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terça-feira, 22 de setembro de 2026

MOTELx 2026: Nosferatu: O Vampiro da Noite / Nosferatu: Phantom der Nacht (1979)

"Death is not the worst. There are things more horrible than death."

Conde Drácula

*7.5/10*

Entre a sua vasta filmografia, Werner Herzog realizou Nosferatu: O Vampiro da Noite (1979), muito inspirado no filme de 1922, de F. W. Murnau, mas com uma visão muito própria da história do Conde Drácula, para além do livro de Bram Stoker.

"Jonathan Harker viaja até ao castelo do enigmático Conde Drácula, na Transilvânia, para o ajudar nas diligências da aquisição de uma nova propriedade. No entanto, sem que se aperceba, a sua visita desencadeia uma epidemia de terror na sua cidade natal, Wismar, onde Lucy, a sua esposa, o espera."

O primeiro plano do filme é talvez o mais arrepiante, pela forma realista (quase em estilo documental) com que Herzog o filma. E, afinal, é o pesadelo premonitório de Lucy. Apesar do pedido da esposa para ficar, e dos vários avisos que recebe durante a longa jornada com destino ao castelo de Drácula - inclusive as dicas da comunidade cigana com quem se cruza -, Jonathan é demasiado céptico e orgulhoso para acreditar em superstições e lendas... até que as sente na pele, e logo decide regressar para salvar a amada e a sua cidade. As lendas e mitos que pairavam acerca do Conde, que o protagonista desvalorizou, são afinal mais reais do que as histórias.

Werner Herzog representa Drácula como símbolo de doença. O mal eterno que encarna é a peste, transportada pelas centenas de ratos que o acompanham até Wismar e que tomam de assalto a cidade e suas gentes. A morte chega de barco, já Jonathan, por terra, vem a definhar e fora de si. Em Nosferatu: O Vampiro da Noite, Lilly é retratada como uma mulher perspicaz e capaz de interpretar os seus pesadelos para lá do medo e do terror. Ela quer fazer frente ao Conde e derrotá-lo, ele só a quer a ela, sedento do amor que a une a Jonathan

Herzog constrói uma narrativa alternativa à de Nosferatu, de 1922, transformando a personagem de terror numa alegoria dos medos do Passado e do Presente: A peste arrasa tudo por onde passa e continuará a fazer vítimas. Será que uma estaca empunhada por Van Helsing é o suficiente para detê-la?

Destaque para as interpretações de Klaus Kinski, Isabelle Adjani e Bruno Ganz.

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Nosferatu: O Vampiro da Noite foi um dos três filmes que compuseram o ciclo Falar Sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), que o MOTELX 2026 apresentou em parceria com o Goethe-Institut Portugal. O ciclo propunha "uma reflexão sobre a morte através de painéis e três obras incontornáveis do cinema de terror alemão, que a encaram como metáfora, obsessão, destino e experiência existencial". O cineasta alemão Jörg Buttgereit (realizador dos outros dois filmes que compõem o ciclo) esteve presente na sessão, à qual se seguiu uma conversa com outros convidados sobre o tema.