quinta-feira, 23 de julho de 2026

MOTELX celebra 20 anos com muito terror de 3 a 13 de Setembro

O MOTELX - Festival Internacional de Terror de Lisboa faz 20 anos e a celebração acontece durante 11 dias, de 3 a 13 de Setembro, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. Parte da programação desta 20.ª edição já foi revelada.


Serviço de Quarto, Prémio Noémia Delgado e Quarto Perdido

Na principal secção do festival, Serviço de Quarto, já estão anunciadas 10 longas-metragens internacionais: Fuck My Son! (EUA), de Todd Rohal; Game (Reino Unido), de John Minton; AnyMart (Japão), de Yusuke Iwasaki; Species (Bélgica/França), de Marion Le Correller; The Birthday Party (Bélgica/França), de Léa Mysius, com Monica Bellucci; Mum, I’m Alien Pregnant (Nova Zelândia), da dupla Thunderlips (Jordan Mark Windsor e Sean Wallace); The Furious (Hong Kong), de Kenji Tanigaki; Our Effed Up World (Austrália/Canadá), de Alice Maio Mackay; One Spoon of Chocolate (EUA), de RZA (Wu-Tang Clan); e Poultry Farm (Irão), de Mohammadreza Ardalan.

A cineasta sueca, naturalizada portuguesa, Solveig Nordlund é a segunda galardoada com o Prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror, depois de, em 2025, o festival ter dado a distinção à produtora norte-americana Gale Anne Hurd. Nesta edição, o MOTELX distingue uma das mulheres pioneiras no cinema fantástico e de terror, cujo universo autoral é profundamente contaminado por H. P. Lovecraft e J. G. Ballard

No Quarto Perdido, a obra de José de Sá Caetano estará em foco. O realizador português, nascido em Leiria, em 1933, fez parte do grupo fundador da cooperativa Cinequanon, ao lado de cineastas como José Fonseca e Costa, Luís Galvão Teles e António de Macedo. As Ruínas no Interior (1976) é a obra primordial de uma trilogia que viria a concluir com Azul Azul (1984), e pelo meio, Um S Marginal (1983), três filmes que comunicam entre si, onde personagens, situações e ecos narrativos estabelecem relações ténues, e que representa o grosso da sua filmografia. José de Sá Caetano permanece como uma das figuras mais esquecidas do cinema português, cujo universo surrealista merece uma redescoberta.


Novas Secções e Suite 13

Imagem: MOTELX

Há uma nova secção do MOTELX, em parceria com a Cinemateca Portuguesa: Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro, um ciclo que, tal como o Quarto Perdido em relação ao cinema português, pretende resgatar e redescobrir cinematografias europeias esquecidas. Como o nome indica, o foco incide sobre os países da chamada Cortina de Ferro. Os seis filmes seleccionados são: The Singing, Ringing Tree (Das Singende, Klingende Bäumchen; República Democrática Alemã; 1957), de Francesco Stefani; Werewolf (Libahunt; URSS; 1968) de Leida Laius; The Rat Saviour (Izbavitelj; Jugoslávia; 1976), de Krsto Papic; Ferat Vampir (Checoslováquia; 1981) de Juraj Herz; Possession (França/República Federal da Alemanha; 1981), de Andrzej Żuławski; e Strangler vs Strangler (Jugoslávia; 1985) de Slobodan Šijan.

Outra nova secção, desta vez em conjunto com o Goethe-Institut Portugal, intitulada: Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), com filmes de Werner Herzog e Jörg Buttgereit, faz uma reflexão sobre a única certeza da vida, através de vários painéis e de três obras centrais do cinema de género germânico: Nosferatu: O Vampiro da Noite (1979), de Herzog, e Nekromantik (1988) e The Death King (Der Todesking), de Buttgereit.

A secção Suite 13 (que segue a herança da história do cinema e os problemas que as suas transgressões podem colocar à actualidade) traz ao 20.º MOTELX um programa, idealizado pelo programador convidado Carlos Alberto Carrilho, intitulado Sergio Martino e Acid Giallo: Atmosferas que Turvam os Sentidos, a partir da confluência da obra do cineasta com a linguagem do subgénero, caracterizado por uma saturação cromática e sonora que promove o medo e o êxtase. Martino tem sido redescoberto recentemente após vários restauros dos seus filmes em 4K e menções de Quentin Tarantino e Guillermo del Toro pela influência que teve nas suas carreiras.


Prémios MOTELX, Méliès d'argent e Melhor Guião de Terror Português

O Prémio MOTELX - Melhor Curta de Terror Portuguesa, que atribui um prémio de 5000€, terá dez títulos em competição: amordemoura, de Tiago “Ramon” Santos; A Hora do Chico, de João Severo e Rafael Sá Carneiro; Final da Noite, de Duarte Gandum e Henrique Gandum; Tardo, de Carlos Calika; Consolatio, de Pedro M. Afonso; Estou Aqui, de Ana Rita Martins; Spirit Caller, de Vítor Dutta; Bruno, o Boneco, de Diogo dos Santos Oliveira; consumido, de [carrozo]; Royal, de Hinata Almeida e Tomás Pascoal

Relativamente ao Prémio Méliès d’argent - Melhor Curta Europeia, destaque para as curtas portuguesas presentes na competição: Sweet Hearts, de Diogo Coutinho e Gonçalo Claro da Fonseca; Codec: ♥ Amanda ♥, de Rafaela Cardoso; Calhau, de Paulo Abreu; A Onda, de Ramón de los Santos; Olhos, Olhos, Nariz, Boca, de Sofia Santa-Rita; Quietud, de Gonçalo Almeida; Cure My Misery, de Kiril Savateev; e Katabasis, de João Silva.

Regressa ainda o Prémio MOTELX - Melhor Guião de Terror Português que, na sua quarta edição, volta a atribuir um prémio monetário de 2000€ e conta com sete argumentos de longas-metragens ainda não produzidas: A Ostra, de Pedro Garrido; Hóspede, de Miguel Monteiro Rico; O Silêncio que Fica, de Ana Lamas; Privação (Ou Coisas Ditas de Joelhos), de António Xavier Rodrigues; Púcaro Negro, de Maria Leonor Toscano e Raquel Cabaço Pereira; Rosa dos Ventos, de Alexandre Guedes de Sousa; e Todas as Respostas, de Stephane F. Oliveira


Sala de Culto e SectionX

Este ano, a Sala de Culto apresenta dois filmes que se interligam pela dimensão insólita com que se relacionam com a tradução audiovisual e que justificam o subtítulo: Lost in Translation. Hen Dui Hen, título original de um filme taiwanês de artes marciais de 1974, estreou em Portugal como Kung Fu à Portuguesa onde, ao contrário do que aconteceu noutras nações, foi exibido com o áudio original em mandarim, mas com legendas escritas para o efeito por autores — Raúl Solnado e Pedro Bandeira-Freire — que desconheciam a língua e que, por isso mesmo, foram particularmente criativos. Já A Teia de Gelo, de 2012, realizado por Nicolau Breyner, resultou numa junção de um thriller de acção e o terror gótico. Com intenção de internacionalizar o filme, o realizador decidiu filmar duas versões integrais: em português e em inglês. O MOTELX apresenta a raríssima versão inglesa de uma obra que conta com Diogo Morgado, Margarida Marinho e Paula Lobo Antunes no elenco. 

A secção SectionX (mais experimental e underground) traz consigo três realizadores cujos filmes dialogam através das dinâmicas poder institucional. Chronovisor (EUA), de Jack Auen e Kevin Walker, que se centra numa máquina inventada pelo monge beneditino Pellegrino Ernetti para filmar o passado; Variations on Violence (EUA), de Zachary Aaron Nichols; e Sunshine Express (Irão), uma alegoria kafkiana em formato reality show


Lobo Mau, outros eventos e Warm-Up

Imagem: MOTELX

A secção infantil do festival, O Lobo Mau, não falta à festa de aniversário do MOTELX. Ainda em Agosto, no dia 14, vai estar no Cinema ao Ar Livre integrado no Warm-Up de 2026, no Jardim das Amoreiras. Este ano, regressa o já tradicional Peddy Paper no Cinema São Jorge, o Atelier Sensorial ALMA, as sessões de Sustos Curtos para várias faixas etárias e há ainda uma longa-metragem em estreia nacional. Outra das novidades deste ano é o workshop de fotografia promovido por Bernardo Gramaxo em conjunto com a Associação Passa Sabi, onde oito jovens exploraram o Bairro do Rego com uma Instax na mão.

Nos outros eventos do MOTELX, haverá a exposição Hotel Pastiche, de João Telmo (Nova Companhia) que resgata o imaginário do hotel enquanto cenário de culto para o cinema e propõe a reinvenção de 10 cenas de filmes clássicos de terror (The Shining, Psycho, entre outros) decorridas num hotel. O Monster Day é outra das novidades destes 20 anos de festival, com o dia 5 de Setembro dedicado ao monstro enquanto figura representante do terror que começa com um workshop de monstros para os mais novos na secção Lobo Mau, mais tarde um Concurso de Monstros, com um prémio monetário de 500€ e uma festa/meet-up de monstros no Lounge do MOTELX.

O Warm-Up estende-se este ano pelos meses de Julho e Agosto para aquecer o público para o festival. No dia 31 de Julho, à meia-noite no Cinema Nimas, Saccharine (Austrália; Natalie Erika James) é exibido em mais uma sessão do Nimas Fora de Horas. No dia 1 de Agosto, há uma Sessão de Curtas + DJ Set na Casa do Comum, às 21h00. No dia 14 de Agosto, há Cinema ao Ar Livre, uma parceria entre o MOTELX e a Junta de Freguesia de Santo António: às 18h00, a Sessão Lobo Mau e, às 21h00, The Guest (EUA, 2014), de Adam Wingard, no Jardim das Amoreiras. No dia 27 de Agosto, o MOTELX une forças com o Black Cat Cinema — um projecto de cinema ao ar livre que instala telas em lugares inusitados de Lisboa — e exibe o clássico The Others (Espanha/Estados Unidos/França, 2001), de Alejandro Amenábar, no Palácio do Grilo, às 21h00. 

Mais informações sobre a 20.ª edição do MOTELX em https://www.motelx.org/.

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