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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Museu do Oriente recebe ciclo do Doclisboa em Fevereiro

O Museu do Oriente recebe um ciclo de cinema documental dedicado à temática do exílio, no âmbito do Doclisboa 2020. As sessões acontecem todos os Domingos de Fevereiro, às 17h00.

Memory Is Our Homeland, de Jonathan Kolodziej Durand

"O programa foca-se no exílio e na deslocação, enquanto condições permanentes de uma parte da humanidade, segundo cada momento histórico", referiu o Museu do Oriente em comunicado.

A estreia em Portugal de Memory Is Our Homeland, de Jonathan Kolodziej Durand, é um dos destaques no ciclo, no dia 2 de Fevereiro. O filme foca-se nos refugiados polacos na Tanzânia durante a II Grande Guerra. No dia 9, Eldorado, de Markus Imhoof, aborda a história familiar do realizador. Ta’ang, de Wang Bing, é exibido no dia 16 de Fevereiro, e acompanha a dura fuga, pelas montanhas da fronteira da China com a Birmânia, de famílias que escapam à guerra civil. A encerrar o ciclo, no dia 23, Babylon, de Ala Eddine Slim, Youssef Chebbi e Ismaël Chebbi, conhecemos um campo de refugiados na Tunísia, desde a criação até à desmontagem, sem qualquer legenda ou tradução.

 Os filmes têm entrada gratuita, mediante levantamento de bilhete no dia da sessão.

Programa completo:

2 Fevereiro
MEMORY IS OUR HOMELAND
Jonathan Kolodziej Durand
Canadá, 2016
(Estreia em Portugal)
Duração: 90', sem intervalo

O destino dramático de quase um milhão de polacos que, durante a Segunda Guerra Mundial, foram deportados para os campos de trabalho siberianos, antes que milhares deles desaparecessem, ao caminho de um exílio na África, passando pelo Irão e pela Índia. Suportado pelo testemunho da avó, Durand revela uma aspecto voluntariamente apagado da História e interroga-se sobre a natureza de uma identidade baseada no exílio.

9 Fevereiro
ELDORADO
Markus Imhoof
Suíça, Alemanha, 2018
(Selecção oficial Doclisboa 2018)
Duração: 91', sem intervalo

A actual crise dos refugiados constitui a maior deslocação em massa de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial. Imhoof leva-nos numa viagem por navios de guerra italianos da Operação Mare Nostrum, por campos de refugiados no sul de Itália e por audiências de asilo com autoridades suíças. Uma crise causada por desigualdades económicas que transformam os países ricos do Norte no ‘eldorado’ que tantos desfavorecidos tentam alcançar a todo o custo.

16 Fevereiro
TA’ANG
Wang Bing
Hong Kong, França, 2016
(Seleccão oficial Doclisboa 2016)
Duração: 147’, sem intervalo

Os ta’ang, uma minoria étnica birmanesa, encontram-se entre uma guerra civil e a fronteira com a China. Desde 2015, violentos combates obrigaram milhares de crianças, mulheres e idosos a um êxodo além-fronteiras, para a China. Ta’ang acompanha o quotidiano desses refugiados, forçados a deixar as suas casas, mas esperando regressar a breve prazo.

23 Fevereiro
BABYLON
Youssef Chebbi, Ismaël Chebbi, Ala Eddine Slim
Tunísia, 2012
(Selecção oficial Doclisboa 2012)
Duração: 119', sem intervalo

Pessoas chegam a um território virgem, numa zona selvagem. Rapidamente, constrói-se uma cidade do nada. Habitada por várias nacionalidades, as pessoas que aí vivem falam línguas diferentes. Esta nova Babilónia, rodeada de árvores e animais, ganha rapidamente a forma de uma cidade, ao mesmo tempo banal e extraordinária.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Father and Sons / Fu Yu Zi (2014)

*5/10*

O grande vencedor do Doclisboa'14 não reuniu o consenso entre o público. Father and Sons, de Wang Bing, conquistou o grande prémio do festival mas não convenceu, mesmo que as intenções do realizador fossem as melhores.

A sinopse prometia algo mais marcante do que o filme nos oferece. Essencialmente contemplativo, Father and Sons debruça-se sobre a vida da família de Cai que, em 2011, levou os dois filhos para o seu local de trabalho, uma fábrica em Fuming, onde trabalhava com pedra, e arranjou-lhes uma escolha. Desde aí que têm vivido numa cabana da fábrica, apenas com uma cama. O realizador quis acompanhar a vida desta família, começando a filmar a 2 de Fevereiro de 2014; mas, na manhã do dia 6 a equipa foi ameaçada e parou as filmagens.


A crítica ao regime chinês continua a ser evidente neste filme de Wang Bing, todavia, o documentário não nos oferece mais do que o quotidiano daquela família, que vive em condições complicadas. O tom provocatório que se podia esperar não existe. Father and Sons resultaria muito mais eficazmente em forma de curta-metragem, tornando-se, como longa que é, num trabalho monótono para o espectador.

Observamos, ao longo de 87 minutos, a pequena divisão partilhada pela família, num acumular de roupa e outros objectos, com uma única cama - um colchão suportado por tijolos -, e vários cães que dormem ou passeiam pela divisão. Temos tempo para observar todos os pormenores, mas não retiramos muito mais do que isso do documentário. Apenas que as condições em que aquela família vive são difíceis e degradantes, mas que parecem ser encaradas de forma normal pelas crianças que desde que chegam não largam o telemóvel nem a televisão, que está sempre ligada, em jeito de companhia. Muito observativo, Wang Bing oferece-nos longos planos fixos onde praticamente nada acontece. Ainda assim, um dos pontos positivos desta opção prende-se com a temporalidade do filme. Pela luz que entra no quarto, sentimos o dia a passar, desde o sol da manhã, ao escurecer da passagem do dia, até ao momento em que a escuridão do local obriga a acender a luz.

Father and Sons poderia ter sido um grande filme, se se tivesse filmado o que inicialmente estava previsto, antes das ameaças e da retirada. Desta forma temos apenas um trabalho que se sente como inacabado - cuja contextualização é apenas dada no fim - e sem uma mensagem clara, por muito que a crítica social lhe seja intrínseca.

sábado, 25 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Vencedores

Foram esta noite anunciados os vencedores desta edição do Doclisboa. Amanhã é o último dia do festival e o público poderá rever os filmes premiados. Para já, conhece-os aqui.


COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

GRANDE PRÉMIO DA CIDADE DE LISBOA PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

FATHER AND SONS, de Wang Bing (2014, China, França)

MENÇÃO HONROSA

IL SEGRETO, de Cyop & Kaf (2013, Itália)

PRÉMIO ESPECIAL DOCLISBOA DO JÚRI DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

LETTERS TO MAX, de Eric Baudelaire (2014, França)

PRÉMIO PIXEL BUNKER PARA MELHOR CURTA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

TÔI QUÊN RÔI! (I FORGOT!), de Eduardo Williams (2014, França)

PRÉMIO CULTURGEST PRIMEIRA OBRA / PRÉMIO PARA MELHOR PRIMEIRA OBRA TRANSVERSAL ÀS COMPETIÇÕES E RISCOS


PRÉMIO UNIVERSIDADES / PRÉMIO UNIVERSIDADE LUSÍADA PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

HIT 2 PASS, de Kurt Walker (2014, Canadá)

INVESTIGAÇÕES

Prémio RTP para Melhor Documentário de Investigação

EVAPORATING BORDERS, de Iva Radivojevic (2014, EUA, Chipre)

COMPETIÇÃO PORTUGUESA

PRÉMIO LISCONT PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA

VOLTA À TERRA, de João Pedro Plácido (2014, Portugal, Suíça, França)

PRÉMIO SPA PARA MELHOR CURTA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA


PRÉMIO ESCOLAS / PRÉMIO IADE PARA MELHOR LONGA-METRAGEM DA COMPETIÇÃO PORTUGUESA 

VOLTA À TERRA, de João Pedro Plácido (2014, Portugal, Suíça, França)

PRÉMIO DO PÚBLICO - Prémio Jornal Público para Melhor Longa-Metragem Portuguesa

ILUSÃO, de Sofia Marques (2014, Portugal)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Traces, de Wang Bing

*6.5/10*

Com Traces (que faz parte da secção Riscos), Wang Bing traz-nos um documentário sem falas, onde apenas ouvimos o som dos passos do realizador que vagueia pelo deserto de Gobi numa jornada que serve como um registo histórico arrepiante. Quando preparava o filme Jiabiangou (A Fossa), o realizador deslocou-se àquele deserto, aos lugares exactos onde viveram e morreram milhares de pessoas nos campos de “reeducação pelo trabalho” montados pelo regime comunista, no final dos anos 50 do século passado. 


Wang Bing filmou cenas de deserto, onde abundam ossos abandonados, restos de tecidos e outros objectos que ali ficaram. Ao seguir os passos do realizador, o público ficará inevitavelmente atordoado, explorando os terrenos desertos e as grutas.

Filmado com uma câmara de 35 mm, o preto e branco e o grão da película parecem querer remeter-nos para o passado doloroso daqueles campos, ainda tão presente, que o realizador agora desenterra. Eis a prova do crime, apresentada mais de um século depois.

Traces repete no dia 26 de Outubro, pelas 19h45, no Cinema Ideal.