quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Crítica: O Primeiro Encontro / Arrival (2016)

"Now that's a proper introduction."
Louise Banks
*8/10*

O contacto cinematográfico com extra-terrestres tem-se repetido, ao longo dos anos, das mais variadas formas - umas com maior sucesso que outras. Contudo, são poucos os que conseguem alcançar a subtileza de Denis Villeneuve. O Primeiro Encontro é um filme sobre a humanidade e a falta de compreensão entre humanos - e extra-terrestres.

O realizador gosta de experimentar géneros e depois de drama, thriller e guerra, atirou-se de cabeça na ficção científica - e deve ter gostado pois está a filmar a sequela de Blade Runner. Certo é que o resultado é muito positivo: profundo, sensível e humano.


Quando 12 naves extra-terrestres chegam a diversos pontos do globo, o Governo dos EUA contrata a especialista em linguística Louise Banks (Amy Adams). Ela fará parte de uma equipa multidisciplinar que se deslocará ao interior de uma das naves, a fim de estabelecer contacto com os alienígenas e entender o propósito da sua visita. Pretende saber-se, sobretudo, se vêm em paz.

Sempre com o medo do desconhecido a pairar, O Primeiro Encontro é uma boa surpresa na ficção científica, com opções técnicas e narrativas plausíveis e bem fundamentadas. Tudo o que vemos é credível e talvez pudesse mesmo acontecer assim. Para além do natural receio, o filme cultiva também na plateia sentimentos de admiração e proximidade para com os visitantes de outro planeta.

Há uma não-linearidade temporal em O Primeiro Encontro que em nada o prejudica, e a inicial desorientação do espectador é uma curiosa arma do realizador para nos colocar no mesmo patamar que Louise. Ela vive atormentada por memórias que conhecemos graças à montagem arriscada mas eficaz de Joe Walker.


A acompanhar a incerteza global e as visitas à nave extra-terrestre, a banda sonora de Jóhann Jóhannsson mantém o suspense e aguça os sentidos, em busca de significação para a linguagem dos recém-chegados.

No meio de um argumento fascinante e, ao mesmo tempo, aterrorizante, há planos soberbos que não sairão da memória. No verde dos campos até perder de vista, a nave espacial paira, como se levitasse sobre eles. Esse e outros planos, de cores um tanto esbatidas e misteriosas - muito ao estilo dos filmes de Villeneuve - são fruto de um excelente trabalho da direcção de fotografia de Bradford Young.

Amy Adams é doce e corajosa, com uma performance sentimental e íntima - Louise cativa-nos e é o coração da equipa militar que acompanha a nave extra-terrestre. Jeremy Renner como Ian Donnelly e Forest Whitaker na pele do Coronel Weber acompanham eficazmente a protagonista nesta expedição.


Uma experiência diferente e entusiasmante de contacto extra-terrestre, que peca apenas pela forma como mostra a vida pessoal da protagonista - um tanto melodramática. O Primeiro Encontro é um renascer do género da ficção científica pela mão do sempre prometedor realizador Denis Villeneuve. Vale bem a aventura.

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