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sábado, 6 de agosto de 2022

Doclisboa 2022 revela primeiras confirmações com Werner Herzog, Maria Augusta Ramos e o legado de Pina Bausch

Foram reveladas as primeiras confirmações do programa do 20.º Doclisboa. Werner Herzog, Maria Augusta Ramos e o legado de Pina Bausch são alguns dos destaques agora anunciados.

Dancing Pina, Florian Heinzen-Ziob

Da secção Heart Beat, há cinco títulos revelados. DIO: Dreamers Never Die, de Don Argott e Demian Fenton, aborda a vida e obra do vocalista Ronnie James Dio, "um dos nomes maiores da história do Heavy Metal, pelos testemunhos da família e amigos mais próximos, cruzados com imagens de arquivo"; Dreaming Walls, de Amélie van Elmbt e Maya Duverdier, conta a história do "Hotel Chelsea, lar de tantos artistas, cineastas e músicos nos anos 60, como Patti Smith, Leonard Cohen ou Stanley Kubrick, e que vê o seu futuro comprometido com as transformações mais recentes que atravessam a cidade de Nova Iorque"; Still Working 9 to 5, de Camille Hardman e Gary Lane, revisita o filme 9 to 5, com Jane Fonda, Dolly Parton e Lily Tomlin, e "debate as lutas pela igualdade de género e discriminação laboral no contexto norte-americano, do final dos anos 70 ao movimento Me Too"; O Que Podem as Palavras, de Luísa Sequeira e Luísa Marinho, "coloca as escritoras portuguesas Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa em diálogo, enquanto reflectem sobre o processo criativo e o impacto da singular obra literária Novas Cartas Portuguesas nas suas vidas e no movimento feminista no contexto internacional"; e Dancing Pina, de Florian Heinzen-Ziob, "acompanha os ensaios de duas companhias de dança que interpretam uma obra de Pina Bausch", numa homenagem à coreógrafa.

The Fire Within: Requiem for Katia and Maurice Krafft, Werner Herzog

Também a secção Da Terra à Lua tem já cinco obras confirmadas: The Fire Within: Requiem for Katia and Maurice Krafft, de Werner Herzog, "uma elegia ao casal de vulcanologistas franceses, construída a partir do seu extenso arquivo de imagens registadas ao longo do seu trabalho de uma vida a captar a essência dos vulcões em actividade"; To the End, de Rachel Lears, que "acompanha quatro activistas ambientais, incluindo a Congressista Alexandria Ocasio-Cortez, na proposta do Green New Deal para reduzir as emissões carbónicas e reformular a economia nos Estados Unidos"; Amigo Secreto, de Maria Augusta Ramos, "segue o caso de investigação jornalística 'Vaza Jato', levado a cabo pela equipa do The Intercept, numa reflexão sobre os eixos político, jurídico e o papel ético da imprensa"; Adeus, Capitão, de Vincent Carelli e Tatiana Almeida, faz "o retrato póstumo de Krohokrenhum, líder indígena e figura central de resistência do povo Gavião, no interior do estado do Pará"; e Everything Will Be Ok, de Rithy Panh, "que parte da construção de um futuro distópico para analisar a história do totalitarismo e da democracia"Maria Augusta RamosVincent Carelli e Rithy Panh vão marcar presença no festival. 

O Doclisboa 2022 regressa de 6 a 16 de Outubro. Mais informações em https://doclisboa.org/2022/.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

IndieLisboa'18: O Processo / The Trial (2018)

*8/10*


Será possível documentar todo o processo que levou à destituição de Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil, sem inclinações políticas evidentes? A resposta não é certa, mas Maria Augusta Ramos faz o melhor que pode no seu documentário O Processo.

Aqui o que interessa não é tanto o desfecho (a destituição da presidente), mas sim compreender de que forma se deu o dito “Golpe”. A realizadora acompanhou a equipa de defesa da ex-presidente durante meses e o resultado é um documentário que coloca a nu os meandros da judicialização da política. Um olhar observacional que revela as traições e os interesses nos bastidores do Senado e do Congresso, ao som dos gritos de protesto vindos do exterior.


Os bastidores da defesa de Dilma são-nos apresentados sem tabus, mas o outro lado, o lado que dizia "sim" ao impeachment, é-nos também mostrado com a proximidade possível, sem cortar depoimentos ou acusações. Temos todos os dados para podermos tomar partido de um dos lados, ou para analisar o caso com algum distanciamento. Não sendo totalmente isento, O Processo consegue um equilíbrio e não faz julgamentos. Esses seremos nós a fazer. 

No meio de uma maioria masculina, O Processo consegue fazer sobressair algumas grandes mulheres, tanto do lado de Dilma como contra ela. Todas mostram a força do feminismo, são mulheres de garra e convicções, e Maria Augusta Ramos, outra mulher de coragem, sabe como destacá-las.


Vemos os brasileiros na rua, em manifestações pelo "sim" e pelo "não", vemos a confusão no congresso, onde muitas vezes o inacreditável acontece, vemos a parcialidade de muitos, a lei a ser corrompida. A retórica exemplar, de um lado, contrasta com argumentação religiosa e romântica, do outro. E nós assistimos a tudo - por vezes incrédulos -, sem faltarem as cargas policiais sobre os manifestantes... E, entretanto, o Brasil espera...

O Processo passou na secção Silvestre do IndieLisboa, no dia 1 de Maio, e repete este Domingo, dia 6. No Dia do Trabalhador, com sala cheia, houve palmas e apupos, gritos de guerra e libertação, mas eu só estava lá para ver o filme. E gostei.