segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Crítica: Crazy, Not Insane (2020)

*8/10*


Crazy, Not Insane, de Alex Gibney, é um dos mais recentes documentários disponíveis na HBO Portugal, que tenta compreender como funciona a mente de um assassino.

O filme "segue a investigação da psiquiatra Dra. Dorothy Otnow Lewis, que estuda a psicologia dos homicídios. É narrado por Laura Dern."

Alex Gibney conversa com a psiquiatra e mergulha nos seu arquivos, nos casos mais icónicos que estudou e nos quais depôs em tribunal - com maior ou menor sucesso -, mostrando como ainda é difícil conjugar a Lei e a psiquiatria ou neurologia, para conseguir um julgamento justo para os doentes

O realizador faz as perguntas certas e não se limita a escutar apenas um dos lados. Procura outros intervenientes nos casos, com opiniões distintas de Dorothy Lewis, fazendo com que também o espectador possa construir a sua opinião perante o que vê no ecrã. Dorothy sentia-se uma detective ao estudar os criminosos, Gibney, por sua vez, mostra-nos a importância de compreender profundamente o histórico de cada condenado. 

Os vídeos e áudios das sessões com os assassinos são do mais enriquecedor - e aterrador - que Crazy, Not Insane proporciona. Cépticos, leigos, críticos ou defensores da investigadora poderão pôr em causa as suas próprias considerações e aprender muito sobre a psiquiatria forense.

Fará sentido tratar doentes mentais como meros assassinos? Não será imperioso estudá-los, compreender os processos do seu cérebro para combater estes casos desde a origem? Crazy, Not Insane lança estas e outras questões.

Alex Gibney proporciona uma experiência tão intrigante como incómoda, tocando em temas tabu na sociedade: a doença mental ou neurológica, os abusos na infância e a temática polémica da pena de morte.

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