segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Crítica: O Jogo da Imitação / The Imitation Game (2014)

"I like solving problems, Commander. And Enigma is the most difficult problem in the world."
Alan Turing
*6/10*

Entre a genialidade dos Homens, a complexidade das máquinas e a homossexualidade na sociedade, O Jogo da Imitação perde-se em várias temáticas, fazendo com que nenhuma seja verdadeiramente valorizada. O ritmo lento dos acontecimentos e os clichés são contrabalançados pela época histórica (a Segunda Guerra Mundial) e pela árdua luta travada para descobrir o código da Enigma alemã.

O matemático Alan Turing, encarnado por Benedict Cumberbatch, é o protagonista deste drama biográfico. Um momento fundamental e pouco conhecido da História merecia menos monotonia e divagação, com o público a pedir, desde o início, o rumo entusiástico que os acontecimentos tomam após a primeira hora de filme.

Na liderança de um grupo de académicos, linguistas, campeões de xadrez e analistas, Alan Turing trabalha incansavelmente para quebrar o até aí indecifrável código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. O Jogo da Imitação pretende retratar este homem que, sob extrema pressão, ajudou a encurtar a guerra e, consequentemente, salvou milhares de vidas.

Morten Tyldum não traz um trabalho que se distinga especialmente. Nada de novo nem de cativante na realização, que chega mesmo a ser monótona. O Jogo da Imitação prima, contudo, pelo interesse histórico que desperta e pela história que conta, mas não o faz da forma mais eficaz para a plateia, com um trabalho de montagem confuso e cansativo. Tecnicamente, apenas a banda sonora assenta na perfeição, dramática e com o toque especial de Alexandre Desplat.


No argumento, encontramos alguns bons diálogos, apesar da falta de foco que se sente ao longo de todo o filme, saltando entre a vontade de vencer a guerra e a vida privada de Turing. Nas personagens, conhecemos um Turing frágil e casmurro, mas extremamente inteligente, em três fases da sua vida: na adolescência, durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos do pós-guerra. Cumberbatch encarna de forma competente a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, mas o actor é capaz de muito mais. Keira Knightley, por seu lado, é Joan Clarke, provavelmente a mais interessante personagem de O Jogo da Imitação: a mulher entre os homens, tão inteligente ou mais que eles, a mulher emancipada e decidida. Não que a actriz lhe dê toda a vivacidade que ela pede, mas será ao percurso de Joan no filme que daremos maior atenção. Ainda em destaque, encontramos Mark Strong com um desempenho sóbrio na pele do rigoroso e misterioso Stewart Menzies.

Era facilmente evitável o desfilar de clichés para contar uma história tão forte, com personalidades tão marcantes para a História do século XX, como o homem que criou o primeiro computador. Morten Tyldum deu um tiro ao lado do que podia ter sido um bom filme e ficou-se apenas pelo medianamente interessante. Alan Turing e Joan Clarke mereciam muito mais.

1 comentário:

Soy Sofia Maror disse...

O tema do filme é muito interessante. O interessante é que The imitation game, em princípio, parece-II Guerra Mundial. Tem soldados, tanques, ecos de bombas, a sombra de Hitler. Avanços, percebemos que abrange mais do que um evento histórico. abrangido pela presente de nossas vidas. Alan Turing foi um herói injustamente esquecido. Turing não existiria sem Bill Gates ou Steve Jobs não teria existido. Mesmo algumas lendas atribuído à Apple Turing Wolf.