quinta-feira, 29 de agosto de 2019

MOTELx'19 anuncia programação completa

Ma, de Tate Taylor, será o filme de abertura da 13.ª edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. A fechar estará Come to Daddy, de Ant Timpson.


O actor veterano Jack Taylor é mais um dos nomes confirmados a marcar presença no evento, a par do já anunciado Ari Aster. Taylor foi actor-fetiche do cinema exploitation espanhol dos anos 60 e 70, participou em filmes de John Milius, Ridley Scott e Milos Forman, e em Portugal contracenou com Johnny Depp em A Nona Porta (Roman Polanski). Nesta edição do MOTELx, serão exibidos o documentário Jack Taylor, Testigo del Fantástico (Diego López, 2018) e Necronomicon (Jesús Franco, 1968).

Protagonizado por Octavia Spencer, Ma, de Tate Taylor, abre o festival no dia 10 de Setembro. O filme conta a história de uma mulher solitária que decide acolher as festas de um grupo de adolescentes na sua cave – com regras muito particulares. Come to Daddy faz as honras de encerramento a 15 de Setembro e conta com Elijah Wood no papel principal. O filme de Ant Timpson mistura gore e humor negro para contar a história de um reencontro entre pai e filho que corre absurdamente mal.

Para o Prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia/Méliès d’Argent concorrem oito filmes: Faz-me Companhia, de Gonçalo Almeida (Portugal); All the Gods in the Sky, de Quarxx (França); Extra Ordinary, de Mike Ahern e Enda Loughman (Irlanda, Bélgica); Finale, de Søren Juul Petersen (Dinamarca); Get In, de Olivier Abbou (França); A Good Woman is Hard to Find, de Abner Pastoll (UK, Bélgica, Irlanda); The Hole in the Ground, de Lee Cronin (UK); e Why Don’t You Just Die!, de Kirill Sokolov (Rússia).


A secção Serviço de Quarto mostra 26 longas internacionais. Destaque para o filme brasileiro Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; The Gangster, the Cop, the Devil (Lee Won-Tae, Coreia do Sul); o japonês It Comes (Tetsuya Nakashima); o indiano Tumbbad (Rahi Anil Barve); o western feminista norte-americano The Wind (Emma Tammi); Nightmare Cinema, com Mickey Rourke no papel de projeccionista diabólico; da Europa, Lords of Chaos (Jonas Åkerlund), baseado na história real dos Mayhem, banda de black metal norueguesa com apetite para a destruição.

Na secção Doc Terror, encontramos documentários sobre dois lendários realizadores de filmes de terror série B, Jairo Pinilla em Jairo’s Revenge, de Simon Hernandez, e Al Adamson em Blood & Flesh, de David Gregory, e ainda o filme que analisa o papel dos afro-americanos no cinema de terror norte-americano, Horror Noire: A History of Black Horror, de Xavier Burgin.

O MOTELx'19 acontece de 10 a 15 de Setembro e os eventos de Warm-Up do festival estão marcados para 5, 6 e 7 de Setembro. Mais programação aqui e toda a informação pode ser encontrada em https://www.motelx.org/.

Estreias da Semana #392

Esta Quinta-feira, são seis os filmes que chegam às salas de cinema portuguesas. 47 Metros: Medo Profundo e a reposição de Vem e Vê são dois dos destaques desta semana.

47 Metros: Medo Profundo (2019)
47 Meters Down: Uncaged
Mia está insatisfeita com a ideia de morar no México com o pai, Grant, e a sua nova família. Grant trabalha como investigador numa antiga cidade maia submersa e Mia é obrigada a conviver intensamente com Sasha, a filha da madrasta. Entediadas e sem ninguém que vigie por onde andam, Mia, Sasha e outras duas amigas esgueiram-se para a gruta subaquática em que Grant está a trabalhar. Escondido e submerso durante séculos, o cemitério maia é belo e intrigante, mas depressa se transforma numa armadilha mortal quando as raparigas percebem que não estão sozinhas. O abismo está cheio de enormes tubarões brancos que as cercam. Encurraladas numa gruta que poderá revelar-se o seu túmulo, as raparigas terão de manter um silêncio sepulcral se quiserem sair dali vivas.

A Vida de Um Campeão (2019)
The Art of Racing in the Rain
Enzo, um cão de família com uma alma quase humana e a mente de um filósofo, avalia a sua vida através das lições aprendidas pelo seu dono, o piloto de automóveis Denny Swift.

Blinded by the Light - O Poder da Música (2019)
Blinded by the Light
Em 1987, na Grã-Bretanha, durante a era de austeridade do governo Thatcher, um adolescente aprende a viver, a perceber a sua família e a encontrar a sua própria voz através da música de Bruce Springsteen.

O Falcão Manteiga de Amendoim (2019)
The Peanut Butter Falcon
Zak, um jovem com Síndrome de Down, foge da sua casa de acolhimento para seguir o sonho de integrar a escola profissional de wrestling do seu ídolo. Mas uma reviravolta nos seus planos fá-lo cruzar-se com Tyler, um rapaz fora de lei em fuga, que se torna o improvável treinador e aliado de Zak. Juntos, constroem uma asa delta, fogem a perseguidores, bebem uísque, encontram Deus, pescam e convencem Eleanor, uma gentil funcionária da casa de acolhimento responsável por levar de volta Zak, a juntar-se a eles.

Planeta Willy (2019)
Terra Willy, planète inconnue
Após a destruição da sua nave, o pequeno Willy separa-se dos pais com quem viajava através do espaço. A sua cápsula aterra num planeta selvagem e inexplorado. Com a ajuda de Buck, um robô de sobrevivência, tem de esperar até à chegada da missão de resgate. Até lá, Willy, Buck e Flash, um alienígena com quem travaram amizade, descobrem o planeta: a sua fauna, a sua flora, mas também os seus perigos.

Vem e Vê (reposição) (1985)
Idi i smotri
A invasão de uma aldeia na Bielorrússia pelas forças alemãs envia o jovem Florya para a floresta onde se junta aos fatigados combatentes da Resistência, contra a vontade da família. Lá conhece uma rapariga, Glasha, que o acompanha de volta à aldeia onde Florya descobre que, durante a sua ausência, todos os habitantes foram massacrados pelos nazis. Para Florya, a sobrevivência entre os destroços e a brutalidade da guerra torna-se cada vez mais um pesadelo, uma batalha entre o desespero e a esperança que se vai reflectindo na sua face.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Comic Con Portugal 2019: Millie Bobby Brown confirmada a 15 de Setembro

Millie Bobby Brown, um das protagonistas de Stranger Things, vem à Comic Con Portugal no dia 15 de Setembro. Haverá um painel Q&A, sessões de autógrafos e fotografias.


A actriz britânica é Eleven na série da Netflix e no cinema pudemos vê-la em Godzilla II - O Rei dos Monstros. Millie já confirmou presença no próximo Godzilla vs Kong, com estreia para 2020.

No dia 14 de Setembro, haverá um painel dedicado ao filme Rambo, A Última Batalha, com a presença do actor Óscar Jaenada, que interpreta Victor Martinez no filme. A este painel junta-se também o português Joaquim de Almeida.

Na área da animação, o ilustrador Bill Plympton marca presença na Comic Con Portugal nos dias 13 e 14 de Setembro. Depois de produzir muitas curtas, transformou o seu talento em filmes de longa-metragem. Também colaborou com Madonna, Kanye West e Weird Al Yankovic em vários videoclipes e projectos de livros.

A 5.ª edição da Comic Con Portugal decorre de 12 a 15 de Setembro, no Passeio Marítimo de Algés. Mais informações em https://www.comic-con-portugal.com/.

Opinião: Séries - True Detective - Temporada 3 (2019)

"I miss when 'Don't get killed' was the only thing on my to-do list."
Brett Woodard


*6.5/10*

Passaram-se alguns anos enquanto esperávamos pela estreia da terceira temporada de True Detective, premiada série da HBO, criada por Nic Pizzolatto. Eis que chegou no início de 2019, com dois novos detectives ao comando: Mahershala Ali e Stephen Dorff, cujas personagens mantêm a dubiedade das parcerias das anteriores temporadas. Primeiro, Matthew McConaughey (Rust Cohle) e Woody Harrelson (Martin Hart), depois, Colin Farrell (Ray Velcoro) e Rachel McAdams (Ani Bezzerides). 

O sucesso e qualidade da primeira temporada eram difíceis de igualar e seria de esperar que esta terceira superasse com facilidade a segunda, que foi tão mal recebida pelo público - da minha parte, contudo, não existe qualquer sentimento de ódio em relação à história, bem pelo contrário. Na mais recente temporada, contudo, o argumento aproxima-se mais da investigação de Cohle e Hart (cujo caso demorou 17 anos a ser resolvido). Os dados são lançados após o desaparecimento misterioso de duas crianças. 

Um menino de 12 anos e da irmã, de 10, desaparecem no Arkansas em 1980. O crime desencadeia memórias vívidas e questões persistentes ao detective reformado Wayne Hays, que trabalhou no caso há 35 anos com o então parceiro Roland West. Aquilo que começa por ser um caso rotineiro acaba por se tornar numa interminável jornada na tentativa de dissecar o crime e dar-lhe algum sentido. O caso Purcell está por resolver há 35 anos.


A acção desenrola-se pois em três tempos distintos: 1980, 1990 e 2015 - o que nem sempre funciona como ponto positivo, apesar de algumas transições serem bem conseguidas. Este triângulo temporal origina também uma aura ligeiramente fantasmagórica que não auxilia a credibilidade da série.

Desde os primeiros episódios que assistimos a várias teorias, formamos as nossas próprias considerações sobre os suspeitos, conhecemos os inspectores e sua personalidade e apercebemo-nos até da influência e pressão que sentem, da parte de elementos externos, em ver o caso rapidamente encerrado. A série toca levemente na problemática do racismo nos Estados Unidos, bem como na forma como os veteranos de guerra são encarados no regresso. Os contornos rocambolescos do crime envolvem cada vez mais personagens e a conclusão está longe de ser satisfatória. O último episódio está, aliás, muitos furos abaixo do que se exigiria para uma série desta qualidade.

São oito episódios, uns realmente entusiasmantes, que nos fazem clamar pelo desenlace do caso. Afinal, o que aconteceu naquele fim-de-tarde? A reabertura do caso, dez anos depois dos acontecimentos, e os esforços de Hays, West e da forte personagem feminina, Amelia Reardon, em juntar as pontas soltas para o resolver são acompanhados com máxima atenção. Todavia, o final de True Detective é um grande desapontamento...


O ponto mais forte desta terceira temporada são, sem dúvida, as excelentes interpretações do elenco. Especial destaque para um fabuloso e perturbado Mahershala Ali, em parceria com um magoado Stephen Dorff, e uma corajosa Carmen Ejogo. São estes os nomes que fazem valer a visualização da mais recente temporada da série da HBO.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crítica: Era Uma Vez... Em Hollywood / Once Upon a Time in Hollywood (2019)

"I'm the Devil. And I'm here to do the Devil's business."
Tex


*7/10*

Quentin Tarantino
gosta de fazer justiça pelas próprias mãos, isso já sabemos. Em Era Uma Vez... Em Hollywood, o realizador baseia-se pela primeira vez em acontecimentos reais para criar a sua história, num tributo a uma época menos dourada de Hollywood.

Juntar Leonardo DiCaprio e Brad Pitt no mesmo filme não é para todos - prova disso é que esta foi a primeira vez que os dois actores contracenaram -, mas é para Tarantino. E que belíssima dupla nos é apresentada, o galã dos filmes de cowboys em crise e o seu duplo, não menos charmoso.

Tudo acontece na Los Angeles de 1969, onde o clima é de mudança. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), estrela de TV, e o seu duplo de muitos anos, Cliff Booth (Brad Pitt), confrontam-se com uma indústria que já não reconhecem.


E eis que entram em cena os "factos reais" em que a história de Era Uma Vez... Em Hollywood se baseia: na madrugada do dia 9 de Agosto de 1969, a jovem actriz Sharon Tate (esposa do realizador Roman Polanski), de 26 anos e grávida de oito meses, foi assassinada, tal como alguns amigos com quem estava, pela seita de Charles Manson, na sua casa em Los Angeles.

Tarantino coloca-nos no ano de 1969, numa Hollywood decadente (onde os novos rostos são também uma nova esperança), com o florir do movimento hippie e do bando de Charles Manson - ele próprio um frustrado que nunca conseguiria singrar em Hollywood, pelo menos por bons motivos. É neste ambiente que surgem como novos vizinhos de DaltonSharon Tate e Roman Polanski. E o cenário está montado. Misturando personagens reais a fictícias, o cineasta cria a sua versão da História do ano 1969. Claro que a direcção artística e o guarda-roupa fazem um trabalho esplêndido na recriação da época e dos locais.


Mas, afinal, este é provavelmente o filme menos inspirado de Quentin Tarantino, pelo menos desde há uns bons anos. Isso não é ser mau, longe disso, mas o cineasta já nos habituou a um patamar mais elevado e é sempre difícil vê-lo recuar. As homenagens são mais que muitas, como sempre, onde a longa-metragem como um todo será a maior delas. As personagens são dúbias mas muito divertidas - Leonardo DiCaprio faz tudo com uma perna às costas, seja bêbado, deprimido, galã ou vilão -, Brad Pitt surge mais discreto mas não menos impactante, numa personagem secundária que depressa assume o protagonismo, em especial após a metade do filme. Os dois actores provam ser uma dupla que vamos gostar de ver mais vezes no grande ecrã.

Não há a profundidade que talvez gostássemos de ver explorada, mas há imensas referências em personagens símbolos desta Hollywood em mudança. Por vezes, sentimos um dèjá vu, com claras alusões a filmes anteriores (Sacanas Sem Lei será provavelmente o mais facilmente comparável em determinados momentos - desde logo, nos nazis que Rick Dalton fulmina num dos seus filmes). Sentimos que este nono filme quer ser mais um retrato de uma época, do que um marco da criatividade do seu criador.


Era Uma Vez... Em Hollywood revela-se menos certeiro, apesar dos delirantes 20 minutos finais, que serão, sem dúvida, inesquecíveis. O fulgor com que culmina não suporta as quase três horas da longa-metragem, não deixando contudo de ser um belo desafio à História e à indústria. No fundo, será Hollywood sonhada por Quentin Tarantino.

domingo, 25 de agosto de 2019

Sugestão da Semana #391

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português sobre António Variações, Variações, de João Maia, protagonizado por Sérgio Praia. Podes ler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme, aqui, e o texto sobre a banda sonora, lançada no dia 23 de Agosto, aqui.

VARIAÇÕES


Ficha Técnica:
Título Original: Variações
Realizador: João Maia
Elenco: Sérgio Praia, Filipe Duarte, Victoria Guerra, Teresa Madruga, Diogo Branco, José Raposo, Augusto Madeira, Tomás Alves
Género: Biografia, Drama, Música
Classificação: M/12
Duração: 109 minutos

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Estreias da Semana #391

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses sete novos filmes. Variações e Assalto ao Poder são duas das estreias.

A Semente do Mal (2018)
Malicious
Professor de matemática, Adam muda de casa com a mulher, Lisa, após receber um convite para leccionar numa conceituada universidade. Saudável e activa, Lisa tem um aborto espontâneo em circunstancias misteriosas. A jovem não só perde o bebé, mas também a capacidade de ter mais filhos. Destroçada pelos acontecimentos,  acredita que uma força não natural a fez perder o bebé, teoria reforçada pela irmã Becky. Contudo Adam e os médicos da esposa acreditam que tudo foi provocado por excesso de exercício e trabalho pesado. Mas Lisa começa a ver uma entidade maligna. Inicialmente aparece como uma criança para, com o tempo, crescer e se tornar mais perigosa. A sanidade de Lisa é questionada e o seu casamento desmorona enquanto luta contra a lógica para encontrar respostas e descobrir o que aconteceu ao bebé.

Assalto ao Poder (2019)
Angel Has Fallen
O agente dos serviços secretos Mike Banning é falsamente acusado de uma tentativa de assassinato do Presidente dos Estados Unidos. Para provar a inocência, terá de escapar aos próprios colegas do FBI e descobrir a verdadeira ameaça.

Em Boas Mãos (2018)
Pupille
Théo foi dado para adopção pela mãe biológica no dia em que nasceu. O registo deu-o como filho de mãe incógnita, mas a mãe tem dois meses para mudar de ideias... ou não. Os serviços de acção social e os serviços de apoio à infância iniciam os devidos processos. Uns têm de se ocupar do bebé, de cuidar dele durante esta fase de incerteza. Os outros têm de encontrar aquela que virá a ser a sua mãe adoptiva. Chama-se Alice e há 10 anos que luta por ter um filho. Esta é a história do encontro entre Alice, de 41 anos, e Théo, de três meses.

O Último Amor de Casanova (2019)
Dernier Amour
No século XVIII, Casanova, conhecido por apreciar o prazer e o jogo, chega a Londres, após ter sido forçado a exilar-se. Nesta cidade de que tudo ignora, encontra diversas vezes uma jovem cortesã, Marianne de Charpillon, que o atrai de tal forma que o faz esquecer as outras mulheres. Casanova está pronto para tudo para atingir os seus fins, mas Marianne esquiva-se sempre sob os mais diversos pretextos. Por fim, lança-lhe um desafio: quer que ele a ame tanto quanto a deseja.

Ready or Not - O Ritual (2019)
Ready or Not
Grace, uma jovem espirituosa de origens modestas vai casar com o rico Alex Le Domas numa cerimónia que terá lugar na imponente propriedade da família Le Domas, cuja fortuna foi construída a partir da criação e venda de jogos de tabuleiro. O casamento decorre sem problemas até ao momento em que Grace,  ainda no seu vestido de noiva, se junta ao novo marido e sogros para o que eles descrevem como um tradicional jogo de família. Cabe a Grace tirar uma carta de um baralho para determinar o jogo. Enquanto o perigo paira no ar, Grace escolhe a rara carta do jogo das escondidas. Com apenas alguns instantes de vantagem, Grace deve deixar Alex e esconder-se algures na propriedade. Cabe aos restantes encontrá-la antes do amanhecer. O jogo aparenta ser inocente, mas Grace depressa descobre que, na verdade está a ser caçada num jogo sangrento e mortal.

Tudo Bons Meninos (2019)
Good Boys
Após ser convidado para jogar ao bate-pé pela primeira vez, Max (Jacob Tremblay), de 12 anos, está em pânico por não saber como beijar. Ansioso por dicas, Max e os seus melhores amigos, Thor e Lucas decidem usar um drone para espiarem um casal de adolescentes a namorar na casa ao lado. Mas quando as coisas correm absurdamente mal, o drone é destruído. Numa desesperada tentativa de substitui-lo antes que o pai de Max (Will Forte) chegue a casa, os rapazes faltam às aulas e partem numa odisseia de más decisões que envolve o roubo acidental de drogas, paintball em residências estudantis, fugas à polícia e adolescentes assustadoras.

Variações retrata a vida de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, barbeiro e figura de Lisboa no final dos anos 70, perseguindo o sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. O filme foca o processo de transformação na persona de António Variações, artista excêntrico e popular cuja carreira fulgurante foi interrompida pela sua morte em 1984.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Bandas Sonoras #5

Variações virou filme biográfico e fez nascer uma nova banda, homónima, que recupera temas de António Variações e apresenta-os com um novo arranjo, respeitando a sua ideia inicial. Para além dos temas mais famosos do artista português, Variações grava canções que nunca foram editadas e dá-nos direito a conhecer um original, Quero Dar Nas Vistas. Tudo isto foi possível graças às cassetes gravadas por António quando ainda tocava com músicos amadores, no final dos anos 70, e compunha em casa.


A produção musical do disco é assumida por Armando Teixeira (Balla), que se sentiu estimulado com "a possibilidade de reinventar a música de António Variações à luz dos nossos dias", como explicou em comunicado. O realizador João Maia queria "que eu desse corpo às ideias que o António Variações gravara na garagem com músicos amadores no final dos anos 70", continuou. Armando ouviu as cassetes e encontrou António "a cantar acapella, sobre uma caixa de ritmos, ensaios de banda e concertos". Antes de tudo, "compunha a música sozinho ou com a caixa de ritmos e depois, nos ensaios, os músicos faziam os arranjos", explicou, referindo que existem muitas versões de cada canção.

Entre canções completas, excertos e outras onde parecem faltar "pedaços e estrutura", encontrou um inédito, Quero dar nas Vistas"Parece ser uma canção desenvolvida em ensaio, mas não um improviso. Existem gravações de diferentes ensaios. O António apresenta-se, a banda desenvolve um prog-rock com inúmeros solos, mais uma vez, sem nenhuma estrutura. Ensaiavam pelo prazer de tocar." Entre muitas descobertas, construiu-se a banda sonora de Variações que também vive do amor ao cantor, comum a todos os elementos do grupo.


A banda sonora conta com 10 temas gravados pela banda formada por Sérgio Praia, Pedro Monteiro, Duarte Cabaça, Vasco Duarte Armando Teixeira. Anjo da Guarda, O Corpo é que Paga, Visões – Ficções (Nostradamus), Na Lama, Estou AlémToma o Comprimido, Teia, Perdi a Memória, Canção de Engate, e Quero Dar nas Vistas - tema inédito encontrado no espólio de António Variações - são as músicas de Variações. São cheias de ritmo, intemporalidade e chegam a ser viciantes, mesmo ao estilo a que o barbeiro-cantor nos habituou.

A banda sonora do filme de João Maia é editada pela Sony Music a 23 de Agosto, em formato físico e digital. Na Lama é o primeiro single e já se encontra disponível nas principais plataformas digitais.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Crítica: Variações (2019)

"E quem te disse que eu me quero adaptar a Lisboa? É Lisboa que se vai adaptar a mim."
António Variações


*7/10*

O ícone da música pop-rock portuguesa António Variações renasce no cinema (e nos palcos) através da interpretação fulgurante de Sérgio Praia. As semelhanças são arrepiantes. As cores, a voz, os olhares, as paisagens transbordam saudade e nostalgia daquilo que muitos nunca viveram e outros pareciam ter esquecido.

Variações, de João Maia, é um dos filmes mais aguardados de 2019, ano em que o cantor comemoraria 75 anos de vida e se contam 35 do seu desaparecimento. Foi um parto difícil para o realizador e argumentista, mas já está cá fora para se mostrar ao Mundo e fazer viajar no tempo. 

Variações retrata a vida de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, barbeiro e figura de Lisboa no final dos anos 70, perseguindo o sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. O filme foca o processo de transformação na persona de António Variações, artista excêntrico e popular cuja carreira fulgurante foi interrompida pela sua morte em 1984.


Eis a viagem no tempo que João Maia nos proporciona, através de uma direcção artística cuidada e atenta e caracterização e guarda-roupa a fazerem o resto do trabalho. Quando nos vemos na Lisboa do final dos 70, inícios de 80, entramos facilmente na vida de António e na sua luta diária para alcançar o sonho de ser cantor. Tornamo-nos íntimos.

Sérgio Praia é o actor a incorporar o cantor que alcançou o sucesso no início dos anos 80 e continua a deslumbrar todas as gerações que ouvem a sua música. As semelhanças entre os dois são imensas e o actor tem uma presença fenomenal - é ele próprio quem dá voz aos temas de Variações. Já merecia uma personagem assim. O actor absorve a magia do artista e transfigura-se, quer em gestos, movimentos, expressões, tudo com uma sensibilidade e doçura encantadoras. Em grande parte, é ele o motor da longa-metragem, que dificilmente funcionaria tão bem com outro protagonista. Bravo, Sérgio!

A banda sonora recupera os temas que vamos trautear baixinho ao longo do filme, com muita vontade de dançar, e ter um arrepiante déjà vu quando vemos e ouvimos Sérgio Praia a dar voz às canções que eternizaram o cantor.


Apesar de tudo de bom que Variações nos traz - a nós, plateia, e ao cinema português no seu todo, que deve aprender a preservar a memória dos seus artistas -, sente-se que poderia haver mais coesão. Há momentos em que nos sentimos verdadeiramente envolvidos, com planos sequência intensos, outros quase de êxtase, com a câmara a colar-nos a António; enquanto em outros momentos, sentimos um corte brusco, a poética perde-se, dando lugar a uma objectividade que nos desprende drasticamente das boas sensações anteriores. Queremos deixar-nos embalar pela câmara e pela voz e sonhos de Variações, mas nem sempre o filme nos proporciona isso. Quando o faz, sim, é eficaz.

Historicamente, tenho pena de não serem retratados alguns momentos-chave de António Variações na televisão (em O Passeio dos Alegres, por exemplo), ou mesmo o encontro com Júlio Isidro na sua barbearia.

Confesso a minha admiração imensa por António Variações, e o meu respeito pelo trabalho árduo que João Maia teve na autêntica batalha que foi fazer este filme. Variações recupera a memória de um dos maiores nomes da História do país e comemora-o nas salas de cinema, para que nunca o esqueçamos.

Ciclo de Cinema 'Era Uma Vez Em Goa' no Museu do Oriente em Setembro

O ciclo de cinema Era uma vez em Goa: Identidade e Memórias no Cinema estará de 4 a 29 de Setembro no Museu do Oriente. Serão sete sessões que olham para este território, antes e imediatamente após a integração na Índia, em 1961.


O ciclo apresenta filmes com perspectivas de realizadores portugueses e goeses. Os títulos provêm de arquivos públicos – da Rádio e Televisão Portuguesa, do Centro de Audiovisuais do Exército (CAVE), da Filmoteca Española –, por vezes desprovidos de som, que serão comentados por especialistas. Para além destes, serão mostradas investigações de realizadores não goeses, como Eternal Foreigner(2003), de Paula Albuquerque, e Pátria Incerta (2005), de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel, ou A Dama de Chandor (1998), de Catarina Mourão. Serão exibidos também filmes goeses contemporâneos, documentais e um filme ficcional konkani.

Maria do Carmo Piçarra é a comissária do ciclo. A entrada é gratuita, mediante levantamento prévio de bilhete. Todos os filmes são legendados em português ou em inglês e serão exibidos no Auditório ou na Sala Beijing.  Mais informações sobre o ciclo aqui.

Programa

4 Setembro
Eternal Foreigner
De Paula Albuquerque
2003 |Duração 28’ | Sala Beijing | Língua original Português (com legendas em Inglês)

Pátria Incerta
De Inês Gonçalves, Vasco Pimentel
2005 |Duração 52’ | Língua original português (com legendas em inglês)

8 Setembro
A Dama de Chandor
De Catarina Mourão
1998 |Duração 93’ | Auditório | Língua original

13 Setembro| Sala Beijing
Vitória ou morte – Queda da Índia Portuguesa
De Pedro Efe
2002 |Duração 54’20’’ | Língua original: Português

18 Setembro
I am Nothing
De Ronak Kamat
2019 |Duração 50’ | Sala Beijing |Língua original: Inglês

22 Setembro
COMUNIDADES GOESAS E CULTURAS EM FILMES DOCUMENTAIS
Caazu
De Ronak Kamat
2015 |Duração 7’58’’ | Auditório |Língua original: Inglês e Concanim, legendas em Inglês

Dances of Goa
De Nalini Elvino de Sousa
2012 |Duração 26’36’’ | Auditório | Língua original: Inglês

Shifting Sands
De Sonia Filinto
2013 |Duração 28’47’’ | Auditório | Língua original: Inglês e Concanim, legendas em Inglês

Satticho Koddo – O Celeiro de Salcete
De Vince Costa
2018 |Duração 37’50’’ | Auditório |Língua original: Inglês, legendas em Português

27 Setembro
Ranmale
De Dnyanesh Moghe
Duração 10’ | Sala Beijing |Língua original: Inglês
Digant
De Dnyanesh Moghe
2012 |Duração 96’ | Língua original: Concanim, legendas em Inglês

29 Setembro
GOA NOS ARQUIVOS
En la India Portuguesa: Goa de Ayer y de Hoy
De Filmoteca Española
1952 |Duração 11’ | Auditório | Castelhano

Operação de segurança no Estado da Índia
De Centro de Audiovisuais do Exército Português
1955 |Duração 11’ | Auditório | Sem som (com comentário da investigadora Maria do Carmo Piçarra e do jornalista Jacinto Godinho)

Rumo à Índia
De Miguel Spiguel
1959 |Duração 19’ | Auditório |Sem som (com comentário da investigadora Maria do Carmo Piçarra e do jornalista Jacinto Godinho)

Selecção de materiais de arquivo da RTP Chuvas de Monção em Goa (9’), Natal dos Soldados Portugueses em Pangim (3’), Manuel Vassalo e Silva é Distinguido na Índia (1’) e Chegada de Refugiados a Lisboa (3’) Sem som (com comentário da investigadora Maria do Carmo Piçarra e do jornalista Jacinto Godinho)

Honra à Índia Portuguesa
De Perdigão Queiroga
1961 |Duração 19’ | Auditório | Sem som (com comentário da investigadora Maria do Carmo Piçarra e do jornalista Jacinto Godinho)

domingo, 18 de agosto de 2019

Sugestão da Semana #390

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o mais recente filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez... em Hollywood.

ERA UMA VEZ... EM HOLLYWOOD


Ficha Técnica:
Título Original: Once Upon a Time ... in Hollywood
Realizador: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot RobbieEmile Hirsch, Bruce DernDakota Fanning, Al Pacino
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/16
Duração: 161 minutos

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Estreias da Semana #390

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses cinco novos filmes. Angry Birds 2 - O Filme e Era Uma Vez... Em Hollywood são duas das estreias. Bom feriado!

Angry Birds 2 - O Filme (2019)
The Angry Birds Movie 2
Red, Chuck, Bomb e restante passarada são apanhados de surpresa quando um porco verde sugere que deixem de lado os seus conflitos e se unam para lutar contra uma ameaça comum. Aves agressivas de uma ilha coberta de gelo planeiam usar uma sofisticada arma para destruir o modo de vida das aves e dos porcos. Após seleccionarem os mais brilhantes de entre eles, pássaros e porcos criam um plano para se infiltrarem na ilha, desactivarem o dispositivo e regressarem aos respectivos paraísos.

Booksmart - Inteligentes e Rebeldes (2019)
Booksmart
Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein), melhores amigas e grandes marronas, achavam que se dedicassem todo o seu tempo aos estudos obteriam uma enorme vantagem sobre os colegas baldas e brincalhões. Contudo, na véspera do último dia de aulas, Amy e Molly acordam para a realidade e percebem que ficaram a perder por passarem ao lado de toda a diversão. Determinadas a compensar o tempo perdido, decidem encaixar quatro anos de diversão numa única noite épica de mau comportamento – uma aventura caótica para a qual nenhum estudo as preparou.

Era Uma Vez... em Hollywood (2019)
Once Upon a Time in Hollywood
Los Angeles, Fevereiro de 1969. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), estrela da série televisiva Bounty Law, nos anos 50, confessa ao seu melhor amigo e duplo, Cliff Booth (Brad Pitt), o receio de que a sua carreira possa ter acabado. Enquanto isso, a actriz Sharon Tate (Margot Robbie) e o seu marido, o realizador Roman Polanski, passam a ser vizinhos de Dalton...

Nada a Perder 2 (2019)
Nada a Perder - Parte 2
Segunda parte da biografia do líder religioso Edir Macedo.

Nomis (2018)
A adolescente Lara Cooper (Ben Kingsley), um homem de meia-idade, formam uma equipa improvável, dando caça a predadores sexuais. Lara é o isco, Cooper actua depois. Contudo, quando um dos predadores os engana e consegue raptar LaraCooper é obrigado a incluir o Detective Walter Marshall (Henry Cavill) e os recursos da polícia na caça ao homem. Com esta ajuda, conseguem localizá-la e prender o raptor louco, Simon, que insiste que aquilo é um jogo que todos estão a jogar. Quando outras duas raparigas desaparecem e Simon consegue fugir da esquadra, Marshall Cooper têm de unir esforços numa luta contra o tempo para encontrar as vítimas e descobrir a verdade.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Momentos Para Recordar #61

Estamos a meio de Agosto, o mês do coração de muitos portugueses. Ou porque estão de férias, na praia, no campo, porque estão de regresso à terra natal que ganha outra vida neste mês, ou simplesmente porque gostam do oitavo mês do ano. Seja qual for a razão, Agosto tem um encanto que faz com que seja tema de canções ou de filmes.

O Momentos Para Recordar de hoje traz-nos um belo conjunto de histórias que nos recordam tudo o que Agosto tem de especial - Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes. No Hoje Vi(vi) um Filme já falamos deste filme aqui e aqui, mas nunca é demais outra recomendação. É como as festas das aldeias, sempre uma alegria.

Aquele Querido Mês de Agosto, Miguel Gomes (2008)

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Crítica: Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw / Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw (2019)

"He really is Black Superman."
Luke Hobbs


*5.5/10*

Mais um Velocidade Furiosa nos cinemas, desta vez num spin-off, protagonizado pelos eternos rivais Luke Hobbs e Deckard Shaw. O humor toma conta da acção, mas não poderiam faltar as perseguições e os carros que sempre têm caracterizado a saga.

Oito filmes depois, Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw cria uma nova história comandada por Dwayne Johnson e Jason Statham. Desde que o corpulento agente da lei Hobbs, um operacional dedicado do Serviço de Segurança Diplomática dos Estados Unidos, e o marginal Shaw, um ex-agente de elite do exército britânico, se enfrentaram pela primeira vez em Velocidade Furiosa 7, a dupla alternou entre insultos e socos, enquanto se tentavam destruir um ao outro. Mas quando Brixton (Idris Elba), o anarquista cibernético geneticamente alterado, assume o controlo de uma ameaça biológica que pode alterar para sempre a humanidade e derrota uma agente do MI6 à margem da lei (Vanessa Kirby), irmã de Shaw, os dois inimigos terão de se unir para destruir o único homem mais perigoso do que eles.


À aventura e acção surreal que tem caracterizado a saga e desafia todas as leis da física - para nosso deleite -, junta-se agora uma espécie de ficção científica personificada na personagem de Idris Elba, um homem, aparentemente, sem coração, um humano modificado pela ciência. Hobbs & Shaw conduz-nos por várias partes do mundo, de Los Angeles a Londres, da Rússia à Ucrânia, terminando nas ilhas Samoa, oferecendo planos que privilegiam as paisagens, não descurando as sequências de acção.

Os laços de sangue têm um espaço importante nesta longa-metragem, com as famílias a serem uma arma importante - e Helen Mirren sugere-nos isso mesmo assim que surge no ecrã. Mas é o humor a maior das armas deste filme, que partilha o realizador com Deadpool 2David Leitch -, o que talvez explique a presença de um muito espirituoso Ryan Reynolds no elenco.


Contudo, o argumento deste Velocidade Furiosa não se aguenta tão bem ao longo das mais de duas horas de filme como alguns dos seus antecessores. Apesar da adição de Vanessa Kirby à dupla rival, que interpreta uma personagem feminina forte e inteligente, quase uma mediadora do conflito entre os dois homens, são vários os momentos em que o filme perde o fôlego, com a plateia a sentir que se estende mais do que deveria.

Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw pode não ser o melhor da saga, mas continua a seguir as linhas mestras que sempre conduziram estes blockbusters de (Primavera-)Verão.

Cinema nas Ruínas de 19 a 31 de Agosto em Lisboa

O ciclo Cinema nas Ruínas chega ao Convento do Carmo, em Lisboa, entre 19 e 31 de Agosto, para apresentar filmes sobre arte e grandes clássicos do cinema italiano.


As sessões acontecem às 21h30 e dividem-se em duas áreas temáticas, começando com A Grande Arte no Cinema, com filmes que se debruçam sobre as vidas e as obras dos maiores artistas do Renascimento - como Michelangelo, Caravaggio, Tintoretto -, fechando com artistas mais contemporâneos - como Van Gogh, assim como a arte no tempo do nazismo. Todas as sessões contarão com a apresentação de um critico de arte.

Na segunda semana, serão exibidas grandes obras do cinema italiano, como Belíssima, de Luchino Visconti; e Ontem, Hoje e Amanhã, de Vittorio De Sica. Do western, com O Bom, O Mau e O Vilão, de Sergio Leone, com Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach; passando pelo terror, com Suspiria, de Dario Argento, e ainda um passeio de vespa com Querido Diário, de Nanni Moretti e a projecção de O Carteiro de Pablo Neruda, de Massimo Troisi e Michael Radford.

A lotação do espaço é limitada e o bilhete para cada sessão tem o custo de 8 euros. Mais informações em: https://www.facebook.com/events/465931777577682/.

Programa completo:

19 de Agosto, 21h30
Caravaggio – A Alma e o Sangue, Jesus Garces Lambert. Itália, 2018, 90’, leg.pt

20 de Agosto, 21h30
Michelangelo - Infinito, Emanuele Imbucci. Itália, 2018, 95’, leg.pt

21 de Agosto, 21h30
Raffaello, O Príncipe das Artes, Luca Viotto. Itália, 2017, 90’, leg.pt

22 de Agosto, 21h30
Tintoretto - Um Rebelde em Veneza, Giuseppe Domingo Romano. Itália, 2019, 95’, leg.pt

23 de Agosto, 21h30
Hitler Vs Picasso – A Obsessão Nazi pela Arte, Claudio Poli. Itália, 2018, 95’, leg.pt

24 de Agosto, 21h30
Van Gogh, Entre o Trigo e o Céu, Giovanni Piscaglia. Itália, 2018, 116’, leg.pt

26 de Agosto, 21h30
Belíssima, Luchino Visconti. Itália, 1951, 108’. leg.pt

27 de Agosto, 21h30
Ontem, Hoje e Amanhã, Vittorio de Sica. Itália, 1963, 114’, leg.pt

28 de Agosto, 21h30
O Bom, O Mau e o Vilão, Sergio Leone. Itália, Espanha, 1966, 173’, leg.pt

29 de Agosto, 21h30
Suspiria, Dario Argento. Itália, 1977, 98’, leg.pt

30 de Agosto, 21h30
O Carteiro de Pablo Neruda, Massimo Troisi, Michael Radford. Itália, 1994, 114’, leg.pt

31 de Agosto, 21h30
Querido Diário, Nanni Moretti. Itália, 1993, 101’, leg.pt

domingo, 11 de agosto de 2019

Sugestão da Semana #389

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de terror Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, de André Øvredal.

HISTÓRIAS ASSUSTADORAS PARA CONTAR NO ESCURO


Ficha Técnica:
Título Original: Scary Stories to Tell in the Dark
Realizador: André Øvredal
Elenco: Zoe Margaret Colletti, Michael Garza, Gabriel RushDean Norris
Género: Mistério, Terror, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 111 minutos

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Opinião: Minisséries - Sharp Objects / Objetos Cortantes (2018)

"Don't tell Momma"
Amma Crellin


*9/10*

Mais uma família disfuncional a tomar conta do ecrã e da nossa atenção. Ainda para mais, as três mulheres da casa de Sharp Objects são tão misteriosas e perturbadas como sedutoras. A minissérie da HBO, realizada por Jean-Marc Vallée e baseada no primeiro livro de Gillian Flynn (2006), deixa-nos completamente presos à televisão.

São oito episódios viciantes que nos apresentam à repórter Camille Preaker (Amy Adams), de volta à sua terra natal, Wind Gap, para investigar o homicídio de duas jovens. Terá de lidar não só com os seus próprios distúrbios emocionais, mas também com a mãe instável e uma meia-irmã que mal conhece.

O passado regressa e assombra. Pior é quando continua demasiado presente. É o caso de Camille Preaker e da sua estranha família. O ambiente é sinistro, tal como as mortes das duas adolescentes que perturbam Wind Gap e fazem vir ao de cima, mais ainda, os "vícios" das cidades pequenas. Rumores, ignorância, infelicidade, preconceitos.


Sharp Objects mergulha-nos no terror da protagonista - o que vai na sua cabeça, o que percorre o seu corpo e aquele que a rodeia e ameaça. O ritmo, por vezes frenético, a que funciona a cabeça de Camille desafia-nos nos primeiros episódios, mas depressa nos habituamos aos pesadelos, flashbacks ou premonições. De repente, o espectador dá por si a ter alucinações quase tão reais como as de Camille, com cada episódio a provocar o nosso cérebro com palavras que mudam, pequenos pormenores escondidos, tudo numa amálgama de pistas para também nós construirmos a nossa investigação.

O argumento é, sem dúvida, o ponto mais entusiasmante de Sharp Objects, com a psicologia das personagens a tomar conta da maior parte da acção. Ao mesmo tempo, Vallée não tem qualquer receio em filmar cenas mais gráficas - o choque aqui é fundamental -, e o trabalho de caracterização/efeitos especiais é muito realista. Morte, violação e distúrbios psiquiátricos todos os temas se juntam nesta minissérie.


A acrescentar, o trio feminino protagonista faz um excelente trabalho com Patricia Clarkson a dominar todas as cenas em que surge. Ela é Adora, uma mulher respeitada e influente na comunidade, a mãe ultra-protectora e traumatizada, de aparente fragilidade que depressa se transforma em manipulação e ameaça. Segue-lhe de perto a prestação de Amy Adams, na pele da jornalista determinada mas aterrorizada pelo passado que deixou cicatrizes que as roupas escondem. O dilema que vive em si é interiorizado pela actriz que o explora de forma contida, tal como Camille é. Já a australiana Eliza Scanlen interpreta a meia-irmã da protagonista, Amma, com uma dualidade entre o angelical e o provocador, o inocente e o astuto.

E porque a mente humano é o primeiro dos mistérios, Sharp Objects é um excelente desafio para fãs de thrillers psicológicos, com elementos de terror qb, e interpretações magnéticas.

Estreias da Semana #389

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses seis novos filmes. Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, Ibiza e Síndrome de Estocolmo são algumas das estreias.

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (2019)
Scary Stories to Tell in the Dark
Estamos em 1968 e nos Estados Unidos sopram ventos de mudança. Aparentemente distante da agitação das grandes cidades fica a vila de Mill Valley, onde paira há muitas gerações a sombra da família Bellows. Foi na mansão da família que Sarah, uma jovem com terríveis segredos, transformou a sua torturada vida numa série de histórias assustadoras escritas num livro que sobreviveu à passagem do tempo. Histórias que se tornam demasiado reais para um grupo de adolescentes que descobre a aterradora casa de Sarah.

Ibiza (2019)
Philippe (Christian Clavier) e Carole (Mathilde Seigner), ambos recentemente divorciados, acabam de se conhecer. Muito apaixonado, Philippe está disposto a tudo para conquistar os dois filhos adolescentes de Carole. Faz então um desafio ao filho mais velho desta: se ele acabar o liceu, poderá escolher o local das próximas férias de verão. E a escolha é… Ibiza! Philippe, habituado a férias mais tranquilas na costa norte de França, fica em choque, mas vai ter a maior surpresa da sua vida…

Síndrome de Estocolmo (2019)
Stockholm
Baseado na história do assalto a um banco, em 1973, e na situação com reféns documentada no artigo The Bank Drama, escrito em 1974 por Daniel Lang para a revista New Yorker. O filme segue Lars Nystrom (Ethan Hawke) que, disfarçado, invade um banco no centro de Estocolmo e faz reféns algumas das pessoas que se encontravam no edifício. O seu objectivo é tentar negociar a saída da prisão do seu amigo Gunnar (Mark Strong). Uma das reféns é Bianca (Noomi Rapace), casada e mãe de dois filhos. As negociações atingem um impasse quando a polícia, obedecendo a instruções do primeiro-ministro, recusa deixar Lars sair de carro com os reféns. À medida que as horas se transformam em dias, Lars alterna entre ameaçar os reféns e fazê-los sentirem-se confortáveis e seguros. Bianca cria um forte vínculo com o captor ao testemunhar a sua faceta carinhosa. Uma ligação que daria origem ao fenómeno mais tarde baptizado de Síndrome de Estocolmo.

Sousa Martins (2018)
Em Portugal, nem todos os santos vão à Igreja. Nascido em 1843, Sousa Martins, célebre médico e filantropo, tornou-se, apesar das suas batalhas enquanto homem de ciência, objecto de um culto religioso, um culto popular praticado fora de qualquer igreja e convenção. A estátua erguida em sua memória no centro de Lisboa é o ponto de partida para uma viagem, simultaneamente pessoal e antropológica, que interroga a necessidade de crença e a sua relação com a cura.

The Kitchen - Rainhas do Crime (2019)
The Kitchen
Em 1978, no bairro nova-iorquino de Hell"s Kitchen, três donas de casa assistem à prisão dos maridos mafiosos pelo FBI. Tendo em mãos pouco mais do que um negócio ilegal de pernas para o ar, decidem ocupar-se das questões da máfia irlandesa, revelando-se inesperadamente hábeis em todas as áreas, da gestão de extorsões à eliminação da concorrência.

Um Ajuste de Contas (2019)
A Score to Settle
Frank (Nicholas Cage) passou 19 anos na prisão por ter assumido a culpa por um homicídio que o chefe do seu gang cometera. Em troca, Frank passaria apenas cinco anos na prisão, receberia meio milhão de dólares e, enquanto cumprisse pena, tomariam conta do seu filho, Joey. Quando a promessa não é cumprida, Frank sai da prisão com uma só coisa em mente: ajustar contas.