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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Sugestão da Semana #167

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o documentário Pára-me de Repente o Pensamento, de Jorge Pelicano, que já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

PÁRA-ME DE REPENTE O PENSAMENTO


Ficha Técnica:
Título Original: Pára-me de Repente o Pensamento
Realizador: Jorge Pelicano
Actores: Miguel Borges
Género: Documentário, Drama
Classificação: M/14
Duração: 101 minutos

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Estreias da Semana #167

Nove filmes chegaram aos cinemas portugueses esta Quinta-feira. Força Maior, Pára-me de Repente o Pensamento e Perseguição Escaldante são alguns dos títulos a estrear.

A Humilhação (2014)
The Humbling
Simon Axler (Al Pacino) é um famoso actor de teatro que se torna deprimido e desenvolve pensamentos suicidas quando, repentina e inexplicavelmente, perde o dom da representação. Numa tentativa de recuperar o talento, Axler envolve-se emocionalmente com Pegeen (Greta Gerwig), uma mulher lésbica com metade da sua idade. Em pouco tempo, o caos invade a relação quando algumas pessoas do passado de ambos reaparecem nas suas vidas.

A Maldição de Michael King (2014)
The Possession of Michael King
Michael King (Shane Johnson) não acredita nem em Deus, nem no Diabo. No seguimento da morte inesperada da sua mulher, o realizador de documentários decide dedicar o seu próximo filme à procura da existência do sobrenatural. Michael decide fazer de si próprio o centro da experiência – permitindo que adoradores do diabo, necromantes e outros praticantes do oculto lancem, sobre si, feitiços e rituais poderosos e negros – na esperança de que, ao falharem, ele, de uma vez por todas, teria a prova de que a religião, o espiritualismo e o paranormal são, nada mais, do que um mito. No entanto, algo acontece.

Ao Som da Vida (2014)
Rudderless
Sam, um executivo publicitário de sucesso, entra em colapso e fica à deriva após a morte inesperada do seu filho. Ancorado no seu veleiro, Sam definha enquanto afoga a dor em álcool. Um dia, descobre uma caixa do seu filho cheia de letras e demos musicais. O talento que descobre é para Sam uma revelação chocante. Dedica-se então a aprender cada canção, até ao momento que encontra coragem para tocar num bar. Entretanto, Quentin, um jovem músico que assiste à actuação, fica cativado pelo que ouve e acaba por convidá-lo a formar uma banda.

Força Maior (2014)
Turist
Uma família sueca viaja para os Alpes Franceses para desfrutar de uns dias de esqui. O sol brilha e as pistas estão espectaculares, mas durante o almoço num restaurante na montanha, uma avalanche vai provocar o caos. Com os comensais a fugir em todas as direcções, a mãe Ebba chama pelo seu marido Tomas, enquanto tenta proteger os seus filhos. Tomas, entretanto, está a fugir para se salvar…

Nos Jardins do Rei (2014)
A Little Chaos
O ano é 1682. Sabine De Barra (Kate Winslet), uma decidida e talentosa arquitecta paisagista, realiza a sua vocação nos jardins da província de França. Um dia, chega-lhe um convite inesperado: Sabine está na lista para um contrato com a corte do Rei Louis XIV (Alan Rickman). Quando a conhece, o reputado artista paisagista do Rei, André Le Notre (Matthias Schoenaerts) fica inicialmente perturbado com o olhar distinto de Sabine e com a sua natureza progressista, mas acaba por a escolher para desenhar um dos principais jardins do novo palácio do Rei Sol, em Versalhes. Sob a pressão do tempo e com um ritmo e estilo muito próprios, Le Notre reconhece aos poucos o valor de “um pequeno caos” no processo criativo de Sabine.

Os Últimos Cavaleiros (2015)
Last Knights
Bartok (Morgan Freeman) é um nobre desonrado, por não aceitar participar na corrupção e no suborno que grassa no império, e é morto. O código dos cavaleiros exige dedicação a toda a prova e Raiden (Clive Owen), um dos últimos cavaleiros que respeita o código, dá a própria vida para recuperar a honra do seu senhor. Raiden será colocado muitas vezes entre a espada e a parede, e forçado a decidir entre o código de honra e a sobrevivência. 

Em Pára-me de Repente o Pensamento, entramos numa viagem ao Centro Hospitalar Conde Ferreira, um hospital psiquiátrico no Porto, e partilhamos momentos com os seus doentes, que vagueiam pelos corredores entre cafés e cigarros, terapias que apelam aos sentidos e às emoções e rotinas que os puxam para a realidade. Do mundo exterior, chegamos nós, que assistimos, e o actor Miguel Borges, que ali procura a sua personagem para uma peça de teatro de comemoração dos 131 anos do Hospital, inaugurado a 24 de Março de 1883.

Perseguição Escaldante (2015)
Hot Pursuit
Em Perseguição Escaldante, uma polícia rígida e cumpridora das regras (Witherspoon) tenta proteger a viúva de um traficante de droga (Vergara), uma mulher sensual e extrovertida, enquanto atravessam o Texas sendo perseguidas por polícias corruptos e perigosos assassinos.

Uma Aldeia Quase Perfeita (2015)
Un Village Presque Parfait
Saint-Far-la-Mauderne é uma pequena aldeia duramente atingida pela crise e pela desertificação. A sua última esperança é ressuscitar a fábrica de fumar salmão. O único problema é que as companhias de seguros exigem a presença de um médico residente. O último médico das redondezas reformou-se há mais de cinco anos e nunca encontraram um substituto. Com a liderança do brusco mas carismático presidente da junta, as pessoas vão fazer tudo para convencer Maxime Meyer, um médico parisiense, de que Saint-Far-la-Mauderne é o melhor lugar do mundo para viver!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Pára-me de Repente o Pensamento (2014)

*8.5/10*

Jorge Pelicano (que já venceu o festival com o documentário Pare, Escute e Olhe) trouxe à Competição Portuguesa de Longas provavelmente o filme mais envolvente e poderoso de todo o Doclisboa'14. Em Pára-me de Repente o Pensamento, entramos numa viagem ao Centro Hospitalar Conde Ferreira, um hospital psiquiátrico no Porto, e partilhamos momentos com os seus doentes, que vagueiam pelos corredores entre cafés e cigarros, terapias que apelam aos sentidos e às emoções e rotinas que os puxam para a realidade. Do mundo exterior, chegamos nós, que assistimos, e o actor Miguel Borges, que ali procura a sua personagem para uma peça de teatro de comemoração dos 131 anos do Hospital, inaugurado a 24 de Março de 1883.


Nos primeiros minutos, preparamo-nos para entrar no Conde Ferreira, vemos os utentes e a sua rotina e conhecemos desde logo alguns personagens. Somos, para já, meros observadores: dos gestos, das palavras. O Sr. Abreu e o Alberto começam logo por nos conquistar e irão acompanhar-nos nesta visita. A eles juntar-se-ão outros utentes do Hospital: Zé Pedro, Joaquim Carvalho, Rosa Guedes e Torres.

A chegada de Miguel Borges torna-nos mais activos em Pára-me de Repente o Pensamento. Depressa damos por nós como parte integrante daquele local, partilhando dramas, amores e terapias. Tal como Miguel, vamos entrando no íntimo dos doentes, escutá-los e compreendê-los, sem preconceitos. E Jorge Pelicano sabe bem como nos aproximar de realidades distantes, sabe como dar um murro no estômago ao espectador, que, inevitavelmente, irá olhar com outros olhos para os doentes psiquiátricos - Miguel Borges será a personificação desse entendimento, dessa compreensão. O actor observa, questiona, sem nunca emitir juízos de valor, ao mesmo tempo que procura também ali a inspiração para escrever uma peça de teatro.

A excelente montagem do documentário contribui em muito para o envolvimento do público, bem como a realização rica em planos intimistas e curiosos (até espreitamos pela fechadura). Há uma enorme atenção aos pormenores e aos gestos repetitivos. Cafés, cigarros, moedas e a esperança depositada no euromilhões. A certo momento, Miguel pergunta a um dos doentes do Conde Ferreira: "O que é que fazias com tanto dinheiro?". A resposta parece ser simples e bem humorada: "Ficava mais tolo do que sou". Aí está um dos bons exemplos do que vamos encontrar neste filme: sorrisos, no meio de uma realidade dura que não deveria estar assim tão distante.


E vamos perder-nos entre conversas profundas ou outras extremamente divertidas - que seguimos, atentos -, mas todas elas tocantes. Tudo enquanto Miguel Borges prepara o seu papel para a peça de teatro do Hospital, em que encarna o poeta Ângelo de Lima, que ali esteve internado, e se inspira para futuros projectos. O actor quer encontrar a melhor forma de interpretar o poema que dá título ao documentário, Pára-me de Repente o Pensamento, e ultrapassa todos os seus limites para o conseguir perante o espanto do espectador e dos utentes.

E entre ensaios e preparação da personagem, alguém diz a Miguel: "Nunca tive ninguém que me inspirasse tanto". Eis a mútua satisfação e entreajuda entre actor e doentes e, muito possivelmente, uma das experiências mais marcantes da vida do actor.

Damos de caras com o desespero de alguns, com a dor, mas também com a esperança, a amizade e o amor. Depois de Pára-me de Repente o Pensamento não seremos os mesmos e Miguel também não. A magia do plano final é um culminar em beleza de um trabalho que fazia falta e que devia chegar a todos.