sexta-feira, 29 de dezembro de 2023
Crítica: Maestro (2023)
domingo, 24 de dezembro de 2023
Sugestão da Semana #593
terça-feira, 6 de junho de 2023
Opinião - Séries: Rabo de Peixe / Turn of the Tide / Mar Branco (2023)
sábado, 21 de janeiro de 2023
Crítica: A Oeste Nada de Novo / Im Westen nichts Neues / All Quiet on the Western Front (2022)
"My son killed in the war. He doesn't feel any honor."
Matthias Erzberger
A Oeste Nada de Novo filma, com uma beleza aterrorizante, a Primeira Guerra Mundial do lado do inimigo - o dos alemães -, revelando a inutilidade de um conflito armado que ceifou milhões de vidas. É a terceira adaptação cinematográfica (as outras duas datam de 1930 e 1979) do livro homónimo de Erich Maria Remarque.
"Quando Paul, de 17 anos, se junta à Frente Ocidental na Primeira Guerra Mundial, o seu entusiasmo inicial é abalado pela dura realidade da vida nas trincheiras."
Edward Berger filma um épico de guerra que espelha, em cada cena, toda a brutalidade e desumanidade do conflito, que aumentava à medida que as negociações do armistício tardavam. Ao mesmo tempo, regista-se o paradoxo: no conforto e segurança dos gabinetes ou no comboio das negociações, oficiais cercados de mordomias e boa comida decidiam o futuro dos que morriam e passavam fome no campo de batalha.
E se a Primeira Guerra Mundial é poucas vezes levada para o grande ecrã, filmá-la sob a perspectiva dos derrotados é ainda mais raro. Nesta adaptação, o realizador coloca o espectador ao lado dos alemães dentro das trincheiras ou no ataque corpo a corpo, seguindo de perto o protagonista, Paul (grande prestação do estreante Felix Kammerer), e os seus amigos e companheiros de batalha.
A Oeste Nada de Novo é um filme visceral e sujo, potenciado por uma direcção de fotografia soberba, capaz de planos que espelham o horror: cenários repletos de lama, corpos e sangue a perder de vista, sobre os quais paira uma névoa cerrada em tons de castanho e vermelho. Ali, tudo é morte.
A crueldade e a barbárie da guerra são retratadas com um realismo impressionante, num filme que ficará na memória pelo lado humano que capta, através de simples gestos ou olhares, e onde, afinal, todos foram vítimas.
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
Cinco longas-metragens de realizadoras portuguesas estreiam na Netflix
A partir de hoje, dia 4 de Novembro, há cinco novas longas-metragens de realizadoras portuguesas disponíveis na plataforma de streaming Netflix a nível mundial.
A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos, Desterro, de Maria Clara Escobar, Mar, de Margarida Gil, Simon Chama, de Marta Sousa Ribeiro, e Soa, de Raquel Castro, foram os projectos vencedores da convocatória aberta lançada pela Netflix e pela Academia Portuguesa de Cinema, "com o objectivo de apoiar as produtoras, guionistas e realizadoras nacionais que estiveram envolvidas diretamente em longas-metragens portuguesas de ficção e/ou documentário".
De um total de 31 candidaturas apresentadas, referentes a longas-metragens finalizadas entre 2019 e 2020, o concurso pretendia colmatar as disparidades de género no sector do cinema e audiovisual.
A estreia dos filmes acontece na véspera da celebração do Dia Mundial do Cinema, a 5 de Novembro.
O comité de selecção foi constituído por Carla Chambel, actriz, formadora e vice-presidente da Academia Portuguesa de Cinema; Fátima Ribeiro, guionista, professora e realizadora; Isadora Laban, Gestora de Conteúdos da Netflix Portugal e Espanha; e Tota Alves, guionista e realizadora.
Sobre as cinco longas-metragens:
"A Metamorfose dos Pássaros, com Catarina Vasconcelos na realização e Joana Gusmão na produção, este é um filme que retrata a história da família da cineasta Catarina Vasconcelos, abordando temas complexos como o amor, a distância a maternidade."
"Desterro, com realização de Maria Clara Escobar, uma longa-metragem que no feminino sobre a vida e as várias vidas, onde a poesia motivou o guião, questionando a representação da ideia de família na sociedade contemporânea."
"Mar, com Margarida Gil na realização e argumento e Rita Benis como coargumentista, retrata a história de vida de uma ex-funcionária da Comissão Europeia que decide mudar de vida e embarcar num veleiro que vai seguindo a rota dos descobridores Portugueses do séc. XVI em alto mar."
"Simon Chama, com Marta Sousa Ribeiro na realização e Joana Peralta na produção, um filme que conta a história de uma adolescente que procura escapar das amarras típicas da vertigem existente entre a infância e a idade adulta."
"Soa, com Raquel Castro na realização e argumento e Isabel Machado, Joana Ferreira e Sara Serra Simões na produção, aborda temas como as paisagens sonoras, o ruído e o silêncio e de que forma as paisagens sonoras afetam as pessoas, sendo que estas são na maior parte das vezes responsáveis pelo som que geram."
terça-feira, 18 de janeiro de 2022
Crítica: Identidade / Passing (2021)
"We're all passing for something or other, aren't we?"
Irene
*6.5/10*
Identidade (Passing) marca a estreia da actriz Rebecca Hall na realização e não deixou ninguém indiferente. O filme adapta ao cinema o romance de Nella Larson, de 1929, e aborda o racismo e a descriminação de um ponto de vista raras vezes abordado no cinema.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Crítica: O Poder do Cão / The Power of the Dog (2021)
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Crítica: A Mulher à Janela / The Woman in the Window (2021)
"You don't think it's paranoid if I wanna change the locks. Do you?"
Anna Fox
*3/10*
A Mulher à Janela, de Joe Wright, quer ser tanto e acaba por ser tão pouco. Um filme sem alma, que começa com mistério e termina num autêntico terror. Ver Joe Wright associado a um filme tão pouco coeso e sem personalidade é a grande surpresa de uma longa-metragem que não é sequer capaz de valorizar o elenco.
"Confinada à sua casa por sofrer de agorafobia, uma psicóloga fica obcecada com os seus novos vizinhos e em resolver um crime brutal que testemunha pela janela."
Baseado no livro homónimo, de A. J. Finn (que não li), A Mulher à Janela pretende ser um Hitchcock dos tempos modernos - não lhe poupando referências, sendo a mais óbvia A Janela Indiscreta -, mas não lhe chega perto. Se, inicialmente, pode haver a esperança de estarmos perante um bom filme de mistério, com terror psicológico e voyeurismo à mistura, depressa nos desinteressamos do enredo confuso e pouco sustentado, com momentos quase cómicos, tal a implausibilidade ou a previsibilidade. Perto do fim, entramos noutra realidade, mais slasher, e num "novo" filme - ainda pior.
Há pouco a que nos possamos agarrar para defender A Mulher à Janela. Amy Adams é talvez o ponto mais forte, mas longe das grandes interpretações que marcam a sua carreira. A direcção artística será, provavelmente, o mais admirável da longa-metragem, com a mansão solitária de Anna a ganhar personalidade, seja pela imensa escadaria, pela clarabóia, ou pelos detalhes de decoração (a casa de bonecas, por exemplo, chama-nos logo a atenção).
Tanta paranóia, referências cinematográficas, clichés e reviravoltas sem fim, e eis o vazio sideral após os créditos finais. Nada fica connosco de A Mulher à Janela, apenas a satisfação de termos conseguido matar a curiosidade mórbida que nos assolava antes da visualização.
segunda-feira, 17 de maio de 2021
Crítica: Oxigénio / Oxygène (2021)
*6/10*
Em Oxigénio, Alexandre Aja usa a claustrofobia como arma narrativa, potenciada ainda mais pela aura de mistério sempre presente, num filme de ficção científica para a Netflix.
"Uma mulher acorda numa cápsula criogénica sem se recordar de quem é. Com o oxigénio a esgotar-se rapidamente, ela tem de recuperar a memória para conseguir sobreviver."
Muito ao estilo de Enterrado (Buried), de Rodrigo Cortés, eis uma versão sci-fi da claustrofobia cinematográfica. Se, no filme de 2010, tínhamos um homem fechado num caixão, agora a protagonista é uma mulher trancada numa unidade criogénica; para ambos, a única forma de contacto com o exterior é a partir de chamadas telefónicas - em Oxigénio adicionamos um assistente inteligente (Mathieu Amalric) à acção.
O terror de acordar num local fechado e sem espaço para grandes movimentos é comum aos dois filmes, bem como a forma como se desenrola a história. Mas em Oxigénio, o progresso científico parece estar na origem da situação em que a protagonista, Liz, se encontra. Sem memória, nem forma de escapar, a ajuda externa é complexa e as informações confusas. A claustrofobia adensa-se à medida que o oxigénio se esgota e as descobertas não são tranquilizantes.
Alexandre Aja é capaz de construir um ambiente angustiante e enclausurante, mas não cria nada que já não tivéssemos visto noutros filmes do género. O argumento de Christie LeBlanc torna-se cada vez mais complexo e, até certo ponto, previsível.
Mas a verdadeira fonte de oxigénio do filme é Mélanie Laurent, numa grande interpretação, capaz de passar por estados de espírito tão diversos em pouco tempo - e limitada no espaço -, num misto de emoções que vai da esperança, à confusão, descrença, desespero, raiva e pânico. Espectador e protagonista têm o mesmo nível de conhecimento desde o momento em que Liz acorda, e as descobertas vão sendo feitas ao mesmo tempo, dentro e fora do ecrã. Partilhamos o mesmo conflito interior, as mesmas dúvidas, fazemos suposições, questionamos as contradições e torcemos por ela, já que a empatia é inevitável.
Mélanie Laurent segura o filme com a mesma força com que a personagem não perde a vontade de sobreviver e é ela que nos faz suster o fôlego e acompanhar Oxigénio, com curiosidade, até ao fim.
quarta-feira, 14 de abril de 2021
Crítica: O Tigre Branco / The White Tiger (2021)
"But for the poor, there are only two ways to get to the top, crime or politics. Is it like that in your country too?"
Balram Halwai
*7/10*
O Tigre Branco (The White Tiger), de Ramin Bahrani, adapta ao cinema o livro homónimo de Aravind Adiga, e leva-nos numa viagem à Índia e às suas desigualdades, sempre acompanhados de um irresistível humor mordaz.
O jovem empreendedor Balram Halwai (Adarsh Gourav) narra a sua própria história, desde a infância e adolescência na aldeia pobre onde vivia, até se tornar motorista de uma abastada família indiana e todas as superações que se seguiram.
A ambição de chegar ao topo é o motor que faz Balram avançar, sem desistir, contra todas as injustiças e adversidades. A inocência vai-se perdendo e a raiva toma conta, naquilo que parece ser uma luta contra o próprio destino - a fuga do galinheiro.
Apropriando-se de alguns clichés, O Tigre Branco faz uma feroz crítica à sociedade indiana: a pobreza extrema, as castas, as desigualdades entre classes sociais, a corrupção na política - seja qual for a cor partidária -, o empreendedorismo e a concorrência são alguns dos temas mais dissecados.
Ramin Bahrani constrói uma comédia dramática (ou será um drama satírico?) com a vivacidade das paisagens e das gentes, mas igualmente com a violência necessária para corroer os males da sociedade. O resultado é um argumento incisivo e bem escrito num filme frenético e sensorial, onde as diferenças entre ricos e pobres são retratadas sem rodeios, como o dia e a noite.
A inesperada ascensão social de Balram - uma grande interpretação de Adarsh Gourav - , na rígida e retrógrada sociedade indiana, retrata a ambição e a vontade de sobreviver do tigre branco do título. Entre a diversão e o choque, Ramin Bahrani cria uma atmosfera inebriante que não deixará ninguém indiferente.
segunda-feira, 29 de março de 2021
Crítica: A Sabedoria do Polvo / My Octopus Teacher (2020)
"What she taught me was to feel... that you're part of this place, not a visitor. That's a huge difference."
Craig Foster
*8/10*
A Sabedoria do Polvo (My Octopus Teacher), de Pippa Ehrlich e James Reed, leva-nos a mergulhar com Craig Foster e a conhecer as maravilhas subaquáticas, em especial um polvo fêmea com quem desenvolve uma relação inesperada.
É numa floresta de algas na África do Sul que o cineasta Craig Foster fez as descobertas mais arrebatadoras da sua vida. Se, por um lado, foi ali que passou a infância, sempre em contacto com o oceano, também foi ali que se refugiou quando sentiu a vida desmoronar. A cura parece ter chegado através do animal mais inteligente do planeta.
As imagens que Foster registou dos seus encontros diários - ao longo de quase um ano - com a sua amiga de oito tentáculos, juntam-se aos seus mergulhos e depoimentos recentes em que descreve toda a experiência quase sobrenatural que viveu e que resulta neste documentário.
My Octopus Teacher é um retrato de uma sensibilidade e dedicação extraordinárias, da inacreditável amizade que se criou entre um polvo e um humano. Se, para o homem este convívio foi terapêutico e de grandes ensinamentos, parece-nos que, para o animal, a companhia foi igualmente estimulante. Eis uma relação que nos ensina a confiança, a dedicação e o carinho. A descoberta mútua de uma outra forma de vida, do perigo, adversidade e superação. Craig Foster teve quase um ano de emoções intensas e uma obsessão que nem todos compreenderão. O polvo fê-lo mudar a sua personalidade, as suas preocupações e o seu foco, ajudando-o a curar uma depressão e reforçando a relação com o filho - e observar a interacção dos dois com os animais selvagens é surpreendente.
sábado, 27 de março de 2021
Crítica: A Grande Escavação / The Dig (2021)
"From the first human handprint on a cave wall, we're part of something continuous. So, we... don't really die."
Basil Brown
*7.5/10*
A Grande Escavação (The Dig), de Simon Stone, faz um elogio a duas personalidades responsáveis por uma das maiores descobertas arqueológicas da História da Inglaterra. Ao mesmo tempo, o filme compõe um intenso quadro visual, enquanto os dilemas e receios de uma Segunda Guerra Mundial assombram todas as personagens.
"Com o aproximar da Segunda Guerra Mundial, uma viúva abastada contrata um arqueólogo amador para escavar antigas estruturas funerárias na sua propriedade. Quando fazem uma descoberta histórica, os ecos do passado britânico enfrentam um futuro incerto."
Baseado no romance de John Preston e adaptado para cinema por Moira Buffini, A Grande Escavação é um elogio à arqueologia e à sua importância para contar o passado longínquo às gerações presentes e futuras.
A preservação de artefactos dos antepassados de uma civilização, o reconhecimento por quem dedica a vida à descoberta de vestígios da História e a eminência da guerra e da morte a pairar são os focos da acção do filme de Simon Stone. A defesa da memória é a grande mensagem da longa-metragem que, para além das descobertas museológicas, destaca ainda a importância da fotografia como mais um suporte físico que perdura no tempo, testemunhando, para o futuro, tempos há muito passados.
Destaque para Carey Mulligan e Ralph Fiennes com duas prestações muito discretas mas carregadas de uma paixão comum - a arqueologia. E se Mulligan surge na pele de Edith Pretty, uma mulher frágil e doente, que vive para o filho e para os tesouros que acredita estarem escondidos debaixo dos montes de terra no seu terreno, Fiennes como Basil Brown será a esperança de os encontrar. Um homem dedicado, experiente, dos maiores conhecedores da terra (e dos astros), contudo desvalorizado pelos seus pares por não ter estudos.
Com direcção de fotografia de Mike Eley, A Grande Escavação oferece-nos planos dinâmicos e envolventes, e transforma paisagens tristes, simples e despidas, em imagens de grande beleza e vida, com especial foco na terra e nos céus, na vida e na morte.
Para além da homenagem que presta, Simon Stone eleva a fasquia e traz-nos muito mais do que um filme histórico: a memória colectiva divide-se entre a alegria da descoberta na escavação e o pavor da guerra, numa obra estimulante e carismática.
terça-feira, 9 de março de 2021
Crítica: Tudo Pelo Vosso Bem / I Care a Lot (2020)
"My name is Marla Grayson, and I'm not a lamb. I am a fucking lioness!"
Marla Grayson
*5.5/10*
Tudo Pelo Vosso Bem (I Care a Lot) é um retrato perverso e cómico do lado mais violento do capitalismo, protagonizado por uma mulher, capaz de tudo para ser rica. Sem réstia de ética ou moral, não há personagem que fique do lado do bem e esse é o grande desafio que o filme de J Blakeson nos lança.
"Marla Grayson (Rosamund Pike) é nomeada pelo tribunal para tutelar dezenas de idosos, de cujos bens se acaba por apropriar indevidamente através de meios duvidosos, mas legais. Um esquema bem montado que Marla aplica com a ajuda da sua parceira de negócios e amante, Fran (Eiza González) e que se prepara para repetir com uma nova cliente, a abastada e solitária Jennifer Peterson (Dianne Wiest). Mas quando a vítima revela um segredo tão sombrio quanto o dela e ligações a um volátil criminoso (Peter Dinklage), Marla é obrigada a mostrar o que vale num jogo que nada tem de justo, nem limpo."
J Blakeson cria uma história sarcástica e incómoda em torno de uma mulher e do seu lucrativo negócio, altamente reprovável, mas que actua com o apoio do Estado e da Lei. Por todos os lados, espreitam esquemas e manobras para tutelar qualquer idoso com um património apetecível, tirando proveito da sua aparente fragilidade. Contudo, o caso de Jennifer Peterson não saiu como Marla previra. E eis que a acção se adensa, entre as situações mais inacreditáveis ou violentas, sempre com algum humor.
Rosamund Pike regressa ao papel de vilã (muito ao estilo do que fez em Em Parte Incerta), uma mulher com duas caras, ambiciosa, cínica e sem carácter, capaz de agir com frieza e sem remorsos. Dianne Wiest é outro dos destaques nas interpretações, a mulher que vem mudar o jogo de Marla Grayson, cuja aparente fragilidade esconde uma personalidade forte e provocadora e resistência inesperada. A juntar-se às duas actrizes, Peter Dinklage veste a pele de um mafioso dedicado a quem ama - e aos seus segredos -, facilmente irritável e sem rodeios no que toca à violência.
Tudo Pelo Vosso Bem não se preocupa muito com a plateia, lançando-a numa história com potencial que depressa se perde em jogos e chantagens - e um final terrível e indesculpável, com uma espécie de triunfo do patriarcado. A ambição desmedida das personagens proporciona momentos divertidos - e tensos - mas, principalmente, um leque de boas interpretações.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Crítica: Notícias do Mundo / News of the World (2020)
"See all those words printed in a line one after the other? Put 'em all together and you have a story."
Captain Kidd
*6/10*
Paul Greengrass alia-se novamente a Tom Hanks (depois de Capitão Phillips) para levar Notícias do Mundo (News of the World), pela América pós-guerra civil. O filme chega-nos pela Netflix, e revela-nos a jovem actriz alemã Helena Zengel.
"Cinco anos após o fim da Guerra Civil, o Capitão Jefferson Kyle Kidd (Hanks), viúvo e veterano de três guerras, desloca-se de cidade em cidade como um contador de histórias reais, partilhando notícias de presidentes e rainhas, lutas gloriosas, catástrofes devastadoras e aventuras emocionantes nos confins do globo. Nas planícies do Texas, cruza-se com Johanna (Helena Zengel), uma menina de 10 anos, acolhida pelo povo Kiowa seis anos antes e criada como um dos seus. Hostil a um mundo que ela nunca conheceu, Johanna está prestes a ser devolvida aos seus tios biológicos. Kidd concorda em entregar a criança onde a lei diz que ela pertence. À medida que viajam centenas de quilómetros, os dois enfrentam enormes desafios, humanos e naturais, enquanto procuram um lugar a que possam chamar lar."
Baseado no romance homónimo de Paulette Jiles, Notícias do Mundo, em tons e ambiente de western, faz-nos viajar pelos territórios sulistas decadentes e racistas, sem lei ou ordem, guiados por protagonistas solitários e de passado trágico.
Mas Notícias do Mundo é previsível e está longe de ser brutal, estando os horrores subentendidos ou revelados através de mensagens subliminares. E se, numa das paragens de Kidd, este quase é culpabilizado por incitamento à revolta - apenas por ler uma notícia de reivindicação de melhores condições de trabalho -, ao espectador não provocará grande comoção. Paul Greengrass lança as críticas mas não as espicaça ou questiona, no longo caminho que percorre, e quase foge delas para viver a sua vida em paz, mesmo que Kidd e Johanna tenham de enfrentar crimes, ameaças e preconceitos.
Tom Hanks está à vontade na pele desde veterano de guerra nómada, que ganha a vida a levar notícias aos outros, enquanto foge do seu próprio destino. À sua altura, está a companheira de viagem Johanna, interpretada pela jovem actriz alemã Helena Zengel, que, com poucas falas - normalmente no dialeto do povo Kiowa ou alemão -, conquista o ecrã, quer pela inocência, pelo olhar selvagem e desconfiado, pelos gestos, gritos, e pela naturalidade com que se emociona, move ou relaciona com Hanks.
Visualmente, Notícias do Mundo ganha pontos, pela direcção de fotografia que proporciona belos planos, diurnos ou nocturnos, das planícies sem fim; bem como pela direcção artística, fabulosa na representação da época, com a banda sonora de James Newton Howard, a adensar todo o ambiente de western.
Paul Greengrass não acompanhou as aventuras dos seus protagonistas, nem desafiou cânones ou estigmas. Preferiu jogar seguro, com uma dupla forte ao comando e uma história simples e harmoniosa, em paisagens que contam mais que a acção.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Crítica: Malcolm & Marie (2021)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Crítica: Mank (2020)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
Crítica: Pieces of a Woman (2020)
*7/10*
Pieces of a Woman, de Kornél Mundruczó, é um retrato de uma família em ruínas, após a perda de um bebé. O argumento, de Kata Wéber - companheira de Mundruczó -, baseia-se na sua própria experiência e na forma como a marcou.
-
"Eu trago a Guerra no pensamento e a Pátria no coração" Zacarias *9/10* Mosquito é o épico de guerra português, que...
-
O IndieLisboa 2026 já anunciou os vencedores desta edição. Barrio Triste , de Stillz , How to Catch a Butterfly , de Kiriko Mechanicus , e ...











































