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domingo, 12 de março de 2023

Oscars 2023: Melhor Filme

A poucas horas da cerimónia dos Oscars 2023, fazemos uma análise aos nomeados para Melhor Filme.  São filmes muito equilibrados entre si, com a excepção nos últimos lugares, mais fracos - mas nem por isso com menos probabilidades de vencer na categoria. Não assisti a Avatar: The Way of Water, por isso, apenas destaco os outros nove filmes, ordenados pelo meu gosto pessoal.

Eis as dez longas-metragens na corrida:

Partindo de uma zanga entre dois amigos, Martin McDonagh faz uma reflexão sobre a existência em Os Espíritos de Inisherin. Uma comédia dramática, com um leve toque de nonsense, muito mais profunda do que possa parecer. 

A crueldade e a barbárie da guerra são retratadas com um realismo impressionante, num filme que ficará na memória pelo lado humano que capta, através de simples gestos ou olhares, e onde, afinal, todos foram vítimas.

Todd Field entra no mundo da música clássica para fazer balançar os lugares de poder. Ao mesmo tempo que aborda o assédio, transforma Tár numa espécie de filme de terror para as vítimas e para a protagonista. 

Steven Spielberg filma a sua magia do Cinema em Os Fabelmans, um épico autobiográfico em jeito de elogio à Sétima Arte e à família. Uma obra íntima e tocante, que reflecte a alma do seu autor. 

Eis um filme de acção como há muito não se via. Top Gun: Maverick é verdadeiramente feito para ver numa sala de cinema - câmara, som e montagem tudo fazem para dar a experiência mais realista possível, com o verdadeiro prazer de ver sequências de aviões em alta velocidade no grande ecrã.

Estas mulheres podem não saber ler ou escrever mas são capazes de votar e de se unir para tomar uma decisão importante, esgrimindo argumentos a favor ou contra cada uma das opções. A Voz das Mulheres é a conquista deste empoderamento e da liberdade de escolha, mesmo no seio de uma comunidade patriarcal conservadora e extremamente religiosa.

Fiel ao estilo extravagante e frenético que caracteriza os seus filmes, Baz Luhrmann escolheu também a personalidade certa para a sua mais recente longa-metragem: Elvis. Contagiado pelos passos de dança e pelo gingar do rei do Rock n'Roll, Luhrmann constrói um filme ritmado, repleto de música e potenciado pela prestação quase inacreditável de Austin Butler.

Imaginação - e referências - não falta a Daniel Scheinert e Daniel Kwan, que criam os mais inesperados multiversos e super-poderes, com humor e muito nonsense à mistura. Contudo, entre tantos acontecimentos, artes marciais e sonhos não cumpridos, o objectivo final do filme perde-se e torna-o inconsequente.
Dinheiro e Poder estão sempre ao comando deste barco, que está longe de ir a bom porto, e cujo Capitão alcoólico, interpretado por Woody Harrelson, será, porventura, a personagem mais entusiasmante da longa-metragem de Östlund. Uma Palma de Ouro de aborrecimento.

Avatar: O Caminho da Água / Avatar: The Way of Water
Não assistido

sábado, 28 de janeiro de 2023

Os Melhores do Ano: Top 20 [10.º - 1.º] #2022

Depois da primeira parte do Top 20 de 2022 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelamos agora os dez lugares cimeiros. Rebeldia, feminismo ou nostalgia são os principais ingredientes deste Top 10.

Eis os meus 10 favoritos de 2022 (estreados no circuito comercial de cinema e streaming, em Portugal). 

10.º X (2022), de Ti West

X é nostalgia pura, um slasher moderno que é todo ele uma homenagem ao cinema de terror (e não só). 


9.º Revolta (2022), de Tiago R. Santos

São apenas quatro actores dentro de uma casa, durante um jantar que não o chega bem a ser, assombrado pela pandemia, pelos filmes de John Carpenter, pelas redes sociais e por uma revolução nas ruas de Lisboa. Um filme minimalista e claustrofóbico, tal qual a época em que foi filmado.


8.º O Menu / The Menu (2022), de Mark Mylod

A experiência cinematográfico-gastronómica que O Menu, de Mark Mylod, proporciona não é para palatos sensíveis. Ralph Fiennes é o chef anfitrião, que dita as ordens neste pesadelo de emoções culinárias. E que delícia de comédia negra!


7.º Fogo-Fátuo (2022), de João Pedro Rodrigues

Provocador, sarcástico e eficaz, Fogo-Fátuo mantém e vai além dos temas que têm marcado a filmografia de João Pedro Rodrigues. O passado esclavagista português é indissociável da narrativa principal, mas igualmente a sexualidade, a política, os incêndios e o racismo. Assente essencialmente na estética, no culto dos corpos, o filme irá sempre despoletar sentimentos - sejam eles quais forem - na plateia, e ficará na cabeça - temas, imagens e canções - durante muito tempo.


6.º A Pior Pessoa do Mundo / Verdens verste menneske / The Worst Person in the World (2021), de Joachim Trier

Joachim Trier nunca traz temas fáceis para o seu cinema. Na aparente simplicidade dos seus filmes, há uma complexidade de emoções e sentimentos. A Pior Pessoa do Mundo é mais um exemplo - talvez o melhor da sua carreira - de como uma longa-metragem é capaz de criar um conflito de sentimentos na plateia, ao mesmo tempo que retrata as personagens com um realismo tão doce como cruel - tal qual a vida.


5.º Flee - A Fuga / Flugt (2021), de Jonas Poher Rasmussen

Flee - A Fuga revela na tela do cinema as confissões de uma vida e o sofrimento de um homem, guardado em segredo absoluto, ao longo de muitos anos. Jonas Poher Rasmussen cria um documentário, que junta a animação às imagens de arquivo, e conta ao Mundo a amarga história de superação de um jovem refugiado, de Cabul a Copenhaga. 





A Oeste Nada de Novo filma, com uma beleza aterrorizante, a Primeira Guerra Mundial do lado do inimigo - o dos alemães -, revelando a inutilidade de um conflito armado que ceifou milhões de vidas. A crueldade e a barbárie da guerra são retratadas com um realismo impressionante, num filme que ficará na memória pelo lado humano que capta, através de simples gestos ou olhares, e onde, afinal, todos foram vítimas.

3.º A Nossa Terra, O Nosso Altar (2020), de André Guiomar

Em A Nossa Terra, o Nosso Altar, André Guiomar entra no quotidiano e na intimidade das famílias do bairro do Aleixo (entretanto demolido), no Porto, ao longo de vários anos, seguindo a tensão e as mudanças impostas a uma comunidade unida por laços tão fortes como os de sangue.


2.º A Filha Perdida / The Lost Daughter (2021), de Maggie Gyllenhaal

Muito para além da maternidade, A Filha Perdida é também sobre liberdade de escolha, emancipação, arrependimento e redenção. Sem julgamentos, Maggie Gyllenhaal solidariza-se com as Ledas da vida real, contra expectativas desiguais.


1.º Drive My Car (2021), de Ryûsuke Hamaguchi

Ryûsuke Hamaguchi conduz-nos pela estrada sinuosa das emoções em Drive My Car e, na sua aparente simplicidade, chega aos mais profundos sentimentos, dentro e fora do ecrã. As três horas de filme propõem reflexão, introspecção e, todavia, nunca monotonia. Se, por um lado, uma morte precoce vem mudar a vida de várias personagens e o foco da acção, por outro, o Teatro - o texto e as palavras - tem um papel central na exorcização dos fantasmas que se teima em não deixar partir.

sábado, 21 de janeiro de 2023

Crítica: A Oeste Nada de Novo / Im Westen nichts Neues / All Quiet on the Western Front (2022)

"My son killed in the war. He doesn't feel any honor."

Matthias Erzberger


*8.5/10*

A Oeste Nada de Novo filma, com uma beleza aterrorizante, a Primeira Guerra Mundial do lado do inimigo - o dos alemães -, revelando a inutilidade de um conflito armado que ceifou milhões de vidas. É a terceira adaptação cinematográfica (as outras duas datam de 1930 e 1979) do livro homónimo de Erich Maria Remarque.

"Quando Paul, de 17 anos, se junta à Frente Ocidental na Primeira Guerra Mundial, o seu entusiasmo inicial é abalado pela dura realidade da vida nas trincheiras."

Edward Berger filma um épico de guerra que espelha, em cada cena, toda a brutalidade e desumanidade do conflito, que aumentava à medida que as negociações do armistício tardavam. Ao mesmo tempo, regista-se o paradoxo: no conforto e segurança dos gabinetes ou no comboio das negociações, oficiais cercados de mordomias e boa comida decidiam o futuro dos que morriam e passavam fome no campo de batalha.

E se a Primeira Guerra Mundial é poucas vezes levada para o grande ecrã, filmá-la sob a perspectiva dos derrotados é ainda mais raro. Nesta adaptação, o realizador coloca o espectador ao lado dos alemães dentro das trincheiras ou no ataque corpo a corpo, seguindo de perto o protagonista, Paul (grande prestação do estreante Felix Kammerer), e os seus amigos e companheiros de batalha.

A Oeste Nada de Novo é um filme visceral e sujo, potenciado por uma direcção de fotografia soberba, capaz de planos que espelham o horror: cenários repletos de lama, corpos e sangue a perder de vista, sobre os quais paira uma névoa cerrada em tons de castanho e vermelho. Ali, tudo é morte.

A crueldade e a barbárie da guerra são retratadas com um realismo impressionante, num filme que ficará na memória pelo lado humano que capta, através de simples gestos ou olhares, e onde, afinal, todos foram vítimas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Estreias da Semana #532

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses seis novos filmes. Há também algumas estreias cinematográficas nas plataformas de streaming.

A Luz do Diabo (2022)
Prey for the Devil
A Irmã Ann é uma mulher inquieta de 25 anos que acredita devotamente que a realização de exorcismos é a sua vocação. Mas está em desacordo com as tradições da instituição a que pertence: as freiras não estão autorizadas a fazer exorcismos, apenas os padres. Com o apoio de um mentor, um professor que sente o seu dom especial, é autorizada a observar sessões de treino reais. O seu desejo de provar a si própria torna-se mais íntimo quando conhece um dos pacientes mais perturbados da escola. Durante os seus encontros, a Irmã Ann enfrenta uma força demoníaca que infesta a escola e tem laços misteriosos com o seu próprio passado. É então que o poder do mal e as suas próprias capacidades são plenamente realizadas.

Amesterdão (2022)
Amsterdam
Nova Iorque, 1933. Burt Berendsen (Christian Bale), médico, e Harold Woodman (John David Washington), advogado, dedicam-se a ajudar os mais desafortunados e pobres. Uma noite, ao serem chamados a efetuar uma autópsia, descobrem um assassinato e reencontram Valerie Voze (Margot Robbie). O trio conheceu-se durante a Primeira Guerra Mundial. Feridos, Burt e Harold foram tratados pela misteriosa enfermeira que se dedicava a transformar em arte o aço retirado dos corpos dos soldados. Juntos, viveram momentos felizes em Amesterdão, logo após o armistício, onde partilharam o pacto de olharem sempre uns pelos outros. Agora, descobrem mais detalhes sobre a vida de Valerie, tornam-se suspeitos de homicídio e vêem-se no meio de uma escandalosa conspiração que têm de resolver para se salvarem.

Cesária Évora (2022)
Documentário que atravessa os contextos sociais e políticos da vida de Cesária, abordando temas como liberdade e igualdade racial e de género, ilustrados por imagens de arquivo, muitas desconhecidas, gravações originais e testemunhos de pessoas, como a neta Janete Évora e o antigo agente José da Silva, que conheceram a mulher por trás da lenda.

Mato Seco em Chamas (2022)
Mato seco em chamas
Em Ceilândia, na periferia de Brasília, Léa, Chitara e Andreia têm um negócio muito particular: sacam petróleo a oleodutos que passam perto da cidade e transformam-no em gasolina que vendem aos motoboys da área. Entre esta estrutura montada e o negócio da política, assim se conta a história das Gasolineiras de Kebradas.

O Amigo Crocodilo (2022)
Lyle, Lyle, Crocodile
A família Primm muda-se para Nova Iorque e Josh luta para adaptar-se à nova escola e aos novos amigos. Tudo muda quando descobre Lyle a viver no sótão da nova casa. O crocodilo cantor adora tomar banho, caviar e boa música e os dois tornam-se amigos rapidamente, mas quando a existência de Lyle é ameaçada pelo malvado vizinho Sr. Grumps, os Primm unem-se ao dono de Lyle, Hector P. Valenti, para mostrarem ao mundo como a família pode vir dos lugares mais inesperados e que não há nada errado num grande crocodilo que canta e tem uma personalidade muito vincada.

Peter von Kant (2022)
Peter Von Kant, um realizador bem sucedido, vive com o seu assistente Karl, a quem gosta de maltratar e humilhar. Através da actriz Sidonie, conhece e apaixona-se por Amir, um jovem bonito de meios modestos. Oferece-se para partilhar o seu apartamento e ajudar Amir a entrar no mundo do cinema. Vários meses mais tarde, Amir torna-se uma estrela. Mas assim que adquire fama deixa Peter sozinho para se enfrentar a si próprio.

Netflix Portugal:

Estreou a 26 de Outubro:

O Enfermeiro da Noite (2022)
The Good Nurse
Amy, enfermeira, bem intencionada e mãe solteira, sofre de uma doença cardíaca potencialmente mortal e a sua rotina de turnos nocturnos na unidade de cuidados intensivos começa a levá-la ao esgotamento físico e emocional. A chegada de Charlie, um empático colega que começa a trabalhar na unidade, parece dar-lhe um pouco mais de tranquilidade. Enquanto partilham as longas noites no hospital, desenvolvem uma forte amizade. Pela primeira vez em anos, Amy tem  esperança no seu futuro e no das suas filhas. Contudo, uma série de misteriosas mortes de doentes dá origem a uma investigação que aponta Charlie como o principal suspeito. Amy decide arriscar a vida e a segurança das filhas para descobrir a verdade.

Estreia a 28 de Outubro:

A Oeste Nada de Novo (2022)
Im Westen nichts Neues
No início da Primeira Guerra Mundial, o estudante Paul Baumer e os seus amigos Albert e Muller, animados por sonhos românticos de heroísmo, alistam-se voluntariamente no exército alemão. Cheios de excitação e fervor patriótico, os rapazes marcham entusiasticamente para uma guerra em que acreditam. Mas uma vez na Frente Ocidental, descobrem um horror destruidor de corpos e almas.

Apple TV +

Estreia a 28 de Outubro:

Louis Armstrong's Black & Blues (2022)
Louis Armstrong's Black & Blues oferece um olhar sobre o músico que mudou o mundo, apresentado através de filmes de arquivo inéditos, gravações e conversas pessoais. Realizado por Sacha Jenkins, o documentário honra o legado de Armstrong como pai fundador do jazz, uma das primeiras estrelas internacionalmente conhecidas e amadas, e embaixador cultural dos Estados Unidos.

Amazon Prime Video

Estreia a 28 de Outubro:

Run Sweetheart Run (2020)
Inicialmente apreensiva quando o seu chefe insiste que ela se encontre com um dos seus clientes mais importantes, Cherie (Ella Balinska) fica aliviada quando conhece Ethan (Pilou Asbæk), um homem de negócios que desafia as expectativas. No entanto, ao final da noite, quando os dois estão sozinhos, Ethan revela a sua verdadeira natureza violenta. Abalada e aterrorizada, Cherie foge pelas ruas de Los Angeles com Ethan na sua perseguição.