Hoje vi(vi) um filme: Doclisboa'15: Listen to me Marlon (2015)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Doclisboa'15: Listen to me Marlon (2015)

*9/10*


Provavelmente, um dos melhores filmes do Doclisboa'15: Listen to me Marlon, de Stevan Riley, é um documentário íntimo, apaixonante e muito emotivo. O realizador conseguiu trazer o actor de novo à tela e pô-lo a contar-nos a sua vida, desabafar sobre o que o fez sofrer, confessar-nos as suas paixões, pensamentos, os seus sonhos, as suas causas. 

É como se, onze anos depois de o perdermos, Marlon Brando regressasse à Terra e renascesse, percorrendo novamente toda a sua vida em pouco mais de hora e meia, sem tabus, sem ressentimentos e, no fim, a Estrela regressa para de onde veio. Nesse entretanto, fez-nos sonhar, reacendeu paixões, curou rancores, deixou ainda mais saudades.

Listen to me Marlon provoca um misto de sentimentos. Com acesso exclusivo às cassetes de áudio, até agora desconhecidas, com centenas de horas de gravações feitas por Brando ao longo da sua vida, Stevan Riley revela-nos os pensamentos do actor. A sua vida é-nos contada apenas da perspectiva e pela voz do próprio.


E assim Stevan Riley faz uma obra-prima ou um milagre. Ressuscita o ícone. Convence-o a contar-nos tudo. O trabalho de montagem é fabuloso, a escolha das imagens de arquivo, das fotografias, dos excertos dos seus filmes, a sua fusão com as palavras de Marlon, gravadas ao longo dos anos, são o resultado de um trabalho exaustivo e exemplar de Riley. Inesperadamente, entramos na intimidade do polémico actor, mas sem promiscuidade ou qualquer voyerismo. Em Listen to me Marlon, o público é parte dele, ri-se, chora e sofre com ele.

Entre a infância difícil, as paixões de juventude e a ascensão de uma estrela, não faltam os momentos mais difíceis, o declínio da carreira e o novo rumo que depois tomou e, sempre, o seu charme e talento. Perto do fim, o sofrimento e a dor, uma faceta mais desconhecida da vida de um dos melhores actores que o mundo alguma vez viu.

Listen to me Marlon é poesia, é cinema. É arte, é memória.

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