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terça-feira, 5 de novembro de 2013

DocLisboa'13: The Great North Korean Picture Show (2012)

*7/10*

The Great North Korean Picture Show, de James Leong e Lynn Lee, trouxe ao DocLisboa'13 uma realidade quase desconhecida - o cinema na Coreia do Norte. Após uma autorização que demorou a ser concedida, e limitados a trabalhar sobre restrições impostas pelos norte-coreanos, os realizadores trazem até nós um interessante retrato de uma sociedade tão longe da nossa, tanto espacial como culturalmente.

Não sabemos ao certo quais foram as decisões dos censores quanto às imagens que os realizadores filmaram - o que é que realmente ficou de fora. Mas podemos constatar que, no resultado final, se poderia ter ido mais além. Sentimos falta de conhecer a História do cinema norte-coreano, ou mesmo de uma conclusão.

A ironia está presente nos comentários iniciais dos realizadores, mas, pouco depois, perde-se para apenas nos inserir no quotidianos de dois estudantes de representação e - um dos melhores momentos da longa-metragem - daquele que é considerado o maior realizador da Coreia do Norte, Pyo Hang.

A indústria cinematográfica norte-coreana é uma ferramenta fundamental na maquinaria de propaganda do regime. Esta foi a primeira vez que realizadores estrangeiros puderam entrar na única escola de cinema do país, uma instituição onde jovens são treinados para criar obras, não apenas para entreter, mas para ajudar a moldar a psique de uma nação inteira.


Em The Great North Korean Picture Show percebemos bem como estes jovens aprendizes de actores são moldados - numa espécie de modelo a seguir -, e devem ser bons não só na representação, mas na dança, patinagem ou música, mantendo sempre um aspecto saudável e belo. Ao mesmo tempo, Pyo Hang mostra-nos uma motivação e orgulho extremo por fazer filmes que agradem ao "querido líder" e glorifiquem o país.

James Leong e Lynn Lee conseguiram o que ainda mais ninguém fez: entraram na realidade fechada da Coreia do Norte e filmaram-na, do ponto de vista cinematográfico. Apesar de se pedir um pouco mais de coragem e de contexto histórico, o resultado de The Great North Korean Picture Show é curioso e material de reflexão.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

DocLisboa'13: Que Filmes Ver?

Começou esta Quinta-feira o DocLisboa'13 com uma programação de excelência. Se ainda não sabes o que ver no festival, aqui ficam algumas sugestões.


Pays Barbare / Barbaric Land
Se perdeste a sessão de abertura, ainda terás mais uma hipótese de ver este filme, realizado por Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi. Através de arquivos, Pays Barbare relata a presença colonial italiana na Etiópia e os mecanismos de subjugação aí utilizados durante a ditadura de Mussolini.

Pokazatelnyy Protsess: Istoriya Pussy Riot / Pussy Riot: A Punk Prayer
A história das três jovens mulheres que encaram sete anos de prisão, na Rússia, por uma performance satírica, numa catedral de Moscovo. Enquanto Nadia, Masha e Katia defendem as suas convicções, numa jaula, dentro do tribunal, os restantes membros das Pussy Riot ainda em liberdade planeiam novas performances de guerrilha.

Olho Nu / Naked Eye
O filme de Abertura da secção Heart Beat é um ensaio que retrata a vida e a obra do brasileiro Ney Matogrosso, a partir de um conjunto de imagens e sons reunidos pelo artista, em contraponto com sequências actuais. O realizador Joel Pizzini irá estar presente na sessão do dia 25 de Outubro.

E Agora? Lembra-me / What Now? Remind Me
O realizador convive com o VIH e o VHC há quase 20 anos. Uma reflexão aberta e ecléctica sobre o tempo e a memória, as epidemias e a globalização, a sobrevivência para além do expectável, a dissensão e o amor absoluto. E Agora? Lembra-me já passou no QueerLisboa'13, e saiu duplamente premiado do Festival de Locarno. O realizador estará presente nas sessões de 29 de Outubro e 1 de Novembro.

Der Kapitän und sein Pirat / The Captain and his Pirate
O navio porta-contentores Hansa Stavanger foi capturado por piratas somalis. Der Kapitän und sein Pirat conta a história íntima da amizade entre o capitão Kotiul e o pirata Ahado, num drama que durou quatro meses.

The Pervert’s Guide to Ideology / O Guia de Ideologia do Depravado
O filósofo Slavoj Žižek e a realizadora Sophie Fiennes apresentam uma viagem cinematográfica ao coração da ideologia - os sonhos que moldam as nossas crenças e as nossas práticas colectivas.

A Mãe e o Mar / The Mother and the Sea
Na senda de um mito real e perdido em Vila Chã, aqui apresentam-nos as mulheres do mar chamadas "pescadeiras", num dos poucos lugares do mundo com mulheres arrais (chefes de embarcação). Mas onde estão elas e os 120 barcos de pesca artesanal? Sobram 8 barcos e uma única mulher pescadeira.

The Great North Korean Picture Show
A indústria cinematográfica norte-coreana é uma ferramenta crucial na maquinaria de propaganda do regime. Pela primeira vez, realizadores estrangeiros puderam entrar na única escola de cinema do país, onde jovens talentos são treinados para criar obras, não apenas para entreter, mas para ajudar a moldar a mente de uma nação inteira.

Dast-Neveshtehaa Nemisoosand / Manuscripts don’t burn
Mohammad Rasoulof não pôde estar presente - por motivos menos felizes - mas é um filme seu que encerra o DocLisboa'13. Manuscripts don’t burn conta a história real de um homem perseguido pelos serviços secretos iranianos, que tenta publicar as suas memórias de presidiário e sair do país.