças também à interpretação de Daniel Kaluuya.
No filme, o actor mostra a sua capacidade de transformação, com um papel exigente também fisicamente - a transformação física é evidente -, na pele deste jovem revolucionário, uma das figuras centrais entre os activistas pelos direitos civis nos EUA. Entre a revolta, a emoção e o desejo de justiça, Kaluuya cativa o seu público dos dois lados do ecrã. Ao seu lado, LaKeith Stanfield distingue-se na pele do infiltrado que vive em constante dilema.
Judas and the Black Messiah destaca-se ainda pelo trabalho de Sean Bobbitt na direcção de fotografia, proporcionando planos envolventes - especialmente nocturnos - que nos levam numa viagem aos anos 60.
Shaka King capta bem o ambiente de desconfiança, chantagem e medo que rodeava Fred Hampton e os que lhe eram próximos. A perseguição cerrada por parte do FBI, injustiças e contradições são denunciadas no grande ecrã, num resultado dinâmico e honroso para a memória de Hampton.
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