quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Crítica: Primetime (2026)

"You see how this looks, right?"

Chris Hansen

*6.5/10*

Muito antecipado, em especial pela prestação de Robert Pattinson, Primetime, de Lance Oppenheim, vive do actor principal e do trabalho técnico e estético. Um pouco mais de fôlego e maior foco na série To Catch a Predator poderiam ser a chave para um resultado final mais intenso e até violento.

Em 2006, o jornalista Chris Hansen (Robert Pattinson) prepara-se para mudar a história da televisão, quando a série, To Catch a Predator, que apresenta no programa Dateline NBC, passa a ser transmitida em horário nobre, após o sucesso de audiências que estava a ter. O foco da série era capturar predadores sexuais reais em flagrante, filmando todo o processo, até à sua detenção pelas forças de policiais.

Quer se conhecesse previamente ou não a série e o jornalista, ao assistir a Primetime, entende-se o potencial que a mesma tinha para gerar polémica. São muitas as questões éticas (e até legais) que se colocam ao fazer um reality show, aliciando potenciais abusadores de menores e prendendo-os assim que chegam ao local combinado na Internet.

Lance Oppenheim tinha em mãos um tema sensível e optou por destacar mais a figura do controverso jornalista do que a série propriamente dita. Se, por um lado, o realizador capta um Robert Pattinson totalmente camaleónico, que molda a voz e os gestos ao verdadeiro Chris Hansen, num desempenho arrepiante; por outro, a plateia espera ver mais tensão, mais potenciais suspeitos e reacções, maior conflito e mais emoções nos bastidores das filmagens.

As questões são lançadas mas pouco exploradas: a culpa que os "iscos" sentem; a legalidade das filmagens; os artifícios que Hansen usa para conseguir uma espécie de confissão ao vivo; e todos os dilemas éticos que esta "caça ao predador" levanta. E, apesar de nada disto ser aprofundado, Primetime tem ainda tempo para se focar na vida pessoal do apresentador que, para além da personalidade provocadora, vê um iminente escândalo prestes a rebentar.

Primetime promete mais do que oferece. Com uma temática tão pouco usual em mãos e muito para explorar - um reality show que apanha abusadores de menores não é algo de que se ouça falar todos os dias - o filme de Lance Oppenheim oferece muito menos do que o documentário de 2025 sobre o mesmo tema, Predators, de David Osit. A jóia da coroa da longa-metragem é mesmo a interpretação imperturbável de Robert Pattinson que se entrega de copo e voz ao protagonista.

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