terça-feira, 11 de novembro de 2025
Sugestão da Semana #691
segunda-feira, 1 de janeiro de 2024
Crítica: Retratos Fantasmas (2023)
"Eu amo o centro do Recife, tem um clima de quem foi abandonado sem grandes explicações"
Kleber Mendonça Filho
*8/10*
Imaginação e realidade fundem-se como provocação de Kleber Mendonça Filho no seu mais recente documentário Retratos Fantasmas, uma viagem espácio-temporal ao centro da cidade do Recife, no Brasil, entre a vivacidade dos tempos áureos e a decadência a que as décadas a têm vetado. Em cada recanto, um espírito do passado, uma memória e, principalmente, a resistência. Tudo isto, contado através do(s) cinema(s).
"Fruto de sete anos de trabalho e pesquisa, filmagens e montagem, Retratos Fantasmas traz o espaço histórico e humano como o personagem principal, revisitando-o através dos grandes cinemas que serviram como espaços de convívio durante o século XX".
O realizador divide o filme em três partes, sempre com a memória ao comando: 1.ª Parte: O Apartamento de Setúbal; 2.ª Parte: Os Cinemas do Centro do Recife; e 3.ª Parte: Igrejas e Espíritos Santos. Começa pelo espaço que lhe é mais próximo: a sua casa, onde viveu a maior parte da vida, um espaço privado que se tornou público como cenário de muitos dos seus filmes - não faltam aqui excertos deles, com O Som ao Redor a assumir um papel preponderante (e o espírito e latidos do cão Nico ainda tão presentes). Seguem-se os cinemas do centro do Recife, dos seus tempos áureos de salas cheias. E se, há algumas décadas, era uma cidade agitada e na moda - que até Janet Leigh e Tony Curtis a visitaram, nos anos 60 -, tudo esmoreceu, o dinheiro, que antes abundava, foi para outro lado. Recife ficou despida da alegria e do movimento, com o encerramento dos seus cinemas, um a um. Resta o resistente São Luiz para iluminar o centro e fazer sonhar.
A terceira parte de Retratos Fantasmas, Igrejas e Espíritos Santos, conduz a plateia pelos detalhes grandiosos do São Luiz, que continua a atrair espectadores, e foi ele mesmo construído no lugar onde antes estava uma igreja anglicana. Mas revisita também os antigos cinemas que são agora igrejas evangélicas (inevitável será lembrar que o lisboeta Cinema Império teve o mesmo fim), curiosas (e tristes) coincidências que o mordaz crivo do realizador não deixaria passar.
Destaque para um dos momentos mais comoventes da longa-metragem, em que o foco é Alexandre Moura, o projeccionista do Art Palácio que Kleber filmou nos seus tempos de estudante. Entre o trabalho árduo, as recordações históricas e a nostalgia que atravessa o ecrã, em vésperas de fecho do cinema, o seu testemunho é um valioso arquivo para reconstituir a História daquele espaço.
Através de inúmeras imagens de arquivo, entre filmes e fotografias, Kleber Mendonça Filho mostra os mesmos locais ao longo dos tempos, a sua evolução ou desaparecimento - e os fantasmas que continuam a pairar, enquanto houver memória. Porque os filmes são capazes de (re)construir uma casa ou uma cidade e acrescentar-lhes um pouco de fantasia só torna tudo mais misterioso e apaixonante.
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
Sugestão da Semana #575
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
Estreias da Semana #575
sexta-feira, 23 de junho de 2023
Curtas Vila do Conde 2023: Programa fechado
A 31.ª edição do Curtas Vila do Conde já tem programa fechado. O festival acontece de 8 a 16 de Julho.
![]() |
| Carta a Mi Madre Para Mi Hijo, Carla Simón |
Destaque para as estreias nacionais das mais recentes obras dos veteranos: Lucrecia Martel (Camarera de Piso), Carla Simón (Carta a Mi Madre Para Mi Hijo), Antonin Peretjatko (Les Algues Maléfiques), Jean-Gabriel Périot (L'effort des Hommes) e a dupla Benjamin de Burca e Bárbara Wagner (Fala da Terra). Do lado dos novos autores, encontram-se obras da francesa Sarah-Anaïs Desbenoit, do egípcio Morad Mostafa, da francesa Julia Kowalski, do chinês Zhang Dalei, do franco-alemão Lucas Malbrun, do italiano Francesco Sossai e da espanhola Irati Gorostidi Agirretxe.
No que respeita a filmes nacionais, passam por Vila do Conde obras de António Pinhão Botelho, Basil da Cunha, David Ferreira, Dimitri Mihajlovic & Miguel Lima, Diogo Baldaia, Duarte Coimbra, Francisco Carvalho, Inês Teixeira, Mário Macedo & Vanja Vascarac, Marta Monteiro, Mónica Lima, Nuno Amorim, Pedro Bastos, Pedro Neves, Susana Abreu e Tomás Baltazar. A programação de filmes produzidos em Portugal integra ainda uma sessão especial com as três curtas que integraram o programa A Fábrica de Realizadores – Norte de Portugal, exibido em Cannes (Espinho, de André Guiomar e Mya Kaplan; Maria, de Mário Macedo e Dornaz Hajiha; As Gaivotas Cortam o Céu, de Mariana Bártolo e Guillermo Garcia Lopez), bem como as exibições, na sessão de Panorama Nacional, de Pátio do Carrasco, de André Gil Mata, Naquele dia em Lisboa, de Daniel Blaufuks, e O Homem das Pernas Altas, de Vítor Hugo Rocha.
![]() |
| 2720, Basil da Cunha |
A abrir o Curtas 2023 estará, em antestreia nacional, 20000 Espécies de Abelhas, a primeira longa-metragem de Estibaliz Urresola Solaguren, que conquistou o Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal na Berlinale deste ano. O filme é exibido no dia 8 de Julho, pelas 19h00, e terá estreia comercial a 20 de Julho. A encerrar o festival, a 15 de Julho, estará Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho. A estreia comercial em Portugal está marcada para 24 de Agosto.
Na secção Cinema Revisitado (onde já tinha sido anunciado o foco na obra de Walerian Borowczyk), o FILMar e o Curtas juntam-se para revisitar a obra de Augusto Cabrita (1923-1993), no centenário do seu nascimento. O programa integra sessões de cinema, conversas e uma exposição, "que sublinham as dimensões do atento observador do diálogo entre a paisagem, social e marítima, a sua transformação pela acção humana e o que se pode guardar de uma memória em fuga".
A secção New Voices (dedicada à obra de jovens cineastas) traça, este ano, um olhar sobre as obras do português João Gonzalez — com uma carte blanche que integra filmes seus, algumas escolhas e a exposição Ice Merchants: do Sub-Consciente ao Ecrã —, da espanhola Estibaliz Urresola Solaguren e do colectivo de media de guerrilha pseudo-marxista, Total Refusal.
O Curtas Vila do Conde tem ainda um programa especial de cinema e oficinas dedicadas ao público infanto-juvenil e familiar (Curtinhas), tal como a competição de cinema de escola (Take One) e o Prémio do Público Europeu.
Já anunciados para o Curtas 2023, estavam os programas centrados nas obras de Billy Roisz, Deborah Stratman e Radu Jude, bem como os dois filmes-concerto integrantes da secção Stereo: Bohren & der Club of Gore x Le Révélateur, de Philippe Garrel (13 de Julho, 23h30, Teatro Municipal de Vila do Conde), e Miaux x Carnival of Souls, de Herk Harvey (14 de Julho, 23h30, Teatro Municipal de Vila do Conde), e ainda o regresso aos palcos dos TURBO JUNK I.E. (10 de Julho, 23h30, Teatro Municipal de Vila do Conde).
Mais informações sobre festival vila-condense em www.curtas.pt.
domingo, 22 de dezembro de 2019
Sugestão da Semana #408
Elenco: Bárbara Colen, Udo Kier, Sônia Braga, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Karine Teles, Antonio Saboia, Jonny Mars
Género: Acção, Aventura, Mistério, Ficção Científica, Thriller, Western
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
Crítica: Bacurau (2019)
sexta-feira, 31 de março de 2017
Crítica: Aquarius (2016)
"Há pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração"Clara (trauteando canção de Paulinho da Viola)
Clara (Sonia Braga), uma viúva de 65 anos, crítica de música reformada, nasceu numa família rica e tradicional no Recife, Brasil. Ela é a última residente do Aquarius, um edifício construído nos anos 40, na zona cara junto ao mar da Avenida Boa Viagem, no Recife. Todos os apartamentos vizinhos já foram adquiridos pela empresa que apresentou projectos para construir um novo empreendimento. Clara jura que só sairá dali morta e entra numa guerra fria com a empresa, num confronto obscuro e emocionalmente desgastante. Esta tensão não só perturba Clara como torna as suas rotinas exasperantes, levando-a a reflectir sobre si e aqueles que ama, o seu passado e o seu futuro.
Aquarius é uma metáfora fabulosa do seu país de origem: incómodo, directo, batalhador, desafiador. O filme alimenta-se de um realismo cru, de um retrato de uma mulher reformada, inteligente e culta - cultura sempre foi a sua vida -, agora assombrada pela pressão da especulação imobiliária. Mas ao real adiciona-se uma pitada de fantasia e aí surge uma magia ainda maior. A cómoda - metafísica - que está naquela sala há tantas décadas, testemunha silenciosa de alegria, prazer ou mágoas, invoca o passado que agora Clara recorda, agora, na eminência de lhe roubarem a casa que guarda todas as memórias da família. O cabelo da protagonista - curto em jovem, comprido e forte aos 65 anos - é outro dos grandes símbolos da longa-metragem, conferindo uma personalidade ainda mais vincada a Clara.
Aquarius divide-se em três partes e as opções de montagem funcionam na perfeição para criar algum suspense e imprevisibilidade no desenlace da acção. A acompanhar, a banda sonora contagiante e de excelente gosto, ou não fosse a personagem principal uma crítica de música.
Sonia Braga é a heroína, a força da Natureza que mergulha nas águas agitadas das praias do Recife, admirada por todos, com a energia e vontade de viver de uma jovem. Clara quebra tabus e contraria estereótipos e a actriz parece ter nascido para a interpretar.
Aquarius é um alerta corajoso sobre um Brasil triste e receoso. Kleber Mendonça Filho veio marcar a História do cinema brasileiro com um filme tão mágico quanto cruel, mas cheio de verdade. E que bom é ver Sonia Braga novamente na ribalta.
quarta-feira, 22 de março de 2017
Sugestão da Semana #264
Ficha Técnica:
Actores: Sonia Braga, Maeve Jinkings, Irandhir Santos, Humberto Carrão
Classificação: M/16
Duração: 146 minutos
-
"Eu trago a Guerra no pensamento e a Pátria no coração" Zacarias *9/10* Mosquito é o épico de guerra português, que...
-
O IndieLisboa 2026 já anunciou os vencedores desta edição. Barrio Triste , de Stillz , How to Catch a Butterfly , de Kiriko Mechanicus , e ...










%20lo.jpg)









